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	Comentários sobre: Rackets! (gangues, bandos) – parte II	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Douglas Rodrigues Barros		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/11/110003/#comment-312167</link>

		<dc:creator><![CDATA[Douglas Rodrigues Barros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Dec 2016 00:07:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Camaradas,
Acredito antes de mais nada que devemos ter critérios de análise. Por exemplo, para assuntos históricos tentar não cometer anacronismos. Os conceitos (e ou adjetivos) nascem no interior das relações sociais que são determinadas historicamente. Algo muito preocupante que tem problemas fundamentais e que virou moda na esquerda -- e já era comum na direita e na economia burguesa -- é essencializar uma categoria e aplicá-la a-historicamente. Aqui vi dois exemplos disso: 1) no texto sobre as gangues; 2) num comentário que disse que há registro de atuação policial em Eras pré-históricas.  Essencializar as categorias é um problema que está se tornando comum&quot;, a falta de cuidado e critérios com esse ponto abre arestas para a análise se reduzir a questão de opinião. E já que tudo sempre existiu logo: Platão, embora gay, era racista, misógino e escravocrata. Eis o ponto que acho extremamente vulg ar (um fundo do poço). Guardado esse ponto, central. E que quase de saída me fez abandonar a leitura. Terminei a leitura e o que Lucas falou foi a mesma impressão que fiquei. Ademais, soou o elogio de uma individualidade típica de sociedade civil burguesa e ode a Aufklarung que nos guiará para uma sociedade emancipada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Camaradas,<br />
Acredito antes de mais nada que devemos ter critérios de análise. Por exemplo, para assuntos históricos tentar não cometer anacronismos. Os conceitos (e ou adjetivos) nascem no interior das relações sociais que são determinadas historicamente. Algo muito preocupante que tem problemas fundamentais e que virou moda na esquerda &#8212; e já era comum na direita e na economia burguesa &#8212; é essencializar uma categoria e aplicá-la a-historicamente. Aqui vi dois exemplos disso: 1) no texto sobre as gangues; 2) num comentário que disse que há registro de atuação policial em Eras pré-históricas.  Essencializar as categorias é um problema que está se tornando comum&#8221;, a falta de cuidado e critérios com esse ponto abre arestas para a análise se reduzir a questão de opinião. E já que tudo sempre existiu logo: Platão, embora gay, era racista, misógino e escravocrata. Eis o ponto que acho extremamente vulg ar (um fundo do poço). Guardado esse ponto, central. E que quase de saída me fez abandonar a leitura. Terminei a leitura e o que Lucas falou foi a mesma impressão que fiquei. Ademais, soou o elogio de uma individualidade típica de sociedade civil burguesa e ode a Aufklarung que nos guiará para uma sociedade emancipada.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/11/110003/#comment-312164</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Dec 2016 04:12:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas, interessantes tuas críticas ao texto.  Aparentemente, o trecho em que ele é mais claro quanto ao que você levantou é esse: 

&quot;Não há nada de errado em formar círculos de leitura ou de estudos, ou núcleos engajados em trocar ideias e discutir. O que é debilitante é a noção ganguista de que tudo isso é um “dever” com uma missão histórica, além de um papel tão fundamental a ponto de o destino da humanidade depender disso. &quot; 

