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	Comentários sobre: Sobre a centralidade da tática no campo autonomista	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: centralidade		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[centralidade]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 May 2021 22:37:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A tal da &quot;centralidade do conflito&quot; abordada nos recentes debates do site me fizeram lembrar desse texto aqui. Parece que a centralidade do conflito nada mais é que a centralidade da tática, afinal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A tal da &#8220;centralidade do conflito&#8221; abordada nos recentes debates do site me fizeram lembrar desse texto aqui. Parece que a centralidade do conflito nada mais é que a centralidade da tática, afinal.</p>
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		<title>
		Por: Arabel		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Arabel]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Mar 2016 19:09:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Experiencias vitoriosas de processos revolucionarios proletarios nunca aconteceram, primeiro porque o processo nunca foi internacionalista e nunca rumou como tendencia a abolição da diferença entre planejamento e execução, o controle do processo produtivo pelos orgãos da classe trabalhadora, no controle do tempo da produção pela classe trabalhadora, em eliminação da alienação dos produtos em relação aos produtores, enfim, da reapropriação social pelo que ja não é mais da classe.

Da onde vem esse (sic) sobre minha afirmação que a revolução chinesa e cubana foram vitoriosas? Nunca cheguei nem perto de colocar a coisa nesses termos. 
Esses são processos que destroem Blocos Historicos, em linguagem gramsciana, o que não significa um rompimento com capitalismo, ou nenhuma ação positiva em direção ao socialismo, apenas um rompimento com a velha ordem. 
Concordo com a incapacidade do partido de criar novas relações sociais e seu papel no impedimento no surgimento de uma nova ordem em todos os processos que conseguiram derrubar o velho bloco historico, Marx ja deixava claro que as ações politicas tinham um carater essencialmente negativo e da necessidade da reapropriação pela sociedade do que foi apropriado pelo politico, o que por si só não acaba com a necessidade das tarefas negativas aparecerem sempre como uma necessidade(!) para o avanço do processo revolucionario.
A discussão raramente caminha no sentido que deveria ser feita, dado que uma concepção especifica (de partido, organização, direção, estrategia, metodo de analise, centralização da militancia) conseguiu que parte dessas derrubas de blocos historicos realizar as tarefas negativas e ao mesmo tempo, logo depois delas, se desenvolveram relações sociais de produção capitalistas e uma nova classe se torna classe dominante, temos a questão: 
Quais elementos são estrutantes dessa concepção do primeiro e do segundo momento, quais são indisassociaiveis e portanto apenas podem servir para derrubada do bloco historico quando ao mesmo tempo necessariamente avançam para constituição de novas relações de exploração, quais apenas servem para criar novas relações de exploração, ou então tudo que esta dado dentro dessa concepção faz parte de uma totalidade tão fechada que não pode ser utilizada para nada que não caminhe rumo a uma nova sociedade exploradora?

Alguns apontamentos sobre isso ja apareceram mesmo na historia da esquerda brasileira como parecem demonstrar alguns trechos de documentos de contribuição para a estruturaçao de uma organização nos anos 60
---
“E já que pretendemos romper com a tradição de um partido burocrático, constituído de cima para baixo, dividido numa direção que pensa (ou recebe ordens de fora) e uma base que executa, devemos colocar a premissa da existência de um mínimo de quadros com experiência revolucionária, para que o novo partido possa funcionar democraticamente e para que a base possa de fato determinar a &quot;linha&quot;. Pressupõe isso ainda que esses quadros falem uma linguagem comum, que encarem os fenômenos da luta de classes sob um ângulo comum e que tenham pelo menos tanto em comum, para que uma minoria se possa submeter à decisão da maioria, sem que isso se choque com as suas concepções revolucionárias de princípio.[...]
[...]  Temos de  criar um programa para um partido operáriono Brasil. Não vejo essa tarefa como simples elaboração de um documento. Antes de chegar a esse ponto, teremos de estudar e interpretar a realidade brasileira sob um ângulo marxista e teremos de analisar a situação mundial, e, não por último, assimilar boa parte da experiência da luta de classe em escala internacional. Na medida que prosseguimos nessa obra, forneceremos ao movimento revolucionário metas mais claras e permitiremos aos militantes interpretar os problemas diários sem perder de mira o objetivo final”iar um programa para um partido operáriono Brasil. Não vejo essa tarefa como simples elaboração de um documento. Antes de chegar a esse ponto, teremos de estudar e interpretar a realidade brasileira sob um ângulo marxista e teremos de analisar a situação mundial, e, não por último, assimilar boa parte da experiência da luta de classe em escala internacional. Na medida que prosseguimos nessa obra, forneceremos ao movimento revolucionário metas mais claras e permitiremos aos militantes interpretar os problemas diários sem perder de mira o objetivo final”
- Convocatoria para o primeiro congresso da POLOP

“Estudando mais detalhadamente o material desse Segundo Congresso da Internacional, principalmente as 21 condições de admissão, vemos que não há princípios organizatórios a serem impostos às sessões nacionais, a não ser a premissa da existência de um centralismo democrático, que garanta a capacidade de ação do partido e a submissão de todas as atividades, como a parlamentar, de imprensa e editorial. à linha política definida nela maioria dos seus militantes. Os detalhes organizatórios ficam a cargo dos partidos nacionais, que tem de levar em conta as tradições de luta já criadas pelo seu proletariado. 
A posterior &quot;bolchevização&quot; das sessões nacionais da Internacional, iniciada por Zinoviev e levada a termo por Stalin, forçou os partidos a copiar literalmente o estatuto soviético (pós-revolucionário), com Comitês Centrais e Birôs Políticos, desprovendo-os do centralismo democrático, cortando as possibilidades do seu futuro amadurecimento e desenvolvimento revolucionário. De modo que a experiência do &quot;partido do novo tipo&quot; foi curta e não chegou a se desdobrar nas várias condições que as lutas de classes em países diferentes oferecem. O que ficou para nós é um ponto de partida; a experiência nós próprios temos de colher. “
-Partido, vanguarda e classe
---

Sou é contra essa mistificação da realidade que foi produzida por uma parte grande do dito &quot;campo autonomista&quot;. 
Marx diz que as filosofias até aquele momento tinham interpretado o mundo, a tarefa agora é transforma-lo. A mistificação é tanta que muitas das concepções geradas por esse campo não servem nem para interpretar o mundo, quanto mais transformar ele. 

Ainda estou para ver uma analise sobre situações revolucionarias ser feita por uma concepção de estrategia, que perde de horizonte as relações objetivas e subjetivas formando uma totalidade, e apenas olha para a horizontalidade, a radicalidade e a massividade das lutas. 
Minha aposta é que ainda estou para a ver essa concepção aplicada aos processos historicos da classe justamente porque se olharmos de perto e não se criar uma mitologia abstrata sobre eles, essa concepção não serve para interpretar esses processos, quanto menos serve como ferramenta de transformação da realidade. Ela é produto de uma vontade de justificar uma posição politica sobre a horizontalidade e não fazer as devidas mediações/ver a correspondencia com a realidade.

Das situações revolucionarias que aconteceram no sec XX se tira simplesmente que todas serviram para criar uma nova classe dominante e um novo tipo de capitalismo, para se olhar sua intervenção hoje vai se perdendo as contradições especificas e analises de classe e formação economica em prol de uma horizontalidade e radicalidade que vai sumindo com os contornos de classe (que desapareça a diferença de intensidade entre processos de duplo poder em situações revolucionarias com contradição principal no proletariado urbano e a fraqueza ou inexistencia desse duplo poder em situações camponesas, talvez isso tenha a ver com o carater de socialização do trabalho em uma dessas classes? mas quem se importa, afinal, o sujeito revolucionario é todo aquele que se coloca em movimento de forma combativa).
Da dialética na analise dos movimentos reais, só sobra uma concepção mecanica sobre esses processos revolucionarios. Que todos eles geraram automaticamente uma nova classe e um novo tipo de capitalismo, que o que aconteceu foi a &quot;tomada&quot; do Estado(aconteceram alguns processos de duplo poder com os Estados antigos então?), portanto que essas experiencias só tem como contribuição a continuidade da exploração da humanidade e só tem potencial como material para se fazer a critica, raras vezes como contribuição para a solução de problemas.
Dessas experiencias se tira que é necessario reinventar a roda, que uma parte bem grande das grandes experiencias de luta da classe trabalhadora do sec XX traziam apenas e tão somente em si o germe da burocracia, e ai se retomam discussões que a historia ja enterrou a muito tempo ao querer retomar posições falidas do ponto de vista pratico, organizativo(abolir organizações “politicas” e tudo ser construido apenas em organizações por locais de trabalho, estudo e moradia, enfim, um sindicalismo-revolucionario reinventado, entre outros tipos de concepção) e tambem teorico ao querer fazer sumir a analise de classe colocada na estrutura economica (ao final, os sujeitos revolucionarios são todos que se movimentam), das formações economicas, de setores estrategicos, da propria estrategia... 

Se pretende então substituir tudo isso por boa vontade e muita luta.

