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	Comentários sobre: Uberização do trabalho: subsunção real da viração	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: André Almeida Santos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110685/#comment-733664</link>

		<dc:creator><![CDATA[André Almeida Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Apr 2021 01:19:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O texto de Abílio se mostra na sua forma mais imediata e aparente como uma notícia sobre o mundo do trabalho, mas na medida em que as nossas retinas ultrapassam as primeiras linhas percebemos como a morfologia do mundo do trabalho vem se transformando por meio do neoliberalismo e a crise do sistema capitalista. 
A uberização do trabalho e a subjunção real da viração, elucida o processo de perda de direitos transformando o trabalhador em um microempreendedor em que esse muitas vezes tenha sequer a compreensão da totalidade a qual esta inserido e dos seus desdobramentos. Chamado de parceiro, trabalhador just-in-time o que temos ocultado é que o trabalhador trabalha mais por muito menos com horas e horas parados sem receber pelo deslocamento, sua alimentação, gasolina, enfim pelos instrumentos de produção (não confundir com os meios de produção). Ao mesmo tempo em que o sistema capitalista aprimorou suas formas de controle por meio da avaliação pelas multidões de usuários. 
A uber serve como uma referencia para uma realidade que vem se impondo em todos os campos de trabalho. Mesmo que de forma ilegal, esse sistema vem se espalhando cada vez mais e as leis não conseguem abarcar essa nova conjuntura em que temos o gerente coletivo. O motorista uber além de pagar pelos custos do seu trabalho tende a engrossar as filas de desempregados pela nova estrutura. 
Nesse ínterim, uma nova, há mudanças subjetivas e objetivas com uma forte eliminação dos direitos trabalhistas e com transferência de riscos.
Que desemboca em um mundo em que há a transferência de riscos da empresa para o &quot;parceiro&quot;, empreendedor, enfim, para o trabalhador.
Esse trabalho não pago pode ser facilmente vislumbrado pelos motoboys que tem retirado do seu salário 20% da empresa de aplicativo que não é um patrão mais controla de forma ferrenha o seu &quot;parceiro&quot;, porém transfere para ele todos os custos. Esses vão desde um pneu furado ao pagamento da gasolina. 
O admiravel mundo novo é esse espaço em que o e-marketplace, como espaço virtual, flexibilização, enfim o startups. Estão nesse campo coorporações como a Amazon a Easytaxi entre outras. 
E não é só no campo dos trabalhos com necessidade de pouca escolarização em que temos essa degradação. Cientistas conforme citado pela autora também tendem a adentrar nessa morfologia, 
O artigo de Abílio, deve ser lido por todo trabalhador que precisa compreender o mundo para transformá-lo, pois se descortina sobre nossas retinas um trabalhador sem identidade com o que faz e muitas vezes não sabe o que realmente ele precisará fazer para sobreviver. Virção, Gigi- Economy, economia dos bicos, trabalhador just-in-time, a mudança do nome não altera as condições nefastas que o sistema capitalista esta impondo aos trabalhadores. Assim, é preciso ler cada vez mais textos da autora para compreender melhor esse mundo. Não adianta ser contra a máquina. É preciso lutar para que a função social que a tecnologia ocupa no todo social se modifique e possa ser usada em favor do trabalhador e não contra a classe que a tudo cria conforme descreveu Georgy Lukács na Ontologia do ser social, parte II.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto de Abílio se mostra na sua forma mais imediata e aparente como uma notícia sobre o mundo do trabalho, mas na medida em que as nossas retinas ultrapassam as primeiras linhas percebemos como a morfologia do mundo do trabalho vem se transformando por meio do neoliberalismo e a crise do sistema capitalista.<br />
A uberização do trabalho e a subjunção real da viração, elucida o processo de perda de direitos transformando o trabalhador em um microempreendedor em que esse muitas vezes tenha sequer a compreensão da totalidade a qual esta inserido e dos seus desdobramentos. Chamado de parceiro, trabalhador just-in-time o que temos ocultado é que o trabalhador trabalha mais por muito menos com horas e horas parados sem receber pelo deslocamento, sua alimentação, gasolina, enfim pelos instrumentos de produção (não confundir com os meios de produção). Ao mesmo tempo em que o sistema capitalista aprimorou suas formas de controle por meio da avaliação pelas multidões de usuários.<br />
A uber serve como uma referencia para uma realidade que vem se impondo em todos os campos de trabalho. Mesmo que de forma ilegal, esse sistema vem se espalhando cada vez mais e as leis não conseguem abarcar essa nova conjuntura em que temos o gerente coletivo. O motorista uber além de pagar pelos custos do seu trabalho tende a engrossar as filas de desempregados pela nova estrutura.<br />
Nesse ínterim, uma nova, há mudanças subjetivas e objetivas com uma forte eliminação dos direitos trabalhistas e com transferência de riscos.<br />
Que desemboca em um mundo em que há a transferência de riscos da empresa para o &#8220;parceiro&#8221;, empreendedor, enfim, para o trabalhador.<br />
Esse trabalho não pago pode ser facilmente vislumbrado pelos motoboys que tem retirado do seu salário 20% da empresa de aplicativo que não é um patrão mais controla de forma ferrenha o seu &#8220;parceiro&#8221;, porém transfere para ele todos os custos. Esses vão desde um pneu furado ao pagamento da gasolina.<br />
O admiravel mundo novo é esse espaço em que o e-marketplace, como espaço virtual, flexibilização, enfim o startups. Estão nesse campo coorporações como a Amazon a Easytaxi entre outras.<br />
E não é só no campo dos trabalhos com necessidade de pouca escolarização em que temos essa degradação. Cientistas conforme citado pela autora também tendem a adentrar nessa morfologia,<br />
O artigo de Abílio, deve ser lido por todo trabalhador que precisa compreender o mundo para transformá-lo, pois se descortina sobre nossas retinas um trabalhador sem identidade com o que faz e muitas vezes não sabe o que realmente ele precisará fazer para sobreviver. Virção, Gigi- Economy, economia dos bicos, trabalhador just-in-time, a mudança do nome não altera as condições nefastas que o sistema capitalista esta impondo aos trabalhadores. Assim, é preciso ler cada vez mais textos da autora para compreender melhor esse mundo. Não adianta ser contra a máquina. É preciso lutar para que a função social que a tecnologia ocupa no todo social se modifique e possa ser usada em favor do trabalhador e não contra a classe que a tudo cria conforme descreveu Georgy Lukács na Ontologia do ser social, parte II.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Gabriel M A Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110685/#comment-620544</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel M A Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2020 15:24:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caros colegas do PP. O que voces tem lido acerca do debate teorico sobre valor e trabalho digital e essas conceituacoes de ``capitalismo de dados`` e etc?
Me faltam referencias de carater critico, nao ideologico, sobre o tema.

Agradeco desde ja]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros colegas do PP. O que voces tem lido acerca do debate teorico sobre valor e trabalho digital e essas conceituacoes de &#8220;capitalismo de dados&#8220; e etc?<br />
Me faltam referencias de carater critico, nao ideologico, sobre o tema.</p>
<p>Agradeco desde ja</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: publiciotário		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110685/#comment-317475</link>

		<dc:creator><![CDATA[publiciotário]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Jul 2017 13:31:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O artigo e o tema são ótimos, porém lendo os comentários eu fiquei mais convencido de que o &quot;livre&quot; mercado triunfa por falar a língua do povo (&quot;ganhe dinheiro&quot;, &quot;seja seu próprio chefe&quot;). Já os intelectuais usam palavras tão complexas que talvez nem eles entendem, quanto mais o povo! É necessário escrever de forma mais simples e, principalmente, escrever menos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O artigo e o tema são ótimos, porém lendo os comentários eu fiquei mais convencido de que o &#8220;livre&#8221; mercado triunfa por falar a língua do povo (&#8220;ganhe dinheiro&#8221;, &#8220;seja seu próprio chefe&#8221;). Já os intelectuais usam palavras tão complexas que talvez nem eles entendem, quanto mais o povo! É necessário escrever de forma mais simples e, principalmente, escrever menos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110685/#comment-316055</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Apr 2017 15:03:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ESTUDO DE CASO
RdeSR ou a autoconsciência como work in progress...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ESTUDO DE CASO<br />
RdeSR ou a autoconsciência como work in progress&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Robson De Souza Raimundo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110685/#comment-316030</link>

		<dc:creator><![CDATA[Robson De Souza Raimundo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Apr 2017 01:12:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Este artigo sobre uberização é perfeito, retrata fielmente tudo o que eu e diversas pessoas no mundo estamos passando ao &quot;prestarmos serviços&quot; a estes aplicativos.

