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	Comentários sobre: Nação em cólera: uma nova fase da contrarrevolução sem revolução	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: cristina		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107758/#comment-309994</link>

		<dc:creator><![CDATA[cristina]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Mar 2016 12:20:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oi LSFC,

Não é à toa que o Pablo te indicou a série de artigos que ele escreveu, eles revelam justamente as forças em disputa sobre as quais você está questionando e acho que vão elucidar muitos dos seus pressupostos,  em suma, a sua resposta está lá.
No mais, eu diria apenas que não dá para entender as várias forças que concorrem para o funcionamento do capitalismo avançado, principalmente em termos ideológicos, mas não apenas, de maneira perfeitamente separada. É uma conjunção de forças, ao longo da história cada vez mais imbricadas, que faz as coisas funcionarem como funcionam. Como o Pablo disse, a imprensa não atua isoladamente, e mesmo o poder direto de determinação da economia é o que é como resultante do desenvolvimento entrelaçado de todas as esferas sociais a partir dos interesses do capital. Por essa razão, não acredito que se possa dizer que os movimentos sociais, a representação sindical e outras entidades, por indireta que seja a sua influência, não tenham concorrido para o atual estado de coisas quando se alinharam ao governo. Ao contrário, se a ordem política e econômica se mantém, apesar do inacreditável sofrimento e sujeição impostos, é porque ela se assenta sobre  uma poderosa constelação de forças que constitui o statu quo.
De fato, o seu comentário sugere uma aliança de  petistas e o que seria, ou deveria ser, hoje, propriamente a esquerda contra o monopólio da comunição. No entanto,em sentido exatamente contrário, não experimentamos, no Brasil, justamente a poder de integração do sistema quando, após o golpe de 64, constatamos que a chamada burguesia nacional, com a qual a esquerda esperava aliar forças para resistir ao imperialismo, havia se aliado ao capital estrangeiro?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi LSFC,</p>
<p>Não é à toa que o Pablo te indicou a série de artigos que ele escreveu, eles revelam justamente as forças em disputa sobre as quais você está questionando e acho que vão elucidar muitos dos seus pressupostos,  em suma, a sua resposta está lá.<br />
No mais, eu diria apenas que não dá para entender as várias forças que concorrem para o funcionamento do capitalismo avançado, principalmente em termos ideológicos, mas não apenas, de maneira perfeitamente separada. É uma conjunção de forças, ao longo da história cada vez mais imbricadas, que faz as coisas funcionarem como funcionam. Como o Pablo disse, a imprensa não atua isoladamente, e mesmo o poder direto de determinação da economia é o que é como resultante do desenvolvimento entrelaçado de todas as esferas sociais a partir dos interesses do capital. Por essa razão, não acredito que se possa dizer que os movimentos sociais, a representação sindical e outras entidades, por indireta que seja a sua influência, não tenham concorrido para o atual estado de coisas quando se alinharam ao governo. Ao contrário, se a ordem política e econômica se mantém, apesar do inacreditável sofrimento e sujeição impostos, é porque ela se assenta sobre  uma poderosa constelação de forças que constitui o statu quo.<br />
De fato, o seu comentário sugere uma aliança de  petistas e o que seria, ou deveria ser, hoje, propriamente a esquerda contra o monopólio da comunição. No entanto,em sentido exatamente contrário, não experimentamos, no Brasil, justamente a poder de integração do sistema quando, após o golpe de 64, constatamos que a chamada burguesia nacional, com a qual a esquerda esperava aliar forças para resistir ao imperialismo, havia se aliado ao capital estrangeiro?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107758/#comment-309981</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Mar 2016 21:12:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro LSCF,
Penso que embora a mídia tenha poder real de influenciar os rumos da política, ela não tem papel independente, vontade própria, e só age tendo forças econômicas por trás, estas sim com interesses bem delineados. Tanto que durante uma década (fora a época do Mensalão) houve uma lua de mel entre grande mídia e PT. 
Tentei, numa pesquisa feita entre março e maio do ano passado, rastrear as forças econômicas interessadas na saída do PT do poder. Precisaria atualizar algumas coisas, em especial quanto às forças externas, interessadas, por exemplo, no desmantelo do esquema tríade Estado(Partidos)-empresas-empresas estatais, feito pela Lava-Jato, a fim de, por exemplo, ter acesso legal à exploração de fatias do pré-sal, concessões estatais em grandes obras etc. Ainda assim penso que alguns resultados são atuais e esclarecem algumas coisas dessa conjuntura maluca:

http://www.passapalavra.info/2015/07/105485

Caro ca, 
boa questão. Só quis ressaltar a importância de não sair apressadamente comprando toda briga, no bom e velho movimentismo e tarefismo da esquerda, que julga que em todo e qualquer contexto só há luta de classes nas ruas e em grandes acontecimentos heroicos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro LSCF,<br />
Penso que embora a mídia tenha poder real de influenciar os rumos da política, ela não tem papel independente, vontade própria, e só age tendo forças econômicas por trás, estas sim com interesses bem delineados. Tanto que durante uma década (fora a época do Mensalão) houve uma lua de mel entre grande mídia e PT.<br />
Tentei, numa pesquisa feita entre março e maio do ano passado, rastrear as forças econômicas interessadas na saída do PT do poder. Precisaria atualizar algumas coisas, em especial quanto às forças externas, interessadas, por exemplo, no desmantelo do esquema tríade Estado(Partidos)-empresas-empresas estatais, feito pela Lava-Jato, a fim de, por exemplo, ter acesso legal à exploração de fatias do pré-sal, concessões estatais em grandes obras etc. Ainda assim penso que alguns resultados são atuais e esclarecem algumas coisas dessa conjuntura maluca:</p>
<p><a href="http://www.passapalavra.info/2015/07/105485" rel="nofollow ugc">http://www.passapalavra.info/2015/07/105485</a></p>
<p>Caro ca,<br />
boa questão. Só quis ressaltar a importância de não sair apressadamente comprando toda briga, no bom e velho movimentismo e tarefismo da esquerda, que julga que em todo e qualquer contexto só há luta de classes nas ruas e em grandes acontecimentos heroicos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: LSCF		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107758/#comment-309976</link>

