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	Comentários sobre: Lewis Morgan e o Pensamento Antropológico Soviético	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Lucas Parreira Álvares		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320822</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas Parreira Álvares]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2017 03:07:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Manolo, 

Não faço &quot;trampolim para ligações externas&quot;. Pelo contrário: me exponho e apresento quem eu sou, e não me escondo do/no debate. Fiz um convite, coube a você aceitar ou não. Sua recusa - como aconteceu - foi uma opção. Mas agradeço pois o simples fato de debatermos aqui é sinal de que você, no mínimo, teve contato com um trabalho que produzi. E só para retomar: caso queira manter esse debate para além desse fórum, continuo aberto e coloco meu perfil do face a sua disposição.

Quanto ao Morgan, não nego que seja um evolucionista. Seria estúpido afirmar isso. Como eu disse - e às vezes é penoso ter que repetir o óbvio - &quot;Morgan foi muito mais do que isso&quot;. 
Cabe aos intérpretes saber o que vão privilegiar em um autor tão complexo e por vezes tão reduzido à leituras fáceis quanto a sua. Quer fazer coro ao Boas e aos Boasianos, tudo bem, assim sendo seu discurso não é nada mais do que mais do mesmo. 

Abraços]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo, </p>
<p>Não faço &#8220;trampolim para ligações externas&#8221;. Pelo contrário: me exponho e apresento quem eu sou, e não me escondo do/no debate. Fiz um convite, coube a você aceitar ou não. Sua recusa &#8211; como aconteceu &#8211; foi uma opção. Mas agradeço pois o simples fato de debatermos aqui é sinal de que você, no mínimo, teve contato com um trabalho que produzi. E só para retomar: caso queira manter esse debate para além desse fórum, continuo aberto e coloco meu perfil do face a sua disposição.</p>
<p>Quanto ao Morgan, não nego que seja um evolucionista. Seria estúpido afirmar isso. Como eu disse &#8211; e às vezes é penoso ter que repetir o óbvio &#8211; &#8220;Morgan foi muito mais do que isso&#8221;.<br />
Cabe aos intérpretes saber o que vão privilegiar em um autor tão complexo e por vezes tão reduzido à leituras fáceis quanto a sua. Quer fazer coro ao Boas e aos Boasianos, tudo bem, assim sendo seu discurso não é nada mais do que mais do mesmo. </p>
<p>Abraços</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320820</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2017 01:16:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320747&quot;&gt;Lucas Parreira Álvares&lt;/a&gt;.

Lucas,

demonstre que Morgan não era um evolucionista ortogenético, e demonstre onde, em meu comentário, não reconheci nele outros méritos. Cuidado para não fazer do debate nos comentários apenas trampolim para ligações externas.

Irado,

concordando com outros aspectos de seu comentário, tenho apenas uma ressalva: a antropologia filosófica é coisa bastante diferente disto que hoje conhecemos como antropologia, e é tão antiga quanto a própria filosofia. Aristóteles, neste aspecto, é muito mais influente sobre Marx que Feuerbach, não só antropológica como ontologicamente; só temos a impressão da maior influência de Feuerbach sobre Marx e Engels porque, primeiro, os dois dedicaram-lhe uma crítica direta, e segundo, porque Aristóteles só aparece por trás de Marx para quem saiba vê-lo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320747">Lucas Parreira Álvares</a>.</p>
<p>Lucas,</p>
<p>demonstre que Morgan não era um evolucionista ortogenético, e demonstre onde, em meu comentário, não reconheci nele outros méritos. Cuidado para não fazer do debate nos comentários apenas trampolim para ligações externas.</p>
<p>Irado,</p>
<p>concordando com outros aspectos de seu comentário, tenho apenas uma ressalva: a antropologia filosófica é coisa bastante diferente disto que hoje conhecemos como antropologia, e é tão antiga quanto a própria filosofia. Aristóteles, neste aspecto, é muito mais influente sobre Marx que Feuerbach, não só antropológica como ontologicamente; só temos a impressão da maior influência de Feuerbach sobre Marx e Engels porque, primeiro, os dois dedicaram-lhe uma crítica direta, e segundo, porque Aristóteles só aparece por trás de Marx para quem saiba vê-lo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas Parreira Álvares		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320748</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas Parreira Álvares]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Dec 2017 14:34:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=117006#comment-320748</guid>

					<description><![CDATA[Desculpem a demora para responder os comentários sobre a tradução que fiz, estive bastante ocupado nos últimos dias. 

