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	Comentários sobre: Resposta a uma identitária: os limites da democracia representativa	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Aparecida		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109689/#comment-312169</link>

		<dc:creator><![CDATA[Aparecida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Dec 2016 05:37:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Diante de alguns comentários e especialmente do texto exposto tive alguns compartilhamentos de ideias e ,certamente,várias indagações que gostaria de expô-las.Acredito,  até ressaltado em um comentário,que a opressão das atuais &#039;minorias&#039; como a que envolve a questão  do gênero,raça e sexualidade são aspectos que chegam a estruturar o capitalismo,ou,seja,intrínseco ao capital como foi bem argumentado no texto que a própria estruturação do mercado de trabalho  reflete a segregação racial,embora estes aspectos não necessitem do capital para existir.Em outras palavras,as questões que envolve gênero,raça e sexualidade chegam a fazer parte da condição de existência do capital,mas o capital não é a condição de existência da questão de gênero,raça ou sexualidade.Neste sentido,pode-se chegar algumas visíveis conclusões:a primeira é que pelo fato desses aspectos como raça,gênero e sexualidade estruturarem o capitalismo é lógico de se pensar que a segregação seja ela racial,de gênero ou em relação a sexualidade não poderá se romper em busca da emancipação com a realidade  que está imposta pelo  capital;por outro lado não é de se espantar que essas discussões das &#039;minorias&#039; que envolvem raça,gênero e sexualidade estejam presentes dentro da perspectiva capitalista já que esses aspectos não são originários e não estão presentes apenas ao modo de organização capitalista.Assim,surge,penso,algumas indagações: não podendo superar  a segregação racial,gênero e de sexualidade no modo de sociedade capitalista devemos buscar uma mudança estrutural na sociedade?Uma revolução?Mas o que seria a revolução?Para qual tipo de sociedade deveria levar a revolução?.
Penso que enquanto não se buscar a  pensar de como deverá ocorrer a mudança estrutural tão desejada ou a revolução não terá como exigir ou esperar que as minorias pensem  fora do modo de sociedade capitalista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diante de alguns comentários e especialmente do texto exposto tive alguns compartilhamentos de ideias e ,certamente,várias indagações que gostaria de expô-las.Acredito,  até ressaltado em um comentário,que a opressão das atuais &#8216;minorias&#8217; como a que envolve a questão  do gênero,raça e sexualidade são aspectos que chegam a estruturar o capitalismo,ou,seja,intrínseco ao capital como foi bem argumentado no texto que a própria estruturação do mercado de trabalho  reflete a segregação racial,embora estes aspectos não necessitem do capital para existir.Em outras palavras,as questões que envolve gênero,raça e sexualidade chegam a fazer parte da condição de existência do capital,mas o capital não é a condição de existência da questão de gênero,raça ou sexualidade.Neste sentido,pode-se chegar algumas visíveis conclusões:a primeira é que pelo fato desses aspectos como raça,gênero e sexualidade estruturarem o capitalismo é lógico de se pensar que a segregação seja ela racial,de gênero ou em relação a sexualidade não poderá se romper em busca da emancipação com a realidade  que está imposta pelo  capital;por outro lado não é de se espantar que essas discussões das &#8216;minorias&#8217; que envolvem raça,gênero e sexualidade estejam presentes dentro da perspectiva capitalista já que esses aspectos não são originários e não estão presentes apenas ao modo de organização capitalista.Assim,surge,penso,algumas indagações: não podendo superar  a segregação racial,gênero e de sexualidade no modo de sociedade capitalista devemos buscar uma mudança estrutural na sociedade?Uma revolução?Mas o que seria a revolução?Para qual tipo de sociedade deveria levar a revolução?.<br />
Penso que enquanto não se buscar a  pensar de como deverá ocorrer a mudança estrutural tão desejada ou a revolução não terá como exigir ou esperar que as minorias pensem  fora do modo de sociedade capitalista.</p>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109689/#comment-312047</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2016 12:59:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tem piada  
LUCAS DIXIT: &quot;bastião do autonomismo internacional [a.k.a. Daniel Caribé?] informa sua nova estratégia e já começam a aparecer variados apoios à iniciativa&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>tem piada<br />
LUCAS DIXIT: &#8220;bastião do autonomismo internacional [a.k.a. Daniel Caribé?] informa sua nova estratégia e já começam a aparecer variados apoios à iniciativa&#8221;.</p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109689/#comment-312046</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Oct 2016 15:18:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Creio que o Douglas apresenta muito bem o embasamento teórico contra as tentativas de conciliação entre a política identitária e a tradição classista revolucionária. Não que o classismo não tenha nada a dizer sobre questões de opressões, o tema de fundo aqui gira sobre as práticas políticas. A participação de correntes marxistas revolucionárias nas eleições tem diferentes objetivos, certamente que o objetivo de &quot;representar minorias&quot; é algo bem recente nessa história. Acho interessante esse debate dos textos em questão como retrato do trotskismo atual e essa maneira de ceder posições para tentar ganhar militantes e votos. Ou será que o texto foi apagado do site do MAIS justamente pelo seu conteúdo?
