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	Comentários sobre: A esquerda contra o golpe. Ou: &#8220;façamos o &#8216;retrocesso&#8217; antes que a direita o faça&#8221;	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Breno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107890/#comment-310984</link>

		<dc:creator><![CDATA[Breno]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 May 2016 15:26:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Estranho que a maior parte dos comentários não aparece no meu navegador.

De toda forma, quase 2 meses após este texto, a despeito de ter acordo com a maior parte dos pontos levantados, parece que falta a este ensaio a dimensão dos reais ataques do governo Temer (que hoje já sabemos com clareza); a meu ver, muito mais profundos que os conduzidos pela gestão petista.

E hoje, qual seria a posição do coletivo frente à bandeira Fora Temer&#039; ?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estranho que a maior parte dos comentários não aparece no meu navegador.</p>
<p>De toda forma, quase 2 meses após este texto, a despeito de ter acordo com a maior parte dos pontos levantados, parece que falta a este ensaio a dimensão dos reais ataques do governo Temer (que hoje já sabemos com clareza); a meu ver, muito mais profundos que os conduzidos pela gestão petista.</p>
<p>E hoje, qual seria a posição do coletivo frente à bandeira Fora Temer&#8217; ?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Padaqui		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107890/#comment-310556</link>

		<dc:creator><![CDATA[Padaqui]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Apr 2016 03:27:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O que está ocorrendo no Brasil não é um fato isolado. É um processo. Processo esse que, guardada as particularidades de cada nação, ocorre em escala mundial. Portanto, é o capital em ação internacionalmente. O que ocorre na França, Argentina, Venezuela, Grécia, etc, especialmente em relação ao desmonte do estado social e dos direitos trabalhistas (observando que estes também não deixam de ser uma estratégia do capital em dado momento de sua evolução histórica) é um movimento sistêmico do capitalismo, e os trabalhadores só podem enfrentá-lo, também, sistemicamente (o que não significa, obrigatoriamente, &quot;sistematicamente&quot;, haja visto que a sistemática deve fluir conforme a realidade da luta de classes for se apresentando).

O problema maior não é que não exista vínculos ou laços de solidariedade entre os trabalhadores do mundo. O problema maior é que sequer se reconhece esta premissa. E não podemos simplesmente justificar esta negação a uma tradição nacionalista de uma fração da classe trabalhadora desta ou daquela nação. A verdade é que esta negação ocorre por nossa própria omissão, quando não, por nossa má fé...