		<dc:creator><![CDATA[LSCF]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Mar 2016 15:02:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107758#comment-309976</guid>

					<description><![CDATA[A todos, mas em especial ao Pablo e à Cristina,

qual a relação da mídia com tudo isso? 
Pergunto pq parece que se assume (corretamente, acho eu) que 2013 foi decisivo pra chegarmos no cenário atual (o próprio PP já identificava fortes sintomas dessa fascistização, lá); msm em 2013, muito se falou sobre o papel da imprensa, tanto em transformar em &quot;apartidárias&quot; as manifestações, qto no &quot;sem violência&quot;, no agregar a vaga &quot;pauta&quot; da corrupção... enfim, o papel da imprensa em redefinir o movimento, se não completamente, pelo menos em grande parte.
Agora, mais uma vez, e trabalhando (novidade?) com o Judiciário, parece ter a grande imprensa um papel crucial em toda a situação. Tanto como fomentadora de ânimos, qto como direcionadora de posicionamento (nada novo, mas mais intenso, acredito).
Do outro lado, eu entendo que se aponte nesses grupos citados por vcs (MST, MTST, CUT etc) um certo afrouxamento ideológico, de uma acomodação com o governo (e, no MPL, o racha interno) mas isso não é causa. Ou, pelo menos, não ativa. Esses grupos (e toda a esquerda), se muito, &quot;deixaram&quot; que a situação chegasse onde está, mas não fizeram dela o que é hj. Daí a pergunta óbvia, quem (ou o que) fez? 
Sei que vcs traçam um perfil do contexto atual e tentam mostrar como inúmeros fatores convergiram e influenciaram (momento econômico, acomodação da esquerda, aproveitamento pela direita do tal vácuo deixado pela esquerda etc), mas me parece que existe um sujeito mais ativo que qqer outro, e esse sujeito é a grande mídia.
Se a ideia é disputar corações e mentes, não é necessário quebrar esse discurso proferido por ela? E dá pra quebrar esse discurso sem quebrar o monopólio? E dá pra quebrar o monopólio tendo no poder quem sempre foi aliado a ela?
Com isso, continuo, não é, então, mais interessante ter um PT no governo? Pq ainda que se considere, de um posicionamento anticapitalista, que o PT é muito parecido com vários outros partidos (msm com o PSDB e com o PMDB), uma coisa é nítida: o PT não tem o apoio (msm com todo o esforço que fizeram e continuam fazendo) das tais cinco ou seis famílias detentoras da maioria esmagadora dos meios de &quot;informação&quot;.
Não seria, portanto, interessante tentar aproveitar o momento para,  aliando-se na briga contra o impeachement, cobrar do PT, por exemplo, que pare de anunciar nesses grandes grupos? Ou, ainda que não exatamente isso, existe alguma possibilidade de cobrar do PT uma quebra com essa grande mídia? Caso exista, agora não é boa a hora pra articular um apoio da esquerda em prol dessa quebra?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A todos, mas em especial ao Pablo e à Cristina,</p>
<p>qual a relação da mídia com tudo isso?<br />
Pergunto pq parece que se assume (corretamente, acho eu) que 2013 foi decisivo pra chegarmos no cenário atual (o próprio PP já identificava fortes sintomas dessa fascistização, lá); msm em 2013, muito se falou sobre o papel da imprensa, tanto em transformar em &#8220;apartidárias&#8221; as manifestações, qto no &#8220;sem violência&#8221;, no agregar a vaga &#8220;pauta&#8221; da corrupção&#8230; enfim, o papel da imprensa em redefinir o movimento, se não completamente, pelo menos em grande parte.<br />
Agora, mais uma vez, e trabalhando (novidade?) com o Judiciário, parece ter a grande imprensa um papel crucial em toda a situação. Tanto como fomentadora de ânimos, qto como direcionadora de posicionamento (nada novo, mas mais intenso, acredito).<br />
Do outro lado, eu entendo que se aponte nesses grupos citados por vcs (MST, MTST, CUT etc) um certo afrouxamento ideológico, de uma acomodação com o governo (e, no MPL, o racha interno) mas isso não é causa. Ou, pelo menos, não ativa. Esses grupos (e toda a esquerda), se muito, &#8220;deixaram&#8221; que a situação chegasse onde está, mas não fizeram dela o que é hj. Daí a pergunta óbvia, quem (ou o que) fez?<br />
Sei que vcs traçam um perfil do contexto atual e tentam mostrar como inúmeros fatores convergiram e influenciaram (momento econômico, acomodação da esquerda, aproveitamento pela direita do tal vácuo deixado pela esquerda etc), mas me parece que existe um sujeito mais ativo que qqer outro, e esse sujeito é a grande mídia.<br />
Se a ideia é disputar corações e mentes, não é necessário quebrar esse discurso proferido por ela? E dá pra quebrar esse discurso sem quebrar o monopólio? E dá pra quebrar o monopólio tendo no poder quem sempre foi aliado a ela?<br />
Com isso, continuo, não é, então, mais interessante ter um PT no governo? Pq ainda que se considere, de um posicionamento anticapitalista, que o PT é muito parecido com vários outros partidos (msm com o PSDB e com o PMDB), uma coisa é nítida: o PT não tem o apoio (msm com todo o esforço que fizeram e continuam fazendo) das tais cinco ou seis famílias detentoras da maioria esmagadora dos meios de &#8220;informação&#8221;.<br />
Não seria, portanto, interessante tentar aproveitar o momento para,  aliando-se na briga contra o impeachement, cobrar do PT, por exemplo, que pare de anunciar nesses grandes grupos? Ou, ainda que não exatamente isso, existe alguma possibilidade de cobrar do PT uma quebra com essa grande mídia? Caso exista, agora não é boa a hora pra articular um apoio da esquerda em prol dessa quebra?</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: ca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107758/#comment-309971</link>