No mais, para aqueles que enxergam um campo autonomista, as questões referentes à participação eleitoral certamente voltam à ordem do dia agora que um bastião do autonomismo internacional informa sua nova estratégia e já começam a aparecer variados apoios à iniciativa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Creio que o Douglas apresenta muito bem o embasamento teórico contra as tentativas de conciliação entre a política identitária e a tradição classista revolucionária. Não que o classismo não tenha nada a dizer sobre questões de opressões, o tema de fundo aqui gira sobre as práticas políticas. A participação de correntes marxistas revolucionárias nas eleições tem diferentes objetivos, certamente que o objetivo de &#8220;representar minorias&#8221; é algo bem recente nessa história. Acho interessante esse debate dos textos em questão como retrato do trotskismo atual e essa maneira de ceder posições para tentar ganhar militantes e votos. Ou será que o texto foi apagado do site do MAIS justamente pelo seu conteúdo?<br />
No mais, para aqueles que enxergam um campo autonomista, as questões referentes à participação eleitoral certamente voltam à ordem do dia agora que um bastião do autonomismo internacional informa sua nova estratégia e já começam a aparecer variados apoios à iniciativa.</p>
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		<title>
		Por: Só mais um exemplo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109689/#comment-312045</link>

		<dc:creator><![CDATA[Só mais um exemplo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Oct 2016 13:27:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Outro exemplo ilustrativo dessa esquerda ocorreu no C.A das sociais na UNB, que desacataram as escolhas da assembléia porque segundo ela, só havia esquerdo-macho na assembléia. Também o C.A de Filosofia que mais que qualquer outro, deveria se opor a esse fascismo de primeira ordem, abaixou o rabo e se deixou dominar por estes. Triste...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro exemplo ilustrativo dessa esquerda ocorreu no C.A das sociais na UNB, que desacataram as escolhas da assembléia porque segundo ela, só havia esquerdo-macho na assembléia. Também o C.A de Filosofia que mais que qualquer outro, deveria se opor a esse fascismo de primeira ordem, abaixou o rabo e se deixou dominar por estes. Triste&#8230;</p>
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		<title>
		Por: Malanga		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109689/#comment-312044</link>

		<dc:creator><![CDATA[Malanga]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Oct 2016 18:59:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Primeiro gostaria de dizer que o texto traz uma analise precisa e consistente desses movimentos. Assim como o comentário da Jess reforça conclusões que tenho tido. Penso que essa “esquerda identitária” só quer fazer parte do capitalismo. Assim que se “emanciparem”, acenderem dentro da hierarquia do capitalismo, termina a crítica, o discurso, a luta, o coletivo, a atuação partidária e etc..
O comentário da Amalucada do verão é uma ilustração, até como anedota desses movimentos. O que importa a essa esquerda, a meu ver, é conseguir no capitalismo resolver seus problemas matérias. E entrar nas estruturas do Estado, mesmo como representação, é a efetivação da solução dessas carências materiais. Outro episódio que ilustra também, essas minhas conclusões, são o debate ocorrido em Outubro de 2014 na UFRRJ, onde houve uma “acalorada” discussão entre Carlos Moore e Mauro Iasi, devido, de acordo com os relatos, Mauro Iasi criticar Obama e Carlos Moore declarar que Obama era um “avanço para comunidade negra”.  Sem contar, os já tão divulgados financiamentos feitos pela Fundação Ford para congressos acadêmicos, de discussão de identidade.
Mais um indicio, dessas minhas conclusões são à saída dos movimentos identitários, em defesa ao governo do PT. Em maior ou menor medida o governo petista deu espaço em seus ministérios e políticas as reivindicações desses movimentos. Cito de cabeça, Gilberto Gil como ministro da cultura e tão mal falado Kit Gay.  
Ou seja, esses episódios dão dimensão material, na minha leitura, para onde esses movimentos estão olhando. Toda a esquerda é, penso eu, para esses movimentos apenas “companheiros de viagem”.  