Esse autonomismo que eu centro minha critica, que das experiencias de luta do proletariado, só consegue ver os aspectos negativos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Experiencias vitoriosas de processos revolucionarios proletarios nunca aconteceram, primeiro porque o processo nunca foi internacionalista e nunca rumou como tendencia a abolição da diferença entre planejamento e execução, o controle do processo produtivo pelos orgãos da classe trabalhadora, no controle do tempo da produção pela classe trabalhadora, em eliminação da alienação dos produtos em relação aos produtores, enfim, da reapropriação social pelo que ja não é mais da classe.</p>
<p>Da onde vem esse (sic) sobre minha afirmação que a revolução chinesa e cubana foram vitoriosas? Nunca cheguei nem perto de colocar a coisa nesses termos.<br />
Esses são processos que destroem Blocos Historicos, em linguagem gramsciana, o que não significa um rompimento com capitalismo, ou nenhuma ação positiva em direção ao socialismo, apenas um rompimento com a velha ordem.<br />
Concordo com a incapacidade do partido de criar novas relações sociais e seu papel no impedimento no surgimento de uma nova ordem em todos os processos que conseguiram derrubar o velho bloco historico, Marx ja deixava claro que as ações politicas tinham um carater essencialmente negativo e da necessidade da reapropriação pela sociedade do que foi apropriado pelo politico, o que por si só não acaba com a necessidade das tarefas negativas aparecerem sempre como uma necessidade(!) para o avanço do processo revolucionario.<br />
A discussão raramente caminha no sentido que deveria ser feita, dado que uma concepção especifica (de partido, organização, direção, estrategia, metodo de analise, centralização da militancia) conseguiu que parte dessas derrubas de blocos historicos realizar as tarefas negativas e ao mesmo tempo, logo depois delas, se desenvolveram relações sociais de produção capitalistas e uma nova classe se torna classe dominante, temos a questão:<br />
Quais elementos são estrutantes dessa concepção do primeiro e do segundo momento, quais são indisassociaiveis e portanto apenas podem servir para derrubada do bloco historico quando ao mesmo tempo necessariamente avançam para constituição de novas relações de exploração, quais apenas servem para criar novas relações de exploração, ou então tudo que esta dado dentro dessa concepção faz parte de uma totalidade tão fechada que não pode ser utilizada para nada que não caminhe rumo a uma nova sociedade exploradora?</p>
<p>Alguns apontamentos sobre isso ja apareceram mesmo na historia da esquerda brasileira como parecem demonstrar alguns trechos de documentos de contribuição para a estruturaçao de uma organização nos anos 60<br />
&#8212;<br />
“E já que pretendemos romper com a tradição de um partido burocrático, constituído de cima para baixo, dividido numa direção que pensa (ou recebe ordens de fora) e uma base que executa, devemos colocar a premissa da existência de um mínimo de quadros com experiência revolucionária, para que o novo partido possa funcionar democraticamente e para que a base possa de fato determinar a &#8220;linha&#8221;. Pressupõe isso ainda que esses quadros falem uma linguagem comum, que encarem os fenômenos da luta de classes sob um ângulo comum e que tenham pelo menos tanto em comum, para que uma minoria se possa submeter à decisão da maioria, sem que isso se choque com as suas concepções revolucionárias de princípio.[&#8230;]<br />
[&#8230;]  Temos de  criar um programa para um partido operáriono Brasil. Não vejo essa tarefa como simples elaboração de um documento. Antes de chegar a esse ponto, teremos de estudar e interpretar a realidade brasileira sob um ângulo marxista e teremos de analisar a situação mundial, e, não por último, assimilar boa parte da experiência da luta de classe em escala internacional. Na medida que prosseguimos nessa obra, forneceremos ao movimento revolucionário metas mais claras e permitiremos aos militantes interpretar os problemas diários sem perder de mira o objetivo final”iar um programa para um partido operáriono Brasil. Não vejo essa tarefa como simples elaboração de um documento. Antes de chegar a esse ponto, teremos de estudar e interpretar a realidade brasileira sob um ângulo marxista e teremos de analisar a situação mundial, e, não por último, assimilar boa parte da experiência da luta de classe em escala internacional. Na medida que prosseguimos nessa obra, forneceremos ao movimento revolucionário metas mais claras e permitiremos aos militantes interpretar os problemas diários sem perder de mira o objetivo final”<br />
&#8211; Convocatoria para o primeiro congresso da POLOP</p>
<p>“Estudando mais detalhadamente o material desse Segundo Congresso da Internacional, principalmente as 21 condições de admissão, vemos que não há princípios organizatórios a serem impostos às sessões nacionais, a não ser a premissa da existência de um centralismo democrático, que garanta a capacidade de ação do partido e a submissão de todas as atividades, como a parlamentar, de imprensa e editorial. à linha política definida nela maioria dos seus militantes. Os detalhes organizatórios ficam a cargo dos partidos nacionais, que tem de levar em conta as tradições de luta já criadas pelo seu proletariado.<br />
A posterior &#8220;bolchevização&#8221; das sessões nacionais da Internacional, iniciada por Zinoviev e levada a termo por Stalin, forçou os partidos a copiar literalmente o estatuto soviético (pós-revolucionário), com Comitês Centrais e Birôs Políticos, desprovendo-os do centralismo democrático, cortando as possibilidades do seu futuro amadurecimento e desenvolvimento revolucionário. De modo que a experiência do &#8220;partido do novo tipo&#8221; foi curta e não chegou a se desdobrar nas várias condições que as lutas de classes em países diferentes oferecem. O que ficou para nós é um ponto de partida; a experiência nós próprios temos de colher. “<br />
-Partido, vanguarda e classe<br />
&#8212;</p>
<p>Sou é contra essa mistificação da realidade que foi produzida por uma parte grande do dito &#8220;campo autonomista&#8221;.<br />
Marx diz que as filosofias até aquele momento tinham interpretado o mundo, a tarefa agora é transforma-lo. A mistificação é tanta que muitas das concepções geradas por esse campo não servem nem para interpretar o mundo, quanto mais transformar ele. </p>
<p>Ainda estou para ver uma analise sobre situações revolucionarias ser feita por uma concepção de estrategia, que perde de horizonte as relações objetivas e subjetivas formando uma totalidade, e apenas olha para a horizontalidade, a radicalidade e a massividade das lutas.<br />
Minha aposta é que ainda estou para a ver essa concepção aplicada aos processos historicos da classe justamente porque se olharmos de perto e não se criar uma mitologia abstrata sobre eles, essa concepção não serve para interpretar esses processos, quanto menos serve como ferramenta de transformação da realidade. Ela é produto de uma vontade de justificar uma posição politica sobre a horizontalidade e não fazer as devidas mediações/ver a correspondencia com a realidade.</p>
<p>Das situações revolucionarias que aconteceram no sec XX se tira simplesmente que todas serviram para criar uma nova classe dominante e um novo tipo de capitalismo, para se olhar sua intervenção hoje vai se perdendo as contradições especificas e analises de classe e formação economica em prol de uma horizontalidade e radicalidade que vai sumindo com os contornos de classe (que desapareça a diferença de intensidade entre processos de duplo poder em situações revolucionarias com contradição principal no proletariado urbano e a fraqueza ou inexistencia desse duplo poder em situações camponesas, talvez isso tenha a ver com o carater de socialização do trabalho em uma dessas classes? mas quem se importa, afinal, o sujeito revolucionario é todo aquele que se coloca em movimento de forma combativa).<br />
Da dialética na analise dos movimentos reais, só sobra uma concepção mecanica sobre esses processos revolucionarios. Que todos eles geraram automaticamente uma nova classe e um novo tipo de capitalismo, que o que aconteceu foi a &#8220;tomada&#8221; do Estado(aconteceram alguns processos de duplo poder com os Estados antigos então?), portanto que essas experiencias só tem como contribuição a continuidade da exploração da humanidade e só tem potencial como material para se fazer a critica, raras vezes como contribuição para a solução de problemas.<br />
Dessas experiencias se tira que é necessario reinventar a roda, que uma parte bem grande das grandes experiencias de luta da classe trabalhadora do sec XX traziam apenas e tão somente em si o germe da burocracia, e ai se retomam discussões que a historia ja enterrou a muito tempo ao querer retomar posições falidas do ponto de vista pratico, organizativo(abolir organizações “politicas” e tudo ser construido apenas em organizações por locais de trabalho, estudo e moradia, enfim, um sindicalismo-revolucionario reinventado, entre outros tipos de concepção) e tambem teorico ao querer fazer sumir a analise de classe colocada na estrutura economica (ao final, os sujeitos revolucionarios são todos que se movimentam), das formações economicas, de setores estrategicos, da propria estrategia&#8230; </p>
<p>Se pretende então substituir tudo isso por boa vontade e muita luta.</p>
<p>Esse autonomismo que eu centro minha critica, que das experiencias de luta do proletariado, só consegue ver os aspectos negativos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Emerson		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107453/#comment-309710</link>

		<dc:creator><![CDATA[Emerson]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Mar 2016 21:59:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas, o que eu chamei de cânone autonomista eram sobretudo as teses em favor da autogestão e da horizontalidade, que nós encontrávamos em autores como Castoriadis, Pannekoek, João Bernardo, etc. Certamente são autores muito diferentes entre si, mas à época líamos como se fosse uma coisa só. O fato é que essas teses e esses autores nos levavam a fazer uma crítica à forma-partido em geral, e ao partido leninista em particular. Nos abominava a ideia de uma vanguarda iluminada pela teoria revolucionária que deveria dirigir o proletariado.
Atualmente as palavras não me assustam mais, e se hoje aceito coisas como vanguarda, partido e direção, é porque entendo por esses nomes coisas bem diferentes do que entendia antes.
Espero que tenha respondido à sua questão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas, o que eu chamei de cânone autonomista eram sobretudo as teses em favor da autogestão e da horizontalidade, que nós encontrávamos em autores como Castoriadis, Pannekoek, João Bernardo, etc. Certamente são autores muito diferentes entre si, mas à época líamos como se fosse uma coisa só. O fato é que essas teses e esses autores nos levavam a fazer uma crítica à forma-partido em geral, e ao partido leninista em particular. Nos abominava a ideia de uma vanguarda iluminada pela teoria revolucionária que deveria dirigir o proletariado.<br />
Atualmente as palavras não me assustam mais, e se hoje aceito coisas como vanguarda, partido e direção, é porque entendo por esses nomes coisas bem diferentes do que entendia antes.<br />
Espero que tenha respondido à sua questão.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107453/#comment-309679</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Mar 2016 16:41:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Emerson, você poderia expandir o tema do cânone autonomista? Do que se trata, na tua visão?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Emerson, você poderia expandir o tema do cânone autonomista? Do que se trata, na tua visão?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Emerson		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107453/#comment-309557</link>

