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	Comentários sobre: Austeridade,  contagem de corpos e o autoritarismo: o caso do chamado caos no Espírito Santo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Renato Borghi		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313886</link>

		<dc:creator><![CDATA[Renato Borghi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Feb 2017 06:23:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Guilherme, bibliografia não conheço, mas este documentário feito por alunos da Universidad Nacional de Córdoba é muito interessante, mostrando em entrevistas e imagens amadoras as ações dos moradores do bairro Nueva Córdoba, de estudantes de classes média e média-alta, que decidiram, como suposta reação aos saqueios, atacar quaisquer motoqueiros e indivíduos identificados como &quot;negros&quot; - na Argentina o termo, ainda que tenha referências óbvias à cor da pele, está mais relacionado ao pertencimento às classes baixas. https://www.youtube.com/watch?v=YkTb_Utxu2I]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Guilherme, bibliografia não conheço, mas este documentário feito por alunos da Universidad Nacional de Córdoba é muito interessante, mostrando em entrevistas e imagens amadoras as ações dos moradores do bairro Nueva Córdoba, de estudantes de classes média e média-alta, que decidiram, como suposta reação aos saqueios, atacar quaisquer motoqueiros e indivíduos identificados como &#8220;negros&#8221; &#8211; na Argentina o termo, ainda que tenha referências óbvias à cor da pele, está mais relacionado ao pertencimento às classes baixas. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=YkTb_Utxu2I" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=YkTb_Utxu2I</a></p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Primo Jonas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313861</link>

		<dc:creator><![CDATA[Primo Jonas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Feb 2017 16:02:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá guilherme, eu não conheço bibliografia sobre a greve de 2013 aqui na Argentina. Se você se interessa pela temática dos saques, recomendo buscar bibliografia sobre o movimento piqueteiro e sobre o ano de 2001 aqui, pois foi uma prática muito comum no auge da crise. Estava tão naturalizado que até hoje, nos momentos de aumento da pobreza, algumas organizações de bairros pobres vão diretamente à frente de grandes cadeias distribuidoras para pressionar por cestas básicas -- melhor por bem que por mal...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá guilherme, eu não conheço bibliografia sobre a greve de 2013 aqui na Argentina. Se você se interessa pela temática dos saques, recomendo buscar bibliografia sobre o movimento piqueteiro e sobre o ano de 2001 aqui, pois foi uma prática muito comum no auge da crise. Estava tão naturalizado que até hoje, nos momentos de aumento da pobreza, algumas organizações de bairros pobres vão diretamente à frente de grandes cadeias distribuidoras para pressionar por cestas básicas &#8212; melhor por bem que por mal&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Passa Palavra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313841</link>

		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Feb 2017 17:36:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313707&quot;&gt;guilherme b.&lt;/a&gt;.

O comentário de guilherme b. foi feito no dia 18/02, às 23 horas. Por um problema técnico ele estava na nossa pasta de SPAM. Ao percebermos o problema alteramos a data do comentário para 22/02 de modo a que ele figure como comentário recente.

Coletivo Passa Palavra]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313707">guilherme b.</a>.</p>
<p>O comentário de guilherme b. foi feito no dia 18/02, às 23 horas. Por um problema técnico ele estava na nossa pasta de SPAM. Ao percebermos o problema alteramos a data do comentário para 22/02 de modo a que ele figure como comentário recente.</p>
<p>Coletivo Passa Palavra</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: guilherme b.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313707</link>

		<dc:creator><![CDATA[guilherme b.]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Feb 2017 11:02:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=110587#comment-313707</guid>

					<description><![CDATA[chego quase atrasado para o debate, mas primeiramente gostaria de agradecer pelo texto. acho que aponta questões interessantes para um momento que, se à primeira vista é único, na verdade está conectado com questões estruturais bastante complexas.

