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	Comentários sobre: O Estado e as ocupações: a autogestão possível e a autogestão necessária	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108235/#comment-310862</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 May 2016 13:17:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ONCE AGAIN ou FRACASSANDO MELHOR

http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/05/1771587-estudantes-deixam-escolas-e-so-1-unidade-segue-ocupada-em-sp.shtml

MAS É LUTANDO QUE SE APRENDE A LUTAR!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ONCE AGAIN ou FRACASSANDO MELHOR</p>
<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/05/1771587-estudantes-deixam-escolas-e-so-1-unidade-segue-ocupada-em-sp.shtml" rel="nofollow ugc">http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/05/1771587-estudantes-deixam-escolas-e-so-1-unidade-segue-ocupada-em-sp.shtml</a></p>
<p>MAS É LUTANDO QUE SE APRENDE A LUTAR!</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108235/#comment-310854</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 May 2016 03:39:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito bom o texto. Ao mesmo tempo em que, empiricamente, mostra um processo de abertura de ocupações para comunidade que neutralizou a em grande parte a influência do movimento desocupa, também aponta a perspectiva de expansão das lutas em oposição ao seu entrincheiramento. Neste sentido, talvez não seja de todo impertinente compartilhar as seguintes ideias, frutos de algumas conversas:

Enquanto não se expande para fora dos limites pré-estabelecidos (escolas, empresas, países, bairros, família etc), enquanto não dissolve esses limites, se a autogestão &quot;tiver sucesso&quot;, ela apenas implica  o aumento do &quot;trabalho não pago&quot;, gerando ainda mais mais-valia para o capital. Por exemplo, se a autogestão das escolas tiver sucesso, formando autogestionariamente a mercadoria força de trabalho com um imenso trabalho voluntário &quot;autônomo&quot;, isso seria o sonho do governo e dos capitalistas, pois com isso eles não mais precisam  pagar esses &quot;custos&quot;, ao mesmo tempo em que essa &quot;experiência autônoma&quot; força todos os demais proletários do resto do sistema educacional a trabalhar o máximo &quot;voluntariamente&quot;, de graça, para os empresários estatais e particulares, para não serem demitidos frente a essa nova intensificação da competição. 

Um movimento realmente autônomo só pode vencer se se expande rapidamente de modo universal, mundial. Caso contrário, é forçado a trocar com o resto da sociedade que ainda se mantém como propriedade privada (empresas, países, bairros, família etc), e para isso precisa trabalhar para a propriedade privada, gerando mais-valia e reproduzindo o capital numa escala ainda maior.