Já fui motorista UBER Black aqui em São Paulo e atualmente sou motofretista Loggi. 

Infelizmente estes aplicativos são pura ilusão. Estou na condição de MEI, porém não me sinto um micro-empreendedor, visto que eu sou totalmente subordinado a plataforma, sendo obrigado a seguir todas as regras da empresa sem exceção e corro constantemente risco de retaliação. 

Estou escravizado, pois a ilusória liberdade de trabalhar o dia e horário que quiser não existe. Tenho que trabalhar diuturnamente, senão não pago minhas contas. De domingo a domingo, sem benefícios e direitos trabalhistas. Se sofrer um acidente de moto, estarei em apuros. 

Fiquei na linha de frente nos protestos aqui em São Paulo juntamente com o Sindimoto SP quando em novembro de 2016 a Loggi baixou drasticamente a nossa remuneração em quase 50%. Após 3 dias de paralisação, a Loggi voltou atrás. 
Por conta disto, tornei-me delegado sindical e um dos representantes do Sindimoto APP SP. 

Continuo nesta batalha e não é segredo para a alta administração da Loggi que tenho convicção que a minha relação de trabalho é CLT. 

A escravidão não pode continuar desta forma mascarada.

Atenciosamente 

Robson de Souza Raimundo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo sobre uberização é perfeito, retrata fielmente tudo o que eu e diversas pessoas no mundo estamos passando ao &#8220;prestarmos serviços&#8221; a estes aplicativos.</p>
<p>Já fui motorista UBER Black aqui em São Paulo e atualmente sou motofretista Loggi. </p>
<p>Infelizmente estes aplicativos são pura ilusão. Estou na condição de MEI, porém não me sinto um micro-empreendedor, visto que eu sou totalmente subordinado a plataforma, sendo obrigado a seguir todas as regras da empresa sem exceção e corro constantemente risco de retaliação. </p>
<p>Estou escravizado, pois a ilusória liberdade de trabalhar o dia e horário que quiser não existe. Tenho que trabalhar diuturnamente, senão não pago minhas contas. De domingo a domingo, sem benefícios e direitos trabalhistas. Se sofrer um acidente de moto, estarei em apuros. </p>
<p>Fiquei na linha de frente nos protestos aqui em São Paulo juntamente com o Sindimoto SP quando em novembro de 2016 a Loggi baixou drasticamente a nossa remuneração em quase 50%. Após 3 dias de paralisação, a Loggi voltou atrás.<br />
Por conta disto, tornei-me delegado sindical e um dos representantes do Sindimoto APP SP. </p>
<p>Continuo nesta batalha e não é segredo para a alta administração da Loggi que tenho convicção que a minha relação de trabalho é CLT. </p>
<p>A escravidão não pode continuar desta forma mascarada.</p>
<p>Atenciosamente </p>
<p>Robson de Souza Raimundo</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pepe Chaves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110685/#comment-315827</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pepe Chaves]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Apr 2017 14:28:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Parabéns para autora, gostei muito.Publicamos um texto, mais ligeiro e jornalístico, com um enfoque mais jurídico, na mesma época no Empório do Direito, no Conjur e na Revista da Anamatra. Confluências importantes.

Explorei também, do ponto de vista jurídico, o deslize da produção taylorista, linear, &#039;disciplinar&#039; (Foucault) para a produção reticular do &#039;controle&#039; (Deleuze).

Seguem os links

http://www.conjur.com.br/2017-fev-16/desafio-direito-trabalho-limitar-poder-empregador-nuvem

http://emporiododireito.com.br/o-direito-do-trabalho-pos-material/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parabéns para autora, gostei muito.Publicamos um texto, mais ligeiro e jornalístico, com um enfoque mais jurídico, na mesma época no Empório do Direito, no Conjur e na Revista da Anamatra. Confluências importantes.</p>
<p>Explorei também, do ponto de vista jurídico, o deslize da produção taylorista, linear, &#8216;disciplinar&#8217; (Foucault) para a produção reticular do &#8216;controle&#8217; (Deleuze).</p>
<p>Seguem os links</p>
<p><a href="http://www.conjur.com.br/2017-fev-16/desafio-direito-trabalho-limitar-poder-empregador-nuvem" rel="nofollow ugc">http://www.conjur.com.br/2017-fev-16/desafio-direito-trabalho-limitar-poder-empregador-nuvem</a></p>
<p><a href="http://emporiododireito.com.br/o-direito-do-trabalho-pos-material/" rel="nofollow ugc">http://emporiododireito.com.br/o-direito-do-trabalho-pos-material/</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Legume		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110685/#comment-314796</link>

		<dc:creator><![CDATA[Legume]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Mar 2017 19:45:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acho que está correta a tendência descrita no artigo, isso não quer dizer que será realizada em 100% das estruturas produtivas. Afinal nunca foi assim a transformação de sistemas produtivos. 
Ela já está sendo construída ha algum tempo com a a desarticulação dos grandes pátios industriais e a transformação de unidades de produção altamente tecnologicas. Para quem acompanhe o que dizem os capitalistas verá que há algum tempo a The Enomist já tem falado da possibilidade de se dividir a produção por completo com as impressoras 3d.
Verá também que profissões ditas liberais, como a advocacia, entram cada vez mais nessa escala de produção. E por aí vai.
Como se articular a partir daí, as respostas não me parecem prontas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que está correta a tendência descrita no artigo, isso não quer dizer que será realizada em 100% das estruturas produtivas. Afinal nunca foi assim a transformação de sistemas produtivos.<br />
Ela já está sendo construída ha algum tempo com a a desarticulação dos grandes pátios industriais e a transformação de unidades de produção altamente tecnologicas. Para quem acompanhe o que dizem os capitalistas verá que há algum tempo a The Enomist já tem falado da possibilidade de se dividir a produção por completo com as impressoras 3d.<br />
Verá também que profissões ditas liberais, como a advocacia, entram cada vez mais nessa escala de produção. E por aí vai.<br />
Como se articular a partir daí, as respostas não me parecem prontas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ludmila		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110685/#comment-314621</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ludmila]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Mar 2017 21:16:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=110685#comment-314621</guid>

