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	Comentários sobre: Corrupção como modus operandi no capitalismo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318454</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Sep 2017 03:23:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318245&quot;&gt;Leo Vinicius&lt;/a&gt;.

Leo, faltou pouco para acertar. Concordo que é impossível um governo que não faça políticas que irão beneficiar determinados setores ou empresas, mas é igualmente impossível ou quase impossível, salvo nos casos mais gritantes, definir universalmente o que é uma relação corrupta entre Estado e empresas e o que não é. 

Veja-se o &lt;em&gt;lobby&lt;/em&gt;, por exemplo. Na França, a prática é um quase-crime, dado que lá se considera que os parlamentares já são &quot;representantes do povo&quot; e não se fariam necessários grupos de pressão extraparlamentares (apesar de existirem, mesmo mal-vistos e na informalidade); nos EUA, a prática não apenas é tolerada, como é inclusive regulamentada (como demonstrei &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/2017/09/115165&quot;&gt;num artigo posterior a este&lt;/a&gt;). Nas relações entre Estado e empresas, a fronteira entre o &quot;legal&quot; e o &quot;ilegal&quot;, entre o &quot;legítimo&quot; e o &quot;corrupto&quot;, varia de lugar a lugar, nunca é sempre a mesma; sua única característica comum é a opacidade. 

Num tal contexto, o &quot;golpe de Estado de 2016&quot; significa apenas que na disputa de poder usou-se a legalidade para uma virada de mesa política, nada mais. A argumentação do impedimento ser parte de um &quot;golpe de Estado&quot; é mais uma manifestação da &quot;singularidade brasileira&quot;, este mau hábito analítico a que me referi noutro comentário. No caso chinês a quem me referi em comentário anterior, por exemplo, além dos 120 oficiais de alto escalão removidos de seus cargos e presos (alguns deles inclusive do Poliburo do PC chinês, pela primeira vez na história pós-revolucionária investigados e condenados) houve outros 100 mil indiciados, e tudo isto veio por iniciativa de Xi Jinping, a quem certamente não se pode acusar de ter feito cursos nos EUA ou de serviçal da CIA. O mesmo vale para Vladimir Putin e sua perseguição contra Mikhail Khodorkovsky no caso Yukos, ou contra Boris Berezovsky, ambos tornados milionários no turbulento período Gorbachev-Yeltsin: virada de mesa política, nada mais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318245">Leo Vinicius</a>.</p>
<p>Leo, faltou pouco para acertar. Concordo que é impossível um governo que não faça políticas que irão beneficiar determinados setores ou empresas, mas é igualmente impossível ou quase impossível, salvo nos casos mais gritantes, definir universalmente o que é uma relação corrupta entre Estado e empresas e o que não é. </p>
<p>Veja-se o <em>lobby</em>, por exemplo. Na França, a prática é um quase-crime, dado que lá se considera que os parlamentares já são &#8220;representantes do povo&#8221; e não se fariam necessários grupos de pressão extraparlamentares (apesar de existirem, mesmo mal-vistos e na informalidade); nos EUA, a prática não apenas é tolerada, como é inclusive regulamentada (como demonstrei <a href="http://passapalavra.info/2017/09/115165">num artigo posterior a este</a>). Nas relações entre Estado e empresas, a fronteira entre o &#8220;legal&#8221; e o &#8220;ilegal&#8221;, entre o &#8220;legítimo&#8221; e o &#8220;corrupto&#8221;, varia de lugar a lugar, nunca é sempre a mesma; sua única característica comum é a opacidade. </p>
<p>Num tal contexto, o &#8220;golpe de Estado de 2016&#8221; significa apenas que na disputa de poder usou-se a legalidade para uma virada de mesa política, nada mais. A argumentação do impedimento ser parte de um &#8220;golpe de Estado&#8221; é mais uma manifestação da &#8220;singularidade brasileira&#8221;, este mau hábito analítico a que me referi noutro comentário. No caso chinês a quem me referi em comentário anterior, por exemplo, além dos 120 oficiais de alto escalão removidos de seus cargos e presos (alguns deles inclusive do Poliburo do PC chinês, pela primeira vez na história pós-revolucionária investigados e condenados) houve outros 100 mil indiciados, e tudo isto veio por iniciativa de Xi Jinping, a quem certamente não se pode acusar de ter feito cursos nos EUA ou de serviçal da CIA. O mesmo vale para Vladimir Putin e sua perseguição contra Mikhail Khodorkovsky no caso Yukos, ou contra Boris Berezovsky, ambos tornados milionários no turbulento período Gorbachev-Yeltsin: virada de mesa política, nada mais.</p>
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		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318245</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Sep 2017 17:52:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mas descrição de proximidade e interesse de capitalistas e gestores do Estado feita no artigo não se refere à corrupção necessariamente. A menos que considere corrupção isso que está sendo criminalizado pela primeira vez no Brasil (e em nenhum outro lugar do mundo): consultorias políticas e políticas de expansão de mercado para certas empresas. Corrupção, pelo menos no sentido habitual da palavra, e não no sentido que Juizes e mídia golpistas passaram a dar, trata de favorecimento em troca de dinheiro ou outro benefício que o valha. Um gestor estatal que é convencido por lobby ou por outro motivo político e econômico, que não seja pessoal, a construir uma estrada em tal ou qual lugar para escoar determinada produção, não é corrupto. A mídia e o judiciário, para perpetrar o golpe de Estado de 2016, tiveram que criar essa fantasia de que essas políticas que beneficiam grupos empresariais são todas corrupção, mas evidentemente é impossível um governo que não faça políticas que irão beneficiar determinados setores ou empresas.  Acho que é disso que o artigo trata, e não de corrupção propriamente dita.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mas descrição de proximidade e interesse de capitalistas e gestores do Estado feita no artigo não se refere à corrupção necessariamente. A menos que considere corrupção isso que está sendo criminalizado pela primeira vez no Brasil (e em nenhum outro lugar do mundo): consultorias políticas e políticas de expansão de mercado para certas empresas. Corrupção, pelo menos no sentido habitual da palavra, e não no sentido que Juizes e mídia golpistas passaram a dar, trata de favorecimento em troca de dinheiro ou outro benefício que o valha. Um gestor estatal que é convencido por lobby ou por outro motivo político e econômico, que não seja pessoal, a construir uma estrada em tal ou qual lugar para escoar determinada produção, não é corrupto. A mídia e o judiciário, para perpetrar o golpe de Estado de 2016, tiveram que criar essa fantasia de que essas políticas que beneficiam grupos empresariais são todas corrupção, mas evidentemente é impossível um governo que não faça políticas que irão beneficiar determinados setores ou empresas.  Acho que é disso que o artigo trata, e não de corrupção propriamente dita.</p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318228</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2017 19:32:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318227&quot;&gt;Lucas&lt;/a&gt;.

