<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Miopia objetiva e os dilemas do mártir: o ethos ativista vis-à-vis as prisões de aderentes de protesto	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2016/10/109496/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2016/10/109496/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Fri, 21 Oct 2016 01:49:42 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109496/#comment-312002</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Oct 2016 21:18:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://mem4odqulpe6l3gg.onion/?p=109496#comment-312002</guid>

					<description><![CDATA[Existem &quot;atalhos&quot; que a sociedade do espetáculo nos prepara: ser preso significa ser um desafio ao sistema, cobrir o rosto e atirar uma pedra significa combater o sistema, ir a uma manifestação significa lutar contra o sistema, etc.
Creio que é aí onde a narrativa da &quot;perda do controle&quot; de 2013 realmente trás problemas se queremos analisar mais seriamente os últimos anos de mobilização no Brasil. Ainda espero daqueles que colocam as coisas nestes termos que me expliquem exatamente o que é que estava &quot;sob controle&quot; e quem é que tinha o controle. O MPL no máximo tinha poder de convocatória, e isso não é controle, mesmo porque não controlavam nada do que ocorria nas manifestações, tanto por parte dos manifestantes, quanto por parte da PM. O termo &quot;perder o controle&quot; talvez tenha mais a ver com o fato de que nunca quiseram tê-lo, do que com o fato de tê-lo e depois perdê-lo.
Essa introdução serve para pensar quem eram e com que &quot;ethos&quot; muitos dos manifestantes iam e seguem indo a certas manifestações de caráter &quot;horizontal&quot;. Os black blocks, por exemplo, vicejaram justamente em manifestações heterogêneas, mas que eram essencialmente heterogêneas não porque havia uma enorme pluralidade de pessoas organizadas, senão que justamente porque se tratava de um público não organizado, um grande coletivo de indivíduos não organizados. Como o título do texto bem aponta: &quot;aderentes de protesto&quot;. Talvez por isso quantidades tão expressivas destes simpatizavam com a defesa teórica da participação dos BB nas manifestações: ambos estavam lá &quot;realizando seu direito&quot;. Oras, esse nível de discussão era extremamente raso, e se dava não por outro motivo que a participação individualizada destes manifestantes, que não participavam de qualquer instância de debate e organização que pudessem definir os destinos e as táticas da luta à qual colocam apenas o corpo, de vez em quando. O MPL convocava, as pessoas apareciam para um passeio com adrenalina. Alguém convocava algo contra a Copa, as pessoas apareciam, se manifestam, e iam para casa esperar até a próxima manifestação. Minha pergunta é: como pode existir QUALQUER piso de auto-defesa com uma composição assim? Só pode imperar o salve-se quem puder e o oportunismo de gente que usa a massa de escudo para suas ações heroicas individuais.

Acredito que aqui existe uma tarefa não apenas estratégica do ponto de vista revolucionário mas também da forma de defesa contra a repressão, que é uma maior inserção nas organizações de massas, pois sindicatos e movimentos sociais não apenas contam com uma pluralidade ideológica que permite que a solidariedade se estenda mais além da afinidade imediata, como também contam com recursos jurídicos e financeiros que fazem a diferença quando a repressão sobe a níveis como os que parecem estar avizinhando-se.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existem &#8220;atalhos&#8221; que a sociedade do espetáculo nos prepara: ser preso significa ser um desafio ao sistema, cobrir o rosto e atirar uma pedra significa combater o sistema, ir a uma manifestação significa lutar contra o sistema, etc.<br />
Creio que é aí onde a narrativa da &#8220;perda do controle&#8221; de 2013 realmente trás problemas se queremos analisar mais seriamente os últimos anos de mobilização no Brasil. Ainda espero daqueles que colocam as coisas nestes termos que me expliquem exatamente o que é que estava &#8220;sob controle&#8221; e quem é que tinha o controle. O MPL no máximo tinha poder de convocatória, e isso não é controle, mesmo porque não controlavam nada do que ocorria nas manifestações, tanto por parte dos manifestantes, quanto por parte da PM. O termo &#8220;perder o controle&#8221; talvez tenha mais a ver com o fato de que nunca quiseram tê-lo, do que com o fato de tê-lo e depois perdê-lo.<br />
Essa introdução serve para pensar quem eram e com que &#8220;ethos&#8221; muitos dos manifestantes iam e seguem indo a certas manifestações de caráter &#8220;horizontal&#8221;. Os black blocks, por exemplo, vicejaram justamente em manifestações heterogêneas, mas que eram essencialmente heterogêneas não porque havia uma enorme pluralidade de pessoas organizadas, senão que justamente porque se tratava de um público não organizado, um grande coletivo de indivíduos não organizados. Como o título do texto bem aponta: &#8220;aderentes de protesto&#8221;. Talvez por isso quantidades tão expressivas destes simpatizavam com a defesa teórica da participação dos BB nas manifestações: ambos estavam lá &#8220;realizando seu direito&#8221;. Oras, esse nível de discussão era extremamente raso, e se dava não por outro motivo que a participação individualizada destes manifestantes, que não participavam de qualquer instância de debate e organização que pudessem definir os destinos e as táticas da luta à qual colocam apenas o corpo, de vez em quando. O MPL convocava, as pessoas apareciam para um passeio com adrenalina. Alguém convocava algo contra a Copa, as pessoas apareciam, se manifestam, e iam para casa esperar até a próxima manifestação. Minha pergunta é: como pode existir QUALQUER piso de auto-defesa com uma composição assim? Só pode imperar o salve-se quem puder e o oportunismo de gente que usa a massa de escudo para suas ações heroicas individuais.</p>
<p>Acredito que aqui existe uma tarefa não apenas estratégica do ponto de vista revolucionário mas também da forma de defesa contra a repressão, que é uma maior inserção nas organizações de massas, pois sindicatos e movimentos sociais não apenas contam com uma pluralidade ideológica que permite que a solidariedade se estenda mais além da afinidade imediata, como também contam com recursos jurídicos e financeiros que fazem a diferença quando a repressão sobe a níveis como os que parecem estar avizinhando-se.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