					<description><![CDATA[Quando Arabel questiona criticamente a real possibilidade de generalização da uberização, compartilho de sua dúvida, e ainda que me pareça sim um futuro provável e possível para diversos setores, compreendo que uma coisa é pensar, por exemplo,  em um futuro generalizado de professores uberizados – como Danilo já nos apresenta agora, outra seria o de operários da GM.  Entretanto, se olharmos para os operários contemporâneos, que não estão só na GM, mas nas fábricas de hamburguer McDonald’s, nas empresas de telemarketing, nas redes Starbucks, veremos o exército de trabalhadores Just-in-time que já estão uberizados há um bom tempo.  
Em realidade, o artigo tem em mira abordagens marxistas que se dependuram na idéia de progresso, que enfocam permanentemente as modernas ou modernizadas formas de desenvolvimento do capitalismo, tomando o outro lado da moeda – das ocupações de baixa produtividade, das ocupações que são facilmente (e muitas vezes erronamente) taxadas de improdutivas, do trabalho tipicamente feminino, etc – mais como resquícios do desenvolvimento capitalista do que parte do jogo permanente entre modernização e precariedade – o qual, de minha perspectiva, está no cerne da teoria marxiana, mas é permanentemente obscurecido. Recuperando o exemplo dado por Arabel, no último comentário, da fábrica com seus milhares de operários padrão e costureiras domiciliares, estas são geralmente mais compreendidas como resquício do que parte igualmente central do ciclo global do capital. Esta perspectiva tem consequências políticas e impasses sérios, dificultando há décadas a compreensão das formas de exploração e da acumulação capitalista na periferia. 
A segunda mira do artigo refere-se aos debates sobre a subsunção do trabalho na contemporaneidade. O toyotismo se apropria da subjetividade e do conhecimento do trabalhador, não mais os negando, mas os colocando como, digamos, uma espécie de fator de produção. (ver artigo de Leda Paulani – O papel da força viva de trabalho  no processo capitalista de produção -http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&#038;ref=000049&#038;pid=S0101-4161200500010000700013&#038;lng=pt).  Esta apropriação abriu brechas para o questionamento sobre a própria fonte da formação do valor, na medida em que o trabalho teria um caráter agora imensurável, incontabilizável, não redutível a trabalho abstrato. Esta perspectiva dá brechas para um empobrecimento da definição de subsunção real do trabalho, ao possibilitar uma interpretação que acaba por transformar a violência das formas de dominação e expropriação do trabalhador em uma dominação que se exerce apenas sobre o seu corpo e não sobre sua alma. Em outras palavras, o trabalhador operário é facilmente transformável em mero apertador de parafusos, como se o dispêndio de energia a que Marx se referia fosse de uma energia proveniente puramente do movimento físico do trabalhador, quando em realidade é muito mais terrível, trata-se do roubo de seu corpo físico e sua alma – ou seja, sua subjetividade, seu conhecimento sobre a produção, etc.  Na mesma linha, o artigo também mira no desvio da compreensão da força de trabalho como força produtiva social do trabalho. Ou seja, o que está em jogo não é a mera soma de forças do trabalho individualizadas, ou da força de trabalho concebida como a propriedade individual do trabalhador, mas da façanha capitalista da apropriação da força produtiva social do trabalho enquanto tal. Seguindo os argumentos de Taiguara e Pablo sobre a subsunção, o elemento central da subsunção real do trabalho refere-se a esta apropriação da força produtiva social do trabalho que então aparece como força produtiva do capital, e volta-se como força estranha contra o próprio trabalhador. 
Isto posto, a definição de subsunção real aqui busca desvendar, como o que Taiguara escreveu, por “ vias não muito ortodoxas pelas quais esse trabalho “individual” se converte em trabalho “coletivo” seriam justamente a novidade permitida pelas novas tecnologias informacionais”. 
As trabalhadoras da Natura não têm seu trabalho subsumido como uma soma das atividades esparsas de 1,5 milhão de mulheres. Na esteira de fábrica, sua atividade se torna a informação que pauta simplesmente todo o ritmo da produção, que possibilita que a empresa se livre de uma série de riscos e custos. São um trabalhador coletivo da distribuição, há algo aí que as categorias estáticas não vão dar conta de explicar.  
O que leva à questão: seria a uberização possível apenas para trabalhos de “pouca socialização”? o que pressupõe trabalhos nos quais a divisão do trabalho está parcamente desenvolvida, e estão no máximo assentados em uma forma de cooperação simples. Esta questão é central,  mas podemos inverter a perspectiva. Ao invés de pensarmos no que restringe a uberização – seria este seu limite? (ou, até mesmo, o limite de sua relevância política?), podemos inverter o ponto de partida. Estas ocupações na sua forma uberizada nos evidenciam novas formas de apropriação e subordinação do trabalhador coletivo, que mesmo em atividades individualizadas, pouco segmentadas, podem se realizar como um trabalhador coletivo. Seria um limite ou pelo contrário, a explicitação que os limites da subsunção real foram ampliados? A organização dos trabalhadores no mesmo local de trabalho, a divisão de tarefas, a especialização são os germes para a subsunção real do trabalho e ao mesmo tempo seus fundamentos (limitantes); estaríamos vendo um “soltar das amarras” da subsunção real? 
Esta liberação já havia mostrado os dentes com o toyotismo Seria possível pensarmos então em mais um passo, do uberismo? Se estes limites se ampliam, também se reconfiguram o gerenciamento e a “autonomizacao dos meios de produção como capital perante o trabalhador”,nas palavras de Marx. No caso do motorista Uber, ele pode ter o carro, dirigir, fazer a manutenção, etc, mas o que lhe faz motorista Uber não é isso. O que define seus ganhos, o que define qual passageiro atenderá, o que define as possibilidades da próxima corrida, e mais ainda, a forma como vai executar seu trabalho é o “meio de produção” software, que  opera ao mesmo tempo como o meio de gerenciamento e de expropriação de seu trabalho. Mas tudo isso só é possível se os trabalhadores forem uma multidão, e o gerenciamento for terceirizado para a multidão de consumidores, ou seja, gerenciamento e organização do trabalho estariam operando sobre novas bases. Há algo muito complexo aí que não nos permite comparar este motorista ao artesão que precisa de um mediador para escoar a sua produção. Este mediador não é um mediador, é o proprietário do mais importante meio de produção (em realidade todos os outros podem pertencer ao próprio trabalhador), e este meio é o que possibilita o motorista ser motorista, ao mesmo tempo que dita as regras de seu trabalho, define o valor de seu trabalho, sua remuneração.  Ainda, e daí o título do artigo, esse motorista nem era motorista, ele se torna de forma amadora um motorista da marca Uber, porque a marca Uber se apropria da viração. 
A definição de viração em realidade é um dos únicos termos utilizados para evidenciar algo que segue muito pouco conhecido sobre o mercado de trabalho brasileiro. A trajetória de grande parte da população brasileira é feita da viração: alta rotatividade, combinação de diferentes trabalhos, bicos passageiros e permanentes, algo que as estatísticas não mostram nem contabilizam (ver que interessante o que está sendo agora contabilizado como desemprego “ampliado”, mas também poderia ser contabilizado como a real do trabalho: http://www.sinafer.org.br/novo/desemprego-ampliado-no-brasil-e-de-212-quase-o-dobro-da-taxa-oficial/)  (os argumentos de Kim Moody poderiam ser pensados pelo mesmo caminho? Menos a novidade, mais o evidenciamento de algo que já ocorre há decadas?). Entretanto, a viração parecia corresponder ao “atraso”, as formas “pré-capitalistas” dentre outros termos que sempre estabelecem a linha divisória entre o verdadeiro capitalismo e seus resquícios; agora fica difícil não enxergar que, chamemos como quisermos, mas estas atividades que são bico, que puderam (perigosamente, em minha opinião) serem tomadas como formas ‘pequenas”, “desimportantes”, “improdutivas” de garantir a sobrevivência,  agora estão subsumidas, e não se trata de um retorno ao passado (que significaria associa-las a uma subsunção formal), mas entender os novos passos da subsunção real. 
O que nos leva à questão de Lindemberg, sobre o poder descritivo da categoria trabalhador. Ou enxergamos as novas formas de expropriação do trabalho que estão fortemente assentadas em uma apropriação lucrativa da perda de formas do trabalho ou vamos seguir nos embates entre o que seriam meras formas de exploração pré-capitalistas e as verdadeiramente capitalistas, assim como não vamos dar conta de entender a apropriação de atividades que aparecem como lazer, exercício da criatividade, etc. O joguinho citado, jogado durante o trabalho é um trabalho sem forma trabalho, mas que se realiza como trabalho. Como descreve-lo? Nomea-lo? 
Quanto a questão de Veridiana, essa parece simples, mas para mim é muito complicada e facilmente ignorada. De saída afirmamos que a autonomia que vem junto com a flexiiblizacao do trabalho é uma falsa autonomia, etc. Mas esta resposta não dá conta de explicar a resposta de 100% dos motoboys que entrevistei – o que eles mais valorizam em seu trabalho é a liberdade. Não ter patrão, fazer seu horário (mesmo que sejam 14 horas por dia). Enfim, está claro que é uma falsa autonomia, mas ao mesmo tempo para o trabalhador é e não é, há uma dimensão de liberdade na flexibilização que é difícil da gente enfrentar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando Arabel questiona criticamente a real possibilidade de generalização da uberização, compartilho de sua dúvida, e ainda que me pareça sim um futuro provável e possível para diversos setores, compreendo que uma coisa é pensar, por exemplo,  em um futuro generalizado de professores uberizados – como Danilo já nos apresenta agora, outra seria o de operários da GM.  Entretanto, se olharmos para os operários contemporâneos, que não estão só na GM, mas nas fábricas de hamburguer McDonald’s, nas empresas de telemarketing, nas redes Starbucks, veremos o exército de trabalhadores Just-in-time que já estão uberizados há um bom tempo.<br />
Em realidade, o artigo tem em mira abordagens marxistas que se dependuram na idéia de progresso, que enfocam permanentemente as modernas ou modernizadas formas de desenvolvimento do capitalismo, tomando o outro lado da moeda – das ocupações de baixa produtividade, das ocupações que são facilmente (e muitas vezes erronamente) taxadas de improdutivas, do trabalho tipicamente feminino, etc – mais como resquícios do desenvolvimento capitalista do que parte do jogo permanente entre modernização e precariedade – o qual, de minha perspectiva, está no cerne da teoria marxiana, mas é permanentemente obscurecido. Recuperando o exemplo dado por Arabel, no último comentário, da fábrica com seus milhares de operários padrão e costureiras domiciliares, estas são geralmente mais compreendidas como resquício do que parte igualmente central do ciclo global do capital. Esta perspectiva tem consequências políticas e impasses sérios, dificultando há décadas a compreensão das formas de exploração e da acumulação capitalista na periferia.<br />