A construção de uma consciência e uma práxis da classe trabalhadora é tarefa cotidiana (e, aí sim, obrigatoriamente sistemática) e que deve recomeçar do &quot;zero&quot; tantas quantas vezes forem necessárias. O capitalismo só se impôs como dominante ao superar as fronteiras nacionais. Os trabalhadores só irão superá-lo quando agirem da mesma forma.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que está ocorrendo no Brasil não é um fato isolado. É um processo. Processo esse que, guardada as particularidades de cada nação, ocorre em escala mundial. Portanto, é o capital em ação internacionalmente. O que ocorre na França, Argentina, Venezuela, Grécia, etc, especialmente em relação ao desmonte do estado social e dos direitos trabalhistas (observando que estes também não deixam de ser uma estratégia do capital em dado momento de sua evolução histórica) é um movimento sistêmico do capitalismo, e os trabalhadores só podem enfrentá-lo, também, sistemicamente (o que não significa, obrigatoriamente, &#8220;sistematicamente&#8221;, haja visto que a sistemática deve fluir conforme a realidade da luta de classes for se apresentando).</p>
<p>O problema maior não é que não exista vínculos ou laços de solidariedade entre os trabalhadores do mundo. O problema maior é que sequer se reconhece esta premissa. E não podemos simplesmente justificar esta negação a uma tradição nacionalista de uma fração da classe trabalhadora desta ou daquela nação. A verdade é que esta negação ocorre por nossa própria omissão, quando não, por nossa má fé&#8230;</p>
<p>A construção de uma consciência e uma práxis da classe trabalhadora é tarefa cotidiana (e, aí sim, obrigatoriamente sistemática) e que deve recomeçar do &#8220;zero&#8221; tantas quantas vezes forem necessárias. O capitalismo só se impôs como dominante ao superar as fronteiras nacionais. Os trabalhadores só irão superá-lo quando agirem da mesma forma.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107890/#comment-310555</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Apr 2016 00:45:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acrescento o seguinte: não faz sentido tentar reorganizar a extrema-esquerda numa perspectiva revolucionária, isto é, de combate ao campo democrático-popular, à direita e ao fascismo, estritamente em fronteiras nacionais. Se a esquerda anticapitalista no Brasil precisa se “reinventar”, é indispensável que o faça sem confinar-se em fronteiras nacionais. O internacionalismo é uma urgência. Não resultará de um possível futuro revolucionário, mas será condição indispensável de realização desse futuro. O Passa Palavra admitiu num artigo publicado há pouco tempo que a perda da seção portuguesa representa um grande problema. Pelo menos o Passa Palavra se coloca o problema, porque o restante da esquerda—ou a grande maioria da esquerda—pouco se importa. Enfim, já que nos colocamos a tarefa de recomeçar tudo de novo do zero, podemos começar, o que viria a calhar, a considerar estabelecer vínculos teóricos e práticos com militantes que, do lado de lá da fronteira, no além-mar, do outro lado do mundo, estejam talvez debatendo temas muito mais importantes que os que vêm sendo debatidos no Brasil. O grande problema nessa discussão sobre conjuntura política nacional, sobre conjuntura da política dominante nacional, é que nos prendemos à cena política nacional e nos esquecemos de direcionar nossa atenção para processos de luta ocorrendo no estrangeiro. Como fazer para estabelecer uma rede de contatos teóricos e práticos com lutas no exterior? Não sei, mas penso que hoje seria muito mais fácil organizar um evento internacional, como fazem todos os dias os capitalistas, do que há 20, 50, 100 anos atrás. Se num comentário acima alguém já se dispôs a providenciar cozinha, alojamentos etc. para um encontro nacional, a coisa pode ser providenciada também para encontros internacionais cada vez mais frequentes e que possam nos tirar do nosso provincianismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acrescento o seguinte: não faz sentido tentar reorganizar a extrema-esquerda numa perspectiva revolucionária, isto é, de combate ao campo democrático-popular, à direita e ao fascismo, estritamente em fronteiras nacionais. Se a esquerda anticapitalista no Brasil precisa se “reinventar”, é indispensável que o faça sem confinar-se em fronteiras nacionais. O internacionalismo é uma urgência. Não resultará de um possível futuro revolucionário, mas será condição indispensável