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	Comentários sobre: Rio de Janeiro com militares nas ruas: a tempestade foi mais longa que o Carnaval (2)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/02/118390/#comment-330386</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Mar 2018 21:32:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pode ser que contribua um pouco para compreender o pano de fundo da situação atual:
- Pequena história da violência no Rio de Janeiro - a gênese e a reprodução do tráfico de drogas armado até os dentes http://humanaesfera.blogspot.com.br/2018/03/historia-da-violencia-no-rio-de-janeiro.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode ser que contribua um pouco para compreender o pano de fundo da situação atual:<br />
&#8211; Pequena história da violência no Rio de Janeiro &#8211; a gênese e a reprodução do tráfico de drogas armado até os dentes <a href="http://humanaesfera.blogspot.com.br/2018/03/historia-da-violencia-no-rio-de-janeiro.html" rel="nofollow ugc">http://humanaesfera.blogspot.com.br/2018/03/historia-da-violencia-no-rio-de-janeiro.html</a></p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Belchior		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/02/118390/#comment-329900</link>

		<dc:creator><![CDATA[Belchior]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Mar 2018 16:53:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Não é possível que a estrutura de crime, interessada em manter lucros e gestão dessa indústria em suas mãos, ppromova essa solidariedade de classe. É a própria situação atual que tem potencial de gerar esse encontro, seja pelas tragédias ou pela inventividade da classe trabalhadora.&quot;
Esse é um dos fragmentos que coloca os limites da estrutura criminosa, que pode gestar ou não a onda de roubos de carga. 
Potencial caráter coletivo e proletário é referente a algo que está concretizado. Existe como possibilidade. Como uma pedra em cima de um muro, que tem a energia potencial referente a energia cinética que pode ser realizada quando a queda se precipita e acelera com a gravidade. 
É preciso um empurrão que tire a pedra do alto do muro,  como um roubo de carga é preciso de mais elementos para ser realmente coletivo e proletário. 
Ficou realmente ambíguo pq é difícil definir a estrutura mafiosa do crime. Muitos roubos de carga foram acompanhados de saques nos caminhões roubados. Enquanto a maior parte das mercadorias ficou apropriada por essa gerência. Mas aí entra a exploração dessa economia circular, que garante demanda para as vendas no trem. 
De fato a ambiguidade se coloca. Não por ser &quot;perigoso &quot; a associação de roubo de carga c saque.  Mas pela condição q é colocada mesmo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Não é possível que a estrutura de crime, interessada em manter lucros e gestão dessa indústria em suas mãos, ppromova essa solidariedade de classe. É a própria situação atual que tem potencial de gerar esse encontro, seja pelas tragédias ou pela inventividade da classe trabalhadora.&#8221;<br />
Esse é um dos fragmentos que coloca os limites da estrutura criminosa, que pode gestar ou não a onda de roubos de carga.<br />
Potencial caráter coletivo e proletário é referente a algo que está concretizado. Existe como possibilidade. Como uma pedra em cima de um muro, que tem a energia potencial referente a energia cinética que pode ser realizada quando a queda se precipita e acelera com a gravidade.<br />
É preciso um empurrão que tire a pedra do alto do muro,  como um roubo de carga é preciso de mais elementos para ser realmente coletivo e proletário.<br />
Ficou realmente ambíguo pq é difícil definir a estrutura mafiosa do crime. Muitos roubos de carga foram acompanhados de saques nos caminhões roubados. Enquanto a maior parte das mercadorias ficou apropriada por essa gerência. Mas aí entra a exploração dessa economia circular, que garante demanda para as vendas no trem.<br />
De fato a ambiguidade se coloca. Não por ser &#8220;perigoso &#8221; a associação de roubo de carga c saque.  Mas pela condição q é colocada mesmo</p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/02/118390/#comment-329477</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Mar 2018 14:16:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Belchior, por favor, &lt;b&gt;releia&lt;/b&gt; o que &lt;b&gt;você mesmo&lt;/b&gt; escreveu &lt;b&gt;no artigo&lt;/b&gt;: &lt;i&gt;&quot;roubos de carga, crime considerado como de &lt;b&gt;&lt;u&gt;caráter potencialmente coletivo e proletário&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;...&quot;&lt;/i&gt; 

Pela última vez, e não vou mais insistir neste assunto se você não quer ver o óbvio: não sou eu quem está dizendo que &quot;&lt;i&gt;que o cv, pcc ada, terceiro comando e milícias tem algum potencial libertário e comunista&lt;/i&gt;&quot;, nem que &quot;&lt;i&gt;as máfias que organizam roubo de carga estão socializando os bens com a classe trabalhadora&lt;/i&gt;&quot;; foi &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;u&gt;você&lt;/u&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; quem o disse, ao escrever uma frase que pode ser interpretada desta maneira.  