Abraços]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desculpem a demora para responder os comentários sobre a tradução que fiz, estive bastante ocupado nos últimos dias. </p>
<p>Abraços</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas Parreira Álvares		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320747</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas Parreira Álvares]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Dec 2017 14:33:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=117006#comment-320747</guid>

					<description><![CDATA[Manolo, 

Acho que sua interpretação de Morgan está muito influenciada pelo modo como Morgan é apresentado nas Universidades (sobretudo nas disciplinas de Antropologia). &quot;Evolucionista linha dura&quot;? Poxa, Morgan foi muito mais do que isso, cara: foi o primeiro teórico a lidar com questões de parentesco - e nesse sentido, é claro que o estudo avançou com os campos posteriores - , foi o primeiro a apresentar um desenvolvimento histórico a partir das condições materiais de subsistência, fez extensos trabalhos de campos antes mesmo de existir o conceito moderno de &quot;etnografia&quot;, e além disso assinou um livro com um indío, algo impensável para aquela época. Morgan deve ser criticado, é óbvio que sim! Mas não nos moldes Boasianos que você trata como uma &quot;argumentação muito boa contra o evolucionismo&quot;. É fundamental notar, como avalia Marvin Harris, que a antropologia se desenvolveu em reação ao marxismo. E isso diz muito sobre o que a antropologia é - e nesse sentido, inclusive, isso é algo importante para você, afinal, uma abordagem marxista em essência &quot;corresponde à realidade&quot;, ou não é marxista. 

A ideia de traduzir esse artigo foi justamente de revisitar Morgan, não ao modo como o Neo-evolucionismo fez, mas sim de tentar dar um outro olhar a vestígios que falhamos em não ver. A antropologia se desenvolveu sem um necessário acerto de contas com os evolucionistas, que embora eu critique suas abordagens, também tem muito a contribuir. Defendo também uma antropologia marxista que vá além da antropologia oitocentista, e acho que esse ponto que você levanta é fundamental. 

Bom, se me permitem, gostaria de sugerir a vocês um texto que escrevi recentemente que apresenta melhor minhas formulações: https://blogdaboitempo.com.br/2017/12/04/criticas-ao-artigo-marx-na-floresta-de-jean-tible-debate-margem-esquerda/ 

Além disso, me coloco à disposição para debatermos mais esses assuntos, será um grande prazer pra mim (afinal é a isso que venho destinando minhas investigações): https://www.facebook.com/lucas.parreira.77 

No mais, fico feliz de saber que há interessados no tema. 