A medida que  a luta autônoma nas escolas não se generaliza para fora delas, ou seja, enquanto não estimula uma transformação que se espalha rapidamente, transformação em que, por exemplo, os trabalhadores suspendem a produção para a empresa, abolindo o emprego e tornando a produção livre por quem quiser e para quem quiser satisfazer suas necessidades, desejos etc, em que os papeis de &quot;trabalhador&quot; e &quot;estudante&quot; são abolidos por uma livre associação de indivíduos que se afirmam como classe autônoma sem fronteiras contra a classe dominante por toda parte,  enquanto isso não ocorre, essa luta  dos estudantes é condenada ao fracasso, condenada materialmente a se relacionar com o resto da sociedade que não se transformou, e daí a reproduzir a mesma dominação de todo o resto da sociedade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom o texto. Ao mesmo tempo em que, empiricamente, mostra um processo de abertura de ocupações para comunidade que neutralizou a em grande parte a influência do movimento desocupa, também aponta a perspectiva de expansão das lutas em oposição ao seu entrincheiramento. Neste sentido, talvez não seja de todo impertinente compartilhar as seguintes ideias, frutos de algumas conversas:</p>
<p>Enquanto não se expande para fora dos limites pré-estabelecidos (escolas, empresas, países, bairros, família etc), enquanto não dissolve esses limites, se a autogestão &#8220;tiver sucesso&#8221;, ela apenas implica  o aumento do &#8220;trabalho não pago&#8221;, gerando ainda mais mais-valia para o capital. Por exemplo, se a autogestão das escolas tiver sucesso, formando autogestionariamente a mercadoria força de trabalho com um imenso trabalho voluntário &#8220;autônomo&#8221;, isso seria o sonho do governo e dos capitalistas, pois com isso eles não mais precisam  pagar esses &#8220;custos&#8221;, ao mesmo tempo em que essa &#8220;experiência autônoma&#8221; força todos os demais proletários do resto do sistema educacional a trabalhar o máximo &#8220;voluntariamente&#8221;, de graça, para os empresários estatais e particulares, para não serem demitidos frente a essa nova intensificação da competição. </p>
<p>Um movimento realmente autônomo só pode vencer se se expande rapidamente de modo universal, mundial. Caso contrário, é forçado a trocar com o resto da sociedade que ainda se mantém como propriedade privada (empresas, países, bairros, família etc), e para isso precisa trabalhar para a propriedade privada, gerando mais-valia e reproduzindo o capital numa escala ainda maior.</p>
<p>A medida que  a luta autônoma nas escolas não se generaliza para fora delas, ou seja, enquanto não estimula uma transformação que se espalha rapidamente, transformação em que, por exemplo, os trabalhadores suspendem a produção para a empresa, abolindo o emprego e tornando a produção livre por quem quiser e para quem quiser satisfazer suas necessidades, desejos etc, em que os papeis de &#8220;trabalhador&#8221; e &#8220;estudante&#8221; são abolidos por uma livre associação de indivíduos que se afirmam como classe autônoma sem fronteiras contra a classe dominante por toda parte,  enquanto isso não ocorre, essa luta  dos estudantes é condenada ao fracasso, condenada materialmente a se relacionar com o resto da sociedade que não se transformou, e daí a reproduzir a mesma dominação de todo o resto da sociedade.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Grouxo Marxista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108235/#comment-310852</link>

		<dc:creator><![CDATA[Grouxo Marxista]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 May 2016 02:27:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um dos objetivos do texto era justamente criticar uma concepção da autogestão como uma forma-fetiche, importante por si mesma, descolada de seu contexto e dos conflitos concretos em que emerge. A autogestão é um ponto de partida, não de chegada -- mas para alguns, processos &quot;livres&quot; e &quot;igualitários&quot; por si só já teriam valor revolucionário, independente dos seus conteúdos sociais.

Exemplos típicos dessa teoria aplicada às escolas são alguns memes que exaltam o fato de na escola ocupada ter aula de yoga, de dança, música, agroecologia, artistas alternativos, pessoas alegres e felizes experimentando novas tecnologias pedagógicas em igualdade e fraternidade. Apesar de todas essas inovações, também tinha os guardas na porta que não deixavam ninguém diferente demais entrar e faziam da escola uma trincheira autogestionada que seria massacrada mais cedo ou mais tarde -- quando não assimilada por conselhos escolares, conselhos de educação, &quot;co-gestão&quot;, etc.

Não foi o caso das experiências autogestionárias aqui descritas -- que serviram como de ruptura, ou vai ou racha, expande ou desaparece e surgiram de conflitos violentos entre os próprios trabalhadores e o Estado. Colocou-se o dilema do que fazer após a expropriação dos expropriadores. A autogestão aparece aqui como um instrumento na guerra social dos trabalhadores pelo controle das suas vidas... e se colocou a necessidade de se expandir, de ampliar as fissuras no controle social, de fazer os demais trabalhadores abandonarem seu corporativismo, ou desaparecer. O piquete e o grevismo se revelaram inadequados para essa tarefa.

