<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: O velho e novo no debate sobre estratégia	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2016/04/107930/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2016/04/107930/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Fri, 22 Apr 2016 22:04:15 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Esquilo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/107930/#comment-310455</link>

		<dc:creator><![CDATA[Esquilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2016 05:52:10 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107930#comment-310455</guid>

					<description><![CDATA[Cara Soraia,
Penso que ter militado em organizações marxistas-leninistas deixou marcas profundas em todos os militantes.
O Sérgio Lessa tem um texto muito interessante chamado &quot;Crítica ao Praticismo Revolucionário&quot; que fala sobre esse tipo de herança.
Marxismo-leninismo não é uma criação de Lenin, mas de Stalin.
Os militantes formados nas organizações que se afirmam marxista-leninista tem como característica o praticismo revolucionário, o desconhecimento das teorias de Marx (e de Lenin também), o estudo acontecia por cartilhas formuladas por intérpretes dos teóricos, afinal nós militantes estavamos ocupados demais com lutas radicalizadas para estudar os clássicos, isso era deixado para os intelectuais que elaboravam as cartilhas para nós militantes estudarmos.
O resultado disso era militantes que nunca leram obras de Marx, nem mesmo 1 livro do Capital, mas reproduzem conceitos de cartilhas e fazem avaliações afirmando o que é pró-capital e o que é anti-capitalista... Podemos culpar Marx pelo que os marxistas dizem em seu nome? Certamente que não.
O mesmo acontece com Lenin, gerações de militantes falam de leninismo sem nunca terem feito estudo de 1 obra do mesmo, apenas pelo que se aprende em cartilhas ou pela &quot;prática&quot; cotidiana do &quot;marxismo-leninismo&quot; em sua organização.
Após a queda do muro vejo na esquerda ocorrer esse mesmo hábito, porém no sentido contrário: muitos críticos de Marx que o criticam não pelo que ele escreveu de fato, mas pelo que se supõe que ele escreveu e por tudo que ocorreu na URSS (como se o chamado &quot;socialismo real&quot; e o socialismo científico fossem exatamente a mesma coisa). Com Lenin ocorre o mesmo, gerações que fazem críticas ao marxismo-leninismo sem fazer a menor distinção entre o que foi uma organização stalinista e o que Lenin de fato escreveu e fez.
É um oportunismo intelectual, que em geral ocorre de forma não intencional, usar uma coisa para criticar outra, como se fossem a mesma coisa.

Quando há críticas ao marxismo-leninismo e nenhuma diferenciação ou crítica ao stalinismo é um sintoma, ou de que a autora pensa de que ambos são a mesma coisa, ou confunde um com o outro.

Militei anos em movimento social de inspiração marxista-leninista, mas apenas após realizar uma dissidência e começar a tentar entender quais eram seus problemas é que percebi que nunca militei em organização marxista ou leninista.

Parece um tanto estranho alguém que se afirma marxista utilizar estes conceitos de partido, estratégia, tática, programa como está no texto.
Foram tirados das obras de Marx ou da compreensão adquirida em alguma organização &quot;marxista-leninista&quot;?

Uma organização que pretende ter controle total sobre cada passo de seus militantes e de seus núcleos de base ao invés de socializar elementos para que seus militantes possam fazer uma leitura da realidade e elaborar sobre as tarefas políticas da organização  é uma organização marxista ou marxista-leninista?

Me parece que alguns conceitos (ou críticas à alguns conceitos) são muito semelhantes às concepções de um autor que não é citado.

