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	Comentários sobre: Notas sobre uma experiência literária fracassada	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109224/#comment-311946</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2016 15:49:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Douglas,
você está desenvolvendo um estilo próprio. Não sei se novo, mas próprio. E isso é muito. Querer que a coisa fique redondinha e que os leitores reconheçam o trabalho é normal, e tenho certeza de que você já é um grande escritor do nosso tempo. E nosso tempo é o tempo das mensagens sincopadas, da palavras sequer digitadas inteiramente. Num sistema que devora o tempo, o tecido onde bordamos nossa vida, a comunicação fica de escanteio. Veja a Trilogia do silêncio do Bergman, junto aos textos do W.Benjamin. Pode não ser alentador, mas de repente ajude no próximo degrau da autocompreensão. Antonio Candido falou da educação pela noite, acho que há de se falar da educação pelo erro. Falei disso comentando a luta de classes recente, mas serve para a produção artística, com a vantagem de que o &quot;erro&quot; dá a ela uma singularidade catártica. Não sei se tanto na música, mas na escrita e especialmente na pintura vejo isso bem forte. Telas com riscos e pinceladas erradas, onde justamente esses &quot;erros&quot; dão o sabor especial, como se nos convidassem a participar ativamente da apreciação, &quot;corrigindo&quot; os erros na nossa cabeça. Já na escrita o erro nada mais é, quando um erro genial, que a reprodução do errar que é o viver. E bom, de dica, se é que tenho alguma, diria para dar mais asas ao seu feeling rítmico e podar um pouco sua sanha didático-política-pedagógico-ideológica. Não é fácil ser um novo Sartre ou um novo Dostoiévski, por isso vai bem começar devagar na seara da formação política dos leitores. E olha que você já não é nenhum amador e tem momentos em que é realmente um escritor genial. Continue nos presenteando com seus escritos, e continue se presenteando com seu escrever. Dialoguei contigo no começo das cartas, como Carol, mas fiquei com receio de estar te botando e apuros e puxei o freio de mão. Vai saber porque pensei isso naqueles dias... se fosse hoje eu teria te tencionado o máximo que conseguisse e se você fosse parar no sanatório, teríamos um novo Sade hahaha Um abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Douglas,<br />
você está desenvolvendo um estilo próprio. Não sei se novo, mas próprio. E isso é muito. Querer que a coisa fique redondinha e que os leitores reconheçam o trabalho é normal, e tenho certeza de que você já é um grande escritor do nosso tempo. E nosso tempo é o tempo das mensagens sincopadas, da palavras sequer digitadas inteiramente. Num sistema que devora o tempo, o tecido onde bordamos nossa vida, a comunicação fica de escanteio. Veja a Trilogia do silêncio do Bergman, junto aos textos do W.Benjamin. Pode não ser alentador, mas de repente ajude no próximo degrau da autocompreensão. Antonio Candido falou da educação pela noite, acho que há de se falar da educação pelo erro. Falei disso comentando a luta de classes recente, mas serve para a produção artística, com a vantagem de que o &#8220;erro&#8221; dá a ela uma singularidade catártica. Não sei se tanto na música, mas na escrita e especialmente na pintura vejo isso bem forte. Telas com riscos e pinceladas erradas, onde justamente esses &#8220;erros&#8221; dão o sabor especial, como se nos convidassem a participar ativamente da apreciação, &#8220;corrigindo&#8221; os erros na nossa cabeça. Já na escrita o erro nada mais é, quando um erro genial, que a reprodução do errar que é o viver. E bom, de dica, se é que tenho alguma, diria para dar mais asas ao seu feeling rítmico e podar um pouco sua sanha didático-política-pedagógico-ideológica. Não é fácil ser um novo Sartre ou um novo Dostoiévski, por isso vai bem começar devagar na seara da formação política dos leitores. E olha que você já não é nenhum amador e tem momentos em que é realmente um escritor genial. Continue nos presenteando com seus escritos, e continue se presenteando com seu escrever. Dialoguei contigo no começo das cartas, como Carol, mas fiquei com receio de estar te botando e apuros e puxei o freio de mão. Vai saber porque pensei isso naqueles dias&#8230; se fosse hoje eu teria te tencionado o máximo que conseguisse e se você fosse parar no sanatório, teríamos um novo Sade hahaha Um abraço</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109224/#comment-311945</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2016 11:23:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Assistir à interlocução de dois ourives da expressão vernácula é, no mínimo, um privilégio.
Beckettianamente: escrever é fracassar melhor...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assistir à interlocução de dois ourives da expressão vernácula é, no mínimo, um privilégio.<br />
Beckettianamente: escrever é fracassar melhor&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Douglas Rodrigues Barros		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109224/#comment-311944</link>

