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	Comentários sobre: Polarização, o som do silêncio	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Ana Elisa		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/108151/#comment-310966</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ana Elisa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 May 2016 13:12:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Cara karina,

Concordo com a maior parte do seu texto. Mas gostaria de dialogar com a parte em que desenvolve a crítica do que chamou de extrema esquerda. De fato aí reina um certo dogmatismo panfletario que precisamos superar. Porém o que signifuca fazer autocritica? Considerando que esse processo deve ser no ambito coletivo amplo e não apenas nos limites pwrsonalistas de individuos autocrítica é muito mais que um mero mea culpa do estilo: vou parar de repetir os jargoes revolucionarios e ler mais jornais. A auticrituca signifuca pensarmos o que compreendemos por revolução hj. Analisar profundamente o que raios deu errado na experiencia soviética, chinesa, cubana. O que é e como vive objetuva e subjectivamente a classe trabalhadora em todas as suas facetas (e o q causa um embroglio teorico enorme). Aqui temos uma historia muito mal digerida, que faz con que continuemis a reproduzir palavras de ordem do inicio do seculo xx sem perceber que um século se passou. Por que? Indivíduos preguiçosos? A tal wxtrema esquerda ainda me parece que terá q amargar por um tempo essa pequenes e esse isolamento. Muitas fixhas nao caíram. E essa condição no tempo e espaço, essa ausênciade trabalho de base, essa fragmentação em grupelhis esparsos não é opção de ninguém. É fruto da desagregacao decorrente da tragedia que ocorreram com a tríade historicamente organizadora da coasse trabalhadora brasileira. Isso não é vontade, é condição historica. E aí? Aí, o que fazer dentro dos limites impostos por estas condicoes? Como construir caminhos para rompe-la (e isso é bem a longo prazo, nada de imediato!)? Acho que nessa parte final do texto Karina falta isso, entender que essa condição da extrema esquerda é fruto de uma história que temos ainda que encarar de frente. E podemis Até tentar pensar em acções mais imediatas, sem esquecer que somos uma esquerda em franngalgos distante dos trabalhadores (em comparação com o quao próximos ja fomos) e em pequenissimos grupos. Pra sair disso temos que cobseguir é pensar a longo prazo, em construir um processo. E nao decretar de pronto mais uma suposta futuramente grande organização que tenderá a novamente reproduzir. O mais do mesmo qye mais alimentou do que atacou o sistema que pretendia eliminar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cara karina,</p>
<p>Concordo com a maior parte do seu texto. Mas gostaria de dialogar com a parte em que desenvolve a crítica do que chamou de extrema esquerda. De fato aí reina um certo dogmatismo panfletario que precisamos superar. Porém o que signifuca fazer autocritica? Considerando que esse processo deve ser no ambito coletivo amplo e não apenas nos limites pwrsonalistas de individuos autocrítica é muito mais que um mero mea culpa do estilo: vou parar de repetir os jargoes revolucionarios e ler mais jornais. A auticrituca signifuca pensarmos o que compreendemos por revolução hj. Analisar profundamente o que raios deu errado na experiencia soviética, chinesa, cubana. O que é e como vive objetuva e subjectivamente a classe trabalhadora em todas as suas facetas (e o q causa um embroglio teorico enorme). Aqui temos uma historia muito mal digerida, que faz con que continuemis a reproduzir palavras de ordem do inicio do seculo xx sem perceber que um século se passou. Por que? Indivíduos preguiçosos? A tal wxtrema esquerda ainda me parece que terá q amargar por um tempo essa pequenes e esse isolamento. Muitas fixhas nao caíram. E essa condição no tempo e espaço, essa ausênciade trabalho de base, essa fragmentação em grupelhis esparsos não é opção de ninguém. É fruto da desagregacao decorrente da tragedia que ocorreram com a tríade historicamente organizadora da coasse trabalhadora brasileira. Isso não é vontade, é condição historica. E aí? Aí, o que fazer dentro dos limites impostos por estas condicoes? Como construir caminhos para rompe-la (e isso é bem a longo prazo, nada de imediato!)? Acho que nessa parte final do texto Karina falta isso, entender que essa condição da extrema esquerda é fruto de uma história que temos ainda que encarar de frente. E podemis Até tentar pensar em acções mais imediatas, sem esquecer que somos uma esquerda em franngalgos distante dos trabalhadores (em comparação com o quao próximos ja fomos) e em pequenissimos grupos. Pra sair disso temos que cobseguir é pensar a longo prazo, em construir um processo. E nao decretar de pronto mais uma suposta futuramente grande organização que tenderá a novamente reproduzir. O mais do mesmo qye mais alimentou do que atacou o sistema que pretendia eliminar.</p>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/108151/#comment-310722</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 May 2016 19:37:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu não afirmei que “a radicalidade da luta não se dá por suas potencialidades, mas unicamente pela sua pauta”. No ponto 1, eu afirmei que “as lutas reivindicativas, com todas as suas limitações, reivindicam-se perante alguém, patrão ou Estado, e as mesmas reivindicações podem ser reivindicadas de modo radical ou não”. Eu reconheço, portanto, que as lutas reivindicativas podem ser radicais, o que não decorre automaticamente de suas pautas.