Como essas experiências não conseguiram se expandir, consolidar, renegar as demais acabaremos forçados a retornar à luta pela &quot;escola pública, gratuita e de qualidade&quot;... e quem sabe cidadã... a não ser que surjam outros instrumentos nas lutas para além das ocupações com as mesmas funcionalidades.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos objetivos do texto era justamente criticar uma concepção da autogestão como uma forma-fetiche, importante por si mesma, descolada de seu contexto e dos conflitos concretos em que emerge. A autogestão é um ponto de partida, não de chegada &#8212; mas para alguns, processos &#8220;livres&#8221; e &#8220;igualitários&#8221; por si só já teriam valor revolucionário, independente dos seus conteúdos sociais.</p>
<p>Exemplos típicos dessa teoria aplicada às escolas são alguns memes que exaltam o fato de na escola ocupada ter aula de yoga, de dança, música, agroecologia, artistas alternativos, pessoas alegres e felizes experimentando novas tecnologias pedagógicas em igualdade e fraternidade. Apesar de todas essas inovações, também tinha os guardas na porta que não deixavam ninguém diferente demais entrar e faziam da escola uma trincheira autogestionada que seria massacrada mais cedo ou mais tarde &#8212; quando não assimilada por conselhos escolares, conselhos de educação, &#8220;co-gestão&#8221;, etc.</p>
<p>Não foi o caso das experiências autogestionárias aqui descritas &#8212; que serviram como de ruptura, ou vai ou racha, expande ou desaparece e surgiram de conflitos violentos entre os próprios trabalhadores e o Estado. Colocou-se o dilema do que fazer após a expropriação dos expropriadores. A autogestão aparece aqui como um instrumento na guerra social dos trabalhadores pelo controle das suas vidas&#8230; e se colocou a necessidade de se expandir, de ampliar as fissuras no controle social, de fazer os demais trabalhadores abandonarem seu corporativismo, ou desaparecer. O piquete e o grevismo se revelaram inadequados para essa tarefa.</p>
<p>Como essas experiências não conseguiram se expandir, consolidar, renegar as demais acabaremos forçados a retornar à luta pela &#8220;escola pública, gratuita e de qualidade&#8221;&#8230; e quem sabe cidadã&#8230; a não ser que surjam outros instrumentos nas lutas para além das ocupações com as mesmas funcionalidades.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108235/#comment-310844</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 May 2016 17:19:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A ideologia da autogestão é mistificação neoproudhonista. A eufórica mitificação da trincheira pavimenta o caminho da derrota e o subsequente massacre.
Na guerra social, vence quem combate no terreno (e com as armas de) sua classe: protagonizando a desordem sem a amar...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ideologia da autogestão é mistificação neoproudhonista. A eufórica mitificação da trincheira pavimenta o caminho da derrota e o subsequente massacre.<br />
Na guerra social, vence quem combate no terreno (e com as armas de) sua classe: protagonizando a desordem sem a amar&#8230;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108235/#comment-310820</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 May 2016 13:26:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O prolestudantariado é a vanguarda interna (revolucionária) na atual composição de classe da massa explorada.
Devir miríade zeroworker na centralização orgânica e rizomática: imanência X gangs&#038;rackets.  Remember Otto Ruhle.
Saúde &#038; Alegria]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O prolestudantariado é a vanguarda interna (revolucionária) na atual composição de classe da massa explorada.<br />
Devir miríade zeroworker na centralização orgânica e rizomática: imanência X gangs&amp;rackets.  Remember Otto Ruhle.<br />
Saúde &amp; Alegria</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108235/#comment-310795</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 May 2016 16:50:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[PARTIDO HISTÓRICO versus PARTIDO FORMAL (autonomia X heteronomia)
A luta de classes gera memória e imaginação, insumos e forças motrizes da consciência, que é imanente e virtual à classe.
A luta autônoma do proletariado suprassume a diferença do em-si com o para-si na consciência, enquanto cogrediente à práxis revolucionária.
Lênin kaput...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>PARTIDO HISTÓRICO versus PARTIDO FORMAL (autonomia X heteronomia)<br />
A luta de classes gera memória e imaginação, insumos e forças motrizes da consciência, que é imanente e virtual à classe.<br />
A luta autônoma do proletariado suprassume a diferença do em-si com o para-si na consciência, enquanto cogrediente à práxis revolucionária.<br />
Lênin kaput&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Grouxo Marxista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108235/#comment-310756</link>

		<dc:creator><![CDATA[Grouxo Marxista]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 May 2016 02:22:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Agradeço os comentários dos camaradas.