Abraços,

Lucas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo, </p>
<p>Acho que sua interpretação de Morgan está muito influenciada pelo modo como Morgan é apresentado nas Universidades (sobretudo nas disciplinas de Antropologia). &#8220;Evolucionista linha dura&#8221;? Poxa, Morgan foi muito mais do que isso, cara: foi o primeiro teórico a lidar com questões de parentesco &#8211; e nesse sentido, é claro que o estudo avançou com os campos posteriores &#8211; , foi o primeiro a apresentar um desenvolvimento histórico a partir das condições materiais de subsistência, fez extensos trabalhos de campos antes mesmo de existir o conceito moderno de &#8220;etnografia&#8221;, e além disso assinou um livro com um indío, algo impensável para aquela época. Morgan deve ser criticado, é óbvio que sim! Mas não nos moldes Boasianos que você trata como uma &#8220;argumentação muito boa contra o evolucionismo&#8221;. É fundamental notar, como avalia Marvin Harris, que a antropologia se desenvolveu em reação ao marxismo. E isso diz muito sobre o que a antropologia é &#8211; e nesse sentido, inclusive, isso é algo importante para você, afinal, uma abordagem marxista em essência &#8220;corresponde à realidade&#8221;, ou não é marxista. </p>
<p>A ideia de traduzir esse artigo foi justamente de revisitar Morgan, não ao modo como o Neo-evolucionismo fez, mas sim de tentar dar um outro olhar a vestígios que falhamos em não ver. A antropologia se desenvolveu sem um necessário acerto de contas com os evolucionistas, que embora eu critique suas abordagens, também tem muito a contribuir. Defendo também uma antropologia marxista que vá além da antropologia oitocentista, e acho que esse ponto que você levanta é fundamental. </p>
<p>Bom, se me permitem, gostaria de sugerir a vocês um texto que escrevi recentemente que apresenta melhor minhas formulações: <a href="https://blogdaboitempo.com.br/2017/12/04/criticas-ao-artigo-marx-na-floresta-de-jean-tible-debate-margem-esquerda/" rel="nofollow ugc">https://blogdaboitempo.com.br/2017/12/04/criticas-ao-artigo-marx-na-floresta-de-jean-tible-debate-margem-esquerda/</a> </p>
<p>Além disso, me coloco à disposição para debatermos mais esses assuntos, será um grande prazer pra mim (afinal é a isso que venho destinando minhas investigações): <a href="https://www.facebook.com/lucas.parreira.77" rel="nofollow ugc">https://www.facebook.com/lucas.parreira.77</a> </p>
<p>No mais, fico feliz de saber que há interessados no tema. </p>
<p>Abraços,</p>
<p>Lucas</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320741</link>

		<dc:creator><![CDATA[Irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Dec 2017 11:18:30 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=117006#comment-320741</guid>

					<description><![CDATA[Manolo, obrigado pela resposta. Como eu disse, não se tratava de forma alguma de uma defesa de Morgan, mas de um ceticismo quanto ao papel científico e político que a antropologia pode, ou não, ter. Quando pedi autores não foi no sentido academicista, mas no de mapeamento de um possível debate relevante, que pudesse me conduzir para um debate diferente do que está colocado, com hegemonia do multiculturalismo (confesso que senti aqui um mal humor tipicamente bernardiano). A grande contribuição de Boas foi, sem dúvida, o enfrentamento com um evolucionismo duro, que justificou vários processos de dominação intercultural (como parte de uma dominação política e econômica mais ampla. No entanto, o princípio do relativismo cultural permitiu a justificativa de expressões de dominação intraculturais, reforçadas pela rejeição das críticas vindas &quot;de outras culturas&quot;, tomadas sempre como formas de &quot;dominação etnocêntrica&quot;.  Ou seja, a dominação externa é etnocêntrica, a interna é &quot;cultural&quot;. Mas, enquanto falo aqui em &quot;dominação&quot;, a exploração corre solta. Se as anotações etnográficas de Marx talvez não tenham feito mais do que reproduzir Morgan (não só), pelo menos seu método nos deixa com um instrumental potente para analisar o real a luz dos processos de exploração, algo rejeitado por praticamente todas antropologias (não farei aqui apologia da antropologia dita marxista, que muitas vezes partiu de outros aspectos teóricos de Marx). Também não vejo como profícua a a crítica total contra Marx e Engels, por mais condenável que seja a antropologia de Morgan. Naquele momento existiam duas grandes concepções em disputa, a da Cultura Universal, de corte iluminista (mas também colonialista) e a da kultur, das culturas, que permitiu tanto sustentar uma antropologia anticolonialista (base para o posterior multiculturalismo), como fornecer elementos culturais para a demarcação do estado prussiano, que viria a se tornar a Alemanha. De fato, o panorama teórico e político não era promissor para o debate cultural. Ou era, mas Marx não conseguiu transcender as posições imediatas neste aspecto, como o fez sobre tantos outros. Não esqueçamos da importante contribuição da antropologia filosófica de Feuerbach ao pensamento de Marx. Importante lembrar, cruzando com o debate sobre o problema das nações, que Bakunin tem sido retomado por antropólogos anarquistas como sendo o baluarte do libertarismo cultural, enquanto o mesmo advogava para si a sociologia de Comte e defendia a manutenção das nacionalidades, na fórmula: enfrentar o Estado-nação, destruir o Estado mas manter a nação. E isto tem sido o suficiente para denunciar o &quot;evolucionismo&quot; de Marx. Mas, concordo contigo, talvez só a arqueologia coloque novos problemas para a antropologia, ou novas evidências que permitam rever as conclusões para antigos problemas.