Enquanto não temos acesso telepático à sua mente, só podemos dialogar por meio da linguagem, e neste caso por meio da escrita. Ou se tem maior cuidado com o que se escreve, ou depois se corrigem os erros, mas não adianta dizer que não escreveu o que está escrito, fica feio para você. Se quer eliminar a confusão, comece por ler o que está escrito e corrigir o que precisa ser corrigido, por exemplo, por meio de comentários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Belchior, por favor, <b>releia</b> o que <b>você mesmo</b> escreveu <b>no artigo</b>: <i>&#8220;roubos de carga, crime considerado como de <b><u>caráter potencialmente coletivo e proletário</u></b>&#8230;&#8221;</i> </p>
<p>Pela última vez, e não vou mais insistir neste assunto se você não quer ver o óbvio: não sou eu quem está dizendo que &#8220;<i>que o cv, pcc ada, terceiro comando e milícias tem algum potencial libertário e comunista</i>&#8220;, nem que &#8220;<i>as máfias que organizam roubo de carga estão socializando os bens com a classe trabalhadora</i>&#8220;; foi <strong><em><u>você</u></em></strong> quem o disse, ao escrever uma frase que pode ser interpretada desta maneira.  </p>
<p>Enquanto não temos acesso telepático à sua mente, só podemos dialogar por meio da linguagem, e neste caso por meio da escrita. Ou se tem maior cuidado com o que se escreve, ou depois se corrigem os erros, mas não adianta dizer que não escreveu o que está escrito, fica feio para você. Se quer eliminar a confusão, comece por ler o que está escrito e corrigir o que precisa ser corrigido, por exemplo, por meio de comentários.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Belchior		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/02/118390/#comment-329367</link>

		<dc:creator><![CDATA[Belchior]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Mar 2018 12:12:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O aniversário do supermercado Guanabara move trabalhadores no consumo, não pra superar mediações ou para promover coletividade. Eles se socam, bicam e acotovelam pela aquisição de produtos a preço reduzido. 
Parece que vc tá dizendo que eu escrevi que o cv, pcc ada, terceiro comando e milícias tem algum potencial libertário e comunista. E que as máfias que organizam roubo de carga estão socializando os bens com a classe trabalhadora. 
O que existe é o prejuízo direto em perdas de mercadorias pra uma estrutura mafiosa.  Na exploração da necessidade em comprar produtos mais baratos no trem da supervia, é claro que os trabalhadores são reduzidos a consumidores e nunca encorajados a imitar esses benfeitores. O que não impede de mostrar uma eficiência do crime , que mobiliza a campanha midiática e moral que culpabiliza o consumo. 
 Isso move a classe dominante, que foi um dos motes pra última ocupação militar no Rio, em 2017. 