Luciano, acho que os cursinhos populares como experiências de formação pedagógica, definição de conteúdos, como uma conquista cultural, são bastante importantes. Acredito que muitas das pessoas que colaboraram com os aulões no Cecília Meirelles tem experiência ou contato esses cursinhos. Algumas das pessoas que se dispuseram a dar aulas inclusive eram professores “famosos” de cursinhos pagos.

Acho, no entanto, que muitas vezes esses cursinhos são formas de intervenção externa, hetero-organizativa sobre os alunos das escolas públicas, aparelhados por partidos e universitários com boas intenções. Quando não o são, tem a deficiência de ser uma prática educativa acessória, um complemento à formação dada nas escolas públicas, não implica em mudanças radicais nas atuais escolas ou em grandes conflitos. Isso significa que não se deve participar ou fazer cursinhos? Claro que não. Mas acho importante diferenciar, pra não parecer que se faz revolução e autogestão escolar fazendo cursinho.

Sobre a questão que você falou da ausência da extrema esquerda na periferia, concordo que é um problema sério. Em Goiás a forma com que se tentou enfrentar isso foi ampliando o contato e o debate entre os secundaristas das diversas escolas, a partir de ações comuns como manifestações, ocupações gerais e a descentralização geográfica dos espaços de decisão política como as reuniões do comitê/assembleia geral dos secundaristas. Os partidos, principalmente a turminha do PT, resistia bastante a essa iniciativa e taxava essas tentativas de união de serem “os playboys do centro querendo mandar nos pobres da quebrada”. Era perceptível também como os militantes desse partido se faziam como referência política central, que tinham que ser consultados para qualquer decisão, além de se construírem como referências afetivas, praticamente substituindo os mães/pais dos secundaristas. Observei algumas assembleias em escolas mais influenciadas por essa turma e a participação era sempre muito prejudicada por esse tipo de coisa. Sempre que vinham influências externas, no entanto, a coisa começava a desandar pro lado deles – principalmente exemplos mais participativos de luta e organização.