quero contribuir para as comparações, assim como o primo jonas. tenho começado a ler sobre Córdoba (se o primo jonas tiver mais recomendações bibliográficas agradeceria enormemente!) e o Espírito Santo porque me tocou pesquisar um caso semelhante em Abreu e Lima, Pernambuco. é interessante apontar que, apesar de estar no Brasil, as semelhanças com o caso argentino são mais vísiveis do que com o Espírito Santo. aqui, em 2014, os saques foram a ação coletiva mais presente, o aumento dos homicídios só ocorreu no final de semana seguinte a uma greve de cinquenta horas dos policiais. admito ainda estar perdido entre os dados que tenho construído, mas me parece que os saques não foram tão organizados e é marcante a presença de crianças, mulheres e idosos que chocaram a mídia e ainda geram um discurso da vergonha entre os moradores da cidade.
me interessa uma chave de leitura parecida com a sua Acássio: o que os saques me revelam das relações de poder estabelecidas e o que as transformam? ainda não sei para onde vou, mas a negação da leitura desses acontecimentos pela chave do problema hobbesiano da ordem me parece bastante importante politicamente. aqui não houve um aumento do crime contra pessoas e principalmente grandes estabelecimentos foram saqueados, assim como houve uma presença massiva das classes subalternas. não quero falar em luta de classes, mas chamar para pensar politicamente os saques, nisso me aproximo mais da necessidade de um entendimento da ação coletiva.
enfim, agradeço novamente e espero que as trocas continuem.
abraços!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>chego quase atrasado para o debate, mas primeiramente gostaria de agradecer pelo texto. acho que aponta questões interessantes para um momento que, se à primeira vista é único, na verdade está conectado com questões estruturais bastante complexas.</p>
<p>quero contribuir para as comparações, assim como o primo jonas. tenho começado a ler sobre Córdoba (se o primo jonas tiver mais recomendações bibliográficas agradeceria enormemente!) e o Espírito Santo porque me tocou pesquisar um caso semelhante em Abreu e Lima, Pernambuco. é interessante apontar que, apesar de estar no Brasil, as semelhanças com o caso argentino são mais vísiveis do que com o Espírito Santo. aqui, em 2014, os saques foram a ação coletiva mais presente, o aumento dos homicídios só ocorreu no final de semana seguinte a uma greve de cinquenta horas dos policiais. admito ainda estar perdido entre os dados que tenho construído, mas me parece que os saques não foram tão organizados e é marcante a presença de crianças, mulheres e idosos que chocaram a mídia e ainda geram um discurso da vergonha entre os moradores da cidade.<br />
me interessa uma chave de leitura parecida com a sua Acássio: o que os saques me revelam das relações de poder estabelecidas e o que as transformam? ainda não sei para onde vou, mas a negação da leitura desses acontecimentos pela chave do problema hobbesiano da ordem me parece bastante importante politicamente. aqui não houve um aumento do crime contra pessoas e principalmente grandes estabelecimentos foram saqueados, assim como houve uma presença massiva das classes subalternas. não quero falar em luta de classes, mas chamar para pensar politicamente os saques, nisso me aproximo mais da necessidade de um entendimento da ação coletiva.<br />
enfim, agradeço novamente e espero que as trocas continuem.<br />
abraços!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Acácio Augusto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313602</link>