Lucas, quando me refiro à &quot;singularidade brasileira&quot;, nunca é demais repetir, refiro-me a certo viés analítico, quase um vício, um mau hábito, pelo qual cada analista pressupõe cada país como uma &quot;ilha&quot; e o seu próprio como &quot;massa de terra cercada de água por todos os lados&quot; -- como se tal definição não fosse a própria definição do que é ser uma ilha, como se as ilhas não fossem unidas aos continentes por placas tectônicas e como se tudo isto não compusesse um só planeta. 

Bem entendida a metáfora, prefiro fazer sempre o caminho contrário: entender a ilha a partir da Terra, nunca o inverso. Só então se pode entender o regime de marés, as correntes marinhas, os ventos, o regime pluvial, a tectônica e tudo mais quanto faça dela uma ilha diferente das demais. É o que tenho tentado fazer até o momento, e o que seguirei fazendo em outros artigos sobre o tema da corrupção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318227">Lucas</a>.</p>
<p>Lucas, quando me refiro à &#8220;singularidade brasileira&#8221;, nunca é demais repetir, refiro-me a certo viés analítico, quase um vício, um mau hábito, pelo qual cada analista pressupõe cada país como uma &#8220;ilha&#8221; e o seu próprio como &#8220;massa de terra cercada de água por todos os lados&#8221; &#8212; como se tal definição não fosse a própria definição do que é ser uma ilha, como se as ilhas não fossem unidas aos continentes por placas tectônicas e como se tudo isto não compusesse um só planeta. </p>
<p>Bem entendida a metáfora, prefiro fazer sempre o caminho contrário: entender a ilha a partir da Terra, nunca o inverso. Só então se pode entender o regime de marés, as correntes marinhas, os ventos, o regime pluvial, a tectônica e tudo mais quanto faça dela uma ilha diferente das demais. É o que tenho tentado fazer até o momento, e o que seguirei fazendo em outros artigos sobre o tema da corrupção.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318227</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2017 19:14:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a singularidade brasileira, manolo, tem de estar relacionada com as diretrizes políticas locais a serem extraídas da correta compreensão a respeito da natureza global do capitalismo -- sobre a qual tua contribuição e comentários são excelentes.
Estou certo de que falar sobre corrupção para um público brasileiro e para um público russo será muito diferente, ainda que a estrutura do capitalismo global seja interconectada e universal em sua abstração -- a maior diferença estará, certamente, no público mais do que no contexto objetivo. Mas entendo que aqui o teu texto não se propõe tanto a falar sobre os desdobramentos políticos, sou eu que estou tensionando para este lado nos comentários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>a singularidade brasileira, manolo, tem de estar relacionada com as diretrizes políticas locais a serem extraídas da correta compreensão a respeito da natureza global do capitalismo &#8212; sobre a qual tua contribuição e comentários são excelentes.<br />
Estou certo de que falar sobre corrupção para um público brasileiro e para um público russo será muito diferente, ainda que a estrutura do capitalismo global seja interconectada e universal em sua abstração &#8212; a maior diferença estará, certamente, no público mais do que no contexto objetivo. Mas entendo que aqui o teu texto não se propõe tanto a falar sobre os desdobramentos políticos, sou eu que estou tensionando para este lado nos comentários.</p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318226</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2017 18:40:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318216&quot;&gt;Silvia Beatriz Adoue&lt;/a&gt;.