A segunda mira do artigo refere-se aos debates sobre a subsunção do trabalho na contemporaneidade. O toyotismo se apropria da subjetividade e do conhecimento do trabalhador, não mais os negando, mas os colocando como, digamos, uma espécie de fator de produção. (ver artigo de Leda Paulani – O papel da força viva de trabalho  no processo capitalista de produção -http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&amp;ref=000049&amp;pid=S0101-4161200500010000700013&amp;lng=pt).  Esta apropriação abriu brechas para o questionamento sobre a própria fonte da formação do valor, na medida em que o trabalho teria um caráter agora imensurável, incontabilizável, não redutível a trabalho abstrato. Esta perspectiva dá brechas para um empobrecimento da definição de subsunção real do trabalho, ao possibilitar uma interpretação que acaba por transformar a violência das formas de dominação e expropriação do trabalhador em uma dominação que se exerce apenas sobre o seu corpo e não sobre sua alma. Em outras palavras, o trabalhador operário é facilmente transformável em mero apertador de parafusos, como se o dispêndio de energia a que Marx se referia fosse de uma energia proveniente puramente do movimento físico do trabalhador, quando em realidade é muito mais terrível, trata-se do roubo de seu corpo físico e sua alma – ou seja, sua subjetividade, seu conhecimento sobre a produção, etc.  Na mesma linha, o artigo também mira no desvio da compreensão da força de trabalho como força produtiva social do trabalho. Ou seja, o que está em jogo não é a mera soma de forças do trabalho individualizadas, ou da força de trabalho concebida como a propriedade individual do trabalhador, mas da façanha capitalista da apropriação da força produtiva social do trabalho enquanto tal. Seguindo os argumentos de Taiguara e Pablo sobre a subsunção, o elemento central da subsunção real do trabalho refere-se a esta apropriação da força produtiva social do trabalho que então aparece como força produtiva do capital, e volta-se como força estranha contra o próprio trabalhador.<br />
Isto posto, a definição de subsunção real aqui busca desvendar, como o que Taiguara escreveu, por “ vias não muito ortodoxas pelas quais esse trabalho “individual” se converte em trabalho “coletivo” seriam justamente a novidade permitida pelas novas tecnologias informacionais”.<br />
As trabalhadoras da Natura não têm seu trabalho subsumido como uma soma das atividades esparsas de 1,5 milhão de mulheres. Na esteira de fábrica, sua atividade se torna a informação que pauta simplesmente todo o ritmo da produção, que possibilita que a empresa se livre de uma série de riscos e custos. São um trabalhador coletivo da distribuição, há algo aí que as categorias estáticas não vão dar conta de explicar.<br />
O que leva à questão: seria a uberização possível apenas para trabalhos de “pouca socialização”? o que pressupõe trabalhos nos quais a divisão do trabalho está parcamente desenvolvida, e estão no máximo assentados em uma forma de cooperação simples. Esta questão é central,  mas podemos inverter a perspectiva. Ao invés de pensarmos no que restringe a uberização – seria este seu limite? (ou, até mesmo, o limite de sua relevância política?), podemos inverter o ponto de partida. Estas ocupações na sua forma uberizada nos evidenciam novas formas de apropriação e subordinação do trabalhador coletivo, que mesmo em atividades individualizadas, pouco segmentadas, podem se realizar como um trabalhador coletivo. Seria um limite ou pelo contrário, a explicitação que os limites da subsunção real foram ampliados? A organização dos trabalhadores no mesmo local de trabalho, a divisão de tarefas, a especialização são os germes para a subsunção real do trabalho e ao mesmo tempo seus fundamentos (limitantes); estaríamos vendo um “soltar das amarras” da subsunção real?<br />
Esta liberação já havia mostrado os dentes com o toyotismo Seria possível pensarmos então em mais um passo, do uberismo? Se estes limites se ampliam, também se reconfiguram o gerenciamento e a “autonomizacao dos meios de produção como capital perante o trabalhador”,nas palavras de Marx. No caso do motorista Uber, ele pode ter o carro, dirigir, fazer a manutenção, etc, mas o que lhe faz motorista Uber não é isso. O que define seus ganhos, o que define qual passageiro atenderá, o que define as possibilidades da próxima corrida, e mais ainda, a forma como vai executar seu trabalho é o “meio de produção” software, que  opera ao mesmo tempo como o meio de gerenciamento e de expropriação de seu trabalho. Mas tudo isso só é possível se os trabalhadores forem uma multidão, e o gerenciamento for terceirizado para a multidão de consumidores, ou seja, gerenciamento e organização do trabalho estariam operando sobre novas bases. Há algo muito complexo aí que não nos permite comparar este motorista ao artesão que precisa de um mediador para escoar a sua produção. Este mediador não é um mediador, é o proprietário do mais importante meio de produção (em realidade todos os outros podem pertencer ao próprio trabalhador), e este meio é o que possibilita o motorista ser motorista, ao mesmo tempo que dita as regras de seu trabalho, define o valor de seu trabalho, sua remuneração.  Ainda, e daí o título do artigo, esse motorista nem era motorista, ele se torna de forma amadora um motorista da marca Uber, porque a marca Uber se apropria da viração.<br />
A definição de viração em realidade é um dos únicos termos utilizados para evidenciar algo que segue muito pouco conhecido sobre o mercado de trabalho brasileiro. A trajetória de grande parte da população brasileira é feita da viração: alta rotatividade, combinação de diferentes trabalhos, bicos passageiros e permanentes, algo que as estatísticas não mostram nem contabilizam (ver que interessante o que está sendo agora contabilizado como desemprego “ampliado”, mas também poderia ser contabilizado como a real do trabalho: <a href="http://www.sinafer.org.br/novo/desemprego-ampliado-no-brasil-e-de-212-quase-o-dobro-da-taxa-oficial/" rel="nofollow ugc">http://www.sinafer.org.br/novo/desemprego-ampliado-no-brasil-e-de-212-quase-o-dobro-da-taxa-oficial/</a>)  (os argumentos de Kim Moody poderiam ser pensados pelo mesmo caminho? Menos a novidade, mais o evidenciamento de algo que já ocorre há decadas?). Entretanto, a viração parecia corresponder ao “atraso”, as formas “pré-capitalistas” dentre outros termos que sempre estabelecem a linha divisória entre o verdadeiro capitalismo e seus resquícios; agora fica difícil não enxergar que, chamemos como quisermos, mas estas atividades que são bico, que puderam (perigosamente, em minha opinião) serem tomadas como formas ‘pequenas”, “desimportantes”, “improdutivas” de garantir a sobrevivência,  agora estão subsumidas, e não se trata de um retorno ao passado (que significaria associa-las a uma subsunção formal), mas entender os novos passos da subsunção real.<br />
O que nos leva à questão de Lindemberg, sobre o poder descritivo da categoria trabalhador. Ou enxergamos as novas formas de expropriação do trabalho que estão fortemente assentadas em uma apropriação lucrativa da perda de formas do trabalho ou vamos seguir nos embates entre o que seriam meras formas de exploração pré-capitalistas e as verdadeiramente capitalistas, assim como não vamos dar conta de entender a apropriação de atividades que aparecem como lazer, exercício da criatividade, etc. O joguinho citado, jogado durante o trabalho é um trabalho sem forma trabalho, mas que se realiza como trabalho. Como descreve-lo? Nomea-lo?<br />
Quanto a questão de Veridiana, essa parece simples, mas para mim é muito complicada e facilmente ignorada. De saída afirmamos que a autonomia que vem junto com a flexiiblizacao do trabalho é uma falsa autonomia, etc. Mas esta resposta não dá conta de explicar a resposta de 100% dos motoboys que entrevistei – o que eles mais valorizam em seu trabalho é a liberdade. Não ter patrão, fazer seu horário (mesmo que sejam 14 horas por dia). Enfim, está claro que é uma falsa autonomia, mas ao mesmo tempo para o trabalhador é e não é, há uma dimensão de liberdade na flexibilização que é difícil da gente enfrentar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110685/#comment-314616</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Mar 2017 19:32:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Arabel, sem o aplicativo Uber os motoristas são no máximo caronistas, seus carros são apenas carros, não são táxis-Uber. No Rio de Janeiro vê-se um táxi há quilômetros de distância, devido ao tom amarelo de suas latarias. A empresa detém a capacidade de pintar os carros com a tinta amarela invisível do Uber, portanto ela detém a capacidade de transformar um meio de transporte em um meio de produção destinado a ser posto em movimento para fins lucrativos e de extorsão de mais-valia. É a mesma situação de um operário querer ser operário em casa, sem a matéria-prima e maquinaria a serem trabalhadas, pois o que os motoristas têm é um mero carro, um mero celular com Waze. Tente ser Uber com um carro e um Waze, quero ver. Repito, a Uber não apenas dá os clientes e os meios de escoamento da mercadoria-transporte, ela converte o &quot;trabalhador em potência&quot; (dynamis) em um &quot;trabalhador em ato&quot;. Com esse poder definidor da própria essência do trabalhador-Uber, e com o controle do processo de trabalho do motorista de modo articulado ao processo de valorização, a subsunção que se opera é não só real, mas hiper-real, pelo que já apontei acima e, na minha opinião, pelo que está no texto da Ludmila. Voc~e argumentou em resposta ao Taiguara que não há na uberização o elemento de troca do tempo de trabalho do trabalhador pelo tempo de trabalho da maquina. Como não, se até o trajeto é determinado pelo Waze? Como não, se o motorista lerdo será mal avaliado, e o apressadinho também? Como não, se a baixa remuneração impõe - como muitos me contaram - que o sujeito que trabalha de Uber 100% (em vez de ser apenas um &quot;complemento de renda&quot;) precisa trabalhar mais de 12 horas por dia? A opressão dos patrões quanto ao tempo de trabalho dos operários é algo tão odioso e traumático que muitas pessoas estão avaliando a &quot;liberdade&quot; do motorista em &quot;decidir não trabalhar&quot; &quot;quando quiser&quot; como se estivéssemos face a face com o reino da liberdade, quando a imposição para o esfacelar-se trabalhando foi intensificada e aprimorada, continuando a vir, em duas frentes: de dentro (empreendedorismo de si mesmo, que antes era mero puxa-saquismo interessado em promoção de cargo ou aumento salarial) e de fora, pelas velhas leis da economia. Enfim, a máquina dita o ritmo, e nesse caso não dá nem pra ser luddita.