de realização desse futuro. O Passa Palavra admitiu num artigo publicado há pouco tempo que a perda da seção portuguesa representa um grande problema. Pelo menos o Passa Palavra se coloca o problema, porque o restante da esquerda—ou a grande maioria da esquerda—pouco se importa. Enfim, já que nos colocamos a tarefa de recomeçar tudo de novo do zero, podemos começar, o que viria a calhar, a considerar estabelecer vínculos teóricos e práticos com militantes que, do lado de lá da fronteira, no além-mar, do outro lado do mundo, estejam talvez debatendo temas muito mais importantes que os que vêm sendo debatidos no Brasil. O grande problema nessa discussão sobre conjuntura política nacional, sobre conjuntura da política dominante nacional, é que nos prendemos à cena política nacional e nos esquecemos de direcionar nossa atenção para processos de luta ocorrendo no estrangeiro. Como fazer para estabelecer uma rede de contatos teóricos e práticos com lutas no exterior? Não sei, mas penso que hoje seria muito mais fácil organizar um evento internacional, como fazem todos os dias os capitalistas, do que há 20, 50, 100 anos atrás. Se num comentário acima alguém já se dispôs a providenciar cozinha, alojamentos etc. para um encontro nacional, a coisa pode ser providenciada também para encontros internacionais cada vez mais frequentes e que possam nos tirar do nosso provincianismo.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo Araújo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107890/#comment-310537</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Apr 2016 14:11:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Me impressiona as pessoas não terem entendido direito a função do Passa Palavra até hoje. 
A atuação deste coletivo, que inspira seu projeto e anima suas ações, parte justamente da constatação de dispersão e fragmentação de lutas e lutadores (para verificar isso basta ler os documentos na seção “quem somos”). O grosso dos comentadores não pondera sobre a dificuldade material de integração das lutas em nossa era, algo que o site busca, no limite de suas capacidades, suprir. 
Não é que eu seja contrário a ideia de um encontro. No entanto, creio que os comentadores fariam imediatamente muito bem à organização deste outro campo não governista (e ao próprio Passa Palavra) se saíssem da passividade e enviassem a este site as reflexões e críticas a respeito dos processos de luta (ou ensaio de luta) que vivem/viveram. Com isso outros poderiam aprender com aquelas experiências, também fazendo-os perceber que a própria luta esta inserida em uma teia social muito mais ampla, encontrando companheiros solidários e que ajudam na deglutição destes processos mesmo vivendo em outros lugares (que por vezes muito distantes entre si).
Por fim eu acredito que sem o backgound dos processos de luta este encontro teria todo o potencial de se transformar em uma reunião de perdidos buscando no lugar errado uma lanterna.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me impressiona as pessoas não terem entendido direito a função do Passa Palavra até hoje.<br />
A atuação deste coletivo, que inspira seu projeto e anima suas ações, parte justamente da constatação de dispersão e fragmentação de lutas e lutadores (para verificar isso basta ler os documentos na seção “quem somos”). O grosso dos comentadores não pondera sobre a dificuldade material de integração das lutas em nossa era, algo que o site busca, no limite de suas capacidades, suprir.<br />
Não é que eu seja contrário a ideia de um encontro. No entanto, creio que os comentadores fariam imediatamente muito bem à organização deste outro campo não governista (e ao próprio Passa Palavra) se saíssem da passividade e enviassem a este site as reflexões e críticas a respeito dos processos de luta (ou ensaio de luta) que vivem/viveram. Com isso outros poderiam aprender com aquelas experiências, também fazendo-os perceber que a própria luta esta inserida em uma teia social muito mais ampla, encontrando companheiros solidários e que ajudam na deglutição destes processos mesmo vivendo em outros lugares (que por vezes muito distantes entre si).<br />
Por fim eu acredito que sem o backgound dos processos de luta este encontro teria todo o potencial de se transformar em uma reunião de perdidos buscando no lugar errado uma lanterna.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Adur		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107890/#comment-310517</link>