		<dc:creator><![CDATA[Emerson]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2016 18:21:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há cerca de 3 anos eu e o Arabel discutíamos com um camarada que tinha acabado de entrar para o PSTU. Àquela época eu e o Arabel partilhávamos do cânone autonomista, e centrávamos nosso debate com esse camarada na crítica ao partido leninista. Hoje reconheço que a experiência do bolchevismo teve seus méritos. Mas havia um ponto central na nossa crítica, que até hoje eu não abro mão, mas parece que o Arabel deixou de lado: o partido leninista pode ser uma ótima ferramenta para tomar o poder e expropriar a burguesia, mas é incapaz de criar novas relações sociais; e no limite o partido leninista impede que surjam novas relações sociais. Não podendo criar nada de novo, só resta ao partido leninista recriar as relações de exploração do passado (afinal é preciso combater a catástrofe iminente, diria o Lenin).
Hoje a reflexão do Arabel está centrada completamente nas questões da tomada do poder e da expropriação da burguesia. Não à toa ressurja na fala dele as experiências vitoriosas (sic!) da revolução chinesa e cubana.
No entanto, ele próprio reconhece que &quot;A discussão tão pouco feita e negligenciada é sobre a caracterização da transição depois da expropriação feita, do Estado destruido e do poder tomado pela classe trabalhado (...) a base teorica para isso é o que tanto falta nas formações clássicas&quot;. E é justamente aqui que a contribuição do autonomismo (essa doença que o Arabel quer expurgar) permanece indispensável.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há cerca de 3 anos eu e o Arabel discutíamos com um camarada que tinha acabado de entrar para o PSTU. Àquela época eu e o Arabel partilhávamos do cânone autonomista, e centrávamos nosso debate com esse camarada na crítica ao partido leninista. Hoje reconheço que a experiência do bolchevismo teve seus méritos. Mas havia um ponto central na nossa crítica, que até hoje eu não abro mão, mas parece que o Arabel deixou de lado: o partido leninista pode ser uma ótima ferramenta para tomar o poder e expropriar a burguesia, mas é incapaz de criar novas relações sociais; e no limite o partido leninista impede que surjam novas relações sociais. Não podendo criar nada de novo, só resta ao partido leninista recriar as relações de exploração do passado (afinal é preciso combater a catástrofe iminente, diria o Lenin).<br />
Hoje a reflexão do Arabel está centrada completamente nas questões da tomada do poder e da expropriação da burguesia. Não à toa ressurja na fala dele as experiências vitoriosas (sic!) da revolução chinesa e cubana.<br />
No entanto, ele próprio reconhece que &#8220;A discussão tão pouco feita e negligenciada é sobre a caracterização da transição depois da expropriação feita, do Estado destruido e do poder tomado pela classe trabalhado (&#8230;) a base teorica para isso é o que tanto falta nas formações clássicas&#8221;. E é justamente aqui que a contribuição do autonomismo (essa doença que o Arabel quer expurgar) permanece indispensável.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Arabel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107453/#comment-309349</link>

		<dc:creator><![CDATA[Arabel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Feb 2016 18:09:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107453#comment-309349</guid>

					<description><![CDATA[As criticas a uma tradição mais classica ao dizer que “nunca é demais pontuar que a centralização é sempre predominante e que os momentos de balanço e avaliação são sempre adiados” pra mim soa como a velha historia de dizer que o socialismo nunca vai dar certo porque o ser humano é na sua essencia egoista. 
Ou se colocam elementos para sustentar essa analise e de porque isso acontece sempre ou é apenas uma opinião bem intensionada anti-autoritaria (e o centralismo não é pra lidar com oportunistas, é para ter unidade nos enfrentamento)

Acho uma brisa que voce aponta em um comentario quais são os setores com maior giro de capital e no texto diz que não tem primazia de sujeitos, esses setores existirem ser só uma coisa a mais que existe, nada com que se preucupar muito, nada mais ou menos importante, ai que ta uma divergencia bem grande.

Não respondi uma par de outras coisas que teria escrito mais, mas por fim, acho que é bom tambem dar uma olhada para onde a tradição autonomista leva de vez em quando e não olhar só pros bolcheviques.
Quando voce aponta pra opressões e coloca sobre como elas são explosivas (e deixa implicito sobre o carater anti-capitalista nelas) justamente não faz uma discussão sobre a caracterização delas, se são &quot;pautas de transição&quot;, se são anti-capitalistas ou se são questões democraticas (coisa de forma interessante discutida no Marximo Vivo 6 da LIT, que mesmo de forma geral, tem fetiches com demandas democraticas levando a revolução, coloca nesse caso que essa questão são demandas democraticas e não anti-capitalistas e tambem não são demandas de transição, o que não tira o espaço e necessidade de politica em relação a opressões dentro do programa, só não da um revolucionario para isso) mas o importante então é a forma, massividade e radicalidade que essas lutas vão adquirir, não importa se são democraticas ou não.

Achei a compreensão muito parecida com a do Eder Sader na sua época de afastamento da POLOP, antes da fundação do PT e da sua participação junto a um grupo de autonomistas (com uma referencia forte em castoriadis), na fundação da Articulação dos 113, campo majoritario do PT. 
Ja da pra ver nesse trecho uma formulação que vai ajudar, pelo vies do autonomismo, na construção do projeto democratico popular pela Articulação dentro do PT.

“É como se a partir da caracterização  geral da revolução socialista tudo o mais se deduzisse logicamente. E não é por acaso que E. Martins  cita seu discípulo de 68, porque uma de suas características é o uso e abuso desse método dedutivo e 
formal: se a revolução é socialista então isso ou aquilo. Diante de questões concretas ele dá por suposto justamente aquilo que deve ser resolvido. Por exemplo, se «a revolução ê socialista», então as reivindicações democráticas não tem mais um cará
ter revolucionário, quando o que deveria examinar é como as reivindicações democráticas existentes podem se enquadrar numa estratégia socialista. 
Creio que se examinarmos o processo revolucionário português (1974-75) ilustraremos bem a questão. Ao analisar a situação no artigo de BS («Lições de Portugal»)  observei que «uma revolução socialista não é uma revolução onde as «tarefas socialistas» predominam sobre as «tarefas burguesas», mas sim onde a resolução revolucionária das contradições fundamentais tem um conteúdo socialista».
 Isso porque as contradições inerentes ao modo de produção capitalista 
determinam os antagonismos que afloram em toda a sociedade durante um processo revolucionário se essa sociedade é dominada pelo modo capitalista de produção. Em Portugal o processo não se inicia pelo aguçamento das contradições específicas entre 
capital e trabalho mas pelas questões colonial e democrática. Mas não há uma forma neutra de se enfrentar tais questões: dado o caráter das contradições sociais dominantes o processo tem que se decidir por uma via socialista ou por uma de 
recuperação capitalista ao reorganizar o Estado e a economia. 
O uso «dedutivo» da caracterização socialista da revolução tem como conseqüência a dissolução das particularidades de cada processo e cada situação. Em vez de ser um instrumento para a compreensão de uma realidade social que será sempre
mais rica e complexa que qualquer definição geral, passa a ocupar o lugar do conhecimento dessa realidade original” 
- Por um balanço da PO 1976

Ai ja se tinha a semente de lutas democraticas rumo ao socialismo e concepções proximas dessa que construiram o PT.
Que de um lado se tenha a articulação com consideraveis influencias autonomistas (e quem mantem esses papo de burocratização, que no PT tudo era feito de cima pra baixo e tudo mais e por isso que deu no que deu, é bom ir estudar la traz) que ja perdeu conceitos estruturantes de uma visão classica do marxismo (não se disputar o Estado por exemplo), por outro se tenha a Autonomia Operaria que conseguiu ser um movimento massivo e radical com experiencias de luta muito interessantes mas que organizações abandonam uma visão de setores estrategicos e ao querer se expandir o conceito de classe trabalhadora para incluir tudo que dava, &quot;A cidade produz valor&quot;, logo temos que fazer todas as lutas da &quot;cidade&quot; e mesmo com todas essas lutas e experiencias tão interessantes para estudo, não conseguiu ter a perspectiva de abrir uma situação pré-revolucionaria na italia.

