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	Comentários sobre: A esquerda mal educada	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/07/108872/#comment-311876</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Aug 2016 09:52:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas,
você me mostrou que curvei a vara demais no meu contraponto ao Arabel. Quando falo de começar do zero estou mais querendo por em dúvida as respostas teóricas e organizativas à disposição no menu das organizações de esquerda, que estão tendo as fileiras engrossadas pela turma insatisfeita com os problemas do tal campo autônomo, do que, claro, falando pra reinventarmos uma nova roda esquecendo todo um legado teórico que não é de Lenin e Trotsky e Pannekoek ou quem seja, mas dos trabalhadores que lutaram na época deles e cuja prática iluminou o caminho das formulações teóricas deles.
E sim, o central a se criar são práticas autônomas de classe, e não fortalecer o campo autônomo tardoanarquista ou tardoconselhista ou campo democrático-popular tardosocialdemocrata ou campo tardobolchevique. O que está no pano de fundo aqui é o meio mais eficaz para tal. Arabel está acentuando a importância de uma organização permanente e da disputa com outras forças sociais na política de agora. Eu estou ressaltando os problemas das respostas que temos e aí elogio quem está tentando algo novo, mesmo que não seja tão novo assim. Por isso brinquei sobre um pessimismo adorniano, que vc desenvolveu no sentido de uma defesa problemática da hesitação. Enfim, concordo com a questão da paciência, o curioso é que (Arabel me corrija) tanto eu quanto Arabel estamos pensando nela quando defendemos o que defendemos. Ele defendendo a importância de estar organizado permanentemente e eu os limites de se organizar assim enquanto vigora a estratégia e o tempo histórico da fragmentação (daí o trunfo das organizações efêmeras). Também concordamos que para sair de onde estamos só a prática pode resolver, mas também é preciso crítica e realismo, mesmo quando isso traz o perigo de se condenar à impotência e perder o bonde histórico e as oportunidades de se organizar e lutar agora com as armas que se tem. Isso, aliás, me lembra de ressaltar uma questão. Esses debates aqui sobre estratégia são um exercício de crítica para mantermos os pés no realismo histórico em termos de estratégias de longo prazo. No curto prazo estamos todos mais ou menos nas mesmas fileiras fazendo a luta do jeito que der, mesmo que uns mais descrentes e outros mais esperançosos quanto a um ou outro elemento da luta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,<br />
você me mostrou que curvei a vara demais no meu contraponto ao Arabel. Quando falo de começar do zero estou mais querendo por em dúvida as respostas teóricas e organizativas à disposição no menu das organizações de esquerda, que estão tendo as fileiras engrossadas pela turma insatisfeita com os problemas do tal campo autônomo, do que, claro, falando pra reinventarmos uma nova roda esquecendo todo um legado teórico que não é de Lenin e Trotsky e Pannekoek ou quem seja, mas dos trabalhadores que lutaram na época deles e cuja prática iluminou o caminho das formulações teóricas deles.<br />
E sim, o central a se criar são práticas autônomas de classe, e não fortalecer o campo autônomo tardoanarquista ou tardoconselhista ou campo democrático-popular tardosocialdemocrata ou campo tardobolchevique. O que está no pano de fundo aqui é o meio mais eficaz para tal. Arabel está acentuando a importância de uma organização permanente e da disputa com outras forças sociais na política de agora. Eu estou ressaltando os problemas das respostas que temos e aí elogio quem está tentando algo novo, mesmo que não seja tão novo assim. Por isso brinquei sobre um pessimismo adorniano, que vc desenvolveu no sentido de uma defesa problemática da hesitação. Enfim, concordo com a questão da paciência, o curioso é que (Arabel me corrija) tanto eu quanto Arabel estamos pensando nela quando defendemos o que defendemos. Ele defendendo a importância de estar organizado permanentemente e eu os limites de se organizar assim enquanto vigora a estratégia e o tempo histórico da fragmentação (daí o trunfo das organizações efêmeras). Também concordamos que para sair de onde estamos só a prática pode resolver, mas também é preciso crítica e realismo, mesmo quando isso traz o perigo de se condenar à impotência e perder o bonde histórico e as oportunidades de se organizar e lutar agora com as armas que se tem. Isso, aliás, me lembra de ressaltar uma questão. Esses debates aqui sobre estratégia são um exercício de crítica para mantermos os pés no realismo histórico em termos de estratégias de longo prazo. No curto prazo estamos todos mais ou menos nas mesmas fileiras fazendo a luta do jeito que der, mesmo que uns mais descrentes e outros mais esperançosos quanto a um ou outro elemento da luta.</p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/07/108872/#comment-311872</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Aug 2016 02:23:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lenin e Trotsky também buscaram entender o Pokemon GO de suas épocas, interpretar as novas formas do desenvolvimento econômico. É mais, em seu tempo mesmo já não faltava gente criticando suas propostas e práticas organizativas, por diferentes esquerdas.
A ideia, mesmo que dubitativa, de começar do zero pode servir à retórica, mas não pode servir para avançar em um projeto emancipatório. Especialmente se somos gente que já leu tantas dequelas crítica. 
Também me parece estranha a ideia de que um &quot;campo autônomo&quot; viria algum dia a existir. Onde e quando isso já existiu? E alias, estamos falando de &quot;organizações autônomas&quot; ou de práticas autônomas da classe?
Vale também pensar a respeito das tais &quot;saídas inovadoras&quot; e contextualizá-las, pois a fragmentação também pode ser uma opção da análise. Se trata de uma vanguarda clássica ou de pessoas que inventaram o novo? Assim pareceria ser fácil produzir o ineditismo de práticas históricas intercontinentais. (como é fácil também categorizar qualquer coisa como vanguarda clássica sem atentar para o particular).
Entendo o momento importante do fragmentário, mas se ele não aponta a um outro movimento, me parece perder toda a potência, e nesse caso não se trataria de paciência, mas de hesitação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lenin e Trotsky também buscaram entender o Pokemon GO de suas épocas, interpretar as novas formas do desenvolvimento econômico. É mais, em seu tempo mesmo já não faltava gente criticando suas propostas e práticas organizativas, por diferentes esquerdas.<br />
A ideia, mesmo que dubitativa, de começar do zero pode servir à retórica, mas não pode servir para avançar em um projeto emancipatório. Especialmente se somos gente que já leu tantas dequelas crítica.<br />
Também me parece estranha a ideia de que um &#8220;campo autônomo&#8221; viria algum dia a existir. Onde e quando isso já existiu? E alias, estamos falando de &#8220;organizações autônomas&#8221; ou de práticas autônomas da classe?<br />
Vale também pensar a respeito das tais &#8220;saídas inovadoras&#8221; e contextualizá-las, pois a fragmentação também pode ser uma opção da análise. Se trata de uma vanguarda clássica ou de pessoas que inventaram o novo? Assim pareceria ser fácil produzir o ineditismo de práticas históricas intercontinentais. (como é fácil também categorizar qualquer coisa como vanguarda clássica sem atentar para o particular).<br />
Entendo o momento importante do fragmentário, mas se ele não aponta a um outro movimento, me parece perder toda a potência, e nesse caso não se trataria de paciência, mas de hesitação.</p>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/07/108872/#comment-311856</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2016 22:45:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Arabel, boas questões, especialmente nessa parte final, sobre fragmentação e organização permanente. O campo &quot;autônomo&quot;, em sua descontinuidade tal que não chega nem a ser nem um &quot;campo&quot; ainda, não é o único ator, concordo, mas é um dos poucos que tenta fazer algo para fora das regras do jogo prestabelecidas. E quando não dá respostas novas pelo menos ensaia formulações novas dos problemas, o que pra mim vale mais que todo o esforço hercúleo das organizações clássicas, que pelejam para se reinventar sem perder a identidade e a continuidade para com o legado de lutas e teórico-político que representam. O que eu sugiro é que há um script histórico, um roteiro de atuação das organizações anticapitalistas, e esses outros atores que você coloca que podem ganhar referência e organizar a base e etc vão seguir esse script, pq não depende de forjarem uma plataforma ideológica mais radical e sim de responderem a imperativos objetivos da história, da economia. Em alguma medida eu acabo dizendo nas entrelinhas que se deixe eles ocuparem o vácuo e fazerem a política deles. É um lavar as mãos meio pessimista, talvez meu destino seja virar um adorniano amargo, quem sabe. Tomara que não. Tomara que o movimento da classe aponte saídas para a encalacrada histórica que estamos metidos. O que eu venho dizendo é que a fragmentação é uma condição do nosso tempo histórico, uma determinação objetiva, inescapável, não é um defeito político ou ideológico das lutas que os atores competem para ver quem vai ganhar, quem vai conseguir solucionar primeiro. Quem vai conseguir reatar a unidade das lutas etc. Não sei nem se a fragmentação é um problema a ser solucionado, entende? Claro que tem determinações sistêmicas que a gente pode previsualizar que impõem certas soluções, por exemplo, o anticapitalismo tem que ser internacionalista, pq o capital é global e não é possível superá-lo num só canto do mundo. Mas internacionalismo e fragmentação são absolutamente antagônicos? Não sei. E não sei mesmo. Tem muita coisa sendo inventada, sendo testada por aí. A questão é que a gente tá num tempo histórico em que só dá pra ter certeza do que não fazer. O resto é lucro, é aprendizado para a classe em seu fazer-se classe. O duro é que é um aprendizado enquanto é esfolada viva, enquanto é esculachada e exterminada. A dinâmica capitalista conseguiu ao longo dos séculos assimilar lucrativamente nossas formas de lutas; a gente tem que criar novas, talvez desde o zero, ou seja, pro lixo Lenin, Trotsky e tudo quanto é gente que falou sobre formas de organização na luta contra o capital de antigamente. Aliás o próprio Capitalismo é tão diferente hoje do que era quando essa turma formulou as saídas políticas que mesmo Marx e os que expuseram a crítica da economia política precisam ser reavaliados para ver o que é vivo e o que apodreceu com as traças. Repensar a lei do valor em tempos de POKEMON GO. Repensar as formas de luta em tempos de Facebook e drones. O elogio que faço não é à fragmentação e sim aos que ensaiam saídas inovadoras, embora ainda precárias, para os dilemas novos e velhos dos conflitos sociais atuais. Nos trombamos por aí.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Arabel, boas questões, especialmente nessa parte final, sobre fragmentação e organização permanente. O campo &#8220;autônomo&#8221;, em sua descontinuidade tal que não chega nem a ser nem um &#8220;campo&#8221; ainda, não é o único ator, concordo, mas é um dos poucos que tenta fazer algo para fora das regras do jogo prestabelecidas. E quando não dá respostas novas pelo menos ensaia formulações novas dos problemas, o que pra mim vale mais que todo o esforço hercúleo das organizações clássicas, que pelejam para se reinventar sem perder a identidade e a continuidade para com o legado de lutas e teórico-político que representam. O que eu sugiro é que há um script histórico, um roteiro de atuação das organizações anticapitalistas, e esses outros atores que você coloca que podem ganhar referência e organizar a base e etc vão seguir esse script, pq não depende de forjarem uma plataforma ideológica mais radical e sim de responderem a imperativos objetivos da história, da economia. Em alguma medida eu acabo dizendo nas entrelinhas que se deixe eles ocuparem o vácuo e fazerem a política deles. É um lavar as mãos meio pessimista, talvez meu destino seja virar um adorniano amargo, quem sabe. Tomara que não. Tomara que o movimento da classe aponte saídas para a encalacrada histórica que estamos metidos. O que eu venho dizendo é que a fragmentação é uma condição do nosso tempo histórico, uma determinação objetiva, inescapável, não é um defeito político ou ideológico das lutas que os atores competem para ver quem vai ganhar, quem vai conseguir solucionar primeiro. Quem vai conseguir reatar a unidade das lutas etc. Não sei nem se a fragmentação é um problema a ser solucionado, entende? Claro que tem determinações sistêmicas que a gente pode previsualizar que impõem certas soluções, por exemplo, o anticapitalismo tem que ser internacionalista, pq o capital é global e não é possível superá-lo num só canto do mundo. Mas internacionalismo e fragmentação são absolutamente antagônicos? Não sei. E não sei mesmo. Tem muita coisa sendo inventada, sendo testada por aí. A questão é que a gente tá num tempo histórico em que só dá pra ter certeza do que não fazer. O resto é lucro, é aprendizado para a classe em seu fazer-se classe. O duro é que é um aprendizado enquanto é esfolada viva, enquanto é esculachada e exterminada. A dinâmica capitalista conseguiu ao longo dos séculos assimilar lucrativamente nossas formas de lutas; a gente tem que criar novas, talvez desde o zero, ou seja, pro lixo Lenin, Trotsky e tudo quanto é gente que falou sobre formas de organização na luta contra o capital de antigamente. Aliás o próprio Capitalismo é tão diferente hoje do que era quando essa turma formulou as saídas políticas que mesmo Marx e os que expuseram a crítica da economia política precisam ser reavaliados para ver o que é vivo e o que apodreceu com as traças. Repensar a lei do valor em tempos de POKEMON GO. Repensar as formas de luta em tempos de Facebook e drones. O elogio que faço não é à fragmentação e sim aos que ensaiam saídas inovadoras, embora ainda precárias, para os dilemas novos e velhos dos conflitos sociais atuais. Nos trombamos por aí.</p>
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		<title>
		Por: Arabel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/07/108872/#comment-311799</link>