		<dc:creator><![CDATA[ca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Mar 2016 12:20:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O texto do Pablo, na medida em que fala da ruína daqueles que se posicionam em contra/além do governismo, acaba estabelecendo novas encrencas para pensarmos a -sempre imprecisa e difusa- organização da Extrema Esquerda.

Se a margem do lulismo acabou, e a marola petista foi junto,é correto afirmar que a tarefa crucial é “Buscar a real identidade na aparente diferença e contradição&quot;, para lembrar do velho Gramsci. No dizer de um velho amigo comunista dos tempos duros, radical agora é &quot;entender todo o merdol esparramado país afora&quot;. 

Mas se esta demanda é justa, ela é coletiva ou será mais um daqueles esforços solitários de indivíduos na solidão? Se for uma tarefa coletiva, como issos se dá - na absoluta ausência da substância coletiva- e quem legitima esta crítica formulada?

Na crítica que formulamos da situação presente, não podemos sair deletando a experiência das organizações que sucumbiram aos lulo-petismo. Há muita riqueza de experiências organizativas,ou para dizer sem delongas, muita kilometragem para aprendermos.

Do que virá: É fato que não precisamos de pressa para sair &quot;fundando&quot; organizações, mas também, não dá para esperar que a estação produza ela mesma as coisas sozinha,do nada. Muitas frutas caem &quot; pêcas&quot;, apodrecendo ainda no pé, muito antes de terem amadurecido.Então, se os eventos da realidade não forem capazes de nos levar a parir acontecimentos organizativos, bem...talvez seja por que não estávamos lá.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto do Pablo, na medida em que fala da ruína daqueles que se posicionam em contra/além do governismo, acaba estabelecendo novas encrencas para pensarmos a -sempre imprecisa e difusa- organização da Extrema Esquerda.</p>
<p>Se a margem do lulismo acabou, e a marola petista foi junto,é correto afirmar que a tarefa crucial é “Buscar a real identidade na aparente diferença e contradição&#8221;, para lembrar do velho Gramsci. No dizer de um velho amigo comunista dos tempos duros, radical agora é &#8220;entender todo o merdol esparramado país afora&#8221;. </p>
<p>Mas se esta demanda é justa, ela é coletiva ou será mais um daqueles esforços solitários de indivíduos na solidão? Se for uma tarefa coletiva, como issos se dá &#8211; na absoluta ausência da substância coletiva- e quem legitima esta crítica formulada?</p>
<p>Na crítica que formulamos da situação presente, não podemos sair deletando a experiência das organizações que sucumbiram aos lulo-petismo. Há muita riqueza de experiências organizativas,ou para dizer sem delongas, muita kilometragem para aprendermos.</p>
<p>Do que virá: É fato que não precisamos de pressa para sair &#8220;fundando&#8221; organizações, mas também, não dá para esperar que a estação produza ela mesma as coisas sozinha,do nada. Muitas frutas caem &#8221; pêcas&#8221;, apodrecendo ainda no pé, muito antes de terem amadurecido.Então, se os eventos da realidade não forem capazes de nos levar a parir acontecimentos organizativos, bem&#8230;talvez seja por que não estávamos lá.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: cristina daniels		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107758/#comment-309968</link>

		<dc:creator><![CDATA[cristina daniels]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Mar 2016 09:39:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Errata: por favor, no meu comentário anterior, onde se lê &quot;Idealismo Alemão&quot;, leia-se &quot;Ideologia Alemã&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Errata: por favor, no meu comentário anterior, onde se lê &#8220;Idealismo Alemão&#8221;, leia-se &#8220;Ideologia Alemã&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: cristina daniels		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107758/#comment-309958</link>

		<dc:creator><![CDATA[cristina daniels]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Mar 2016 03:26:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107758#comment-309958</guid>