Sera apenas coincidencia que essas duas coisas terminaram do jeito que terminaram?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As criticas a uma tradição mais classica ao dizer que “nunca é demais pontuar que a centralização é sempre predominante e que os momentos de balanço e avaliação são sempre adiados” pra mim soa como a velha historia de dizer que o socialismo nunca vai dar certo porque o ser humano é na sua essencia egoista.<br />
Ou se colocam elementos para sustentar essa analise e de porque isso acontece sempre ou é apenas uma opinião bem intensionada anti-autoritaria (e o centralismo não é pra lidar com oportunistas, é para ter unidade nos enfrentamento)</p>
<p>Acho uma brisa que voce aponta em um comentario quais são os setores com maior giro de capital e no texto diz que não tem primazia de sujeitos, esses setores existirem ser só uma coisa a mais que existe, nada com que se preucupar muito, nada mais ou menos importante, ai que ta uma divergencia bem grande.</p>
<p>Não respondi uma par de outras coisas que teria escrito mais, mas por fim, acho que é bom tambem dar uma olhada para onde a tradição autonomista leva de vez em quando e não olhar só pros bolcheviques.<br />
Quando voce aponta pra opressões e coloca sobre como elas são explosivas (e deixa implicito sobre o carater anti-capitalista nelas) justamente não faz uma discussão sobre a caracterização delas, se são &#8220;pautas de transição&#8221;, se são anti-capitalistas ou se são questões democraticas (coisa de forma interessante discutida no Marximo Vivo 6 da LIT, que mesmo de forma geral, tem fetiches com demandas democraticas levando a revolução, coloca nesse caso que essa questão são demandas democraticas e não anti-capitalistas e tambem não são demandas de transição, o que não tira o espaço e necessidade de politica em relação a opressões dentro do programa, só não da um revolucionario para isso) mas o importante então é a forma, massividade e radicalidade que essas lutas vão adquirir, não importa se são democraticas ou não.</p>
<p>Achei a compreensão muito parecida com a do Eder Sader na sua época de afastamento da POLOP, antes da fundação do PT e da sua participação junto a um grupo de autonomistas (com uma referencia forte em castoriadis), na fundação da Articulação dos 113, campo majoritario do PT.<br />
Ja da pra ver nesse trecho uma formulação que vai ajudar, pelo vies do autonomismo, na construção do projeto democratico popular pela Articulação dentro do PT.</p>
<p>“É como se a partir da caracterização  geral da revolução socialista tudo o mais se deduzisse logicamente. E não é por acaso que E. Martins  cita seu discípulo de 68, porque uma de suas características é o uso e abuso desse método dedutivo e<br />
formal: se a revolução é socialista então isso ou aquilo. Diante de questões concretas ele dá por suposto justamente aquilo que deve ser resolvido. Por exemplo, se «a revolução ê socialista», então as reivindicações democráticas não tem mais um cará<br />
ter revolucionário, quando o que deveria examinar é como as reivindicações democráticas existentes podem se enquadrar numa estratégia socialista.<br />
Creio que se examinarmos o processo revolucionário português (1974-75) ilustraremos bem a questão. Ao analisar a situação no artigo de BS («Lições de Portugal»)  observei que «uma revolução socialista não é uma revolução onde as «tarefas socialistas» predominam sobre as «tarefas burguesas», mas sim onde a resolução revolucionária das contradições fundamentais tem um conteúdo socialista».<br />
 Isso porque as contradições inerentes ao modo de produção capitalista<br />
determinam os antagonismos que afloram em toda a sociedade durante um processo revolucionário se essa sociedade é dominada pelo modo capitalista de produção. Em Portugal o processo não se inicia pelo aguçamento das contradições específicas entre<br />
capital e trabalho mas pelas questões colonial e democrática. Mas não há uma forma neutra de se enfrentar tais questões: dado o caráter das contradições sociais dominantes o processo tem que se decidir por uma via socialista ou por uma de<br />
recuperação capitalista ao reorganizar o Estado e a economia.<br />
O uso «dedutivo» da caracterização socialista da revolução tem como conseqüência a dissolução das particularidades de cada processo e cada situação. Em vez de ser um instrumento para a compreensão de uma realidade social que será sempre<br />
mais rica e complexa que qualquer definição geral, passa a ocupar o lugar do conhecimento dessa realidade original”<br />
&#8211; Por um balanço da PO 1976</p>
<p>Ai ja se tinha a semente de lutas democraticas rumo ao socialismo e concepções proximas dessa que construiram o PT.<br />
Que de um lado se tenha a articulação com consideraveis influencias autonomistas (e quem mantem esses papo de burocratização, que no PT tudo era feito de cima pra baixo e tudo mais e por isso que deu no que deu, é bom ir estudar la traz) que ja perdeu conceitos estruturantes de uma visão classica do marxismo (não se disputar o Estado por exemplo), por outro se tenha a Autonomia Operaria que conseguiu ser um movimento massivo e radical com experiencias de luta muito interessantes mas que organizações abandonam uma visão de setores estrategicos e ao querer se expandir o conceito de classe trabalhadora para incluir tudo que dava, &#8220;A cidade produz valor&#8221;, logo temos que fazer todas as lutas da &#8220;cidade&#8221; e mesmo com todas essas lutas e experiencias tão interessantes para estudo, não conseguiu ter a perspectiva de abrir uma situação pré-revolucionaria na italia.</p>
<p>Sera apenas coincidencia que essas duas coisas terminaram do jeito que terminaram?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Arabel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107453/#comment-309348</link>

		<dc:creator><![CDATA[Arabel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Feb 2016 17:43:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107453#comment-309348</guid>

					<description><![CDATA[Demorei um tanto para responder, direcionar as coisas mais ao texto e concepções ao redor dele agora, começando por um comentario que ja tinha mandado para outro lugar

&quot;No final a questão é de uma guerra
Não importa se voce ganhar todos os conflitos diretos da forma mais radical e massiva, o importante é vencer a guerra, achar que uma sequencia de táticas radicais por si só constitui uma estrategia de ruptura é olhar pra cada conflito de forma particular e pensar sobre como cada um deles tem que ser vencido e não olhar de conjunto, as vezes tem conflitos que tem que ser abandonados, outros vão ser distrações para o nosso lado ou talvez para o outro, alguns vamos ceder taticamente em certas coisas, a questão é essas coisas todas não serem uma tendencia geral e poderem acontecer só pontualmente, quando estritamente necessarias, e a tendencia geral ser rumo a ruptura
Claro que quando voce repetidas vezes abandona uma conflito ou cede quando a coisa aperta, vão se criando pressões nas formações e nas praticas dos militantes que te jogam sempre pra isso. Tem coisas que ja te fazem perder a guerra logo de começo, mas acho que o texto não olha a questão da tática-estrategia como de fato uma guerra
É preciso estar em setores estrategicos na economia, é central saber sobre a composição de classe de uma sociedade e suas tendencias historicas como classe para resolver os conflitos ou que projeto de sociedade tendem a apontar, é determinante saber quais são as contradições principais, conjuntural e estruturalmente, e quais são as secundarias do capitalismo no pais que o procesos de luta se desenrola e internacionalmente (porque no fim, a vitoria só acontece com o fim do
mercado mundial).
Enfim, acho que serve como abstração teorica de estrategia pra justificar o que o autonomismo sempre foi, mas não serve para construir uma politica de ruptura com o capital&quot;

A questão pra mim continua se centrando na ruptura quando vamos olhar para tática-estrategia.
Comparar com a transição do feudalismo para o capitalismo, afirmando que é diferente qualitativamente mas não dizendo por que e portanto deixando em aberto se a transposição serve para a discussão, é algo que tenho discordancia de principio pelo simples fato de que na transição do feudalismo para o capitalismo acontecia a mudança de dois modos de produção baseados na exploração. 
Podia coexistir em espaços geograficos muito proximos relações de exploração capitalistas e relações servis em contradição entre si em uma movimentação em que uma vai suplantando a outra (e se colocam todos os casos depois de 1848, seguindo o exemplo classico da Inglaterra em que a transição acontece de forma que se quisermos aplicar o mesmo modelo para o fim do capitalismo, muitos reformistas podem estão certos sobre o metodo rumo ao socialismo). 
Não podem existir ilhar socialistas no meio de um mar de capitalismo enquanto não se acaba com o mercado mundial fazendo a pressão do valor de troca sobre toda a produção, autogestão de locais de trabalho, cooperativas etc são caracterizadas, quando estão inseridas dentro do capitalismo, como uma forma de auto-exploração por um setor dos trabalhadores (como ja diz Marx sobre essas tentativas de cooperativas de produção que existiam desde sua epoca) quando a expanção do carater socialista fica reestrita a mesmas regiões e portanto a luta tem que acontecer necessariamente em um sentido internacionalista (claro que em conjunto nesses territorios com politicas aproximação da direção/execução no trabalho, rumo ao fim da diferenciação do trabalho intelectual e manual, da contradição campo e da cidade). 
Nisso eu ja tenho uma diferença fundamental de analise com os textos da serie sobre &quot;apropriação do poder politico e a superação do Estado&quot; quando você coloca

&quot;Veja bem: o segredo da transição está na dinâmica interna e não na correlação de forças internacionais, ainda que uma correlação internacional desfavorável possa, sob a forma da contra-revolução que vem de fora, sufocar o início da transição que esteja ensaiando-se em determinada região ou país. É por isso que a transformação socialista deve se tornar irreversível : sua dinâmica interna de desenvolvimento (do microcosmo da família e do chão de fábrica até os Estados nacionais) deve superar as determinações estruturais do capital como modo de controle sociometabólico, o que só se efetivará se a transformação abarcar plenamente as três dimensões do sistema: capital, trabalho e Estado. Tal transformação revolucionária apenas se tornará possível quando o trabalho se tornar não apenas formalmente encarregado do processo sociometabólico, tal como nas sociedades pós-revolucionárias, mas efetiva, genuína e substantivamente no controle do sociometabolismo – através da autogestão do trabalho.&quot;

O que não avança, regride.
Não existe e nunca vai existir dinamica interna tal que torna irreversivel a transformação socialista enquanto existem pressões da lógica valor-trabalho ditadas pelo mercado mundial, se existe uma dinamica interna das relações sociais de produção, a contradição ultima só pode ser resolvida de forma definitiva a ambito internacional. 
A coisa é bastante bem apresentada no &quot;Colapso das relações sociais novas&quot; do economia dos conflitos sociais, o problema do cenario internacional não esta só no ambito das forças da contra-revolução, mas na pressão do mercado mundial para o valor-trabalho ser a forma geral de valor nas trocas.


E ai volta a questão que pra mim é ponto de partida, sobre a ruptura.
Não identifico a expropriação dos meios de produção das mãos da burguesia ou a tomada do poder como a revolução socialista, do primeiro temos diversos exemplos historicos da criação de uma nova classe proprietaria desses meios de produção e a tomada do poder não significou geralmente pela historia a criação de um Estado em fenecimento ou semi-Estado
De pular disso para então abandonar a centralidade desses pontos para a revolução socialista(mesmo que eles por si não sejam ela) e os meios para eles é um passo bem grande.

