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	Comentários sobre: Identidade contra classe? Um debate	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Um trabalhador qualquer		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-731591</link>

		<dc:creator><![CDATA[Um trabalhador qualquer]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Apr 2021 23:47:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mais uma contribuição para a conversa dos camaradas. Mário Maestri refuta a tese do Sílvio Almeida de que o racismo possa ser estrutural:

&quot;Os variados meios extraordinários de super-exploração do trabalho podem ser usados em forma ampla ou restrita, significativa ou moderada, intermitente, periódica ou permanente. Ou podem, até mesmo, não serem utilizados. O essencial na reprodução capitalista é a exploração da força de trabalho, sendo que não são essenciais suas características singulares. Devido a isso, mesmo importantes, as peculiaridades da força de trabalho não são elementos estruturais, necessários, ao processo de produção capitalista. São elementos conjunturais, mesmo quando se mantêm por longuíssimo tempo e assumem larga importância.&quot; 

Vale a leitura do artigo:
https://maestri1789.wixsite.com/mariomaestri/post/o-racismo-não-é-estrutural?fbclid=IwAR3pcz6SX2wR4iH4HZtgGN46T8SfK7zegOcNF1P6SQbVXpGZABpzcNd-FbI]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma contribuição para a conversa dos camaradas. Mário Maestri refuta a tese do Sílvio Almeida de que o racismo possa ser estrutural:</p>
<p>&#8220;Os variados meios extraordinários de super-exploração do trabalho podem ser usados em forma ampla ou restrita, significativa ou moderada, intermitente, periódica ou permanente. Ou podem, até mesmo, não serem utilizados. O essencial na reprodução capitalista é a exploração da força de trabalho, sendo que não são essenciais suas características singulares. Devido a isso, mesmo importantes, as peculiaridades da força de trabalho não são elementos estruturais, necessários, ao processo de produção capitalista. São elementos conjunturais, mesmo quando se mantêm por longuíssimo tempo e assumem larga importância.&#8221; </p>
<p>Vale a leitura do artigo:<br />
<a href="https://maestri1789.wixsite.com/mariomaestri/post/o-racismo-não-é-estrutural?fbclid=IwAR3pcz6SX2wR4iH4HZtgGN46T8SfK7zegOcNF1P6SQbVXpGZABpzcNd-FbI" rel="nofollow ugc">https://maestri1789.wixsite.com/mariomaestri/post/o-racismo-não-é-estrutural?fbclid=IwAR3pcz6SX2wR4iH4HZtgGN46T8SfK7zegOcNF1P6SQbVXpGZABpzcNd-FbI</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Malanga		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-376315</link>

		<dc:creator><![CDATA[Malanga]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Dec 2018 07:47:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[https://www.elconfidencial.com/cultura/2018-07-21/daniel-bernabe-la-trampa-de-la-diversidad-entrevista_1594264/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.elconfidencial.com/cultura/2018-07-21/daniel-bernabe-la-trampa-de-la-diversidad-entrevista_1594264/" rel="nofollow ugc">https://www.elconfidencial.com/cultura/2018-07-21/daniel-bernabe-la-trampa-de-la-diversidad-entrevista_1594264/</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pra Não Dizer Que Não Falei Dos Dreads		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-319175</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pra Não Dizer Que Não Falei Dos Dreads]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Oct 2017 13:17:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Pelas ruas marchando indecisos cordões. Ainda fazem do dread seu mais forte refrão. E acreditam nos dreads, nos rastafáris, nos  moicanos, nas carecas,  vencendo o canhão...&quot;

O artigo &quot;O macrismo não é um golpe de sorte&quot;,  traz um conceito interessante, &quot;multi-target&quot;: &quot;fomentados por uma gestão multi-target que se segmenta em setores tão específicos como a seita dos runners, as demandas éticas dos veganos e as pautas insondáveis dos amantes de bichos de estimação, terminam de completar a ideia do macrismo como uma força política moderna e cosmopolita, à altura dos tempos&quot;(http://passapalavra.info/2017/10/115792). &quot;Cambiemos&quot; então: as IDENTIDADES ou IDENTITARISMO dos runners, veganos amantes dos bichos de estimação (todas tão em voga também na esquerda capitalista...) e substituamos por qualquer outra IDENTIDADE ou IDENTITARISMO... a o conceito e a &quot;GESTÃO&quot; &quot;multi-traget&quot; permanecem os mesmos para direita e esquerda: modernos... cosmopolitas... à altura dos tempos... Portanto, não é só o macrismo que não é golpe de sorte...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Pelas ruas marchando indecisos cordões. Ainda fazem do dread seu mais forte refrão. E acreditam nos dreads, nos rastafáris, nos  moicanos, nas carecas,  vencendo o canhão&#8230;&#8221;</p>
<p>O artigo &#8220;O macrismo não é um golpe de sorte&#8221;,  traz um conceito interessante, &#8220;multi-target&#8221;: &#8220;fomentados por uma gestão multi-target que se segmenta em setores tão específicos como a seita dos runners, as demandas éticas dos veganos e as pautas insondáveis dos amantes de bichos de estimação, terminam de completar a ideia do macrismo como uma força política moderna e cosmopolita, à altura dos tempos&#8221;(<a href="http://passapalavra.info/2017/10/115792" rel="ugc">http://passapalavra.info/2017/10/115792</a>). &#8220;Cambiemos&#8221; então: as IDENTIDADES ou IDENTITARISMO dos runners, veganos amantes dos bichos de estimação (todas tão em voga também na esquerda capitalista&#8230;) e substituamos por qualquer outra IDENTIDADE ou IDENTITARISMO&#8230; a o conceito e a &#8220;GESTÃO&#8221; &#8220;multi-traget&#8221; permanecem os mesmos para direita e esquerda: modernos&#8230; cosmopolitas&#8230; à altura dos tempos&#8230; Portanto, não é só o macrismo que não é golpe de sorte&#8230;</p>
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		<item>
		<title>
		Por: outrx camarada		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-319144</link>

