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	Comentários sobre: A luta proletária e as esquerdas comunistas contra a direção do Estado	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: Iniciativas Revolução Universal		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Iniciativas Revolução Universal]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2016 03:22:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Causa-nos surpresa (positiva) a exposição de materiais da esquerda comunista dentro do passapalavra, ainda mais do GCI, grupo com o qual temos inteira afinidade.
O contexto da obra sobre o leninismo pode ser acompanhado nas seguintes traduções, feitas por grupos brasileiros:

http://www.oocities.org/autonomiabvr/lenin1.html

https://libcom.org/library/o-leninismo-contra-revolu%C3%A7%C3%A3o-segunda-parte-o-leninismo-como-supressor-da-ruptura-comunis

Da nossa parte, estamos dando reparos finais em textos do próprio GCI (traduzidos diretamente do francês), do período 1986-1991, sob o título &quot;Revolução e Contra-Revolução na Rússia&quot;. Nossa atividade teórica foi em parte interrompida em parte por causa de ofensivas da repressão que nosso grupo tem sofrido dentro e fora dos meios virtuais (tanto de bozonaristas como de petistas e anarcoides) por assumir abertamente a autonomia proletária, a afirmação anárquica do comunismo e a luta sem quartel - dentro das próprias lutas sociais inclusive - contra todas as variantes da social-democracia/colaboração de classes, tenham o título que tiverem.

Recentemente caíram em nossas mãos não só textos do Manifesto do Grupo Operário de Miasnikov (facção mais fiel ao programa comunista no contexto da Rússia daquele período), que além do manifesto incluem cartas a Trotsky e o texto &quot;O último engano&quot;, publicado na França, como de outras organizações como a ala esquerda do partido social-revolucionário, a versão de Kommunist que circulou na Bulgária, escrita/publicada por uma facção que se manteve fortemente à esquerda da III Internacional.

Em todas as tentativas revolucionárias do proletariado existiram facções mais ou menos definidas em relação a onde queriam chegar e ao papel autônomo do proletariado na Revolução Social, a respeito da abolição do capitalismo e do Estado. Tais facções foram violentamente dizimadas pela social-democracia que, no poder irá usar os mais variados nomes (&quot;socialista&quot;, &quot;comunista&quot; e até mesmo &quot;anarquista&quot; conforme a conveniência oportunista do momento),e o estigma ideológico contra todas as forças revolucionárias que sinceramente se mantiveram no caminho da revolução - quase sempre a acusação de &quot;doença infantil&quot; do comunismo, de radicalismo &quot;pouco produtivo&quot;, de não levarem em conta as &quot;condições objetivas&quot; que a depender do reformismo serão sempre adversas a qualquer transformação, de não respeitarem a &quot;marcha da história&quot; que requer acordos - e logo  renúncias - em relação à facções da burguesia, de não considerarem as &quot;mediações&quot;, as &quot;transições&quot; - na verdade transações e oportunismo traduzidos num jargão aparentemente dialético - que implicam trabalhar dentro das instituições burguesas, necessitando-se então mantê-las, etc..Essas facções são ao mesmo tempo a continuidade do programa revolucionário - que invariantemente é o mesmo, mas durante toda a história também aparecerá com diversos nomes, por vezes como comunismo, por vezes como anarquismo, por vezes como socialismo - e a afirmação dos avanços e debilidades da classe trabalhadora dentro de uma dada conjuntura num determinado período. Assim, na Rússia teremos facções revolucionárias que fazem uma ruptura inconclusa com a social-democracia. A Oposição Operária é o exemplo mais gritante (o ponto nevrálgico, centro de todas as debilidades estará na afirmação do sindicalismo como meio de gerir a sociedade), embora o Grupo em torno da revista Kommounist estivesse ressentido das mesmas características. Em todo caso, o grupo de Miasnikov foi o que mais longe chegou e não tardará a ser castigado pelo leninismo, excomungado por Trotsky e caçado por stalinistas russos e europeus ocidentais. Para se ter uma ideia, Miasnikov encontrou acolhida nas facções da esquerda comunista francesa e belga (influenciadas pela Esquerda Italiana, liderada por Bordiga), que já naquela época tinham uma atividade consistente e certeira contra a III Internacional e a bolchevização dos partidos ocidentais (esse papel no Brasil coube ao que sobrou do PCB, libertário e assumidamente comunista, de 1919 e ao destemido Antonio Canellas, alvo do ódio siamês de stalinistas e trotskistas). Na Bélgica, para se ter um exemplo, Miasnikov teve contato e correspondência com o grupo de Michelangelo Pappalardi, exilado italiano, uma das lideranças do importante grupo &quot;L&#039;Ouvrier Communiste&quot; (&quot;O operário comunista&quot;), que na época era o que havia de mais próximo à revolução naquele país. No entanto, as inconsistências e incompletudes apontadas nos grupos internos ou expulsos do partido bolchevique apareciam também em suas oposições externas. Assim, o movimento de Kronstadt realizava o comunismo na prática, mas nas edições do Izvestia local acusava-se o governo de Lênin de &quot;comunismo&quot; (o que será um grande argumento em favor do anticomunismo anarcoide- e não anarquista -, de muitas décadas mais tarde). O mesmo pode-se dizer da guerrilha expropriadora e coletivista de Makhno, que no entanto era mais consequente a respeito de reivindicar o comunismo, embora agregando-lhe o diferencial de &quot;libertário&quot;, mais para efeito de afirmação contra a falsificação leninista do que para supor que no comunismo não há liberdade (cf. o papel do grupo de Makhno no exílio francês).