Se pula de uma critica de concepções e partes (mesmo que estruturantes) do bolchevismo para seu abandono completo.
Não se ve as contradições e movimentações historicas reais no grau de importancia que tem, por exemplo na serie de textos em que só se diz sobre o fortalecimento dos Estados pós-revolucionarios
Se coloca então a pergunta, não aconteceu um duplo poder entre o sistema sovietico e o Estado que existia na russia em que o sistema sovietico sai vitorioso em outubro? (E isso não é muito mais, para a classe trabalhadora e para a historia do que trazem quase todas as experiencias reverenciadas pelo autonomismo?) 
Se o bolchevismo leva em todos os seus elementos para um marcha initerrupta rumo a uma nova classe e ao fortalecimento de um Estado para essa nova classe manter sua exploração, como se olha e se explica o funcionamento do sistema sovietico continuar de forma firme até a guerra civil começar na russia (e então se abrir de forma mais forte um processo de duplo poder entre o sistema de comissariado do povo e o sistema sovietico), os bolcheviques não teriam então que ter agido nesse começo do processo como expressão de uma nova classe dominante logo após outubro em vez de o processo se manter contraditorio e vacilante durante algum tempo e as contradições se aprofundarem até não ter mais volta?(um tempo muito maior do que quase todas experiencias tão reverenciadas pelos autonomistas. A comuna de paris aparecendo como a referencia mais classica e antiga para todos do marxismo mas as vezes parece que se esquece que ela só durou dois meses antes de ser destruida e que isso diz algo sobre a questão da organização e de uma saida estrategica para os problemas colocados) Por que o processo revolucionario Chines é tão contraditorio em certos momentos e por muito mais tempo que o Russo(que depois de 21 eu diria que uma nova classe ja esta dada e as relações capitalistas são aprofundadas cada vez mais) e apresenta alguns elementos muito ricos para analise de politicas relacionadas a transição nas relações sociais de produção, especialmente depois da retirada dos 10 mil tecnicos pela URSS e não aconteceu como o processo russo?
Que as expropriações são um ato negativo em relação a antiga classe dominante e não ainda por si só criador de uma nova ordem é algo que aparece, mas é coincidencia que o aparecimento massivo de possibilidades de novas relações sociais de produção apareçam com maior força quase sempre quando essa expropriação acontece e não em outros momentos de luta da classe? (Elas ao mesmo tempo retiram entraves que antes existiam, necessariamente são uma ação da classe em movimento, e não de cupula, pelas revoluções na historia em que a aprovação da expropriação enquanto lei geralmente apenas seguiu para a acompanhar o movimento que ja estava efetivado, tentar aumentar sua legitimidade perante a toda a massa e incentivar a acontecer onde ainda não tinha acontecido)
Não diz Marx no guerra civil na França que a comuna de paris, sendo um semi-Estado, não acabava com a exploração mas apenas criava as condições para que esse combate conseguisse prosseguir e não coloca ele no manifesto que o proletariado se torna classe politicamente (acabando assim o dominio politico e do Estado da burguesia) e a partir dai segue na sua luta contra a exploração em outras condições?

Enfim, acho que essa visão estrategica do texto ruma a abandonar as experiencias historicas da classe trabalhadora rumo a sua emancipação durante os ultimos 150 anos, se joga fora tudo que ja foi produzido e então se cria uma concepção nova que empobrece e um tanto mistifica as movimentações historicas.
Como essa forma de conceber estrategia e olhar para as movimentações explica a diferença entre o processo revolucionario na china e os em cuba e nicaragua, onde mesmo que os 3 fossem tocados pela guerrilha, quando em cuba e nicaragua acontecem movimentações e greves de massas nas cidades é que a guerra civil acaba e por que na china as movimentações e greves de massa nas cidades são um elemento que aparece a mais durante esse periodo de guerra civil e não é determinante ou o que acaba com o conflito? Sera pela formação economica desses paises e onde se encontra a contradição principal da estrutura, a contradição central ser no campo ou ainda ser um elemento forte embora não mais o central (deixando a pensar sobre guerrilha onde o acumulo de capital e a contradição estão colocadas muito mais fortemente na cidade do que no campo e se ter uma perspectiva como no texto, de massividade, horizontalidade e &quot;radicalidade&quot; no campo pode apontar para uma ruptura ai)
Como ela explica a posição que o partido bolchevique ocupou no processo russo e porque os social-revolucionarios ou social-revolucionarios de esquerda não ganharam nas disputas mesmo eles representando o campo que a grande maioria da população russa? (sera que isso tem a ver com uma forma organizativa e compreensão de intervenção no movimento de massas de forma especifica, de a inserção em setores especificos e uma visão de estrategia que amarra tudo isso em uma estrategia em um sentido mais classico?)
Como ela explica as contradições terem aparecido de forma diferente pela historia quando muda a composição de setores e de classes em processos de luta radicalizada?


Enfim, acho que essa forma de compreender estrategia não explica a historia e cria uma politica de ruptura revolucionaria. Serve mais para justificar o que se caracterizou como uma pratica autonomista que gira em torno de si mesma do que resolver questões que antes apareciam como centrais, como a expropriação da classe dominante, a tomada do poder pela classe trabalhadora e a destruição do aparato repressivo burgues, agora acrescida de elementos de diversos processos revolucionarios que corrigem certas posições ou apresentam questões que ainda não se havia debruçado pela falta de experiencias historicas. 


Para se fiar um tapete é necessario antes conseguir vislumbrar ele como totalidade e não só ir tecendo de fio em fio e esperar que um dia se tenha um tapete. 
A questão passa longe de olhar só pra radicalidade, horizontalidade, massividade de conflito seguido de conflito e achar que a solução esta ai.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Demorei um tanto para responder, direcionar as coisas mais ao texto e concepções ao redor dele agora, começando por um comentario que ja tinha mandado para outro lugar</p>
<p>&#8220;No final a questão é de uma guerra<br />
Não importa se voce ganhar todos os conflitos diretos da forma mais radical e massiva, o importante é vencer a guerra, achar que uma sequencia de táticas radicais por si só constitui uma estrategia de ruptura é olhar pra cada conflito de forma particular e pensar sobre como cada um deles tem que ser vencido e não olhar de conjunto, as vezes tem conflitos que tem que ser abandonados, outros vão ser distrações para o nosso lado ou talvez para o outro, alguns vamos ceder taticamente em certas coisas, a questão é essas coisas todas não serem uma tendencia geral e poderem acontecer só pontualmente, quando estritamente necessarias, e a tendencia geral ser rumo a ruptura<br />
Claro que quando voce repetidas vezes abandona uma conflito ou cede quando a coisa aperta, vão se criando pressões nas formações e nas praticas dos militantes que te jogam sempre pra isso. Tem coisas que ja te fazem perder a guerra logo de começo, mas acho que o texto não olha a questão da tática-estrategia como de fato uma guerra<br />
É preciso estar em setores estrategicos na economia, é central saber sobre a composição de classe de uma sociedade e suas tendencias historicas como classe para resolver os conflitos ou que projeto de sociedade tendem a apontar, é determinante saber quais são as contradições principais, conjuntural e estruturalmente, e quais são as secundarias do capitalismo no pais que o procesos de luta se desenrola e internacionalmente (porque no fim, a vitoria só acontece com o fim do<br />
mercado mundial).<br />
Enfim, acho que serve como abstração teorica de estrategia pra justificar o que o autonomismo sempre foi, mas não serve para construir uma politica de ruptura com o capital&#8221;</p>
<p>A questão pra mim continua se centrando na ruptura quando vamos olhar para tática-estrategia.<br />
Comparar com a transição do feudalismo para o capitalismo, afirmando que é diferente qualitativamente mas não dizendo por que e portanto deixando em aberto se a transposição serve para a discussão, é algo que tenho discordancia de principio pelo simples fato de que na transição do feudalismo para o capitalismo acontecia a mudança de dois modos de produção baseados na exploração.<br />
Podia coexistir em espaços geograficos muito proximos relações de exploração capitalistas e relações servis em contradição entre si em uma movimentação em que uma vai suplantando a outra (e se colocam todos os casos depois de 1848, seguindo o exemplo classico da Inglaterra em que a transição acontece de forma que se quisermos aplicar o mesmo modelo para o fim do capitalismo, muitos reformistas podem estão certos sobre o metodo rumo ao socialismo).<br />
Não podem existir ilhar socialistas no meio de um mar de capitalismo enquanto não se acaba com o mercado mundial fazendo a pressão do valor de troca sobre toda a produção, autogestão de locais de trabalho, cooperativas etc são caracterizadas, quando estão inseridas dentro do capitalismo, como uma forma de auto-exploração por um setor dos trabalhadores (como ja diz Marx sobre essas tentativas de cooperativas de produção que existiam desde sua epoca) quando a expanção do carater socialista fica reestrita a mesmas regiões e portanto a luta tem que acontecer necessariamente em um sentido internacionalista (claro que em conjunto nesses territorios com politicas aproximação da direção/execução no trabalho, rumo ao fim da diferenciação do trabalho intelectual e manual, da contradição campo e da cidade).<br />
Nisso eu ja tenho uma diferença fundamental de analise com os textos da serie sobre &#8220;apropriação do poder politico e a superação do Estado&#8221; quando você coloca</p>
<p>&#8220;Veja bem: o segredo da transição está na dinâmica interna e não na correlação de forças internacionais, ainda que uma correlação internacional desfavorável possa, sob a forma da contra-revolução que vem de fora, sufocar o início da transição que esteja ensaiando-se em determinada região ou país. É por isso que a transformação socialista deve se tornar irreversível : sua dinâmica interna de desenvolvimento (do microcosmo da família e do chão de fábrica até os Estados nacionais) deve superar as determinações estruturais do capital como modo de controle sociometabólico, o que só se efetivará se a transformação abarcar plenamente as três dimensões do sistema: capital, trabalho e Estado. Tal transformação revolucionária apenas se tornará possível quando o trabalho se tornar não apenas formalmente encarregado do processo sociometabólico, tal como nas sociedades pós-revolucionárias, mas efetiva, genuína e substantivamente no controle do sociometabolismo – através da autogestão do trabalho.&#8221;</p>
<p>O que não avança, regride.<br />
Não existe e nunca vai existir dinamica interna tal que torna irreversivel a transformação socialista enquanto existem pressões da lógica valor-trabalho ditadas pelo mercado mundial, se existe uma dinamica interna das relações sociais de produção, a contradição ultima só pode ser resolvida de forma definitiva a ambito internacional.<br />
A coisa é bastante bem apresentada no &#8220;Colapso das relações sociais novas&#8221; do economia dos conflitos sociais, o problema do cenario internacional não esta só no ambito das forças da contra-revolução, mas na pressão do mercado mundial para o valor-trabalho ser a forma geral de valor nas trocas.</p>
<p>E ai volta a questão que pra mim é ponto de partida, sobre a ruptura.<br />
Não identifico a expropriação dos meios de produção das mãos da burguesia ou a tomada do poder como a revolução socialista, do primeiro temos diversos exemplos historicos da criação de uma nova classe proprietaria desses meios de produção e a tomada do poder não significou geralmente pela historia a criação de um Estado em fenecimento ou semi-Estado<br />
De pular disso para então abandonar a centralidade desses pontos para a revolução socialista(mesmo que eles por si não sejam ela) e os meios para eles é um passo bem grande.</p>
<p>Se pula de uma critica de concepções e partes (mesmo que estruturantes) do bolchevismo para seu abandono completo.<br />
Não se ve as contradições e movimentações historicas reais no grau de importancia que tem, por exemplo na serie de textos em que só se diz sobre o fortalecimento dos Estados pós-revolucionarios<br />
Se coloca então a pergunta, não aconteceu um duplo poder entre o sistema sovietico e o Estado que existia na russia em que o sistema sovietico sai vitorioso em outubro? (E isso não é muito mais, para a classe trabalhadora e para a historia do que trazem quase todas as experiencias reverenciadas pelo autonomismo?)<br />
Se o bolchevismo leva em todos os seus elementos para um marcha initerrupta rumo a uma nova classe e ao fortalecimento de um Estado para essa nova classe manter sua exploração, como se olha e se explica o funcionamento do sistema sovietico continuar de forma firme até a guerra civil começar na russia (e então se abrir de forma mais forte um processo de duplo poder entre o sistema de comissariado do povo e o sistema sovietico), os bolcheviques não teriam então que ter agido nesse começo do processo como expressão de uma nova classe dominante logo após outubro em vez de o processo se manter contraditorio e vacilante durante algum tempo e as contradições se aprofundarem até não ter mais volta?(um tempo muito maior do que quase todas experiencias tão reverenciadas pelos autonomistas. A comuna de paris aparecendo como a referencia mais classica e antiga para todos do marxismo mas as vezes parece que se esquece que ela só durou dois meses antes de ser destruida e que isso diz algo sobre a questão da organização e de uma saida estrategica para os problemas colocados) Por que o processo revolucionario Chines é tão contraditorio em certos momentos e por muito mais tempo que o Russo(que depois de 21 eu diria que uma nova classe ja esta dada e as relações capitalistas são aprofundadas cada vez mais) e apresenta alguns elementos muito ricos para analise de politicas relacionadas a transição nas relações sociais de produção, especialmente depois da retirada dos 10 mil tecnicos pela URSS e não aconteceu como o processo russo?<br />
Que as expropriações são um ato negativo em relação a antiga classe dominante e não ainda por si só criador de uma nova ordem é algo que aparece, mas é coincidencia que o aparecimento massivo de possibilidades de novas relações sociais de produção apareçam com maior força quase sempre quando essa expropriação acontece e não em outros momentos de luta da classe? (Elas ao mesmo tempo retiram entraves que antes existiam, necessariamente são uma ação da classe em movimento, e não de cupula, pelas revoluções na historia em que a aprovação da expropriação enquanto lei geralmente apenas seguiu para a acompanhar o movimento que ja estava efetivado, tentar aumentar sua legitimidade perante a toda a massa e incentivar a acontecer onde ainda não tinha acontecido)<br />
Não diz Marx no guerra civil na França que a comuna de paris, sendo um semi-Estado, não acabava com a exploração mas apenas criava as condições para que esse combate conseguisse prosseguir e não coloca ele no manifesto que o proletariado se torna classe politicamente (acabando assim o dominio politico e do Estado da burguesia) e a partir dai segue na sua luta contra a exploração em outras condições?</p>
<p>Enfim, acho que essa visão estrategica do texto ruma a abandonar as experiencias historicas da classe trabalhadora rumo a sua emancipação durante os ultimos 150 anos, se joga fora tudo que ja foi produzido e então se cria uma concepção nova que empobrece e um tanto mistifica as movimentações historicas.<br />
Como essa forma de conceber estrategia e olhar para as movimentações explica a diferença entre o processo revolucionario na china e os em cuba e nicaragua, onde mesmo que os 3 fossem tocados pela guerrilha, quando em cuba e nicaragua acontecem movimentações e greves de massas nas cidades é que a guerra civil acaba e por que na china as movimentações e greves de massa nas cidades são um elemento que aparece a mais durante esse periodo de guerra civil e não é determinante ou o que acaba com o conflito? Sera pela formação economica desses paises e onde se encontra a contradição principal da estrutura, a contradição central ser no campo ou ainda ser um elemento forte embora não mais o central (deixando a pensar sobre guerrilha onde o acumulo de capital e a contradição estão colocadas muito mais fortemente na cidade do que no campo e se ter uma perspectiva como no texto, de massividade, horizontalidade e &#8220;radicalidade&#8221; no campo pode apontar para uma ruptura ai)<br />
Como ela explica a posição que o partido bolchevique ocupou no processo russo e porque os social-revolucionarios ou social-revolucionarios de esquerda não ganharam nas disputas mesmo eles representando o campo que a grande maioria da população russa? (sera que isso tem a ver com uma forma organizativa e compreensão de intervenção no movimento de massas de forma especifica, de a inserção em setores especificos e uma visão de estrategia que amarra tudo isso em uma estrategia em um sentido mais classico?)<br />
Como ela explica as contradições terem aparecido de forma diferente pela historia quando muda a composição de setores e de classes em processos de luta radicalizada?</p>
<p>Enfim, acho que essa forma de compreender estrategia não explica a historia e cria uma politica de ruptura revolucionaria. Serve mais para justificar o que se caracterizou como uma pratica autonomista que gira em torno de si mesma do que resolver questões que antes apareciam como centrais, como a expropriação da classe dominante, a tomada do poder pela classe trabalhadora e a destruição do aparato repressivo burgues, agora acrescida de elementos de diversos processos revolucionarios que corrigem certas posições ou apresentam questões que ainda não se havia debruçado pela falta de experiencias historicas. </p>
<p>Para se fiar um tapete é necessario antes conseguir vislumbrar ele como totalidade e não só ir tecendo de fio em fio e esperar que um dia se tenha um tapete.<br />
A questão passa longe de olhar só pra radicalidade, horizontalidade, massividade de conflito seguido de conflito e achar que a solução esta ai.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107453/#comment-309121</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Feb 2016 16:59:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107453#comment-309121</guid>