A precisão e rigor teórico são necessários se pretendemos diferenciar o velho do novo, e se não pretendemos fazer uma negação indeterminada, sem dizer o que exatamente do &quot;velho&quot; deve ser negado e o que deve ainda ser re-afirmado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cara Soraia,<br />
Penso que ter militado em organizações marxistas-leninistas deixou marcas profundas em todos os militantes.<br />
O Sérgio Lessa tem um texto muito interessante chamado &#8220;Crítica ao Praticismo Revolucionário&#8221; que fala sobre esse tipo de herança.<br />
Marxismo-leninismo não é uma criação de Lenin, mas de Stalin.<br />
Os militantes formados nas organizações que se afirmam marxista-leninista tem como característica o praticismo revolucionário, o desconhecimento das teorias de Marx (e de Lenin também), o estudo acontecia por cartilhas formuladas por intérpretes dos teóricos, afinal nós militantes estavamos ocupados demais com lutas radicalizadas para estudar os clássicos, isso era deixado para os intelectuais que elaboravam as cartilhas para nós militantes estudarmos.<br />
O resultado disso era militantes que nunca leram obras de Marx, nem mesmo 1 livro do Capital, mas reproduzem conceitos de cartilhas e fazem avaliações afirmando o que é pró-capital e o que é anti-capitalista&#8230; Podemos culpar Marx pelo que os marxistas dizem em seu nome? Certamente que não.<br />
O mesmo acontece com Lenin, gerações de militantes falam de leninismo sem nunca terem feito estudo de 1 obra do mesmo, apenas pelo que se aprende em cartilhas ou pela &#8220;prática&#8221; cotidiana do &#8220;marxismo-leninismo&#8221; em sua organização.<br />
Após a queda do muro vejo na esquerda ocorrer esse mesmo hábito, porém no sentido contrário: muitos críticos de Marx que o criticam não pelo que ele escreveu de fato, mas pelo que se supõe que ele escreveu e por tudo que ocorreu na URSS (como se o chamado &#8220;socialismo real&#8221; e o socialismo científico fossem exatamente a mesma coisa). Com Lenin ocorre o mesmo, gerações que fazem críticas ao marxismo-leninismo sem fazer a menor distinção entre o que foi uma organização stalinista e o que Lenin de fato escreveu e fez.<br />
É um oportunismo intelectual, que em geral ocorre de forma não intencional, usar uma coisa para criticar outra, como se fossem a mesma coisa.</p>
<p>Quando há críticas ao marxismo-leninismo e nenhuma diferenciação ou crítica ao stalinismo é um sintoma, ou de que a autora pensa de que ambos são a mesma coisa, ou confunde um com o outro.</p>
<p>Militei anos em movimento social de inspiração marxista-leninista, mas apenas após realizar uma dissidência e começar a tentar entender quais eram seus problemas é que percebi que nunca militei em organização marxista ou leninista.</p>
<p>Parece um tanto estranho alguém que se afirma marxista utilizar estes conceitos de partido, estratégia, tática, programa como está no texto.<br />
Foram tirados das obras de Marx ou da compreensão adquirida em alguma organização &#8220;marxista-leninista&#8221;?</p>
<p>Uma organização que pretende ter controle total sobre cada passo de seus militantes e de seus núcleos de base ao invés de socializar elementos para que seus militantes possam fazer uma leitura da realidade e elaborar sobre as tarefas políticas da organização  é uma organização marxista ou marxista-leninista?</p>
<p>Me parece que alguns conceitos (ou críticas à alguns conceitos) são muito semelhantes às concepções de um autor que não é citado.</p>
<p>A precisão e rigor teórico são necessários se pretendemos diferenciar o velho do novo, e se não pretendemos fazer uma negação indeterminada, sem dizer o que exatamente do &#8220;velho&#8221; deve ser negado e o que deve ainda ser re-afirmado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: soraia		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/107930/#comment-310434</link>

		<dc:creator><![CDATA[soraia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Apr 2016 18:32:41 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107930#comment-310434</guid>

					<description><![CDATA[Silvia,
Concordo com você quando diz que não podemos ceder nossas organizações a estratégias de partidos, no entanto me parece que fazem isto as organizações que estão vinculadas ao PT e outras do campo da esquerda que apesar de não estarem com o PT, repetem o atrelamento ao seu partido independente de qual seja. Podemos afirmar aqui que isto é assim mesmo, movimentos, sindicatos e seus partidos numa luta bonita, bem organizada, coerente com as estratégias e táticas dos seus respectivos partidos (teoria da organização). Se os movimentos, sindicatos quer seja o partido que o conduza não rever a questão da autonomia das lutas em relação aos seus partidos, estamos fadados a repetir o mesmo processo. Acho bem difícil na verdade que partidos no campo da esquerda pensem sobre isto, mesmo porque há um controle total das lutas por seus partidos e este é o objetivo.
Os elementos que estão colocados nesta trágica experiência, estão presente também nas outras organizações, são parte deste processo. Precisam rever seus princípios e coerências infalíveis. Penso que se continuam achando problema só no PT e sua estratégia ou porquê o PT se constituiu como partido da ordem democrática e de direito (agora com todas as palavras que faltavam e para quem ainda não tinha entendido direito), ou porque traiu seus princípios, vão reproduzir os elementos fundamentais desta estratégia, pois para além de carregar o elemento principal de PDP que é ter um pé dentro da ordem, o resto vem de arrasto. O pé que deveria ficar fora da ordem, bem não precisamos falar muito.

Fomos todos desarmados pela democracia.