		<dc:creator><![CDATA[Douglas Rodrigues Barros]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Sep 2016 23:09:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Poeta, poetinha, camarada,

Quando li seu comentário fiquei igual João Grilo na última cena do Auto da Compadecida, não sabia se me dirigia ao inferno por saber que minha humildade era fingida, ou se essa humildade fingida era exatamente a minha salvação. Você sabe tão bem quanto eu, o quanto é importante para-nós essa apreciação crítica do leitor hipotético. Sabe tão bem quanto eu, o quanto o ato de comunicar sem o endosso do convencimento, sem a utilidade prática da alma é o que promove nossa praxis. 
Fico imensamente feliz, com minha fingida humildade cheia de si pela apreciação que fez das cartas. 
Uma coisa que me horrorizava era - juro que eu achava isso - a falta de comunicação entre Teotônio e as Cartas. Eu pensava comigo que minhas experiências estavam estéreis e sem comunicação. Em outras palavras, acreditava que não havia desdobramentos em minha escrita, o que muito me entristecia pela porra-louquice que imaginava conter nelas. Quando li sua opinião vi que eu estava enganado, há uma linha que se mantém. Por que lhe digo isso? Porque você sabe tão bem quanto eu como o amadurecimento literário leva duas vidas (uma que não temos e a outra que apostamos ter) esse amadurecimento depende do encontro com algo, com alguma coisa que caçamos como crianças na frente de um brinquedo que o quebra para saber o que tem dentro.
Pois bem, sua opinião me tirou dessa angústia.
Você conhece mais as personagens que eu mesmo, não posso ter uma sólida opinião sendo o pai. Tenho certeza que você vai nos pontos centrais do que os moviam e nesse espetáculo sou apenas um diretor de cena, quer dizer, dispensável, como dizia Abujamra.
Você sabe tão bem quanto eu, o dilema de escrever num país sem leitores. A esquerda brasileira não é leitora, grande parte da esquerda despreza inclusive a leitura. Despreza os clássicos porque acha que foi a &quot;USP&quot; quem os inventou. Acredita que Shakespeare se dirigia aos aristocratas, quando os filhos da puta dito pelo seus personagens expressava algo que ia direto no coração do seu povo. Despreza o que não é da ordem do tributável, do cotidiano. Dizem que as coisas da alma é perda de tempo! Em suma, acreditam no convencimento e portanto descreem da literatura.
Nós não! Nós não!
...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Poeta, poetinha, camarada,</p>
<p>Quando li seu comentário fiquei igual João Grilo na última cena do Auto da Compadecida, não sabia se me dirigia ao inferno por saber que minha humildade era fingida, ou se essa humildade fingida era exatamente a minha salvação. Você sabe tão bem quanto eu, o quanto é importante para-nós essa apreciação crítica do leitor hipotético. Sabe tão bem quanto eu, o quanto o ato de comunicar sem o endosso do convencimento, sem a utilidade prática da alma é o que promove nossa praxis.<br />
Fico imensamente feliz, com minha fingida humildade cheia de si pela apreciação que fez das cartas.<br />
Uma coisa que me horrorizava era &#8211; juro que eu achava isso &#8211; a falta de comunicação entre Teotônio e as Cartas. Eu pensava comigo que minhas experiências estavam estéreis e sem comunicação. Em outras palavras, acreditava que não havia desdobramentos em minha escrita, o que muito me entristecia pela porra-louquice que imaginava conter nelas. Quando li sua opinião vi que eu estava enganado, há uma linha que se mantém. Por que lhe digo isso? Porque você sabe tão bem quanto eu como o amadurecimento literário leva duas vidas (uma que não temos e a outra que apostamos ter) esse amadurecimento depende do encontro com algo, com alguma coisa que caçamos como crianças na frente de um brinquedo que o quebra para saber o que tem dentro.<br />
Pois bem, sua opinião me tirou dessa angústia.<br />
Você conhece mais as personagens que eu mesmo, não posso ter uma sólida opinião sendo o pai. Tenho certeza que você vai nos pontos centrais do que os moviam e nesse espetáculo sou apenas um diretor de cena, quer dizer, dispensável, como dizia Abujamra.<br />
Você sabe tão bem quanto eu, o dilema de escrever num país sem leitores. A esquerda brasileira não é leitora, grande parte da esquerda despreza inclusive a leitura. Despreza os clássicos porque acha que foi a &#8220;USP&#8221; quem os inventou. Acredita que Shakespeare se dirigia aos aristocratas, quando os filhos da puta dito pelo seus personagens expressava algo que ia direto no coração do seu povo. Despreza o que não é da ordem do tributável, do cotidiano. Dizem que as coisas da alma é perda de tempo! Em suma, acreditam no convencimento e portanto descreem da literatura.<br />
Nós não! Nós não!<br />
&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Poeta em Buenos Aires		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109224/#comment-311939</link>