Outro problema, eu entendo, é a esquerda tradicional na sua miopia, sempre tentar mudar a “natureza” das coisas. Um movimento que reivindica representação para suas identidades perante o Estado, nunca será revolucionário.  Quem pretende se representar dentro do Estado não pode querer a destruição do mesmo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primeiro gostaria de dizer que o texto traz uma analise precisa e consistente desses movimentos. Assim como o comentário da Jess reforça conclusões que tenho tido. Penso que essa “esquerda identitária” só quer fazer parte do capitalismo. Assim que se “emanciparem”, acenderem dentro da hierarquia do capitalismo, termina a crítica, o discurso, a luta, o coletivo, a atuação partidária e etc..<br />
O comentário da Amalucada do verão é uma ilustração, até como anedota desses movimentos. O que importa a essa esquerda, a meu ver, é conseguir no capitalismo resolver seus problemas matérias. E entrar nas estruturas do Estado, mesmo como representação, é a efetivação da solução dessas carências materiais. Outro episódio que ilustra também, essas minhas conclusões, são o debate ocorrido em Outubro de 2014 na UFRRJ, onde houve uma “acalorada” discussão entre Carlos Moore e Mauro Iasi, devido, de acordo com os relatos, Mauro Iasi criticar Obama e Carlos Moore declarar que Obama era um “avanço para comunidade negra”.  Sem contar, os já tão divulgados financiamentos feitos pela Fundação Ford para congressos acadêmicos, de discussão de identidade.<br />
Mais um indicio, dessas minhas conclusões são à saída dos movimentos identitários, em defesa ao governo do PT. Em maior ou menor medida o governo petista deu espaço em seus ministérios e políticas as reivindicações desses movimentos. Cito de cabeça, Gilberto Gil como ministro da cultura e tão mal falado Kit Gay.<br />
Ou seja, esses episódios dão dimensão material, na minha leitura, para onde esses movimentos estão olhando. Toda a esquerda é, penso eu, para esses movimentos apenas “companheiros de viagem”.<br />
Outro problema, eu entendo, é a esquerda tradicional na sua miopia, sempre tentar mudar a “natureza” das coisas. Um movimento que reivindica representação para suas identidades perante o Estado, nunca será revolucionário.  Quem pretende se representar dentro do Estado não pode querer a destruição do mesmo.</p>
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		<title>
		Por: Amalucada do verão		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109689/#comment-312040</link>

		<dc:creator><![CDATA[Amalucada do verão]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2016 19:07:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Texto pancada! Essa &quot;esquerda&quot; identitária se espalhou como praga em plantação porque é muito fácil ser dela. Basta vir com a &quot;experiência imediata&quot;, como se fosse possível, para garantir o lugar de fala. Na minha faculdade aconteceu algo interessante. Uma parte do M.E foi citar Marx daí subiu uma moça e disse que aquelas idéias eram muito abstratas e que ela tava preocupada mesmo era com o auxílio permanência dela. (Foi aplaudida de pé). Falando gírias como papagaio, de repente, a assembléia se converteu numa disputa de quem falava mais gírias e era o mais fudido. Porque quanto mais fudido mais venerado se tornava...
Uma coisa espantosa e infantil, típica da sociedade do espetáculo em seu último ato. O triste é que tem gente que acha que isso é revolucionário...
Santo Dios!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto pancada! Essa &#8220;esquerda&#8221; identitária se espalhou como praga em plantação porque é muito fácil ser dela. Basta vir com a &#8220;experiência imediata&#8221;, como se fosse possível, para garantir o lugar de fala. Na minha faculdade aconteceu algo interessante. Uma parte do M.E foi citar Marx daí subiu uma moça e disse que aquelas idéias eram muito abstratas e que ela tava preocupada mesmo era com o auxílio permanência dela. (Foi aplaudida de pé). Falando gírias como papagaio, de repente, a assembléia se converteu numa disputa de quem falava mais gírias e era o mais fudido. Porque quanto mais fudido mais venerado se tornava&#8230;<br />
Uma coisa espantosa e infantil, típica da sociedade do espetáculo em seu último ato. O triste é que tem gente que acha que isso é revolucionário&#8230;<br />
Santo Dios!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jess		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109689/#comment-312039</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jess]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2016 18:58:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Douglas,
A minha leitura do seu texto permeia uma ótica um pouco anti-convencional e até mesmo externa, à medida que minha visão sobre esse assunto não parte de uma concepção histórica marxista, nem tampouco classicamente de “esquerda”. Há de minha parte, uma enorme reticência acerca do projeto revolucionário citado como fechamento do texto, e seria desonestidade não iniciar esse comentário pontuando que, se em síntese tendo a acordar com sua leitura acerca de questão, é tão somente porque para mim, ela abre uma outra muito maior, acerca de como acabar com toda forma de exploração, seja ela capitalista, ou de qualquer outra origem histórica.
