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	Comentários sobre: A experiência dos Comitês de Fábrica na Revolução Russa (III)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Primo Jonas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-311229</link>

		<dc:creator><![CDATA[Primo Jonas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jun 2016 02:22:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Experiencias Comunistas en la Revolución Rusa 
http://www.rebelion.org/docs/57669.pdf

uma contribuição modesta à historiografia dos derrotados que nos fazem querer vitórias.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Experiencias Comunistas en la Revolución Rusa<br />
<a href="http://www.rebelion.org/docs/57669.pdf" rel="nofollow ugc">http://www.rebelion.org/docs/57669.pdf</a></p>
<p>uma contribuição modesta à historiografia dos derrotados que nos fazem querer vitórias.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Arabel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-311118</link>

		<dc:creator><![CDATA[Arabel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jun 2016 15:49:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Obras pra olhar isso são &quot;Luta de classes na URSS 17-23&quot; de charles bethelleim, &quot;Mulher, estado e revolução&quot; de Wendy Goldman sobre a superestrutura na URSS e suas relações com a estrutura, &quot;O partido bolchevique&quot; do pierre brué, alem disso da pra pegar os textos da Rosa de critica do processo Russo depois que ele estora em 17, nesses textos ela bate em 2 coisas bastante, na posição mantida por lenin e pela URSS de &quot;autodeterminação dos povos&quot; (que pra ela significava que a burguesia de cada pais tinham direito de ser determinada pela sua propria burguesia dado que elas ainda se mantinham no poder nos outros paises) e sobre a reforma agraria/adoção do programa social-revolucionario de esquerda e não coletivização da terra como um passo atras rumo a socialização de toda a produção agraria(que ela vai colocar que era uma medida necessaria no contexto russo mas não por isso boa por si mesma) mas imagino que tem muito mais lugar pra ir ler sobre esse funcionamento, imagino que mario pedrosa, vito letizia tem textos dedicados mais diretamente sobre o campo na URSS dado que pesam na sua analise da URSS as relações de capitalismo no campo.
Durante épocas do comunismo primitivo como Engels coloca no &quot;historia da familia, propriedade privada e Estado&quot; a terra era controlada pelo comite da aldeia e não era propriedade individual mas seguia a mesma lógica defendida la, ela era redistribuida sazonalmente entre as familias, assim tambem é o modelo que é tentado retomar pela tradição russa agraria em oposição ao feudalismo e capitalismos mais modernos.

Sobre outros pontos nos trechos que você colocou, acho que o determinante são as relações sociais de produção da vida e não qualquer relação social, nesse sentido as lutas travadas pelos camponeses traz pequenos elementos sobre possibilidades (e seria possivel outros setores fazerem lutas parecidas rumando para outras relações sociais de produção) mas o determinante é olhar para as relações sociais de produção implementadas a partir do momento que tomam a terra durante 1917]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Obras pra olhar isso são &#8220;Luta de classes na URSS 17-23&#8221; de charles bethelleim, &#8220;Mulher, estado e revolução&#8221; de Wendy Goldman sobre a superestrutura na URSS e suas relações com a estrutura, &#8220;O partido bolchevique&#8221; do pierre brué, alem disso da pra pegar os textos da Rosa de critica do processo Russo depois que ele estora em 17, nesses textos ela bate em 2 coisas bastante, na posição mantida por lenin e pela URSS de &#8220;autodeterminação dos povos&#8221; (que pra ela significava que a burguesia de cada pais tinham direito de ser determinada pela sua propria burguesia dado que elas ainda se mantinham no poder nos outros paises) e sobre a reforma agraria/adoção do programa social-revolucionario de esquerda e não coletivização da terra como um passo atras rumo a socialização de toda a produção agraria(que ela vai colocar que era uma medida necessaria no contexto russo mas não por isso boa por si mesma) mas imagino que tem muito mais lugar pra ir ler sobre esse funcionamento, imagino que mario pedrosa, vito letizia tem textos dedicados mais diretamente sobre o campo na URSS dado que pesam na sua analise da URSS as relações de capitalismo no campo.<br />
Durante épocas do comunismo primitivo como Engels coloca no &#8220;historia da familia, propriedade privada e Estado&#8221; a terra era controlada pelo comite da aldeia e não era propriedade individual mas seguia a mesma lógica defendida la, ela era redistribuida sazonalmente entre as familias, assim tambem é o modelo que é tentado retomar pela tradição russa agraria em oposição ao feudalismo e capitalismos mais modernos.</p>
<p>Sobre outros pontos nos trechos que você colocou, acho que o determinante são as relações sociais de produção da vida e não qualquer relação social, nesse sentido as lutas travadas pelos camponeses traz pequenos elementos sobre possibilidades (e seria possivel outros setores fazerem lutas parecidas rumando para outras relações sociais de produção) mas o determinante é olhar para as relações sociais de produção implementadas a partir do momento que tomam a terra durante 1917</p>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310833</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 May 2016 20:44:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Arabel,

Você pegou apenas o trecho do meu comentário que cita a obra do Daniel Aarão Reis Filho. As outras obras a que fiz referência também mencionam superficialmente como a terra expropriada era sujeita ao controle da comunidade: através dos comitês agrários. Mas já que você traz novas informações para o debate sobre o funcionamento do Mir, gostaria de saber que obras você indica a respeito. E também seria interessante situar essas informações no tempo e no espaço, sobretudo no tempo, mencionando ano, década etc. Como não disponho de uma leitura aprofundada sobre o Mir, não posso fazer qualquer comentário a respeito das características que você lhe atribui. Apenas afirmo que levando em conta os estudos que citei acima, que fazem referência à propriedade coletiva da terra e ao seu controle por comitês eleitos pelos próprios camponeses, isso me parece muito mais próximo do comunismo que o modelo estatizado e centralmente planejado instituído pelo stalinismo, e também me parece muito mais próximo do comunismo que os apelos de Bukharin para que os camponeses acumulassem capitalisticamente, o que era na verdade um desdobramento possível da NEP leninista. Fico aguardando as indicações de leitura.