					<description><![CDATA[Concordo inteiramente com o diagnóstico do PP, como sempre providencial e pertinente e aproveito para contribuir com algumas considerações.
Acho que para as coisas ficarem mais claras é interessante frisar que a necessidade de oposição ao fascismo, que nada tem a ver com uma frente antifascista porque, como Pablo e Taiguara advertiram, não se trata do fascismo clássico e politicamente organizado mas de um comportamento social paranoico que estrutra as sociedades capitalistas e se exacerba perigosamente em momentos, como este, de crise e desrecalque da extrema direita que, na atual fase financeirizada do capital, já não tem mais nada a perder e pode tranquilamente “sair do armário”, repetindo, a necessidade de oposição ao fascismo num contexto em que essa oposição é instantaneamente classificada nos termos da polarização que constitui o centro de gravidade para o qual arrasta o espetáculo de uma disputa que não nos diz respeito, essa necessidade de um posicionamento que recua do âmbito da crítca, porque leva à conciliação com posições adversárias, na medida em que a resistência a um fatídico aprofundamento de uma arbitrariedade e um autoritarismo já insuportáveis converge com a defesa de uma legalidade e uma democracia que são mera ideologia, indica a posição defensiva, aquém da política, para a qual nos empurrou o estado social de emergência típico da atualidade. Simplesmente não estamos falando de política, fomos banidos para uma dramática retaguarda, estamos falando de emergência. Neste cenário, as forças que afloram são as da destrutividade retrógrada e não revolucionária, elas vêm da frustração e do despeito que as promessas de junho de 2013 suscitaram, mas são, por isso mesmo, apenas o seu arremedo – nisto precisamente se caracteriza o pathos fascista, na mobilização do impulso de transformação social em direção à primitividade e à barbárie – e são por si mesmas uma evidência de que a esquerda não está socialmente organizada neste momento. A efervescência social disponível é da ordem do fanatismo. Portanto, converter esse momento crítico a nosso favor também não está em jogo. Não se trata de niilismo, é precisamente o contrário, a nossa chance contra a atual forma monstruosa de capitalismo depende de diagnosticar tão intransigentemente quanto possível a nossa verdadeira posição no tabuleiro, como já disse o Pablo.
Agora, o outro aspecto relevante desse contexto mas bem menos evidente, ainda que também tematizado, é o contágio – inevitável, se é que todos vivemos sob a mesma sociedade do capital – da própria esquerda pelas forças às quais obedece hoje a grande massa de pessoas nas ruas. A começar pelo próprio proativismo que caracteriza a atualidade, a intensa e superficial atuação política e social incentivada pelo Estado a fim de anular a intervenção efetiva na condução do poder público. Também a radicalidade e a ação direta ganharam, por seu turno, o devido glamour e atuação a qualquer preço, a virada de mesa está na ordem do dia do militante antenado. Já o pathos fascista – que remete à exposição clássica de T.W. Adorno em “Elementos do Antissemitismo”, Dialética do Esclarecimento – não é tão restrito ao nosso contexto, de fato, muito ao contrário, ele pode ser remontado a uma contradição básica que marca desde o início a modernidade em função do retrocesso da Revolução Francesa e da ascensão da classe burguesa ao poder, não obstante, em nome da sociedade emancipada e da autonomia dos indivíduos. Essa contradição fará com que, na modernidade, a participação política seja ao mesmo tempo estimulada e reprimida. – Aqui me apoio mais diretamente na interpretação que figura em Ressentimento da Dialética, de Paulo Arantes, a fim de ligar os fios que ajudam a entender a esquerda hoje. – Esse estímulo à participação abstrata sem o lastro da experiência, uma abstração, por outro lado, condicionada, fermentada pelos recalques impostos pela sujeição da vida dos indivíduos aos interesses do capital, prejuízos que ela se destina, portanto, a compensar, um tal estímulo à intervenção social sem o lastro da experiência, impossível na ausência de participação política efetiva, redundou, nas condições sociais do intelectual engajado, na sua tendência à conversão a posições dogmáticas e doutrinárias, em prejuízo do julgamento refletido, cujo teor é devidamente submetido à oposição da realidade concreta à qual ele se remete. O esquematismo mesmo do protofascismo que atravessa toda a sociedade, e que, no caso do intelectual ideólogo, tende particularmente à exacerbação dada a especificidade de suas condições sociais, sua posição aparentemente independente de interesses de classe e a necessidade de alimentar essa ilusão mais ou menos verdadeira de independência. Como se pode ler em Ressentimento da Dialética, essa inflexão para o doutrinarismo, inaugurada com a própria Revolução Francesa, se caracteriza em momentos cruciais da resistência ao avanço capitalista, como aconteceu, por execlência, na evolução do Idealismo Alemão que culminou com o Terceiro Reich.
Diante disso, é preciso ver, hoje, um grão de fanatismo não apenas entre aqueles que não querem pagar o pato ou nos inconformados e patéticos governistas, mas tambem na forma como se deixam arrebatar inclusive os que se distanciam do governo e defendem apenas a legalidade e a democracia, assim como os que repudiam essa defesa. Mesmo as posições mais coerentes tendem a ser disputadas com exacerbações, simplificações e rótulos, de tal maneira que a tarefa de resistência ao fascismo inclui, antes de mais nada, barrá-lo no interior da própria esquerda. Na verdade, tudo leva a crer que a derrota da Revolução até aquitambém  possa ser descrita precisamente como a capitulação dos seus ideólogos ao fascismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo inteiramente com o diagnóstico do PP, como sempre providencial e pertinente e aproveito para contribuir com algumas considerações.<br />
Acho que para as coisas ficarem mais claras é interessante frisar que a necessidade de oposição ao fascismo, que nada tem a ver com uma frente antifascista porque, como Pablo e Taiguara advertiram, não se trata do fascismo clássico e politicamente organizado mas de um comportamento social paranoico que estrutra as sociedades capitalistas e se exacerba perigosamente em momentos, como este, de crise e desrecalque da extrema direita que, na atual fase financeirizada do capital, já não tem mais nada a perder e pode tranquilamente “sair do armário”, repetindo, a necessidade de oposição ao fascismo num contexto em que essa oposição é instantaneamente classificada nos termos da polarização que constitui o centro de gravidade para o qual arrasta o espetáculo de uma disputa que não nos diz respeito, essa necessidade de um posicionamento que recua do âmbito da crítca, porque leva à conciliação com posições adversárias, na medida em que a resistência a um fatídico aprofundamento de uma arbitrariedade e um autoritarismo já insuportáveis converge com a defesa de uma legalidade e uma democracia que são mera ideologia, indica a posição defensiva, aquém da política, para a qual nos empurrou o estado social de emergência típico da atualidade. Simplesmente não estamos falando de política, fomos banidos para uma dramática retaguarda, estamos falando de emergência. Neste cenário, as forças que afloram são as da destrutividade retrógrada e não revolucionária, elas vêm da frustração e do despeito que as promessas de junho de 2013 suscitaram, mas são, por isso mesmo, apenas o seu arremedo – nisto precisamente se caracteriza o pathos fascista, na mobilização do impulso de transformação social em direção à primitividade e à barbárie – e são por si mesmas uma evidência de que a esquerda não está socialmente organizada neste momento. A efervescência social disponível é da ordem do fanatismo. Portanto, converter esse momento crítico a nosso favor também não está em jogo. Não se trata de niilismo, é precisamente o contrário, a nossa chance contra a atual forma monstruosa de capitalismo depende de diagnosticar tão intransigentemente quanto possível a nossa verdadeira posição no tabuleiro, como já disse o Pablo.<br />
Agora, o outro aspecto relevante desse contexto mas bem menos evidente, ainda que também tematizado, é o contágio – inevitável, se é que todos vivemos sob a mesma sociedade do capital – da própria esquerda pelas forças às quais obedece hoje a grande massa de pessoas nas ruas. A começar pelo próprio proativismo que caracteriza a atualidade, a intensa e superficial atuação política e social incentivada pelo Estado a fim de anular a intervenção efetiva na condução do poder público. Também a radicalidade e a ação direta ganharam, por seu turno, o devido glamour e atuação a qualquer preço, a virada de mesa está na ordem do dia do militante antenado. Já o pathos fascista – que remete à exposição clássica de T.W. Adorno em “Elementos do Antissemitismo”, Dialética do Esclarecimento – não é tão restrito ao nosso contexto, de fato, muito ao contrário, ele pode ser remontado a uma contradição básica que marca desde o início a modernidade em função do retrocesso da Revolução Francesa e da ascensão da classe burguesa ao poder, não obstante, em nome da sociedade emancipada e da autonomia dos indivíduos. Essa contradição fará com que, na modernidade, a participação política seja ao mesmo tempo estimulada e reprimida. – Aqui me apoio mais diretamente na interpretação que figura em Ressentimento da Dialética, de Paulo Arantes, a fim de ligar os fios que ajudam a entender a esquerda hoje. – Esse estímulo à participação abstrata sem o lastro da experiência, uma abstração, por outro lado, condicionada, fermentada pelos recalques impostos pela sujeição da vida dos indivíduos aos interesses do capital, prejuízos que ela se destina, portanto, a compensar, um tal estímulo à intervenção social sem o lastro da experiência, impossível na ausência de participação política efetiva, redundou, nas condições sociais do intelectual engajado, na sua tendência à conversão a posições dogmáticas e doutrinárias, em prejuízo do julgamento refletido, cujo teor é devidamente submetido à oposição da realidade concreta à qual ele se remete. O esquematismo mesmo do protofascismo que atravessa toda a sociedade, e que, no caso do intelectual ideólogo, tende particularmente à exacerbação dada a especificidade de suas condições sociais, sua posição aparentemente independente de interesses de classe e a necessidade de alimentar essa ilusão mais ou menos verdadeira de independência. Como se pode ler em Ressentimento da Dialética, essa inflexão para o doutrinarismo, inaugurada com a própria Revolução Francesa, se caracteriza em momentos cruciais da resistência ao avanço capitalista, como aconteceu, por execlência, na evolução do Idealismo Alemão que culminou com o Terceiro Reich.<br />
Diante disso, é preciso ver, hoje, um grão de fanatismo não apenas entre aqueles que não querem pagar o pato ou nos inconformados e patéticos governistas, mas tambem na forma como se deixam arrebatar inclusive os que se distanciam do governo e defendem apenas a legalidade e a democracia, assim como os que repudiam essa defesa. Mesmo as posições mais coerentes tendem a ser disputadas com exacerbações, simplificações e rótulos, de tal maneira que a tarefa de resistência ao fascismo inclui, antes de mais nada, barrá-lo no interior da própria esquerda. Na verdade, tudo leva a crer que a derrota da Revolução até aquitambém  possa ser descrita precisamente como a capitulação dos seus ideólogos ao fascismo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107758/#comment-309903</link>