Sobre essa incompletude da ruptura revolucionária, mesmo nas facções mais avançadas, é importante observar que mesmo nos países ocidentais a coisa não era muito diferente. Assim, ainda no começo dos anos 20 a esquerda comunista belga lançava candidatos às eleições. No X Congresso do Partido é fato que a Oposição Operária votou a favor do esmagamento de Kronstadt, sendo nisso apoiada pelo KAPD alemão (o partido mais significativo do movimento do &quot;comunismo de conselhos&quot;) e pela esquerda italiana. Isto pode ser explicado seguindo-se o raciocínio de tais facções que imaginavam ser possível capturar o Estado russo ou que ainda dava para direcionar o partido bolchevique em um sentido revolucionário, que havia um governo em disputa (eis ai o germe da teoria do &quot;estado operário degenerado&quot; de Trotsky). Ou ainda, raciocínio falacioso que será repetido trilhões de vezes por stalinistas, trotskistas e todos os seus simpatizantes e assemelhados durante o século XX e também no XXI: que era preferível uma URSS visivelmente capitalista e convertida numa mistura de quartel e oficina de trabalho, mas com discurso aparentemente &quot;socialista&quot; (&quot;era uma referência&quot;, dirão os reformistas veteranos no século XXI), do que a contra-revolução aberta e declarada, que no caso em questão era o triunfo do exército branco e a restauração do czarismo. O que esse falso dilema revela e que tais facções não perceberam é que naquele momento já se revivia a contra-revolução, o termidor leninista já estava em andamento (um dos textos de Miasnikov se chamará &quot;Contra o Termidor&quot;), o plantio do stalinismo já era uma realidade e não era nenhuma coincidência a repressão a Kronstadt coincidir com o decreto proibindo frações e tendências dentro do Partido Bolchevique. Assim, praticava-se a repressão para dentro e para fora do aparato estatal. Esse movimento histórico foi perdido por essas facções, que embora tenham percebido o espírito dos tempos um tanto tardiamente (mas perceberam-no antes do trotskismo), mantiveram acesa a chama da rebeldia, das denúncias à contra-revolução em andamento e sintetizaram a resistência proletária ao capitalismo de tipo &quot;soviético&quot; na Rússia e no resto do mundo.

Outro evento pouco conhecido onde tais características do confronto entre a esquerda comunista e o estado capitalista de novo tipo encarnado por uma contra-revolução em andamento foi na Revolução Chinesa, mormente no período da Revolução Cultural (1966-69). Proliferaram no país tendências afirmando a autonomia revolucionária da classe trabalhadora, a necessidade do combate ao Estado e a recusa às relações sociais capitalistas mantidas pelo aparato maoísta. Facções como &quot;Guarda Revolucionária de Shangai&quot;, &quot;Comitê Revolucionário de Hunan&quot;, &quot;Grande Exército Rebelde 22 de Abril&quot; de Kiangsi tomaram posições teóricas práticas sobre o que identificavam como &quot;nova burguesia&quot; no poder após 1949 e sobre a necessidade de uma &quot;nova revolução&quot;. Tais movimentos padeciam das mesmas dificuldades que seus congêneres russos entre 1920-1926: alguns, por exemplo, acreditavam na possibilidade de uma &quot;guinada à esquerda&quot; do partido - e do próprio Mao - conforme se intensificasse a pressão da base. Com o envio do exército liderado por Lin Piao às ruas (seguindo ordem do próprio Mao), as guardas revolucionárias e os militantes de tais organizações encontraram o caminho da prisão, da morte ou do exílio. Mais tarde o &quot;Grupo de Ação de Pequim&quot; teria um rumo semelhante em 1989. Isso só para falar no exemplo chinês. Outros poderiam ser mencionados como o cubano, dada a posição das oposições de esquerda (sobretudo anarquistas) à opção castrista de capitalismo e a situação criada com a guerrilha conduzida majoritariamente por trabalhadores rurais em Escambray em 1960-63 (que ao contrário da lenda oficial, foi gangrenada pelo bloqueio norte-americano, ficando rapidamente desabastecida de armas e suprimentos). O ecletismo ideológico e o frentismo deste último caso ajudaram a descaracterizá-lo e a turvar as tendências proletárias e subversivas envolvidas.