O que eu estou querendo dizer é que (1) as pautas possuem uma história: quando a oportunidade passa, uma pauta perde seu potencial, e é exatamente por isso que o capitalismo a incorpora (é claro que ela pode recobrar seu potencial logo em seguida, mesmo porque a história conhece reviravoltas e o capitalismo possui uma dinâmica cíclica). Há, porém, (2) pautas que pressupõem, desde o início, sua incorporação ao capitalismo (compare-se, por exemplo, as diferentes pautas levantadas pelo MST ao longo do tempo: http://www.passapalavra.info/2012/03/53997). Sendo assim, eu concordo que as lutas reivindicativas podem ser radicais, mas não independentemente de suas pautas. A radicalidade não decorre automaticamente da pauta, mas ela também não é independente da pauta. Existem pautas que não são radicais, mas podem dar origem a lutas radicais, e existem pautas que não são radicais e não podem dar origem a lutas radicais. A reforma agrária não é uma revolução, mas o tipo de reforma agrária defendido pode apontar para a revolução. E há ainda as reivindicações que são essencialmente revolucionárias, mas sem encontrar uma prática que as sustente acabam não passando de palavras.

Eu também não afirmei que não é na luta por melhorias cotidianas que conseguimos gerar novas relações sociais e massificar as lutas radicais. Isso é algo que eu venho defendendo desde muito tempo, inclusive publicando um artigo sobre o assunto neste site, intitulado “Autonomia x Reformismo”. Nesse artigo, eu polemizava com pessoas que diziam que a luta autônoma contra o aumento da tarifa do transporte coletivo não era e não poderia ser revolucionária. Para mim, no entanto, uma pauta, para ser revolucionária, não pode ter sido já enquadrada dentro dos limites e possibilidades do capitalismo, devendo ainda apontar para uma outra sociedade.

Eu tenho estudado o Mário Pedrosa, que era um leitor de André Gorz, e há um conceito formulado por Gorz e desenvolvido por Pedrosa que é o de “reformas anticapitalistas” (Pedrosa as chamava “reformas revolucionárias”). Segundo Gorz, a “reforma anticapitalista” é aquela que é “reivindicada não em função do que é possível no quadro de um sistema e de uma gestão dados, mas do que deve ser tornado possível em função das necessidades e das exigências humanas”, “ela não se determina em função do que pode ser, mas do que deve ser”. E Gorz contrapunha esse tipo de reforma às “reformas reformistas”, a “reforma reformista” como aquela que “subordina seus objetivos aos critérios de racionalidade e possibilidade de um sistema e de uma política dados” (conferir André Gorz, “Estratégia Operária e Neocapitalismo”, Rio de Janeiro, Zahar, 1968; as citações acima podem ser encontradas na página 13). Pedrosa desenvolveu esses conceitos e apresentou, para os países de capitalismo desenvolvido, as “reformas revolucionárias” como aquelas que apontam para que “as funções gestionárias sejam coletivas”, realizadas pelos próprios trabalhadores “como produtores, com sua experiência, seus conhecimentos, seu ângulo de visão próprio” (conferir Mário Pedrosa, “A Opção Imperialista”, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1966; as citações acima podem ser encontradas na página 438).

Ou seja, para esses autores, as reformas possuem um potencial anticapitalista e revolucionário, se não estão já enquadradas pelo próprio capitalismo e se apontam para a autogestão, pois não há horizonte anticapitalista e revolucionário se nossas lutas não apontam já hoje para a autogestão, que é exatamente a antítese do capitalismo e do Estado capitalista.