Saudações!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo, obrigado pela resposta. Como eu disse, não se tratava de forma alguma de uma defesa de Morgan, mas de um ceticismo quanto ao papel científico e político que a antropologia pode, ou não, ter. Quando pedi autores não foi no sentido academicista, mas no de mapeamento de um possível debate relevante, que pudesse me conduzir para um debate diferente do que está colocado, com hegemonia do multiculturalismo (confesso que senti aqui um mal humor tipicamente bernardiano). A grande contribuição de Boas foi, sem dúvida, o enfrentamento com um evolucionismo duro, que justificou vários processos de dominação intercultural (como parte de uma dominação política e econômica mais ampla. No entanto, o princípio do relativismo cultural permitiu a justificativa de expressões de dominação intraculturais, reforçadas pela rejeição das críticas vindas &#8220;de outras culturas&#8221;, tomadas sempre como formas de &#8220;dominação etnocêntrica&#8221;.  Ou seja, a dominação externa é etnocêntrica, a interna é &#8220;cultural&#8221;. Mas, enquanto falo aqui em &#8220;dominação&#8221;, a exploração corre solta. Se as anotações etnográficas de Marx talvez não tenham feito mais do que reproduzir Morgan (não só), pelo menos seu método nos deixa com um instrumental potente para analisar o real a luz dos processos de exploração, algo rejeitado por praticamente todas antropologias (não farei aqui apologia da antropologia dita marxista, que muitas vezes partiu de outros aspectos teóricos de Marx). Também não vejo como profícua a a crítica total contra Marx e Engels, por mais condenável que seja a antropologia de Morgan. Naquele momento existiam duas grandes concepções em disputa, a da Cultura Universal, de corte iluminista (mas também colonialista) e a da kultur, das culturas, que permitiu tanto sustentar uma antropologia anticolonialista (base para o posterior multiculturalismo), como fornecer elementos culturais para a demarcação do estado prussiano, que viria a se tornar a Alemanha. De fato, o panorama teórico e político não era promissor para o debate cultural. Ou era, mas Marx não conseguiu transcender as posições imediatas neste aspecto, como o fez sobre tantos outros. Não esqueçamos da importante contribuição da antropologia filosófica de Feuerbach ao pensamento de Marx. Importante lembrar, cruzando com o debate sobre o problema das nações, que Bakunin tem sido retomado por antropólogos anarquistas como sendo o baluarte do libertarismo cultural, enquanto o mesmo advogava para si a sociologia de Comte e defendia a manutenção das nacionalidades, na fórmula: enfrentar o Estado-nação, destruir o Estado mas manter a nação. E isto tem sido o suficiente para denunciar o &#8220;evolucionismo&#8221; de Marx. Mas, concordo contigo, talvez só a arqueologia coloque novos problemas para a antropologia, ou novas evidências que permitam rever as conclusões para antigos problemas.</p>
<p>Saudações!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320662</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Dec 2017 16:02:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320637&quot;&gt;Irado&lt;/a&gt;.

Concordo que a antropologia pode se prestar a vários usos, desde o entendimento do funcionamento de sociedades já extintas até a contra-insurgência e os departamentos de RH. Mas vamos devagar com o andor.