Lucas,

Imagino que o autor se referia aos trabalhadores nos comitês de fábrica não terem disputado os sovietes aos bolcheviques. É preciso ter em mente que os sovietes não foram abolidos quando a ditadura bolchevique se instalou. Pelo contrário, os sovietes foram incorporados ao novo Estado e transformados em transmissores de ordens vindas do alto (sobre essa transformação do papel dos sovietes, posso remeter à mesma obra de Daniel Aarão Reis Filho, página 75). Note-se: os sovietes eram uma espécie de parlamento pluripartidário disputado por diversos partidos de esquerda até que os bolcheviques instituíram um regime de partido único. Seja como for, entendo porque os trabalhadores que confrontavam as orientações dos bolcheviques no plano da economia acabaram deixando de disputar tais espaços, se é realmente isso o que quis dizer o autor, já que em momentos de polarização social as diferentes classes vivem mais ou menos apartadas, deixando de frequentar os mesmos espaços. Na medida em que os bolcheviques se afirmavam como gestores, seria natural que os trabalhadores deixassem de frequentar os espaços por eles hegemonizados, sobretudo se pretendiam desenvolver práticas completamente antagônicas e inconciliáveis (é pela mesma razão que hoje uma parcela da esquerda se recusa a disputar eleições para disputar o parlamento). Quando me referi a uma guerra contra os bolcheviques, é preciso ter em mente que tal guerra já estava sendo travada na verdade, de modo que talvez a deficiência desse movimento dos comitês de fábrica tenha sido justamente a de não abrir uma nova frente de batalha. Quanto aos trabalhadores que não se colocam em conflito aberto, não sei dizer: não sei dizer nem se você está tratando da Revolução Russa e da guerra civil ou da atualidade. Seja como for, na luta as pessoas têm que assumir um lado, não é mesmo? A luta não pode ficar à espera de quem fica em cima do muro e/ou faz jogo duplo, não é mesmo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Arabel,</p>
<p>Você pegou apenas o trecho do meu comentário que cita a obra do Daniel Aarão Reis Filho. As outras obras a que fiz referência também mencionam superficialmente como a terra expropriada era sujeita ao controle da comunidade: através dos comitês agrários. Mas já que você traz novas informações para o debate sobre o funcionamento do Mir, gostaria de saber que obras você indica a respeito. E também seria interessante situar essas informações no tempo e no espaço, sobretudo no tempo, mencionando ano, década etc. Como não disponho de uma leitura aprofundada sobre o Mir, não posso fazer qualquer comentário a respeito das características que você lhe atribui. Apenas afirmo que levando em conta os estudos que citei acima, que fazem referência à propriedade coletiva da terra e ao seu controle por comitês eleitos pelos próprios camponeses, isso me parece muito mais próximo do comunismo que o modelo estatizado e centralmente planejado instituído pelo stalinismo, e também me parece muito mais próximo do comunismo que os apelos de Bukharin para que os camponeses acumulassem capitalisticamente, o que era na verdade um desdobramento possível da NEP leninista. Fico aguardando as indicações de leitura.</p>
<p>Lucas,</p>
<p>Imagino que o autor se referia aos trabalhadores nos comitês de fábrica não terem disputado os sovietes aos bolcheviques. É preciso ter em mente que os sovietes não foram abolidos quando a ditadura bolchevique se instalou. Pelo contrário, os sovietes foram incorporados ao novo Estado e transformados em transmissores de ordens vindas do alto (sobre essa transformação do papel dos sovietes, posso remeter à mesma obra de Daniel Aarão Reis Filho, página 75). Note-se: os sovietes eram uma espécie de parlamento pluripartidário disputado por diversos partidos de esquerda até que os bolcheviques instituíram um regime de partido único. Seja como for, entendo porque os trabalhadores que confrontavam as orientações dos bolcheviques no plano da economia acabaram deixando de disputar tais espaços, se é realmente isso o que quis dizer o autor, já que em momentos de polarização social as diferentes classes vivem mais ou menos apartadas, deixando de frequentar os mesmos espaços. Na medida em que os bolcheviques se afirmavam como gestores, seria natural que os trabalhadores deixassem de frequentar os espaços por eles hegemonizados, sobretudo se pretendiam desenvolver práticas completamente antagônicas e inconciliáveis (é pela mesma razão que hoje uma parcela da esquerda se recusa a disputar eleições para disputar o parlamento). Quando me referi a uma guerra contra os bolcheviques, é preciso ter em mente que tal guerra já estava sendo travada na verdade, de modo que talvez a deficiência desse movimento dos comitês de fábrica tenha sido justamente a de não abrir uma nova frente de batalha. Quanto aos trabalhadores que não se colocam em conflito aberto, não sei dizer: não sei dizer nem se você está tratando da Revolução Russa e da guerra civil ou da atualidade. Seja como for, na luta as pessoas têm que assumir um lado, não é mesmo? A luta não pode ficar à espera de quem fica em cima do muro e/ou faz jogo duplo, não é mesmo?</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310828</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 May 2016 16:52:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Concordando contigo, Fagner, que essas formas de organização expressavam uma forma ideológica de controle pelas bases, ainda assim eu não posso ignorar a opinião do autor do texto, alguém que certamente estudou o tema e tirou esse balanço. O que você acha então que ele quis dizer quando diz que os comitês se focaram na economia e se abstiveram de fazer política?
A tua pergunta eu acho que é muito boa: como funcionar como núcleo ideológico. Eu acho que, como continuação dos debates surgidos do outro texto que provavelmente animaram o Pablo a publicar essa tradução, analisar as incapacidades deste núcleo ideológico (se podemos considerá-lo assim) é mais valioso do que partir da premissa de que seu fracasso se deu exclusivamente devido ao poder bolchevique [que também se parece ao discurso stalinista de que a culpa é sempre da CIA e não das formas próprias do comunismo histórico].

Quanto à guerra civil dos comitês contra os bolcheviques, que ocorre com aqueles operários que estão contra o conflito aberto? Serão expulsos da fábrica, expulsos dos comitês, proibidos de participar? Acaba aqui o espaço de base e surge uma nova organização insurrecionalista. A que preço? Me parece extremamente prejudicial a tendência de alguns companheiros libertários em tentar transformar espaços de base em partidos próprios dos &quot;sem partido&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordando contigo, Fagner, que essas formas de organização expressavam uma forma ideológica de controle pelas bases, ainda assim eu não posso ignorar a opinião do autor do texto, alguém que certamente estudou o tema e tirou esse balanço. O que você acha então que ele quis dizer quando diz que os comitês se focaram na economia e se abstiveram de fazer política?<br />
A tua pergunta eu acho que é muito boa: como funcionar como núcleo ideológico. Eu acho que, como continuação dos debates surgidos do outro texto que provavelmente animaram o Pablo a publicar essa tradução, analisar as incapacidades deste núcleo ideológico (se podemos considerá-lo assim) é mais valioso do que partir da premissa de que seu fracasso se deu exclusivamente devido ao poder bolchevique [que também se parece ao discurso stalinista de que a culpa é sempre da CIA e não das formas próprias do comunismo histórico].</p>
<p>Quanto à guerra civil dos comitês contra os bolcheviques, que ocorre com aqueles operários que estão contra o conflito aberto? Serão expulsos da fábrica, expulsos dos comitês, proibidos de participar? Acaba aqui o espaço de base e surge uma nova organização insurrecionalista. A que preço? Me parece extremamente prejudicial a tendência de alguns companheiros libertários em tentar transformar espaços de base em partidos próprios dos &#8220;sem partido&#8221;.</p>
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		<title>
		Por: Arabel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310800</link>