		<dc:creator><![CDATA[outrx camarada]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Oct 2017 15:59:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[dizem por aí que as lutas criam a comunidade proletária, a classe para si. Que fazer? Lenin defendeu que a luta tradeunista apenas não levava à revolução. Certamente não em um país eminentemente camponês. Qual é o horizonte das lutas? Lutar no enquadro das relações de exploração é o que nos transforma em nemesis do capitalismo; lutar no enquadro de demandas identitárias gera alterações nas diferenças específicas entre os seres humanos.
Existe no discurso do sentido comum identitaristas um apelo ao exclusivismo que é maléfico: tudo o que é luta por melhores condições para as mulheres trabalhadoras é feminismo, tudo o que é luta por melhorar as condições para os negros trabalhadores é anti-racismo. Fora da linha política identitária não existe luta pelas condições de vida de nenhuma minoria, não reivindicar-se feminista é igualado a machismo, não reivindicar-se anti-racista é ter uma linha política racista. Creio que disso falam xs camaradas a respeito da tradição universalista. Será que um dia voltaremos a poder lutar contra o racismo sem que se tenha que ser negro, que nossa organização tenha uma comissão específica de negros para que lutem especificamente sobre a questão dos negros, e uma específica só com as mulheres negras, ad infinitum? Por que é que não criar todo esse aparato, retórico ou organizativo, é idêntico a &quot;abandonar as pautas identitárias&quot;, ou &quot;privilegiar o econômico&quot;?
Acho que essa última pergunta aponta justamente àquilo que os últimos comentários chamam de &quot;denunciar as tendências oportunistas&quot; e a &quot;formação de novos quadros gestoriais&quot; a partir da lógica identitarista. Que no extremo se identifica com o liberalismo de esquerda, por mais que se denuncie o capitalismo de forma genérica.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>dizem por aí que as lutas criam a comunidade proletária, a classe para si. Que fazer? Lenin defendeu que a luta tradeunista apenas não levava à revolução. Certamente não em um país eminentemente camponês. Qual é o horizonte das lutas? Lutar no enquadro das relações de exploração é o que nos transforma em nemesis do capitalismo; lutar no enquadro de demandas identitárias gera alterações nas diferenças específicas entre os seres humanos.<br />
Existe no discurso do sentido comum identitaristas um apelo ao exclusivismo que é maléfico: tudo o que é luta por melhores condições para as mulheres trabalhadoras é feminismo, tudo o que é luta por melhorar as condições para os negros trabalhadores é anti-racismo. Fora da linha política identitária não existe luta pelas condições de vida de nenhuma minoria, não reivindicar-se feminista é igualado a machismo, não reivindicar-se anti-racista é ter uma linha política racista. Creio que disso falam xs camaradas a respeito da tradição universalista. Será que um dia voltaremos a poder lutar contra o racismo sem que se tenha que ser negro, que nossa organização tenha uma comissão específica de negros para que lutem especificamente sobre a questão dos negros, e uma específica só com as mulheres negras, ad infinitum? Por que é que não criar todo esse aparato, retórico ou organizativo, é idêntico a &#8220;abandonar as pautas identitárias&#8221;, ou &#8220;privilegiar o econômico&#8221;?<br />
Acho que essa última pergunta aponta justamente àquilo que os últimos comentários chamam de &#8220;denunciar as tendências oportunistas&#8221; e a &#8220;formação de novos quadros gestoriais&#8221; a partir da lógica identitarista. Que no extremo se identifica com o liberalismo de esquerda, por mais que se denuncie o capitalismo de forma genérica.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Camarada 1		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-319141</link>

		<dc:creator><![CDATA[Camarada 1]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Oct 2017 09:22:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Finalmente, uma resposta que contempla e que se soma com maior afinidade às inquietações do início do debate:

&quot;Por isso me parece besta quando dizem uns que o movimento identitário é burguês e outros ainda mais quando dizem que é a revolução. Ele é ambos: elitista e necessário. Os que gritam que ele é a revolução geralmente o fazem por precisar que as suas contradições nunca apareçam, entre elas o uso das opressões sofridas por muitos para a ascensão de poucos. Enquanto aqueles que o chamam de burguês tapam os olhos para o que se passa na frente: o racismo e o machismo que brutalizam ainda mais a vida cotidiana. Não se trata aqui de mais uma defesa da “interseccionalidade”, não se trata de fazer um novo mosaico — mas desta vez um mosaico com uma grande peça vermelha em destaque. Se trata de pintar um novo quadro, fazer uma nova arte, que consiga refletir as aspirações do nosso tempo.
Ora, se a gente tem esse instrumento que é a máquina de apontar as contradições e que ajuda a separar o que não deveria andar junto, então usemo-lo mais uma vez. Não é a opressão que não deve andar junto da exploração em nossas análises: o que se precisa é desvelar a contradição das lutas identitárias e a formação de mais uma fração da classe gestorial a partir delas.&quot;

E digo mais: assim como nem toda luta operária é comunista, nem todo movimento identitário é identitarista. Os partidos/tendências se alimentam (ou ao menos deveriam se alimentar) de determinadas lutas concretas e específicas, mas estas lutas são sempre atravessadas de contradições, alimentando tendências que por vezes podem se antagonizar. 

Não é razoável aconselhar um movimento identitário qualquer a se integrar (e diluir) em um movimento classista - por vezes compondo uma seção ou coletivo interno, no caso dos partidos - quando este não resolveu internamente os problemas que originam o movimento identitário. Mas expor as contradições dos movimentos e denunciar o identitarismo como tendência oportunista, regressiva, corporativa e gestorial para milhões de trabalhadoras e trabalhadores, essa sim me parece ser uma tarefa dos comunistas - que vem de &quot;comum&quot;, de &quot;igual&quot;, o que hoje parece preciso lembrar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Finalmente, uma resposta que contempla e que se soma com maior afinidade às inquietações do início do debate:</p>
<p>&#8220;Por isso me parece besta quando dizem uns que o movimento identitário é burguês e outros ainda mais quando dizem que é a revolução. Ele é ambos: elitista e necessário. Os que gritam que ele é a revolução geralmente o fazem por precisar que as suas contradições nunca apareçam, entre elas o uso das opressões sofridas por muitos para a ascensão de poucos. Enquanto aqueles que o chamam de burguês tapam os olhos para o que se passa na frente: o racismo e o machismo que brutalizam ainda mais a vida cotidiana. Não se trata aqui de mais uma defesa da “interseccionalidade”, não se trata de fazer um novo mosaico — mas desta vez um mosaico com uma grande peça vermelha em destaque. Se trata de pintar um novo quadro, fazer uma nova arte, que consiga refletir as aspirações do nosso tempo.<br />
Ora, se a gente tem esse instrumento que é a máquina de apontar as contradições e que ajuda a separar o que não deveria andar junto, então usemo-lo mais uma vez. Não é a opressão que não deve andar junto da exploração em nossas análises: o que se precisa é desvelar a contradição das lutas identitárias e a formação de mais uma fração da classe gestorial a partir delas.&#8221;</p>
<p>E digo mais: assim como nem toda luta operária é comunista, nem todo movimento identitário é identitarista. Os partidos/tendências se alimentam (ou ao menos deveriam se alimentar) de determinadas lutas concretas e específicas, mas estas lutas são sempre atravessadas de contradições, alimentando tendências que por vezes podem se antagonizar. </p>
<p>Não é razoável aconselhar um movimento identitário qualquer a se integrar (e diluir) em um movimento classista &#8211; por vezes compondo uma seção ou coletivo interno, no caso dos partidos &#8211; quando este não resolveu internamente os problemas que originam o movimento identitário. Mas expor as contradições dos movimentos e denunciar o identitarismo como tendência oportunista, regressiva, corporativa e gestorial para milhões de trabalhadoras e trabalhadores, essa sim me parece ser uma tarefa dos comunistas &#8211; que vem de &#8220;comum&#8221;, de &#8220;igual&#8221;, o que hoje parece preciso lembrar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Blade Runner 2049		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-319135</link>

		<dc:creator><![CDATA[Blade Runner 2049]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Oct 2017 01:15:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há quem acredite que por ter pai e mãe (seja lá sob que forma familiar...), não é filho de chocadeira...
A granja, orgânica ou não, é granja... portanto, ovos são ovos e frangos são frangos...
Embora humanos, somos recursos, capitais... 
Sendo assim, a identidade é (sempre) o registro geral... 

Blade Runner 2049? Não! 2017... A identidade de K, mesmo quando ele se &quot;identifica&quot; como Joe, é &quot;K&quot;... &quot;kkkkkkkk...!&quot;
Quantas são, então, as &quot;memórias&quot; de &quot;paraísos perdidos&quot; e de &quot;tempos de glória&quot;? 
&quot;K&quot;: 
- &quot;kkkkkkk....!&quot;

E nós, sempre especiais... sempre os &quot;escolhidos&quot;...

Embora o (R*)egistro seja (sempre) &quot;G&quot;eral, dizem, nos falta &quot;classe&quot;. A (I)dentidade ( etimologia: identidade do latim idem, igualdade e continuidade. A qualidade daquilo que é idêntico, o estado de uma coisa que não se modifica...) é (R*)evolucionária... isso sim é ter &quot;classe&quot;... 