Não obstante, se for formal - e não nego que contém elementos de mera subsunção formal, afinal são apenas categorias de análise, óculos - o que muda? O que muda na luta contra essa forma renovada de organização da exploração por meio de aplicativos em um mundo conectado? O essencial é isso, e por isso o mais grave desse debate é sua insistência de que não se trata de uma tendência. O curioso é que ao argumentar isso você fala nos últimos 20 anos, quando Ludmila está falando dos próximos 20 anos. Talvez o único problema da análise dela - aos seus olhos - seja seu caráter precoce, quase visionário. Imagino que todos que fazem teoria social não dogmática passam por isso, encarar e teorizar sobre o novo é pedreira. 

O método de exploração por aplicativo e ferramentas de conexão entre pessoas e entre coisas via internet aponta para o futuro das relações de exploração, isso vem sendo apresentado não só diante dos nossos olhos nas economias modernas ao redor do planeta, mas também nos principais órgãos de informação capitalistas, a começar pelo mais competente deles, o The Economist (um único exemplo: http://www.economist.com/news/leaders/21706258-worlds-most-valuable-startup-leading-race-transform-future). Além disso, vê-se a tendência com uma rápida olhadinha no ramo das TOP 500 maiores empresas do globo e na variação do número de empresas de tal ou qual ramo quando se compara ano a ano: crescem os serviços e tecnologia, ou numa rápida olhada no caráter mais ou menos tecnológico dos cursos profissionalizantes, além das sugestões e &quot;lista de deveres&quot; que analistas do campo da administração e economia colocam como necessários para o sucesso das empresas hoje em dia: aí valoriza-se, devidamente, a &quot;imagem&quot; da empresa (consciência ambiental, cidadania etc), a maior conectividade da empresa com seus fornecedores e com os clientes etc. e muitas vezes tais diretrizes envolvem a criação de um app específico para a empresa ou então o cadastro e &quot;parceria&quot; da empresa com algum app já de sucesso - algo meio óbvio, afinal hoje todos possuem e usam o tempo todo esses microcomputadores de bolso, que são para as empresas simultaneamente veículos midiáticos, pontes para o escoamento das mercadorias etc etc etc. 

