<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Fora Temer e o pão	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2016/09/109360/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2016/09/109360/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Mon, 03 Oct 2016 14:11:25 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109360/#comment-311964</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Sep 2016 18:15:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=109360#comment-311964</guid>

					<description><![CDATA[Agora que o departamento de marketing da CUT está agitando a Greve Geral, acho que é importante debater esses pontos que o texto propõe.
http://www.cut.org.br/noticias/passeatas-greves-e-marchas-e-o-esquenta-para-greve-geral-4db0/
Ao invés da extrema-esquerda buscar o seu pão à reboque das manifestações políticas do campo popular, o que parece que está ocorrendo é que a CUT, um passo a frente, já buscará capturar a Greve Geral para torná-la um &quot;Fora Temer&quot;, ao invés de combater a Greve Geral por meio do &quot;Fora Temer&quot;.
Pois bem. Não existe exatamente um pão (uma paz e uma terra) que unifique hoje a classe, senão muitos, entre reposição salarial acima da inflação (para as categorias que não estão congeladas...), luta contra demissões, ameaça de reformas e ajustes em diversos âmbitos que afetam o emprego mas também o custo de vida, a estabilidade do emprego, a aposentadoria, enfim.
Nesse sentido, se realmente o jogo de cena da CUT abrir a possibilidade de um dia de paralização nacional efetiva, acredito que mais importante do que delimitar um ou outro pão, o mais importante seria que o ativismo de base consiga mobilizar ações diretas mais combativas que rolezinho na av. Paulista com grandes bexigas sindicalistas; que as bases sintam a força objetiva que têm para paralisar o fluxo de mercadorias, seja na produção ou na circulação. Certamente que para que isso ocorra o Fora Temer não será suficiente e a agitação econômica será fundamental para conseguir mobilizar um maior volume de trabalhadores e estudantes para ações combativas.
Agora, com relação ao comentário do Fagner, achei interessante que se mencionou a &quot;massa de trabalhadores socialistas&quot;. Eu estou de acordo com o fato de que sem uma massa de trabalhadores convencidos a respeito da necessidade de construir uma alternativa ao capitalismo, dificilmente uma revolução trará grandes resultados para a classe trabalhadora. E por isso acho que disputar os sentidos de uma paralisação nacional ou greve geral, com agitação e propaganda socialistas, tem muito maior relevância que disputar o Fora Temer, especialmente quando se trata de que os próprios trabalhadores tenham a experiência de seu poder, não tão diferente do que estamos vendo de parte dos secundaristas. Vejo aqui uma questão essencial de revalorização da noção de &quot;poder&quot;, uma superação necessária do que eu posso entender por &quot;campo autônomo&quot; e que entendo ter sido começado a ser questionado por aquele texto sobre o Limite da Tática, a partir das experiências do MPL. (Se esse acúmulo realmente fez eco nos grupos autoidentificados como &quot;autonomistas&quot;, já é outra história).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agora que o departamento de marketing da CUT está agitando a Greve Geral, acho que é importante debater esses pontos que o texto propõe.<br />
<a href="http://www.cut.org.br/noticias/passeatas-greves-e-marchas-e-o-esquenta-para-greve-geral-4db0/" rel="nofollow ugc">http://www.cut.org.br/noticias/passeatas-greves-e-marchas-e-o-esquenta-para-greve-geral-4db0/</a><br />
Ao invés da extrema-esquerda buscar o seu pão à reboque das manifestações políticas do campo popular, o que parece que está ocorrendo é que a CUT, um passo a frente, já buscará capturar a Greve Geral para torná-la um &#8220;Fora Temer&#8221;, ao invés de combater a Greve Geral por meio do &#8220;Fora Temer&#8221;.<br />
Pois bem. Não existe exatamente um pão (uma paz e uma terra) que unifique hoje a classe, senão muitos, entre reposição salarial acima da inflação (para as categorias que não estão congeladas&#8230;), luta contra demissões, ameaça de reformas e ajustes em diversos âmbitos que afetam o emprego mas também o custo de vida, a estabilidade do emprego, a aposentadoria, enfim.<br />