Mas os Tempos são Modernos... e a (R*)evolução não será televisionada... em tempos de fraternidades &quot;compartilhadas&quot; (afinal, dizem, o futuro, (A*)nticapitalista inclusive, será &quot;compartilhar&quot; não só a carona... mas a casa, a cama, a escova de dente, a cueca, a camisinha...)... os &quot;likes&quot;, os &quot;emojis&quot;, os &quot;hastags&quot; farão a vez da TV... a própria (R*)evolução será &quot;permanente&quot; em um &quot;App&quot; de atualização automática para todas as tribos de todas as cores... salvo se não houver crédito no celular...

*(R) Marca Registrada.
*(I) Marca Registrada.
*(A) Marca Registrada.

Quer trabalhar conosco? Envie seu currículo para nosso Departamento de Recursos Humanos. E-mail: capitalhumano@brancopretomulher.etc.com]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há quem acredite que por ter pai e mãe (seja lá sob que forma familiar&#8230;), não é filho de chocadeira&#8230;<br />
A granja, orgânica ou não, é granja&#8230; portanto, ovos são ovos e frangos são frangos&#8230;<br />
Embora humanos, somos recursos, capitais&#8230;<br />
Sendo assim, a identidade é (sempre) o registro geral&#8230; </p>
<p>Blade Runner 2049? Não! 2017&#8230; A identidade de K, mesmo quando ele se &#8220;identifica&#8221; como Joe, é &#8220;K&#8221;&#8230; &#8220;kkkkkkkk&#8230;!&#8221;<br />
Quantas são, então, as &#8220;memórias&#8221; de &#8220;paraísos perdidos&#8221; e de &#8220;tempos de glória&#8221;?<br />
&#8220;K&#8221;:<br />
&#8211; &#8220;kkkkkkk&#8230;.!&#8221;</p>
<p>E nós, sempre especiais&#8230; sempre os &#8220;escolhidos&#8221;&#8230;</p>
<p>Embora o (R*)egistro seja (sempre) &#8220;G&#8221;eral, dizem, nos falta &#8220;classe&#8221;. A (I)dentidade ( etimologia: identidade do latim idem, igualdade e continuidade. A qualidade daquilo que é idêntico, o estado de uma coisa que não se modifica&#8230;) é (R*)evolucionária&#8230; isso sim é ter &#8220;classe&#8221;&#8230; </p>
<p>Mas os Tempos são Modernos&#8230; e a (R*)evolução não será televisionada&#8230; em tempos de fraternidades &#8220;compartilhadas&#8221; (afinal, dizem, o futuro, (A*)nticapitalista inclusive, será &#8220;compartilhar&#8221; não só a carona&#8230; mas a casa, a cama, a escova de dente, a cueca, a camisinha&#8230;)&#8230; os &#8220;likes&#8221;, os &#8220;emojis&#8221;, os &#8220;hastags&#8221; farão a vez da TV&#8230; a própria (R*)evolução será &#8220;permanente&#8221; em um &#8220;App&#8221; de atualização automática para todas as tribos de todas as cores&#8230; salvo se não houver crédito no celular&#8230;</p>
<p>*(R) Marca Registrada.<br />
*(I) Marca Registrada.<br />
*(A) Marca Registrada.</p>
<p>Quer trabalhar conosco? Envie seu currículo para nosso Departamento de Recursos Humanos. E-mail: <a href="mailto:capitalhumano@brancopretomulher.etc.com">capitalhumano@brancopretomulher.etc.com</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: danribé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-319130</link>

		<dc:creator><![CDATA[danribé]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2017 22:38:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=115935#comment-319130</guid>

					<description><![CDATA[Relendo o que o Camarada 5 pontua já ao final da troca de mensagens, a saber: “Desse modo, creio, nosso debate possui dois problemas: 1. Uma confusão entre identidade e identitarismo; 2. Uma noção de classe (e luta de classes) tão abstrata quanto o conceito de identidade!”, me parece ser esse ponto de partida. Há diversas lutas que giram em torno das identidades, mas nem todas são um reforço dela, muitas alias são contra as identidades, pois a identidade é imposta de fora. Enquanto os nascentes gestores dentro do movimento identitários precisam reforçar essas identidades fazendo o mesmo jogo só que ao lado oposto dos racistas*, os que cotidianamente sofrem com as opressões costumavam lutar contra essas identidades. Hoje há uma inversão e a hegemonia dos gestores identitários por dentro desses movimentos que partem das identidades fazem com que as mesmas aconteçam na dualidade da afirmação/negação de si. Ora, os gestores que capitalizam seus dividendos de grana e poder pelas identidades só podem ascender a um cargo nas elites políticas e econômicas se a escada que os levam até lá permanecer sólida, mas nem todos estão dispostos a ser escada. Creio que fazer esse recorte nas lutas que nascem e são pautadas pelas identidades, entre aquelas que reafirmam e aquelas que negam; ou fazer a separação entre as práticas dentro da mesma luta que apontam pra lados opostos, é mais do que necessário. 