		<dc:creator><![CDATA[ca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2016 14:23:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107758#comment-309903</guid>

					<description><![CDATA[Atualmente, meu pensamento está dirigido às seguintes questões:

-Como (re)construir a esquerda &quot;fora&quot; das determinações do governismo?
-É possível, e como, viver a margem do Lulo-Petismo, a partir de baixo e à esquerda? Não apenas como assunto teórico, mas também de tática!
-Podemos construir uma Esquerda Revolucionária?

Não é fácil a solidão, menos ainda em noites de facas longas, com as contradições batendo sua porta. Estamos naquela fase do &quot;a culpa é do...&quot;. Então, minha modesta atividade tem sido pensar e moer esses temas todos, preferencialmente sem dar dedadas no rosto dos outros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Atualmente, meu pensamento está dirigido às seguintes questões:</p>
<p>-Como (re)construir a esquerda &#8220;fora&#8221; das determinações do governismo?<br />
-É possível, e como, viver a margem do Lulo-Petismo, a partir de baixo e à esquerda? Não apenas como assunto teórico, mas também de tática!<br />
-Podemos construir uma Esquerda Revolucionária?</p>
<p>Não é fácil a solidão, menos ainda em noites de facas longas, com as contradições batendo sua porta. Estamos naquela fase do &#8220;a culpa é do&#8230;&#8221;. Então, minha modesta atividade tem sido pensar e moer esses temas todos, preferencialmente sem dar dedadas no rosto dos outros.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107758/#comment-309896</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2016 08:10:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107758#comment-309896</guid>