Em primeiro lugar, Morgan era um evolucionista linha dura. &quot;Selvageria&quot;, &quot;barbárie&quot; e &quot;civilização&quot;, por exemplo, eram para Morgan três etapas necessárias do desenvolvimento humano em qualquer tempo e lugar. Ora, não bastasse Franz Boas ter argumentado muito bem contra este tipo de evolucionismo ortogenético, mesmo a paleoantropologia atual e suas técnicas mais refinadas de pesquisa arqueológica e de campo são incapazes de dar suporte a este evolucionismo duro, e as hipóteses de Boas parecem -- &quot;parecem&quot;, foi o que escrevi -- ter mais força frente aos fatos.

Em segundo lugar, o estudo comparado das estruturas familiares, inaugurado quase que de uma só canetada por Morgan (e isto lhe devemos, inegavelmente), avançou muito mais com os estudos de campo posteriores. Como se sabe, a família foi durante milênios e em várias sociedades ao redor do globo a principal referência enquanto unidade produtiva, e seu estudo detalhado, embora deva a Morgan sua primazia, não pode nem deve mais ficar preso a sua tipologia. Os anticapitalistas beneficiariam muito de um estudo acerca do papel central que as famílias tiveram na resistência à proletarização lá onde o capitalismo foi-se imiscuindo à força entre os séculos XV e XX, e decerto entenderiam melhor a nova onda conservadora (para melhor combatê-la) se entendessem mais matizadamente o papel das famílias proletárias e das famílias burguesas em seu processo constitutivo. 

Terceiro, há hipóteses ainda em desenvolvimento na paleoantropologia que, conquanto controversas, retiram a família do centro do debate e levaram-no às condições materiais de vida, produção e sobrevivência pré-históricas, abrindo novos campos de pesquisa. Penso, por exemplo, nos defensores do que tenho chamado de &quot;hipótese cerealista&quot;, segundo a qual o Estado só veio a surgir, depois da revolução neolítica e da invenção da agricultura, em meio a quem produzia cereais, mais fáceis de estocar (e portanto de serem roubados ou acumulados) que tubérculos ou raízes. Os defensores desta hipótese costumam exagerar em seu alcance, mas, em sendo confirmada, passaria a haver um lastro mais seguro para a explicação da origem do Estado, mais abrangente e historicamente enraizado que a evolução das famílias rumo a uma comunidade ampliada.

Como se vê, não tenho a menor paciência para &quot;citar&quot; &quot;autores&quot;. Pouco me importa se são estruturalistas, funcionalistas, culturalistas, marxistas ou anarquistas, importa-me saber se o que dizem corresponde à realidade ou não.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320637">Irado</a>.</p>
<p>Concordo que a antropologia pode se prestar a vários usos, desde o entendimento do funcionamento de sociedades já extintas até a contra-insurgência e os departamentos de RH. Mas vamos devagar com o andor.</p>
<p>Em primeiro lugar, Morgan era um evolucionista linha dura. &#8220;Selvageria&#8221;, &#8220;barbárie&#8221; e &#8220;civilização&#8221;, por exemplo, eram para Morgan três etapas necessárias do desenvolvimento humano em qualquer tempo e lugar. Ora, não bastasse Franz Boas ter argumentado muito bem contra este tipo de evolucionismo ortogenético, mesmo a paleoantropologia atual e suas técnicas mais refinadas de pesquisa arqueológica e de campo são incapazes de dar suporte a este evolucionismo duro, e as hipóteses de Boas parecem &#8212; &#8220;parecem&#8221;, foi o que escrevi &#8212; ter mais força frente aos fatos.</p>
<p>Em segundo lugar, o estudo comparado das estruturas familiares, inaugurado quase que de uma só canetada por Morgan (e isto lhe devemos, inegavelmente), avançou muito mais com os estudos de campo posteriores. Como se sabe, a família foi durante milênios e em várias sociedades ao redor do globo a principal referência enquanto unidade produtiva, e seu estudo detalhado, embora deva a Morgan sua primazia, não pode nem deve mais ficar preso a sua tipologia. Os anticapitalistas beneficiariam muito de um estudo acerca do papel central que as famílias tiveram na resistência à proletarização lá onde o capitalismo foi-se imiscuindo à força entre os séculos XV e XX, e decerto entenderiam melhor a nova onda conservadora (para melhor combatê-la) se entendessem mais matizadamente o papel das famílias proletárias e das famílias burguesas em seu processo constitutivo. </p>
<p>Terceiro, há hipóteses ainda em desenvolvimento na paleoantropologia que, conquanto controversas, retiram a família do centro do debate e levaram-no às condições materiais de vida, produção e sobrevivência pré-históricas, abrindo novos campos de pesquisa. Penso, por exemplo, nos defensores do que tenho chamado de &#8220;hipótese cerealista&#8221;, segundo a qual o Estado só veio a surgir, depois da revolução neolítica e da invenção da agricultura, em meio a quem produzia cereais, mais fáceis de estocar (e portanto de serem roubados ou acumulados) que tubérculos ou raízes. Os defensores desta hipótese costumam exagerar em seu alcance, mas, em sendo confirmada, passaria a haver um lastro mais seguro para a explicação da origem do Estado, mais abrangente e historicamente enraizado que a evolução das famílias rumo a uma comunidade ampliada.</p>
<p>Como se vê, não tenho a menor paciência para &#8220;citar&#8221; &#8220;autores&#8221;. Pouco me importa se são estruturalistas, funcionalistas, culturalistas, marxistas ou anarquistas, importa-me saber se o que dizem corresponde à realidade ou não.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320639</link>