		<dc:creator><![CDATA[Arabel]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2016 17:52:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acho que tem 3 coisas importantes sobre a questão dos comites de fabricas e as ocupações, sobre os dois terem ou não um carater de dualidade de poderes como os soviets.
A dualidade de poderes, quando é formulada, se coloca nas perspectivas não de orgãos para elementos parciais da sociedade (como algo colocado nas escolas ou no exercito), a dualidade de poderes é a existencia de um poder paralelo ao do Estado/capital e que envolve a questão da gestão de toda a sociedade e a caracterização do duplo poder que foi popularizada tem 3 pontos
&quot;1)a fonte do poder não está numa lei previamente discutida e aprovada pelo parlamento mas na iniciativa directa das massas populares partindo de baixo e à escala local, na «conquista» directa, para empregar uma expressão corrente;
2)a substituição da polícia e do exército, como instituições separadas do povo e opostas ao povo, pelo armamento directo de todo o povo; com este poder a ordem pública é mantida pelos próprios operários e camponeses armados, pelo próprio povo armado;
3)o funcionalismo, a burocracia ou são substituídos também pelo poder imediato do próprio povo ou, pelo menos, colocados sob um controlo especial, transformam-se em pessoas não só elegíveis mas exoneráveis à primeira exigência do povo, reduzem-se à situação de simples representantes; transformam-se de camada privilegiada, com «lugarzinhos» de remuneração elevada, burguesa, em operários de uma «arma» especial, cuja remuneração não exceda o salário normal de um bom operário.&quot;

Dentro dessas perspectivas, estão colocados os elementos de pra ruptura e substituição do Estado e da gestão do capital a partir da existencia orgãos que disputam a organização de toda a sociedade junto com toda a população estar em armas e colocando em choque o monopolio da violencia e o aparato repressivo do Estado.