					<description><![CDATA[p.s: o que a pequena esquerda autônoma poderia fazer agora, em termos &quot;práticos&quot;, era &quot;aproveitar&quot; a conjuntura de crise para forçar algum ganho se valendo do desgaste do governo e da necessidade dele não se desgastar mais, nesse debater-se buscando evitar o impeachment. Poderíamos, por exemplo, fazer protestos contra a Lei Anti-Terrorismo ou algo específico assim, talvez enterrar a própria reorganização escolar em SP etc. Se for algo que incida em forças da oposição ao PT então, talvez ainda melhor, por eles talvez quererem de modo oportunista se diferenciar do governo, atendendo a demanda. Em todo caso, a conjuntura para os próximos anos aponta para o seguinte futuro: se tivermos sorte teremos um ataque frontal aos direitos dos trabalhadores, com derrubada da CLT etc.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>p.s: o que a pequena esquerda autônoma poderia fazer agora, em termos &#8220;práticos&#8221;, era &#8220;aproveitar&#8221; a conjuntura de crise para forçar algum ganho se valendo do desgaste do governo e da necessidade dele não se desgastar mais, nesse debater-se buscando evitar o impeachment. Poderíamos, por exemplo, fazer protestos contra a Lei Anti-Terrorismo ou algo específico assim, talvez enterrar a própria reorganização escolar em SP etc. Se for algo que incida em forças da oposição ao PT então, talvez ainda melhor, por eles talvez quererem de modo oportunista se diferenciar do governo, atendendo a demanda. Em todo caso, a conjuntura para os próximos anos aponta para o seguinte futuro: se tivermos sorte teremos um ataque frontal aos direitos dos trabalhadores, com derrubada da CLT etc.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107758/#comment-309895</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2016 07:49:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107758#comment-309895</guid>

					<description><![CDATA[Emerson, na sua primeira mensagem a acusação ao PP de covardia se referia a não se diagnosticar o engodo petista do &quot;golpe em curso&quot;, tal como o PP fizera no quintal do vizinho, fazendo, antes, certo coro aos alardes governistas, ao acusar uma ascensão do fascismo em termos de &quot;contrarrevolução&quot;. Penso que foi por isso que Taiguara buscou &quot;golpe&quot; neste texto, e penso que sua acusação se deve a uma possível ambiguidade do texto do PP, no trecho em que consta como nota de rodapé uma ressalva central para a tese do texto. Em todo caso, as questões que você coloca agora no comentário seguinte são mais interessantes, pois trazem elementos pra pensarmos: 

1) o momento de crise é também um momento de oportunidades até mesmo para a esquerda.
2) a maioria dos trabalhadores não aderiu à histeria fascista.
1 + 2 = 3) levantar a tese da ascensão fascista, como faz o PP, seria paralisante, em termos políticos.

Daí você afirma que o momento é oportuno para uma intervenção da extrema esquerda, como se a disputa inter-capitalista abrisse uma brecha, um vácuo, a ser aproveitado oportunisticamente por nós. Só faltou nos contar quem, como e onde atuar fora do tabuleiro posto, porque tá todo mundo querendo saber, viu?
Quanto ao realismo ou niilismo do diagnóstico do PP, ele se fundamenta, me parece, na constatação de que a extrema esquerda está em frangalhos, depois de se autodigladiar entre si, e que seria justamente essa crise dela um dos fatores que permitiu a ascensão das forças mais conservadoras, protofascistas. Aqui sim um vácuo deixado e aproveitado, desde a assimilação das lutas em 2013. Nesse sentido, se na Venezuela era o apego ao chavismo que jogava os trabalhadores nos braços da direita, no Brasil os determinantes políticos são duplos: joga os trabalhadores para a direita  A) o apego das organizações clássicas (todos os sindicatos, partidos e movimentos sociais de peso) ao programa democrático-popular capitaneado pelo PT, portanto a perda de legitimidade das organizações dos trabalhadores frente à necessária luta contra um governo de esquerda pró capital e B) a debilidade organizacional da esquerda que se desapegou daquele programa, mas que, por exemplo no caso do MPL, enquanto poderia estar de organizando e mobilizando os trabalhadores para a luta contra o ajuste fiscal e os ataques aos direitos dos trabalhadores (como clamou Leo V. aqui: http://www.passapalavra.info/2015/04/103674) estava, sim, rachando por conta das tretas identitárias e ou classistas internas.