					<description><![CDATA[Caro Anderson, você fez uma mistureba de ideias do meu texto, beirando a má-fé, mas de todo modo sua crítica coloca uma questão ótima que me permite esclarecer alguns pontos. 

Antes de mais nada, quem almeja o centro da classe é o texto anterior, que eu estava respondendo com este texto. Em momento algum eu disse que a tática é seduzir o centro da classe e que quando ela assim se põe temos a estratégia. Muito menos justifiquei isso com a acusação de que o trabalho de base está ultrapassado. O trabalho de base em seu formato clássico está ultrapassado, o que não significa que não precisemos de trabalho de base para mobilizar a classe no sentido anticapitalista (daí o &quot;seduzir&quot;) e tornar factíveis as lutas e novas formas de organização. A luta dos secundaristas, por exemplo, teve um trabalho de base em modalidade distinta da forma clássica. Casa coisa no seu lugar, e uma leitura mais cuidadosa - ou perguntas, para confirmar a impressão - antes da crítica teria vindo a calhar.

O clichê que atribuímos a Bernstein reside na defesa do movimento pelo movimento, sem estratégia ou alvo a se alcançar. Isso não tem nada a ver com meu texto, o que defendi é que um movimento mede sua radicalidade pela capacidade de desde agora colocar uma prática social que já prefigura hoje o que se espera consolidar amanhã. Nesse sentido eu estou mais próximo dos antípodas de Bernstein, os anarquistas achando que só o fim importa, e para ontem, do que de Bernstein. Quanto ao toninegrismo, defendi que o essencial é que a treta se espalhe, sem primazia de um &quot;sujeito&quot;, mas usei o termo no último parágrafo do texto, e a essa altura já devia estar claro no texto que não se trata de qualquer treta e sim das tretas que se organizam de modo radical pondo em marcha o germe do novo, o que implica contestar os fundamentos do capitalismo, ou seja, as relações sociais e hierárquicas de exploração do tempo de trabalho, bem como as relações hierárquicas que tiram da classe o controle de sua própria vida - daí a luta pela autogestão, que começa pela autoorganização. Enfim, o texto não defende o reformismo, e também não coloco a revolução como um alvo alcançável apenas no longo prazo ou, pior ainda, como um alvo identificável na forma de uma instituição, tal como a tomada do Palácio de Inverno em 1917. 

Minha contraposição central ao texto de Daniel e Rodrigo reside na discordância quanto ao bolchevismo, especialmente ao modo como essa linha política vê a dinâmica histórica e a articulação entre forma e conteúdo. No campo do bolchevismo defende-se que quando a forma não suporta mais o conteúdo explode-se a forma para salvar o conteúdo. O que se quer dizer com forma e conteúdo, exatamente? Nesse campo político a forma diz respeito à forma organizativa, que precisa estar ancorada em uma teoria caracterizada de modo duplo: uma teoria estratégica da revolução e uma teoria da organização política. Essa forma articula-se com o conteúdo, que diz respeito ao Socialismo e à visão de mundo socialista. Daí a máxima de que quando a forma não suporta mais o conteúdo explode-se a forma organizativa para salvar o conteúdo socialista. Claro, os iluminados que sabem qual é o conteúdo socialista são os membros do Partido, e os que serão explodidos são a massa trabalhadora, que não sabe o que é melhor pra ela. Em seus melhores intérpretes bolcheviques a articulação de forma e conteúdo implica em uma crítica da economia política, na qual os conceitos da sociabilidade capitalista são postos em movimento e apontam para a necessidade de realização do Socialismo. Mas mesmo nestes persiste a estrutura hierárquica do legado político bolchevique (forma-Partido, tomada do poder do Estado e constituição da Ditadura do Proletariado, etc), sendo a crítica da economia política apenas um subterfúgio para a confirmação da necessidade de superação do sistema, sem maiores implicações contestatórias da estratégia bolchevique.