		<dc:creator><![CDATA[Adur]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Apr 2016 06:23:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[(Como não existe forma de editar os comentários, terei que fazer um pequeno adendo)

Um grupo no telegram não seria um bom primeiro passo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Como não existe forma de editar os comentários, terei que fazer um pequeno adendo)</p>
<p>Um grupo no telegram não seria um bom primeiro passo?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Adur		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107890/#comment-310516</link>

		<dc:creator><![CDATA[Adur]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Apr 2016 06:18:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Relendo e Caio
Minha rede de contatos é realmente limitada e minha capacidade de organização nula. Joguei a ideia no ar na esperança de que alguém pudesse lançar algum evento, mesmo que no facebook, para nos encontrarmos e começar algum debate (em SP). 
Tenho pouco ou quase nenhum contato informal com as pessoas que aqui comentam - conheço uma cara ou outra - e sei que esses debates, entre as amizades, é bastante comum. Trouxe a formalidade apenas para garantir que pessoas que estão fora desses ciclos consigam se integrar. 


Volto a salientar, depois de tanta turbulência, que continuo pensando que essa reunião é importante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Relendo e Caio<br />
Minha rede de contatos é realmente limitada e minha capacidade de organização nula. Joguei a ideia no ar na esperança de que alguém pudesse lançar algum evento, mesmo que no facebook, para nos encontrarmos e começar algum debate (em SP).<br />
Tenho pouco ou quase nenhum contato informal com as pessoas que aqui comentam &#8211; conheço uma cara ou outra &#8211; e sei que esses debates, entre as amizades, é bastante comum. Trouxe a formalidade apenas para garantir que pessoas que estão fora desses ciclos consigam se integrar. </p>
<p>Volto a salientar, depois de tanta turbulência, que continuo pensando que essa reunião é importante.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: odissseu		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107890/#comment-310513</link>

		<dc:creator><![CDATA[odissseu]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Apr 2016 01:52:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Carta à d.

ao estilo de ulisses,
transposição como reivindicação:
Por um PP + O Mal Educado e - Esquerda Diário!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carta à d.</p>
<p>ao estilo de ulisses,<br />
transposição como reivindicação:<br />
Por um PP + O Mal Educado e &#8211; Esquerda Diário!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: d.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107890/#comment-310509</link>