No mais, são os fatores econômicos, o esgotamento do modelo democrático-popular de gestão dos negócios, o principal elemento para a ascensão dos movimentos da oposição de direita, que assumem uma face nacionalista, violenta, anti-comunista, por isso fascista. E o altíssimo número de pessoas nas ruas, não só nas capitais, mas tbm nas pequenas cidades do país, mostra que o fascismo à brasileira tem certa capilaridade e que ao menos parte da classe trabalhadora aderiu à histeria, ou ao menos ao anti-petismo e ao anti-partidos e anti-política (daí a &quot;nação em cólera&quot;), enquanto outra parte não toma partido explicitamente mas tbm não se submete ao absurdo que seria apoiar um governo de esquerda que empurrou os ajustes estruturais e sempre priorizou os lucros do grande capital e dos bancos. Aí você analisa isso como uma oportunidade, a oportunidade da terceira via, mas isso só existe do ponto de vista lógico. Não há organização e nem ideologia capaz de canalizar essas forças para um sentido progressista. Daí diagnosticar a conjuntura, tentar entender quais são os fatores econômicos por detrás desses confrontos intra-burguesia, dessa rifagem das forças econômicas ligadas ao PT, pela Lava-Jato, e da raiz política do ganho de expressividade dessas tendências fascistas, isso é o máximo que podemos fazer no momento, quer se goste ou não. A não ser que se tema um golpe, e se interprete o fascismo em ascensão em termos clássicos, como ditadura militar e autoritarismo a caminho, como se já não estivéssemos em estado de exceção desde sempre, aí se poderia talvez formar frentes antifascistas. Mas não acho que é isso que o PP defende que esteja acontecendo. E quanto a aproveitar o momento de crise para começar a organizar algo que um dia quiçá poderia se por no cenário da luta de classes como alternativa de extrema esquerda capaz não só de dar uma resposta para além do governo-capital VS oposição-capital, mas também de mudar as próprias perguntas, bom, aí é outra história, que não depende só de boa vontade ou dos termos lógicos da conjuntura, e com certeza um passo inicial para esse necessário movimento é ter uma análise de conjuntura realista, no que o PP tenta contribuir, assim como tentou contribuir criticando os caminhos nefastos que as organizações dos trabalhadores foram assumindo ao longo dos últimos anos, desde a agroecologia empresarial de um MST, uma adesão capitalista a métodos de construção lucrativos e atrelados ao governismo de um MTST, até uma tendência proto-fascista à centralidade do identitarismo em um MPL, tudo depois de já CUT e PT terem relação de identidade com o capital. Foram estes caminhos decadentes das organizações dos trabalhadores que pavimentaram o caminho para a ascensão do fascismo no Brasil, e é só entendendo o processo histórico que levou à merda que se pode um dia sair da merda. Se, por exemplo, constatarmos que o movimento atual indica uma mudança no padrão de gestão dos conflitos sociais, do padrão democrático-popular, assentado na participação popular na gestão das políticas públicas e na lógica de concessões lucrativas e uma capacidade de recuperar as conquistas, para um padrão mais seco e autoritário, típico do ciclo 1964-1980, então as condições das lutas mudarão, trazendo consigo nada mais nada menos que o perigo de lutarmos pela volta do padrão democrático-popular, trazendo a sombra de um PT walking dead, o que seria trágico. Para superarmos ambos os modelos de gestão dos conflitos sociais precisamos entender como eles funcionam e em que situação histórica estamos. Justamente por ser algo urgente é que não se pode fazer a reorganização da esquerda de modo apressado, senão vamos repetir os erros e fazer um novo PT contra uma nova ditadura.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Emerson, na sua primeira mensagem a acusação ao PP de covardia se referia a não se diagnosticar o engodo petista do &#8220;golpe em curso&#8221;, tal como o PP fizera no quintal do vizinho, fazendo, antes, certo coro aos alardes governistas, ao acusar uma ascensão do fascismo em termos de &#8220;contrarrevolução&#8221;. Penso que foi por isso que Taiguara buscou &#8220;golpe&#8221; neste texto, e penso que sua acusação se deve a uma possível ambiguidade do texto do PP, no trecho em que consta como nota de rodapé uma ressalva central para a tese do texto. Em todo caso, as questões que você coloca agora no comentário seguinte são mais interessantes, pois trazem elementos pra pensarmos: </p>
<p>1) o momento de crise é também um momento de oportunidades até mesmo para a esquerda.<br />
2) a maioria dos trabalhadores não aderiu à histeria fascista.<br />
1 + 2 = 3) levantar a tese da ascensão fascista, como faz o PP, seria paralisante, em termos políticos.</p>
<p>Daí você afirma que o momento é oportuno para uma intervenção da extrema esquerda, como se a disputa inter-capitalista abrisse uma brecha, um vácuo, a ser aproveitado oportunisticamente por nós. Só faltou nos contar quem, como e onde atuar fora do tabuleiro posto, porque tá todo mundo querendo saber, viu?<br />
Quanto ao realismo ou niilismo do diagnóstico do PP, ele se fundamenta, me parece, na constatação de que a extrema esquerda está em frangalhos, depois de se autodigladiar entre si, e que seria justamente essa crise dela um dos fatores que permitiu a ascensão das forças mais conservadoras, protofascistas. Aqui sim um vácuo deixado e aproveitado, desde a assimilação das lutas em 2013. Nesse sentido, se na Venezuela era o apego ao chavismo que jogava os trabalhadores nos braços da direita, no Brasil os determinantes políticos são duplos: joga os trabalhadores para a direita  A) o apego das organizações clássicas (todos os sindicatos, partidos e movimentos sociais de peso) ao programa democrático-popular capitaneado pelo PT, portanto a perda de legitimidade das organizações dos trabalhadores frente à necessária luta contra um governo de esquerda pró capital e B) a debilidade organizacional da esquerda que se desapegou daquele programa, mas que, por exemplo no caso do MPL, enquanto poderia estar de organizando e mobilizando os trabalhadores para a luta contra o ajuste fiscal e os ataques aos direitos dos trabalhadores (como clamou Leo V. aqui: <a href="http://www.passapalavra.info/2015/04/103674" rel="nofollow ugc">http://www.passapalavra.info/2015/04/103674</a>) estava, sim, rachando por conta das tretas identitárias e ou classistas internas.</p>
<p>No mais, são os fatores econômicos, o esgotamento do modelo democrático-popular de gestão dos negócios, o principal elemento para a ascensão dos movimentos da oposição de direita, que assumem uma face nacionalista, violenta, anti-comunista, por isso fascista. E o altíssimo número de pessoas nas ruas, não só nas capitais, mas tbm nas pequenas cidades do país, mostra que o fascismo à brasileira tem certa capilaridade e que ao menos parte da classe trabalhadora aderiu à histeria, ou ao menos ao anti-petismo e ao anti-partidos e anti-política (daí a &#8220;nação em cólera&#8221;), enquanto outra parte não toma partido explicitamente mas tbm não se submete ao absurdo que seria apoiar um governo de esquerda que empurrou os ajustes estruturais e sempre priorizou os lucros do grande capital e dos bancos. Aí você analisa isso como uma oportunidade, a oportunidade da terceira via, mas isso só existe do ponto de vista lógico. Não há organização e nem ideologia capaz de canalizar essas forças para um sentido progressista. Daí diagnosticar a conjuntura, tentar entender quais são os fatores econômicos por detrás desses confrontos intra-burguesia, dessa rifagem das forças econômicas ligadas ao PT, pela Lava-Jato, e da raiz política do ganho de expressividade dessas tendências fascistas, isso é o máximo que podemos fazer no momento, quer se goste ou não. A não ser que se tema um golpe, e se interprete o fascismo em ascensão em termos clássicos, como ditadura militar e autoritarismo a caminho, como se já não estivéssemos em estado de exceção desde sempre, aí se poderia talvez formar frentes antifascistas. Mas não acho que é isso que o PP defende que esteja acontecendo. E quanto a aproveitar o momento de crise para começar a organizar algo que um dia quiçá poderia se por no cenário da luta de classes como alternativa de extrema esquerda capaz não só de dar uma resposta para além do governo-capital VS oposição-capital, mas também de mudar as próprias perguntas, bom, aí é outra história, que não depende só de boa vontade ou dos termos lógicos da conjuntura, e com certeza um passo inicial para esse necessário movimento é ter uma análise de conjuntura realista, no que o PP tenta contribuir, assim como tentou contribuir criticando os caminhos nefastos que as organizações dos trabalhadores foram assumindo ao longo dos últimos anos, desde a agroecologia empresarial de um MST, uma adesão capitalista a métodos de construção lucrativos e atrelados ao governismo de um MTST, até uma tendência proto-fascista à centralidade do identitarismo em um MPL, tudo depois de já CUT e PT terem relação de identidade com o capital. Foram estes caminhos decadentes das organizações dos trabalhadores que pavimentaram o caminho para a ascensão do fascismo no Brasil, e é só entendendo o processo histórico que levou à merda que se pode um dia sair da merda. Se, por exemplo, constatarmos que o movimento atual indica uma mudança no padrão de gestão dos conflitos sociais, do padrão democrático-popular, assentado na participação popular na gestão das políticas públicas e na lógica de concessões lucrativas e uma capacidade de recuperar as conquistas, para um padrão mais seco e autoritário, típico do ciclo 1964-1980, então as condições das lutas mudarão, trazendo consigo nada mais nada menos que o perigo de lutarmos pela volta do padrão democrático-popular, trazendo a sombra de um PT walking dead, o que seria trágico. Para superarmos ambos os modelos de gestão dos conflitos sociais precisamos entender como eles funcionam e em que situação histórica estamos. Justamente por ser algo urgente é que não se pode fazer a reorganização da esquerda de modo apressado, senão vamos repetir os erros e fazer um novo PT contra uma nova ditadura.</p>
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		<title>
		Por: Emerson		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107758/#comment-309891</link>