Concordo com você em relação a estratégia das lutas que se apresentaram no último período não dão conta de construir novas estratégias, lutas parciais e descontínuas, no entanto o que eu afirmo é que primeiro: o momento ainda passa por rever a estratégia do ciclo anterior de lutas (o que não é nada fácil na luta concreta) e o diálogo pretendido com o texto é chamar a atenção para possibilidades que se apresentam e que são negadas e descartadas a priori por não se encaixarem perfeitamente nas cartilhas e métodos utilizados por nosso campo político de esquerda, quer estejam de cabeça na estratégia do PDP, quer neguem ela.
Não tenho pretensão com o texto de apontar possibilidades que não estão colocadas. Existem elementos diferenciados que se apresentaram nas lutas de junho de 2013 e ocupações das escolas que aponto no texto.
As organizações que se consolidaram como referência de luta do ciclo anterior sua maior parte ou “entregaram “ sua organização, organicidade a uma estratégia que pouco ou quase nada corresponde com seus objetivos reais ou estão atrelados a lutas dentro da mais perfeita ordem e não é porque não são-foram combativas, não tem organicidade e seus militantes não são de lutas. Uma parte destas organizações fez isto conscientemente, decisão política tomada para garantir a estabilidade de um governo que não atende as suas reivindicações, pasmem!
Uma pequenina parte, ainda dentro da ordem, mas não atrelada a estratégia do PT, resiste bravamente, mas estão próximo do olho do furacão. É com estas que tento dialogar com o texto.
Quando diz: não tem como evitar que nossas lutas sejam capturadas pelos partidos da ordem. Acho que temos que diferenciar de quem, ou de que lutas estamos falando. “Evitar” passa por experiências de luta fora da ordem colocada por esta estratégia. Lutas reivindicativas, táticas atreladas e de acordo com a governabilidade deste governo¿ ou aquelas que tentam bravamente estar fora¿ 
Quais tipo de lutas, mesmo neste momento onde nossa condição é de fragmentação tem apresentado elementos que se diferenciam do ordenamento da estratégia PDP¿ Não é uma pergunta simples, mas é necessária para apontar pequenas possibilidades. Somos parte da militância que vivencia a derrocada de uma estratégia construída pós-abertura política no Brasil um caldo de lutas e organizações que precisa rever todos os elementos constitutivos desta estratégia a partir da experiência concreta dela, está aí, sendo realizada.
Algumas lutas, ainda que pequenas e isoladas estão reagindo aos ataques destes governos independente dos sindicatos, será que não reside aí uma ação concreta importante como negação ao controle das lutas dentro da ordem?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Silvia,<br />
Concordo com você quando diz que não podemos ceder nossas organizações a estratégias de partidos, no entanto me parece que fazem isto as organizações que estão vinculadas ao PT e outras do campo da esquerda que apesar de não estarem com o PT, repetem o atrelamento ao seu partido independente de qual seja. Podemos afirmar aqui que isto é assim mesmo, movimentos, sindicatos e seus partidos numa luta bonita, bem organizada, coerente com as estratégias e táticas dos seus respectivos partidos (teoria da organização). Se os movimentos, sindicatos quer seja o partido que o conduza não rever a questão da autonomia das lutas em relação aos seus partidos, estamos fadados a repetir o mesmo processo. Acho bem difícil na verdade que partidos no campo da esquerda pensem sobre isto, mesmo porque há um controle total das lutas por seus partidos e este é o objetivo.<br />
Os elementos que estão colocados nesta trágica experiência, estão presente também nas outras organizações, são parte deste processo. Precisam rever seus princípios e coerências infalíveis. Penso que se continuam achando problema só no PT e sua estratégia ou porquê o PT se constituiu como partido da ordem democrática e de direito (agora com todas as palavras que faltavam e para quem ainda não tinha entendido direito), ou porque traiu seus princípios, vão reproduzir os elementos fundamentais desta estratégia, pois para além de carregar o elemento principal de PDP que é ter um pé dentro da ordem, o resto vem de arrasto. O pé que deveria ficar fora da ordem, bem não precisamos falar muito.</p>
<p>Fomos todos desarmados pela democracia.</p>
<p>Concordo com você em relação a estratégia das lutas que se apresentaram no último período não dão conta de construir novas estratégias, lutas parciais e descontínuas, no entanto o que eu afirmo é que primeiro: o momento ainda passa por rever a estratégia do ciclo anterior de lutas (o que não é nada fácil na luta concreta) e o diálogo pretendido com o texto é chamar a atenção para possibilidades que se apresentam e que são negadas e descartadas a priori por não se encaixarem perfeitamente nas cartilhas e métodos utilizados por nosso campo político de esquerda, quer estejam de cabeça na estratégia do PDP, quer neguem ela.<br />
Não tenho pretensão com o texto de apontar possibilidades que não estão colocadas. Existem elementos diferenciados que se apresentaram nas lutas de junho de 2013 e ocupações das escolas que aponto no texto.<br />
As organizações que se consolidaram como referência de luta do ciclo anterior sua maior parte ou “entregaram “ sua organização, organicidade a uma estratégia que pouco ou quase nada corresponde com seus objetivos reais ou estão atrelados a lutas dentro da mais perfeita ordem e não é porque não são-foram combativas, não tem organicidade e seus militantes não são de lutas. Uma parte destas organizações fez isto conscientemente, decisão política tomada para garantir a estabilidade de um governo que não atende as suas reivindicações, pasmem!<br />
Uma pequenina parte, ainda dentro da ordem, mas não atrelada a estratégia do PT, resiste bravamente, mas estão próximo do olho do furacão. É com estas que tento dialogar com o texto.<br />
Quando diz: não tem como evitar que nossas lutas sejam capturadas pelos partidos da ordem. Acho que temos que diferenciar de quem, ou de que lutas estamos falando. “Evitar” passa por experiências de luta fora da ordem colocada por esta estratégia. Lutas reivindicativas, táticas atreladas e de acordo com a governabilidade deste governo¿ ou aquelas que tentam bravamente estar fora¿<br />
Quais tipo de lutas, mesmo neste momento onde nossa condição é de fragmentação tem apresentado elementos que se diferenciam do ordenamento da estratégia PDP¿ Não é uma pergunta simples, mas é necessária para apontar pequenas possibilidades. Somos parte da militância que vivencia a derrocada de uma estratégia construída pós-abertura política no Brasil um caldo de lutas e organizações que precisa rever todos os elementos constitutivos desta estratégia a partir da experiência concreta dela, está aí, sendo realizada.<br />
Algumas lutas, ainda que pequenas e isoladas estão reagindo aos ataques destes governos independente dos sindicatos, será que não reside aí uma ação concreta importante como negação ao controle das lutas dentro da ordem?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Silvia Beatriz Adoue		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/107930/#comment-310374</link>