		<dc:creator><![CDATA[Arabel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 May 2016 00:32:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“os camponeses retomaram o programa de 1905. Queriam terra, toda a terra. Que fosse concedida aos que a trabalhavam, sob controle dos comitês agrários, em vias de constituição desde março. Parecia disseminar-se a consciência de que, afinal, chegara o tempo da utopia: uma grande e equitativa distribuição da terra (REIS FILHO, Daniel A. Uma Revolução Perdida: a história do socialismo soviético. São Paulo: Perseu Abramo, 2007, p. 62)”. O mesmo autor escreve mais à frente que “uma onda avassaladora do movimento camponês […] realizou a revolução agrária na prática. O galo vermelho, mais uma vez, cantou forte: as terras dos proprietários […], da Igreja e as propriedades particulares em geral, até mesmo dos pequenos e médios proprietários, foram expropriadas. […] O velho sonho igualitarista do camponês russo, afinal, realizava-se. A terra fora nacionalizada, subtraída ao mercado, não poderia mais ser objeto de compra e venda. Pertencia agora a todos os que nela trabalhavam, e somente a eles. E deveria ser igualitariamente distribuída, segundo parâmetros fixados unicamente por cada comitê agrário, e não mais pelo governo ou pelos homens da cidade. Além disso, ficava proibido o trabalho assalariado. Cada camponês usaria as próprias mãos e seus instrumentos de trabalho, podendo contar, no máximo, com a ajuda da família (obra citada, p. 70)”.

Dizer que a terra foi nacionalizada continua sendo uma abstração em algum nivel se não se diz concretamente como ela era administrada e tocada localmente, como dizer que a estatização da propriedade significa que ela passa a ser dos trabalhadores, a questão é da analise das relações sociais de produção e não simplesmente dos decretos genericos acima deles.

Quem definia as redistribuições periodicas (a distribuição de terras não era fixa depois de feita pela primeira vez) da terra eram o conselho de cada MIR (o conselho de cada aldeia) que distribuia entre as familias da aldeia todas as terras cultivaveis (ja depois das expropriações) que estavam até os limites das aldeias
As distribuições eram feitas em torno geralmente de criterios de tamanho da familia e de capacidade de cultivo das familias. A distribuição da terra não significava tambem a distribuição de outros meios de produção pra alem da terra (então ja estavam colocado familias que tendo os outros meios de produção, recebiam mais terras nas redistribuições das que não), com essa não distribuição de outros meios de produção no campo se recoloca o aluguel desses instrumentos por partes das colheitas das familias mais pobres
O cultivo era familiar e não socializado para alem disso e a apropriação da produção era feita tambem por cada familia. 
Fora das epocas de requisição forçada, as familias mais pobres tinham que vender todo seu produto nas epocas de colheita para pagar os debitos frente ao governo e o emprestimo de outros meios de produção de outros membros do MIR, as familias mais abastadas tendiam a comprar a produção das mais pobres esperando o inverno se aproximar e os preços subirem.
Não existia uma relação de planificação e produção conjunta entre os MIRs e essa relação ja era fraca entre as familias, o que mediava essa relação entre os MIRs era o mercado pela venda das colheitas, com uma tradição de autonomia completa entre cada MIR existente.
O trabalho assalariado foi abolido mas não eram raros os casos, nas familias mais abastadas, de adoções de crianças e jovens simplesmente para aumentar a força de trabalho das familias (sem a integração real dentro do nucleo familiar), alem de todos os problemas que se colocavam em certas relações individuais devido ao carater do MIR ser completamente em torno das familias (por exemplo o caso de relacionamentos de gravidez seguida de abandono pelo homen, uma pensão tinha que ser paga durante um certo tempo, mas não existir apropriação individual fazia com que as familias relutassem e resistissem em dar parte de sua renda devido as ações de um individuo da familia, assim como a pensão ter que ser continua mas os rendimentos dessa forma economica, por serem mediados pelo mercado em torno da colheita, acontecerem sazonalmente e não de forma continua. Ficava então o problema, vender os meios de produção ou outros bens da familia para pagar essa pensão e piorar muito a situação da familia a medio-longo prazo, vender ou matar os raros casos em que havia gado que arava a terra e dava outros meios de sustentação para pagar uma pensão)

Se você ve grandes ligações entre essas relações sociais de produção e formas comunistas de produção, ficaria grato se indicasse onde. Tambem se indicasse como essas relações sociais de produção não geram a uma tendencia de acumulação por um setor das familias camponesas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“os camponeses retomaram o programa de 1905. Queriam terra, toda a terra. Que fosse concedida aos que a trabalhavam, sob controle dos comitês agrários, em vias de constituição desde março. Parecia disseminar-se a consciência de que, afinal, chegara o tempo da utopia: uma grande e equitativa distribuição da terra (REIS FILHO, Daniel A. Uma Revolução Perdida: a história do socialismo soviético. São Paulo: Perseu Abramo, 2007, p. 62)”. O mesmo autor escreve mais à frente que “uma onda avassaladora do movimento camponês […] realizou a revolução agrária na prática. O galo vermelho, mais uma vez, cantou forte: as terras dos proprietários […], da Igreja e as propriedades particulares em geral, até mesmo dos pequenos e médios proprietários, foram expropriadas. […] O velho sonho igualitarista do camponês russo, afinal, realizava-se. A terra fora nacionalizada, subtraída ao mercado, não poderia mais ser objeto de compra e venda. Pertencia agora a todos os que nela trabalhavam, e somente a eles. E deveria ser igualitariamente distribuída, segundo parâmetros fixados unicamente por cada comitê agrário, e não mais pelo governo ou pelos homens da cidade. Além disso, ficava proibido o trabalho assalariado. Cada camponês usaria as próprias mãos e seus instrumentos de trabalho, podendo contar, no máximo, com a ajuda da família (obra citada, p. 70)”.</p>
<p>Dizer que a terra foi nacionalizada continua sendo uma abstração em algum nivel se não se diz concretamente como ela era administrada e tocada localmente, como dizer que a estatização da propriedade significa que ela passa a ser dos trabalhadores, a questão é da analise das relações sociais de produção e não simplesmente dos decretos genericos acima deles.</p>
<p>Quem definia as redistribuições periodicas (a distribuição de terras não era fixa depois de feita pela primeira vez) da terra eram o conselho de cada MIR (o conselho de cada aldeia) que distribuia entre as familias da aldeia todas as terras cultivaveis (ja depois das expropriações) que estavam até os limites das aldeias<br />
As distribuições eram feitas em torno geralmente de criterios de tamanho da familia e de capacidade de cultivo das familias. A distribuição da terra não significava tambem a distribuição de outros meios de produção pra alem da terra (então ja estavam colocado familias que tendo os outros meios de produção, recebiam mais terras nas redistribuições das que não), com essa não distribuição de outros meios de produção no campo se recoloca o aluguel desses instrumentos por partes das colheitas das familias mais pobres<br />
O cultivo era familiar e não socializado para alem disso e a apropriação da produção era feita tambem por cada familia.<br />
Fora das epocas de requisição forçada, as familias mais pobres tinham que vender todo seu produto nas epocas de colheita para pagar os debitos frente ao governo e o emprestimo de outros meios de produção de outros membros do MIR, as familias mais abastadas tendiam a comprar a produção das mais pobres esperando o inverno se aproximar e os preços subirem.<br />
Não existia uma relação de planificação e produção conjunta entre os MIRs e essa relação ja era fraca entre as familias, o que mediava essa relação entre os MIRs era o mercado pela venda das colheitas, com uma tradição de autonomia completa entre cada MIR existente.<br />
O trabalho assalariado foi abolido mas não eram raros os casos, nas familias mais abastadas, de adoções de crianças e jovens simplesmente para aumentar a força de trabalho das familias (sem a integração real dentro do nucleo familiar), alem de todos os problemas que se colocavam em certas relações individuais devido ao carater do MIR ser completamente em torno das familias (por exemplo o caso de relacionamentos de gravidez seguida de abandono pelo homen, uma pensão tinha que ser paga durante um certo tempo, mas não existir apropriação individual fazia com que as familias relutassem e resistissem em dar parte de sua renda devido as ações de um individuo da familia, assim como a pensão ter que ser continua mas os rendimentos dessa forma economica, por serem mediados pelo mercado em torno da colheita, acontecerem sazonalmente e não de forma continua. Ficava então o problema, vender os meios de produção ou outros bens da familia para pagar essa pensão e piorar muito a situação da familia a medio-longo prazo, vender ou matar os raros casos em que havia gado que arava a terra e dava outros meios de sustentação para pagar uma pensão)</p>
<p>Se você ve grandes ligações entre essas relações sociais de produção e formas comunistas de produção, ficaria grato se indicasse onde. Tambem se indicasse como essas relações sociais de produção não geram a uma tendencia de acumulação por um setor das familias camponesas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310759</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 May 2016 03:15:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=108182#comment-310759</guid>