A segunda coisa é que quando trotsky colocava essa questão, tem em vista elementos conjunturais bastante importantes, a abertura de uma conjuntura revolucionaria internacionalmente, ondas de ocupações de fabricas por alguns paises, e coloca justamente que esses comites de fabrica abrem as perspectivas de uma situação revolucionaria ou minimamente pré-revolucionaria ao colocar em questão o controle das fabricas dentro de uma conjuntura especifica. A analise dele sobre os comites de fabrica nesse momento são formuladas inserindo a sua relação com a conjuntura geral da classe, a luta dos estudantes simplesmente não iria abrir uma situação revolucionaria ou pré-revolucionaria e muito dificilmente iria se expandir para o resto da sociedade naquele momento.

E o terceiro é uma discussão feita pelos setores que sobraram dos Espartaquistas depois do fim da revolução alemã. Durante o ultimo enfrentamento da revolução alemã, os dirigentes russos da Internacional comunista vão dar o aval para esse enfrentamento enquanto algumas questão estavam colocadas como problematicas abertas. Uma delas é se os comites de fabrica existentes na Alemanha poderiam cumprir um papel semelhante aos soviets na Russia, os russos vão dizer que sim. Essa é a posição que Trotsky vai manter até o final da vida ao que eu saiba e que vai seguir expressando ao falar sobre as dualidade de poderes das comissões de fabrica.
Parte dos camaradas de ex-organização da rosa que sobraram (2 dos quais estavam na direção do partido e que vão ser responsabilidados pela derrota) em um balanço retrospectivo vão analisar que esse foi um dos elementos de erro importantes para a derrota alemã. Em uma citação de 1925 que eles compartilham:
“Na opinião do camarada Trotsky era certo que os Sovietes foram substituídos por Conselhos de Empresas. Na realidade esses Conselhos não eram uma compensação, sendo que não representavam a massa toda, incluindo a mais atrasa da e mais indiferente, como fizeram os Sovietes em momentos críticos e tensos da luta de classes.”
Enfim, os comites de fabrica só representavam a vanguarda de um setor, não todo esse setor, e tambem não toda a sociedade (e nisso se assemelham com o role das escolas, mas mesmo com isso, os comites estão em lugares completamente centrais para produção da vida no curto-médio prazo, diferentemente das escolas)

Criticando muito essa questão de ver as ocupações enquanto duplo poder porque essa caracterização pode muito facilmente cair no que uns trotskystas comentaristas de luta de classes defenderam, que o problema de todo o processo foi o não aprofundamento do processo de duplo poder nas ocupações de escola (tomando e gerindo elas efetivamente e não simplesmente ficando em meios termos?)
As ocupações foram uma tática de luta importante em diversos pontos, tática que criou espaços de base para discussão e encaminhamentos (mas não em todas as escolas) e tambem colocou em critica a gestão do dia a dia da escola, mas pelo setor onde foram realizadas, pela conjuntura e movimentações do resto da sociedade se colocava fora de questão a consolidação e o alastramento de novas relações socias, essas questões simplesmente não podem ser disassociadas para se fazer a analise. Era uma tática que só podia ser transitória durante um processo de luta e que tras elementos bastante interessantes em si mas não poderia ser muito mais do que isso.

----------

Por ultimo, sobre a fragmentação, é importante acentuar muito fortemente que não é só um dos lados que move as peças. Aceitar os tempos de fragmentação e acreditar que uma base permanentemente organizada, nesses tempos, é algo a não se ter, que isso é não gerar lideranças a serem cooptadas e que portanto o atrelamento em relação ao Estado, ao reformismo e ao capital não vão acontecer é acreditar que o campo &quot;autonomo&quot; em sua descontinuidade organizativa é o unico ator.
Não existe vazio estavel politicamente, se esse campo não organiza permanentemente na base, alguem vai organizar e vai ganhar referencia, como a renovação da UJS/PC do B que até então era inexistente no movimento secundarista e a referencia que conseguiram pela ocupação da ALESP e a CPI da merenda apresentadas por eles, o resurgimento da UMES/MR8 com inserção em escolas e o PCR que tem ganhando bastante gente das escolas, principalmente técnicas, nos ultimos tempos.
Não ter perspectiva de organização continua é na prática deixar completamente o terreno para que essas organizações sejam quem superou os tempos de fragmentação, e de que adiantou então a perspectiva de um não atrelamento episódico durante uma luta se, durante mais um periodo da esquerda, o atrelamento reaparecer pela referencia e organicidade que a UJS/MR8/PCR estão avançando em construir nas bases.