No que se refere, porém, à reivindicação de “fazer o empresariado pagar pela crise”, ela não possui potencial anticapitalista e revolucionário, porque não apenas prevê a manutenção do capitalismo (“pagar pela crise”) como também demanda a intervenção do Estado capitalista para a sua realização.

Pedrosa incluía o New Deal rooseveltiano exatamente entre as “reformas contrarrevolucionárias”, aquelas que não apontam para a autogestão e não respondem às necessidades e exigências humanas, mas que são impostas de cima para baixo pelo Estado capitalista, observando os limites impostos pelo capitalismo, para salvar o capitalismo de suas crises. Ao lado do New Deal, Pedrosa situava o fascismo e o stalinismo. Se fôssemos colocar em termos gramcianos, o New Deal, o fascismo e o stalinismo seriam tidos como “revoluções passivas”, e é exatamente o que faz Marcos del Roio em “O império universal e seus antípodas: a ocidentalização do mundo” (São Paulo, Ícone, 1998).

Enfim, um dos grandes problemas na esquerda é viver a afirmar: “vamos fazer a mesma coisa, mas de um jeito diferente”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não afirmei que “a radicalidade da luta não se dá por suas potencialidades, mas unicamente pela sua pauta”. No ponto 1, eu afirmei que “as lutas reivindicativas, com todas as suas limitações, reivindicam-se perante alguém, patrão ou Estado, e as mesmas reivindicações podem ser reivindicadas de modo radical ou não”. Eu reconheço, portanto, que as lutas reivindicativas podem ser radicais, o que não decorre automaticamente de suas pautas.</p>
<p>O que eu estou querendo dizer é que (1) as pautas possuem uma história: quando a oportunidade passa, uma pauta perde seu potencial, e é exatamente por isso que o capitalismo a incorpora (é claro que ela pode recobrar seu potencial logo em seguida, mesmo porque a história conhece reviravoltas e o capitalismo possui uma dinâmica cíclica). Há, porém, (2) pautas que pressupõem, desde o início, sua incorporação ao capitalismo (compare-se, por exemplo, as diferentes pautas levantadas pelo MST ao longo do tempo: <a href="http://www.passapalavra.info/2012/03/53997" rel="nofollow ugc">http://www.passapalavra.info/2012/03/53997</a>). Sendo assim, eu concordo que as lutas reivindicativas podem ser radicais, mas não independentemente de suas pautas. A radicalidade não decorre automaticamente da pauta, mas ela também não é independente da pauta. Existem pautas que não são radicais, mas podem dar origem a lutas radicais, e existem pautas que não são radicais e não podem dar origem a lutas radicais. A reforma agrária não é uma revolução, mas o tipo de reforma agrária defendido pode apontar para a revolução. E há ainda as reivindicações que são essencialmente revolucionárias, mas sem encontrar uma prática que as sustente acabam não passando de palavras.</p>
<p>Eu também não afirmei que não é na luta por melhorias cotidianas que conseguimos gerar novas relações sociais e massificar as lutas radicais. Isso é algo que eu venho defendendo desde muito tempo, inclusive publicando um artigo sobre o assunto neste site, intitulado “Autonomia x Reformismo”. Nesse artigo, eu polemizava com pessoas que diziam que a luta autônoma contra o aumento da tarifa do transporte coletivo não era e não poderia ser revolucionária. Para mim, no entanto, uma pauta, para ser revolucionária, não pode ter sido já enquadrada dentro dos limites e possibilidades do capitalismo, devendo ainda apontar para uma outra sociedade.</p>
<p>Eu tenho estudado o Mário Pedrosa, que era um leitor de André Gorz, e há um conceito formulado por Gorz e desenvolvido por Pedrosa que é o de “reformas anticapitalistas” (Pedrosa as chamava “reformas revolucionárias”). Segundo Gorz, a “reforma anticapitalista” é aquela que é “reivindicada não em função do que é possível no quadro de um sistema e de uma gestão dados, mas do que deve ser tornado possível em função das necessidades e das exigências humanas”, “ela não se determina em função do que pode ser, mas do que deve ser”. E Gorz contrapunha esse tipo de reforma às “reformas reformistas”, a “reforma reformista” como aquela que “subordina seus objetivos aos critérios de racionalidade e possibilidade de um sistema e de uma política dados” (conferir André Gorz, “Estratégia Operária e Neocapitalismo”, Rio de Janeiro, Zahar, 1968; as citações acima podem ser encontradas na página 13). Pedrosa desenvolveu esses conceitos e apresentou, para os países de capitalismo desenvolvido, as “reformas revolucionárias” como aquelas que apontam para que “as funções gestionárias sejam coletivas”, realizadas pelos próprios trabalhadores “como produtores, com sua experiência, seus conhecimentos, seu ângulo de visão próprio” (conferir Mário Pedrosa, “A Opção Imperialista”, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1966; as citações acima podem ser encontradas na página 438).</p>
<p>Ou seja, para esses autores, as reformas possuem um potencial anticapitalista e revolucionário, se não estão já enquadradas pelo próprio capitalismo e se apontam para a autogestão, pois não há horizonte anticapitalista e revolucionário se nossas lutas não apontam já hoje para a autogestão, que é exatamente a antítese do capitalismo e do Estado capitalista.</p>
<p>No que se refere, porém, à reivindicação de “fazer o empresariado pagar pela crise”, ela não possui potencial anticapitalista e revolucionário, porque não apenas prevê a manutenção do capitalismo (“pagar pela crise”) como também demanda a intervenção do Estado capitalista para a sua realização.</p>
<p>Pedrosa incluía o New Deal rooseveltiano exatamente entre as “reformas contrarrevolucionárias”, aquelas que não apontam para a autogestão e não respondem às necessidades e exigências humanas, mas que são impostas de cima para baixo pelo Estado capitalista, observando os limites impostos pelo capitalismo, para salvar o capitalismo de suas crises. Ao lado do New Deal, Pedrosa situava o fascismo e o stalinismo. Se fôssemos colocar em termos gramcianos, o New Deal, o fascismo e o stalinismo seriam tidos como “revoluções passivas”, e é exatamente o que faz Marcos del Roio em “O império universal e seus antípodas: a ocidentalização do mundo” (São Paulo, Ícone, 1998).</p>
<p>Enfim, um dos grandes problemas na esquerda é viver a afirmar: “vamos fazer a mesma coisa, mas de um jeito diferente”.</p>
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		<title>
		Por: Karina		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/108151/#comment-310717</link>