		<dc:creator><![CDATA[Acácio Augusto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Feb 2017 17:06:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Primo Jonas,
muito interessante seus comentários, além de esclarecer, traz novas questões para o debate. Concordo com a sugestão do Caio que seria interessante escrever um texto, se for da sua vontade, claro! 
Quando vc fala da dimensão das cidades na argentina, em comparação com SP e RJ, lembro que Vitória e região metropolitana também são pequenas, o que sugere um paralelo sobre o funcionamento do regime dos ilegalismos e seu papel nessa paralisação dos policiais aqui. Como sabemos, o circuito da delinquência compreende uma economia de poder que integra prisão, polícia e delinquência, sendo esses últimos uma espécie de exército de reserva de poder das forças repressivas na sociedade burguesa.
Obrigado também pelas músicas, uma fonte importante de compreensão dessas relações. De fato, há uma cultura de denúncia um tanto inócua no rap e a confrontação punk sempre esbarra no passo seguinte e, por ser punk, na possibilidade de construção de algo mais duradouro. Não conhecia essas músicas, estou adorando. O conteúdo me lembra um pouco o livro do Roberto Saviano sobre a periferia de Nápoles (&quot;O contrário da morte&quot;), na qual os jovens morrem nas missões da ONU, servindo as empresas do tráfico ou como policiais, os que restam abrem um bar. Com exceção da ONU (apesar da MINUSTAH, não sou do RJ), lembra muito o destino dos jovens de periferia no Brasil. Aqui a referência com uma resenha do livro:  http://docplayer.com.br/31947396-Gramatica-da-morte-e-amor-a-obediencia.html
Por fim, o exemplo que vc traz dos ocorridos nessas greves da Argentina são importantes, pois muitos militantes de esquerda aqui, por inocência ou oportunismo,  chegaram a falar até em (pasmem!!!) luta e classes.
É isso! 
Abraços]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primo Jonas,<br />
muito interessante seus comentários, além de esclarecer, traz novas questões para o debate. Concordo com a sugestão do Caio que seria interessante escrever um texto, se for da sua vontade, claro!<br />
Quando vc fala da dimensão das cidades na argentina, em comparação com SP e RJ, lembro que Vitória e região metropolitana também são pequenas, o que sugere um paralelo sobre o funcionamento do regime dos ilegalismos e seu papel nessa paralisação dos policiais aqui. Como sabemos, o circuito da delinquência compreende uma economia de poder que integra prisão, polícia e delinquência, sendo esses últimos uma espécie de exército de reserva de poder das forças repressivas na sociedade burguesa.<br />
Obrigado também pelas músicas, uma fonte importante de compreensão dessas relações. De fato, há uma cultura de denúncia um tanto inócua no rap e a confrontação punk sempre esbarra no passo seguinte e, por ser punk, na possibilidade de construção de algo mais duradouro. Não conhecia essas músicas, estou adorando. O conteúdo me lembra um pouco o livro do Roberto Saviano sobre a periferia de Nápoles (&#8220;O contrário da morte&#8221;), na qual os jovens morrem nas missões da ONU, servindo as empresas do tráfico ou como policiais, os que restam abrem um bar. Com exceção da ONU (apesar da MINUSTAH, não sou do RJ), lembra muito o destino dos jovens de periferia no Brasil. Aqui a referência com uma resenha do livro:  <a href="http://docplayer.com.br/31947396-Gramatica-da-morte-e-amor-a-obediencia.html" rel="nofollow ugc">http://docplayer.com.br/31947396-Gramatica-da-morte-e-amor-a-obediencia.html</a><br />
Por fim, o exemplo que vc traz dos ocorridos nessas greves da Argentina são importantes, pois muitos militantes de esquerda aqui, por inocência ou oportunismo,  chegaram a falar até em (pasmem!!!) luta e classes.<br />
É isso!<br />
Abraços</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313600</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Feb 2017 12:46:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Primo Jonas,
Seu comentário, mesmo breve, traz tantas coisas interessantes que já valia um breve artigo. Não deixe de insistir nas comparações.
Abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primo Jonas,<br />
Seu comentário, mesmo breve, traz tantas coisas interessantes que já valia um breve artigo. Não deixe de insistir nas comparações.<br />
Abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Primo Jonas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313591</link>

		<dc:creator><![CDATA[Primo Jonas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Feb 2017 21:15:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=110587#comment-313591</guid>

					<description><![CDATA[Vou seguir aportando as comparações necessárias entre os países hermanos.
No final de 2013 a polícia da província de Córdoba fez uma greve de &quot;aquartelamento&quot;, após os protestos de mulheres e familiares na sede do governo e posteriormente em frente às delegacias para impedir entrada e saída de viaturas. Durou aproximadamente uma semana, marcada por muitos saques organizados (alguns bem organizados, outros mal) e moradores se organizando para enfrentar os saqueadores. Após uma semana de grande caos e midiatização forte deste caos, o governador decidiu dar um aumento de mais de 30% ao salário dos policiais, quando as paritárias daquele ano haviam fechado próximo de 22% para as demais categorias. O evento desencadeou greves de policiais por todo o país, que conseguiram aumentos no piso salarial, como os 80% na província de Buenos Aires, chegando até os 130% em San Juan.