A estratégia militar nunca é exposta, pq faz parte dela o sigilo.  Gostaria de ser um snowden brasileiro e expor publicamente algumas, mas além de arriscar minha vida seria necessário ingressar no meio militar. Seria insuportável pra mim.  Mas livros são publicados contando da noção de guerra irregular. E seus discursos e práticas são reforçados todo dia aqui no Rio. Ataques cirúrgicos e localizados, numa brutalidade e letalidade altíssima das ações policiais. A que mais mata no mundo. O fuzil m16 apontado para fora permanentemente nas viaturas dão o recado de que o remédio mais eficiente é quando se mata o corpo  e bota uma pistola na mão pra forja de um auto de resistência. Tudo isso graças à paranóia latente que a noção de guerra irregular se utiliza e promove. 
Confesso que não deixei muito claro a diferença desses roubos de carga, que entendo mais como crimes contra a propriedade e mercadorias, diferente de assaltos e homicídios.  O aumento deles mostra uma tendência do que a repressão e alguns setores do empresariado estao mais preocupados.  Mais até do que administrar a ilegalidade do tráfico de drogas, que tiveram um papel fundamental na implantação das upps.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O aniversário do supermercado Guanabara move trabalhadores no consumo, não pra superar mediações ou para promover coletividade. Eles se socam, bicam e acotovelam pela aquisição de produtos a preço reduzido.<br />
Parece que vc tá dizendo que eu escrevi que o cv, pcc ada, terceiro comando e milícias tem algum potencial libertário e comunista. E que as máfias que organizam roubo de carga estão socializando os bens com a classe trabalhadora.<br />
O que existe é o prejuízo direto em perdas de mercadorias pra uma estrutura mafiosa.  Na exploração da necessidade em comprar produtos mais baratos no trem da supervia, é claro que os trabalhadores são reduzidos a consumidores e nunca encorajados a imitar esses benfeitores. O que não impede de mostrar uma eficiência do crime , que mobiliza a campanha midiática e moral que culpabiliza o consumo.<br />
 Isso move a classe dominante, que foi um dos motes pra última ocupação militar no Rio, em 2017.<br />
A estratégia militar nunca é exposta, pq faz parte dela o sigilo.  Gostaria de ser um snowden brasileiro e expor publicamente algumas, mas além de arriscar minha vida seria necessário ingressar no meio militar. Seria insuportável pra mim.  Mas livros são publicados contando da noção de guerra irregular. E seus discursos e práticas são reforçados todo dia aqui no Rio. Ataques cirúrgicos e localizados, numa brutalidade e letalidade altíssima das ações policiais. A que mais mata no mundo. O fuzil m16 apontado para fora permanentemente nas viaturas dão o recado de que o remédio mais eficiente é quando se mata o corpo  e bota uma pistola na mão pra forja de um auto de resistência. Tudo isso graças à paranóia latente que a noção de guerra irregular se utiliza e promove.<br />
Confesso que não deixei muito claro a diferença desses roubos de carga, que entendo mais como crimes contra a propriedade e mercadorias, diferente de assaltos e homicídios.  O aumento deles mostra uma tendência do que a repressão e alguns setores do empresariado estao mais preocupados.  Mais até do que administrar a ilegalidade do tráfico de drogas, que tiveram um papel fundamental na implantação das upps.</p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/02/118390/#comment-329318</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Mar 2018 00:51:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2018/02/118390/#comment-329311&quot;&gt;Belchior&lt;/a&gt;.

Não, Belchior, a diferença entre saque e roubo de carga não ficou clara no texto. É você mesmo quem diz: &quot;A triplicação, de 2013 a 2017, da incidência de roubos de carga, &lt;i&gt;crime considerado como de caráter potencialmente coletivo e proletário&lt;/i&gt;&quot;... Considerado &quot;potencialmente coletivo e proletário&quot; por quem? Nem as experiências da &quot;área da autonomia&quot; na Itália, nem as velhas resoluções do PT que você citou justificam &lt;i&gt;qualquer&lt;/i&gt; ação &quot;ilegal&quot; fora das seguintes circunstâncias: (a) ser uma ação massiva, e (b) não envolver &quot;mediadores&quot; entre a ação das massas e seus objetos.