*Por exemplo, hoje está em voga a análise de fenótipos e pesquisa sobre a ancestralidade para determinar quem é e quem não é negro nas disputas por vagas nas universidades e concursos públicos, resgatando práticas outrora consideradas nazistas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Relendo o que o Camarada 5 pontua já ao final da troca de mensagens, a saber: “Desse modo, creio, nosso debate possui dois problemas: 1. Uma confusão entre identidade e identitarismo; 2. Uma noção de classe (e luta de classes) tão abstrata quanto o conceito de identidade!”, me parece ser esse ponto de partida. Há diversas lutas que giram em torno das identidades, mas nem todas são um reforço dela, muitas alias são contra as identidades, pois a identidade é imposta de fora. Enquanto os nascentes gestores dentro do movimento identitários precisam reforçar essas identidades fazendo o mesmo jogo só que ao lado oposto dos racistas*, os que cotidianamente sofrem com as opressões costumavam lutar contra essas identidades. Hoje há uma inversão e a hegemonia dos gestores identitários por dentro desses movimentos que partem das identidades fazem com que as mesmas aconteçam na dualidade da afirmação/negação de si. Ora, os gestores que capitalizam seus dividendos de grana e poder pelas identidades só podem ascender a um cargo nas elites políticas e econômicas se a escada que os levam até lá permanecer sólida, mas nem todos estão dispostos a ser escada. Creio que fazer esse recorte nas lutas que nascem e são pautadas pelas identidades, entre aquelas que reafirmam e aquelas que negam; ou fazer a separação entre as práticas dentro da mesma luta que apontam pra lados opostos, é mais do que necessário. </p>
<p>*Por exemplo, hoje está em voga a análise de fenótipos e pesquisa sobre a ancestralidade para determinar quem é e quem não é negro nas disputas por vagas nas universidades e concursos públicos, resgatando práticas outrora consideradas nazistas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: danribé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-319122</link>

		<dc:creator><![CDATA[danribé]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2017 20:54:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=115935#comment-319122</guid>

					<description><![CDATA[Alguém entre os camaradas, ou entre as camaradas, falou em “sobreposição” ao expor a transposição da teoria dos modos de produção para a prática identitária. Queria aqui falar sobre outro tipo de sobreposição, a entre as classes, com um olhar mais objetivo sobre a composição desses movimentos identitários...

Já não é de hoje que o pensamento marxista justifica o racismo, o machismo e tudo aquilo que se passou a ser chamado de opressões como uma forma de clivagem intra classe trabalhadora usada racionalmente pelas classes dominantes. Assim, se é possível pagar um salário menor a um negro ou a uma mulher, se é possível explorá-los mais (intensiva e extensivamente) dando-lhes piores condições de trabalho, que seja, muito melhor. Aumenta-se a produtividade, aumenta-se os lucros e cria-se barreiras à recuperação da exploração feita pelo conjunto dos trabalhadores, obrigados agora a aceitar níveis de remuneração não muito distantes daqueles percebidos pelos que somam à sua exploração uma carga maior de opressão. 

Digressão: os trabalhadores “privilegiados” (vejam só, ser explorado passou a ser um privilégio quando não se soma a uma carga muito intensa de opressão!) costumam lutar não contra a opressão que cai sobre os trabalhadores negros e mulheres, que nos final das contas também recai sobre a própria exploração, mas contra a participação deles no mercado de trabalho, quase sempre intensificando a opressão, mas tirando-lhes o direito de ser explorados. É assim que o fascismo vem crescendo contra os imigrantes, e o separatismo se torna a nova coqueluche. É exatamente aqui que os identitários vencem cotidianamente os &quot;classistas&quot; nas disputas pela hegemonia das lutas sociais, pois parece existir uma racionalidade instrumental, fria e calculista, na prática dos gestores capitalistas quando usam das opressões para intensificar a exploração, fragmentar a classe trabalhadora e consequentemente diminuir a resistência, mas não há entre os trabalhadores a compreensão oposta exigida pela cartilha, já que os mesmos não combatem essas opressões de forma generalizada, e na maior parte dos casos até joga a favor, prejudicando a si e aos trabalhadores negros e mulheres, para ficar nos dois exemplos mais conhecidos. Os identitários dizem que os trabalhadores não agem contra si, eles fazem isso porque é lógico que o façam, é lógico que exerçam seus &quot;privilégios&quot; e que há um ganho nisso que precisa ser reparado. Os &quot;classistas&quot;, no seu turno, já não sabem o que dizer, a maioria até capitula.

Mas voltando ao que importa, quero ir para a outra ponta da luta de classes e identificar lá uma parte do movimento identitário. 