		<dc:creator><![CDATA[d.]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Apr 2016 18:25:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[muito bonita a história sobre portugal. agora basta transpor aquela conjuntura para esta nossa no brasil de 2016.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>muito bonita a história sobre portugal. agora basta transpor aquela conjuntura para esta nossa no brasil de 2016.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107890/#comment-310508</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Apr 2016 17:17:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[REPRISE : pastores x ovelhas? 
Se queres seguir-me, segue-te. 
Quem procura seguidores acha zeros. 
Pela federação mundial das comunas livres. 
Aqui &#038; agora: ÁGORA!!!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>REPRISE : pastores x ovelhas?<br />
Se queres seguir-me, segue-te.<br />
Quem procura seguidores acha zeros.<br />
Pela federação mundial das comunas livres.<br />
Aqui &amp; agora: ÁGORA!!!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/03/107890/#comment-310495</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Apr 2016 15:22:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em Portugal, pouco depois do 25 de Abril de 1974, a Revolução dos Cravos, três pessoas, entre as quais eu, tomámos a iniciativa de fundar o jornal Combate, todo ele dedicado às lutas dos trabalhadores, excepto uma página de editorial que reservávamos às nossas análises. Esse jornal pode encontrar-se na íntegra aqui:
https://www.marxists.org/portugues/tematica/jornais/combate/ 
No ano e meio entre Abril de 1974 e Novembro de 1975 os portugueses viveram continuamente um frenesi político comparável àquele de que o Brasil padece agora. Todos os jornais e todos os órgãos de intervenção de todas as cores só mencionavam, todos os dias, as disputas entre os regimentos militares que encabeçavam as variadas nuances políticas e entre os partidos que os representavam na sociedade civil. Todos, excepto o jornal Combate. Os colaboradores do Combate, que no período áureo somaram algumas dezenas, nunca confundiram as disputas entre facções das classes dominantes no interior dos órgãos de poder com a luta de classes. Interessávamo-nos apenas pelos conflitos laborais. E foi precisamente porque até ao fim mantivemos esta atitude, porque permanecemos acima da confusão, que pudemos ter uma visão estratégica. Quando começaram as nacionalizações fomos os primeiros a denunciar o capitalismo de Estado, ao mesmo tempo que organizámos o primeiro encontro de solidariedade para com as primeiras três ou quatro empresas em autogestão. Foi porque acompanhámos as lutas no terreno que entendemos que as colectivizações nos latifúndios a sul do Tejo se deveram à iniciativa espontânea dos assalariados agrícolas e não a decisões do Partido Comunista, contrariamente ao que este partido naturalmente pretende e ao que os historiadores repetem. E foi porque acompanhámos de perto e por dentro a autogestão quando ela se espalhou à maioria do aparelho produtivo português que pudemos avisar, no Verão de 1975, que a mola da revolução se havia quebrado, porque um número crescente de trabalhadores se afastava das reuniões de empresa. Fizemos o aviso e procurámos explicar a situação, precisamente na mesma ocasião que os jornalistas e historiadores denominam Verão Quente. Foi porque nos situámos muito acima das querelas militares e partidárias que entendemos que aquele Verão, em vez de quente, esfriava já. Finalmente, foi porque sabíamos que a mola da revolução se quebrara e não haveria resistência dos trabalhadores que previmos que o golpe militar de direita em 25 de Novembro de 1975 não precisaria de restaurar o fascismo e, pelo contrário, instauraria uma democracia de estilo europeu. Em tudo isto sucessivamente acertámos, e fizemo-lo contra a opinião dominante na esquerda. Conseguimo-lo por uma razão apenas: porque não confundimos as contradições no interior das classes dominantes com o antagonismo de classe entre trabalhadores e capitalistas.
Antes de escrever estas linhas telefonei a uma velha companheira, que se conta entre os três fundadores do jornal Combate, a perguntar-lhe se achava que valeria a pena. Ela respondeu-me: «Vai cair em saco roto, mas quem sabe, talvez alguém leia e entenda».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em Portugal, pouco depois do 25 de Abril de 1974, a Revolução dos Cravos, três pessoas, entre as quais eu, tomámos a iniciativa de fundar o jornal Combate, todo ele dedicado às lutas dos trabalhadores, excepto uma página de editorial que reservávamos às nossas análises. Esse jornal pode encontrar-se na íntegra aqui:<br />
<a href="https://www.marxists.org/portugues/tematica/jornais/combate/" rel="nofollow ugc">https://www.marxists.org/portugues/tematica/jornais/combate/</a><br />
No ano e meio entre Abril de 1974 e Novembro de 1975 os portugueses viveram continuamente um frenesi político comparável àquele de que o Brasil padece agora. Todos os jornais e todos os órgãos de intervenção de todas as cores só mencionavam, todos os dias, as disputas entre os regimentos militares que encabeçavam as variadas nuances políticas e entre os partidos que os representavam na sociedade civil. Todos, excepto o jornal Combate. Os colaboradores do Combate, que no período áureo somaram algumas dezenas, nunca confundiram as disputas entre facções das classes dominantes no interior dos órgãos de poder com a luta de classes. Interessávamo-nos apenas pelos conflitos laborais. E foi precisamente porque até ao fim mantivemos esta atitude, porque permanecemos acima da confusão, que pudemos ter uma visão estratégica. Quando começaram as nacionalizações fomos os primeiros a denunciar o capitalismo de Estado, ao mesmo tempo que organizámos o primeiro encontro de solidariedade para com as primeiras três ou quatro empresas em autogestão. Foi porque acompanhámos as lutas no terreno que entendemos que as colectivizações nos latifúndios a sul do Tejo se deveram à iniciativa espontânea dos assalariados agrícolas e não a decisões do Partido Comunista, contrariamente ao que este partido naturalmente pretende e ao que os historiadores repetem. E foi porque acompanhámos de perto e por dentro a autogestão quando ela se espalhou à maioria do aparelho produtivo português que pudemos avisar, no Verão de 1975, que a mola da revolução se havia quebrado, porque um número crescente de trabalhadores se afastava das reuniões de empresa. Fizemos o aviso e procurámos explicar a situação, precisamente na mesma ocasião que os jornalistas e historiadores denominam Verão Quente. Foi porque nos situámos muito acima das querelas militares e partidárias que entendemos que aquele Verão, em vez de quente, esfriava já. Finalmente, foi porque sabíamos que a mola da revolução se quebrara e não haveria resistência dos trabalhadores que previmos que o golpe militar de direita em 25 de Novembro de 1975 não precisaria de restaurar o fascismo e, pelo contrário, instauraria uma democracia de estilo europeu. Em tudo isto sucessivamente acertámos, e fizemo-lo contra a opinião dominante na esquerda. Conseguimo-lo por uma razão apenas: porque não confundimos as contradições no interior das classes dominantes com o antagonismo de classe entre trabalhadores e capitalistas.<br />
Antes de escrever estas linhas telefonei a uma velha companheira, que se conta entre os três fundadores do jornal Combate, a perguntar-lhe se achava que valeria a pena. Ela respondeu-me: «Vai cair em saco roto, mas quem sabe, talvez alguém leia e entenda».</p>
]]></content:encoded>
		
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