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	Comentários sobre: Marielle Franco e a consolidação da escalada fascista no Brasil	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Felipe		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/03/119022/#comment-338857</link>

		<dc:creator><![CDATA[Felipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Oct 2018 20:27:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Boa parte dos elementos mais marcantes na atual espiral fascista destas eleições de 2018 foram antecipados por este artigo do início do ano, há mais de 6 meses atrás. Tempos cada vez mais sombrios... Mas me valeu muito a releitura do texto e seus comentários. Obrigado ao PP.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Boa parte dos elementos mais marcantes na atual espiral fascista destas eleições de 2018 foram antecipados por este artigo do início do ano, há mais de 6 meses atrás. Tempos cada vez mais sombrios&#8230; Mas me valeu muito a releitura do texto e seus comentários. Obrigado ao PP.</p>
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		<title>
		Por: Anônima		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/03/119022/#comment-332828</link>

		<dc:creator><![CDATA[Anônima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Jun 2018 01:22:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os recentes acontecimentos do país reforçam e intensificam as linhas gerais que - na boleia do João Bernardo - tentei delinear e apontar neste pequeno artigo acima: &quot;para tal situação tipicamente pré-fascista no Brasil faltaria apenas uma peça indispensável, um movimento fascista que articule “os grandes componentes do fascismo: o desprezo pelas instituições representativas; o enaltecimento da ordem anti-representativa (militares e judiciário); um instinto de revolta; o ímpeto de descer à rua e transformar as manifestações em movimentos de arruaceiros; a promoção de novas elites; (…) [não] cada um destes elementos de fascismo considerado isoladamente, pois todos eles se manifestam, embora separados, ou parcialmente separados. O que falta é apenas um movimento [ou processo sócio-político] que os conjugue todos”.&quot;

Lembrando que a escalada fascista sobre a qual tratei aqui, mais do que relacionada a um ou mais &quot;movimentos&quot; políticos e/ou ideológicos fascistas (que podem ter variados perfis, cisões e disputas entre si), refere-se a um processo histórico e social (político, cultural, ideológico e militar) que vem crescendo e se consolidando há anos no Brasil. Processo histórico ligado sobretudo a sucessivas derrotas, a consequente fragilidade organizativa e total fragmentação da classe trabalhadora por aqui, hoje totalmente desprovida de qualquer capacidade relevante de instrumentos sequer teóricos, muito menos práticos de resistência. Como também apontado no artigo acima, um processo sócio-histórico que não é de hoje: vem de bem antes das &quot;revoltas de junho de 2013&quot; - que agora completam 5 anos. 

Se tiver tempo, nos próximos dias, pretendo escrever novo texto buscando reunir minhas impressões sobre o novo momento do país, num artigo que provavelmente se chamará &quot;A Revolta dos Caminhoneiros e a aceleração da Escalada Fascista no Brasil&quot;. 

Como ele será (caso saia ao papel) uma espécie de continuidade do artigo acima, convido aos demais leitores que têm participado nos últimos dias das interessantes discussões neste site sobre a tal revolta dos caminhoneiros, que leiam ou releiam este aqui tb. E sigamos refletindo juntos.

Saudações fraternas a todos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os recentes acontecimentos do país reforçam e intensificam as linhas gerais que &#8211; na boleia do João Bernardo &#8211; tentei delinear e apontar neste pequeno artigo acima: &#8220;para tal situação tipicamente pré-fascista no Brasil faltaria apenas uma peça indispensável, um movimento fascista que articule “os grandes componentes do fascismo: o desprezo pelas instituições representativas; o enaltecimento da ordem anti-representativa (militares e judiciário); um instinto de revolta; o ímpeto de descer à rua e transformar as manifestações em movimentos de arruaceiros; a promoção de novas elites; (…) [não] cada um destes elementos de fascismo considerado isoladamente, pois todos eles se manifestam, embora separados, ou parcialmente separados. O que falta é apenas um movimento [ou processo sócio-político] que os conjugue todos”.&#8221;</p>
<p>Lembrando que a escalada fascista sobre a qual tratei aqui, mais do que relacionada a um ou mais &#8220;movimentos&#8221; políticos e/ou ideológicos fascistas (que podem ter variados perfis, cisões e disputas entre si), refere-se a um processo histórico e social (político, cultural, ideológico e militar) que vem crescendo e se consolidando há anos no Brasil. Processo histórico ligado sobretudo a sucessivas derrotas, a consequente fragilidade organizativa e total fragmentação da classe trabalhadora por aqui, hoje totalmente desprovida de qualquer capacidade relevante de instrumentos sequer teóricos, muito menos práticos de resistência. Como também apontado no artigo acima, um processo sócio-histórico que não é de hoje: vem de bem antes das &#8220;revoltas de junho de 2013&#8221; &#8211; que agora completam 5 anos. </p>
<p>Se tiver tempo, nos próximos dias, pretendo escrever novo texto buscando reunir minhas impressões sobre o novo momento do país, num artigo que provavelmente se chamará &#8220;A Revolta dos Caminhoneiros e a aceleração da Escalada Fascista no Brasil&#8221;. </p>
<p>Como ele será (caso saia ao papel) uma espécie de continuidade do artigo acima, convido aos demais leitores que têm participado nos últimos dias das interessantes discussões neste site sobre a tal revolta dos caminhoneiros, que leiam ou releiam este aqui tb. E sigamos refletindo juntos.</p>
<p>Saudações fraternas a todos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/03/119022/#comment-330862</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Apr 2018 14:58:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Jair Bolsonaro,