Há algo que não se encaixa nessa racionalidade capitalista, que é quando essa opressão chega no nível dos gestores. Por que diabos há menos gestores mulher e negro do que “ômi” branco!? Se um negro ou uma mulher são tão capazes quanto os homens brancos em tudo, inclusive em explorar os semelhantes, se os gestores capitalistas deveriam para o seu próprio bem entender o mundo desta forma instrumental, então estarão eles reduzindo a sua própria capacidade de reprodução por mero diletantismo? Seria apego a estas clivagens que deveriam ter morrido no passado? Ou os capitalistas não são tão racionais assim, e portanto são também racistas e machistas mesmo quando atuam em nome dos interesses de classe?

Pois bem, é sabido também que nem todos nascem gestores, tornam-se (saudade do tempo quando máximas parecidas também valiam para “negro” e “mulher”!). E nesse processo de se tornar gestor, muitos partem do seio dos trabalhadores para chegar até lá. A esquerda, por exemplo, faz dos sindicatos e partidos as suas escolas de gestores, mas há muitíssimas outras escadas. Essas escolas de gestores selecionam seus alunos no meio da classe trabalhadora imersa nas clivagens de todos os tipos. Nesse vestibular não há cotas e as opções de múltiplas escolhas são as cabeças que uns terão que pisar para se chegar na classe de cima. A concorrência entre eles permite que se use destas armas quando outras faltam munições. Ora, um marido subjuga a mulher não porque concorrem entre si, assim como um colega de turma não chama o outro de macaco porque vai tirar algum proveito disso. Na real, o marido torna a sua própria relação matrimonial um lixo, sem falar na vida da mulher um inferno, enquanto o racista cria a sua volta um ambiente hostil por ter destruído o espírito (e muitas vezes o corpo) do vizinho. Na concorrência, por outro lado, pelo menos um pode se dar verdadeiramente bem. Na irracionalidade do racismo e do machismo cotidianos entre os trabalhadores todos se lascam, apenas uns se lascam mais do que outros.

Não ignoro com isso que o mesmo se passe entre os já nascidos gestores. Talvez até mais do que entre nós, trabalhares (ou seria eu um gestor tentando prega-lhes uma peça?). A questão é que esse outro lado do problema podemos pouco atacar. Se por lá os preconceitos são reflexos da mera concorrência, códigos culturais ou simples burrice pouco me importa neste exato momento. O que eu destaco aqui é que enquanto o capitalismo exige um tipo de racionalidade, o racismo e o machismo entre os trabalhadores já residem em outra, que às vezes se contradizem, às vezes se complementam, mas não sem que alguns saibam jogar com isso e outros fiquem completamente reféns dos seus preconceitos. 

As lutas identitárias então são uma das possíveis confluências dessas duas racionalidades. Os gestores precisam que os melhores e mais qualificados, independentemente da cor e do gênero, cheguem aos escalões mais elevados de poder, e os trabalhadores precisam que as clivagens dentro da classe deixem de existir para que as lutas tenha mais força e para que a vida seja mais suave. Uma parte do movimento identitário, geralmente o setor de origem universitária (os sindicalistas e os movimentos sociais transformados em lobbies também), querendo chegar a um posto entre as elites, e sabendo que nelas não cabem todos, centram suas forças em tirar de lá os que lá já estão. Os &quot;classistas&quot; burocráticos pelo menos sonham mais alto, e querem derrubar toda a elite e ocupar por completo o lugar dela. Os de baixo, os trabalhadores no geral, quando transformam suas lutas em identitárias querem “apenas” parar de morrer por terem mais melanina ou parar de apanhar dos companheiros e não poder sequer pedir proteção. Claro que para os trabalhadores há muitas outras exigências vinculadas ao fim do racismo e do machismo, portanto essa lista está muito longe de ser exaustiva, mas todas as exigências são de ordem prática, com implicações diretas no cotidiano, assim como fazem quando pintam suas lutas de vermelho e exigem coisas que afetam a todos e não somente determinada fração. Daí eu concluo que essas lutas identitárias atravessam as classes (vão dos trabalhadores aos capitalistas) porque criam barreiras para os objetivos particulares de todas, cada um a sua forma, mas para os gestores funcionam de forma ambígua, pois sabem tirar proveito do racismo e do machismo existente entre os trabalhadores.

Por isso me parece besta quando dizem uns que o movimento identitário é burguês e outros ainda mais quando dizem que é a revolução. Ele é ambos: elitista e necessário. Os que gritam que ele é a revolução geralmente o fazem por precisar que as suas contradições nunca apareçam, entre elas o uso das opressões sofridas por muitos para a ascensão de poucos. Enquanto aqueles que o chamam de burguês tapam os olhos para o que se passa na frente: o racismo e o machismo que brutalizam ainda mais a vida cotidiana. Não se trata aqui de mais uma defesa da &quot;interseccionalidade&quot;, não se trata de fazer um novo mosaico -- mas desta vez um mosaico com uma grande peça vermelha em destaque. Se trata de pintar um novo quadro, fazer uma nova arte, que consiga refletir as aspirações do nosso tempo. 