		<dc:creator><![CDATA[Silvia Beatriz Adoue]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2016 19:45:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107930#comment-310374</guid>

					<description><![CDATA[Soraia, 

Nem sempre as classes trabalhadoras podem intervir com peso e por objetivos próprios na esfera política. E o que há é uma disputa na esfera política sem qualquer participação da classe. Depois de 20 anos sem lutas de alcance nacional, se pode dizer que atingimos alto grau de lutas reais, não daquelas negociadas previamente pelas organizações, mas que não têm alcance e continuidade nacional. Não dá pra tirar estratégias que ainda não estão no horizonte visível dessas lutas do bolso do colete. As estratégias políticas não encontram solo adequado para enraizar em lutas parciais e descontinuas. Isso independe da vontade individual dos militantes. Também não temos como evitar que pretendam que nossas ações, ainda parciais e descontinuas, alimentem um ou outro setor do campo de forças da ordem. Isso não quer dizer que nossas lutas sejam orgânicas aos partidos da ordem. Não podemos é ceder às tentativas desses partidos, de capturar a energia despendida pelas nossas ações e atrelá-las as suas próprias estratégias. Nossa aposta é outra. 

Talvez o afã por dar uma solução político-estratégica, mesmo sem que as lutas tenham alcançado o porte necessário para tal seja filho de um não dito e não pensado sobre o ciclo anterior. A questão não era só a estratégia. Melhor, a estratégia vinha junto com práticas organizativas que não foram questionadas, que ficaram num ponto cego da visão e ainda não foram superadas. A alma da estratégia &quot;democrática e popular&quot; era essa: o sequestro da energia de luta da classe, confundindo organicidade com organização e, o passo seguinte, organização com aparato. 