Os fenômenos mencionados mostram uma trajetória vermelha perpassando as grandes experiências revolucionárias da classe trabalhadora, mantendo a memória da rebeldia, a crítica impiedosa da contra-revolução e a manutenção da orientação subversiva do comunismo dentro das limitações e possibilidades traçadas pela própria luta de classes - avanços e debilidades proletárias - e sobretudo a sobrevivência da perspectiva comunista mesmo contra seus autodenominados representantes que levaram adiante o desenvolvimento capitalista na prática.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Causa-nos surpresa (positiva) a exposição de materiais da esquerda comunista dentro do passapalavra, ainda mais do GCI, grupo com o qual temos inteira afinidade.<br />
O contexto da obra sobre o leninismo pode ser acompanhado nas seguintes traduções, feitas por grupos brasileiros:</p>
<p><a href="http://www.oocities.org/autonomiabvr/lenin1.html" rel="nofollow ugc">http://www.oocities.org/autonomiabvr/lenin1.html</a></p>
<p><a href="https://libcom.org/library/o-leninismo-contra-revolu%C3%A7%C3%A3o-segunda-parte-o-leninismo-como-supressor-da-ruptura-comunis" rel="nofollow ugc">https://libcom.org/library/o-leninismo-contra-revolu%C3%A7%C3%A3o-segunda-parte-o-leninismo-como-supressor-da-ruptura-comunis</a></p>
<p>Da nossa parte, estamos dando reparos finais em textos do próprio GCI (traduzidos diretamente do francês), do período 1986-1991, sob o título &#8220;Revolução e Contra-Revolução na Rússia&#8221;. Nossa atividade teórica foi em parte interrompida em parte por causa de ofensivas da repressão que nosso grupo tem sofrido dentro e fora dos meios virtuais (tanto de bozonaristas como de petistas e anarcoides) por assumir abertamente a autonomia proletária, a afirmação anárquica do comunismo e a luta sem quartel &#8211; dentro das próprias lutas sociais inclusive &#8211; contra todas as variantes da social-democracia/colaboração de classes, tenham o título que tiverem.</p>
<p>Recentemente caíram em nossas mãos não só textos do Manifesto do Grupo Operário de Miasnikov (facção mais fiel ao programa comunista no contexto da Rússia daquele período), que além do manifesto incluem cartas a Trotsky e o texto &#8220;O último engano&#8221;, publicado na França, como de outras organizações como a ala esquerda do partido social-revolucionário, a versão de Kommunist que circulou na Bulgária, escrita/publicada por uma facção que se manteve fortemente à esquerda da III Internacional.</p>
<p>Em todas as tentativas revolucionárias do proletariado existiram facções mais ou menos definidas em relação a onde queriam chegar e ao papel autônomo do proletariado na Revolução Social, a respeito da abolição do capitalismo e do Estado. Tais facções foram violentamente dizimadas pela social-democracia que, no poder irá usar os mais variados nomes (&#8220;socialista&#8221;, &#8220;comunista&#8221; e até mesmo &#8220;anarquista&#8221; conforme a conveniência oportunista do momento),e o estigma ideológico contra todas as forças revolucionárias que sinceramente se mantiveram no caminho da revolução &#8211; quase sempre a acusação de &#8220;doença infantil&#8221; do comunismo, de radicalismo &#8220;pouco produtivo&#8221;, de não levarem em conta as &#8220;condições objetivas&#8221; que a depender do reformismo serão sempre adversas a qualquer transformação, de não respeitarem a &#8220;marcha da história&#8221; que requer acordos &#8211; e logo  renúncias &#8211; em relação à facções da burguesia, de não considerarem as &#8220;mediações&#8221;, as &#8220;transições&#8221; &#8211; na verdade transações e oportunismo traduzidos num jargão aparentemente dialético &#8211; que implicam trabalhar dentro das instituições burguesas, necessitando-se então mantê-las, etc..Essas facções são ao mesmo tempo a continuidade do programa revolucionário &#8211; que invariantemente é o mesmo, mas durante toda a história também aparecerá com diversos nomes, por vezes como comunismo, por vezes como anarquismo, por vezes como socialismo &#8211; e a afirmação dos avanços e debilidades da classe trabalhadora dentro de uma dada conjuntura num determinado período. Assim, na Rússia teremos facções revolucionárias que fazem uma ruptura inconclusa com a social-democracia. A Oposição Operária é o exemplo mais gritante (o ponto nevrálgico, centro de todas as debilidades estará na afirmação do sindicalismo como meio de gerir a sociedade), embora o Grupo em torno da revista Kommounist estivesse ressentido das mesmas características. Em todo caso, o grupo de Miasnikov foi o que mais longe chegou e não tardará a ser castigado pelo leninismo, excomungado por Trotsky e caçado por stalinistas russos e europeus ocidentais. Para se ter uma ideia, Miasnikov encontrou acolhida nas facções da esquerda comunista francesa e belga (influenciadas pela Esquerda Italiana, liderada por Bordiga), que já naquela época tinham uma atividade consistente e certeira contra a III Internacional e a bolchevização dos partidos ocidentais (esse papel no Brasil coube ao que sobrou do PCB, libertário e assumidamente comunista, de 1919 e ao destemido Antonio Canellas, alvo do ódio siamês de stalinistas e trotskistas). Na Bélgica, para se ter um exemplo, Miasnikov teve contato e correspondência com o grupo de Michelangelo Pappalardi, exilado italiano, uma das lideranças do importante grupo &#8220;L&#8217;Ouvrier Communiste&#8221; (&#8220;O operário comunista&#8221;), que na época era o que havia de mais próximo à revolução naquele país. No entanto, as inconsistências e incompletudes apontadas nos grupos internos ou expulsos do partido bolchevique apareciam também em suas oposições externas. Assim, o movimento de Kronstadt realizava o comunismo na prática, mas nas edições do Izvestia local acusava-se o governo de Lênin de &#8220;comunismo&#8221; (o que será um grande argumento em favor do anticomunismo anarcoide- e não anarquista -, de muitas décadas mais tarde). O mesmo pode-se dizer da guerrilha expropriadora e coletivista de Makhno, que no entanto era mais consequente a respeito de reivindicar o comunismo, embora agregando-lhe o diferencial de &#8220;libertário&#8221;, mais para efeito de afirmação contra a falsificação leninista do que para supor que no comunismo não há liberdade (cf. o papel do grupo de Makhno no exílio francês).</p>
<p>Sobre essa incompletude da ruptura revolucionária, mesmo nas facções mais avançadas, é importante observar que mesmo nos países ocidentais a coisa não era muito diferente. Assim, ainda no começo dos anos 20 a esquerda comunista belga lançava candidatos às eleições. No X Congresso do Partido é fato que a Oposição Operária votou a favor do esmagamento de Kronstadt, sendo nisso apoiada pelo KAPD alemão (o partido mais significativo do movimento do &#8220;comunismo de conselhos&#8221;) e pela esquerda italiana. Isto pode ser explicado seguindo-se o raciocínio de tais facções que imaginavam ser possível capturar o Estado russo ou que ainda dava para direcionar o partido bolchevique em um sentido revolucionário, que havia um governo em disputa (eis ai o germe da teoria do &#8220;estado operário degenerado&#8221; de Trotsky). Ou ainda, raciocínio falacioso que será repetido trilhões de vezes por stalinistas, trotskistas e todos os seus simpatizantes e assemelhados durante o século XX e também no XXI: que era preferível uma URSS visivelmente capitalista e convertida numa mistura de quartel e oficina de trabalho, mas com discurso aparentemente &#8220;socialista&#8221; (&#8220;era uma referência&#8221;, dirão os reformistas veteranos no século XXI), do que a contra-revolução aberta e declarada, que no caso em questão era o triunfo do exército branco e a restauração do czarismo. O que esse falso dilema revela e que tais facções não perceberam é que naquele momento já se revivia a contra-revolução, o termidor leninista já estava em andamento (um dos textos de Miasnikov se chamará &#8220;Contra o Termidor&#8221;), o plantio do stalinismo já era uma realidade e não era nenhuma coincidência a repressão a Kronstadt coincidir com o decreto proibindo frações e tendências dentro do Partido Bolchevique. Assim, praticava-se a repressão para dentro e para fora do aparato estatal. Esse movimento histórico foi perdido por essas facções, que embora tenham percebido o espírito dos tempos um tanto tardiamente (mas perceberam-no antes do trotskismo), mantiveram acesa a chama da rebeldia, das denúncias à contra-revolução em andamento e sintetizaram a resistência proletária ao capitalismo de tipo &#8220;soviético&#8221; na Rússia e no resto do mundo.</p>
<p>Outro evento pouco conhecido onde tais características do confronto entre a esquerda comunista e o estado capitalista de novo tipo encarnado por uma contra-revolução em andamento foi na Revolução Chinesa, mormente no período da Revolução Cultural (1966-69). Proliferaram no país tendências afirmando a autonomia revolucionária da classe trabalhadora, a necessidade do combate ao Estado e a recusa às relações sociais capitalistas mantidas pelo aparato maoísta. Facções como &#8220;Guarda Revolucionária de Shangai&#8221;, &#8220;Comitê Revolucionário de Hunan&#8221;, &#8220;Grande Exército Rebelde 22 de Abril&#8221; de Kiangsi tomaram posições teóricas práticas sobre o que identificavam como &#8220;nova burguesia&#8221; no poder após 1949 e sobre a necessidade de uma &#8220;nova revolução&#8221;. Tais movimentos padeciam das mesmas dificuldades que seus congêneres russos entre 1920-1926: alguns, por exemplo, acreditavam na possibilidade de uma &#8220;guinada à esquerda&#8221; do partido &#8211; e do próprio Mao &#8211; conforme se intensificasse a pressão da base. Com o envio do exército liderado por Lin Piao às ruas (seguindo ordem do próprio Mao), as guardas revolucionárias e os militantes de tais organizações encontraram o caminho da prisão, da morte ou do exílio. Mais tarde o &#8220;Grupo de Ação de Pequim&#8221; teria um rumo semelhante em 1989. Isso só para falar no exemplo chinês. Outros poderiam ser mencionados como o cubano, dada a posição das oposições de esquerda (sobretudo anarquistas) à opção castrista de capitalismo e a situação criada com a guerrilha conduzida majoritariamente por trabalhadores rurais em Escambray em 1960-63 (que ao contrário da lenda oficial, foi gangrenada pelo bloqueio norte-americano, ficando rapidamente desabastecida de armas e suprimentos). O ecletismo ideológico e o frentismo deste último caso ajudaram a descaracterizá-lo e a turvar as tendências proletárias e subversivas envolvidas.</p>
<p>Os fenômenos mencionados mostram uma trajetória vermelha perpassando as grandes experiências revolucionárias da classe trabalhadora, mantendo a memória da rebeldia, a crítica impiedosa da contra-revolução e a manutenção da orientação subversiva do comunismo dentro das limitações e possibilidades traçadas pela própria luta de classes &#8211; avanços e debilidades proletárias &#8211; e sobretudo a sobrevivência da perspectiva comunista mesmo contra seus autodenominados representantes que levaram adiante o desenvolvimento capitalista na prática.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109527/#comment-312015</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Oct 2016 15:24:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas,