A dinâmica da ocupação como “outra família”, exclusivamente como auto-formação ou experiência de cidadania, tendem a reforçar esse quadro de burocratização e integração do movimento. Cabe a quem tem entrada nessas escolas, a meu ver, fazer que a escola abra as portas para o conjunto do movimento e tenha uma função social que vai necessitar do apoio dos mais diversos atores – coisa que nenhum partido político normal vai tolerar e combater, por mais que custe inclusive a ocupação. O máximo que vi esses partidos permitirem são “reuniões de conscientização” que não serviam pra absolutamente nada além de mostrar pros pais que a ocupação estava resoluta a não permitir a escola ter utilidade social. Ao menos em Goiânia onde as escolas de periferia tem forte relação com o bairro, essa possibilidade de fazer da escola útil à comunidade era bem mais factível na periferia do que nas escolas do centro, onde essa relação é bem mais distante e abstrata. Mas também existe o problema do bairrismo na periferia, que via com maus olhos uma presença muito  intensa de &quot;universitários forasteiros&quot;... o que inviabiliza, ao menos em um primeiro momento, que essa extrema esquerda que atua mais no centro possa ter influência efetiva, por mais que queira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agradeço os comentários dos camaradas.</p>
<p>Luciano, acho que os cursinhos populares como experiências de formação pedagógica, definição de conteúdos, como uma conquista cultural, são bastante importantes. Acredito que muitas das pessoas que colaboraram com os aulões no Cecília Meirelles tem experiência ou contato esses cursinhos. Algumas das pessoas que se dispuseram a dar aulas inclusive eram professores “famosos” de cursinhos pagos.</p>
<p>Acho, no entanto, que muitas vezes esses cursinhos são formas de intervenção externa, hetero-organizativa sobre os alunos das escolas públicas, aparelhados por partidos e universitários com boas intenções. Quando não o são, tem a deficiência de ser uma prática educativa acessória, um complemento à formação dada nas escolas públicas, não implica em mudanças radicais nas atuais escolas ou em grandes conflitos. Isso significa que não se deve participar ou fazer cursinhos? Claro que não. Mas acho importante diferenciar, pra não parecer que se faz revolução e autogestão escolar fazendo cursinho.</p>
<p>Sobre a questão que você falou da ausência da extrema esquerda na periferia, concordo que é um problema sério. Em Goiás a forma com que se tentou enfrentar isso foi ampliando o contato e o debate entre os secundaristas das diversas escolas, a partir de ações comuns como manifestações, ocupações gerais e a descentralização geográfica dos espaços de decisão política como as reuniões do comitê/assembleia geral dos secundaristas. Os partidos, principalmente a turminha do PT, resistia bastante a essa iniciativa e taxava essas tentativas de união de serem “os playboys do centro querendo mandar nos pobres da quebrada”. Era perceptível também como os militantes desse partido se faziam como referência política central, que tinham que ser consultados para qualquer decisão, além de se construírem como referências afetivas, praticamente substituindo os mães/pais dos secundaristas. Observei algumas assembleias em escolas mais influenciadas por essa turma e a participação era sempre muito prejudicada por esse tipo de coisa. Sempre que vinham influências externas, no entanto, a coisa começava a desandar pro lado deles – principalmente exemplos mais participativos de luta e organização.</p>
<p>A dinâmica da ocupação como “outra família”, exclusivamente como auto-formação ou experiência de cidadania, tendem a reforçar esse quadro de burocratização e integração do movimento. Cabe a quem tem entrada nessas escolas, a meu ver, fazer que a escola abra as portas para o conjunto do movimento e tenha uma função social que vai necessitar do apoio dos mais diversos atores – coisa que nenhum partido político normal vai tolerar e combater, por mais que custe inclusive a ocupação. O máximo que vi esses partidos permitirem são “reuniões de conscientização” que não serviam pra absolutamente nada além de mostrar pros pais que a ocupação estava resoluta a não permitir a escola ter utilidade social. Ao menos em Goiânia onde as escolas de periferia tem forte relação com o bairro, essa possibilidade de fazer da escola útil à comunidade era bem mais factível na periferia do que nas escolas do centro, onde essa relação é bem mais distante e abstrata. Mas também existe o problema do bairrismo na periferia, que via com maus olhos uma presença muito  intensa de &#8220;universitários forasteiros&#8221;&#8230; o que inviabiliza, ao menos em um primeiro momento, que essa extrema esquerda que atua mais no centro possa ter influência efetiva, por mais que queira.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Luciano		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108235/#comment-310743</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2016 16:50:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oportuna reflexão.

Atualmente estou participando de um processo interessante que está  ocorrendo na periferia de São Paulo e que tem haver com o processo iniciado pelas ocupações das escolas ano passado.

Entretanto, aqui sob a ocultação dos holofotes e sob o desinteresse no gasto de tinta e papéis da extrema esquerda, a burocratização e cooptação por governistas tem sido violenta e triste.

Uma numerosa molecada com energia, interesse e disposição para a luta está sendo submetida a interesses escusos e as formas de luta cada vez mais tradicionais e limitadas (por exemplo, limitação a pauta institucional, busca de conciliação de interesses antagônicos e letargia nos modos de ação e produção cultural, submissão ao dialogo com os gestores etc).  

O movimento é, portanto, nati-morto porque não há uma articulação de extrema esquerda nas periferias capaz de convergir com as pautas dessa moçada e radicaliza-las para além de princípios institucionais. 

Assim, o movimento se vê encurralado pelos partidos ditos de &quot;esquerda&quot; que para bem e para mal acabam apoiando e como parte de seu apoio, acabam levando essa rapaziada para fileira desses partidos.

Então por onde anda a extrema esquerda? Como responder as tentativas de cooptação de alguns partidos (inclusive o governista até ontem) sendo que estes servem de base material (inclusive com advogado) para esse novo movimento estudantil?