		<dc:creator><![CDATA[Karina]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 May 2016 02:27:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fagner, 

A princípio a defesa de uma pauta,até então popular, por um burocrata é uma tentativa de cooptação, por si só não garante sucesso na cooptação. O que determina o sucesso desta tentativa é como a classe irá lidar com tal tentativa, se irá se sustentar neste burocrata igualando suas propostas e delegando a ele o papel que deveria ser da luta ou se independente deste irá continuar com sua proposta e fazendo a luta debaixo, pressionando e forçando os de cima, enfrentando e jamais não se aliando a eles. Lembrando que reivindicar uma coisa não implica em reivindicações equivalentes, pois na parte do como implantar estas medidas geralmente diferem bastante as propostas dos burocratas e da classe trabalhadora. 

Então, Fagner, toda luta reivindicativa não é pela supressão dos de cima, que são evidentemente os únicos que podem implementar as reivindicações pedidas. Lutas por aumento salarial, contra aumento da tarifa, contra o fechamento e terceirização de escola, contra retirada de direitos, etc, não reivindicam a supressão do Estado, tampouco, dos capitalistas. E nenhuma luta reivindicativa faz isto.

Me parece que você está indo numa lógica perigosa em que a radicalidade da luta não se dá por suas potencialidades, mas unicamente pela sua pauta, neste sentido, as lutas que não pautam revolução não são revolucionárias e convenhamos que revolução não é pauta. É um tudo ou nada e que acaba mesmo é no nada, uma vez que em períodos não revolucionários as pessoas se pautam por suas necessidades imediatas e é a partir destas que novas relações sociais emergem, que se dá um salto qualitativo de consciência de classe e abre a possibilidade de um avanço da luta para além daquele setor que inicialmente a começou, podendo emergir revoltas populares e possibilidades que a gente nem imagina. Em última instância são lutas por direitos sociais que garantem direitos básicos que melhoram e garantem as condições de vida das pessoas exploradas e oprimidas, inclusive a possibilidade de organização,afinal de contas, pra podere lutar precisamos todos termos garantidas nossas possibilidades de reprodução da vida. 