O problema não é ser mais ou menos complicada a leitura do espanhol; aliás, se fosse para apenas indicar o original, bastava publicar um comentário com o link do texto. O prosseguimento da tradução e a publicação de novos trechos do livro seriam importantes por dois motivos: 1) o texto e o debate gerado por ele fariam parte do acervo do Passa Palavra; 2) o debate poderia prosseguir sem que fosse necessário fazer referência, frequentemente, a um conteúdo externo ao site, para tratar de um ponto ou outro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,</p>
<p>O problema não é ser mais ou menos complicada a leitura do espanhol; aliás, se fosse para apenas indicar o original, bastava publicar um comentário com o link do texto. O prosseguimento da tradução e a publicação de novos trechos do livro seriam importantes por dois motivos: 1) o texto e o debate gerado por ele fariam parte do acervo do Passa Palavra; 2) o debate poderia prosseguir sem que fosse necessário fazer referência, frequentemente, a um conteúdo externo ao site, para tratar de um ponto ou outro.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109527/#comment-312013</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Oct 2016 13:10:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[OBITUÁRIO
György Márkus (1934-2016)
O penúltimo vicediccionista sublukacsiano. Que a terra lhe seja leve!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>OBITUÁRIO<br />
György Márkus (1934-2016)<br />
O penúltimo vicediccionista sublukacsiano. Que a terra lhe seja leve!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109527/#comment-312012</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Oct 2016 18:41:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=109527#comment-312012</guid>