Silvia, agradeço pelo envio do link e pela possibilidade de abrir uma frente de diálogo que talvez não estivesse tão explícita no texto.

É certo que a inserção de tal ou qual fração da burguesia ou dos gestores no processo produtivo é desigual, e que todos competem entre si pelos melhores postos, usando todas as armas possíveis. Mas, confesso, tenho enormes dificuldades em raciocinar mediante este modelo cepalino de &quot;capitalismo periférico/dependente vs. capitalismo central&quot;. Não me agrada, cheira a Mihail Manoilescu, e onde há cheiro de Manoilescu o corporativismo e o fascismo não andam longe.

(Diga-se: não é que defender esta tese transforme automaticamente seus defensores tardios em fascistas ou corporativistas; trata-se, entretanto, de entender bem de onde falamos para falar o que falamos, pois tudo isto tem antecedentes e, o pior, consequências.) 

Ora, vejamos a questão em perspectiva histórica e global. A &quot;captura corporativa do Estado&quot;, expressão da moda, é assim tão nova? A internacionalização das empresas de construção pesadas brasileiras por meio da captação de licitações das obras estruturais tocadas pelos militares, processo descrito e analisado por Pedro Henrique Pedreira Campos em seu magistral &lt;strong&gt;Estranhas Catedrais&lt;/strong&gt;, é assim tão diferente do que fizeram os irmãos Pereire e sua &lt;em&gt;Société Générale du Crédit Mobilier&lt;/em&gt; sob Napoleão III na França? E que dizer da relação entre os Rotschild britânicos e a coroa inglesa durante as guerras napoleônicas? 

Por outro lado, vistas as coisas em perspectiva sincrônica, analisar a questão com base na relação &quot;centro vs. periferia&quot; tem outro problema: igualar empresas com distinta inserção nos processos produtivos por meio de critérios geográficos. É possível, por exemplo, comparar o pequeno fazendeiro francês produtor de &lt;em&gt;roquefort&lt;/em&gt; com a Brasil Foods?

Ainda noutro ponto de vista, sequer o favor e as políticas que em torno dele orbitam são especificidade brasileira. Entre outros exemplos, prova-o a instituição russa do &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://en.wikipedia.org/wiki/Blat_(favors)&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;blat&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, vigente desde os tempos dos czares, intensificada no regime soviético, ampliada em sua dissolução e totalmente infiltrada no Estado russo, de cima a baixo, até os dias atuais. O blat é correspondente, por exemplo, ao &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://en.wikipedia.org/wiki/Guanxi&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;guanxi&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; chinês -- e estamos falando da primeira economia do mundo na atual conjuntura, não esqueçamos!