		<dc:creator><![CDATA[Poeta em Buenos Aires]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Sep 2016 00:30:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Douglas,
li com gosto todas as cartas, e o primeiro que tenho a lhe dizer é que me impressiona o seu fôlego. Desde as aventuras do mendigo-messias me agrada muito o teu trabalho de tomar uma ideia e ir dando formas ritmadas, acredito que tenha muito a ver com a forma do folhetim, que é um gênero que devo ter lido apenas na escola e apenas uma ou duas obras (e um par mais sem saber que originalmente o foram). Acho que é uma excelente aposta estética para o nosso momento, e se a roupagem epistolar não foi satisfatória talvez tenha justamente a ver com isso. Dou meu palpite: primeiro, personagens contemporâneos que se escrevem por meio de cartas soa algo já mais além dos hipsters -- não vejo prejuízo para o existencialismo que as comunicações escritas tenham mais marcas digitais. Em segundo lugar, e em consonância, as personalidades e escritas maneiristas das personagens permitia voos mais altos que os esperados em emails prozaicos, mas também terminava por dar uma impressão de afetação e exagero que não estou certo se foi de todo sua intenção &quot;programática&quot;. Um pouco mais sobre as personagens comento adiante, mas para fechar a questão do gênero epistolar, deixo como recomendação pessoal o livro &quot;Cae la noche tropical&quot;, de Manuel Puig, que foi um dos livros que recentemente mais me afetou o coraçãozinho. É de 1988, já existiam chamadas telefônicas internacionais menos complicadas, mas acredito que as cartas ainda seguiam sendo familiares para boa parte da humanidade letrada.