Ainda que a luta seja pela intervenção estatal a rejeição pelo sistema de relações sociais pode se dar. Se dá pela forma horizontal e coletiva de decisão, pela superação da passividade cotidiana, por forçar o Estado a tomar uma posição favorável a classe trabalhadora, etc. 

 Não é uma luta aparentemente radical por pautar questões radicais como a apropriação dos meios de produção, mas que naquele momento histórico não dialoga com ninguém se não um ou outro militante de extrema esquerda que é uma luta radical. Radical é a luta que incide diretamente no interesse concreto da classe trabalhadora, na qual ela coletivamente e horizontalmente decide seus rumos - criando os embriões da nova sociedade - e que a luta tenha e crie capacidade de massificar-se e superar sua própria pauta inicial.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fagner, </p>
<p>A princípio a defesa de uma pauta,até então popular, por um burocrata é uma tentativa de cooptação, por si só não garante sucesso na cooptação. O que determina o sucesso desta tentativa é como a classe irá lidar com tal tentativa, se irá se sustentar neste burocrata igualando suas propostas e delegando a ele o papel que deveria ser da luta ou se independente deste irá continuar com sua proposta e fazendo a luta debaixo, pressionando e forçando os de cima, enfrentando e jamais não se aliando a eles. Lembrando que reivindicar uma coisa não implica em reivindicações equivalentes, pois na parte do como implantar estas medidas geralmente diferem bastante as propostas dos burocratas e da classe trabalhadora. </p>
<p>Então, Fagner, toda luta reivindicativa não é pela supressão dos de cima, que são evidentemente os únicos que podem implementar as reivindicações pedidas. Lutas por aumento salarial, contra aumento da tarifa, contra o fechamento e terceirização de escola, contra retirada de direitos, etc, não reivindicam a supressão do Estado, tampouco, dos capitalistas. E nenhuma luta reivindicativa faz isto.</p>
<p>Me parece que você está indo numa lógica perigosa em que a radicalidade da luta não se dá por suas potencialidades, mas unicamente pela sua pauta, neste sentido, as lutas que não pautam revolução não são revolucionárias e convenhamos que revolução não é pauta. É um tudo ou nada e que acaba mesmo é no nada, uma vez que em períodos não revolucionários as pessoas se pautam por suas necessidades imediatas e é a partir destas que novas relações sociais emergem, que se dá um salto qualitativo de consciência de classe e abre a possibilidade de um avanço da luta para além daquele setor que inicialmente a começou, podendo emergir revoltas populares e possibilidades que a gente nem imagina. Em última instância são lutas por direitos sociais que garantem direitos básicos que melhoram e garantem as condições de vida das pessoas exploradas e oprimidas, inclusive a possibilidade de organização,afinal de contas, pra podere lutar precisamos todos termos garantidas nossas possibilidades de reprodução da vida. </p>
<p>Ainda que a luta seja pela intervenção estatal a rejeição pelo sistema de relações sociais pode se dar. Se dá pela forma horizontal e coletiva de decisão, pela superação da passividade cotidiana, por forçar o Estado a tomar uma posição favorável a classe trabalhadora, etc. </p>
<p> Não é uma luta aparentemente radical por pautar questões radicais como a apropriação dos meios de produção, mas que naquele momento histórico não dialoga com ninguém se não um ou outro militante de extrema esquerda que é uma luta radical. Radical é a luta que incide diretamente no interesse concreto da classe trabalhadora, na qual ela coletivamente e horizontalmente decide seus rumos &#8211; criando os embriões da nova sociedade &#8211; e que a luta tenha e crie capacidade de massificar-se e superar sua própria pauta inicial.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/108151/#comment-310702</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 May 2016 00:53:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Karina e Leo Vinicius,

1. Sim, as lutas reivindicativas, com todas as suas limitações, reivindicam-se perante alguém, patrão ou Estado, e as mesmas reivindicações podem ser reivindicadas de modo radical ou não. Quando, porém, as reivindicações são incorporadas, nesse exato momento elas perdem radicalidade, e não é por outro motivo que um candidato do Partido Democrata dos Estados Unidos (mas será somente ele?) está levantando essa reivindicação no momento.