					<description><![CDATA[Fagner, a melhor resposta aos seus comentários seria continuar a tradução da obra. No entanto não tenho este projeto a curto prazo, quem sabe logo encontro tempo para fazê-lo. Fica este texto como convite à leitura em espanhol, que não é nenhum bicho de sete cabeças. No mais, aponto uma questão: o livro ao final não chega a tratar dos pequenos grupos de oposição bolchevique, apenas trás um apêndice com alguns breves textos sobre os Socialistas Revolucionários de Esquerda e sua atuação clandestina pós-1918, como parte de uma dívida pendente na recuperação histórica que os autores quiseram fazer nesta muito breve história das oposições revolucionárias nos primeiros anos do novo regime.
A minha escolha em traduzir este capítulo também é uma certa dívida que eu tinha nos debates aqui feitos sobre a Rev. Russa, já que me parecia haver pouca atenção à tais grupos e como eles se encaixavam no movimento histórico e político em questão -- creio que para mim essa é a forma de dilucidar aos poucos as duas palavras que nos meios políticos pelos quais circulo (virtual e presencialmente) muito se usa e para as quais eu menos consigo ter uma noção clara a respeito do que se pretende significar: &quot;autonomia&quot; e &quot;leninismo&quot;. Para muita gente, leninismo pode ser equivalente a partido, a autoritarismo, a socialismo científico, a centralismo democrático, etc... e nem vou entrar na questão da autonomia. Na perspectiva desta obra, leninismo diz respeito particularmente à forma adotada pela direção bolchevique, em sua aliança com os gestores para manter o Estado burguês &quot;à serviço do proletariado&quot; [talvez seja interessante ler, nesse sentido, a obra que o Ulisses indicou aqui para um maior esclarecimento deste significado na perspectiva destes autores]. Posso adiantar, já que te pareceu o ponto mais interessante do debate adiantado, que para os autores as posições da virada capitalista de Lenin (concedendo que sua obra &quot;Estado e Revolução&quot; propunha a destruição de fato do Estado burguês, e portanto uma posição bem mais à esquerda do que realmente chegou a tomar uma vez no poder) tem 2 textos como fundamento: &quot;Sobre o infantilismo da esquerda&quot; [não confundir com o &quot;A doença infantil...&quot;] e o &quot;Sobre o imposto em especie&quot; [aclaro que não li nenhum dos dois e não sei se assim se traduzem ao português], dando gás às interpretações estatistas do socialismo e transformando as análises classistas da sociedade em análises de &quot;massas pobres&quot; contra &quot;pequenos capitalistas&quot;, etc.