					<description><![CDATA[Lucas, eu acho que devemos debater então o que é funcionar como núcleo ideológico. Quando o texto acima faz referência a uma conferência com presença de centenas de milhares de trabalhadores planejando uma atividade produtiva e elegendo delegados revogáveis, isso para mim é a mais pura expressão ideológica das práticas desenvolvidas pela base contra a direção imposta de cima. Para mim ideologia não é escrever livros, é expressar uma realidade institucional. A realidade institucional que esses trabalhadores estavam a expressar ideologicamente era a da construção do socialismo pela base e com autonomia, enquanto que a realidade institucional que os dirigentes bolcheviques estavam a expressar era da planificação econômica desenvolvida pelo Império Alemão. Além do mais, não concordo com essa separação entre economia e política. A gestão que esses trabalhadores tentavam impor à economia era fundamentalmente política, pois chocava-se diretamente com as tentativas também políticas dos bolcheviques de planificar a economia conforme o modelo alemão. Talvez a maior deficiência desses trabalhadores tenha sido a incapacidade de iniciar uma guerra civil contra os bolcheviques, que se afirmavam como novos patrões, a incapacidade de derrubá-los, de destruir de uma vez por todas o Estado russo, de eliminar uma política que tenta se colocar acima da produção econômica subordinando-a. Mas essa deficiência se explica: era uma ditadura. Enfim, a conferência acima mencionada produziu resoluções? Em caso afirmativo não são elas também ideologia? Os planos dos comitês de fábrica mencionados no texto acima também não são ideologia? Tudo isso também não é política?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas, eu acho que devemos debater então o que é funcionar como núcleo ideológico. Quando o texto acima faz referência a uma conferência com presença de centenas de milhares de trabalhadores planejando uma atividade produtiva e elegendo delegados revogáveis, isso para mim é a mais pura expressão ideológica das práticas desenvolvidas pela base contra a direção imposta de cima. Para mim ideologia não é escrever livros, é expressar uma realidade institucional. A realidade institucional que esses trabalhadores estavam a expressar ideologicamente era a da construção do socialismo pela base e com autonomia, enquanto que a realidade institucional que os dirigentes bolcheviques estavam a expressar era da planificação econômica desenvolvida pelo Império Alemão. Além do mais, não concordo com essa separação entre economia e política. A gestão que esses trabalhadores tentavam impor à economia era fundamentalmente política, pois chocava-se diretamente com as tentativas também políticas dos bolcheviques de planificar a economia conforme o modelo alemão. Talvez a maior deficiência desses trabalhadores tenha sido a incapacidade de iniciar uma guerra civil contra os bolcheviques, que se afirmavam como novos patrões, a incapacidade de derrubá-los, de destruir de uma vez por todas o Estado russo, de eliminar uma política que tenta se colocar acima da produção econômica subordinando-a. Mas essa deficiência se explica: era uma ditadura. Enfim, a conferência acima mencionada produziu resoluções? Em caso afirmativo não são elas também ideologia? Os planos dos comitês de fábrica mencionados no texto acima também não são ideologia? Tudo isso também não é política?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310758</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 May 2016 02:47:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=108182#comment-310758</guid>

					<description><![CDATA[Arabel,

As lutas dos camponeses são descritas por exemplo numa obra de Trotsky dedicada à revolução de 1905, sendo aí classificadas conforme três regiões diferentes e quatro modalidades de luta: 1) tomada das terras e expulsão dos latifundiários, incluindo a destruição das sedes das propriedades para impedir o retorno dos proprietários, forma de luta praticada sobretudo na região central do país; 2) tomada de grãos e do gado, além da exploração das florestas, forma de luta praticada sobretudo ao norte; 3) greves e boicotes, forma de luta voltada para a redução de aluguéis e o aumento de salários e praticada sobretudo ao sul; 4) recusa em pagar taxas, débitos e em fornecer recrutas, praticados em toda parte.

Trotsky relata que em certos lugares os camponeses anunciavam para os latifundiários que levariam embora a ração necessária para alimentar seus rebanhos, explicando que aqueles que tinham mais deviam compartilhar com aqueles que tinham menos. Noutras ocasiões os camponeses se dirigiam para onde estavam estocados os grãos, em estações de trem ou fazendas, anunciando que por decisão coletiva os grãos seriam por eles levados. Trotsky relata que em certos casos os camponeses passavam de fazenda em fazenda tomando aquilo de que necessitavam. Mas nos casos mais violentos os camponeses expulsavam os proprietários, todos os bens móveis eram compartilhados, o gado era levado e as casas dos proprietários eram incendiadas. E Trotsky escreve que &quot;tendo destruído toda a propriedade, os camponeses redigiriam um &#039;veredito&#039; declarando que a partir da primavera seguinte as terras passariam para a comunidade camponesa. [...] comitês locais de camponeses ou &#039;irmandades&#039; eram encarregados de dividir os bens expropriados&quot;. E a certa altura os camponeses começaram a organizar também congressos, o que segundo Trotsky caminhava lado a lado com a agitação de partidos políticos que clamavam pela abolição da propriedade privada e pela introdução da representação popular. Bem, isso tudo vai muito na contramão de uma classe de pequenos proprietários rurais com motivações capitalistas. Os trecho acima foram retirados do capítulo 17 de “1905”, obra de Trotsky disponível aqui: https://www.marxists.org/archive/trotsky/1907/1905/ch17.htm.

