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	Comentários sobre: Duas versões do espírito libertário: Um “abismo intransponível”?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: André		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/107908/#comment-310361</link>

		<dc:creator><![CDATA[André]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2016 12:05:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sobre 2014, concordo, tava falando mais do que percebi em 2013, principalmente antes da captura dos atos pela direita - aliás, mesmo durante, em alguma medida, os &quot;ninjas&quot; ainda estavam lá.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre 2014, concordo, tava falando mais do que percebi em 2013, principalmente antes da captura dos atos pela direita &#8211; aliás, mesmo durante, em alguma medida, os &#8220;ninjas&#8221; ainda estavam lá.</p>
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		<title>
		Por: Luamorena Leoni		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/107908/#comment-310343</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luamorena Leoni]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Apr 2016 14:37:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lembro que a primeira definição de fora para dentro que os encapuzados sofreram aqui em Salvador os enquadrou não enquanto Black Blocs, mas como &quot;ninjas&quot;. A idumentária, na mais das vezes, era uma blusa de qualquer cor amarrada na cabeça, ocultando a maior parte do rosto, a exceção dos olhos. E a tática se participação nos protestos era o confronto. Esse elemento, a participação mais forte, de enfrentamento ao aparato repressivo, foi acabou favorecendo a analogia aos Black  Blocs e a demarcação dos mesmos como tais. 


Concordo com a percepção de André e Caribé quanto a quem eram esses ninjas nas manifestações de 2013, e à pontuação de Caribé quanto a quem eram os Baby Blocs - alcunha irônica imposta aos Blocs que não eram blacks, e não eram nada - em 2014. Penso, contudo, que além de parecerem integrar frações ou extratos de classe distintos, e de nao ser apenas difuso o libertarismo que os orientava coletivamente, mas a sua própria coletividade (pareceu-me haver uma coletividade construida em ato, isto, construída no confronto mas que não era capaz de produzir-se e reproduzir-se para além daqueles momentos), enquanto os jovens de 2013 conseguiram imprimir uma radicalidade às manifestações de 2013 - de forma também aparentemente não vinculada à qualquer perspectiva política que nao fosse de curtíssimo prazo - os jovens de 2014 &quot;eram&quot; o &quot;movimento&quot; e o &quot;carnaval&quot;. O &quot;espetáculo&quot; consistia no confronto de cunho suícida com o aparato policial, ao menos aqui, sem que houvesse a existência de um movimento de massas, pautas de luta sendo verbalizadas, sem que o confronto fosse uma tática de proteção de manifestantes &quot;comuns&quot; ou qualquer coisa que remetesse, por exemplo, aos Autonomen. Em 2014, pareceu-me, o que estava em pauta era vivenciar a experiência de confrontamento com a polícia, uma &quot;radicalidade&quot; encerrada em si mesma e desvinculada de qualquer perspectiva politizadora e revolucionária de luta social.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembro que a primeira definição de fora para dentro que os encapuzados sofreram aqui em Salvador os enquadrou não enquanto Black Blocs, mas como &#8220;ninjas&#8221;. A idumentária, na mais das vezes, era uma blusa de qualquer cor amarrada na cabeça, ocultando a maior parte do rosto, a exceção dos olhos. E a tática se participação nos protestos era o confronto. Esse elemento, a participação mais forte, de enfrentamento ao aparato repressivo, foi acabou favorecendo a analogia aos Black  Blocs e a demarcação dos mesmos como tais. </p>
<p>Concordo com a percepção de André e Caribé quanto a quem eram esses ninjas nas manifestações de 2013, e à pontuação de Caribé quanto a quem eram os Baby Blocs &#8211; alcunha irônica imposta aos Blocs que não eram blacks, e não eram nada &#8211; em 2014. Penso, contudo, que além de parecerem integrar frações ou extratos de classe distintos, e de nao ser apenas difuso o libertarismo que os orientava coletivamente, mas a sua própria coletividade (pareceu-me haver uma coletividade construida em ato, isto, construída no confronto mas que não era capaz de produzir-se e reproduzir-se para além daqueles momentos), enquanto os jovens de 2013 conseguiram imprimir uma radicalidade às manifestações de 2013 &#8211; de forma também aparentemente não vinculada à qualquer perspectiva política que nao fosse de curtíssimo prazo &#8211; os jovens de 2014 &#8220;eram&#8221; o &#8220;movimento&#8221; e o &#8220;carnaval&#8221;. O &#8220;espetáculo&#8221; consistia no confronto de cunho suícida com o aparato policial, ao menos aqui, sem que houvesse a existência de um movimento de massas, pautas de luta sendo verbalizadas, sem que o confronto fosse uma tática de proteção de manifestantes &#8220;comuns&#8221; ou qualquer coisa que remetesse, por exemplo, aos Autonomen. Em 2014, pareceu-me, o que estava em pauta era vivenciar a experiência de confrontamento com a polícia, uma &#8220;radicalidade&#8221; encerrada em si mesma e desvinculada de qualquer perspectiva politizadora e revolucionária de luta social.</p>
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		<title>
		Por: Daniel Caribé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/107908/#comment-310328</link>