Ora, se a gente tem esse instrumento que é a máquina de apontar as contradições e que ajuda a separar o que não deveria andar junto, então usemo-lo mais uma vez. Não é a opressão que não deve andar junto da exploração em nossas análises: o que se precisa é desvelar a contradição das lutas identitárias e a formação de mais uma fração da classe gestorial a partir delas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguém entre os camaradas, ou entre as camaradas, falou em “sobreposição” ao expor a transposição da teoria dos modos de produção para a prática identitária. Queria aqui falar sobre outro tipo de sobreposição, a entre as classes, com um olhar mais objetivo sobre a composição desses movimentos identitários&#8230;</p>
<p>Já não é de hoje que o pensamento marxista justifica o racismo, o machismo e tudo aquilo que se passou a ser chamado de opressões como uma forma de clivagem intra classe trabalhadora usada racionalmente pelas classes dominantes. Assim, se é possível pagar um salário menor a um negro ou a uma mulher, se é possível explorá-los mais (intensiva e extensivamente) dando-lhes piores condições de trabalho, que seja, muito melhor. Aumenta-se a produtividade, aumenta-se os lucros e cria-se barreiras à recuperação da exploração feita pelo conjunto dos trabalhadores, obrigados agora a aceitar níveis de remuneração não muito distantes daqueles percebidos pelos que somam à sua exploração uma carga maior de opressão. </p>
<p>Digressão: os trabalhadores “privilegiados” (vejam só, ser explorado passou a ser um privilégio quando não se soma a uma carga muito intensa de opressão!) costumam lutar não contra a opressão que cai sobre os trabalhadores negros e mulheres, que nos final das contas também recai sobre a própria exploração, mas contra a participação deles no mercado de trabalho, quase sempre intensificando a opressão, mas tirando-lhes o direito de ser explorados. É assim que o fascismo vem crescendo contra os imigrantes, e o separatismo se torna a nova coqueluche. É exatamente aqui que os identitários vencem cotidianamente os &#8220;classistas&#8221; nas disputas pela hegemonia das lutas sociais, pois parece existir uma racionalidade instrumental, fria e calculista, na prática dos gestores capitalistas quando usam das opressões para intensificar a exploração, fragmentar a classe trabalhadora e consequentemente diminuir a resistência, mas não há entre os trabalhadores a compreensão oposta exigida pela cartilha, já que os mesmos não combatem essas opressões de forma generalizada, e na maior parte dos casos até joga a favor, prejudicando a si e aos trabalhadores negros e mulheres, para ficar nos dois exemplos mais conhecidos. Os identitários dizem que os trabalhadores não agem contra si, eles fazem isso porque é lógico que o façam, é lógico que exerçam seus &#8220;privilégios&#8221; e que há um ganho nisso que precisa ser reparado. Os &#8220;classistas&#8221;, no seu turno, já não sabem o que dizer, a maioria até capitula.</p>
<p>Mas voltando ao que importa, quero ir para a outra ponta da luta de classes e identificar lá uma parte do movimento identitário. </p>
<p>Há algo que não se encaixa nessa racionalidade capitalista, que é quando essa opressão chega no nível dos gestores. Por que diabos há menos gestores mulher e negro do que “ômi” branco!? Se um negro ou uma mulher são tão capazes quanto os homens brancos em tudo, inclusive em explorar os semelhantes, se os gestores capitalistas deveriam para o seu próprio bem entender o mundo desta forma instrumental, então estarão eles reduzindo a sua própria capacidade de reprodução por mero diletantismo? Seria apego a estas clivagens que deveriam ter morrido no passado? Ou os capitalistas não são tão racionais assim, e portanto são também racistas e machistas mesmo quando atuam em nome dos interesses de classe?</p>
<p>Pois bem, é sabido também que nem todos nascem gestores, tornam-se (saudade do tempo quando máximas parecidas também valiam para “negro” e “mulher”!). E nesse processo de se tornar gestor, muitos partem do seio dos trabalhadores para chegar até lá. A esquerda, por exemplo, faz dos sindicatos e partidos as suas escolas de gestores, mas há muitíssimas outras escadas. Essas escolas de gestores selecionam seus alunos no meio da classe trabalhadora imersa nas clivagens de todos os tipos. Nesse vestibular não há cotas e as opções de múltiplas escolhas são as cabeças que uns terão que pisar para se chegar na classe de cima. A concorrência entre eles permite que se use destas armas quando outras faltam munições. Ora, um marido subjuga a mulher não porque concorrem entre si, assim como um colega de turma não chama o outro de macaco porque vai tirar algum proveito disso. Na real, o marido torna a sua própria relação matrimonial um lixo, sem falar na vida da mulher um inferno, enquanto o racista cria a sua volta um ambiente hostil por ter destruído o espírito (e muitas vezes o corpo) do vizinho. Na concorrência, por outro lado, pelo menos um pode se dar verdadeiramente bem. Na irracionalidade do racismo e do machismo cotidianos entre os trabalhadores todos se lascam, apenas uns se lascam mais do que outros.</p>
<p>Não ignoro com isso que o mesmo se passe entre os já nascidos gestores. Talvez até mais do que entre nós, trabalhares (ou seria eu um gestor tentando prega-lhes uma peça?). A questão é que esse outro lado do problema podemos pouco atacar. Se por lá os preconceitos são reflexos da mera concorrência, códigos culturais ou simples burrice pouco me importa neste exato momento. O que eu destaco aqui é que enquanto o capitalismo exige um tipo de racionalidade, o racismo e o machismo entre os trabalhadores já residem em outra, que às vezes se contradizem, às vezes se complementam, mas não sem que alguns saibam jogar com isso e outros fiquem completamente reféns dos seus preconceitos. </p>
<p>As lutas identitárias então são uma das possíveis confluências dessas duas racionalidades. Os gestores precisam que os melhores e mais qualificados, independentemente da cor e do gênero, cheguem aos escalões mais elevados de poder, e os trabalhadores precisam que as clivagens dentro da classe deixem de existir para que as lutas tenha mais força e para que a vida seja mais suave. Uma parte do movimento identitário, geralmente o setor de origem universitária (os sindicalistas e os movimentos sociais transformados em lobbies também), querendo chegar a um posto entre as elites, e sabendo que nelas não cabem todos, centram suas forças em tirar de lá os que lá já estão. Os &#8220;classistas&#8221; burocráticos pelo menos sonham mais alto, e querem derrubar toda a elite e ocupar por completo o lugar dela. Os de baixo, os trabalhadores no geral, quando transformam suas lutas em identitárias querem “apenas” parar de morrer por terem mais melanina ou parar de apanhar dos companheiros e não poder sequer pedir proteção. Claro que para os trabalhadores há muitas outras exigências vinculadas ao fim do racismo e do machismo, portanto essa lista está muito longe de ser exaustiva, mas todas as exigências são de ordem prática, com implicações diretas no cotidiano, assim como fazem quando pintam suas lutas de vermelho e exigem coisas que afetam a todos e não somente determinada fração. Daí eu concluo que essas lutas identitárias atravessam as classes (vão dos trabalhadores aos capitalistas) porque criam barreiras para os objetivos particulares de todas, cada um a sua forma, mas para os gestores funcionam de forma ambígua, pois sabem tirar proveito do racismo e do machismo existente entre os trabalhadores.</p>
<p>Por isso me parece besta quando dizem uns que o movimento identitário é burguês e outros ainda mais quando dizem que é a revolução. Ele é ambos: elitista e necessário. Os que gritam que ele é a revolução geralmente o fazem por precisar que as suas contradições nunca apareçam, entre elas o uso das opressões sofridas por muitos para a ascensão de poucos. Enquanto aqueles que o chamam de burguês tapam os olhos para o que se passa na frente: o racismo e o machismo que brutalizam ainda mais a vida cotidiana. Não se trata aqui de mais uma defesa da &#8220;interseccionalidade&#8221;, não se trata de fazer um novo mosaico &#8212; mas desta vez um mosaico com uma grande peça vermelha em destaque. Se trata de pintar um novo quadro, fazer uma nova arte, que consiga refletir as aspirações do nosso tempo. </p>
<p>Ora, se a gente tem esse instrumento que é a máquina de apontar as contradições e que ajuda a separar o que não deveria andar junto, então usemo-lo mais uma vez. Não é a opressão que não deve andar junto da exploração em nossas análises: o que se precisa é desvelar a contradição das lutas identitárias e a formação de mais uma fração da classe gestorial a partir delas.</p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-319109</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2017 14:53:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-319105&quot;&gt;Douglas Rodrigues Barros&lt;/a&gt;.