Na verdade, concordo com ele que discutir e trocar ideias é realmente a única ação que proletários que compartilham ideias comunistas podem fazer para influenciar os demais proletários na luta (que é a luta deles todos enquanto classe) sem criar vanguardas autoproclamadas, ou seja, gangues políticas. O outro modo de ação, que o senso comum considera como &quot;ação verdadeira que não fica só nas palavras&quot;, geralmente chamado &quot;trabalho de base&quot;, &quot;ativismo&quot; ou &quot;militância&quot;, aparentemente já é ganguista por si só, porque se constitui como um corpo separado que busca colocar os outros proletários como meios para o fim para o qual esse próprio corpo militante (na verdade, cabeça, &quot;capo&quot;) se constituiu. Assim, necessariamente, ao invés de estimular, enquanto iguais, que os demais proletários pensem a ajam por si mesmos,  em que a capacidade de pensar e agir de cada um estimula e aumenta a capacidade de agir e de pensar uns dos outros, o que requer que rompam com a &quot;espontaneidade&quot; reacionária deles decorrente de serem submetidos à condição de capital variável, a &quot;militância&quot; de antemão já se coloca como um corpo separado que faz &quot;trabalho de base&quot; na base e, para fazer esse trabalho, é obrigada a não só a respeitar (cheia de dedos) essa espontaneidade reacionária, mas a reproduzi-la, já que esse é o único meio pelo qual os proletários continuarão meios para o fim para o qual esse corpo de militantes se constituiu.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas, interessantes tuas críticas ao texto.  Aparentemente, o trecho em que ele é mais claro quanto ao que você levantou é esse: </p>
<p>&#8220;Não há nada de errado em formar círculos de leitura ou de estudos, ou núcleos engajados em trocar ideias e discutir. O que é debilitante é a noção ganguista de que tudo isso é um “dever” com uma missão histórica, além de um papel tão fundamental a ponto de o destino da humanidade depender disso. &#8221; </p>
<p>Na verdade, concordo com ele que discutir e trocar ideias é realmente a única ação que proletários que compartilham ideias comunistas podem fazer para influenciar os demais proletários na luta (que é a luta deles todos enquanto classe) sem criar vanguardas autoproclamadas, ou seja, gangues políticas. O outro modo de ação, que o senso comum considera como &#8220;ação verdadeira que não fica só nas palavras&#8221;, geralmente chamado &#8220;trabalho de base&#8221;, &#8220;ativismo&#8221; ou &#8220;militância&#8221;, aparentemente já é ganguista por si só, porque se constitui como um corpo separado que busca colocar os outros proletários como meios para o fim para o qual esse próprio corpo militante (na verdade, cabeça, &#8220;capo&#8221;) se constituiu. Assim, necessariamente, ao invés de estimular, enquanto iguais, que os demais proletários pensem a ajam por si mesmos,  em que a capacidade de pensar e agir de cada um estimula e aumenta a capacidade de agir e de pensar uns dos outros, o que requer que rompam com a &#8220;espontaneidade&#8221; reacionária deles decorrente de serem submetidos à condição de capital variável, a &#8220;militância&#8221; de antemão já se coloca como um corpo separado que faz &#8220;trabalho de base&#8221; na base e, para fazer esse trabalho, é obrigada a não só a respeitar (cheia de dedos) essa espontaneidade reacionária, mas a reproduzi-la, já que esse é o único meio pelo qual os proletários continuarão meios para o fim para o qual esse corpo de militantes se constituiu.</p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/11/110003/#comment-312163</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Dec 2016 00:31:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;E se, porventura, as frações revolucionárias sempre foram desnecessárias, ou podem ser geradas durante a própria revolução? Em um movimento de bilhões, tais associações podem aparecer simultaneamente por toda parte, e não portarão o vírus ganguista.&quot;

Como havia adiantado nos comentários da primeira parte, o autor faz críticas completamente necessárias às tradições estatistas, &quot;leviatísticas&quot;, e também demonstra como expressões históricas de correntes anti-estatais podem cair nas mesmas práticas totalizantes. Essa parte do texto parece deixar mais claro que o autor não está falando de qualquer gangue, no sentido de qualquer associação de indivíduos, mas sim de coletivos políticos. O recurso antropológico/sociológico da primeira parte do texto, ao meu ver, tem esse propósito científico de explicar o fenômeno para além das particularidades históricas. É totalizante: todo grupo político, por mais &quot;anti-gangster&quot; no discurso, será uma gangue. O único tipo de grupo que autor aceita é o grupo de estudos. O esforço por entender o mundo.

A parte que recortei do texto e que abre este comentário para mim mostra onde o está permitido o vazio da argumentação. Para o autor não é necessário explicar como é possível que as frações revolucionárias nasçam sem o &quot;vírus ganguista&quot;. Ah, é porque a organização dos trabalhadores surge das lutas. Bem, mas e o que nós vivemos hoje? As lutas de hoje não contam para a formação de frações revolucionárias? São lutas de segundo escalão? Se não déssemos valor aos aspectos denunciativos do texto, o que sobra parece ser a necessidade de estudar e esperar o processo revolucionário. Entendo que a enorme maioria dos grupos que hoje se colocam a tarefa, não de ser uma fração, mas de ser a própria vanguarda revolucionária, são deploráveis. Mas parece haver nesse ataque ao fenômeno gangster um eclipse de todas as modalidades de associacionismo proletário, especialmente daquelas que de fato desenvolvem um pensamento coletivo expressamente contrário ao capitalismo, não só enquanto relação social individualizável, mas enquanto ordenamento global. 