		<dc:creator><![CDATA[Daniel Caribé]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Apr 2016 15:06:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[André, em 2013 a composição dos black blocs em Salvador me parecia muito próxima a esta aí que você descreve (jovens negros da periferia - ou &quot;comunidades e favelas&quot;, como você prefere). Obviamente é só uma percepção de quem também esteve nas ruas e passou um bom tempo depois analisando as imagens e trocando umas ideias. O que significa que ainda sim é um julgamento precipitado. Mas esses jovens não pareciam reivindicar os black blocs e nem se vestiram enquanto tal, com aquilo que a gente imagina ser a indumentária apropriada para ser um black bloc. Perguntou a eles se estavam ali enquanto black blocs? Pois, eu também não. Há quem diga, por exemplo, que esses jovens estavam enquanto torcidas organizadas dos dois maiores times de futebol de Salvador. Como saberemos? Era a tática que confluía, portanto. Eram black blocs não por opção estética ou identitária, mas pela função que assumiram nos embates contra a polícia. A definição de black bloc veio de fora para dentro. E o que importa não é isso, mas que eles deram uma radicalidade e uma visibilidade aos atos de 2013 em Salvador muito maior que teriam sem eles. Além, é claro, de se colocarem entre a polícia e os demais manifestantes não preparados para o embate.

Já em 2014, com as ruas vazias, sem os jovens negros da periferia e demais extratos populares nas manifestações contra a Copa, os black blocs eram muito próximos a estes que Marcelo Lopes descreve. Assumiram toda a estética e a identidade (bandeira anarquista e capuz preto), mas ao contrário de defender as manifestações -- que nem existiam de fato, estavam todos vendo o 7x1 -- colocaram em risco a segurança dos demais e deles próprios. Como tudo era performance, sequer tinham o preparo para enfrentar a polícia e quando a realidade desceu com bombas, cavalaria e balas de borracha foi um desespero total. Se eram classe média, da periferia, pobres, negros, homens ou mulheres pouco importou. Foram muitos pra delegacia a custo de nada. 