Reconhecer os limites e a problemática do nosso tempo é central, mas só para poder manter a atuação voltada ainda para um horizonte organizativo permanente e continuo, com todos os problemas que isso tras, com o retorno não tão grande que isso vai ter por algum tempo(e por isso é importante pensar muito bem essa atuação) e poder fazer esse não atrelamento conjuntural de uma luta se tornar um não atrelamento de pelo menos um periodo historico.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que tem 3 coisas importantes sobre a questão dos comites de fabricas e as ocupações, sobre os dois terem ou não um carater de dualidade de poderes como os soviets.<br />
A dualidade de poderes, quando é formulada, se coloca nas perspectivas não de orgãos para elementos parciais da sociedade (como algo colocado nas escolas ou no exercito), a dualidade de poderes é a existencia de um poder paralelo ao do Estado/capital e que envolve a questão da gestão de toda a sociedade e a caracterização do duplo poder que foi popularizada tem 3 pontos<br />
&#8220;1)a fonte do poder não está numa lei previamente discutida e aprovada pelo parlamento mas na iniciativa directa das massas populares partindo de baixo e à escala local, na «conquista» directa, para empregar uma expressão corrente;<br />
2)a substituição da polícia e do exército, como instituições separadas do povo e opostas ao povo, pelo armamento directo de todo o povo; com este poder a ordem pública é mantida pelos próprios operários e camponeses armados, pelo próprio povo armado;<br />
3)o funcionalismo, a burocracia ou são substituídos também pelo poder imediato do próprio povo ou, pelo menos, colocados sob um controlo especial, transformam-se em pessoas não só elegíveis mas exoneráveis à primeira exigência do povo, reduzem-se à situação de simples representantes; transformam-se de camada privilegiada, com «lugarzinhos» de remuneração elevada, burguesa, em operários de uma «arma» especial, cuja remuneração não exceda o salário normal de um bom operário.&#8221;</p>
<p>Dentro dessas perspectivas, estão colocados os elementos de pra ruptura e substituição do Estado e da gestão do capital a partir da existencia orgãos que disputam a organização de toda a sociedade junto com toda a população estar em armas e colocando em choque o monopolio da violencia e o aparato repressivo do Estado.</p>
<p>A segunda coisa é que quando trotsky colocava essa questão, tem em vista elementos conjunturais bastante importantes, a abertura de uma conjuntura revolucionaria internacionalmente, ondas de ocupações de fabricas por alguns paises, e coloca justamente que esses comites de fabrica abrem as perspectivas de uma situação revolucionaria ou minimamente pré-revolucionaria ao colocar em questão o controle das fabricas dentro de uma conjuntura especifica. A analise dele sobre os comites de fabrica nesse momento são formuladas inserindo a sua relação com a conjuntura geral da classe, a luta dos estudantes simplesmente não iria abrir uma situação revolucionaria ou pré-revolucionaria e muito dificilmente iria se expandir para o resto da sociedade naquele momento.</p>
<p>E o terceiro é uma discussão feita pelos setores que sobraram dos Espartaquistas depois do fim da revolução alemã. Durante o ultimo enfrentamento da revolução alemã, os dirigentes russos da Internacional comunista vão dar o aval para esse enfrentamento enquanto algumas questão estavam colocadas como problematicas abertas. Uma delas é se os comites de fabrica existentes na Alemanha poderiam cumprir um papel semelhante aos soviets na Russia, os russos vão dizer que sim. Essa é a posição que Trotsky vai manter até o final da vida ao que eu saiba e que vai seguir expressando ao falar sobre as dualidade de poderes das comissões de fabrica.<br />
Parte dos camaradas de ex-organização da rosa que sobraram (2 dos quais estavam na direção do partido e que vão ser responsabilidados pela derrota) em um balanço retrospectivo vão analisar que esse foi um dos elementos de erro importantes para a derrota alemã. Em uma citação de 1925 que eles compartilham:<br />
“Na opinião do camarada Trotsky era certo que os Sovietes foram substituídos por Conselhos de Empresas. Na realidade esses Conselhos não eram uma compensação, sendo que não representavam a massa toda, incluindo a mais atrasa da e mais indiferente, como fizeram os Sovietes em momentos críticos e tensos da luta de classes.”<br />
Enfim, os comites de fabrica só representavam a vanguarda de um setor, não todo esse setor, e tambem não toda a sociedade (e nisso se assemelham com o role das escolas, mas mesmo com isso, os comites estão em lugares completamente centrais para produção da vida no curto-médio prazo, diferentemente das escolas)</p>
<p>Criticando muito essa questão de ver as ocupações enquanto duplo poder porque essa caracterização pode muito facilmente cair no que uns trotskystas comentaristas de luta de classes defenderam, que o problema de todo o processo foi o não aprofundamento do processo de duplo poder nas ocupações de escola (tomando e gerindo elas efetivamente e não simplesmente ficando em meios termos?)<br />
As ocupações foram uma tática de luta importante em diversos pontos, tática que criou espaços de base para discussão e encaminhamentos (mas não em todas as escolas) e tambem colocou em critica a gestão do dia a dia da escola, mas pelo setor onde foram realizadas, pela conjuntura e movimentações do resto da sociedade se colocava fora de questão a consolidação e o alastramento de novas relações socias, essas questões simplesmente não podem ser disassociadas para se fazer a analise. Era uma tática que só podia ser transitória durante um processo de luta e que tras elementos bastante interessantes em si mas não poderia ser muito mais do que isso.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Por ultimo, sobre a fragmentação, é importante acentuar muito fortemente que não é só um dos lados que move as peças. Aceitar os tempos de fragmentação e acreditar que uma base permanentemente organizada, nesses tempos, é algo a não se ter, que isso é não gerar lideranças a serem cooptadas e que portanto o atrelamento em relação ao Estado, ao reformismo e ao capital não vão acontecer é acreditar que o campo &#8220;autonomo&#8221; em sua descontinuidade organizativa é o unico ator.<br />
Não existe vazio estavel politicamente, se esse campo não organiza permanentemente na base, alguem vai organizar e vai ganhar referencia, como a renovação da UJS/PC do B que até então era inexistente no movimento secundarista e a referencia que conseguiram pela ocupação da ALESP e a CPI da merenda apresentadas por eles, o resurgimento da UMES/MR8 com inserção em escolas e o PCR que tem ganhando bastante gente das escolas, principalmente técnicas, nos ultimos tempos.<br />
Não ter perspectiva de organização continua é na prática deixar completamente o terreno para que essas organizações sejam quem superou os tempos de fragmentação, e de que adiantou então a perspectiva de um não atrelamento episódico durante uma luta se, durante mais um periodo da esquerda, o atrelamento reaparecer pela referencia e organicidade que a UJS/MR8/PCR estão avançando em construir nas bases.</p>
<p>Reconhecer os limites e a problemática do nosso tempo é central, mas só para poder manter a atuação voltada ainda para um horizonte organizativo permanente e continuo, com todos os problemas que isso tras, com o retorno não tão grande que isso vai ter por algum tempo(e por isso é importante pensar muito bem essa atuação) e poder fazer esse não atrelamento conjuntural de uma luta se tornar um não atrelamento de pelo menos um periodo historico.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/07/108872/#comment-311665</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Aug 2016 14:40:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[lógica retórica dialética &#038; outros bichos
OXE! Guentar nóis guenta, inclusive esse camões: [;-)}] ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>lógica retórica dialética &amp; outros bichos<br />
OXE! Guentar nóis guenta, inclusive esse camões: [;-)}] &#8230;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/07/108872/#comment-311663</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2016 19:52:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=108872#comment-311663</guid>

					<description><![CDATA[Caro Felipe, vamos lá, na ordem em que você comentou:

O tal “campo democrático-popular” é o maior responsável pelo trabalho de base nas periferias, ok. Já pelo &quot;desenvolvimento de lutas nas periferias&quot; não estou tão certo. O método demopop desloca os conflitos emergentes e as organizações que brotam diretamente para o bojo do Estado e seus mecanismos de diálogo. Ele não desenvolve luta, ele suprime ela. É a contrarrevolução preventiva e permanente em prática. Eficaz ao ponto da &quot;revolução&quot; não estar sequer no horizonte de perspectivas dos trabalhadores. Eficaz ao ponto de a revolução, mesmo especificamente no campo, der dado lugar, no MST, a técnicas de diálogo com o Estado visando melhorar a produtividade dos assentamentos e negociações com distribuidoras de produtos agroecològicos e orgânicos. Veja a série MST S.A, aqui: http://www.passapalavra.info/2013/04/75172. O trabalho de base feito até hoje pelo demopop é um dos pressupostos para o pacto social: a classe precisa estar organizada e ser mobilizável a qualquer momento para que o demopop possa se legitimar enquanto melhor gestor do Estado e dos conflitos sociais, tudo em pró do capital e dos interesses politicos e econômicos das organizações assimiladas. 
Sim, com certeza &quot;influenciada pelas organizações desse “campo democrático-popular” existe toda uma massa de pessoas verdadeiramente preocupada com o trabalho de base e em travar as lutas específicas da classe trabalhadora&quot;, numa relação complexa, certamente. Sim, &quot;talvez muitas dessas pessoas pudessem passar para o campo autônomo&quot;, mas a culpa de não passarem não está o fato de serem &quot;reiteradamente acusadas de serem um mal absoluto para as lutas da classe&quot;. Já ouvi que gentileza gera gentileza, é a primeira vez que ouço que gentileza gera radicalização dos posicionamentos políticos. Quem não muda sua prática social para um rumo mais crítico da ordem o faz não porque é criticado e sim porque não ouve as críticas, e não ouve porque não tem interesse material em ouvir. Além disso &quot;convencer é infrutífero&quot;, como diz o W.Benjamin. Mas há nesse seu apontamento uma questão que logo depois se explicita: seu interesse, dado como pressuposto inquestionável, de que deve-se almejar a unidade. E que para tal vale a pena ser menos duro e até gentil com quem faz luta de classes de modo colaborativo e contrarrevolucionário, ou seja, não faz. É o modo proprio de raciocínio democrático-popular: vai-se cedendo nas demandas e formas organizativas a fim de trazer mais gente para as fileiras. A ponto de trazer para junto até o grande capital, como se vê no movimento das teses e resoluções de congressos do PT, tudo para se chegar ao poder, de onde o &quot;acúmulo de forças&quot; andaria mais forte e rápido. Nada de muito novo: a boa e velha política realista de fazer-se o necessário para se chegar ao poder. Se feito com boas intenções da parte da militância mais combativa que insiste em lutar por dentro, pior para ela (e consequentemente, para todos nós).
Sim, &quot;o “campo democrático-popular” foi mais capaz justamente de unificar a fragmentação&quot;. Só que vc vê isso como algo positivo, quando foi assim que a contrarrevolução permanente conseguiu triunfar, deixando em frangalhos as frações mais críticas da classe, que só em 2013 começaram a se rearticular. Essa &quot;massa de militantes acredita nas organizações ligadas ao tal “campo democrático-popular” e não nas ideias do campo autônomo&quot; porque é-lhe interessante em termos materiais. O democrático-popular, lastreado na economia em crescimento, consegue ceder concessões estratégicas para a classe. Concessões que melhoram o padrão de vida da classe, ao mesmo tempo em que aprofunda o grau de exploração e toma da classe o mais importante que há: a autonomia nas lutas.
Depois você comenta que o trecho que escrevi “O campo democrático-popular só consegue viabilizar a gestão da miséria, a administração armada do social e o manejo – lucrativo – dos conflitos sociais quando assimila as organizações dos trabalhadores” te soa preconceituoso do ponto de vista do miserável, cuja miséria está sendo gerida. Aí entra sua boa educação e bons modos no fazer político, que o ulisses comentou. Pode não ser fácil dizer para uma senhora que se desloca da periferia para o centro para um encontro de mulheres com Dilma, ou para um conjunto de trabalhadores que se reúne para escrever e entregar a um vereador as demandas do bairro. Mas é preciso mais estômago para ver isso calado e inerte. E mais que estômago, é preciso perna para construir junto uma outra alternativa ao encontro de mulheres do centro ou ao vereador. Para além disso, não vejo como uma crítica construtiva sobre os limites de uma ação política da classe pode ser algo ruim para o estômago do militante crítico. É do interesse de todos os trabalhadores não ser otário, não ser manipulado, e se for doloroso saber disso, paciência e bola pra frente. Melhor estar desiludido que iludido.

Depois você elogia a questão de que o movimento “errou, mas errou de uma nova forma”. Mas aí diz que trabalho &quot;sob a eterna lógica dos movimentos de esquerda&quot;, o que justamente busco evitar. Penso sim que novas formas encerram necessariamente novas contradições, mas em momento algum busco qualquer &quot;certeza da própria pureza de princípios&quot;. Não sei de onde você tirou essa ideia, já que estou elogiando os erros e o aprendizado que se autoconstrói ao errar de modo novo em vez do mesmo de sempre, que seria justamente errar sob os valores de unidade da luta, acúmulo de forças, direção do partido e por aí vai.

Por fim, o trecho em que você elogia o fato de eu ter reconhecido &quot;a característica fragmentária da sociabilidade atual&quot; como um &quot;grande passo para se construir uma unidade na luta&quot;. Veja, quando digo que a fragmentação é uma condição do nosso tempo histórico não estou dizendo que é um limite para a unidade. Estou dizendo que a própria unidade deixa de ser uma possibilidade e mesmo uma necessidade. Estar isolado tem sido um trunfo, na luta de classes do Brasil. A fragmentação é uma condição histórica, então as lutas passam a se desdobar tendo isso como pano de fundo. Não é necessariamente um problema a ser superado o quanto antes. Historicamente, a busca por unidade só levou as lutas de classes para caminhos passivadores. Veja toda a história da socialdemocracia, veja-se a contrarrevolução operada pela Terceira Internacional de Lenin a Stálin, veja-se a relação do PT com os movimentos sociais e com as classes dominantes no Brasil. A efemeridade das organizações não tem resolvido as diferenças entre grupos e organizações, ela tem resolvido precariamente a assimilação das lutas pelo campo democrático-popular, justamente porque esse campo precisa de siglas que detenham bases organizadas; siglas que tenham líderes cooptáveis. Siglas que possam mobilizar bases sociais para seus fins, por exemplo para engrossar atos contra &quot;o golpe&quot;, etc. 
Obrigado pelo elogio de que algumas daas discussões aqui propostas não tem sido postas fora do campo autônomo. E obrigado pela contribuição com o debate. Espero novos comentários para dialogarmos mais. Ah sim, e de fato as discussões desse texto &quot;farão muito mais sentido quando tiverem uma base na discussão em torno da atual fase de desenvolvimento capitalista&quot;, mas veja, trata-se de um texto político que visa contribuir pontualmente com o balanço das lutas do coletivo O Mal Educado e, paralelamente, com as lutas do campo autônomo e autonomista dos últimos anos. Faz parte, também, de uma tese de doutorado que escrevi sobre a economia política do campo democrático-ppular, e que disponibilizarei por aqui em breve.