		<dc:creator><![CDATA[Irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Dec 2017 22:15:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Na realidade, um campo que tem se desenvolvido a passos largos é a &quot;antropologia corporativa&quot;, que tem dado grandes contribuições ao capital, com seus estudos culturais sobre nichos de consumidores, ou da &quot;cultura organizacional&quot; nas empresas. Não à toa, muitos antropólogos têm se tornado CEO&#039;s de grandes corporações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na realidade, um campo que tem se desenvolvido a passos largos é a &#8220;antropologia corporativa&#8221;, que tem dado grandes contribuições ao capital, com seus estudos culturais sobre nichos de consumidores, ou da &#8220;cultura organizacional&#8221; nas empresas. Não à toa, muitos antropólogos têm se tornado CEO&#8217;s de grandes corporações.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320637</link>

		<dc:creator><![CDATA[Irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Dec 2017 21:48:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=117006#comment-320637</guid>

					<description><![CDATA[Manolo, que contribuições e avanços você vê na antropologia contemporânea, autores e obras? Não pergunto isso querendo salvar Morgan, tampouco sua influência sobre Marx e Engels. Posso estar mal informado, mas o século XX viu uma antropologia marxista/estruturalista, uma funcionalista (principalmente em torno da &quot;dádiva&quot;, mas não só), uma culturalista de diversos matizes (escola de Chicago, Sahlins, Boas, Geertz etc) e a pós-moderna (multiculturalismo, identitarismo). Alguns trabalhos anarquistas também. No campo do marxismo um dos principais temas foi o das sociedades camponesas, em virtude das revoluções russa, chinesa, vietnamita etc. Os trabalhos funcionalistas clássicos são sempre incontornáveis, mas com limites claros. O culturalismo, que surgiu com o discurso pseudo emancipador do &quot;relativismo cultural&quot; deu no multiculturalismo. Sobre os anarquistas, o que tenho visto é a abordagem libertaria de temas &quot;clássicos&quot; (indigenismo, etnicidade,etc), ou trabalhos puramente pós-modernos (etnografias de &quot;estilo de vida&quot;). Tenho por princípio buscar as contribuições políticas, teóricas, epistemológicas em todas as grandes áreas do conhecimento. Mas, ando com muita dificuldade de encontrar algo na antropologia, com relevância para o anticapitalismo. Sugestões?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo, que contribuições e avanços você vê na antropologia contemporânea, autores e obras? Não pergunto isso querendo salvar Morgan, tampouco sua influência sobre Marx e Engels. Posso estar mal informado, mas o século XX viu uma antropologia marxista/estruturalista, uma funcionalista (principalmente em torno da &#8220;dádiva&#8221;, mas não só), uma culturalista de diversos matizes (escola de Chicago, Sahlins, Boas, Geertz etc) e a pós-moderna (multiculturalismo, identitarismo). Alguns trabalhos anarquistas também. No campo do marxismo um dos principais temas foi o das sociedades camponesas, em virtude das revoluções russa, chinesa, vietnamita etc. Os trabalhos funcionalistas clássicos são sempre incontornáveis, mas com limites claros. O culturalismo, que surgiu com o discurso pseudo emancipador do &#8220;relativismo cultural&#8221; deu no multiculturalismo. Sobre os anarquistas, o que tenho visto é a abordagem libertaria de temas &#8220;clássicos&#8221; (indigenismo, etnicidade,etc), ou trabalhos puramente pós-modernos (etnografias de &#8220;estilo de vida&#8221;). Tenho por princípio buscar as contribuições políticas, teóricas, epistemológicas em todas as grandes áreas do conhecimento. Mas, ando com muita dificuldade de encontrar algo na antropologia, com relevância para o anticapitalismo. Sugestões?