Particularmente sobre o grupo de Miasnikov, que mereceu destaque para os autores, é uma pena que o número da revista dos autores em que tratam especialmente sobre esse grupo não está disponível em versão digital. O que pude encontrar na internet foi o manifesto do grupo em espanhol, que é um documento interessante, publicado clandestinamente em 1923 e que resume muitas das críticas que Mianikov vinha fazendo já nos anos anteriores, e também um artigo de Paul Avrich sobre o tal grupo, em inglês, que é extenso, conta a vida de Miasnikov e como o regime ia lidando com esta figura, as vezes diplomaticamente, as vezes expulsando-o do país, até que o stalinismo decide matá-lo logo após a segunda guerra. E no final deste artigo encontrei algo muito interessante que me remete aos textos do João Bernardo sobre Lucien Laurat: 

For the rest of his life the cult of the proletariat dominated Miasnikov&#039;s thinking. Neither his disillusioning experience in Russia nor the bitterness of emigre life could shatter his high hopes and fervent faith in the ultimate triumph of the workers. Following Trotsky&#039;s rebuff, however, he became an isolated figure. From Constantinople he received permission to go to Paris, where he settled in October 1930, finding work at his old trade in a metals factory. In 1931, he published his manuscript on the Soviet bureaucracy under the title of Ocherednoi obman (The Current Deception). Two years later, when the French Marxist Lucien Laurat issued a similar treatise, Trotsky was quick to note the parallel. Laurat, he wrote, was &quot;obviously unaware that his entire theory had been formulated, only with much more fire and splendor, over thirty years ago by the Russo-Polish revolutionist Machajski,&quot; and that, only recently, the same idea had been put forward by Miasnikov, who maintained that &quot;the dictatorship of the proletariat in Soviet Russia has been supplanted by the hegemony of a new class, the social bureaucracy.&quot;
https://libcom.org/book/export/html/1200]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fagner, a melhor resposta aos seus comentários seria continuar a tradução da obra. No entanto não tenho este projeto a curto prazo, quem sabe logo encontro tempo para fazê-lo. Fica este texto como convite à leitura em espanhol, que não é nenhum bicho de sete cabeças. No mais, aponto uma questão: o livro ao final não chega a tratar dos pequenos grupos de oposição bolchevique, apenas trás um apêndice com alguns breves textos sobre os Socialistas Revolucionários de Esquerda e sua atuação clandestina pós-1918, como parte de uma dívida pendente na recuperação histórica que os autores quiseram fazer nesta muito breve história das oposições revolucionárias nos primeiros anos do novo regime.<br />
A minha escolha em traduzir este capítulo também é uma certa dívida que eu tinha nos debates aqui feitos sobre a Rev. Russa, já que me parecia haver pouca atenção à tais grupos e como eles se encaixavam no movimento histórico e político em questão &#8212; creio que para mim essa é a forma de dilucidar aos poucos as duas palavras que nos meios políticos pelos quais circulo (virtual e presencialmente) muito se usa e para as quais eu menos consigo ter uma noção clara a respeito do que se pretende significar: &#8220;autonomia&#8221; e &#8220;leninismo&#8221;. Para muita gente, leninismo pode ser equivalente a partido, a autoritarismo, a socialismo científico, a centralismo democrático, etc&#8230; e nem vou entrar na questão da autonomia. Na perspectiva desta obra, leninismo diz respeito particularmente à forma adotada pela direção bolchevique, em sua aliança com os gestores para manter o Estado burguês &#8220;à serviço do proletariado&#8221; [talvez seja interessante ler, nesse sentido, a obra que o Ulisses indicou aqui para um maior esclarecimento deste significado na perspectiva destes autores]. Posso adiantar, já que te pareceu o ponto mais interessante do debate adiantado, que para os autores as posições da virada capitalista de Lenin (concedendo que sua obra &#8220;Estado e Revolução&#8221; propunha a destruição de fato do Estado burguês, e portanto uma posição bem mais à esquerda do que realmente chegou a tomar uma vez no poder) tem 2 textos como fundamento: &#8220;Sobre o infantilismo da esquerda&#8221; [não confundir com o &#8220;A doença infantil&#8230;&#8221;] e o &#8220;Sobre o imposto em especie&#8221; [aclaro que não li nenhum dos dois e não sei se assim se traduzem ao português], dando gás às interpretações estatistas do socialismo e transformando as análises classistas da sociedade em análises de &#8220;massas pobres&#8221; contra &#8220;pequenos capitalistas&#8221;, etc.</p>
<p>Particularmente sobre o grupo de Miasnikov, que mereceu destaque para os autores, é uma pena que o número da revista dos autores em que tratam especialmente sobre esse grupo não está disponível em versão digital. O que pude encontrar na internet foi o manifesto do grupo em espanhol, que é um documento interessante, publicado clandestinamente em 1923 e que resume muitas das críticas que Mianikov vinha fazendo já nos anos anteriores, e também um artigo de Paul Avrich sobre o tal grupo, em inglês, que é extenso, conta a vida de Miasnikov e como o regime ia lidando com esta figura, as vezes diplomaticamente, as vezes expulsando-o do país, até que o stalinismo decide matá-lo logo após a segunda guerra. E no final deste artigo encontrei algo muito interessante que me remete aos textos do João Bernardo sobre Lucien Laurat: </p>
<p>For the rest of his life the cult of the proletariat dominated Miasnikov&#8217;s thinking. Neither his disillusioning experience in Russia nor the bitterness of emigre life could shatter his high hopes and fervent faith in the ultimate triumph of the workers. Following Trotsky&#8217;s rebuff, however, he became an isolated figure. From Constantinople he received permission to go to Paris, where he settled in October 1930, finding work at his old trade in a metals factory. In 1931, he published his manuscript on the Soviet bureaucracy under the title of Ocherednoi obman (The Current Deception). Two years later, when the French Marxist Lucien Laurat issued a similar treatise, Trotsky was quick to note the parallel. Laurat, he wrote, was &#8220;obviously unaware that his entire theory had been formulated, only with much more fire and splendor, over thirty years ago by the Russo-Polish revolutionist Machajski,&#8221; and that, only recently, the same idea had been put forward by Miasnikov, who maintained that &#8220;the dictatorship of the proletariat in Soviet Russia has been supplanted by the hegemony of a new class, the social bureaucracy.&#8221;<br />
<a href="https://libcom.org/book/export/html/1200" rel="nofollow ugc">https://libcom.org/book/export/html/1200</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109527/#comment-312010</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Oct 2016 14:06:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[MAIS &#038; MELHORES BLUES (para gáudio de Fagner Enrique)
https://libcom.org/library/o-leninismo-contra-revolu%C3%A7%C3%A3o-gci-icg
https://libcom.org/library/o-leninismo-contra-revolu%C3%A7%C3%A3o-segunda-parte-o-leninismo-como-supressor-da-ruptura-comunis]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>MAIS &amp; MELHORES BLUES (para gáudio de Fagner Enrique)<br />
<a href="https://libcom.org/library/o-leninismo-contra-revolu%C3%A7%C3%A3o-gci-icg" rel="nofollow ugc">https://libcom.org/library/o-leninismo-contra-revolu%C3%A7%C3%A3o-gci-icg</a><br />
<a href="https://libcom.org/library/o-leninismo-contra-revolu%C3%A7%C3%A3o-segunda-parte-o-leninismo-como-supressor-da-ruptura-comunis" rel="nofollow ugc">https://libcom.org/library/o-leninismo-contra-revolu%C3%A7%C3%A3o-segunda-parte-o-leninismo-como-supressor-da-ruptura-comunis</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109527/#comment-312008</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Oct 2016 21:02:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Depois de ler essa tradução, fica uma sensação de inconclusão. Embora sejamos alertados, lá no começo, que se trata de um trecho de um capítulo de um livro, a tradução acaba onde as coisas começam a ficar interessantes. Seria interessante que o tradutor continuasse a tradução.