Para iniciar minha contribuição, pontuo que apesar de concordar que a opressão das atuais “minorias” é uma questão estrutural no capitalismo, necessito delimitar que a vejo como algo intrínseco a ele, embora que não pertencente. A opressão da mulher, só para tomarmos um dos eixos como exemplo, é algo que não pertence ao capitalismo. Não surgiu nele, não existe somente nele e tampouco deixaria de existir ao fim dele. Mas é intrínseco ao seu funcionamento, à medida que cumpre uma função de exploração sem a qual ele não existiria, como uma engrenagem interna sem a qual a máquina do nosso tempo não poderia continuar produzindo. A mulher, portanto, assume nesse cenário qualquer papel que ela desejar. Para o capitalismo, isso não é tão relevante. Importa que em qualquer destes papéis, a exploração esteja incutida. E considero um terrível equívoco quando julgam que a mulher, o negro, ou qualquer outra “minoria”, não podem se emancipar no capitalismo. Pois podem tanto quanto um homem branco, cis e hetéro, basta que eles estejam dispostos a cumprir o papel que a classe dominante desempenha. Como costumo brincar:  “a única moral do capitalismo é a acumulação. Se você a detém, tampouco importa qualquer outra coisa”. 
Nesse sentido, a luta por bandeiras de identidade é imprecisa, tola, mas quase sempre, efetiva. Ela é sim possível no capitalismo, porque negros podem se empoderar e converter-se em opressores, isso no capitalismo é belo e moral. Só o que não é belo, e tampouco moral, é o cessar da máquina produtiva. Enquanto houver um boliviano para substituir um negro na linha de produção, o capitalismo vai muito bem, obrigada. E é por isso que a luta pelo empoderamento se torna absolutamente cativante: sua possibilidade de concretude em um plano não revolucionário e portanto, muito mais pacifico e ordinário, converte todas as incertezas históricas que a clássica esquerda vem deixando desde outubro de 1917. É um prato cheio para os covardes, perdidos e iludidos. Três aspectos que florescem com vigor em nossos tempos. 
Ao meu ver, você foi preciso em delimitar que um dos fundamentos dessa posição equivocada da dita “esquerda identitária”, parte de uma visão cindida de mundo, onde se confunde, o ser e o parecer. Mas essa confusão, no meu entender, não parte de simples troca de conceitos. Parte de uma imaturidade, que ainda não foi superada em nosso tempo. Como atenta observadora de crianças, tenho acordo total com os teóricos que afirmam que o egocentrismo é um estágio inicial da experiência humana. Os bebês atuam sobre o mundo ao seu redor desconsiderando aquilo que não parte da sua própria experiência. São amantes do prazer, e incapazes de compreender a dor. Berram e gritam porque acreditam que o mundo se dobrará a suas necessidades e convicções e acreditam piamente que exercem poder sobre a mãe, quando ela cede o seio para satisfação de suas necessidades. Não tem se quer a consciência que ela só o faz, porque de alguma forma se apropriou dele. Assim porta-se a esquerda identitária. Não percebe que quando se alcança algumas cadeiras no trono do estado é porque o mesmo já se apropriou deles. Já os considera como a semente que perpetuará seu poder em uma troca de engrenagens necessária, de tempos em tempos. Podemos trocar o homo pelo hetero, o negro pelo amarelo, a mulher pelo homem, e ainda não haveria nada de novo embaixo do sol. Mas para quem levanta uma bandeira, essas “conquistas”  nutrem tanto quanto o leite que sai do seio da mãe. Elas bastam para alimentar sua crença que estariam rompendo com a lógica do sistema. Resta à própria experiência mostra-los que o caminho que eles percorrem é um ciclo, daqueles cuja a única direção é eternamente dar voltas em si mesmo.