Por fim, você me acusou de ficar apenas descrevendo como funciona o Uber &quot;o que o texto da Ludmila já faz&quot; em vez de apresentar &quot;um ponto de análise teórica sobre como isso é generalizável, apontando condições da estrutura econômica para que esse movimento aconteça&quot;. Ora, o texto da Ludmila e alguns dos comentários apresentam justamente como o método é generalizável, além de dar exemplos concretos e nomes nos bois. Não sei mais o que você espera. Talvez uma tabela do IBGE ou DIEESE ou algo assim, mas sinceramente, algo assim só virá conformar o que na minha opinião está óbvio, pois a comprovação de que se trata de uma tendência global está (sempre na minha visão) dada, basta ler jornais, andar na rua e procurar emprego. As condições da estrutura econômica que você fala que faltam foram colocadas: terceirização, existência de trabalhadores com qualificação e interesse econômico em adentrar relações de trabalho assim delineadas, desenvolvimento tecnológico suficiente para interconectar patrões invisíveis, operários empreendedores bem-dispostos e clientela interessada e tecnologicamente capaz de usar os novos serviços, que vão ganhando legitimidade automática etc. 

O capitalista não &quot;escolhe livremente&quot; a forma de organização do trabalho, ele escolhe a mais vantajosa possível dentre as disponíveis no acervo de técnicas de exploração, lutando e negociando permanentemente com os trabalhadores as questões de detalhe - que às vezes podem significar não usar as forças produtivas mais modernas, como por exemplo no corte de cana, onde os boia-fria impõem a permanência de técnicas que mantenham a necessidade de sua mão-de-obra, portanto de seus empregos, oferecendo em troca uma relação salarial benéfica para os patrões. Embora a luta de classes decida, os capitalistas detêm enorme poder de escolha quanto às forças produtivas de tipo A ou Z onde investirão seus capitais, e fazem isso porque podem, graças à subsunção real dos &quot;poderes socioprodutivos do trabalho&quot;, que passam às mãos do capital.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Arabel, sem o aplicativo Uber os motoristas são no máximo caronistas, seus carros são apenas carros, não são táxis-Uber. No Rio de Janeiro vê-se um táxi há quilômetros de distância, devido ao tom amarelo de suas latarias. A empresa detém a capacidade de pintar os carros com a tinta amarela invisível do Uber, portanto ela detém a capacidade de transformar um meio de transporte em um meio de produção destinado a ser posto em movimento para fins lucrativos e de extorsão de mais-valia. É a mesma situação de um operário querer ser operário em casa, sem a matéria-prima e maquinaria a serem trabalhadas, pois o que os motoristas têm é um mero carro, um mero celular com Waze. Tente ser Uber com um carro e um Waze, quero ver. Repito, a Uber não apenas dá os clientes e os meios de escoamento da mercadoria-transporte, ela converte o &#8220;trabalhador em potência&#8221; (dynamis) em um &#8220;trabalhador em ato&#8221;. Com esse poder definidor da própria essência do trabalhador-Uber, e com o controle do processo de trabalho do motorista de modo articulado ao processo de valorização, a subsunção que se opera é não só real, mas hiper-real, pelo que já apontei acima e, na minha opinião, pelo que está no texto da Ludmila. Voc~e argumentou em resposta ao Taiguara que não há na uberização o elemento de troca do tempo de trabalho do trabalhador pelo tempo de trabalho da maquina. Como não, se até o trajeto é determinado pelo Waze? Como não, se o motorista lerdo será mal avaliado, e o apressadinho também? Como não, se a baixa remuneração impõe &#8211; como muitos me contaram &#8211; que o sujeito que trabalha de Uber 100% (em vez de ser apenas um &#8220;complemento de renda&#8221;) precisa trabalhar mais de 12 horas por dia? A opressão dos patrões quanto ao tempo de trabalho dos operários é algo tão odioso e traumático que muitas pessoas estão avaliando a &#8220;liberdade&#8221; do motorista em &#8220;decidir não trabalhar&#8221; &#8220;quando quiser&#8221; como se estivéssemos face a face com o reino da liberdade, quando a imposição para o esfacelar-se trabalhando foi intensificada e aprimorada, continuando a vir, em duas frentes: de dentro (empreendedorismo de si mesmo, que antes era mero puxa-saquismo interessado em promoção de cargo ou aumento salarial) e de fora, pelas velhas leis da economia. Enfim, a máquina dita o ritmo, e nesse caso não dá nem pra ser luddita.</p>
<p>Não obstante, se for formal &#8211; e não nego que contém elementos de mera subsunção formal, afinal são apenas categorias de análise, óculos &#8211; o que muda? O que muda na luta contra essa forma renovada de organização da exploração por meio de aplicativos em um mundo conectado? O essencial é isso, e por isso o mais grave desse debate é sua insistência de que não se trata de uma tendência. O curioso é que ao argumentar isso você fala nos últimos 20 anos, quando Ludmila está falando dos próximos 20 anos. Talvez o único problema da análise dela &#8211; aos seus olhos &#8211; seja seu caráter precoce, quase visionário. Imagino que todos que fazem teoria social não dogmática passam por isso, encarar e teorizar sobre o novo é pedreira. </p>
<p>O método de exploração por aplicativo e ferramentas de conexão entre pessoas e entre coisas via internet aponta para o futuro das relações de exploração, isso vem sendo apresentado não só diante dos nossos olhos nas economias modernas ao redor do planeta, mas também nos principais órgãos de informação capitalistas, a começar pelo mais competente deles, o The Economist (um único exemplo: <a href="http://www.economist.com/news/leaders/21706258-worlds-most-valuable-startup-leading-race-transform-future" rel="nofollow ugc">http://www.economist.com/news/leaders/21706258-worlds-most-valuable-startup-leading-race-transform-future</a>). Além disso, vê-se a tendência com uma rápida olhadinha no ramo das TOP 500 maiores empresas do globo e na variação do número de empresas de tal ou qual ramo quando se compara ano a ano: crescem os serviços e tecnologia, ou numa rápida olhada no caráter mais ou menos tecnológico dos cursos profissionalizantes, além das sugestões e &#8220;lista de deveres&#8221; que analistas do campo da administração e economia colocam como necessários para o sucesso das empresas hoje em dia: aí valoriza-se, devidamente, a &#8220;imagem&#8221; da empresa (consciência ambiental, cidadania etc), a maior conectividade da empresa com seus fornecedores e com os clientes etc. e muitas vezes tais diretrizes envolvem a criação de um app específico para a empresa ou então o cadastro e &#8220;parceria&#8221; da empresa com algum app já de sucesso &#8211; algo meio óbvio, afinal hoje todos possuem e usam o tempo todo esses microcomputadores de bolso, que são para as empresas simultaneamente veículos midiáticos, pontes para o escoamento das mercadorias etc etc etc. </p>
<p>Por fim, você me acusou de ficar apenas descrevendo como funciona o Uber &#8220;o que o texto da Ludmila já faz&#8221; em vez de apresentar &#8220;um ponto de análise teórica sobre como isso é generalizável, apontando condições da estrutura econômica para que esse movimento aconteça&#8221;. Ora, o texto da Ludmila e alguns dos comentários apresentam justamente como o método é generalizável, além de dar exemplos concretos e nomes nos bois. Não sei mais o que você espera. Talvez uma tabela do IBGE ou DIEESE ou algo assim, mas sinceramente, algo assim só virá conformar o que na minha opinião está óbvio, pois a comprovação de que se trata de uma tendência global está (sempre na minha visão) dada, basta ler jornais, andar na rua e procurar emprego. As condições da estrutura econômica que você fala que faltam foram colocadas: terceirização, existência de trabalhadores com qualificação e interesse econômico em adentrar relações de trabalho assim delineadas, desenvolvimento tecnológico suficiente para interconectar patrões invisíveis, operários empreendedores bem-dispostos e clientela interessada e tecnologicamente capaz de usar os novos serviços, que vão ganhando legitimidade automática etc. </p>
<p>O capitalista não &#8220;escolhe livremente&#8221; a forma de organização do trabalho, ele escolhe a mais vantajosa possível dentre as disponíveis no acervo de técnicas de exploração, lutando e negociando permanentemente com os trabalhadores as questões de detalhe &#8211; que às vezes podem significar não usar as forças produtivas mais modernas, como por exemplo no corte de cana, onde os boia-fria impõem a permanência de técnicas que mantenham a necessidade de sua mão-de-obra, portanto de seus empregos, oferecendo em troca uma relação salarial benéfica para os patrões. Embora a luta de classes decida, os capitalistas detêm enorme poder de escolha quanto às forças produtivas de tipo A ou Z onde investirão seus capitais, e fazem isso porque podem, graças à subsunção real dos &#8220;poderes socioprodutivos do trabalho&#8221;, que passam às mãos do capital.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Arabel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/02/110685/#comment-314596</link>