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/11/117006/#comment-320611</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Dec 2017 16:03:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Diferente do que é comum no Passa Palavra, este artigo não trata de lutas, mas, por vias oblíquas, mostra o atraso em que se encontra o marxismo das organizações comunistas no Brasil, mesmo em relação ao limitado marxismo da URSS dos anos 1950. Certa vez entrei num debate com um camarada da juventude do PCB que envolvia questões estruturantes a respeito da história da família enquanto instituição social. Reconheci na fala dele todos os argumentos de Engels no &lt;b&gt;Origem da família…&lt;/b&gt;; fiz questão de mostrar a ele que os conhecia, e depois tentei, infelizmente em vão, mostrar-lhe que a antropologia havia acumulado muito mais registros etnográficos e desenvolvido muitas explicações alternativas além daquelas de Engels e Marx ou, melhor dizendo, das de Morgan que ambos vulgarizaram. Resultado: pequeno-burguês foi o menor xingamento que ouvi. Pensei ser um caso isolado. Mas não: para incontáveis outros no meio marxista a antropologia parou em Morgan, que Marx e Engels resgataram do “esquecimento”. Note-se que é quase o mesmo problema de que trata o autor desta resenha temática; a diferença é que ele tratou da evolução da antropologia soviética num sentido positivo, que progressivamente ultrapassava Morgan, Marx e Engels com base em outros achados ainda na década de 1950, enquanto que para a vulgata marxista atual a antropologia está ainda mais para trás do que os soviéticos de quase setenta anos atrás consideravam.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diferente do que é comum no Passa Palavra, este artigo não trata de lutas, mas, por vias oblíquas, mostra o atraso em que se encontra o marxismo das organizações comunistas no Brasil, mesmo em relação ao limitado marxismo da URSS dos anos 1950. Certa vez entrei num debate com um camarada da juventude do PCB que envolvia questões estruturantes a respeito da história da família enquanto instituição social. Reconheci na fala dele todos os argumentos de Engels no <b>Origem da família…</b>; fiz questão de mostrar a ele que os conhecia, e depois tentei, infelizmente em vão, mostrar-lhe que a antropologia havia acumulado muito mais registros etnográficos e desenvolvido muitas explicações alternativas além daquelas de Engels e Marx ou, melhor dizendo, das de Morgan que ambos vulgarizaram. Resultado: pequeno-burguês foi o menor xingamento que ouvi. Pensei ser um caso isolado. Mas não: para incontáveis outros no meio marxista a antropologia parou em Morgan, que Marx e Engels resgataram do “esquecimento”. Note-se que é quase o mesmo problema de que trata o autor desta resenha temática; a diferença é que ele tratou da evolução da antropologia soviética num sentido positivo, que progressivamente ultrapassava Morgan, Marx e Engels com base em outros achados ainda na década de 1950, enquanto que para a vulgata marxista atual a antropologia está ainda mais para trás do que os soviéticos de quase setenta anos atrás consideravam.</p>
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