Existem algumas diferenças importantes entre os países quanto às forças policiais e sua relação com a sociedade. A primeira é que na Argentina a polícia não é militarizada, e a ressaca da ditadura a tornou uma fonte de desconfiança para boa parte da sociedade. Ao não ter nenhum tipo de ideologia própria, a polícia é vista como um grupo armado que está supostamente obrigado a combater o crime. No entanto a corrupção policial aqui é amplamente conhecida, especialmente pela tática de muitos policiais de usarem pequenos criminosos e até jovens pobres sem passagem alguma pela polícia para realizar crimes e trazer o dinheiro para os policiais. Se não cumprem com esta ordem, são assassinados pelo chamado &quot;gatillo facil&quot;, eufemismo para as mortes causadas pelo Estado. Se em uma cidade como São Paulo ou Rio, a relação da polícia com o crime &quot;marginal&quot; é essencialmente feita por meio de grandes e poderosos sindicatos e organizações que giram muito dinheiro, aqui a organização do crime &quot;marginal&quot; é muito menor e fragmentada, na base de contatos pessoais e do bairro. Assim, a greve policial aqui é marcada pelos saques: criminosos já experientes que são &quot;instigados&quot; a atuarem frente a falta de policiamento, mas também grupos de pessoas pobres que se veem frente à possibilidade de ter ao menos um mês de mesa farta. Os do segundo grupo tem como alvo as principais cadeias de super/hiper-mercados, como no auge de 2001; já os primeiros atacam qualquer comércio que encontrem à vista. Desta forma aqui na Argentina é mais fácil e comum, neste tipo de situação, ver como as autoridades conseguem colocar partes da população uma contra a outra, difundindo rumores de que os moradores de tal favela irão invadir tal bairro, etc. Já no Brasil a tática parece ser a de instaurar um auto-toque de recolher nos bairros nobres e chacinas e assassinatos isolados nos bairros pobres. Para isso certamente que em alguma medida se utilizam de contatos diretos ou indiretos com criminosos &quot;parceiros&quot;, mas dada a ideologia pesada que as PMs brasileiras trazem consigo, a relação entre policiais e criminosos &quot;marginais&quot; é mais delicada, o que faz com que sejam os próprios policiais, sem fardas, e amigos os que praticam os crimes durante a greve.
Coisa engraçada, que reforça o paralelismo, é que logo após a conclusão da greve dos policiais em Córdoba, o funcionalismo público tentou pegar carona, e obviamente fracassou, como bem entende o autor deste texto. A seguir coloco algumas referências:
http://www.lanacion.com.ar/1644416-cordoba-con-la-policia-acuartelada-se-extienden-los-saqueos
http://www.lanacion.com.ar/1644938-tras-el-aumento-a-policias-de-cordoba-paran-los-empleados-publicos-y-de-la-salud
http://www.elsalvador.com/articulo/internacional/cordoba-acordo-aumento-salarial-policias-tras-huelga-ola-saqueos-45215
https://es.wikipedia.org/wiki/Paros_policiales_en_Argentina_de_2013#El_efecto_C.C3.B3rdoba