Nenhuma estratégia formulada valerá de alguma coisa se não for orgânica às lutas. Não há atalhos táticos que permitam driblar essa tarefa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Soraia, </p>
<p>Nem sempre as classes trabalhadoras podem intervir com peso e por objetivos próprios na esfera política. E o que há é uma disputa na esfera política sem qualquer participação da classe. Depois de 20 anos sem lutas de alcance nacional, se pode dizer que atingimos alto grau de lutas reais, não daquelas negociadas previamente pelas organizações, mas que não têm alcance e continuidade nacional. Não dá pra tirar estratégias que ainda não estão no horizonte visível dessas lutas do bolso do colete. As estratégias políticas não encontram solo adequado para enraizar em lutas parciais e descontinuas. Isso independe da vontade individual dos militantes. Também não temos como evitar que pretendam que nossas ações, ainda parciais e descontinuas, alimentem um ou outro setor do campo de forças da ordem. Isso não quer dizer que nossas lutas sejam orgânicas aos partidos da ordem. Não podemos é ceder às tentativas desses partidos, de capturar a energia despendida pelas nossas ações e atrelá-las as suas próprias estratégias. Nossa aposta é outra. </p>
<p>Talvez o afã por dar uma solução político-estratégica, mesmo sem que as lutas tenham alcançado o porte necessário para tal seja filho de um não dito e não pensado sobre o ciclo anterior. A questão não era só a estratégia. Melhor, a estratégia vinha junto com práticas organizativas que não foram questionadas, que ficaram num ponto cego da visão e ainda não foram superadas. A alma da estratégia &#8220;democrática e popular&#8221; era essa: o sequestro da energia de luta da classe, confundindo organicidade com organização e, o passo seguinte, organização com aparato. </p>
<p>Nenhuma estratégia formulada valerá de alguma coisa se não for orgânica às lutas. Não há atalhos táticos que permitam driblar essa tarefa.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Diogo Matos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/107930/#comment-310367</link>

		<dc:creator><![CDATA[Diogo Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2016 13:51:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107930#comment-310367</guid>

					<description><![CDATA[Excelente análise.

Fiquei com o mesmo mal-estar em relação àquela análise. A relação &quot;sujeito-objeto&quot; é tal que o movimento torna-se um fim em si, porque não é capaz de reformular o que está na essência do pensamento e, assim, as tão valorizadas &quot;autocríticas&quot; ficam sempre no superficial, nos erros conjunturais, nos moralismos e momentos desfavoráveis. E não me refiro aqui à organização ou à estratégia, mas a algo mais fundamental. A questão é que a esquerda tradicional ainda não reformulou o objetivo de sua própria luta e ainda mantém a &quot;tomada de consciência pela classe trabalhadora&quot; como meta imediata e mediata. Para ela, a contradição principal dessa sociedade é entre capital e trabalho, como formulou algum comentarista do passapalavra.

A Esquerda tradicional não assimilou teoricamente a derrota de três décadas atrás. Não percebeu que estava errada a sua própria formulação do que significa a superação do capital. O modelo de estratégia, de tática, de organização etc. é resultado disso. E nessa forma de compreensão, a tática nunca poderá retroagir na ressignificação da estratégia e da organização, porque o modelo pronto está lá.

Sou um pouco crítico, entretanto, ao espontaneísmo dos movimentos autonomistas. Acredito que ele só poderá ser superado com a junção entre as ações práticas particulares com uma visão teórica mais fundamentada. Práticas que efetivamente representem uma ruptura, ainda que parcial, das relações sociais em que estamos envolvidos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Excelente análise.</p>
<p>Fiquei com o mesmo mal-estar em relação àquela análise. A relação &#8220;sujeito-objeto&#8221; é tal que o movimento torna-se um fim em si, porque não é capaz de reformular o que está na essência do pensamento e, assim, as tão valorizadas &#8220;autocríticas&#8221; ficam sempre no superficial, nos erros conjunturais, nos moralismos e momentos desfavoráveis. E não me refiro aqui à organização ou à estratégia, mas a algo mais fundamental. A questão é que a esquerda tradicional ainda não reformulou o objetivo de sua própria luta e ainda mantém a &#8220;tomada de consciência pela classe trabalhadora&#8221; como meta imediata e mediata. Para ela, a contradição principal dessa sociedade é entre capital e trabalho, como formulou algum comentarista do passapalavra.</p>
<p>A Esquerda tradicional não assimilou teoricamente a derrota de três décadas atrás. Não percebeu que estava errada a sua própria formulação do que significa a superação do capital. O modelo de estratégia, de tática, de organização etc. é resultado disso. E nessa forma de compreensão, a tática nunca poderá retroagir na ressignificação da estratégia e da organização, porque o modelo pronto está lá.</p>
<p>Sou um pouco crítico, entretanto, ao espontaneísmo dos movimentos autonomistas. Acredito que ele só poderá ser superado com a junção entre as ações práticas particulares com uma visão teórica mais fundamentada. Práticas que efetivamente representem uma ruptura, ainda que parcial, das relações sociais em que estamos envolvidos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