Tudo isto para retomar a mesma problemática: não há nada no &quot;ambiente brasileiro&quot; ou no &quot;capitalismo dependente&quot; que justifique tratá-los como exceções. O capitalismo é global, funciona do mesmo jeito com adaptações regionais e locais, e se não partirmos desta premissa para ampliarmos a perspectiva de análise, estaremos sempre nos perdendo na &quot;singularidade&quot; brasileira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318216">Silvia Beatriz Adoue</a>.</p>
<p>Silvia, agradeço pelo envio do link e pela possibilidade de abrir uma frente de diálogo que talvez não estivesse tão explícita no texto.</p>
<p>É certo que a inserção de tal ou qual fração da burguesia ou dos gestores no processo produtivo é desigual, e que todos competem entre si pelos melhores postos, usando todas as armas possíveis. Mas, confesso, tenho enormes dificuldades em raciocinar mediante este modelo cepalino de &#8220;capitalismo periférico/dependente vs. capitalismo central&#8221;. Não me agrada, cheira a Mihail Manoilescu, e onde há cheiro de Manoilescu o corporativismo e o fascismo não andam longe.</p>
<p>(Diga-se: não é que defender esta tese transforme automaticamente seus defensores tardios em fascistas ou corporativistas; trata-se, entretanto, de entender bem de onde falamos para falar o que falamos, pois tudo isto tem antecedentes e, o pior, consequências.) </p>
<p>Ora, vejamos a questão em perspectiva histórica e global. A &#8220;captura corporativa do Estado&#8221;, expressão da moda, é assim tão nova? A internacionalização das empresas de construção pesadas brasileiras por meio da captação de licitações das obras estruturais tocadas pelos militares, processo descrito e analisado por Pedro Henrique Pedreira Campos em seu magistral <strong>Estranhas Catedrais</strong>, é assim tão diferente do que fizeram os irmãos Pereire e sua <em>Société Générale du Crédit Mobilier</em> sob Napoleão III na França? E que dizer da relação entre os Rotschild britânicos e a coroa inglesa durante as guerras napoleônicas? </p>
<p>Por outro lado, vistas as coisas em perspectiva sincrônica, analisar a questão com base na relação &#8220;centro vs. periferia&#8221; tem outro problema: igualar empresas com distinta inserção nos processos produtivos por meio de critérios geográficos. É possível, por exemplo, comparar o pequeno fazendeiro francês produtor de <em>roquefort</em> com a Brasil Foods?</p>
<p>Ainda noutro ponto de vista, sequer o favor e as políticas que em torno dele orbitam são especificidade brasileira. Entre outros exemplos, prova-o a instituição russa do <em><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Blat_(favors)" rel="nofollow">blat</a></em>, vigente desde os tempos dos czares, intensificada no regime soviético, ampliada em sua dissolução e totalmente infiltrada no Estado russo, de cima a baixo, até os dias atuais. O blat é correspondente, por exemplo, ao <em><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Guanxi" rel="nofollow">guanxi</a></em> chinês &#8212; e estamos falando da primeira economia do mundo na atual conjuntura, não esqueçamos!</p>
<p>Tudo isto para retomar a mesma problemática: não há nada no &#8220;ambiente brasileiro&#8221; ou no &#8220;capitalismo dependente&#8221; que justifique tratá-los como exceções. O capitalismo é global, funciona do mesmo jeito com adaptações regionais e locais, e se não partirmos desta premissa para ampliarmos a perspectiva de análise, estaremos sempre nos perdendo na &#8220;singularidade&#8221; brasileira.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Silvia Beatriz Adoue		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318216</link>

		<dc:creator><![CDATA[Silvia Beatriz Adoue]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Sep 2017 20:41:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=115038#comment-318216</guid>

					<description><![CDATA[Sim, corrupção no capitalismo. Mas há uma especificidade no capitalismo dependente: http://www.blogsintese.com.br/2016/06/sobre-corrupcao-no-contexto-do.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sim, corrupção no capitalismo. Mas há uma especificidade no capitalismo dependente: <a href="http://www.blogsintese.com.br/2016/06/sobre-corrupcao-no-contexto-do.html" rel="nofollow ugc">http://www.blogsintese.com.br/2016/06/sobre-corrupcao-no-contexto-do.html</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318215</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Sep 2017 13:41:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318201&quot;&gt;Lucas&lt;/a&gt;.

Não consigo entender o que há de tão especial no &quot;ambiente brasileiro&quot; para fazer dele uma excepcionalidade no capitalismo. O mesmo noticiário que nos inunda o imaginário com malas e malas de dinheiro aqui, é o noticiário que fala das sete deusas na Coreia do Sul (quer caso mais prosaico?) e omite toda e qualquer informação sobre os Papéis do Panamá ou sobre a campanha anticorrupção chinesa imediatamente posterior ao 18º congresso do PCC, em 2012. No caso chinês, há quem diga que foi a corrupção a detonar os protestos da Praça da Paz Celestial, não a exigência por democratização do regime (que teria vindo a reboque quando as denúncias contra corruptos não teriam sido devidamente apuradas). Entendo a necessidade de apontar que relações Estado e empresas assumem em cada caso concreto, mas não vejo razão alguma para privilegiar o caso brasileiro, ao menos enquanto a economia brasileira permanecer capitalista; é a manifestação particular de um problema global, não uma singularidade.