2. Quando eu me referi a uma “solução de Estado”, eu não quis dizer que o socialismo é uma “solução de Estado”, eu quis dizer que essa reivindicação específica não pode ser realizada senão pelo Estado, pois como é que os trabalhadores vão fazer os capitalistas pagarem pela crise? A única forma de fazê-los pagar pela crise é recorrendo ao Estado, pois é o Estado que determina que parte da mais-valia produzida pelos trabalhadores será destinada a cada capitalista em particular. Ou os trabalhadores tomam logo o controle direto dos meios de produção em toda parte, ou o Estado intervém de cima a baixo, redistribuindo valores concentrados pelo empresariado em favor dos explorados. O Estado pode ser forçado a fazê-lo, mas no fundo é o Estado a única entidade capaz de fazê-lo.

3. Quando se fala em “pagar pela crise”, se está fazendo menção a uma entidade acima de duas classes específicas (a burguesia e o proletariado) que, percebendo os desequilíbrios cíclicos do sistema produtivo, intervém para restabelecer o equilíbrio. Não há horizonte senão o da preservação do capitalismo e do poder de Estado.
 Isso pode ser chamado de bonapartismo, mas também pode ser associado a um tipo de prática desenvolvido pela classe dos gestores.

4. Lutas dos trabalhadores nos locais de trabalho e também fora deles, contra demissões, arrochos salariais, precarização das condições de trabalho, entre outras coisas, quando não se resumem a reivindicar a intervenção do Estado, que é uma prática das classes exploradoras, apontam não para a recusa em pagar pela crise mas para a rejeição do próprio sistema de relações sociais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Karina e Leo Vinicius,</p>
<p>1. Sim, as lutas reivindicativas, com todas as suas limitações, reivindicam-se perante alguém, patrão ou Estado, e as mesmas reivindicações podem ser reivindicadas de modo radical ou não. Quando, porém, as reivindicações são incorporadas, nesse exato momento elas perdem radicalidade, e não é por outro motivo que um candidato do Partido Democrata dos Estados Unidos (mas será somente ele?) está levantando essa reivindicação no momento.</p>
<p>2. Quando eu me referi a uma “solução de Estado”, eu não quis dizer que o socialismo é uma “solução de Estado”, eu quis dizer que essa reivindicação específica não pode ser realizada senão pelo Estado, pois como é que os trabalhadores vão fazer os capitalistas pagarem pela crise? A única forma de fazê-los pagar pela crise é recorrendo ao Estado, pois é o Estado que determina que parte da mais-valia produzida pelos trabalhadores será destinada a cada capitalista em particular. Ou os trabalhadores tomam logo o controle direto dos meios de produção em toda parte, ou o Estado intervém de cima a baixo, redistribuindo valores concentrados pelo empresariado em favor dos explorados. O Estado pode ser forçado a fazê-lo, mas no fundo é o Estado a única entidade capaz de fazê-lo.</p>
<p>3. Quando se fala em “pagar pela crise”, se está fazendo menção a uma entidade acima de duas classes específicas (a burguesia e o proletariado) que, percebendo os desequilíbrios cíclicos do sistema produtivo, intervém para restabelecer o equilíbrio. Não há horizonte senão o da preservação do capitalismo e do poder de Estado.<br />
 Isso pode ser chamado de bonapartismo, mas também pode ser associado a um tipo de prática desenvolvido pela classe dos gestores.</p>
<p>4. Lutas dos trabalhadores nos locais de trabalho e também fora deles, contra demissões, arrochos salariais, precarização das condições de trabalho, entre outras coisas, quando não se resumem a reivindicar a intervenção do Estado, que é uma prática das classes exploradoras, apontam não para a recusa em pagar pela crise mas para a rejeição do próprio sistema de relações sociais.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/108151/#comment-310701</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 May 2016 19:36:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fagner,

desenvolver lutas nos locais de trabalho não é bandeira, é método.

Bernie Sanders se diz socialista e defende o socialismo, isso não faz do socialismo uma política estatal (necessariamente).