Concordo que roubo de cargas, saques e sequestro de funcionários da Light estão acontecendo num mesmo contexto de crise econômica, fiscal, institucional etc. no Rio de Janeiro e por vezes alimentam-se mutuamente, como o texto bem o demonstra; concordo igualmente que a proliferação destas práticas &quot;ilegais&quot; reforça entre os trabalhadores a sensação de que &lt;i&gt;também podem fazê-las&lt;/i&gt;; mas o fato de estes fatos acontecerem num mesmo contexto &lt;i&gt;não os iguala em natureza ou caráter de classe&lt;/i&gt;. É preciso maior atenção e rigor antes de afirmações deste tipo.

Em primeiro lugar, para que esteja correta sua afirmação sobre o &quot;caráter proletário&quot; do roubo de cargas resta demonstrar afirmações apressadas como, por exemplo, a de uma suposta proliferação de roubos de carga associados à &quot;área da autonomia&quot; na Itália dos anos 1970, que agora você afirma -- e aí você arrisca se bater muito atrás destas informações, porque até onde pude pesquisar não existe &lt;i&gt;nenhuma&lt;/i&gt; fonte historiográfica que relacione roubo de cargas e &quot;área da autonomia&quot; na Itália, nem sequer nas entrelinhas. Nem &quot;potencialmente proletário&quot; o roubo de carga é. Mas se eu me estender mais neste assunto terminarei repetindo meu comentário anterior.

Em segundo lugar, a disputa intercapitalista entre receptadores e comerciantes não &lt;i&gt;move&lt;/i&gt; o proletariado. Ou melhor: move-o tanto quanto aquela pesquisa de mercado básica que antecede as compras do mês. Se for assim, Walmart, Carrefour e similares são as grandes organizações a mobilizar o proletariado rumo à revolução... do preço baixo. De igual maneira, seria preciso afirmar o caráter &quot;proletário&quot; da Glacial, da Polar e da Schin contra o caráter &quot;burguês&quot; da Heineken e da Baden Baden. E por aí vai. Percebe? Legal ou ilegal, o que relaciona trabalhadores e receptadores é uma &lt;em&gt;relação de mercado&lt;/em&gt;, tal como a relação entre trabahadores e redes atacadistas.

Em terceiro lugar, o sequestro de funcionários da Light é bem parecido com o saque em suas características de imediatidade: um monte de gente junta (nem precisa ser tanta) pega os ditos cujos e arrasta-os até os equipamentos da empresa para que os religuem, sem a mediação de qualquer sujeito, organização ou força social. Onde está a semelhança? Na &lt;i&gt;ação direta&lt;/i&gt;, sem mediações, sem intermediários. Gente resolvendo ela mesma seus problemas, mesmo que para isto precisem quebrar as leis. Coisa que não acontece no roubo de cargas nem na receptação.