No que diz respeito aos momentos em que a corrupção toca nas demandas populares, novamente, nada a estranhar. Ou o correto seria esperar que os capitalistas e os gestores, em cada ramo da economia, agissem em favor dos trabalhadores? Só sei de algo do tipo quando os trabalhadores lhes apontaram suas armas. Tais casos devem ser tratados como o que são: mais um ataque dos capitalistas contra os trabalhadores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318201">Lucas</a>.</p>
<p>Não consigo entender o que há de tão especial no &#8220;ambiente brasileiro&#8221; para fazer dele uma excepcionalidade no capitalismo. O mesmo noticiário que nos inunda o imaginário com malas e malas de dinheiro aqui, é o noticiário que fala das sete deusas na Coreia do Sul (quer caso mais prosaico?) e omite toda e qualquer informação sobre os Papéis do Panamá ou sobre a campanha anticorrupção chinesa imediatamente posterior ao 18º congresso do PCC, em 2012. No caso chinês, há quem diga que foi a corrupção a detonar os protestos da Praça da Paz Celestial, não a exigência por democratização do regime (que teria vindo a reboque quando as denúncias contra corruptos não teriam sido devidamente apuradas). Entendo a necessidade de apontar que relações Estado e empresas assumem em cada caso concreto, mas não vejo razão alguma para privilegiar o caso brasileiro, ao menos enquanto a economia brasileira permanecer capitalista; é a manifestação particular de um problema global, não uma singularidade.</p>
<p>No que diz respeito aos momentos em que a corrupção toca nas demandas populares, novamente, nada a estranhar. Ou o correto seria esperar que os capitalistas e os gestores, em cada ramo da economia, agissem em favor dos trabalhadores? Só sei de algo do tipo quando os trabalhadores lhes apontaram suas armas. Tais casos devem ser tratados como o que são: mais um ataque dos capitalistas contra os trabalhadores.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318201</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2017 15:45:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=115038#comment-318201</guid>