Quando estudantes ocupam escolas contra a precarização da estrutura e o corte da merenda, o que eles estão dizendo é que não aceitam pagar pela &quot;crise&quot;. E assim também os trabalhadores que se mobilizam (nos locais de trabalho ou não) contra demissões, arrochos salariais e precarização das condições de trabalho.
Os capitalistas pagarem pela &quot;crise&quot; não é apenas retórica de campanha eleitoral, ela vem das práticas de lutas dos trabalhadores e de seus interesses.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fagner,</p>
<p>desenvolver lutas nos locais de trabalho não é bandeira, é método.</p>
<p>Bernie Sanders se diz socialista e defende o socialismo, isso não faz do socialismo uma política estatal (necessariamente).</p>
<p>Quando estudantes ocupam escolas contra a precarização da estrutura e o corte da merenda, o que eles estão dizendo é que não aceitam pagar pela &#8220;crise&#8221;. E assim também os trabalhadores que se mobilizam (nos locais de trabalho ou não) contra demissões, arrochos salariais e precarização das condições de trabalho.<br />
Os capitalistas pagarem pela &#8220;crise&#8221; não é apenas retórica de campanha eleitoral, ela vem das práticas de lutas dos trabalhadores e de seus interesses.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: karina		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/108151/#comment-310699</link>

		<dc:creator><![CDATA[karina]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 May 2016 15:44:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=108151#comment-310699</guid>

					<description><![CDATA[Ricardo, também acho que as marchas antifascistas tem essr potencial,contudo,o desafio é essa articulação continuar para além das marchas. 

Leitor atento,a proposta do texto é elucidar alguns apontamentos que acho que estão sendo esquecidos na maioria dos debates.

Fagner lutas reivindicativas reivindica-se para alguém, geralmente patrão ou Estado. A questão me parece é como esta luta é travada,por exemplo, se a delega para um governante ou se se organiza de baixo para cima para forçar os de cima a fazer as medidas reivindicadas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ricardo, também acho que as marchas antifascistas tem essr potencial,contudo,o desafio é essa articulação continuar para além das marchas. </p>
<p>Leitor atento,a proposta do texto é elucidar alguns apontamentos que acho que estão sendo esquecidos na maioria dos debates.</p>
<p>Fagner lutas reivindicativas reivindica-se para alguém, geralmente patrão ou Estado. A questão me parece é como esta luta é travada,por exemplo, se a delega para um governante ou se se organiza de baixo para cima para forçar os de cima a fazer as medidas reivindicadas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/108151/#comment-310674</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 May 2016 13:03:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ENQUADRANDO A CRISE ou PSTU
Estado intervindo &quot;de cima a baixo em favor dos trabalhadores&quot; é mais do que &quot;uma solução de Estado&quot;. É a quadratura política do círculo econômico.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ENQUADRANDO A CRISE ou PSTU<br />
Estado intervindo &#8220;de cima a baixo em favor dos trabalhadores&#8221; é mais do que &#8220;uma solução de Estado&#8221;. É a quadratura política do círculo econômico.</p>
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		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/108151/#comment-310673</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 May 2016 12:09:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tenho uma só observação: fazer os capitalistas pagarem ou também pagarem pela crise é uma proposta, por exemplo, do Bernie Sanders. Basta acompanhar a campanha presidencial nos Estados Unidos. A bandeira deve ser desenvolver lutas nos locais de trabalho, acima de tudo mais. Esse tipo de proposta, fazer o empresariado pagar pela crise, demanda justamente o contrário, que o Estado intervenha de cima a baixo em favor dos trabalhadores. É uma solução de Estado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho uma só observação: fazer os capitalistas pagarem ou também pagarem pela crise é uma proposta, por exemplo, do Bernie Sanders. Basta acompanhar a campanha presidencial nos Estados Unidos. A bandeira deve ser desenvolver lutas nos locais de trabalho, acima de tudo mais. Esse tipo de proposta, fazer o empresariado pagar pela crise, demanda justamente o contrário, que o Estado intervenha de cima a baixo em favor dos trabalhadores. É uma solução de Estado.</p>
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		Por: Leitor atento		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/108151/#comment-310651</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leitor atento]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 May 2016 17:46:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Moral do texto: temos que ser propositivos e fazer uma análise de conjuntura bem embasada. Propostas do texto: zero; análise de conjuntura bem embasada: zero. É por aí que se vai.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moral do texto: temos que ser propositivos e fazer uma análise de conjuntura bem embasada. Propostas do texto: zero; análise de conjuntura bem embasada: zero. É por aí que se vai.</p>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/04/108151/#comment-310650</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 May 2016 14:57:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[PELO ANDAR DA CARRUAGEM ou RESSENTIMENTO:
Se os pés não estão juntos, mas as mãos estão untas, nem tudo está perdido...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>PELO ANDAR DA CARRUAGEM ou RESSENTIMENTO:<br />
Se os pés não estão juntos, mas as mãos estão untas, nem tudo está perdido&#8230;</p>
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