Meu modo de ver distingue-se do modo bolchevique por uma série de elementos. A meu ver a forma tem primazia em face do conteúdo, uma vez que se confunde com ele. O conteúdo só existe enquanto forma em movimento, assim como a estratégia só existe enquanto unidade com a tática. Além disso o legado bolchevique aponta para um conteúdo nacionalista, o que caracteriza um danoso elemento que obstrui qualquer radicalidade possível da estratégia bolchevique. O que defendo no texto é que o conteúdo &quot;socialista&quot; (não chamo a nova forma social disto) não consiste em um fim e a forma organizativa em uma coisa diferente e que consiste em um meio para se alcançar este fim. O conteúdo só se coloca por meio da forma, tal como a essência só se expressa por meio da aparência. Um novo conteúdo, contrário ao Capitalismo, só pode ser realizado por meio de uma nova forma social sendo posta em movimento, onde será gestado aquele conteúdo (de modo contraditório e com avanços e recuos que servirão de aprendizagem para a classe) por meio do próprio movimento da forma. A forma não é então meio para se chegar ao conteúdo e sim o conteúdo tomando forma. A radicalização da tática (radical implica ir às raízes do capitalismo) faz possível a formulação prática da estratégia e a revolução não é um alvo e sim este próprio processo de pôr-se da tática constituindo uma estratégia. Hoje, por exemplo, não temos condições de formular a estratégia, pois elementos que tornam essa formulação possível não estão postos: a crítica à estratégia anterior por meio do por em prática de uma nova estratégia. Uma estratégia radical só se realiza quando há condições objetivas para tal, o que implica na construção da luta enquanto construção destas condições objetivas. Os sovietes, por exemplo, enquanto conselhos que operacionalizavam o poder da classe, não eram um meio organizativo e tático para a vitória estratégica da revolução russa de 1917. Eles eram a própria revolução. Não eram uma forma que apontava para a possibilidade de um conteúdo socialista, eram o conteúdo socialista tomando forma. E quando os bolcheviques assumem o comando do Estado e integram os sovietes enquanto órgãos estatais, o que temos é a contrarrevolução atuando. Na visão dos bolcheviques, pelo contrário, o que temos é a explosão da forma para salvar o conteúdo. Para mim a constituição da estratégia não diz respeito, portanto, a uma formulação teórica, no campo da ideologia, que precede a tática enquanto aplicação da estratégia, e que visa realizar o programa, também concebido detalhadamente de antemão. Acho inclusive essa diferenciação em três níveis um absurdo. A constituição da estratégia se dá como resultado do processo, um resultado que se põe a cada momento, e não num longo prazo. A tática não se dá de modo mudo e inconsciente, por isso não faz sentido falar na existência de uma tática sem estratégia. Tática e estratégia formam uma unidade inseparável no tempo e espaço. O programa pode até ser pensado como algo mais abrangente e de longo prazo, mas deve-se ter em conta que sua realização começa agora e não “depois de”. Quando Daniel e Rodrigo insinuam que o campo autonomista se atém a uma centralidade da tática e não possui estratégia eles estão subestimando a formulação crítica tanto no plano da teoria quanto no plano da prática, do campo autonomista. Mesmo se a maioria de seus agentes não tiverem consciência de qual estratégia de longo prazo perseguem e estão colocando em prática com suas próprias mãos, ela não deixa por isso de existir e de ter fundamentos objetivos na prática social. As táticas se darem nas lutas desse campo tal como se dão constitui já uma forma peculiar de se conceber e de se responder ao problema da estratégia. Penso que parte do meu modo de ver aparece, por exemplo, na frase de Marx segundo a qual o comunismo “não é um Estado que deva ser implantado”, “nem um ideal a que a realidade deva obedecer”, mas sim um “movimento real que acaba com o atual estado de coisas”, sendo que “as condições deste movimento resultam das premissas atualmente existentes”. As “premissas atualmente existentes” dizem respeito à nova forma social sendo posta em prática no próprio desenrolar do capitalismo. Marx toca aqui no tema do caráter autocontraditório do capitalismo, portanto fala da negação. Quando eu falo da necessidade da luta colocar elementos da nova forma social já na própria estrutura organizativa estou tocando no elemento positivo da coisa. A forma política dentro da qual podem se movimentar, se desdobrar, os conteúdos contraditórios inerentes ao processo de superação do Capitalismo. Quando se coloca a estratégia como alvo, e não como resultado das formas organizativas sendo postas em movimento de modo a prefigurar o novo, o que temos é a nova forma social como “ideal a que a realidade deve obedecer”, um conteúdo que para ser salvo autoriza, se a organização for bolchevique, a explosão das formas. 

Pois para mim explodir a forma é explodir o conteúdo. Se explodo uma escultura de bexiga o conteúdo que antes sustentava e era sustentado pela forma da escultura feita no balão passa a ser apenas um ar disperso e inatingível.

A forma pode conformar um conteúdo radical se estiver assentada na crítica da economia política, e essa crítica apreende as determinações centrais do Capitalismo, a serem revolucionadas: a perda do controle dos meios de produção e das formas de organização da produção. É por deter este controle que uma pessoa se torna capitalista. Daí a autogestão enquanto superação do modo de controle capitalista precisar ser preparada na própria autoorganização das lutas, sem prioridade de setores ou de &quot;sujeitos&quot; ontologicamente revolucionários. Quando os secundaristas engendram a autogestão das escolas, um passo é dado rumo à retomada do controle da vida social, por isso trata-se de uma forma de luta &quot;radical&quot;.