		<dc:creator><![CDATA[Arabel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Mar 2017 05:54:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O taiguara coloca bem a questão da subsunção real mas acho que falta um elemento que as vezes parece lateral e que é uma mudança central apontado pelo Marx da passagem das manufaturas organicas e heterogeneas para a subsunção real na maquinaria(interessante notar que vai afirmar o caracter tipicamente capitalista da dinamica da maquinaria e não fazer essa afirmação sobre as manofaturas, mesmo que nelas apareçam desenvolvimento por mais-valia relativa), que é o papel do motor, que mantem um ritmo produtivo continuo, regular e permanente de forma impessoal no decorrer de todo o processo produtivo, trocando assim o tempo de trabalho do trabalhador pelo tempo de trabalho da maquina (elemento este que não esta colocado nas profissões apontadas de uberização)
O capital, em subsunção não plenamente reais, ainda não tomou completamente o controle do processo produtivo mas fica no seu entorno. Ele consegue medir o tempo médio de uma consulta médica e colocar esse tempo em cada consulta para batimento de metas, ele consegue calcular com waze/google maps em torno do tempo médio para fazer percurso e pagar menos se o motorista enrolar, mas essas caracteristicas são de processos produtivos em que o trabalhador ainda é o sujeito do processo (mesmo que sendo regulado e pressionado para se manter na produtividade média, e não pouco pressionado), é qualitativamente diferente de quando o tempo se entranha no processo produtivo de forma automatica e se autonomiza dos trabalhadores.

Sobre os aspectos “quase fisiologicos” da função, esse não é um elemento secundario da analise e é desenvolvido de forma completamente colada a questão da composição organi como a composição técnica dos processos de trabalho, de forma esquematica, como e quanto de força de trabalho coloca em movimento tantos instrumentos de produção e com quais qualidades. 
É muito diferente o trabalho de um trabalhador que passa por todos instrumentos de trabalho durante o processo produtivo do que uma divisão do trabalho onde trabalhadores são responsaveis por instrumentos diferentes, que tendem a se especializar muito mais nas suas funções especificas do que no caso anterior, mesmo que a composição organica por acaso venha a permanecer igual.
Trocando as palavras então sobre os cabelereiros, esteticistas, maquiadores etc, de “socialização” por trabalhos onde a divisão do trabalho não se adentrou, especializando cada uma das tarefas do processo, que ai são realizadas por apenas um trabalhador que de forma continua e permanente fica, alterando o tipo de trabalho e ferramentas de trabalho durante o processo produtivo. Trabalhos “pouco socializados” porque nas fases produtivas onde se inserem esses trabalhadores, o processo produtivo não ultrapassa o que o Marx apresenta como caracteristica mais basica do trabalho coletivo, que é a cooperação simples (e em varias das profissões discutidas no artigo, não se tem nem cooperação simples dentro da fase do processo produtivo colocado). 
Concordar ou não com a procedencia sobre o argumento não muda o nivel de cooperação do trabalho nas fases produtivas onde esses trabalhadores se inserem.

“A socialização aqui está pressuposta na forma técnica e social que determina as condições de realização desse trabalho, e não necessariamente nos aspectos físico-palpáveis do momento de sua realização”

Estão colocados momentos diferentes do processo produtivo que embora se relacionem, e bastante, são momentos diferentes com composições técnicas e organicas diferentes, justamente o momento que determina as condições da realização desse trabalho (que é um processo produtivo em si) e o processo produtivo de sua realização.
A argumentação tenta tornar a segunda, exatamente a mesma coisa que a primeira, e mesmo não sendo disassociaveis, são coisas diferentes.
É como observar durante o desenvolvimento do capital o aparecimento de fabricas empregando centenas/milhares de trabalhadores gerando produtos que, depois de sua passagem pela fábrica, são repassados para trabalhadores (pela historia, geralmente mulheres e crianças em uma profissão que é indisassociavel e surge com essa produção fabril) fazerem o acabamento em suas casas, de forma completamente manual, antes de terem qualidade do produto avaliada caso a caso para definição de remuneração e irem ao mercado como produtos finais. 
Essa comparação que você faz não capta a diferença entre os momentos do processo produtivo, afirmando duas coisas que são indisassociaveis como uma só, a interpretação sobre o caso acima, a se observar a diferença entre as composições técnicas e organicas do setor que cria as condições para esse trabalho final, e as próprias desse trabalho final (mais-valia relativa no setor de base se articulando com mais-valia absoluta no acabamento) não é desenvolvida. 
Não é porque o setor final da realização do trabalho do uber é um tanto mais entrelaçado com o trabalho que determina as condições de sua realização, que esse ponto anterior se torna diferente.

“O comentário do Arabel afirma ainda que a forma de pagamento por trabalho feito (ou por peças) é típico de setores que não se inserem na esfera produtiva, onde a regra continuaria sendo a remuneração por produtividade acordada com um coletivo de trabalhadores. Será então o pagamento por peças uma exclusividade do setor de serviços?” 

Essa afirmação foi pra bem longe da afirmação que eu fiz sobre o salario por peça e os PLR, o setor de serviços, em sua grande maioria, não é pertence então a esfera da produção?...

Precarização de todos os tipo de contratação, multiplicidade de regimes juridicos pra dividir trabalhadores, acordos por empresa ou locais de trabalho passando por cima de sindicatos ou negociação coletivas com toda a categoria. 
Essas 3 coisas são situações colocadas de forma geral pra classe trabalhadora, independente do seu tipo de contrato. A uberização é um sistema de contratação especifico que gira em torno de assalariamento por peça, os 3 primeiros casos são questões gerais, essa é uma particular e portanto são coisas qualitativamente diferentes e não tem que ser colocadas juntas como se fossem de mesmo tipo (a não ser que de fato se mostre teorica e empiricamente que essa uberização é uma tendencia global, que acho bem dificil por tudo que ja apontei).

O que acho brisa é que concordo sobre os 2 pontos fundamentais apontados de novidades trazidas por essa uberização como coisas inovadoras, até com mais pontos alem desses, mas como resoluções de apresentarem uma forma completamente nova para conteudos antigos (como a questão da medição de qualidade para cada “peça” produzida, questão nem um pouco nova na historia e em torno do qual se articularam varios conflitos, e a passagem dessa medição para o consumidor e não mais centralizando etc, embora é claro que essa passagem é mais facil, simples e talvez possivel em tipos especificos de processos produtivos) e mesmo assim, isso parecer não ser suficiente.

Terminando com as analogias, é como um embriologista tenta se manter sempre atento a coisas novas e que encontra um ovo, de uma especie não encontrada antes, com dureza, cor ou transparencia e tamanho nunca encontrados antes.
Enquanto alguem aponta que essa nova descoberta apresenta resoluções novas e ainda não vistas em em caracteristicas morfológicas que ovos podem ter mas que ainda sim, é um ovo. Esse embriologista ignora essas observações e não aceita que essa descoberta não seja reconhecida como nada menos do que uma possibilidade de desenvolvimento completamente nova na embriologia....