Ulisses e Lucas e Humanaesfera, guentem aí. [;-)}]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Felipe, vamos lá, na ordem em que você comentou:</p>
<p>O tal “campo democrático-popular” é o maior responsável pelo trabalho de base nas periferias, ok. Já pelo &#8220;desenvolvimento de lutas nas periferias&#8221; não estou tão certo. O método demopop desloca os conflitos emergentes e as organizações que brotam diretamente para o bojo do Estado e seus mecanismos de diálogo. Ele não desenvolve luta, ele suprime ela. É a contrarrevolução preventiva e permanente em prática. Eficaz ao ponto da &#8220;revolução&#8221; não estar sequer no horizonte de perspectivas dos trabalhadores. Eficaz ao ponto de a revolução, mesmo especificamente no campo, der dado lugar, no MST, a técnicas de diálogo com o Estado visando melhorar a produtividade dos assentamentos e negociações com distribuidoras de produtos agroecològicos e orgânicos. Veja a série MST S.A, aqui: <a href="http://www.passapalavra.info/2013/04/75172" rel="nofollow ugc">http://www.passapalavra.info/2013/04/75172</a>. O trabalho de base feito até hoje pelo demopop é um dos pressupostos para o pacto social: a classe precisa estar organizada e ser mobilizável a qualquer momento para que o demopop possa se legitimar enquanto melhor gestor do Estado e dos conflitos sociais, tudo em pró do capital e dos interesses politicos e econômicos das organizações assimiladas.<br />
Sim, com certeza &#8220;influenciada pelas organizações desse “campo democrático-popular” existe toda uma massa de pessoas verdadeiramente preocupada com o trabalho de base e em travar as lutas específicas da classe trabalhadora&#8221;, numa relação complexa, certamente. Sim, &#8220;talvez muitas dessas pessoas pudessem passar para o campo autônomo&#8221;, mas a culpa de não passarem não está o fato de serem &#8220;reiteradamente acusadas de serem um mal absoluto para as lutas da classe&#8221;. Já ouvi que gentileza gera gentileza, é a primeira vez que ouço que gentileza gera radicalização dos posicionamentos políticos. Quem não muda sua prática social para um rumo mais crítico da ordem o faz não porque é criticado e sim porque não ouve as críticas, e não ouve porque não tem interesse material em ouvir. Além disso &#8220;convencer é infrutífero&#8221;, como diz o W.Benjamin. Mas há nesse seu apontamento uma questão que logo depois se explicita: seu interesse, dado como pressuposto inquestionável, de que deve-se almejar a unidade. E que para tal vale a pena ser menos duro e até gentil com quem faz luta de classes de modo colaborativo e contrarrevolucionário, ou seja, não faz. É o modo proprio de raciocínio democrático-popular: vai-se cedendo nas demandas e formas organizativas a fim de trazer mais gente para as fileiras. A ponto de trazer para junto até o grande capital, como se vê no movimento das teses e resoluções de congressos do PT, tudo para se chegar ao poder, de onde o &#8220;acúmulo de forças&#8221; andaria mais forte e rápido. Nada de muito novo: a boa e velha política realista de fazer-se o necessário para se chegar ao poder. Se feito com boas intenções da parte da militância mais combativa que insiste em lutar por dentro, pior para ela (e consequentemente, para todos nós).<br />
Sim, &#8220;o “campo democrático-popular” foi mais capaz justamente de unificar a fragmentação&#8221;. Só que vc vê isso como algo positivo, quando foi assim que a contrarrevolução permanente conseguiu triunfar, deixando em frangalhos as frações mais críticas da classe, que só em 2013 começaram a se rearticular. Essa &#8220;massa de militantes acredita nas organizações ligadas ao tal “campo democrático-popular” e não nas ideias do campo autônomo&#8221; porque é-lhe interessante em termos materiais. O democrático-popular, lastreado na economia em crescimento, consegue ceder concessões estratégicas para a classe. Concessões que melhoram o padrão de vida da classe, ao mesmo tempo em que aprofunda o grau de exploração e toma da classe o mais importante que há: a autonomia nas lutas.<br />
Depois você comenta que o trecho que escrevi “O campo democrático-popular só consegue viabilizar a gestão da miséria, a administração armada do social e o manejo – lucrativo – dos conflitos sociais quando assimila as organizações dos trabalhadores” te soa preconceituoso do ponto de vista do miserável, cuja miséria está sendo gerida. Aí entra sua boa educação e bons modos no fazer político, que o ulisses comentou. Pode não ser fácil dizer para uma senhora que se desloca da periferia para o centro para um encontro de mulheres com Dilma, ou para um conjunto de trabalhadores que se reúne para escrever e entregar a um vereador as demandas do bairro. Mas é preciso mais estômago para ver isso calado e inerte. E mais que estômago, é preciso perna para construir junto uma outra alternativa ao encontro de mulheres do centro ou ao vereador. Para além disso, não vejo como uma crítica construtiva sobre os limites de uma ação política da classe pode ser algo ruim para o estômago do militante crítico. É do interesse de todos os trabalhadores não ser otário, não ser manipulado, e se for doloroso saber disso, paciência e bola pra frente. Melhor estar desiludido que iludido.</p>
<p>Depois você elogia a questão de que o movimento “errou, mas errou de uma nova forma”. Mas aí diz que trabalho &#8220;sob a eterna lógica dos movimentos de esquerda&#8221;, o que justamente busco evitar. Penso sim que novas formas encerram necessariamente novas contradições, mas em momento algum busco qualquer &#8220;certeza da própria pureza de princípios&#8221;. Não sei de onde você tirou essa ideia, já que estou elogiando os erros e o aprendizado que se autoconstrói ao errar de modo novo em vez do mesmo de sempre, que seria justamente errar sob os valores de unidade da luta, acúmulo de forças, direção do partido e por aí vai.</p>
<p>Por fim, o trecho em que você elogia o fato de eu ter reconhecido &#8220;a característica fragmentária da sociabilidade atual&#8221; como um &#8220;grande passo para se construir uma unidade na luta&#8221;. Veja, quando digo que a fragmentação é uma condição do nosso tempo histórico não estou dizendo que é um limite para a unidade. Estou dizendo que a própria unidade deixa de ser uma possibilidade e mesmo uma necessidade. Estar isolado tem sido um trunfo, na luta de classes do Brasil. A fragmentação é uma condição histórica, então as lutas passam a se desdobar tendo isso como pano de fundo. Não é necessariamente um problema a ser superado o quanto antes. Historicamente, a busca por unidade só levou as lutas de classes para caminhos passivadores. Veja toda a história da socialdemocracia, veja-se a contrarrevolução operada pela Terceira Internacional de Lenin a Stálin, veja-se a relação do PT com os movimentos sociais e com as classes dominantes no Brasil. A efemeridade das organizações não tem resolvido as diferenças entre grupos e organizações, ela tem resolvido precariamente a assimilação das lutas pelo campo democrático-popular, justamente porque esse campo precisa de siglas que detenham bases organizadas; siglas que tenham líderes cooptáveis. Siglas que possam mobilizar bases sociais para seus fins, por exemplo para engrossar atos contra &#8220;o golpe&#8221;, etc.<br />
Obrigado pelo elogio de que algumas daas discussões aqui propostas não tem sido postas fora do campo autônomo. E obrigado pela contribuição com o debate. Espero novos comentários para dialogarmos mais. Ah sim, e de fato as discussões desse texto &#8220;farão muito mais sentido quando tiverem uma base na discussão em torno da atual fase de desenvolvimento capitalista&#8221;, mas veja, trata-se de um texto político que visa contribuir pontualmente com o balanço das lutas do coletivo O Mal Educado e, paralelamente, com as lutas do campo autônomo e autonomista dos últimos anos. Faz parte, também, de uma tese de doutorado que escrevi sobre a economia política do campo democrático-ppular, e que disponibilizarei por aqui em breve.</p>
<p>Ulisses e Lucas e Humanaesfera, guentem aí. [;-)}]</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/07/108872/#comment-311659</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Aug 2016 14:28:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ABC DO BÁSICO &#038; TRIVIAL ou CURTO E GROSSO:
Hegemonia e Ditadura são duas faces da moeda Poder. Juntas ou separadas, entrosadas (quase sempre) ou alternadas no Kapitalestado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ABC DO BÁSICO &amp; TRIVIAL ou CURTO E GROSSO:<br />
Hegemonia e Ditadura são duas faces da moeda Poder. Juntas ou separadas, entrosadas (quase sempre) ou alternadas no Kapitalestado.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/07/108872/#comment-311657</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Jul 2016 20:36:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ESQUERDIREITIZANDO A SOFÍSTICA OU SOFISMANDO PELA ESQUERDIREITA
Vamos combinar: Felipe pode até não ser muito &quot;de esquerda&quot;, mas é redundante e enxundiosamente &quot;bem educado&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ESQUERDIREITIZANDO A SOFÍSTICA OU SOFISMANDO PELA ESQUERDIREITA<br />
Vamos combinar: Felipe pode até não ser muito &#8220;de esquerda&#8221;, mas é redundante e enxundiosamente &#8220;bem educado&#8221;.</p>
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		<title>
		Por: Felipe		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/07/108872/#comment-311655</link>

		<dc:creator><![CDATA[Felipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Jul 2016 14:34:11 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=108872#comment-311655</guid>

					<description><![CDATA[Achei a reflexão muito interessante, mas tenho alguns pontos de discordância.