Definitivamente, a extrema esquerda, como organização e apoio a lutas que estejam fora das regiões centrais, é inexistente. E desse modo, oportunistas de toda espécie aproveitam para cooptar genuínos movimentos anti-capitalistas.  

E não estou aqui dizendo que a organização partidária é de todo mal. Prefiro que aja algo organizativo e orgânico na periferia do que simples vontades da lei do coração que não quer manchar as vestes na luta que condena, por esta não seguir os princípios do próprio coração.

De certa forma o autor condena os &quot;cursos populares&quot; mas são estes que mais atuam nas periferias e a formação que dão, em alguns casos, está bem distante do proposto pela &quot;grade&quot; (grade mesmo) curricular estatal.

aliás um cem número de professores/estudantes que já davam aulas nesses cursinhos foram os mesmos que atuaram em aulões nas ocupações ano passado (como este mesmo que escreve).

enfim, o texto é muito bom e traz uma ótima reflexão. Compartilho estas indagações com todos leitores para ver onde podemos ir...
Abração]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oportuna reflexão.</p>
<p>Atualmente estou participando de um processo interessante que está  ocorrendo na periferia de São Paulo e que tem haver com o processo iniciado pelas ocupações das escolas ano passado.</p>
<p>Entretanto, aqui sob a ocultação dos holofotes e sob o desinteresse no gasto de tinta e papéis da extrema esquerda, a burocratização e cooptação por governistas tem sido violenta e triste.</p>
<p>Uma numerosa molecada com energia, interesse e disposição para a luta está sendo submetida a interesses escusos e as formas de luta cada vez mais tradicionais e limitadas (por exemplo, limitação a pauta institucional, busca de conciliação de interesses antagônicos e letargia nos modos de ação e produção cultural, submissão ao dialogo com os gestores etc).  </p>
<p>O movimento é, portanto, nati-morto porque não há uma articulação de extrema esquerda nas periferias capaz de convergir com as pautas dessa moçada e radicaliza-las para além de princípios institucionais. </p>
<p>Assim, o movimento se vê encurralado pelos partidos ditos de &#8220;esquerda&#8221; que para bem e para mal acabam apoiando e como parte de seu apoio, acabam levando essa rapaziada para fileira desses partidos.</p>
<p>Então por onde anda a extrema esquerda? Como responder as tentativas de cooptação de alguns partidos (inclusive o governista até ontem) sendo que estes servem de base material (inclusive com advogado) para esse novo movimento estudantil?</p>
<p>Definitivamente, a extrema esquerda, como organização e apoio a lutas que estejam fora das regiões centrais, é inexistente. E desse modo, oportunistas de toda espécie aproveitam para cooptar genuínos movimentos anti-capitalistas.  </p>
<p>E não estou aqui dizendo que a organização partidária é de todo mal. Prefiro que aja algo organizativo e orgânico na periferia do que simples vontades da lei do coração que não quer manchar as vestes na luta que condena, por esta não seguir os princípios do próprio coração.</p>
<p>De certa forma o autor condena os &#8220;cursos populares&#8221; mas são estes que mais atuam nas periferias e a formação que dão, em alguns casos, está bem distante do proposto pela &#8220;grade&#8221; (grade mesmo) curricular estatal.</p>
<p>aliás um cem número de professores/estudantes que já davam aulas nesses cursinhos foram os mesmos que atuaram em aulões nas ocupações ano passado (como este mesmo que escreve).</p>
<p>enfim, o texto é muito bom e traz uma ótima reflexão. Compartilho estas indagações com todos leitores para ver onde podemos ir&#8230;<br />
Abração</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/05/108235/#comment-310731</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2016 01:00:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por mim, este texto já é um clássico em termos de análise de conjuntura. Analisa os fatos a quente, não desmerece as iniciativas &quot;possíveis&quot;, aponta caminhos &quot;necessários&quot; e não perde o rumo.

Há, evidentemente, quem venha dizer, contra o autor, que &quot;so é revolucionário se for autogerido&quot;. Nada mais falso, e os próprios termos do artigo o demonstram.