Nesse sentido, se realmente o jogo de cena da CUT abrir a possibilidade de um dia de paralização nacional efetiva, acredito que mais importante do que delimitar um ou outro pão, o mais importante seria que o ativismo de base consiga mobilizar ações diretas mais combativas que rolezinho na av. Paulista com grandes bexigas sindicalistas; que as bases sintam a força objetiva que têm para paralisar o fluxo de mercadorias, seja na produção ou na circulação. Certamente que para que isso ocorra o Fora Temer não será suficiente e a agitação econômica será fundamental para conseguir mobilizar um maior volume de trabalhadores e estudantes para ações combativas.<br />
Agora, com relação ao comentário do Fagner, achei interessante que se mencionou a &#8220;massa de trabalhadores socialistas&#8221;. Eu estou de acordo com o fato de que sem uma massa de trabalhadores convencidos a respeito da necessidade de construir uma alternativa ao capitalismo, dificilmente uma revolução trará grandes resultados para a classe trabalhadora. E por isso acho que disputar os sentidos de uma paralisação nacional ou greve geral, com agitação e propaganda socialistas, tem muito maior relevância que disputar o Fora Temer, especialmente quando se trata de que os próprios trabalhadores tenham a experiência de seu poder, não tão diferente do que estamos vendo de parte dos secundaristas. Vejo aqui uma questão essencial de revalorização da noção de &#8220;poder&#8221;, uma superação necessária do que eu posso entender por &#8220;campo autônomo&#8221; e que entendo ter sido começado a ser questionado por aquele texto sobre o Limite da Tática, a partir das experiências do MPL. (Se esse acúmulo realmente fez eco nos grupos autoidentificados como &#8220;autonomistas&#8221;, já é outra história).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109360/#comment-311959</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Sep 2016 21:24:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=109360#comment-311959</guid>

					<description><![CDATA[Acho que o problema vai muito além do que foi pontuado no artigo. Não se trata apenas de transformar a mobilização em torno do Fora Temer numa mobilização pautada em questões concretas. Algumas das considerações abaixo se relacionam com o artigo da Karina, ao passo que outras vão um pouco além.

De certa forma, o artigo propõe um tipo de mobilização bem em sintonia com o que temos visto no “campo autonomista”: um autonomismo com relação a partidos, mas extremamente dependente de políticas públicas ou de decisões tomadas a nível de Estado. E faz parte desse autonomismo a reivindicação de uma unidade pragmática entre os diversos agrupamentos à esquerda do campo hegemonizado pelo PT: o dito “campo democrático-popular” (como se esse tipo de unidade não fosse extremamente volátil). Essa dependência com relação ao Estado (seja para revogar medidas como o aumento da tarifa do transporte coletivo, seja para manter públicas as empresas públicas, seja para manter e expandir o funcionalismo público, seja para manter os investimentos públicos em determinadas áreas, seja para manter intactos certos direitos etc.) é uma das principais deficiências dessa esquerda. E essa deficiência é tanto maior quanto se afirma, a torto e a direito, que governos como o governo Temer representam o “neoliberalismo”, portanto a impossibilidade de realização das políticas públicas demandadas pelos movimentos, já que o Estado seria reduzido e colocado definitivamente a serviço do mercado ou da esfera privada (quando não se recorre ao conceito de “neoliberalismo”, a crítica é focada nas “privatizações”). Ou recorre-se ainda à análise cultural: nos deparamos com uma ofensiva “conservadora”, os “conservadores” estão se apossando das instituições do Estado e voltando-as contra os trabalhadores. Nesse sentido, os movimentos pretendem pressionar o Estado com palavras de ordem como “nenhum direito a menos” etc. Em certa medida, o protesto é também cultural: somos de esquerda e não podemos deixar de opôr à ofensiva da direita gestos, símbolos, rituais, uma linguagem de esquerda. O problema é que, no fim, é o Estado que continua a deter o controle do processo, e os movimentos se resumem a pressionar, seja por meio de protestos, seja por meio de ocupações etc.