1. Um deles é que não compreendo o porquê do tratamento do &quot;campo democrático-popular&quot;, como o autor o denomina, como uma espécie de mal absoluto para a luta, responsável pela invariável cooptação e apassivamento da classe trabalhadora. Compreendo, obviamente, que se trata de marcar posição no debate estratégico, mas penso especialmente no fato de que muito provavelmente o tal &quot;campo democrático-popular&quot; é o maior responsável (em termos quantitativos, pelo menos) pelo trabalho de base e desenvolvimento de lutas nas periferias. É claro que esse trabalho possui pressupostos, entre os quais está a corretamente indicada cooperação/diálogo entre organização de luta e órgãos de política pública etc. etc. Mas eu penso aqui, e falando como base e exclusivamente  como base que sempre fui, que: 1) influenciada pelas organizações desse &quot;campo democrático-popular&quot; existe toda uma massa de pessoas verdadeiramente preocupada com o trabalho de base e em travar as lutas específicas da classe trabalhadora; 2) sua relação com tais organizações é muito mais complexa do que a simples crença no modelo &quot;democrático-popular&quot;; 3) talvez muitas dessas pessoas pudessem passar para o campo autônomo se não fossem reiteradamente acusadas de serem um mal absoluto para as lutas da classe.
Em certo sentido, acredito que, até hoje ao menos, o &quot;campo democrático-popular&quot; foi mais capaz justamente de unificar a fragmentação. Nesse sentido, nutro a dúvida do porquê essa massa de militantes acredita nas organizações ligadas ao tal &quot;campo democrático-popular&quot; e não nas ideias do campo autônomo. Como única resposta, totalmente parcial e estritamente individual, posso dizer que sinto um tom de altivez intelectual e moral no discurso autonomista que me leva a certa alteridade, apesar do acordo com grande parte das análises feitas por esses movimentos.
Um trecho como o seguinte: &quot;O campo democrático-popular só consegue viabilizar a gestão da miséria, a administração armada do social e o manejo – lucrativo – dos conflitos sociais quando assimila as organizações dos trabalhadores&quot; - para além do fato de que essa é uma definição de toda a esquerda - me soa preconceituoso, se você olhar do ponto de vista do miserável, cuja miséria está sendo gerida. Eu não teria estômago para dizer algo nesse sentido a uma senhora que se desloca de Parelheiros ou Cidade Tiradentes ao centro para um encontro de mulheres com Dilma. Pode ser um defeito meu, é claro. Mas, enfim, é só uma angústia...

2. Acho interessante o argumento de que o movimento &quot;errou, mas errou de uma nova forma&quot;. É interessante porque o autor demonstra que, apesar de defender uma teoria e uma doutrina (relativamente) novas, trabalha sob a eterna lógica dos movimentos de esquerda. Os acertos são devidos à nova teoria/à nova forma de organização etc.; já os erros são culpa das circunstâncias; quer dizer, os erros nunca são o limite da própria doutrina/forma de organização nova, o que a colocaria como apenas mais uma dentre outras e não &quot;A&quot; forma/ &quot;A&quot; doutrina que pode levar à emancipação da classe trabalhadora.
Esse é uma lógica incontornável no mais ou menos século e meio/ dois séculos de desenvolvimento das lutas da classe trabalhadora. Não digo isso como crítica, pois essa atitude faz parte do processo de afirmação de todo movimento. Só penso que, tendo em vista essa lógica perversa do desenvolvimento histórico dos movimentos de esquerda, talvez se possa ter maior clareza de que novas formas encerram necessariamente novas contradições, diminuindo a certeza da própria pureza de princípios.

3. Uma questão pontual que acho de interesse é o trecho em que o autor aponta que, no início do refluxo do movimento começa a surgir uma tensão interna ao movimento que teria uma origem no &quot;identitarismo multiculturalista&quot;. Eu concordo, de forma geral, com a crítica do autor, pois esse tipo de atitude, amplamente arraigada nos militantes da atual geração, costuma ter consequências sectárias, desagregadoras e, portanto, apassivadoras. Ao se tornar um discurso, esse tipo de argumentação é inclusive apropriado por militantes originados de camadas muito privilegiadas da sociedade que o manipulam em busca de aceitação e legitimação dentro do movimento. Uma espécie de atitude de &quot;tribo&quot;.
O problema é que no âmbito da experiência, é difícil negar certa validade desse discurso. É um fato que, por exemplo, as ocupações em escolas das regiões mais afastadas têm maiores dificuldades. E é igualmente um fato que, no momento em que todos estão em sintonia de opiniões, relevam-se as diferenças de origem social etc. etc. Mas quando surgem as divergências, a tendência é que essas diferenças transbordem. É difícil, por mais respeito que você tenha pelos militantes pelas suas histórias de luta quando, por exemplo, você vê militantes que se formaram nas escolas mais caras de São Paulo, cujas mensalidades são maiores do que os salários dos seus pais, algumas delas com uma pedagogia &quot;alternativa&quot; etc. etc., na ocupação da escola estadual onde você estudou e te botando o dedo na cara e propondo atitudes mais radicais. Esse sentimento ambíguo do militante mais pobre é paralisante, mas é algo com que se tem que lidar para uma crítica radical da organização social...

Apesar dessas implicâncias, fruto da minha formação diferente, achei muito interessante grande parte das reflexões. O trecho sobre a &quot;autogestão da luta e autogestão da sociedade&quot; me pareceu muito interessante, apontando para o horizonte estratégico. Toda a análise sobre a relação entre fragmentação e formas de luta, que se direciona à reflexão sobre a relação entre forma de organização e momento sócio-histórico também me pareceu muito interessante, apesar de ainda bastante embrionário. A importância mesma de se reconhecer a característica fragmentária da sociabilidade atual me parece um grande passo para se construir uma unidade na luta, apesar das diferenças inevitáveis, o que, seguindo a reflexão do autor, tem sido resolvido pela efemeridade das organizações; acredito que, igualmente, pela pontualidade das pautas unificadoras e pela capacidade de construir as lutas pressupondo a perda do controle. Essas discussões, que são do meu ponto de vista talvez as mais importantes no momento, até onde pude observar não são sequer propostas fora do campo autônomo. Não sei o quão positiva o autor acha essa proposta, mas fico também entusiasmado em saber &quot;[d]o interesse demonstrado pelos jovens militantes com respeito à análise da estrutura econômica do Capitalismo no Brasil&quot; o que está muito embrionário neste texto, resumindo-se ao reconhecimento da fragmentação e à frase &quot;o capitalismo segue forte&quot; entre outras aparições pontuais (isso também não é exatamente uma crítica, pois na escrita de um texto não é possível contemplar todos os pontos existentes na realidade abordada; só acho que as discussões desse texto farão muito mais sentido quando tiverem uma base na discussão em torno da atual fase de desenvolvimento capitalista, enfim, da história).