O texto é interessante porque traz alguns elementos importantes para o debate. Que houve resistência à política capitalista da direção bolchevique no poder, por parte de diversos grupos com inserção na classe trabalhadora e/ou originados a partir da classe trabalhadora, inclusive por parte de membros do próprio partido bolchevique, não é muita novidade, mas o texto acrescenta duas reflexões importantes: a de que a direção bolchevique (principalmente Lenin, chefe do governo) foi obrigada a reconhecer o caráter capitalista (embora, na sua concepção, transitório) de suas políticas, por conta da resistência encontrada; e a de que o governo bolchevique caracterizou-se por oscilações, com idas e vindas, determinadas pela dinâmica da luta de classes, por vezes violenta. Outra reflexão importante é a de que as questões da estatização, planificação, centralização etc. foram discutidas e tomaram forma, primeiramente, nas ruas, por vezes em contextos de luta violenta entre classes e frações de classes. E uma última reflexão importante é a de que, mesmo entre aqueles que faziam oposição à direção bolchevique e, consequentemente, ao governo bolchevique, havia pontos de concordância com as medidas implementadas pelo governo, reforçando a posição do governo.

Mas todas essas questões, me parece, são a preparação do debate. E o texto termina antes que essas questões possam se desdobrar e ser tratadas particularmente, isto é, de acordo com a ideologia e a prática particular de cada oposição ao governo bolchevique ou, pelo menos, das que os autores do texto consideram mais importantes: chegamos a acompanhar brevemente o percurso da primeira oposição, reunida em torno do jornal Kommunist; acompanhamos também, brevemente, o percurso da Oposição Operária; mas, quando aparecem as oposições que, para os autores, foram verdadeiramente revolucionárias, porque deram prosseguimento à oposição na clandestinidade, o texto acaba (o grupo Verdade Operária, o Grupo dos Comunistas Revolucionários de Esquerda e o Grupo Operário Comunista).

Apesar disso, a atribuição de um caráter verdadeiramente revolucionário apenas aos grupos que prosseguiram a luta na clandestinidade já vale um debate em separado, inclusive a caracterização da Oposição de Esquerda como “pseudo-oposição”. Ora, a Oposição de Esquerda pode não ter colocado em causa os principais fundamentos do regime soviético, a burocracia e o predomínio do Estado no âmbito econômico, mas ela chegou a recorrer à clandestinidade para divulgar suas propostas e, no período stalinista, teve membros assassinados, inclusive o filho de Trotsky, Leon Sedov (isso demonstra que ela era uma ameaça séria a Stalin, mesmo que ela não rompesse completamente com o regime soviético). Outro ponto que merece um debate à parte é atribuir à Oposição Operária uma capitulação vergonhosa, pois a Oposição Operária fez críticas internas, corajosamente, justamente no momento da repressão ao movimento de Kronstadt, que coincide com o X Congresso do partido, em março de 1921 (ora, os autores do texto reconhecem, na nota n. 3, que a direção bolchevique ordenou, durante a Revolta de Kronstadt, pela primeira vez, o massacre de seus próprios companheiros de partido).