Em quarto lugar, ninguém nas forças armadas é louco de promover &quot;a noção militar de guerra irregular&quot; ao público, em especial para assombrar a classe média. Os debates sobre guerra irregular são restritos aos meios militares, em especial porque a &lt;i&gt;comunicação social&lt;/i&gt; e a &lt;i&gt;mobilização da população&lt;/i&gt; por meio desta comunicação social são elementos-chave neste modelo de doutrina militar; fazê-lo seria equivalente, por exemplo, a que Napoleão, ao invés de conquistar país após país, debatesse teoria militar pela imprensa para conquistar aliados antes de atacar. Sabemos que não é assim que a coisa funciona. A &quot;classe dominante&quot; se deixa assombrar não pela guerra irregular, mas pelo receio, num contexto de crise institucional gravíssima, de perder seus bens ou mesmo sua vida para as &quot;classes perigosas&quot;, ou seja, para setores da classe trabalhadora que romperam com a submissão ao assalariamento e passaram a viver de atividades &quot;ilegais&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2018/02/118390/#comment-329311">Belchior</a>.</p>
<p>Não, Belchior, a diferença entre saque e roubo de carga não ficou clara no texto. É você mesmo quem diz: &#8220;A triplicação, de 2013 a 2017, da incidência de roubos de carga, <i>crime considerado como de caráter potencialmente coletivo e proletário</i>&#8220;&#8230; Considerado &#8220;potencialmente coletivo e proletário&#8221; por quem? Nem as experiências da &#8220;área da autonomia&#8221; na Itália, nem as velhas resoluções do PT que você citou justificam <i>qualquer</i> ação &#8220;ilegal&#8221; fora das seguintes circunstâncias: (a) ser uma ação massiva, e (b) não envolver &#8220;mediadores&#8221; entre a ação das massas e seus objetos.</p>
<p>Concordo que roubo de cargas, saques e sequestro de funcionários da Light estão acontecendo num mesmo contexto de crise econômica, fiscal, institucional etc. no Rio de Janeiro e por vezes alimentam-se mutuamente, como o texto bem o demonstra; concordo igualmente que a proliferação destas práticas &#8220;ilegais&#8221; reforça entre os trabalhadores a sensação de que <i>também podem fazê-las</i>; mas o fato de estes fatos acontecerem num mesmo contexto <i>não os iguala em natureza ou caráter de classe</i>. É preciso maior atenção e rigor antes de afirmações deste tipo.</p>
<p>Em primeiro lugar, para que esteja correta sua afirmação sobre o &#8220;caráter proletário&#8221; do roubo de cargas resta demonstrar afirmações apressadas como, por exemplo, a de uma suposta proliferação de roubos de carga associados à &#8220;área da autonomia&#8221; na Itália dos anos 1970, que agora você afirma &#8212; e aí você arrisca se bater muito atrás destas informações, porque até onde pude pesquisar não existe <i>nenhuma</i> fonte historiográfica que relacione roubo de cargas e &#8220;área da autonomia&#8221; na Itália, nem sequer nas entrelinhas. Nem &#8220;potencialmente proletário&#8221; o roubo de carga é. Mas se eu me estender mais neste assunto terminarei repetindo meu comentário anterior.</p>
<p>Em segundo lugar, a disputa intercapitalista entre receptadores e comerciantes não <i>move</i> o proletariado. Ou melhor: move-o tanto quanto aquela pesquisa de mercado básica que antecede as compras do mês. Se for assim, Walmart, Carrefour e similares são as grandes organizações a mobilizar o proletariado rumo à revolução&#8230; do preço baixo. De igual maneira, seria preciso afirmar o caráter &#8220;proletário&#8221; da Glacial, da Polar e da Schin contra o caráter &#8220;burguês&#8221; da Heineken e da Baden Baden. E por aí vai. Percebe? Legal ou ilegal, o que relaciona trabalhadores e receptadores é uma <em>relação de mercado</em>, tal como a relação entre trabahadores e redes atacadistas.</p>
<p>Em terceiro lugar, o sequestro de funcionários da Light é bem parecido com o saque em suas características de imediatidade: um monte de gente junta (nem precisa ser tanta) pega os ditos cujos e arrasta-os até os equipamentos da empresa para que os religuem, sem a mediação de qualquer sujeito, organização ou força social. Onde está a semelhança? Na <i>ação direta</i>, sem mediações, sem intermediários. Gente resolvendo ela mesma seus problemas, mesmo que para isto precisem quebrar as leis. Coisa que não acontece no roubo de cargas nem na receptação.</p>
<p>Em quarto lugar, ninguém nas forças armadas é louco de promover &#8220;a noção militar de guerra irregular&#8221; ao público, em especial para assombrar a classe média. Os debates sobre guerra irregular são restritos aos meios militares, em especial porque a <i>comunicação social</i> e a <i>mobilização da população</i> por meio desta comunicação social são elementos-chave neste modelo de doutrina militar; fazê-lo seria equivalente, por exemplo, a que Napoleão, ao invés de conquistar país após país, debatesse teoria militar pela imprensa para conquistar aliados antes de atacar. Sabemos que não é assim que a coisa funciona. A &#8220;classe dominante&#8221; se deixa assombrar não pela guerra irregular, mas pelo receio, num contexto de crise institucional gravíssima, de perder seus bens ou mesmo sua vida para as &#8220;classes perigosas&#8221;, ou seja, para setores da classe trabalhadora que romperam com a submissão ao assalariamento e passaram a viver de atividades &#8220;ilegais&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Belchior		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/02/118390/#comment-329311</link>

		<dc:creator><![CDATA[Belchior]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Mar 2018 23:58:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Manolo. Acho q ficou bem claro no texto a diferenciação de águas entre a experiência dos saques e dos atuais roubos de carga. 