Enfim, no geral achei muito interessante e um ótimo ponto de partida para discussão, inclusive com pessoas e grupos que possuem formação e pontos de vista diversos do autor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Achei a reflexão muito interessante, mas tenho alguns pontos de discordância.</p>
<p>1. Um deles é que não compreendo o porquê do tratamento do &#8220;campo democrático-popular&#8221;, como o autor o denomina, como uma espécie de mal absoluto para a luta, responsável pela invariável cooptação e apassivamento da classe trabalhadora. Compreendo, obviamente, que se trata de marcar posição no debate estratégico, mas penso especialmente no fato de que muito provavelmente o tal &#8220;campo democrático-popular&#8221; é o maior responsável (em termos quantitativos, pelo menos) pelo trabalho de base e desenvolvimento de lutas nas periferias. É claro que esse trabalho possui pressupostos, entre os quais está a corretamente indicada cooperação/diálogo entre organização de luta e órgãos de política pública etc. etc. Mas eu penso aqui, e falando como base e exclusivamente  como base que sempre fui, que: 1) influenciada pelas organizações desse &#8220;campo democrático-popular&#8221; existe toda uma massa de pessoas verdadeiramente preocupada com o trabalho de base e em travar as lutas específicas da classe trabalhadora; 2) sua relação com tais organizações é muito mais complexa do que a simples crença no modelo &#8220;democrático-popular&#8221;; 3) talvez muitas dessas pessoas pudessem passar para o campo autônomo se não fossem reiteradamente acusadas de serem um mal absoluto para as lutas da classe.<br />
Em certo sentido, acredito que, até hoje ao menos, o &#8220;campo democrático-popular&#8221; foi mais capaz justamente de unificar a fragmentação. Nesse sentido, nutro a dúvida do porquê essa massa de militantes acredita nas organizações ligadas ao tal &#8220;campo democrático-popular&#8221; e não nas ideias do campo autônomo. Como única resposta, totalmente parcial e estritamente individual, posso dizer que sinto um tom de altivez intelectual e moral no discurso autonomista que me leva a certa alteridade, apesar do acordo com grande parte das análises feitas por esses movimentos.<br />
Um trecho como o seguinte: &#8220;O campo democrático-popular só consegue viabilizar a gestão da miséria, a administração armada do social e o manejo – lucrativo – dos conflitos sociais quando assimila as organizações dos trabalhadores&#8221; &#8211; para além do fato de que essa é uma definição de toda a esquerda &#8211; me soa preconceituoso, se você olhar do ponto de vista do miserável, cuja miséria está sendo gerida. Eu não teria estômago para dizer algo nesse sentido a uma senhora que se desloca de Parelheiros ou Cidade Tiradentes ao centro para um encontro de mulheres com Dilma. Pode ser um defeito meu, é claro. Mas, enfim, é só uma angústia&#8230;</p>
<p>2. Acho interessante o argumento de que o movimento &#8220;errou, mas errou de uma nova forma&#8221;. É interessante porque o autor demonstra que, apesar de defender uma teoria e uma doutrina (relativamente) novas, trabalha sob a eterna lógica dos movimentos de esquerda. Os acertos são devidos à nova teoria/à nova forma de organização etc.; já os erros são culpa das circunstâncias; quer dizer, os erros nunca são o limite da própria doutrina/forma de organização nova, o que a colocaria como apenas mais uma dentre outras e não &#8220;A&#8221; forma/ &#8220;A&#8221; doutrina que pode levar à emancipação da classe trabalhadora.<br />
Esse é uma lógica incontornável no mais ou menos século e meio/ dois séculos de desenvolvimento das lutas da classe trabalhadora. Não digo isso como crítica, pois essa atitude faz parte do processo de afirmação de todo movimento. Só penso que, tendo em vista essa lógica perversa do desenvolvimento histórico dos movimentos de esquerda, talvez se possa ter maior clareza de que novas formas encerram necessariamente novas contradições, diminuindo a certeza da própria pureza de princípios.</p>
<p>3. Uma questão pontual que acho de interesse é o trecho em que o autor aponta que, no início do refluxo do movimento começa a surgir uma tensão interna ao movimento que teria uma origem no &#8220;identitarismo multiculturalista&#8221;. Eu concordo, de forma geral, com a crítica do autor, pois esse tipo de atitude, amplamente arraigada nos militantes da atual geração, costuma ter consequências sectárias, desagregadoras e, portanto, apassivadoras. Ao se tornar um discurso, esse tipo de argumentação é inclusive apropriado por militantes originados de camadas muito privilegiadas da sociedade que o manipulam em busca de aceitação e legitimação dentro do movimento. Uma espécie de atitude de &#8220;tribo&#8221;.<br />
O problema é que no âmbito da experiência, é difícil negar certa validade desse discurso. É um fato que, por exemplo, as ocupações em escolas das regiões mais afastadas têm maiores dificuldades. E é igualmente um fato que, no momento em que todos estão em sintonia de opiniões, relevam-se as diferenças de origem social etc. etc. Mas quando surgem as divergências, a tendência é que essas diferenças transbordem. É difícil, por mais respeito que você tenha pelos militantes pelas suas histórias de luta quando, por exemplo, você vê militantes que se formaram nas escolas mais caras de São Paulo, cujas mensalidades são maiores do que os salários dos seus pais, algumas delas com uma pedagogia &#8220;alternativa&#8221; etc. etc., na ocupação da escola estadual onde você estudou e te botando o dedo na cara e propondo atitudes mais radicais. Esse sentimento ambíguo do militante mais pobre é paralisante, mas é algo com que se tem que lidar para uma crítica radical da organização social&#8230;</p>
<p>Apesar dessas implicâncias, fruto da minha formação diferente, achei muito interessante grande parte das reflexões. O trecho sobre a &#8220;autogestão da luta e autogestão da sociedade&#8221; me pareceu muito interessante, apontando para o horizonte estratégico. Toda a análise sobre a relação entre fragmentação e formas de luta, que se direciona à reflexão sobre a relação entre forma de organização e momento sócio-histórico também me pareceu muito interessante, apesar de ainda bastante embrionário. A importância mesma de se reconhecer a característica fragmentária da sociabilidade atual me parece um grande passo para se construir uma unidade na luta, apesar das diferenças inevitáveis, o que, seguindo a reflexão do autor, tem sido resolvido pela efemeridade das organizações; acredito que, igualmente, pela pontualidade das pautas unificadoras e pela capacidade de construir as lutas pressupondo a perda do controle. Essas discussões, que são do meu ponto de vista talvez as mais importantes no momento, até onde pude observar não são sequer propostas fora do campo autônomo. Não sei o quão positiva o autor acha essa proposta, mas fico também entusiasmado em saber &#8220;[d]o interesse demonstrado pelos jovens militantes com respeito à análise da estrutura econômica do Capitalismo no Brasil&#8221; o que está muito embrionário neste texto, resumindo-se ao reconhecimento da fragmentação e à frase &#8220;o capitalismo segue forte&#8221; entre outras aparições pontuais (isso também não é exatamente uma crítica, pois na escrita de um texto não é possível contemplar todos os pontos existentes na realidade abordada; só acho que as discussões desse texto farão muito mais sentido quando tiverem uma base na discussão em torno da atual fase de desenvolvimento capitalista, enfim, da história).</p>
<p>Enfim, no geral achei muito interessante e um ótimo ponto de partida para discussão, inclusive com pessoas e grupos que possuem formação e pontos de vista diversos do autor.</p>
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		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/07/108872/#comment-311650</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Jul 2016 16:34:59 +0000</pubDate>
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