S. A. Smith, na obra já citada no meu comentário anterior, The Cambridge History of Russia, escreve que em 1917 &quot;no interior a revolução varreu para longe os capitães da terra, os anciãos dos municípios e os policiais dos vilarejos e os substituiu por comitês eleitos por camponeses. Em julho estes eram onipresentes [...]. A revolução assim reduziu substancialmente o grau de interferência na vida aldeã por autoridades externas e depois de outubro os camponeses associaram este grau sem precedentes de autogoverno ao poder soviético&quot;. E o mesmo autor escreve que os &quot;camponeses se autoproclamaram cidadãos livres e mostraram uma familiaridade rudimentar com noções como constituição, república democrática, direitos civis e políticos. Embora para eles, como para as classes inferiores em geral, democracia envolvia principalmente resolver seus prementes problemas socioeconômicos e apenas secundariamente questões legais e de representação política (cf. SMITH, S. A. The Revolutions of 1917–1918. In: SUNY, Ronald G. (org.). The Cambridge History of Russia. Cambridge: Cambridge University Press, v. 3: The Twentieth Century, 2006, p. 117-120)&quot;. Ou seja, os camponeses em 1917 voltaram a ocupar as terras e a substituir as autoridades por comitês eleitos por eles mesmos.

E Daniel Aarão Reis Filho, numa obra excelente sobre a Revolução Russa, escreve que em 1917 “os camponeses retomaram o programa de 1905. Queriam terra, toda a terra. Que fosse concedida aos que a trabalhavam, sob controle dos comitês agrários, em vias de constituição desde março. Parecia disseminar-se a consciência de que, afinal, chegara o tempo da utopia: uma grande e equitativa distribuição da terra (REIS FILHO, Daniel A. Uma Revolução Perdida: a história do socialismo soviético. São Paulo: Perseu Abramo, 2007, p. 62)”. O mesmo autor escreve mais à frente que “uma onda avassaladora do movimento camponês […] realizou a revolução agrária na prática. O galo vermelho, mais uma vez, cantou forte: as terras dos proprietários […], da Igreja e as propriedades particulares em geral, até mesmo dos pequenos e médios proprietários, foram expropriadas. […] O velho sonho igualitarista do camponês russo, afinal, realizava-se. A terra fora nacionalizada, subtraída ao mercado, não poderia mais ser objeto de compra e venda. Pertencia agora a todos os que nela trabalhavam, e somente a eles. E deveria ser igualitariamente distribuída, segundo parâmetros fixados unicamente por cada comitê agrário, e não mais pelo governo ou pelos homens da cidade. Além disso, ficava proibido o trabalho assalariado. Cada camponês usaria as próprias mãos e seus instrumentos de trabalho, podendo contar, no máximo, com a ajuda da família (obra citada, p. 70)”.

Agora vamos às outras questões. O Partido Bolchevique realmente não era monolítico. Talvez você conheça Aleksandr Bogdanov, que segundo Jutta Scherrer foi ao lado de Plekhanov &quot;de longe o escritor mais produtivo e mais popular da socialdemocracia russa (SCHERRER, Jutta. Bogdanov e Lenin: o bolchevismo na encruzilhada. In: HOBSBAWM, Eric J. História do Marxismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, v. 3: O marxismo na época da Segunda Internacional (segunda parte), 1984, p. 189)&quot;. Bogdanov, que disputou a facção bolchevique da socialdemocracia com Lenin, teria escrito mais tarde que &quot;no âmbito da luta de classe, os trabalhadores são um partido autônomo&quot; e que o único obstáculo para o comportamento do proletariado como partido autônomo é a subordinação passiva, a confiança cega na autoridade, a fé acrítica nos chefes e a falta de iniciativa (obra citada, p. 226). Em 1907 Bogdanov e Lenin teriam se desentendido, o primeiro defendendo o boicote à terceira Duma que então se formava e a preparação para uma revolta armada, o segundo defendendo a utilização da tribuna da nova Duma para a propaganda do socialismo. O conflito se arrastou por 1908 e Lenin finalmente conseguiu afastar Bogdanov da direção do partido em 1909, recorrendo a manobras autoritárias. Segundo Scherrer o grupo de Bogdanov defendia uma versão &quot;antiautoritária&quot; do marxismo e a concepção de que o conhecimento se baseia unicamente na experiência (conferir na obra citada as páginas 193 e 194). Bem, esse é um exemplo de pluralidade dentro do bolchevismo, posterior à revolução de 1905 e anterior à revolução de 1917. Depois da revolução de 1917 houve várias oposições, entre elas a Oposição Operária, sobre a qual escreveu Alexandra Kollontai. A questão portanto não é que não havia pluralidade no bolchevismo. A questão é que Lenin e depois Stalin conseguiram por meio da máquina partidária neutralizar as tendências antiburocráticas, como a que representava Kollontai. Restaram as tendências burocráticas numa luta fratricida, pois tanto Trotsky quanto os demais participantes das oposições ao stalinismo já depois da morte de Lenin haviam sancionado medidas burocráticas de supressão de vozes discordantes. A tendência de Bogdanov foi neutralizada já em 1909, mas outras tendências foram neutralizadas posteriormente. Se o texto que estamos comentando não aborda toda essa complexidade interna ao bolchevismo, ele por outro lado não está errado em atribuir a Lenin e à direção que se foi consolidando no partido características burocráticas, centralistas, capitalistas.

Mas vamos ao caso que você menciona, do levante de julho de 1917, no qual tomaram parte membros do partido bolchevique. Você sabia que a direção do partido, Lenin à frente, só se pronunciou favoravelmente ao levante quando ele já era um fato consumado? E que nesse momento Lenin e a direção do partido tentaram a contragosto liderar um levante organizado previamente desde a base? Bem, é o que afirma S. A. Smith na obra acima mencionada, quando escreve que “a ofensiva [de julho de 1917] foi um fiasco e levou a aproximadamente 150.000 baixas e um número maior de deserções. Na sua esteira o exército russo se esfacelou conforme os soldados se desiludiam em ver um fim ao massacre, ficou mais furioso com o desigual peso do sacrifício e resolveu colocar as mãos nas propriedades da nobreza. Os SRs de esquerda e os bolcheviques – cujo apoio estava agora crescendo – viram suas denúncias da guerra caindo sobre ouvidos receptivos. A 3 de julho os ministros cadetes se demitiram do governo [...]. Às 2 a.m., 60.000 a 70.000 soldados armados e trabalhadores cercaram o Palácio Tauride em Petrogrado para exigir que o Comitê Central Executivo dos Sovietes [...] tomasse o poder. [...] Embora organizações bolcheviques de baixo escalão estivessem envolvidas no protesto, os líderes do partido consideraram esta tentativa de levante prematura. Quanto mais soldados e trabalhadores vinham para as ruas, contudo, eles decidiram liderar o movimento. No dia seguinte, uma semi-insurreição estava a caminho (obra citada, p. 125-126)&quot;. Ou seja, a tentativa de insurreição aconteceria com ou sem os bolcheviques, já que era estimulada pelo fracasso da ofensiva de julho de 1917, e começou sem o endosso da direção do partido, que decidiu tentar liderar o movimento conforme mais e mais trabalhadores e soldados (leia-se camponeses fardados) vinham para as ruas e se insurgiam. Se membros de baixo escalão do partido percebiam naquela onda de soldados que vinham do campo de batalha, e naquela onda de trabalhadores fartos com a ordem social estabelecida, um potencial revolucionário, a opinião da direção bolchevique era bem diferente.