A estrutura criminosa e acumuladora de mais valia não pretende e nem pode fazer igual foram os roubos de carga da &quot;área da autonomia&quot; no operaismo italiano.  A questão colocada aqui é potencial e o assombro que a classe dominante se deixa dominar,  pela conveniência da promoção da noção militar de guerra irregular. A repressão a crimes mais qualitativos também tem o caráter de prevenção para que a iminência de conflitos de classes não façam tais estruturas saírem do controle dos gestores mafiosos e da repressão estatal ou para estatal. 
Não se trata da separação entre roubo de carga ou saque. Nem tanto também a estrutura e instituição que cada um dessas atividades possam estar vinculadas. Mas sim a relação desses com o contexto econômico, de crise, e tensão política que é aberta no cotidiano do proletariado. Mesmo que não haja uma coletividade  e sim a disputa inter capitalista, esse conflito move o proletariado, que flerta com táticas clandestinas no decorrer de suas lutas.  Como foi colocado noinicio do texto.  Talvez tenha faltado uma separação mais brusca entre a busca dos motivos possíveis para a intervenção militar e as condições de luta ou organização da classe trabalhadora. Mas, querendo ou não , essas situações se esbarram.  Como foi o caso dos sequestros de funcionários na Light pelo religamento de luz.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo. Acho q ficou bem claro no texto a diferenciação de águas entre a experiência dos saques e dos atuais roubos de carga.<br />
A estrutura criminosa e acumuladora de mais valia não pretende e nem pode fazer igual foram os roubos de carga da &#8220;área da autonomia&#8221; no operaismo italiano.  A questão colocada aqui é potencial e o assombro que a classe dominante se deixa dominar,  pela conveniência da promoção da noção militar de guerra irregular. A repressão a crimes mais qualitativos também tem o caráter de prevenção para que a iminência de conflitos de classes não façam tais estruturas saírem do controle dos gestores mafiosos e da repressão estatal ou para estatal.<br />
Não se trata da separação entre roubo de carga ou saque. Nem tanto também a estrutura e instituição que cada um dessas atividades possam estar vinculadas. Mas sim a relação desses com o contexto econômico, de crise, e tensão política que é aberta no cotidiano do proletariado. Mesmo que não haja uma coletividade  e sim a disputa inter capitalista, esse conflito move o proletariado, que flerta com táticas clandestinas no decorrer de suas lutas.  Como foi colocado noinicio do texto.  Talvez tenha faltado uma separação mais brusca entre a busca dos motivos possíveis para a intervenção militar e as condições de luta ou organização da classe trabalhadora. Mas, querendo ou não , essas situações se esbarram.  Como foi o caso dos sequestros de funcionários na Light pelo religamento de luz.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/02/118390/#comment-329043</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Mar 2018 21:49:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=118390#comment-329043</guid>