		<dc:creator><![CDATA[Emerson]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2016 06:55:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107758#comment-309891</guid>

					<description><![CDATA[Taiguara, o Ctrl+F deveria ter sido dado no texto sobre a Venezuela, pois é a ele que me refiro quando cito a tese do &quot;golpe de Estado&quot;.

Taiguara e LL, não considero que o PP é covarde por diagnosticar uma tendência fascista na atual conjuntura. Considero que é covardia não apontar que o momento, além de perigoso, abre também uma série de oportunidades. Passa completamente à margem no texto o fato de que a classe dominante está travando uma briga de morte entre si. Também passa à margem do texto o fato de que a grande maioria dos trabalhadores NÃO aderiram à histeria fascista.
Assim, a constatação da tendência fascista serve aqui como fator paralisante, é quase uma defesa do imobilismo. As questões que se colocam no final, embora relevantes, ao invés de clarificarem a situação para a elaboração de como pode se dar a nossa intervenção, terminam antes por colocar sob suspeita qualquer tentativa de ação, pois não se coloca que o momento é oportuno, que é preciso aproveitar a disputa inter-capitalista.
E não tenho ilusão de que vivemos uma situação revolucionária, pelo contrário, o momento é de defensiva. Mas a defensiva se faz com luta, com enfrentamento, e não com uma atitude quase niilista de só enxergar o caos, como se o jogo já estivesse perdido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Taiguara, o Ctrl+F deveria ter sido dado no texto sobre a Venezuela, pois é a ele que me refiro quando cito a tese do &#8220;golpe de Estado&#8221;.</p>
<p>Taiguara e LL, não considero que o PP é covarde por diagnosticar uma tendência fascista na atual conjuntura. Considero que é covardia não apontar que o momento, além de perigoso, abre também uma série de oportunidades. Passa completamente à margem no texto o fato de que a classe dominante está travando uma briga de morte entre si. Também passa à margem do texto o fato de que a grande maioria dos trabalhadores NÃO aderiram à histeria fascista.<br />
Assim, a constatação da tendência fascista serve aqui como fator paralisante, é quase uma defesa do imobilismo. As questões que se colocam no final, embora relevantes, ao invés de clarificarem a situação para a elaboração de como pode se dar a nossa intervenção, terminam antes por colocar sob suspeita qualquer tentativa de ação, pois não se coloca que o momento é oportuno, que é preciso aproveitar a disputa inter-capitalista.<br />
E não tenho ilusão de que vivemos uma situação revolucionária, pelo contrário, o momento é de defensiva. Mas a defensiva se faz com luta, com enfrentamento, e não com uma atitude quase niilista de só enxergar o caos, como se o jogo já estivesse perdido.</p>
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