Mas, em primeiro lugar, o governo Temer, por exemplo, não representa de fato o “neoliberalismo”, embora seja favorável às privatizações em determinados setores (o mesmo pragmatismo do PT no poder). Hoje em dia não há governo capitalista que não articule, de um lado, a intervenção e a atuação do Estado na economia e, de outro, incentivos à iniciativa privada. Muito se afirmou, por exemplo, que o programa de Michel Temer, “Uma ponte para o futuro”, é “neoliberal” (basta fazer uma busca no Google por “uma ponte para o futuro + neoliberalismo” para conferir várias análises que fazem uma associação entre esse programa e o neoliberalismo). Contudo, conferindo o programa (aqui: http://pmdb.org.br/wp-content/uploads/2015/10/RELEASE-TEMER_A4-28.10.15-Online.pdf) percebe-se que ele continua a depositar no Estado a função ativa de promover o desenvolvimento, não no mercado. Além disso, o Estado continua a se responsabilizar pela distribuição de renda, pela criação de oportunidades para camadas inferiores, para grupos historicamente subalternos etc. “Uma ponte para o futuro” não propõe o Estado mínimo, mas um Estado “funcional”, seja ele mínimo ou não. E, contrariamente ao que se tem afirmado, o novo governo não pretende fazer regredir o Brasil a um patamar de desenvolvimento  econômico e social anterior à Era Lula. Pretende, isto sim, resolver a atual crise do modo como os capitalistas costumam resolvê-las: pelo incremento da exploração da força de trabalho, o que não significa necessariamente romper com tudo o que o PT representava.

Na verdade, é a produtividade da economia brasileira que preocupa o atual governo, e o incremento da produtividade depende do avanço da internacionalização da economia; por outro lado, há uma preocupação com a recuperação da capacidade do Estado de promover o desenvolvimento econômico e social, do que depende a resolução da crise fiscal. Numa época em que o desenvolvimento global assenta sobretudo na atuação de grandes transnacionais, e em que são essas empresas que desenvolvem ou patrocinam o desenvolvimento de novas tecnologias e modelos de gestão, é claro que as reformas necessárias para o desenvolvimento da produtividade e o avanço na internacionalização são concebidas a partir do meio empresarial. É isso o que o governo Temer representa, mas seríamos cegos se não reconhecêssemos que o governo Lula e o governo Dilma representaram exatamente o mesmo. A solução que representam é uma solução “dentro da ordem”, articulando Estado e grande capital, e o problema é que, limitando-se a pressionar um Estado que funciona articulado intimamente com o grande capital, para que ele execute políticas que vão de encontro às tecnologias e modelos de gestão concebidos pelas empresas do grande capital, tecnologias e modelos de gestão necessários para que a economia volte a crescer e o Estado recupere a capacidade de promover o desenvolvimento econômico e social, o campo autonomista dá um tiro no próprio pé e não atinge as relações de produção em momento algum. Colocando de outro modo: a introdução de tecnologias e modelos de gestão propostos pelo meio empresarial é condição indispensável para a retomada do crescimento econômico que permite ao Estado intervir, por exemplo, em políticas de combate à pobreza, em políticas de democratização do acesso à universidade, em políticas de estímulo ao consumo das camadas inferiores, em políticas inclusivas para grupos historicamente subalternos, mantendo e ampliando timidamente certos direitos etc., se há de fato uma crise fiscal, como parece haver. Pode-se argumentar, entretanto, que é justamente a retomada do crescimento capitalista e a recuperação da capacidade de intervenção do Estado que se pretende obstar, o que corresponderia à queda do Estado e à crise final do capitalismo, abrindo o caminho para uma nova ordem social. Mas, dadas as condições atuais, na ausência de uma massa de trabalhadores socialistas pronta para estruturar uma nova sociedade, autogerida e capaz de assegurar o progresso econômico e social, o que teríamos seria um vácuo para a generalização da barbárie (os chamados “Estados falidos” nos dão uma noção do que é uma nação onde o capitalismo e suas instituições políticas praticamente deixam de funcionar).