Nisso a direção bolchevique concordava com o Comitê Central Executivo dos Sovietes, que qualificou o levante como contrarrevolucionário (obra citada, p. 126). O problema é que o referido comitê ao mesmo tempo acusou os bolcheviques de tentarem &quot;&#039;ditar com baionetas&#039; a política dos sovietes (obra citada, p. 126)&quot;. Isso se deve ao fato de que no Primeiro Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia 285 delegados eram SRs e 248 eram mencheviques, contra apenas 105 bolcheviques. Entre os SRs havia uma tendência liderada por Chernov, majoritária, que aprovava um governo de coalizão com a burguesia; entre os mencheviques havia uma tendência liderada por Tsereteli, que também defendia uma coalizão; e entre os bolcheviques Kamenev e Stalin defendiam também um apoio restrito à coalizão. Logo, as posições conciliadoras reverberavam nos sovietes e daí no referido comitê (conferir a obra citada).

A própria bandeira dos bolcheviques após o retorno de Lenin, &quot;todo o poder aos sovietes&quot;, era segundo S. A. Smith vista pela maior parte dos bolcheviques como uma ruptura da aliança com a burguesia e a formação de um governo socialista composto por todos os partidos representados no Comitê Central Executivo dos Sovietes, pelo menos enquanto a Assembleia Constituinte não era convocada (obra citada, p. 134). Talvez isso explique porque Lenin e a direção do partido pensassem que não era o momento para uma insurreição demandando a tomada do poder por aquele comitê, já que nesse comitê Lenin e seus companheiros não gozavam ainda da maioria. Ele era naquele momento controlado por pessoas que acusavam Lenin e os bolcheviques de incitarem a insurreição e de serem por isso contrarrevolucionários. Tudo indica que Lenin esperava primeiro acumular forças no interior do comitê, para depois forçar a transferência do poder para o comitê.