Se bem nesse sentido me pareceu um desencaixe com o nosso tempo, por outro, também desde sua obra anterior publicada aqui, reparo nessa preocupação em realizar a ficção emaranhada nos eventos históricos e sociais importantes considerados a partir de uma posição autoral. Acho que isso é também sua fortaleza, e certamente uma das virtudes das cartas foi dar essa continuidade a algo que tinha sido expressado num gênero tão diferente como a narrativa messiânica.
Mas do que se trata uma troca de correspondências entre estudantes? Posso dar minha visão, pois fui um deles, andei pelos mesmos corredores que algumas das personagens, fumei a mesma maconha, fui a alguns destes bares, talvez tenha me soltado sexualmente um pouco menos, certamente li muito menos do que eles na faculdade. Senti a impotência desse setor social, e para mim as cartas são bastante sobre isso, de uma juventude que lê muito sobre política mas não teve uma educação política de corpos. Creio eu se tratar também, essencialmente, de uma questão de geração, não de &quot;apego aos livros&quot; ou de uma punhetação autoreivindicatória, é a geração de jovens que viveu a consolidação do lulopetismo e o ocaso da militância, a que teve que inventar coisas quase que por conta própria. Os livros estão na biblioteca, já os militantes experientes dispostos a ensinar, com vontade e orgulho do que fazem, isso parece que esteve em falta até há bem pouco tempo atrás. 
Dentro da especificidade das personagens, me pareceu que Arthur disfarçava bem sua depressão e encontrava em Hegel a esperança cristã, até que o inverso se apropriou dele. Sua experiência homossexual pareceu algo como a última tentativa desesperada de sentir a vida, da mesma forma como a experiência sexual das primeiras cartas pareceu vazia. Digo, o estilo em que estava escrita, pelo que me lembro, agradou bastante e tem &quot;appeal&quot;, mas sabendo do destino da personagem, pareceu ter sido uma carta retórica, um exercício de escrita de Arthur tendo como modelo algo que realmente não lhe interessava tanto (não o digo por uma tendência gay, mas sim pela impossibilidade do sexo atraí-lo para a vida).
Heloisa me interessava, talvez o nome me traga boas lembranças, entre o cinismo e a maturidade. Parecia ser ou querer ser mais experimentada, e no final a vida lhe dá um belo tabefe na cara, quando ela tinha em suas mãos uma escolha, uma responsabilidade das mais dramáticas, o corpo biológico desmancha rápido todo poder de uma escolha consciente: escrava, coisa. 
Com os demais personagens tiveram discussões e debates sobre temas bem atuais (tendo eu mesmo comprovado pessoalmente com meus achegados em minha última visita ao Brasil) e também sobre questões políticas históricas, que não pude deixar de ver notar como remetem a certos debates aqui deste mesmo site, o que por um lado circunscreve a um universo intelectual e político bem pouco representativo dos estudantes em geral, mas que dialoga frontalmente com o meio onde está sendo publicado.
Me pareceu que faltou um pouco mais de atividade política destes sujeitos, sem idealizá-los, mas também não limitando a conversões. Aqui deixo outra recomendação pessoal, essa um pouco mais difícil. É o filme &quot;El estudiante&quot; (2011), argentina, um verdadeiro &quot;Bildungsroman&quot; da burocracia rasa da política universitária.
No mais, estaremos esperando seu próximo fracasso.
https://youtu.be/OOqyjTeGZ4Y?t=33m33s]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Douglas,<br />
li com gosto todas as cartas, e o primeiro que tenho a lhe dizer é que me impressiona o seu fôlego. Desde as aventuras do mendigo-messias me agrada muito o teu trabalho de tomar uma ideia e ir dando formas ritmadas, acredito que tenha muito a ver com a forma do folhetim, que é um gênero que devo ter lido apenas na escola e apenas uma ou duas obras (e um par mais sem saber que originalmente o foram). Acho que é uma excelente aposta estética para o nosso momento, e se a roupagem epistolar não foi satisfatória talvez tenha justamente a ver com isso. Dou meu palpite: primeiro, personagens contemporâneos que se escrevem por meio de cartas soa algo já mais além dos hipsters &#8212; não vejo prejuízo para o existencialismo que as comunicações escritas tenham mais marcas digitais. Em segundo lugar, e em consonância, as personalidades e escritas maneiristas das personagens permitia voos mais altos que os esperados em emails prozaicos, mas também terminava por dar uma impressão de afetação e exagero que não estou certo se foi de todo sua intenção &#8220;programática&#8221;. Um pouco mais sobre as personagens comento adiante, mas para fechar a questão do gênero epistolar, deixo como recomendação pessoal o livro &#8220;Cae la noche tropical&#8221;, de Manuel Puig, que foi um dos livros que recentemente mais me afetou o coraçãozinho. É de 1988, já existiam chamadas telefônicas internacionais menos complicadas, mas acredito que as cartas ainda seguiam sendo familiares para boa parte da humanidade letrada.</p>
<p>Se bem nesse sentido me pareceu um desencaixe com o nosso tempo, por outro, também desde sua obra anterior publicada aqui, reparo nessa preocupação em realizar a ficção emaranhada nos eventos históricos e sociais importantes considerados a partir de uma posição autoral. Acho que isso é também sua fortaleza, e certamente uma das virtudes das cartas foi dar essa continuidade a algo que tinha sido expressado num gênero tão diferente como a narrativa messiânica.<br />
Mas do que se trata uma troca de correspondências entre estudantes? Posso dar minha visão, pois fui um deles, andei pelos mesmos corredores que algumas das personagens, fumei a mesma maconha, fui a alguns destes bares, talvez tenha me soltado sexualmente um pouco menos, certamente li muito menos do que eles na faculdade. Senti a impotência desse setor social, e para mim as cartas são bastante sobre isso, de uma juventude que lê muito sobre política mas não teve uma educação política de corpos. Creio eu se tratar também, essencialmente, de uma questão de geração, não de &#8220;apego aos livros&#8221; ou de uma punhetação autoreivindicatória, é a geração de jovens que viveu a consolidação do lulopetismo e o ocaso da militância, a que teve que inventar coisas quase que por conta própria. Os livros estão na biblioteca, já os militantes experientes dispostos a ensinar, com vontade e orgulho do que fazem, isso parece que esteve em falta até há bem pouco tempo atrás.<br />
Dentro da especificidade das personagens, me pareceu que Arthur disfarçava bem sua depressão e encontrava em Hegel a esperança cristã, até que o inverso se apropriou dele. Sua experiência homossexual pareceu algo como a última tentativa desesperada de sentir a vida, da mesma forma como a experiência sexual das primeiras cartas pareceu vazia. Digo, o estilo em que estava escrita, pelo que me lembro, agradou bastante e tem &#8220;appeal&#8221;, mas sabendo do destino da personagem, pareceu ter sido uma carta retórica, um exercício de escrita de Arthur tendo como modelo algo que realmente não lhe interessava tanto (não o digo por uma tendência gay, mas sim pela impossibilidade do sexo atraí-lo para a vida).<br />
Heloisa me interessava, talvez o nome me traga boas lembranças, entre o cinismo e a maturidade. Parecia ser ou querer ser mais experimentada, e no final a vida lhe dá um belo tabefe na cara, quando ela tinha em suas mãos uma escolha, uma responsabilidade das mais dramáticas, o corpo biológico desmancha rápido todo poder de uma escolha consciente: escrava, coisa.<br />
Com os demais personagens tiveram discussões e debates sobre temas bem atuais (tendo eu mesmo comprovado pessoalmente com meus achegados em minha última visita ao Brasil) e também sobre questões políticas históricas, que não pude deixar de ver notar como remetem a certos debates aqui deste mesmo site, o que por um lado circunscreve a um universo intelectual e político bem pouco representativo dos estudantes em geral, mas que dialoga frontalmente com o meio onde está sendo publicado.<br />
Me pareceu que faltou um pouco mais de atividade política destes sujeitos, sem idealizá-los, mas também não limitando a conversões. Aqui deixo outra recomendação pessoal, essa um pouco mais difícil. É o filme &#8220;El estudiante&#8221; (2011), argentina, um verdadeiro &#8220;Bildungsroman&#8221; da burocracia rasa da política universitária.<br />
No mais, estaremos esperando seu próximo fracasso.<br />
<a href="https://youtu.be/OOqyjTeGZ4Y?t=33m33s" rel="nofollow ugc">https://youtu.be/OOqyjTeGZ4Y?t=33m33s</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Douglas Barros		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109224/#comment-311938</link>