					<description><![CDATA[Manolo,
entendo que no capitalismo a corrupção não deva ser combatida politicamente pelas organizações classistas pois não é nosso papel propôr melhoras para o sistema. No entanto existem diferentes níveis de análise e diferentes táticas comunicativas num ambiente como o brasileiro. Em primeiro lugar, havendo contextos nacionais onde a corrupção tem maior ou menor preponderância ou incidência no papel do Estado, está sim aberto à análise os condicionantes históricos e econômicos que fazem parte de uma caracterização das burguesias e das facções gestoriais do país enquanto relacionados com as práticas de corrupção (incluindo aí a relação entre as polícias, as agências de espionagem e os demais setores estatais que jogam mais para um lado ou para outro). Por outro lado, se o combate não é contra a corrupção no capitalismo, em alguma medida deve ser contra o discurso que instaura a corrupção &quot;em geral&quot; como tema nacional; outra questão ainda é quando a corrupção toca diretamente demandas populares, como por exemplo desvios de verba na saúde: não se deve aproveitar tais casos para realizar agitação, sendo a questão da corrupção algo tão sensível e moralizado pelo sentido comum, no caso de um hospital que será fechado, por exemplo? Seria um erro, creio, abster-se de pautá-la. O erro não é discutir a corrupção e identificá-la nas práticas de setores majoritários da classe dominantes brasileira (e em boa parte de setores explorados também), mas sim entendê-la como algo a ser combatido pela classe trabalhadora organizada num contexto de plena normalidade capitalista (especialmente se a acusação for moral e ética). A defesa da Lava-Jato por um lado e a defesa relativizadora dos governos petistas (&quot;todos os governos são corruptos e a perseguição à Lula é coisa dos estados unidos&quot;) são ambas posições políticas que reivindicam a ordem capitalista. Mas denunciar a máfia da merenda escolar em SP, a compra de alvarás para construção em áreas preservadas, etc, não são corrupções que devam ser combatidas? É claro que o que se está combatendo aqui não é a corrupção em si, abstrata, mas seus efeitos mais deletérios para os trabalhadores; e se a corrupção é o modos operandi no capitalismo, a conclusão a que se chega não é a de naturalizar a corrupção como algo politicamente nulo e portanto algo sobre o qual não vale a pena falar, mas sim a oportunidade para mostrar os vínculos necessários entre corrupção e capitalismo. A denúncia contra o rompimento de regras não se faz por serem estas estimadas pelo enunciador, mas sim para desafiar o sentido comum de quem escuta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo,<br />
entendo que no capitalismo a corrupção não deva ser combatida politicamente pelas organizações classistas pois não é nosso papel propôr melhoras para o sistema. No entanto existem diferentes níveis de análise e diferentes táticas comunicativas num ambiente como o brasileiro. Em primeiro lugar, havendo contextos nacionais onde a corrupção tem maior ou menor preponderância ou incidência no papel do Estado, está sim aberto à análise os condicionantes históricos e econômicos que fazem parte de uma caracterização das burguesias e das facções gestoriais do país enquanto relacionados com as práticas de corrupção (incluindo aí a relação entre as polícias, as agências de espionagem e os demais setores estatais que jogam mais para um lado ou para outro). Por outro lado, se o combate não é contra a corrupção no capitalismo, em alguma medida deve ser contra o discurso que instaura a corrupção &#8220;em geral&#8221; como tema nacional; outra questão ainda é quando a corrupção toca diretamente demandas populares, como por exemplo desvios de verba na saúde: não se deve aproveitar tais casos para realizar agitação, sendo a questão da corrupção algo tão sensível e moralizado pelo sentido comum, no caso de um hospital que será fechado, por exemplo? Seria um erro, creio, abster-se de pautá-la. O erro não é discutir a corrupção e identificá-la nas práticas de setores majoritários da classe dominantes brasileira (e em boa parte de setores explorados também), mas sim entendê-la como algo a ser combatido pela classe trabalhadora organizada num contexto de plena normalidade capitalista (especialmente se a acusação for moral e ética). A defesa da Lava-Jato por um lado e a defesa relativizadora dos governos petistas (&#8220;todos os governos são corruptos e a perseguição à Lula é coisa dos estados unidos&#8221;) são ambas posições políticas que reivindicam a ordem capitalista. Mas denunciar a máfia da merenda escolar em SP, a compra de alvarás para construção em áreas preservadas, etc, não são corrupções que devam ser combatidas? É claro que o que se está combatendo aqui não é a corrupção em si, abstrata, mas seus efeitos mais deletérios para os trabalhadores; e se a corrupção é o modos operandi no capitalismo, a conclusão a que se chega não é a de naturalizar a corrupção como algo politicamente nulo e portanto algo sobre o qual não vale a pena falar, mas sim a oportunidade para mostrar os vínculos necessários entre corrupção e capitalismo. A denúncia contra o rompimento de regras não se faz por serem estas estimadas pelo enunciador, mas sim para desafiar o sentido comum de quem escuta.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318175</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Sep 2017 12:38:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=115038#comment-318175</guid>

					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318113&quot;&gt;Lucas&lt;/a&gt;.

Lucas, no que diz respeito a estas outras forma de relação entre empresas e Estado tocada pelos capitalistas pequenos e por gestores estatais de médio e baixo escalão, elas, de fato, merece uma análise à parte. Não estão na mesma escala das relações analisadas até o momento, e mereceriam mesmo um artigo específico só para elas.

Alguns elementos para abordar a questão, que poderão ser desenvolvidos posteriormente:

1) No que diz respeito a certas compras e obras, o Estado ou é oligopsonista ou é monopsonista, quer dizer, ou é ele um dos poucos compradores ou tomadores de serviço, ou é simplesmente o único. No caso da merenda escolar, por exemplo, ele é oligopsonista; no caso das estradas e de outras obras públicas que envolvem construção pesada, ele é monopsonista. Basta olhar outros setores para caracterizar uma ou outra situação no que diz respeito ao assunto.

2) Sendo um dos maiores compradores e havendo empresas, inclusive, especializadas em fornecimento de produtos ao Estado em atacado, não sei nem se é possível qualificar estes fornecedores como pequenos em seus respectivos setores. Seria o caso de estudos empíricos mais aprofundados. Se levarmos a questão em termos estritamente teóricos para delimitar o campo de análise, entretanto, numa tal situação, o superfaturamento das compras públicas assume características de &lt;em&gt;acumulação originária&lt;/em&gt;, no sentido de que a mais-valia concentrada no Estado por meio de impostos é apropriada por estes capitalistas pequenos como forma de vencer os concorrentes menores e fazer frente aos concorrentes maiores. 