O desfecho já conhecemos: Trotsky, enquanto presidente do Soviete de Petrogrado, mobiliza o Comitê Militar-Revolucionário e derruba o Governo Provisório às vésperas do Segundo Congresso dos Sovietes, que contou com protestos dos mencheviques e dos SRs quanto à derrubada do governo mas aprovou a formação de um Conselho dos Comissários do Povo, tendo à frente Lenin (conferir as obras citadas acima). Mesmo assim, segundo Daniel Aarão Reis Filho Lenin teve dificuldades em se fazer reconhecer chefe do novo governo, e em suas intervenções no congresso camponês de dezembro de 1917 Lenin foi recebido como delegado da fração bolchevique no congresso, não como chefe no Conselho de Comissários do Povo (obra citada, p. 71-72).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Arabel,</p>
<p>As lutas dos camponeses são descritas por exemplo numa obra de Trotsky dedicada à revolução de 1905, sendo aí classificadas conforme três regiões diferentes e quatro modalidades de luta: 1) tomada das terras e expulsão dos latifundiários, incluindo a destruição das sedes das propriedades para impedir o retorno dos proprietários, forma de luta praticada sobretudo na região central do país; 2) tomada de grãos e do gado, além da exploração das florestas, forma de luta praticada sobretudo ao norte; 3) greves e boicotes, forma de luta voltada para a redução de aluguéis e o aumento de salários e praticada sobretudo ao sul; 4) recusa em pagar taxas, débitos e em fornecer recrutas, praticados em toda parte.</p>
<p>Trotsky relata que em certos lugares os camponeses anunciavam para os latifundiários que levariam embora a ração necessária para alimentar seus rebanhos, explicando que aqueles que tinham mais deviam compartilhar com aqueles que tinham menos. Noutras ocasiões os camponeses se dirigiam para onde estavam estocados os grãos, em estações de trem ou fazendas, anunciando que por decisão coletiva os grãos seriam por eles levados. Trotsky relata que em certos casos os camponeses passavam de fazenda em fazenda tomando aquilo de que necessitavam. Mas nos casos mais violentos os camponeses expulsavam os proprietários, todos os bens móveis eram compartilhados, o gado era levado e as casas dos proprietários eram incendiadas. E Trotsky escreve que &#8220;tendo destruído toda a propriedade, os camponeses redigiriam um &#8216;veredito&#8217; declarando que a partir da primavera seguinte as terras passariam para a comunidade camponesa. [&#8230;] comitês locais de camponeses ou &#8216;irmandades&#8217; eram encarregados de dividir os bens expropriados&#8221;. E a certa altura os camponeses começaram a organizar também congressos, o que segundo Trotsky caminhava lado a lado com a agitação de partidos políticos que clamavam pela abolição da propriedade privada e pela introdução da representação popular. Bem, isso tudo vai muito na contramão de uma classe de pequenos proprietários rurais com motivações capitalistas. Os trecho acima foram retirados do capítulo 17 de “1905”, obra de Trotsky disponível aqui: <a href="https://www.marxists.org/archive/trotsky/1907/1905/ch17.htm" rel="nofollow ugc">https://www.marxists.org/archive/trotsky/1907/1905/ch17.htm</a>.</p>
<p>S. A. Smith, na obra já citada no meu comentário anterior, The Cambridge History of Russia, escreve que em 1917 &#8220;no interior a revolução varreu para longe os capitães da terra, os anciãos dos municípios e os policiais dos vilarejos e os substituiu por comitês eleitos por camponeses. Em julho estes eram onipresentes [&#8230;]. A revolução assim reduziu substancialmente o grau de interferência na vida aldeã por autoridades externas e depois de outubro os camponeses associaram este grau sem precedentes de autogoverno ao poder soviético&#8221;. E o mesmo autor escreve que os &#8220;camponeses se autoproclamaram cidadãos livres e mostraram uma familiaridade rudimentar com noções como constituição, república democrática, direitos civis e políticos. Embora para eles, como para as classes inferiores em geral, democracia envolvia principalmente resolver seus prementes problemas socioeconômicos e apenas secundariamente questões legais e de representação política (cf. SMITH, S. A. The Revolutions of 1917–1918. In: SUNY, Ronald G. (org.). The Cambridge History of Russia. Cambridge: Cambridge University Press, v. 3: The Twentieth Century, 2006, p. 117-120)&#8221;. Ou seja, os camponeses em 1917 voltaram a ocupar as terras e a substituir as autoridades por comitês eleitos por eles mesmos.</p>
<p>E Daniel Aarão Reis Filho, numa obra excelente sobre a Revolução Russa, escreve que em 1917 “os camponeses retomaram o programa de 1905. Queriam terra, toda a terra. Que fosse concedida aos que a trabalhavam, sob controle dos comitês agrários, em vias de constituição desde março. Parecia disseminar-se a consciência de que, afinal, chegara o tempo da utopia: uma grande e equitativa distribuição da terra (REIS FILHO, Daniel A. Uma Revolução Perdida: a história do socialismo soviético. São Paulo: Perseu Abramo, 2007, p. 62)”. O mesmo autor escreve mais à frente que “uma onda avassaladora do movimento camponês […] realizou a revolução agrária na prática. O galo vermelho, mais uma vez, cantou forte: as terras dos proprietários […], da Igreja e as propriedades particulares em geral, até mesmo dos pequenos e médios proprietários, foram expropriadas. […] O velho sonho igualitarista do camponês russo, afinal, realizava-se. A terra fora nacionalizada, subtraída ao mercado, não poderia mais ser objeto de compra e venda. Pertencia agora a todos os que nela trabalhavam, e somente a eles. E deveria ser igualitariamente distribuída, segundo parâmetros fixados unicamente por cada comitê agrário, e não mais pelo governo ou pelos homens da cidade. Além disso, ficava proibido o trabalho assalariado. Cada camponês usaria as próprias mãos e seus instrumentos de trabalho, podendo contar, no máximo, com a ajuda da família (obra citada, p. 70)”.</p>
<p>Agora vamos às outras questões. O Partido Bolchevique realmente não era monolítico. Talvez você conheça Aleksandr Bogdanov, que segundo Jutta Scherrer foi ao lado de Plekhanov &#8220;de longe o escritor mais produtivo e mais popular da socialdemocracia russa (SCHERRER, Jutta. Bogdanov e Lenin: o bolchevismo na encruzilhada. In: HOBSBAWM, Eric J. História do Marxismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, v. 3: O marxismo na época da Segunda Internacional (segunda parte), 1984, p. 189)&#8221;. Bogdanov, que disputou a facção bolchevique da socialdemocracia com Lenin, teria escrito mais tarde que &#8220;no âmbito da luta de classe, os trabalhadores são um partido autônomo&#8221; e que o único obstáculo para o comportamento do proletariado como partido autônomo é a subordinação passiva, a confiança cega na autoridade, a fé acrítica nos chefes e a falta de iniciativa (obra citada, p. 226). Em 1907 Bogdanov e Lenin teriam se desentendido, o primeiro defendendo o boicote à terceira Duma que então se formava e a preparação para uma revolta armada, o segundo defendendo a utilização da tribuna da nova Duma para a propaganda do socialismo. O conflito se arrastou por 1908 e Lenin finalmente conseguiu afastar Bogdanov da direção do partido em 1909, recorrendo a manobras autoritárias. Segundo Scherrer o grupo de Bogdanov defendia uma versão &#8220;antiautoritária&#8221; do marxismo e a concepção de que o conhecimento se baseia unicamente na experiência (conferir na obra citada as páginas 193 e 194). Bem, esse é um exemplo de pluralidade dentro do bolchevismo, posterior à revolução de 1905 e anterior à revolução de 1917. Depois da revolução de 1917 houve várias oposições, entre elas a Oposição Operária, sobre a qual escreveu Alexandra Kollontai. A questão portanto não é que não havia pluralidade no bolchevismo. A questão é que Lenin e depois Stalin conseguiram por meio da máquina partidária neutralizar as tendências antiburocráticas, como a que representava Kollontai. Restaram as tendências burocráticas numa luta fratricida, pois tanto Trotsky quanto os demais participantes das oposições ao stalinismo já depois da morte de Lenin haviam sancionado medidas burocráticas de supressão de vozes discordantes. A tendência de Bogdanov foi neutralizada já em 1909, mas outras tendências foram neutralizadas posteriormente. Se o texto que estamos comentando não aborda toda essa complexidade interna ao bolchevismo, ele por outro lado não está errado em atribuir a Lenin e à direção que se foi consolidando no partido características burocráticas, centralistas, capitalistas.</p>
<p>Mas vamos ao caso que você menciona, do levante de julho de 1917, no qual tomaram parte membros do partido bolchevique. Você sabia que a direção do partido, Lenin à frente, só se pronunciou favoravelmente ao levante quando ele já era um fato consumado? E que nesse momento Lenin e a direção do partido tentaram a contragosto liderar um levante organizado previamente desde a base? Bem, é o que afirma S. A. Smith na obra acima mencionada, quando escreve que “a ofensiva [de julho de 1917] foi um fiasco e levou a aproximadamente 150.000 baixas e um número maior de deserções. Na sua esteira o exército russo se esfacelou conforme os soldados se desiludiam em ver um fim ao massacre, ficou mais furioso com o desigual peso do sacrifício e resolveu colocar as mãos nas propriedades da nobreza. Os SRs de esquerda e os bolcheviques – cujo apoio estava agora crescendo – viram suas denúncias da guerra caindo sobre ouvidos receptivos. A 3 de julho os ministros cadetes se demitiram do governo [&#8230;]. Às 2 a.m., 60.000 a 70.000 soldados armados e trabalhadores cercaram o Palácio Tauride em Petrogrado para exigir que o Comitê Central Executivo dos Sovietes [&#8230;] tomasse o poder. [&#8230;] Embora organizações bolcheviques de baixo escalão estivessem envolvidas no protesto, os líderes do partido consideraram esta tentativa de levante prematura. Quanto mais soldados e trabalhadores vinham para as ruas, contudo, eles decidiram liderar o movimento. No dia seguinte, uma semi-insurreição estava a caminho (obra citada, p. 125-126)&#8221;. Ou seja, a tentativa de insurreição aconteceria com ou sem os bolcheviques, já que era estimulada pelo fracasso da ofensiva de julho de 1917, e começou sem o endosso da direção do partido, que decidiu tentar liderar o movimento conforme mais e mais trabalhadores e soldados (leia-se camponeses fardados) vinham para as ruas e se insurgiam. Se membros de baixo escalão do partido percebiam naquela onda de soldados que vinham do campo de batalha, e naquela onda de trabalhadores fartos com a ordem social estabelecida, um potencial revolucionário, a opinião da direção bolchevique era bem diferente.</p>
<p>Nisso a direção bolchevique concordava com o Comitê Central Executivo dos Sovietes, que qualificou o levante como contrarrevolucionário (obra citada, p. 126). O problema é que o referido comitê ao mesmo tempo acusou os bolcheviques de tentarem &#8220;&#8216;ditar com baionetas&#8217; a política dos sovietes (obra citada, p. 126)&#8221;. Isso se deve ao fato de que no Primeiro Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia 285 delegados eram SRs e 248 eram mencheviques, contra apenas 105 bolcheviques. Entre os SRs havia uma tendência liderada por Chernov, majoritária, que aprovava um governo de coalizão com a burguesia; entre os mencheviques havia uma tendência liderada por Tsereteli, que também defendia uma coalizão; e entre os bolcheviques Kamenev e Stalin defendiam também um apoio restrito à coalizão. Logo, as posições conciliadoras reverberavam nos sovietes e daí no referido comitê (conferir a obra citada).</p>
<p>A própria bandeira dos bolcheviques após o retorno de Lenin, &#8220;todo o poder aos sovietes&#8221;, era segundo S. A. Smith vista pela maior parte dos bolcheviques como uma ruptura da aliança com a burguesia e a formação de um governo socialista composto por todos os partidos representados no Comitê Central Executivo dos Sovietes, pelo menos enquanto a Assembleia Constituinte não era convocada (obra citada, p. 134). Talvez isso explique porque Lenin e a direção do partido pensassem que não era o momento para uma insurreição demandando a tomada do poder por aquele comitê, já que nesse comitê Lenin e seus companheiros não gozavam ainda da maioria. Ele era naquele momento controlado por pessoas que acusavam Lenin e os bolcheviques de incitarem a insurreição e de serem por isso contrarrevolucionários. Tudo indica que Lenin esperava primeiro acumular forças no interior do comitê, para depois forçar a transferência do poder para o comitê.</p>
<p>O desfecho já conhecemos: Trotsky, enquanto presidente do Soviete de Petrogrado, mobiliza o Comitê Militar-Revolucionário e derruba o Governo Provisório às vésperas do Segundo Congresso dos Sovietes, que contou com protestos dos mencheviques e dos SRs quanto à derrubada do governo mas aprovou a formação de um Conselho dos Comissários do Povo, tendo à frente Lenin (conferir as obras citadas acima). Mesmo assim, segundo Daniel Aarão Reis Filho Lenin teve dificuldades em se fazer reconhecer chefe do novo governo, e em suas intervenções no congresso camponês de dezembro de 1917 Lenin foi recebido como delegado da fração bolchevique no congresso, não como chefe no Conselho de Comissários do Povo (obra citada, p. 71-72).</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310755</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 May 2016 01:47:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=108182#comment-310755</guid>