Por fim, algo esplêndido que nasceu da música popular dos bairros periféricos de Buenos Aires, a cumbia &quot;villera&quot;, que são as músicas contra os policiais. Mas o interessante é que não se trata de uma postura meramente confrontativa, como tradicionalmente no punk-rock, ou de denúncia, como tradicionalmente no rap. O que se tematiza é o fato de um dos amigos do bairro ter se tornado policial, pois está aí a consciência, triste é certo, de que os policiais tem as mesmas origens que aqueles que depois serão suas vítimas. A denúncia já não é pelos &quot;erros&quot; ou pela &quot;crueldade&quot; da polícia, como uma realidade inescapável, mas sim uma denúncia moral por uma traição. Traição com os amigos, com a comunidade do bairro.
https://www.youtube.com/watch?v=4uV6lxQ3xF4
https://www.youtube.com/watch?v=veM4Q7LS6Wc
https://www.youtube.com/watch?v=18aeFoe5fAo
https://www.youtube.com/watch?v=iFamNtkIWz0
(e também, por que não?, um punk-rock na mesma temática:
https://www.youtube.com/watch?v=_-Nq7ViY8VA)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou seguir aportando as comparações necessárias entre os países hermanos.<br />
No final de 2013 a polícia da província de Córdoba fez uma greve de &#8220;aquartelamento&#8221;, após os protestos de mulheres e familiares na sede do governo e posteriormente em frente às delegacias para impedir entrada e saída de viaturas. Durou aproximadamente uma semana, marcada por muitos saques organizados (alguns bem organizados, outros mal) e moradores se organizando para enfrentar os saqueadores. Após uma semana de grande caos e midiatização forte deste caos, o governador decidiu dar um aumento de mais de 30% ao salário dos policiais, quando as paritárias daquele ano haviam fechado próximo de 22% para as demais categorias. O evento desencadeou greves de policiais por todo o país, que conseguiram aumentos no piso salarial, como os 80% na província de Buenos Aires, chegando até os 130% em San Juan.</p>
<p>Existem algumas diferenças importantes entre os países quanto às forças policiais e sua relação com a sociedade. A primeira é que na Argentina a polícia não é militarizada, e a ressaca da ditadura a tornou uma fonte de desconfiança para boa parte da sociedade. Ao não ter nenhum tipo de ideologia própria, a polícia é vista como um grupo armado que está supostamente obrigado a combater o crime. No entanto a corrupção policial aqui é amplamente conhecida, especialmente pela tática de muitos policiais de usarem pequenos criminosos e até jovens pobres sem passagem alguma pela polícia para realizar crimes e trazer o dinheiro para os policiais. Se não cumprem com esta ordem, são assassinados pelo chamado &#8220;gatillo facil&#8221;, eufemismo para as mortes causadas pelo Estado. Se em uma cidade como São Paulo ou Rio, a relação da polícia com o crime &#8220;marginal&#8221; é essencialmente feita por meio de grandes e poderosos sindicatos e organizações que giram muito dinheiro, aqui a organização do crime &#8220;marginal&#8221; é muito menor e fragmentada, na base de contatos pessoais e do bairro. Assim, a greve policial aqui é marcada pelos saques: criminosos já experientes que são &#8220;instigados&#8221; a atuarem frente a falta de policiamento, mas também grupos de pessoas pobres que se veem frente à possibilidade de ter ao menos um mês de mesa farta. Os do segundo grupo tem como alvo as principais cadeias de super/hiper-mercados, como no auge de 2001; já os primeiros atacam qualquer comércio que encontrem à vista. Desta forma aqui na Argentina é mais fácil e comum, neste tipo de situação, ver como as autoridades conseguem colocar partes da população uma contra a outra, difundindo rumores de que os moradores de tal favela irão invadir tal bairro, etc. Já no Brasil a tática parece ser a de instaurar um auto-toque de recolher nos bairros nobres e chacinas e assassinatos isolados nos bairros pobres. Para isso certamente que em alguma medida se utilizam de contatos diretos ou indiretos com criminosos &#8220;parceiros&#8221;, mas dada a ideologia pesada que as PMs brasileiras trazem consigo, a relação entre policiais e criminosos &#8220;marginais&#8221; é mais delicada, o que faz com que sejam os próprios policiais, sem fardas, e amigos os que praticam os crimes durante a greve.<br />
Coisa engraçada, que reforça o paralelismo, é que logo após a conclusão da greve dos policiais em Córdoba, o funcionalismo público tentou pegar carona, e obviamente fracassou, como bem entende o autor deste texto. A seguir coloco algumas referências:<br />