3) Não se espante quanto à má qualidade dos produtos nos períodos de acumulação mais intensa. O velho Marx passou uma temporada analisando os &lt;em&gt;blue books&lt;/em&gt; parlamentares ingleses e mostrou como tais práticas eram inseparáveis desta mesma acumulação. Analisando o caso brasileiro, basta colar tais práticas, digamos, &quot;sujas&quot; com as taxas monstruosas de crescimento econômico brasileiro em todo o século XX para ver o processo se repetindo: o &quot;não cumprimento com as condições mínimas estabelecidas nos acordos com o Estado&quot; se enquadra na mesma situação.

Tudo isto me leva a repetir o alerta, a Lucas e a quem mais leia: no capitalimsmo não existe &quot;regra&quot; que não as da acumulação, não existe &quot;moral&quot; ou &quot;ética&quot; que não a maquiavélica, não existe &quot;corrupção&quot; nenhuma a ser combatida. Enquanto não nos livrarmos deste léxico e de sua centralidade, enquanto nos mantivermos na perspectiva &quot;cidadanista&quot; oculta por trás destas pautas, não conseguiremos avançar um só milímetro na luta anticapitalista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318113">Lucas</a>.</p>
<p>Lucas, no que diz respeito a estas outras forma de relação entre empresas e Estado tocada pelos capitalistas pequenos e por gestores estatais de médio e baixo escalão, elas, de fato, merece uma análise à parte. Não estão na mesma escala das relações analisadas até o momento, e mereceriam mesmo um artigo específico só para elas.</p>
<p>Alguns elementos para abordar a questão, que poderão ser desenvolvidos posteriormente:</p>
<p>1) No que diz respeito a certas compras e obras, o Estado ou é oligopsonista ou é monopsonista, quer dizer, ou é ele um dos poucos compradores ou tomadores de serviço, ou é simplesmente o único. No caso da merenda escolar, por exemplo, ele é oligopsonista; no caso das estradas e de outras obras públicas que envolvem construção pesada, ele é monopsonista. Basta olhar outros setores para caracterizar uma ou outra situação no que diz respeito ao assunto.</p>
<p>2) Sendo um dos maiores compradores e havendo empresas, inclusive, especializadas em fornecimento de produtos ao Estado em atacado, não sei nem se é possível qualificar estes fornecedores como pequenos em seus respectivos setores. Seria o caso de estudos empíricos mais aprofundados. Se levarmos a questão em termos estritamente teóricos para delimitar o campo de análise, entretanto, numa tal situação, o superfaturamento das compras públicas assume características de <em>acumulação originária</em>, no sentido de que a mais-valia concentrada no Estado por meio de impostos é apropriada por estes capitalistas pequenos como forma de vencer os concorrentes menores e fazer frente aos concorrentes maiores. </p>
<p>3) Não se espante quanto à má qualidade dos produtos nos períodos de acumulação mais intensa. O velho Marx passou uma temporada analisando os <em>blue books</em> parlamentares ingleses e mostrou como tais práticas eram inseparáveis desta mesma acumulação. Analisando o caso brasileiro, basta colar tais práticas, digamos, &#8220;sujas&#8221; com as taxas monstruosas de crescimento econômico brasileiro em todo o século XX para ver o processo se repetindo: o &#8220;não cumprimento com as condições mínimas estabelecidas nos acordos com o Estado&#8221; se enquadra na mesma situação.</p>
<p>Tudo isto me leva a repetir o alerta, a Lucas e a quem mais leia: no capitalimsmo não existe &#8220;regra&#8221; que não as da acumulação, não existe &#8220;moral&#8221; ou &#8220;ética&#8221; que não a maquiavélica, não existe &#8220;corrupção&#8221; nenhuma a ser combatida. Enquanto não nos livrarmos deste léxico e de sua centralidade, enquanto nos mantivermos na perspectiva &#8220;cidadanista&#8221; oculta por trás destas pautas, não conseguiremos avançar um só milímetro na luta anticapitalista.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/09/115038/#comment-318113</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Sep 2017 15:43:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=115038#comment-318113</guid>