Portanto para concluir, lamento que ao restante daqueles que entendem a via revolucionária como a única capaz de trazer a verdadeira emancipação humana, resta um solitário caminho. É necessário buscar as respostas sobre como construir um mundo onde não haja mais a exploração do humano pelo humano, essa sim, intrínseca ao nosso modelo econômico, é um dos grandes entraves para a emancipação de todos. Porém sinto em dizer que não me contento com a defesa do fim do capitalismo. Ao contrário do que possa parecer, não vejo na esquerda a direção revolucionária, nem tampouco na mais fidedigna cátedra de Marx. Serei acusada de anarquista ainda algumas vezes mais, pós moderna. Mas julgo importante, pensar a luz das tentativas de outrora, como reunir sujeito e sociedade, de forma há imperar em ambos o crivo da autonomia. E esse ponto, caro Douglas, continua sendo para mim, a histórica divergência contra os marxistas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Douglas,<br />
A minha leitura do seu texto permeia uma ótica um pouco anti-convencional e até mesmo externa, à medida que minha visão sobre esse assunto não parte de uma concepção histórica marxista, nem tampouco classicamente de “esquerda”. Há de minha parte, uma enorme reticência acerca do projeto revolucionário citado como fechamento do texto, e seria desonestidade não iniciar esse comentário pontuando que, se em síntese tendo a acordar com sua leitura acerca de questão, é tão somente porque para mim, ela abre uma outra muito maior, acerca de como acabar com toda forma de exploração, seja ela capitalista, ou de qualquer outra origem histórica.<br />
Para iniciar minha contribuição, pontuo que apesar de concordar que a opressão das atuais “minorias” é uma questão estrutural no capitalismo, necessito delimitar que a vejo como algo intrínseco a ele, embora que não pertencente. A opressão da mulher, só para tomarmos um dos eixos como exemplo, é algo que não pertence ao capitalismo. Não surgiu nele, não existe somente nele e tampouco deixaria de existir ao fim dele. Mas é intrínseco ao seu funcionamento, à medida que cumpre uma função de exploração sem a qual ele não existiria, como uma engrenagem interna sem a qual a máquina do nosso tempo não poderia continuar produzindo. A mulher, portanto, assume nesse cenário qualquer papel que ela desejar. Para o capitalismo, isso não é tão relevante. Importa que em qualquer destes papéis, a exploração esteja incutida. E considero um terrível equívoco quando julgam que a mulher, o negro, ou qualquer outra “minoria”, não podem se emancipar no capitalismo. Pois podem tanto quanto um homem branco, cis e hetéro, basta que eles estejam dispostos a cumprir o papel que a classe dominante desempenha. Como costumo brincar:  “a única moral do capitalismo é a acumulação. Se você a detém, tampouco importa qualquer outra coisa”.<br />
Nesse sentido, a luta por bandeiras de identidade é imprecisa, tola, mas quase sempre, efetiva. Ela é sim possível no capitalismo, porque negros podem se empoderar e converter-se em opressores, isso no capitalismo é belo e moral. Só o que não é belo, e tampouco moral, é o cessar da máquina produtiva. Enquanto houver um boliviano para substituir um negro na linha de produção, o capitalismo vai muito bem, obrigada. E é por isso que a luta pelo empoderamento se torna absolutamente cativante: sua possibilidade de concretude em um plano não revolucionário e portanto, muito mais pacifico e ordinário, converte todas as incertezas históricas que a clássica esquerda vem deixando desde outubro de 1917. É um prato cheio para os covardes, perdidos e iludidos. Três aspectos que florescem com vigor em nossos tempos.<br />
Ao meu ver, você foi preciso em delimitar que um dos fundamentos dessa posição equivocada da dita “esquerda identitária”, parte de uma visão cindida de mundo, onde se confunde, o ser e o parecer. Mas essa confusão, no meu entender, não parte de simples troca de conceitos. Parte de uma imaturidade, que ainda não foi superada em nosso tempo. Como atenta observadora de crianças, tenho acordo total com os teóricos que afirmam que o egocentrismo é um estágio inicial da experiência humana. Os bebês atuam sobre o mundo ao seu redor desconsiderando aquilo que não parte da sua própria experiência. São amantes do prazer, e incapazes de compreender a dor. Berram e gritam porque acreditam que o mundo se dobrará a suas necessidades e convicções e acreditam piamente que exercem poder sobre a mãe, quando ela cede o seio para satisfação de suas necessidades. Não tem se quer a consciência que ela só o faz, porque de alguma forma se apropriou dele. Assim porta-se a esquerda identitária. Não percebe que quando se alcança algumas cadeiras no trono do estado é porque o mesmo já se apropriou deles. Já os considera como a semente que perpetuará seu poder em uma troca de engrenagens necessária, de tempos em tempos. Podemos trocar o homo pelo hetero, o negro pelo amarelo, a mulher pelo homem, e ainda não haveria nada de novo embaixo do sol. Mas para quem levanta uma bandeira, essas “conquistas”  nutrem tanto quanto o leite que sai do seio da mãe. Elas bastam para alimentar sua crença que estariam rompendo com a lógica do sistema. Resta à própria experiência mostra-los que o caminho que eles percorrem é um ciclo, daqueles cuja a única direção é eternamente dar voltas em si mesmo.<br />