					<description><![CDATA[Muito interessante o texto. A observação do Manolo também é importante. Talvez possa ser dito que as lutas que permanecem separadas e isoladas das lutas nas relações de produção, como nesse caso os protestos de rua, saques, etc. são fadadas a, no melhor dos casos, afirmar e fortalecer o capital na sua forma variável, e nunca colocar  em questão a venda de si mesmo no mercado de trabalho, ou seja, nunca questionar o capital em si. Até porque, visto que estão afastadas dos meios de produção, essas lutas não tem a capacidade material de agir nesse sentido, assim como, por esta razão, elas não são capazes de se colocar problemas (pensamentos, ideias, teoria) que a tornem protagonistas conscientes de sua práxis nesse sentido (por isso, mesmo que eles ainda possam ter esses pensamentos, ideias, teorias, eles, ainda assim, são fadadas a reduzi-los, na prática, a meros &quot;sonhos&quot; subjetivos). Por outro lado, caso as lutas se comuniquem e sejam rompidas as identidades pré-formadas na sociedade capitalista (empregado, desempregado, avião, soldado do tráfico, ou soldado das forças armadas, etc.), certamente a observação do texto de que as armas hoje usadas contra os proletários possam ser usadas contra o outro lado e que isso é o que mais aterroriza a classe dominante, é muito importante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito interessante o texto. A observação do Manolo também é importante. Talvez possa ser dito que as lutas que permanecem separadas e isoladas das lutas nas relações de produção, como nesse caso os protestos de rua, saques, etc. são fadadas a, no melhor dos casos, afirmar e fortalecer o capital na sua forma variável, e nunca colocar  em questão a venda de si mesmo no mercado de trabalho, ou seja, nunca questionar o capital em si. Até porque, visto que estão afastadas dos meios de produção, essas lutas não tem a capacidade material de agir nesse sentido, assim como, por esta razão, elas não são capazes de se colocar problemas (pensamentos, ideias, teoria) que a tornem protagonistas conscientes de sua práxis nesse sentido (por isso, mesmo que eles ainda possam ter esses pensamentos, ideias, teorias, eles, ainda assim, são fadadas a reduzi-los, na prática, a meros &#8220;sonhos&#8221; subjetivos). Por outro lado, caso as lutas se comuniquem e sejam rompidas as identidades pré-formadas na sociedade capitalista (empregado, desempregado, avião, soldado do tráfico, ou soldado das forças armadas, etc.), certamente a observação do texto de que as armas hoje usadas contra os proletários possam ser usadas contra o outro lado e que isso é o que mais aterroriza a classe dominante, é muito importante.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/02/118390/#comment-328913</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Mar 2018 15:45:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Perigoso misturar &lt;i&gt;saques&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;roubo de carga&lt;/i&gt; no mesmo saco. O primeiro se dá por meio da apropriação direta de bens por uma massa; no segundo a apropriação destes bens é mediada por uma organização capitalista ilegal, conhecida como &lt;i&gt;crime organizado&lt;/i&gt;. Não vejo nada de &quot;potencialmente coletivo e proletário&quot; neste último; &lt;i&gt;coletivo&lt;/i&gt; ele é, com certeza, porque ninguém rouba caminhões sozinho, mas &lt;i&gt;proletário&lt;/i&gt;... tenho muitas dúvidas. Afinal, do ponto de vista de quem compra, o que diferencia a compra de carga roubada da compra de mercadoria legal, senão o preço? Trata-se de capitalistas que agem por fora das &quot;regras do jogo&quot; para baratear seus custos e aumentar as margens de lucro. Tudo posto na ponta do lápis, os custos com a &quot;comissão&quot; dos assaltantes é certamente menor que os custos com toda a cadeia produtiva e logística que leva da matéria-prima à sua transformação e posterior venda; são menos capitalistas os vendedores de cargas roubadas, enquanto comerciantes, por agirem fora da lei?