Toda luta social tem seus limites, dados pela correlação de forças existentes entre os adversários. Dentro do que é possível, as formas de luta, mesmo as mais radicais, podem manter-se dentro de certos limites, ou podem superá-los, integrando-se a outras lutas e superando seus particularismos. O que achei genial no texto é que não se trata de um debate teórico, mas de lutas concretas que mostram até onde podem ir, e o que pode ocorrer quando fogem do roteiro e ultrapassam os limites previstos.

Em tese, todas as ocupações foram -- ou são -- autogeridas. Agora, mesmo a luta autogerida pode encontrar limites. Alguns deles foram postos muito claramente no texto: os movimentos articulados pelos governos, a falta de solidariedade dos vizinhos das escolas, os estigmas moralizantes... Uma das experiências analisada no texto tentou superar estes limites justamente no momento em que aproveitou uma das demandas de seus adversários e colocou-a para jogar em seu favor, atraindo solidariedade e justificando de modo muito forte a legitimidade do movimento. Como nas lutas sociais isto nunca está dado de uma vez por todas, e não acompanhei o desenrolar dos fatos por estar muito longe daí, é possível que os adversários tenham pensado em novas estratégias diante da reviravolta que sofreram, é possível também que a nova estratégia dos ocupantes ainda esteja em curso... Mas o que importa é que saíram do previsível, ampliaram as possibilidades de participação na luta e, com isso, legitimaram-se.

Daí a separação, a meu ver muito correta, entre a autogestão &quot;possível&quot; e a autogestão &quot;necessária&quot;. Entre o que se pode alcançar em determinado momento a partir da iniciativa e experiência dos ocupantes, e o que se pode alcançar quando inovam, quando viram a mesa, quando chamam outros companheiros para a luta, quando saem dos limites da escola.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por mim, este texto já é um clássico em termos de análise de conjuntura. Analisa os fatos a quente, não desmerece as iniciativas &#8220;possíveis&#8221;, aponta caminhos &#8220;necessários&#8221; e não perde o rumo.</p>
<p>Há, evidentemente, quem venha dizer, contra o autor, que &#8220;so é revolucionário se for autogerido&#8221;. Nada mais falso, e os próprios termos do artigo o demonstram.</p>
<p>Toda luta social tem seus limites, dados pela correlação de forças existentes entre os adversários. Dentro do que é possível, as formas de luta, mesmo as mais radicais, podem manter-se dentro de certos limites, ou podem superá-los, integrando-se a outras lutas e superando seus particularismos. O que achei genial no texto é que não se trata de um debate teórico, mas de lutas concretas que mostram até onde podem ir, e o que pode ocorrer quando fogem do roteiro e ultrapassam os limites previstos.</p>
<p>Em tese, todas as ocupações foram &#8212; ou são &#8212; autogeridas. Agora, mesmo a luta autogerida pode encontrar limites. Alguns deles foram postos muito claramente no texto: os movimentos articulados pelos governos, a falta de solidariedade dos vizinhos das escolas, os estigmas moralizantes&#8230; Uma das experiências analisada no texto tentou superar estes limites justamente no momento em que aproveitou uma das demandas de seus adversários e colocou-a para jogar em seu favor, atraindo solidariedade e justificando de modo muito forte a legitimidade do movimento. Como nas lutas sociais isto nunca está dado de uma vez por todas, e não acompanhei o desenrolar dos fatos por estar muito longe daí, é possível que os adversários tenham pensado em novas estratégias diante da reviravolta que sofreram, é possível também que a nova estratégia dos ocupantes ainda esteja em curso&#8230; Mas o que importa é que saíram do previsível, ampliaram as possibilidades de participação na luta e, com isso, legitimaram-se.</p>
<p>Daí a separação, a meu ver muito correta, entre a autogestão &#8220;possível&#8221; e a autogestão &#8220;necessária&#8221;. Entre o que se pode alcançar em determinado momento a partir da iniciativa e experiência dos ocupantes, e o que se pode alcançar quando inovam, quando viram a mesa, quando chamam outros companheiros para a luta, quando saem dos limites da escola.</p>
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