A armadilha preparada por Douglas por meio de um dilema destrutivo implícito é evidente: ou bem se demonstra que as categorias discutidas são o mais básico da lógica e da gnoseologia pelo menos desde Aristóteles, e assim desviamos completamente o debate para as nuvens; ou bem não se o demonstra, e assim resta aceita e inconteste sua opinião (ilustrada e erudita, conquanto equivocada) acerca da questão. Prefiro não aderir à monomania e deixar espaço aberto ao mistério.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-319105">Douglas Rodrigues Barros</a>.</p>
<p>A armadilha preparada por Douglas por meio de um dilema destrutivo implícito é evidente: ou bem se demonstra que as categorias discutidas são o mais básico da lógica e da gnoseologia pelo menos desde Aristóteles, e assim desviamos completamente o debate para as nuvens; ou bem não se o demonstra, e assim resta aceita e inconteste sua opinião (ilustrada e erudita, conquanto equivocada) acerca da questão. Prefiro não aderir à monomania e deixar espaço aberto ao mistério.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Douglas Rodrigues Barros		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/10/115935/#comment-319106</link>

		<dc:creator><![CDATA[Douglas Rodrigues Barros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2017 12:07:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=115935#comment-319106</guid>

					<description><![CDATA[PS: Ah sim! sim! é uma defesa ao de volta a Hegel! 
Sem ele só enxergo derrapada teórica em conceitos formulados a partir de sua fundamental contribuição ao pensamento e por consequência a revolução.
Beijos do Bozo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>PS: Ah sim! sim! é uma defesa ao de volta a Hegel!<br />
Sem ele só enxergo derrapada teórica em conceitos formulados a partir de sua fundamental contribuição ao pensamento e por consequência a revolução.<br />
Beijos do Bozo</p>
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