Seja como for, o fato de que a tradução termina por aí (e não há qualquer menção à publicação de outras partes do texto traduzido) é tanto mais grave quanto lemos, na nota n. 8, que os documentos dos movimentos de oposição são pouco conhecidos e que, como consequência, são acessíveis, muitas vezes, somente a partir das citações de seus adversários; ao que tudo indica, o texto original analisaria, a seguir, as respostas de Lenin aos opositores e, provavelmente, detalharia um pouco mais a atuação daqueles três grupos (Verdade Operária, Grupo dos Comunistas Revolucionários de Esquerda, Grupo Operário Comunista).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de ler essa tradução, fica uma sensação de inconclusão. Embora sejamos alertados, lá no começo, que se trata de um trecho de um capítulo de um livro, a tradução acaba onde as coisas começam a ficar interessantes. Seria interessante que o tradutor continuasse a tradução.</p>
<p>O texto é interessante porque traz alguns elementos importantes para o debate. Que houve resistência à política capitalista da direção bolchevique no poder, por parte de diversos grupos com inserção na classe trabalhadora e/ou originados a partir da classe trabalhadora, inclusive por parte de membros do próprio partido bolchevique, não é muita novidade, mas o texto acrescenta duas reflexões importantes: a de que a direção bolchevique (principalmente Lenin, chefe do governo) foi obrigada a reconhecer o caráter capitalista (embora, na sua concepção, transitório) de suas políticas, por conta da resistência encontrada; e a de que o governo bolchevique caracterizou-se por oscilações, com idas e vindas, determinadas pela dinâmica da luta de classes, por vezes violenta. Outra reflexão importante é a de que as questões da estatização, planificação, centralização etc. foram discutidas e tomaram forma, primeiramente, nas ruas, por vezes em contextos de luta violenta entre classes e frações de classes. E uma última reflexão importante é a de que, mesmo entre aqueles que faziam oposição à direção bolchevique e, consequentemente, ao governo bolchevique, havia pontos de concordância com as medidas implementadas pelo governo, reforçando a posição do governo.</p>
<p>Mas todas essas questões, me parece, são a preparação do debate. E o texto termina antes que essas questões possam se desdobrar e ser tratadas particularmente, isto é, de acordo com a ideologia e a prática particular de cada oposição ao governo bolchevique ou, pelo menos, das que os autores do texto consideram mais importantes: chegamos a acompanhar brevemente o percurso da primeira oposição, reunida em torno do jornal Kommunist; acompanhamos também, brevemente, o percurso da Oposição Operária; mas, quando aparecem as oposições que, para os autores, foram verdadeiramente revolucionárias, porque deram prosseguimento à oposição na clandestinidade, o texto acaba (o grupo Verdade Operária, o Grupo dos Comunistas Revolucionários de Esquerda e o Grupo Operário Comunista).</p>
<p>Apesar disso, a atribuição de um caráter verdadeiramente revolucionário apenas aos grupos que prosseguiram a luta na clandestinidade já vale um debate em separado, inclusive a caracterização da Oposição de Esquerda como “pseudo-oposição”. Ora, a Oposição de Esquerda pode não ter colocado em causa os principais fundamentos do regime soviético, a burocracia e o predomínio do Estado no âmbito econômico, mas ela chegou a recorrer à clandestinidade para divulgar suas propostas e, no período stalinista, teve membros assassinados, inclusive o filho de Trotsky, Leon Sedov (isso demonstra que ela era uma ameaça séria a Stalin, mesmo que ela não rompesse completamente com o regime soviético). Outro ponto que merece um debate à parte é atribuir à Oposição Operária uma capitulação vergonhosa, pois a Oposição Operária fez críticas internas, corajosamente, justamente no momento da repressão ao movimento de Kronstadt, que coincide com o X Congresso do partido, em março de 1921 (ora, os autores do texto reconhecem, na nota n. 3, que a direção bolchevique ordenou, durante a Revolta de Kronstadt, pela primeira vez, o massacre de seus próprios companheiros de partido).</p>
<p>Seja como for, o fato de que a tradução termina por aí (e não há qualquer menção à publicação de outras partes do texto traduzido) é tanto mais grave quanto lemos, na nota n. 8, que os documentos dos movimentos de oposição são pouco conhecidos e que, como consequência, são acessíveis, muitas vezes, somente a partir das citações de seus adversários; ao que tudo indica, o texto original analisaria, a seguir, as respostas de Lenin aos opositores e, provavelmente, detalharia um pouco mais a atuação daqueles três grupos (Verdade Operária, Grupo dos Comunistas Revolucionários de Esquerda, Grupo Operário Comunista).</p>
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