		<dc:creator><![CDATA[Douglas Barros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Sep 2016 13:02:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por aí sábio Ulisses, por aí!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por aí sábio Ulisses, por aí!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109224/#comment-311935</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Sep 2016 16:18:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[SOMA ZERO

 ou prosseguir :  FRACASSANDO MELHOR]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>SOMA ZERO</p>
<p> ou prosseguir :  FRACASSANDO MELHOR</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: X-man		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109224/#comment-311932</link>

		<dc:creator><![CDATA[X-man]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Sep 2016 03:06:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus&quot;. João 3:3&quot;

Viver mais não é sinônimo de viver bem nem de viver melhor, assim como, morrer mais não é sinônimo de morrer mal ou de morrer pior... trocando alhos por bugalhos... viver menos não é sinônimo de viver mal nem de viver pior e... morrer menos não é sinônimo de morrer bem nem de morrer melhor....

E o reino de Deus? Diria Tolstoi: &quot;está em vós&quot;! (Será...? Será...?)

Keep Walking... Johnnie Walker... &quot;keeps&quot; walking... Johnnie Walker

C&#039;mon. Let&#039;s twist again!

Keep Walking... no amanhecer Preto, Azul, Branco, Amarelo ou Vermelho... keep walking
keep walking... no anoitecer preto, azul, branco, amarelo ou vermelho... Keep Walking
Keep Walking... keep walking... 
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus&#8221;. João 3:3&#8243;</p>
<p>Viver mais não é sinônimo de viver bem nem de viver melhor, assim como, morrer mais não é sinônimo de morrer mal ou de morrer pior&#8230; trocando alhos por bugalhos&#8230; viver menos não é sinônimo de viver mal nem de viver pior e&#8230; morrer menos não é sinônimo de morrer bem nem de morrer melhor&#8230;.</p>
<p>E o reino de Deus? Diria Tolstoi: &#8220;está em vós&#8221;! (Será&#8230;? Será&#8230;?)</p>
<p>Keep Walking&#8230; Johnnie Walker&#8230; &#8220;keeps&#8221; walking&#8230; Johnnie Walker</p>
<p>C&#8217;mon. Let&#8217;s twist again!</p>
<p>Keep Walking&#8230; no amanhecer Preto, Azul, Branco, Amarelo ou Vermelho&#8230; keep walking<br />
keep walking&#8230; no anoitecer preto, azul, branco, amarelo ou vermelho&#8230; Keep Walking<br />
Keep Walking&#8230; keep walking&#8230;<br />
Pro dia nascer feliz<br />
O mundo inteiro acordar<br />
E a gente dormir, dormir&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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