					<description><![CDATA[Rodrigo Araújo,
você diz que &quot; a análise do autor se foca na constituição de organismos que surgiram de maneira mais ou menos espontânea junto à classe trabalhadora e não sobre seus projetos e disputas ideológicas&quot;. Nem tanto.
O texto é muito posterior à revolução, e não é uma peça historiográfica rigorosa. Seu propósito é justamente a difusão de eventos pouco comentados da revolução, além de pequenos balanços e avaliações sobre as dinâmicas da mesma a partir de um ponto de vista ideológico determinado.
É o autor mesmo quem fecha o texto com a citação que eu copiei, e que do meu ponto de vista é o que ele tem de mais valioso como reflexão, tendo repassado a história dos comitês:

“O erro fatal dos comitês de fábrica foi que deixaram a política para os Sovietes e os bolcheviques, concentrando seus esforços na economia.”

Se o autor não comentou projetos e disputas ideológicas destes organismos, é porque sua inexistência está intimamente relacionada com o fracasso destes organismos. Ou algo parecido a isso.


Fagner,
Entre aqueles do grupo que quer a ruptura social, não haverá nenhuma discordância?
Sobre que os comitês fossem núcleos ideológicos, eu teria uma tendência a pensar desta forma também. No entanto, o autor do texto parece apontar na posição contrária, ao dizer que os comitês deixaram a política para os Soviets e para os bolcheviques.

Eu certamente não pretendo fazer maiores análises sobre a Rússia, claramente existem pessoas mais preparadas para isso frequentando esse site. Meu interesse mesmo era pelo texto, entendê-lo em sua proposta e extrair dele o que havia de mais valioso, que acredito ser esse balanço da experiência, esse nó entre espaços de democracia direta e as direções políticas que os processos revolucionários têm.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rodrigo Araújo,<br />
você diz que &#8221; a análise do autor se foca na constituição de organismos que surgiram de maneira mais ou menos espontânea junto à classe trabalhadora e não sobre seus projetos e disputas ideológicas&#8221;. Nem tanto.<br />
O texto é muito posterior à revolução, e não é uma peça historiográfica rigorosa. Seu propósito é justamente a difusão de eventos pouco comentados da revolução, além de pequenos balanços e avaliações sobre as dinâmicas da mesma a partir de um ponto de vista ideológico determinado.<br />
É o autor mesmo quem fecha o texto com a citação que eu copiei, e que do meu ponto de vista é o que ele tem de mais valioso como reflexão, tendo repassado a história dos comitês:</p>
<p>“O erro fatal dos comitês de fábrica foi que deixaram a política para os Sovietes e os bolcheviques, concentrando seus esforços na economia.”</p>
<p>Se o autor não comentou projetos e disputas ideológicas destes organismos, é porque sua inexistência está intimamente relacionada com o fracasso destes organismos. Ou algo parecido a isso.</p>
<p>Fagner,<br />
Entre aqueles do grupo que quer a ruptura social, não haverá nenhuma discordância?<br />
Sobre que os comitês fossem núcleos ideológicos, eu teria uma tendência a pensar desta forma também. No entanto, o autor do texto parece apontar na posição contrária, ao dizer que os comitês deixaram a política para os Soviets e para os bolcheviques.</p>
<p>Eu certamente não pretendo fazer maiores análises sobre a Rússia, claramente existem pessoas mais preparadas para isso frequentando esse site. Meu interesse mesmo era pelo texto, entendê-lo em sua proposta e extrair dele o que havia de mais valioso, que acredito ser esse balanço da experiência, esse nó entre espaços de democracia direta e as direções políticas que os processos revolucionários têm.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310753</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2016 23:26:39 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=108182#comment-310753</guid>

					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310745&quot;&gt;Arabel&lt;/a&gt;.

E, é claro, faltou dizer, além das condições sociais que legitimaram e tornaram defensáveis suas teses, o que aconteceu com Ossinsky e seus companheiros de tendência depois do 9º e do 10º congressos do partido bolchevique.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310745">Arabel</a>.</p>
<p>E, é claro, faltou dizer, além das condições sociais que legitimaram e tornaram defensáveis suas teses, o que aconteceu com Ossinsky e seus companheiros de tendência depois do 9º e do 10º congressos do partido bolchevique.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310750</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2016 21:35:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310745&quot;&gt;Arabel&lt;/a&gt;.

Os contendores fariam bem em compreender as condições que colocaram em campos opostos Alexander Chayanov e Josef Stalin. Evidentemente, o destino do primeiro é previsível. Mas talvez seja pedir demais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2016/05/108182/#comment-310745">Arabel</a>.</p>
<p>Os contendores fariam bem em compreender as condições que colocaram em campos opostos Alexander Chayanov e Josef Stalin. Evidentemente, o destino do primeiro é previsível. Mas talvez seja pedir demais.</p>
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