Acho que a questão precisa ser vista por outro ângulo. Os trabalhadores, de fato, querem incorporar cada vez mais valores à sua força de trabalho sem aumentar a parte de seu trabalho que deixam com seus patrões. Se podem comprar bens mais baratos, é claro que vão comprá-los. A existência de um mercado para cargas roubadas não é de forma alguma algo &quot;proletário&quot;, mas representa uma oportunidade criada por uma situação de crise econômica, aproveitada tanto pelos trabalhadores, por poderem comprar bens a preços muito mais baixos que aqueles do mercado &quot;legal&quot;, quanto pelos receptadores das cargas roubadas, que podem concorrer muito vantajosamente com os capitalistas &quot;legais&quot; pelo fato de reduzirem ao máximo seus custos.

Aí entra a campanha, a meu ver ridícula, que associa a compra de bens roubados à violência contra os caminhoneiros, responsabilizando os consumidores de bens roubados pela violência. Ora, com crise ou sem crise, no capitalismo a violência contra os caminhoneiros seguirá existindo. O negócio é: a crise fiscal, administrativa e econômica em que o Rio de Janeiro está enfiado não apresenta outra saida a trabalhadores cujos salários (reais e nominais) vão sendo mais espremidos a cada dia que passa. O problema não está no consumidor de mercadorias roubadas, mas na crise generalizada por que passa este Estado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Perigoso misturar <i>saques</i> e <i>roubo de carga</i> no mesmo saco. O primeiro se dá por meio da apropriação direta de bens por uma massa; no segundo a apropriação destes bens é mediada por uma organização capitalista ilegal, conhecida como <i>crime organizado</i>. Não vejo nada de &#8220;potencialmente coletivo e proletário&#8221; neste último; <i>coletivo</i> ele é, com certeza, porque ninguém rouba caminhões sozinho, mas <i>proletário</i>&#8230; tenho muitas dúvidas. Afinal, do ponto de vista de quem compra, o que diferencia a compra de carga roubada da compra de mercadoria legal, senão o preço? Trata-se de capitalistas que agem por fora das &#8220;regras do jogo&#8221; para baratear seus custos e aumentar as margens de lucro. Tudo posto na ponta do lápis, os custos com a &#8220;comissão&#8221; dos assaltantes é certamente menor que os custos com toda a cadeia produtiva e logística que leva da matéria-prima à sua transformação e posterior venda; são menos capitalistas os vendedores de cargas roubadas, enquanto comerciantes, por agirem fora da lei?</p>
<p>Acho que a questão precisa ser vista por outro ângulo. Os trabalhadores, de fato, querem incorporar cada vez mais valores à sua força de trabalho sem aumentar a parte de seu trabalho que deixam com seus patrões. Se podem comprar bens mais baratos, é claro que vão comprá-los. A existência de um mercado para cargas roubadas não é de forma alguma algo &#8220;proletário&#8221;, mas representa uma oportunidade criada por uma situação de crise econômica, aproveitada tanto pelos trabalhadores, por poderem comprar bens a preços muito mais baixos que aqueles do mercado &#8220;legal&#8221;, quanto pelos receptadores das cargas roubadas, que podem concorrer muito vantajosamente com os capitalistas &#8220;legais&#8221; pelo fato de reduzirem ao máximo seus custos.</p>
<p>Aí entra a campanha, a meu ver ridícula, que associa a compra de bens roubados à violência contra os caminhoneiros, responsabilizando os consumidores de bens roubados pela violência. Ora, com crise ou sem crise, no capitalismo a violência contra os caminhoneiros seguirá existindo. O negócio é: a crise fiscal, administrativa e econômica em que o Rio de Janeiro está enfiado não apresenta outra saida a trabalhadores cujos salários (reais e nominais) vão sendo mais espremidos a cada dia que passa. O problema não está no consumidor de mercadorias roubadas, mas na crise generalizada por que passa este Estado.</p>
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