Há blacks que são blocs, e blocs que não são coisa nenhuma.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>André, em 2013 a composição dos black blocs em Salvador me parecia muito próxima a esta aí que você descreve (jovens negros da periferia &#8211; ou &#8220;comunidades e favelas&#8221;, como você prefere). Obviamente é só uma percepção de quem também esteve nas ruas e passou um bom tempo depois analisando as imagens e trocando umas ideias. O que significa que ainda sim é um julgamento precipitado. Mas esses jovens não pareciam reivindicar os black blocs e nem se vestiram enquanto tal, com aquilo que a gente imagina ser a indumentária apropriada para ser um black bloc. Perguntou a eles se estavam ali enquanto black blocs? Pois, eu também não. Há quem diga, por exemplo, que esses jovens estavam enquanto torcidas organizadas dos dois maiores times de futebol de Salvador. Como saberemos? Era a tática que confluía, portanto. Eram black blocs não por opção estética ou identitária, mas pela função que assumiram nos embates contra a polícia. A definição de black bloc veio de fora para dentro. E o que importa não é isso, mas que eles deram uma radicalidade e uma visibilidade aos atos de 2013 em Salvador muito maior que teriam sem eles. Além, é claro, de se colocarem entre a polícia e os demais manifestantes não preparados para o embate.</p>
<p>Já em 2014, com as ruas vazias, sem os jovens negros da periferia e demais extratos populares nas manifestações contra a Copa, os black blocs eram muito próximos a estes que Marcelo Lopes descreve. Assumiram toda a estética e a identidade (bandeira anarquista e capuz preto), mas ao contrário de defender as manifestações &#8212; que nem existiam de fato, estavam todos vendo o 7&#215;1 &#8212; colocaram em risco a segurança dos demais e deles próprios. Como tudo era performance, sequer tinham o preparo para enfrentar a polícia e quando a realidade desceu com bombas, cavalaria e balas de borracha foi um desespero total. Se eram classe média, da periferia, pobres, negros, homens ou mulheres pouco importou. Foram muitos pra delegacia a custo de nada. </p>
<p>Há blacks que são blocs, e blocs que não são coisa nenhuma.</p>
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		<title>
		Por: André		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/107908/#comment-310324</link>

		<dc:creator><![CDATA[André]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Apr 2016 11:30:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107908#comment-310324</guid>

					<description><![CDATA[Só um pequeno comentário, que não diminui os outros méritos do texto, sobre os &quot;nossos&quot; black blocs: não sei qual sua composição em São Paulo e outras cidades, mas aqui em Salvador e, a partir de relatos de algumas pessoas conhecidas, principalmente no Rio, havia uma presença talvez não majoritária mas mesmo assim muito significativa de jovens negros, moradores de comunidades e favela, &quot;fazendo&quot; black bloc menos como uma performance de violência revolucionária e mais como uma oportunidade de, de maneira pontual, inverter o esquema de violência policial a que estão submetidos no cotidiano e jogar pedra na polícia protegidos pelo capuz. Mais como um &quot;dia de revide&quot; a que quem é jovem preto, de comunidade, não se poderia dar ao luxo no cotidiano sem temer uma represália violenta/letal, talvez/provavelmente sem reflexão sobre ação política no longo prazo, mas tem uma diferença aí sobre a performance violenta do estudante de classe média do &quot;lifestyle anarchism&quot; que acho que merece ser melhor pensada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só um pequeno comentário, que não diminui os outros méritos do texto, sobre os &#8220;nossos&#8221; black blocs: não sei qual sua composição em São Paulo e outras cidades, mas aqui em Salvador e, a partir de relatos de algumas pessoas conhecidas, principalmente no Rio, havia uma presença talvez não majoritária mas mesmo assim muito significativa de jovens negros, moradores de comunidades e favela, &#8220;fazendo&#8221; black bloc menos como uma performance de violência revolucionária e mais como uma oportunidade de, de maneira pontual, inverter o esquema de violência policial a que estão submetidos no cotidiano e jogar pedra na polícia protegidos pelo capuz. Mais como um &#8220;dia de revide&#8221; a que quem é jovem preto, de comunidade, não se poderia dar ao luxo no cotidiano sem temer uma represália violenta/letal, talvez/provavelmente sem reflexão sobre ação política no longo prazo, mas tem uma diferença aí sobre a performance violenta do estudante de classe média do &#8220;lifestyle anarchism&#8221; que acho que merece ser melhor pensada.</p>
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