<a href="http://www.lanacion.com.ar/1644416-cordoba-con-la-policia-acuartelada-se-extienden-los-saqueos" rel="nofollow ugc">http://www.lanacion.com.ar/1644416-cordoba-con-la-policia-acuartelada-se-extienden-los-saqueos</a><br />
<a href="http://www.lanacion.com.ar/1644938-tras-el-aumento-a-policias-de-cordoba-paran-los-empleados-publicos-y-de-la-salud" rel="nofollow ugc">http://www.lanacion.com.ar/1644938-tras-el-aumento-a-policias-de-cordoba-paran-los-empleados-publicos-y-de-la-salud</a><br />
<a href="http://www.elsalvador.com/articulo/internacional/cordoba-acordo-aumento-salarial-policias-tras-huelga-ola-saqueos-45215" rel="nofollow ugc">http://www.elsalvador.com/articulo/internacional/cordoba-acordo-aumento-salarial-policias-tras-huelga-ola-saqueos-45215</a><br />
<a href="https://es.wikipedia.org/wiki/Paros_policiales_en_Argentina_de_2013#El_efecto_C.C3.B3rdoba" rel="nofollow ugc">https://es.wikipedia.org/wiki/Paros_policiales_en_Argentina_de_2013#El_efecto_C.C3.B3rdoba</a></p>
<p>Por fim, algo esplêndido que nasceu da música popular dos bairros periféricos de Buenos Aires, a cumbia &#8220;villera&#8221;, que são as músicas contra os policiais. Mas o interessante é que não se trata de uma postura meramente confrontativa, como tradicionalmente no punk-rock, ou de denúncia, como tradicionalmente no rap. O que se tematiza é o fato de um dos amigos do bairro ter se tornado policial, pois está aí a consciência, triste é certo, de que os policiais tem as mesmas origens que aqueles que depois serão suas vítimas. A denúncia já não é pelos &#8220;erros&#8221; ou pela &#8220;crueldade&#8221; da polícia, como uma realidade inescapável, mas sim uma denúncia moral por uma traição. Traição com os amigos, com a comunidade do bairro.<br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=4uV6lxQ3xF4" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=4uV6lxQ3xF4</a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=veM4Q7LS6Wc" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=veM4Q7LS6Wc</a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=18aeFoe5fAo" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=18aeFoe5fAo</a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=iFamNtkIWz0" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=iFamNtkIWz0</a><br />
(e também, por que não?, um punk-rock na mesma temática:<br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=_-Nq7ViY8VA" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=_-Nq7ViY8VA</a>)</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caterine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313580</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caterine]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Feb 2017 11:27:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gostei muito deste texto e aprendi muito sobre Espirito Danto e o Brasil. Que democracia e essa ? Autoritarismo permeia todas as escalas de poder precisa não apenas dizer mas repetir permanentemente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei muito deste texto e aprendi muito sobre Espirito Danto e o Brasil. Que democracia e essa ? Autoritarismo permeia todas as escalas de poder precisa não apenas dizer mas repetir permanentemente.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcia Christina Martini		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110587/#comment-313570</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcia Christina Martini]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Feb 2017 01:31:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gostei muito do texto. Da análise da complexidade da situação atual, pós golpe. Estou deveras interessada em entender os novos conceitos de esquerda, social democracia, esquerda européia, e em como o autoritarismo permeia governos que afirmam ser democráticos. Gosto muito, preciso destas leituras, mesmo porque, sinto-me responsável é preciso fazer a minha parcela para que ocorra a mudança... e tudo começa dentro de mim.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei muito do texto. Da análise da complexidade da situação atual, pós golpe. Estou deveras interessada em entender os novos conceitos de esquerda, social democracia, esquerda européia, e em como o autoritarismo permeia governos que afirmam ser democráticos. Gosto muito, preciso destas leituras, mesmo porque, sinto-me responsável é preciso fazer a minha parcela para que ocorra a mudança&#8230; e tudo começa dentro de mim.</p>
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