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	Comentários sobre: Voto Brexit: outro sinal de agravamento da crise do capitalismo global	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: Virgin again		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Virgin again]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Jul 2016 23:09:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;É um círculo vicioso que transforma o espectro do nacionalismo em ascensão em outra ameaça ao futuro da humanidade&quot;

Talvez o destaque acima caiba um pouco mais de análise e, para tanto, nos socorremos na história, tentando respeitar, obviamente, as peculiaridades do tempo presente. Segundo João Bernardo:

Os interesses sociais convergentes do campo aliado e do campo fascista são revelados pela estratégia seguida pelos bombardeamentos aéreos aliados.  «Com efeito, é um facto de importância capital, e que domina toda a economia alemã de hoje, que os bombardeamentos tivessem sido muito mais sensíveis sobre as cidades e os nós de comunicação do que sobre as forças produtivas. […] Assim – constatação primordial e novo paradoxo da Alemanha do pós-guerra – a indústria pesada, base essencial da indústria de guerra, saía do conflito menos atingida do que qualquer outra. Calcula-se até que a Alemanha possuía ainda em 1945 o segundo equipamento mundial em máquinas-utensílios, logo a seguir ao dos Estados Unidos […] Esta situação das estruturas de produção, que foram relativamente poupadas, contrastava com as destruições muito mais graves dos meios de comunicação. […] Mas nenhumas ruínas se comparavam às das grandes cidades. […] viu-se que era sobretudo eficaz, para atingir uma indústria, visar o pessoal, mais do que o material». (João Bernardo - INTERNACIONALIZAÇÃO DOS CAPITALISTAS E FRAGMENTAÇÃO DOS TRABALHADORES - disponível em https://comunism0.wordpress.com/internacionalizacao-dos-capitalistas-e-fragmentacao-dostrabalhadores/).

Assim, embora as bombas não sejam lançadas como outrora (em &quot;termos&quot;...), mas as forças produtivas materiais continuem a prevalecer sobre as humanas, penso eu que o Brexit,  se entendido como uma possível ruptura (stricto ou/e latu sensu), significaria uma espécie de “revolta no interior da coesão” (João Bernardo – Labirintos do Fascismo, p. 12), “a mesmo tempo radical”(JB, p.12) na aparência (ainda que esta radicalidade se manifeste em ações e reações reais, inclusive violentas) e &quot;conservadora&quot;(JB, p. 12) na essência (não só mantendo o capitalismo, mas, inclusive, ampliando-o, que é um de seus princípios basilares). Este passo (talvez o precursor) seria a concretização de um caminho que se desenha já não é de hoje e cuja gestação é “coletiva” (tanto no campo da geografia política/burguesa, como no campo sindical/trabalhadores, portanto gestacionada na luta de classes - por isso o excerto acima). “Os gestores do capital (que possuem o monopólio direto ou indireto de todas as superestruturas) não nasceram ontem…!  Se os “investidores” são avessos a riscos, se a Grande Bretanha é uma das maiores potências econômicas do mundo, se metade de seu comércio era (ainda é) realizado com a UE, se quase metade da população era contra e Brexit, etc, etc, etc, alguém acredita que foi a DEMOCRACIA (“coincidentemente” liberal e burguesa...)  que jogou tudo isso para o alto, assim, mansa a pacificamente? A forma mercadoria é só uma das formas de circulação do capital. Se mesmo durante a segunda guerra o capital foi capaz de circular em (relativa) paz (como no caso do Banco de Pagamentos Internacionais), seria diferente agora ou no futuro?”

Por isso, nesse momento, os nacionalismos, embora contenham de fato um forte “sentimento” popular (ao menos em uma parte considerável da população), e, portanto, reacionário,  eles (os nacionalismos) me parecem mais uma ação (talvez ainda não bem articulada, mas que parece caminhar neste sentido) determinada pela gigantesca crise do capital em seu próprio favor. Talvez não seja o capital se apropriando dos nacionalismos, mas o próprio capital produzindo nacionalismo, num movimento contraditório (combinado e desigual), mas possível. 

Se eu não estiver equivocado na tentativa de  parafrasear o João Bernardo, os nacionalismos hoje (assim como foi  &quot;existência do fascismo&quot; - JB, p.48) “permitirá ao capitalismo democrático refazer  uma virgindade, disfarçando as suas formas próprias de autoritarismo, directamente empresariais, e encobrindo todos os vínculos económicos e políticos que têm sempre ligado as várias modalidades de realização do capital&quot; (Labirintos do Fascismo- João Bernardo, p. 48)