De resto, boa sorte na busca do interlocutor a quem se direciona essa colocação sobre a tranquilização das consciencias e sustentador ideologico de velhas práticas burocráticas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O taiguara coloca bem a questão da subsunção real mas acho que falta um elemento que as vezes parece lateral e que é uma mudança central apontado pelo Marx da passagem das manufaturas organicas e heterogeneas para a subsunção real na maquinaria(interessante notar que vai afirmar o caracter tipicamente capitalista da dinamica da maquinaria e não fazer essa afirmação sobre as manofaturas, mesmo que nelas apareçam desenvolvimento por mais-valia relativa), que é o papel do motor, que mantem um ritmo produtivo continuo, regular e permanente de forma impessoal no decorrer de todo o processo produtivo, trocando assim o tempo de trabalho do trabalhador pelo tempo de trabalho da maquina (elemento este que não esta colocado nas profissões apontadas de uberização)<br />
O capital, em subsunção não plenamente reais, ainda não tomou completamente o controle do processo produtivo mas fica no seu entorno. Ele consegue medir o tempo médio de uma consulta médica e colocar esse tempo em cada consulta para batimento de metas, ele consegue calcular com waze/google maps em torno do tempo médio para fazer percurso e pagar menos se o motorista enrolar, mas essas caracteristicas são de processos produtivos em que o trabalhador ainda é o sujeito do processo (mesmo que sendo regulado e pressionado para se manter na produtividade média, e não pouco pressionado), é qualitativamente diferente de quando o tempo se entranha no processo produtivo de forma automatica e se autonomiza dos trabalhadores.</p>
<p>Sobre os aspectos “quase fisiologicos” da função, esse não é um elemento secundario da analise e é desenvolvido de forma completamente colada a questão da composição organi como a composição técnica dos processos de trabalho, de forma esquematica, como e quanto de força de trabalho coloca em movimento tantos instrumentos de produção e com quais qualidades.<br />
É muito diferente o trabalho de um trabalhador que passa por todos instrumentos de trabalho durante o processo produtivo do que uma divisão do trabalho onde trabalhadores são responsaveis por instrumentos diferentes, que tendem a se especializar muito mais nas suas funções especificas do que no caso anterior, mesmo que a composição organica por acaso venha a permanecer igual.<br />
Trocando as palavras então sobre os cabelereiros, esteticistas, maquiadores etc, de “socialização” por trabalhos onde a divisão do trabalho não se adentrou, especializando cada uma das tarefas do processo, que ai são realizadas por apenas um trabalhador que de forma continua e permanente fica, alterando o tipo de trabalho e ferramentas de trabalho durante o processo produtivo. Trabalhos “pouco socializados” porque nas fases produtivas onde se inserem esses trabalhadores, o processo produtivo não ultrapassa o que o Marx apresenta como caracteristica mais basica do trabalho coletivo, que é a cooperação simples (e em varias das profissões discutidas no artigo, não se tem nem cooperação simples dentro da fase do processo produtivo colocado).<br />
Concordar ou não com a procedencia sobre o argumento não muda o nivel de cooperação do trabalho nas fases produtivas onde esses trabalhadores se inserem.</p>
<p>“A socialização aqui está pressuposta na forma técnica e social que determina as condições de realização desse trabalho, e não necessariamente nos aspectos físico-palpáveis do momento de sua realização”</p>
<p>Estão colocados momentos diferentes do processo produtivo que embora se relacionem, e bastante, são momentos diferentes com composições técnicas e organicas diferentes, justamente o momento que determina as condições da realização desse trabalho (que é um processo produtivo em si) e o processo produtivo de sua realização.<br />
A argumentação tenta tornar a segunda, exatamente a mesma coisa que a primeira, e mesmo não sendo disassociaveis, são coisas diferentes.<br />
É como observar durante o desenvolvimento do capital o aparecimento de fabricas empregando centenas/milhares de trabalhadores gerando produtos que, depois de sua passagem pela fábrica, são repassados para trabalhadores (pela historia, geralmente mulheres e crianças em uma profissão que é indisassociavel e surge com essa produção fabril) fazerem o acabamento em suas casas, de forma completamente manual, antes de terem qualidade do produto avaliada caso a caso para definição de remuneração e irem ao mercado como produtos finais.<br />
Essa comparação que você faz não capta a diferença entre os momentos do processo produtivo, afirmando duas coisas que são indisassociaveis como uma só, a interpretação sobre o caso acima, a se observar a diferença entre as composições técnicas e organicas do setor que cria as condições para esse trabalho final, e as próprias desse trabalho final (mais-valia relativa no setor de base se articulando com mais-valia absoluta no acabamento) não é desenvolvida.<br />
Não é porque o setor final da realização do trabalho do uber é um tanto mais entrelaçado com o trabalho que determina as condições de sua realização, que esse ponto anterior se torna diferente.</p>
<p>“O comentário do Arabel afirma ainda que a forma de pagamento por trabalho feito (ou por peças) é típico de setores que não se inserem na esfera produtiva, onde a regra continuaria sendo a remuneração por produtividade acordada com um coletivo de trabalhadores. Será então o pagamento por peças uma exclusividade do setor de serviços?” </p>
<p>Essa afirmação foi pra bem longe da afirmação que eu fiz sobre o salario por peça e os PLR, o setor de serviços, em sua grande maioria, não é pertence então a esfera da produção?&#8230;</p>
<p>Precarização de todos os tipo de contratação, multiplicidade de regimes juridicos pra dividir trabalhadores, acordos por empresa ou locais de trabalho passando por cima de sindicatos ou negociação coletivas com toda a categoria.<br />
Essas 3 coisas são situações colocadas de forma geral pra classe trabalhadora, independente do seu tipo de contrato. A uberização é um sistema de contratação especifico que gira em torno de assalariamento por peça, os 3 primeiros casos são questões gerais, essa é uma particular e portanto são coisas qualitativamente diferentes e não tem que ser colocadas juntas como se fossem de mesmo tipo (a não ser que de fato se mostre teorica e empiricamente que essa uberização é uma tendencia global, que acho bem dificil por tudo que ja apontei).</p>
<p>O que acho brisa é que concordo sobre os 2 pontos fundamentais apontados de novidades trazidas por essa uberização como coisas inovadoras, até com mais pontos alem desses, mas como resoluções de apresentarem uma forma completamente nova para conteudos antigos (como a questão da medição de qualidade para cada “peça” produzida, questão nem um pouco nova na historia e em torno do qual se articularam varios conflitos, e a passagem dessa medição para o consumidor e não mais centralizando etc, embora é claro que essa passagem é mais facil, simples e talvez possivel em tipos especificos de processos produtivos) e mesmo assim, isso parecer não ser suficiente.</p>
<p>Terminando com as analogias, é como um embriologista tenta se manter sempre atento a coisas novas e que encontra um ovo, de uma especie não encontrada antes, com dureza, cor ou transparencia e tamanho nunca encontrados antes.<br />
Enquanto alguem aponta que essa nova descoberta apresenta resoluções novas e ainda não vistas em em caracteristicas morfológicas que ovos podem ter mas que ainda sim, é um ovo. Esse embriologista ignora essas observações e não aceita que essa descoberta não seja reconhecida como nada menos do que uma possibilidade de desenvolvimento completamente nova na embriologia&#8230;.</p>
<p>De resto, boa sorte na busca do interlocutor a quem se direciona essa colocação sobre a tranquilização das consciencias e sustentador ideologico de velhas práticas burocráticas</p>
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