A outra alternativa é a revolução. A questão é que, enquanto a revolução não vem, os capitalistas continuarão a apresentar soluções capitalistas para as crises capitalistas. E, enquanto os movimentos continuarem a conceber o Estado como um instrumento capaz de livrá-los das agruras do capitalismo, as soluções capitalistas para as crises capitalistas sairão reforçadas. Geralmente, o que temos é a esquerda em geral levantando uma outra solução “dentro da ordem” que, para os capitalistas, é inviável. A esquerda parece querer um capitalismo em que os proprietários privados ou coletivos do capital, os capitalistas e os gestores, de bom grado continuariam a conceder serviços públicos, estabilidade no emprego e uma ampla gama de benefícios sociais e trabalhistas, não reclamando nada em troca. Mas, no confronto entre a esquerda e os capitalistas, os segundos têm em mãos não apenas o capital mas também os meios de impôr sua vontade à força, sem contar que, com uma esquerda que fornece de bom grado todas as informações relevantes para a repressão, a coisa fica ainda mais fácil. Portanto, a coisa é muito mais complicada do que simplesmente articular a bandeira do Fora Temer com pautas concretas, e muito mais complicada do que simplesmente promover a unidade pragmática de todos os agrupamentos de esquerda: as tais pautas concretas são, na verdade, obstáculos que os capitalistas pretendem remover. Enfim, com uma esquerda, tanto partidária quanto “autônoma”, que se limita a reivindicar a manutenção de direitos que são, na verdade, recuadíssimos, o único estímulo sobre a classe trabalhadora vai no sentido de manter o mesmo patamar de reivindicações e radicalidade. Se, por um lado, são reivindicações concretas, parciais, que mobilizam os trabalhadores, por outro é preciso que essas lutas pelo menos apontem para reformas viáveis (levando em conta sua plausibilidade e a força e radicalidade da mobilização) capazes de fortalecer a classe trabalhadora enquanto tal, enquanto classe. As reformas propostas pelo campo hegemonizado pelo PT são reformas de outro tipo (quando são de fato reformas, e não tentativas de conservar o que já está dado): são reformas que pretendem integrar, num mesmo projeto de desenvolvimento capitalista, as instituições corrompidas dos trabalhadores e as companhias transnacionais. O desafio está aí.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que o problema vai muito além do que foi pontuado no artigo. Não se trata apenas de transformar a mobilização em torno do Fora Temer numa mobilização pautada em questões concretas. Algumas das considerações abaixo se relacionam com o artigo da Karina, ao passo que outras vão um pouco além.</p>
<p>De certa forma, o artigo propõe um tipo de mobilização bem em sintonia com o que temos visto no “campo autonomista”: um autonomismo com relação a partidos, mas extremamente dependente de políticas públicas ou de decisões tomadas a nível de Estado. E faz parte desse autonomismo a reivindicação de uma unidade pragmática entre os diversos agrupamentos à esquerda do campo hegemonizado pelo PT: o dito “campo democrático-popular” (como se esse tipo de unidade não fosse extremamente volátil). Essa dependência com relação ao Estado (seja para revogar medidas como o aumento da tarifa do transporte coletivo, seja para manter públicas as empresas públicas, seja para manter e expandir o funcionalismo público, seja para manter os investimentos públicos em determinadas áreas, seja para manter intactos certos direitos etc.) é uma das principais deficiências dessa esquerda. E essa deficiência é tanto maior quanto se afirma, a torto e a direito, que governos como o governo Temer representam o “neoliberalismo”, portanto a impossibilidade de realização das políticas públicas demandadas pelos movimentos, já que o Estado seria reduzido e colocado definitivamente a serviço do mercado ou da esfera privada (quando não se recorre ao conceito de “neoliberalismo”, a crítica é focada nas “privatizações”). Ou recorre-se ainda à análise cultural: nos deparamos com uma ofensiva “conservadora”, os “conservadores” estão se apossando das instituições do Estado e voltando-as contra os trabalhadores. Nesse sentido, os movimentos pretendem pressionar o Estado com palavras de ordem como “nenhum direito a menos” etc. Em certa medida, o protesto é também cultural: somos de esquerda e não podemos deixar de opôr à ofensiva da direita gestos, símbolos, rituais, uma linguagem de esquerda. O problema é que, no fim, é o Estado que continua a deter o controle do processo, e os movimentos se resumem a pressionar, seja por meio de protestos, seja por meio de ocupações etc.</p>