Por fim, acho que neste debate sobre forma e conteúdo e sobre tática e estratégia revolucionária talvez valha a pena pensar em como se deram todos esses temas na transição do regime senhorial feudal para o capitalismo. Imaginem a classe burguesa em 1600, fazendo crescer o comércio aqui e ali, o poder do dinheiro aqui e ali, de modo a forjar no cotidiano novas formas organizativas de assalariamento (substantivamente contrárias às formas feudais de exploração do camponês) e um novo mundo que aos poucos solapava as bases econômicas do Feudalismo, a ponto de restarem apenas as bases políticas ocas, que foram derrubadas em algumas oportunidades, mas de modo mais expressivo em 1789. O que era tática, o que era estratégia, o que era o programa burguês em 1600? O que era em 1789? O que era em 1848? O que levou ao fim do Feudalismo e ao predomínio da nova forma social capitalista? Embora as transições sejam qualitativamente distintas, o que as experiências passadas ensinam com respeito aos modos como se dão as mudanças dos modos de produção? A forma como se vê a dinâmica histórica e a análise de conjuntura que se faz leva a determinadas defesas de práticas políticas em tal ou qual sentido. Pode ser que um dia, com a luta avançada, precisemos, por exemplo, forjar uma estrutura organizativa centralizada, por exemplo um exército de defesa da revolução contra as forças repressivas da contrarrevolução? Pode. Mas nem de perto se trata de uma tarefa atual. Além do mais a contrarrevolução atualmente atua mais por dentro do que por fora, solapando as bases potencialmente radicais das formas organizativas, que nada mais são que o fazer-se classe da classe. Por isso minha ênfase nelas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Anderson, você fez uma mistureba de ideias do meu texto, beirando a má-fé, mas de todo modo sua crítica coloca uma questão ótima que me permite esclarecer alguns pontos. </p>
<p>Antes de mais nada, quem almeja o centro da classe é o texto anterior, que eu estava respondendo com este texto. Em momento algum eu disse que a tática é seduzir o centro da classe e que quando ela assim se põe temos a estratégia. Muito menos justifiquei isso com a acusação de que o trabalho de base está ultrapassado. O trabalho de base em seu formato clássico está ultrapassado, o que não significa que não precisemos de trabalho de base para mobilizar a classe no sentido anticapitalista (daí o &#8220;seduzir&#8221;) e tornar factíveis as lutas e novas formas de organização. A luta dos secundaristas, por exemplo, teve um trabalho de base em modalidade distinta da forma clássica. Casa coisa no seu lugar, e uma leitura mais cuidadosa &#8211; ou perguntas, para confirmar a impressão &#8211; antes da crítica teria vindo a calhar.</p>
<p>O clichê que atribuímos a Bernstein reside na defesa do movimento pelo movimento, sem estratégia ou alvo a se alcançar. Isso não tem nada a ver com meu texto, o que defendi é que um movimento mede sua radicalidade pela capacidade de desde agora colocar uma prática social que já prefigura hoje o que se espera consolidar amanhã. Nesse sentido eu estou mais próximo dos antípodas de Bernstein, os anarquistas achando que só o fim importa, e para ontem, do que de Bernstein. Quanto ao toninegrismo, defendi que o essencial é que a treta se espalhe, sem primazia de um &#8220;sujeito&#8221;, mas usei o termo no último parágrafo do texto, e a essa altura já devia estar claro no texto que não se trata de qualquer treta e sim das tretas que se organizam de modo radical pondo em marcha o germe do novo, o que implica contestar os fundamentos do capitalismo, ou seja, as relações sociais e hierárquicas de exploração do tempo de trabalho, bem como as relações hierárquicas que tiram da classe o controle de sua própria vida &#8211; daí a luta pela autogestão, que começa pela autoorganização. Enfim, o texto não defende o reformismo, e também não coloco a revolução como um alvo alcançável apenas no longo prazo ou, pior ainda, como um alvo identificável na forma de uma instituição, tal como a tomada do Palácio de Inverno em 1917. </p>
<p>Minha contraposição central ao texto de Daniel e Rodrigo reside na discordância quanto ao bolchevismo, especialmente ao modo como essa linha política vê a dinâmica histórica e a articulação entre forma e conteúdo. No campo do bolchevismo defende-se que quando a forma não suporta mais o conteúdo explode-se a forma para salvar o conteúdo. O que se quer dizer com forma e conteúdo, exatamente? Nesse campo político a forma diz respeito à forma organizativa, que precisa estar ancorada em uma teoria caracterizada de modo duplo: uma teoria estratégica da revolução e uma teoria da organização política. Essa forma articula-se com o conteúdo, que diz respeito ao Socialismo e à visão de mundo socialista. Daí a máxima de que quando a forma não suporta mais o conteúdo explode-se a forma organizativa para salvar o conteúdo socialista. Claro, os iluminados que sabem qual é o conteúdo socialista são os membros do Partido, e os que serão explodidos são a massa trabalhadora, que não sabe o que é melhor pra ela. Em seus melhores intérpretes bolcheviques a articulação de forma e conteúdo implica em uma crítica da economia política, na qual os conceitos da sociabilidade capitalista são postos em movimento e apontam para a necessidade de realização do Socialismo. Mas mesmo nestes persiste a estrutura hierárquica do legado político bolchevique (forma-Partido, tomada do poder do Estado e constituição da Ditadura do Proletariado, etc), sendo a crítica da economia política apenas um subterfúgio para a confirmação da necessidade de superação do sistema, sem maiores implicações contestatórias da estratégia bolchevique.</p>
<p>Meu modo de ver distingue-se do modo bolchevique por uma série de elementos. A meu ver a forma tem primazia em face do conteúdo, uma vez que se confunde com ele. O conteúdo só existe enquanto forma em movimento, assim como a estratégia só existe enquanto unidade com a tática. Além disso o legado bolchevique aponta para um conteúdo nacionalista, o que caracteriza um danoso elemento que obstrui qualquer radicalidade possível da estratégia bolchevique. O que defendo no texto é que o conteúdo &#8220;socialista&#8221; (não chamo a nova forma social disto) não consiste em um fim e a forma organizativa em uma coisa diferente e que consiste em um meio para se alcançar este fim. O conteúdo só se coloca por meio da forma, tal como a essência só se expressa por meio da aparência. Um novo conteúdo, contrário ao Capitalismo, só pode ser realizado por meio de uma nova forma social sendo posta em movimento, onde será gestado aquele conteúdo (de modo contraditório e com avanços e recuos que servirão de aprendizagem para a classe) por meio do próprio movimento da forma. A forma não é então meio para se chegar ao conteúdo e sim o conteúdo tomando forma. A radicalização da tática (radical implica ir às raízes do capitalismo) faz possível a formulação prática da estratégia e a revolução não é um alvo e sim este próprio processo de pôr-se da tática constituindo uma estratégia. Hoje, por exemplo, não temos condições de formular a estratégia, pois elementos que tornam essa formulação possível não estão postos: a crítica à estratégia anterior por meio do por em prática de uma nova estratégia. Uma estratégia radical só se realiza quando há condições objetivas para tal, o que implica na construção da luta enquanto construção destas condições objetivas. Os sovietes, por exemplo, enquanto conselhos que operacionalizavam o poder da classe, não eram um meio organizativo e tático para a vitória estratégica da revolução russa de 1917. Eles eram a própria revolução. Não eram uma forma que apontava para a possibilidade de um conteúdo socialista, eram o conteúdo socialista tomando forma. E quando os bolcheviques assumem o comando do Estado e integram os sovietes enquanto órgãos estatais, o que temos é a contrarrevolução atuando. Na visão dos bolcheviques, pelo contrário, o que temos é a explosão da forma para salvar o conteúdo. Para mim a constituição da estratégia não diz respeito, portanto, a uma formulação teórica, no campo da ideologia, que precede a tática enquanto aplicação da estratégia, e que visa realizar o programa, também concebido detalhadamente de antemão. Acho inclusive essa diferenciação em três níveis um absurdo. A constituição da estratégia se dá como resultado do processo, um resultado que se põe a cada momento, e não num longo prazo. A tática não se dá de modo mudo e inconsciente, por isso não faz sentido falar na existência de uma tática sem estratégia. Tática e estratégia formam uma unidade inseparável no tempo e espaço. O programa pode até ser pensado como algo mais abrangente e de longo prazo, mas deve-se ter em conta que sua realização começa agora e não “depois de”. Quando Daniel e Rodrigo insinuam que o campo autonomista se atém a uma centralidade da tática e não possui estratégia eles estão subestimando a formulação crítica tanto no plano da teoria quanto no plano da prática, do campo autonomista. Mesmo se a maioria de seus agentes não tiverem consciência de qual estratégia de longo prazo perseguem e estão colocando em prática com suas próprias mãos, ela não deixa por isso de existir e de ter fundamentos objetivos na prática social. As táticas se darem nas lutas desse campo tal como se dão constitui já uma forma peculiar de se conceber e de se responder ao problema da estratégia. Penso que parte do meu modo de ver aparece, por exemplo, na frase de Marx segundo a qual o comunismo “não é um Estado que deva ser implantado”, “nem um ideal a que a realidade deva obedecer”, mas sim um “movimento real que acaba com o atual estado de coisas”, sendo que “as condições deste movimento resultam das premissas atualmente existentes”. As “premissas atualmente existentes” dizem respeito à nova forma social sendo posta em prática no próprio desenrolar do capitalismo. Marx toca aqui no tema do caráter autocontraditório do capitalismo, portanto fala da negação. Quando eu falo da necessidade da luta colocar elementos da nova forma social já na própria estrutura organizativa estou tocando no elemento positivo da coisa. A forma política dentro da qual podem se movimentar, se desdobrar, os conteúdos contraditórios inerentes ao processo de superação do Capitalismo. Quando se coloca a estratégia como alvo, e não como resultado das formas organizativas sendo postas em movimento de modo a prefigurar o novo, o que temos é a nova forma social como “ideal a que a realidade deve obedecer”, um conteúdo que para ser salvo autoriza, se a organização for bolchevique, a explosão das formas. </p>
<p>Pois para mim explodir a forma é explodir o conteúdo. Se explodo uma escultura de bexiga o conteúdo que antes sustentava e era sustentado pela forma da escultura feita no balão passa a ser apenas um ar disperso e inatingível.</p>
<p>A forma pode conformar um conteúdo radical se estiver assentada na crítica da economia política, e essa crítica apreende as determinações centrais do Capitalismo, a serem revolucionadas: a perda do controle dos meios de produção e das formas de organização da produção. É por deter este controle que uma pessoa se torna capitalista. Daí a autogestão enquanto superação do modo de controle capitalista precisar ser preparada na própria autoorganização das lutas, sem prioridade de setores ou de &#8220;sujeitos&#8221; ontologicamente revolucionários. Quando os secundaristas engendram a autogestão das escolas, um passo é dado rumo à retomada do controle da vida social, por isso trata-se de uma forma de luta &#8220;radical&#8221;.</p>
<p>Por fim, acho que neste debate sobre forma e conteúdo e sobre tática e estratégia revolucionária talvez valha a pena pensar em como se deram todos esses temas na transição do regime senhorial feudal para o capitalismo. Imaginem a classe burguesa em 1600, fazendo crescer o comércio aqui e ali, o poder do dinheiro aqui e ali, de modo a forjar no cotidiano novas formas organizativas de assalariamento (substantivamente contrárias às formas feudais de exploração do camponês) e um novo mundo que aos poucos solapava as bases econômicas do Feudalismo, a ponto de restarem apenas as bases políticas ocas, que foram derrubadas em algumas oportunidades, mas de modo mais expressivo em 1789. O que era tática, o que era estratégia, o que era o programa burguês em 1600? O que era em 1789? O que era em 1848? O que levou ao fim do Feudalismo e ao predomínio da nova forma social capitalista? Embora as transições sejam qualitativamente distintas, o que as experiências passadas ensinam com respeito aos modos como se dão as mudanças dos modos de produção? A forma como se vê a dinâmica histórica e a análise de conjuntura que se faz leva a determinadas defesas de práticas políticas em tal ou qual sentido. Pode ser que um dia, com a luta avançada, precisemos, por exemplo, forjar uma estrutura organizativa centralizada, por exemplo um exército de defesa da revolução contra as forças repressivas da contrarrevolução? Pode. Mas nem de perto se trata de uma tarefa atual. Além do mais a contrarrevolução atualmente atua mais por dentro do que por fora, solapando as bases potencialmente radicais das formas organizativas, que nada mais são que o fazer-se classe da classe. Por isso minha ênfase nelas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107453/#comment-309115</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Feb 2016 11:44:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107453#comment-309115</guid>

					<description><![CDATA[INVARIÂNCIA: PARTIDO HISTÓRICO x PARTIDO FORMAL
Teria havido um tempo em que a emancipação dos trabalhadores seria obra dos trabalhadores. Sim, eles mesmos, proletários em luta; sem intermediários ou condutores &#038; sedutores: deus, césar, tribuno...
O tornar-se classe para si anunciaria sua autossupressão revolucionária, na comunidade humana mundial.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>INVARIÂNCIA: PARTIDO HISTÓRICO x PARTIDO FORMAL<br />
Teria havido um tempo em que a emancipação dos trabalhadores seria obra dos trabalhadores. Sim, eles mesmos, proletários em luta; sem intermediários ou condutores &amp; sedutores: deus, césar, tribuno&#8230;<br />
O tornar-se classe para si anunciaria sua autossupressão revolucionária, na comunidade humana mundial.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Anderson		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107453/#comment-309102</link>

		<dc:creator><![CDATA[Anderson]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2016 17:38:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107453#comment-309102</guid>

					<description><![CDATA[Hum!!! Quer dizer que “o almejado centro da classe” deve ser “seduzido”. Esta é a tática e quando essa tática se põe, constitui uma estratégia, porque a famigerada concepção de trabalho de base (aquele de deslocamento de militantes e enraizamento nos locais de trabalho e locais de moradia, aquele de longo prazo, paciente, clandestino...) está completamente ultrapassada... Seria triste se não fosse trágico Rosa ser chamada para defender velhos e novos reformismos, uma amálgama da concepção bernsteiniana (o movimento é tudo...) com um toninegrismo indisfarçado (&quot;O essencial é que a treta se espalhe, sem primazia de um &#039;sujeito&#039;&quot;)... Enfim não raro na história a pequena-burguesia tem sido seduzida(?) por modismos impressionistas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hum!!! Quer dizer que “o almejado centro da classe” deve ser “seduzido”. Esta é a tática e quando essa tática se põe, constitui uma estratégia, porque a famigerada concepção de trabalho de base (aquele de deslocamento de militantes e enraizamento nos locais de trabalho e locais de moradia, aquele de longo prazo, paciente, clandestino&#8230;) está completamente ultrapassada&#8230; Seria triste se não fosse trágico Rosa ser chamada para defender velhos e novos reformismos, uma amálgama da concepção bernsteiniana (o movimento é tudo&#8230;) com um toninegrismo indisfarçado (&#8220;O essencial é que a treta se espalhe, sem primazia de um &#8216;sujeito'&#8221;)&#8230; Enfim não raro na história a pequena-burguesia tem sido seduzida(?) por modismos impressionistas&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
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