São duas as questões que este texto me suscita: primeiro, quanto à certeza de que o futuro da humanidade é comunista. Mais do que ensinar o erro dos métodos e das fórmulas, ensina que o futuro é mais difícil do que muito por muitos se pensava.  O autor se pergunta se as frações revolucionárias não teriam sido desde sempre inúteis. Inúteis para o que? Para a revolução que nem sabemos se haverá? E ademais, choramos as contra-revoluções, mas e as revoluções que não foram? Não merecem elas as mesmas críticas, pelo que nelas faltou, que as que foram derrotadas pelo excesso?
A segunda questão também é sobre a revolução, é sobre a guerra. Como será possível lutar uma guerra de classes sem uma organização militar que subjugue um inimigo? A transformação humanista, a cornucópia espontânea e livre das gangues, não compartilha um espírito critão milenarista? Já diz a sabedoria popular, se deus vier, que venha armado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;E se, porventura, as frações revolucionárias sempre foram desnecessárias, ou podem ser geradas durante a própria revolução? Em um movimento de bilhões, tais associações podem aparecer simultaneamente por toda parte, e não portarão o vírus ganguista.&#8221;</p>
<p>Como havia adiantado nos comentários da primeira parte, o autor faz críticas completamente necessárias às tradições estatistas, &#8220;leviatísticas&#8221;, e também demonstra como expressões históricas de correntes anti-estatais podem cair nas mesmas práticas totalizantes. Essa parte do texto parece deixar mais claro que o autor não está falando de qualquer gangue, no sentido de qualquer associação de indivíduos, mas sim de coletivos políticos. O recurso antropológico/sociológico da primeira parte do texto, ao meu ver, tem esse propósito científico de explicar o fenômeno para além das particularidades históricas. É totalizante: todo grupo político, por mais &#8220;anti-gangster&#8221; no discurso, será uma gangue. O único tipo de grupo que autor aceita é o grupo de estudos. O esforço por entender o mundo.</p>
<p>A parte que recortei do texto e que abre este comentário para mim mostra onde o está permitido o vazio da argumentação. Para o autor não é necessário explicar como é possível que as frações revolucionárias nasçam sem o &#8220;vírus ganguista&#8221;. Ah, é porque a organização dos trabalhadores surge das lutas. Bem, mas e o que nós vivemos hoje? As lutas de hoje não contam para a formação de frações revolucionárias? São lutas de segundo escalão? Se não déssemos valor aos aspectos denunciativos do texto, o que sobra parece ser a necessidade de estudar e esperar o processo revolucionário. Entendo que a enorme maioria dos grupos que hoje se colocam a tarefa, não de ser uma fração, mas de ser a própria vanguarda revolucionária, são deploráveis. Mas parece haver nesse ataque ao fenômeno gangster um eclipse de todas as modalidades de associacionismo proletário, especialmente daquelas que de fato desenvolvem um pensamento coletivo expressamente contrário ao capitalismo, não só enquanto relação social individualizável, mas enquanto ordenamento global. </p>
<p>São duas as questões que este texto me suscita: primeiro, quanto à certeza de que o futuro da humanidade é comunista. Mais do que ensinar o erro dos métodos e das fórmulas, ensina que o futuro é mais difícil do que muito por muitos se pensava.  O autor se pergunta se as frações revolucionárias não teriam sido desde sempre inúteis. Inúteis para o que? Para a revolução que nem sabemos se haverá? E ademais, choramos as contra-revoluções, mas e as revoluções que não foram? Não merecem elas as mesmas críticas, pelo que nelas faltou, que as que foram derrotadas pelo excesso?<br />
A segunda questão também é sobre a revolução, é sobre a guerra. Como será possível lutar uma guerra de classes sem uma organização militar que subjugue um inimigo? A transformação humanista, a cornucópia espontânea e livre das gangues, não compartilha um espírito critão milenarista? Já diz a sabedoria popular, se deus vier, que venha armado.</p>
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