Portanto para concluir, lamento que ao restante daqueles que entendem a via revolucionária como a única capaz de trazer a verdadeira emancipação humana, resta um solitário caminho. É necessário buscar as respostas sobre como construir um mundo onde não haja mais a exploração do humano pelo humano, essa sim, intrínseca ao nosso modelo econômico, é um dos grandes entraves para a emancipação de todos. Porém sinto em dizer que não me contento com a defesa do fim do capitalismo. Ao contrário do que possa parecer, não vejo na esquerda a direção revolucionária, nem tampouco na mais fidedigna cátedra de Marx. Serei acusada de anarquista ainda algumas vezes mais, pós moderna. Mas julgo importante, pensar a luz das tentativas de outrora, como reunir sujeito e sociedade, de forma há imperar em ambos o crivo da autonomia. E esse ponto, caro Douglas, continua sendo para mim, a histórica divergência contra os marxistas.</p>
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		<title>
		Por: Luis		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/10/109689/#comment-312033</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luis]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2016 02:26:41 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=109689#comment-312033</guid>

					<description><![CDATA[Debate muito importante. Seu texto inicial, comentando a eleição do Fernando Holiday, foi uma intervenção muito precisa!
Mas a resposta do Esquerda Online é estarrecedora, especialmente levando em conta que é o veículo oficial do MAIS (o racha do PSTU que levou metade do partido embora). Chama atenção que é um grupo marxista-leninista defendendo abertamente a “esquerda identitária”, e se inserindo nela. Num certo trecho, a autora chega a afirmar que “a estupidez política era direito exclusivo” dos “esquerdo-machos” – por mais que ela estivesse forçando a expressão, é sintomático do nível de obscurantismo ao qual essas posições conduzem.
Pra mim ficou o mistério: por que o texto está em cache? Pode ser um bom sinal: será que foi apagado porque causou divergências internas na organização? Jogando no Google, encontrei um outro texto no Esquerda Online sobre o Fernando Holiday, que, apesar de não escapar dos marcos do identitarismo, traz uma posição mais razoável, algo tipo: “não existe representatividade sem propostas de defesa dos oprimidos” (http://esquerdaonline.com.br/2016/10/13/fernando-holiday-representatividade-a-servico-de-quem/).
Não que seja muito relevante saber qual a linha exata da corrente, mas vejo esse caso como um retrato de onde chegou uma esquerda que se entende ainda como “revolucionária”…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Debate muito importante. Seu texto inicial, comentando a eleição do Fernando Holiday, foi uma intervenção muito precisa!<br />
Mas a resposta do Esquerda Online é estarrecedora, especialmente levando em conta que é o veículo oficial do MAIS (o racha do PSTU que levou metade do partido embora). Chama atenção que é um grupo marxista-leninista defendendo abertamente a “esquerda identitária”, e se inserindo nela. Num certo trecho, a autora chega a afirmar que “a estupidez política era direito exclusivo” dos “esquerdo-machos” – por mais que ela estivesse forçando a expressão, é sintomático do nível de obscurantismo ao qual essas posições conduzem.<br />
Pra mim ficou o mistério: por que o texto está em cache? Pode ser um bom sinal: será que foi apagado porque causou divergências internas na organização? Jogando no Google, encontrei um outro texto no Esquerda Online sobre o Fernando Holiday, que, apesar de não escapar dos marcos do identitarismo, traz uma posição mais razoável, algo tipo: “não existe representatividade sem propostas de defesa dos oprimidos” (<a href="http://esquerdaonline.com.br/2016/10/13/fernando-holiday-representatividade-a-servico-de-quem/" rel="nofollow ugc">http://esquerdaonline.com.br/2016/10/13/fernando-holiday-representatividade-a-servico-de-quem/</a>).<br />
Não que seja muito relevante saber qual a linha exata da corrente, mas vejo esse caso como um retrato de onde chegou uma esquerda que se entende ainda como “revolucionária”…</p>
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