<p>Mas, em primeiro lugar, o governo Temer, por exemplo, não representa de fato o “neoliberalismo”, embora seja favorável às privatizações em determinados setores (o mesmo pragmatismo do PT no poder). Hoje em dia não há governo capitalista que não articule, de um lado, a intervenção e a atuação do Estado na economia e, de outro, incentivos à iniciativa privada. Muito se afirmou, por exemplo, que o programa de Michel Temer, “Uma ponte para o futuro”, é “neoliberal” (basta fazer uma busca no Google por “uma ponte para o futuro + neoliberalismo” para conferir várias análises que fazem uma associação entre esse programa e o neoliberalismo). Contudo, conferindo o programa (aqui: <a href="http://pmdb.org.br/wp-content/uploads/2015/10/RELEASE-TEMER_A4-28.10.15-Online.pdf" rel="nofollow ugc">http://pmdb.org.br/wp-content/uploads/2015/10/RELEASE-TEMER_A4-28.10.15-Online.pdf</a>) percebe-se que ele continua a depositar no Estado a função ativa de promover o desenvolvimento, não no mercado. Além disso, o Estado continua a se responsabilizar pela distribuição de renda, pela criação de oportunidades para camadas inferiores, para grupos historicamente subalternos etc. “Uma ponte para o futuro” não propõe o Estado mínimo, mas um Estado “funcional”, seja ele mínimo ou não. E, contrariamente ao que se tem afirmado, o novo governo não pretende fazer regredir o Brasil a um patamar de desenvolvimento  econômico e social anterior à Era Lula. Pretende, isto sim, resolver a atual crise do modo como os capitalistas costumam resolvê-las: pelo incremento da exploração da força de trabalho, o que não significa necessariamente romper com tudo o que o PT representava.</p>
<p>Na verdade, é a produtividade da economia brasileira que preocupa o atual governo, e o incremento da produtividade depende do avanço da internacionalização da economia; por outro lado, há uma preocupação com a recuperação da capacidade do Estado de promover o desenvolvimento econômico e social, do que depende a resolução da crise fiscal. Numa época em que o desenvolvimento global assenta sobretudo na atuação de grandes transnacionais, e em que são essas empresas que desenvolvem ou patrocinam o desenvolvimento de novas tecnologias e modelos de gestão, é claro que as reformas necessárias para o desenvolvimento da produtividade e o avanço na internacionalização são concebidas a partir do meio empresarial. É isso o que o governo Temer representa, mas seríamos cegos se não reconhecêssemos que o governo Lula e o governo Dilma representaram exatamente o mesmo. A solução que representam é uma solução “dentro da ordem”, articulando Estado e grande capital, e o problema é que, limitando-se a pressionar um Estado que funciona articulado intimamente com o grande capital, para que ele execute políticas que vão de encontro às tecnologias e modelos de gestão concebidos pelas empresas do grande capital, tecnologias e modelos de gestão necessários para que a economia volte a crescer e o Estado recupere a capacidade de promover o desenvolvimento econômico e social, o campo autonomista dá um tiro no próprio pé e não atinge as relações de produção em momento algum. Colocando de outro modo: a introdução de tecnologias e modelos de gestão propostos pelo meio empresarial é condição indispensável para a retomada do crescimento econômico que permite ao Estado intervir, por exemplo, em políticas de combate à pobreza, em políticas de democratização do acesso à universidade, em políticas de estímulo ao consumo das camadas inferiores, em políticas inclusivas para grupos historicamente subalternos, mantendo e ampliando timidamente certos direitos etc., se há de fato uma crise fiscal, como parece haver. Pode-se argumentar, entretanto, que é justamente a retomada do crescimento capitalista e a recuperação da capacidade de intervenção do Estado que se pretende obstar, o que corresponderia à queda do Estado e à crise final do capitalismo, abrindo o caminho para uma nova ordem social. Mas, dadas as condições atuais, na ausência de uma massa de trabalhadores socialistas pronta para estruturar uma nova sociedade, autogerida e capaz de assegurar o progresso econômico e social, o que teríamos seria um vácuo para a generalização da barbárie (os chamados “Estados falidos” nos dão uma noção do que é uma nação onde o capitalismo e suas instituições políticas praticamente deixam de funcionar).</p>