Por isso, neste sentido, a tempestade tende a desabar não sobre toda humanidade, mas sobre uma classe social certa e determinada, a classe trabalhadora. Ainda que a chuva possa causar alguns respingos entre os capitalistas, a conta a ser  paga (que na verdade já vem sendo paga e que ficará cada vez mais cara...) tem endereço certo, os trabalhadores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;É um círculo vicioso que transforma o espectro do nacionalismo em ascensão em outra ameaça ao futuro da humanidade&#8221;</p>
<p>Talvez o destaque acima caiba um pouco mais de análise e, para tanto, nos socorremos na história, tentando respeitar, obviamente, as peculiaridades do tempo presente. Segundo João Bernardo:</p>
<p>Os interesses sociais convergentes do campo aliado e do campo fascista são revelados pela estratégia seguida pelos bombardeamentos aéreos aliados.  «Com efeito, é um facto de importância capital, e que domina toda a economia alemã de hoje, que os bombardeamentos tivessem sido muito mais sensíveis sobre as cidades e os nós de comunicação do que sobre as forças produtivas. […] Assim – constatação primordial e novo paradoxo da Alemanha do pós-guerra – a indústria pesada, base essencial da indústria de guerra, saía do conflito menos atingida do que qualquer outra. Calcula-se até que a Alemanha possuía ainda em 1945 o segundo equipamento mundial em máquinas-utensílios, logo a seguir ao dos Estados Unidos […] Esta situação das estruturas de produção, que foram relativamente poupadas, contrastava com as destruições muito mais graves dos meios de comunicação. […] Mas nenhumas ruínas se comparavam às das grandes cidades. […] viu-se que era sobretudo eficaz, para atingir uma indústria, visar o pessoal, mais do que o material». (João Bernardo &#8211; INTERNACIONALIZAÇÃO DOS CAPITALISTAS E FRAGMENTAÇÃO DOS TRABALHADORES &#8211; disponível em <a href="https://comunism0.wordpress.com/internacionalizacao-dos-capitalistas-e-fragmentacao-dostrabalhadores/" rel="nofollow ugc">https://comunism0.wordpress.com/internacionalizacao-dos-capitalistas-e-fragmentacao-dostrabalhadores/</a>).</p>
<p>Assim, embora as bombas não sejam lançadas como outrora (em &#8220;termos&#8221;&#8230;), mas as forças produtivas materiais continuem a prevalecer sobre as humanas, penso eu que o Brexit,  se entendido como uma possível ruptura (stricto ou/e latu sensu), significaria uma espécie de “revolta no interior da coesão” (João Bernardo – Labirintos do Fascismo, p. 12), “a mesmo tempo radical”(JB, p.12) na aparência (ainda que esta radicalidade se manifeste em ações e reações reais, inclusive violentas) e &#8220;conservadora&#8221;(JB, p. 12) na essência (não só mantendo o capitalismo, mas, inclusive, ampliando-o, que é um de seus princípios basilares). Este passo (talvez o precursor) seria a concretização de um caminho que se desenha já não é de hoje e cuja gestação é “coletiva” (tanto no campo da geografia política/burguesa, como no campo sindical/trabalhadores, portanto gestacionada na luta de classes &#8211; por isso o excerto acima). “Os gestores do capital (que possuem o monopólio direto ou indireto de todas as superestruturas) não nasceram ontem…!  Se os “investidores” são avessos a riscos, se a Grande Bretanha é uma das maiores potências econômicas do mundo, se metade de seu comércio era (ainda é) realizado com a UE, se quase metade da população era contra e Brexit, etc, etc, etc, alguém acredita que foi a DEMOCRACIA (“coincidentemente” liberal e burguesa&#8230;)  que jogou tudo isso para o alto, assim, mansa a pacificamente? A forma mercadoria é só uma das formas de circulação do capital. Se mesmo durante a segunda guerra o capital foi capaz de circular em (relativa) paz (como no caso do Banco de Pagamentos Internacionais), seria diferente agora ou no futuro?”</p>
<p>Por isso, nesse momento, os nacionalismos, embora contenham de fato um forte “sentimento” popular (ao menos em uma parte considerável da população), e, portanto, reacionário,  eles (os nacionalismos) me parecem mais uma ação (talvez ainda não bem articulada, mas que parece caminhar neste sentido) determinada pela gigantesca crise do capital em seu próprio favor. Talvez não seja o capital se apropriando dos nacionalismos, mas o próprio capital produzindo nacionalismo, num movimento contraditório (combinado e desigual), mas possível. </p>
<p>Se eu não estiver equivocado na tentativa de  parafrasear o João Bernardo, os nacionalismos hoje (assim como foi  &#8220;existência do fascismo&#8221; &#8211; JB, p.48) “permitirá ao capitalismo democrático refazer  uma virgindade, disfarçando as suas formas próprias de autoritarismo, directamente empresariais, e encobrindo todos os vínculos económicos e políticos que têm sempre ligado as várias modalidades de realização do capital&#8221; (Labirintos do Fascismo- João Bernardo, p. 48)</p>
<p>Por isso, neste sentido, a tempestade tende a desabar não sobre toda humanidade, mas sobre uma classe social certa e determinada, a classe trabalhadora. Ainda que a chuva possa causar alguns respingos entre os capitalistas, a conta a ser  paga (que na verdade já vem sendo paga e que ficará cada vez mais cara&#8230;) tem endereço certo, os trabalhadores.</p>
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