					<description><![CDATA[Entendo que a corrupção sempre existirá enquanto forma de driblar regras sociais em um ambiente onde a concorrência predomina. Não é apenas a corrupção entre empresas e Estado capitalista, incluindo aí as experiências do socialismo real, mas também entre o proletariado -- como em situações de miséria e guerra, quando alguns setores têm de recorrer à propinas e &quot;taxas&quot; para conseguir acesso à mercadorias de subsistência. Existe aqui uma questão de correlação de forças entre os que podem impor &quot;taxas&quot; e os que se veem obrigados a pagá-la (por falta de opções ou por ver aí também uma oportunidade de crescimento).
Mas eu queria chamar a atenção a outra forma de corrupção entre empresas e Estado, pois se é certo que existe uma disputa ininterrupta por melhores colocações nas CGP, que supõe uma luta pela produtividade e por posições de ponta na concorrência local e mundial, também temos os casos bastante comuns na américa latina de superfaturamento ou de não cumprimento com as condições mínimas estabelecidas nos acordos com o Estado. Este tipo de corrupção não supõe um ambiente de alta competitividade capitalista empurrada pela guerra de preços ou pelo barateamento da produção. Talvez o volume de dinheiro das corporações e dos gestores que estiveram construindo o Brasil na última década e meia seja inalcançável pela pequena burguesia, mas as pequenas corrupções entre empresas menores e esferas menores da máquina pública estão por todo lado e nem sempre têm como resultado uma melhora das CGP para este ou aquele setor produtivo. Obras sendo feitas abaixo do custo estipulado ou produtos de pior qualidade, isso muitas vezes se traduz em mortes, gastos repetidos de manutenção desnecessária, comida de pior qualidade para estudantes, para ficar nos exemplos mais diretos e apelativos. Para explicar isso no caso brasileiro é necessário, me parece, não apenas levar em consideração as pressões populares mas também os conflitos de interesse (ou falta de) intra-burguesia e a forma como os gestores operam estes interesses. Que fique claro que não estou levantando a bandeira escrota do &quot;corrupção mata&quot;, apenas digo que enquanto o capitalismo de ponta usa a corrupção para dinamizar alguns setores por sobre outros, o capitalismo arcaico usa a corrupção para acumular mais-valia sem desenvolver as forças produtivas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entendo que a corrupção sempre existirá enquanto forma de driblar regras sociais em um ambiente onde a concorrência predomina. Não é apenas a corrupção entre empresas e Estado capitalista, incluindo aí as experiências do socialismo real, mas também entre o proletariado &#8212; como em situações de miséria e guerra, quando alguns setores têm de recorrer à propinas e &#8220;taxas&#8221; para conseguir acesso à mercadorias de subsistência. Existe aqui uma questão de correlação de forças entre os que podem impor &#8220;taxas&#8221; e os que se veem obrigados a pagá-la (por falta de opções ou por ver aí também uma oportunidade de crescimento).<br />
Mas eu queria chamar a atenção a outra forma de corrupção entre empresas e Estado, pois se é certo que existe uma disputa ininterrupta por melhores colocações nas CGP, que supõe uma luta pela produtividade e por posições de ponta na concorrência local e mundial, também temos os casos bastante comuns na américa latina de superfaturamento ou de não cumprimento com as condições mínimas estabelecidas nos acordos com o Estado. Este tipo de corrupção não supõe um ambiente de alta competitividade capitalista empurrada pela guerra de preços ou pelo barateamento da produção. Talvez o volume de dinheiro das corporações e dos gestores que estiveram construindo o Brasil na última década e meia seja inalcançável pela pequena burguesia, mas as pequenas corrupções entre empresas menores e esferas menores da máquina pública estão por todo lado e nem sempre têm como resultado uma melhora das CGP para este ou aquele setor produtivo. Obras sendo feitas abaixo do custo estipulado ou produtos de pior qualidade, isso muitas vezes se traduz em mortes, gastos repetidos de manutenção desnecessária, comida de pior qualidade para estudantes, para ficar nos exemplos mais diretos e apelativos. Para explicar isso no caso brasileiro é necessário, me parece, não apenas levar em consideração as pressões populares mas também os conflitos de interesse (ou falta de) intra-burguesia e a forma como os gestores operam estes interesses. Que fique claro que não estou levantando a bandeira escrota do &#8220;corrupção mata&#8221;, apenas digo que enquanto o capitalismo de ponta usa a corrupção para dinamizar alguns setores por sobre outros, o capitalismo arcaico usa a corrupção para acumular mais-valia sem desenvolver as forças produtivas.</p>
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