<p>A outra alternativa é a revolução. A questão é que, enquanto a revolução não vem, os capitalistas continuarão a apresentar soluções capitalistas para as crises capitalistas. E, enquanto os movimentos continuarem a conceber o Estado como um instrumento capaz de livrá-los das agruras do capitalismo, as soluções capitalistas para as crises capitalistas sairão reforçadas. Geralmente, o que temos é a esquerda em geral levantando uma outra solução “dentro da ordem” que, para os capitalistas, é inviável. A esquerda parece querer um capitalismo em que os proprietários privados ou coletivos do capital, os capitalistas e os gestores, de bom grado continuariam a conceder serviços públicos, estabilidade no emprego e uma ampla gama de benefícios sociais e trabalhistas, não reclamando nada em troca. Mas, no confronto entre a esquerda e os capitalistas, os segundos têm em mãos não apenas o capital mas também os meios de impôr sua vontade à força, sem contar que, com uma esquerda que fornece de bom grado todas as informações relevantes para a repressão, a coisa fica ainda mais fácil. Portanto, a coisa é muito mais complicada do que simplesmente articular a bandeira do Fora Temer com pautas concretas, e muito mais complicada do que simplesmente promover a unidade pragmática de todos os agrupamentos de esquerda: as tais pautas concretas são, na verdade, obstáculos que os capitalistas pretendem remover. Enfim, com uma esquerda, tanto partidária quanto “autônoma”, que se limita a reivindicar a manutenção de direitos que são, na verdade, recuadíssimos, o único estímulo sobre a classe trabalhadora vai no sentido de manter o mesmo patamar de reivindicações e radicalidade. Se, por um lado, são reivindicações concretas, parciais, que mobilizam os trabalhadores, por outro é preciso que essas lutas pelo menos apontem para reformas viáveis (levando em conta sua plausibilidade e a força e radicalidade da mobilização) capazes de fortalecer a classe trabalhadora enquanto tal, enquanto classe. As reformas propostas pelo campo hegemonizado pelo PT são reformas de outro tipo (quando são de fato reformas, e não tentativas de conservar o que já está dado): são reformas que pretendem integrar, num mesmo projeto de desenvolvimento capitalista, as instituições corrompidas dos trabalhadores e as companhias transnacionais. O desafio está aí.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109360/#comment-311955</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Sep 2016 11:40:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=109360#comment-311955</guid>

					<description><![CDATA[NINE FINGERS : RESSACA
-Bebeste muita vodka ontem na festa?
 -Много я напился]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>NINE FINGERS : RESSACA<br />
-Bebeste muita vodka ontem na festa?<br />
 -Много я напился</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/09/109360/#comment-311951</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Sep 2016 16:08:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=109360#comment-311951</guid>

					<description><![CDATA[PORQUE MERDA NÃO AFUNDA
Eminência Parda e Neossub, respectivamente sogro &#038; genro, sobrenadam no revirão titanicpindorâmico. 
Cleptocracia e poder oligárquico: assuntos de famiglia. 
Então, vejamos: o atual presidente da câmara baixa é genro do genro do genro de Getúlio Vargas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>PORQUE MERDA NÃO AFUNDA<br />
Eminência Parda e Neossub, respectivamente sogro &amp; genro, sobrenadam no revirão titanicpindorâmico.<br />
Cleptocracia e poder oligárquico: assuntos de famiglia.<br />
Então, vejamos: o atual presidente da câmara baixa é genro do genro do genro de Getúlio Vargas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