O ressentimento tem sido de parte da extrema-esquerda, que desde o golpe (sim, foi golpe por conceito até de manual de ciência política, e golpe independe do conteúdo político do governo retirado). Isso nublou várias análises da extrema-esquerda, inclusive as assinadas pelo Passa Palavra. Isso quando estava claro tudo que viria para os trabalhadores em decorrência do golpe. O problema não era Dilma ser derrubada, mas que ela estava sendo derrubada sobre nós, e não por nós. Mas parte da extrema-esquerda parece que estava mais interessada em manter uma identidade em relação ao PT do que fazer uma análise sem ressentimento e com o pé no chão e na vida concreta das pessoas. O ponto foi grande para analistas social-democratas, próximos ao PT, que fizeram as análises mais corretas nesses anos, enquanto boa parte da extrema-esquerda estava preocupada em construção de identidade própria.

A direita &quot;polariza&quot; com o PT porque o PT ainda é o mais representativo e a maior organização de esquerda no Brasil. Na sua explicação entendi o que você quer dizer com &quot;polarização&quot; e não tenho grandes discordâncias da análise. No entanto essa expressão &quot;polarização&quot; tem sido usada por pessoas que vieram da esquerda, ou que se colocam na esquerda, como via de mão dupla, como tática PSDB-PT. Por isso no seu primeiro comentário daria entender que o Bolsonaro que se beneficiaria da polarização criada pelo PSDB e pelo PT.

Fora isso, ora, pautar a crítica dos movimentos autônomos de esquerda me parece o óbvio a fazer da minha posição. Ficar criticando o PT é cômodo, fácil, e uma maneira de expiar as responsabilidades, que são de toda a esquerda, da mesma forma que petistas expiam as suas ao jogaram para o tal &#039;junho de 2013&#039; ou coisa que o valha o que ocorre hoje ou o fator primeiro do golpe.

Assim, ficar jogando pro colo do outro não leva a lugar nenhum. Ora, a posição intelectual que não é cômoda é olhar pra si próprio. Vou criticar o que estou próximo, no que eu participei. Isso é autocrítica. Autocrítica se faz, não se manda os outros fazerem. Isso não é ressentimento, é ter saúde. Ressentimento é ficar jogando pros outros, não para si próprio, uma vez que que me coloco no campo ao qual dirijo essas reflexões ou autocrítica.

Ainda sobre o golpe. A grande imprensa via Globo, talvez o principal articulador do golpe, já começou a lançar a ideia de não haver eleições esse ano. Afinal, eles não tem candidato pra ganhar as eleições, e Bolsonaro não é um nome que os agrada propriamente. O dono da bola diz se tem jogo ou não. Pode ser que haja eleições, pode ser que não. Quem vai decidir é o dono da bola. Claro que eles não conseguem tudo que querem. mas se podem se dar ao luxo de pautarem não haver eleições, como se isso fosse parte da normalidade, estamos num novo normal. Mesmo que haja eleições, já deveria ser suficiente pra cair a ficha... já teve golpe. Vai precisar não haver eleições de fato?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jair Bolsonaro,</p>
<p>O ressentimento tem sido de parte da extrema-esquerda, que desde o golpe (sim, foi golpe por conceito até de manual de ciência política, e golpe independe do conteúdo político do governo retirado). Isso nublou várias análises da extrema-esquerda, inclusive as assinadas pelo Passa Palavra. Isso quando estava claro tudo que viria para os trabalhadores em decorrência do golpe. O problema não era Dilma ser derrubada, mas que ela estava sendo derrubada sobre nós, e não por nós. Mas parte da extrema-esquerda parece que estava mais interessada em manter uma identidade em relação ao PT do que fazer uma análise sem ressentimento e com o pé no chão e na vida concreta das pessoas. O ponto foi grande para analistas social-democratas, próximos ao PT, que fizeram as análises mais corretas nesses anos, enquanto boa parte da extrema-esquerda estava preocupada em construção de identidade própria.</p>
<p>A direita &#8220;polariza&#8221; com o PT porque o PT ainda é o mais representativo e a maior organização de esquerda no Brasil. Na sua explicação entendi o que você quer dizer com &#8220;polarização&#8221; e não tenho grandes discordâncias da análise. No entanto essa expressão &#8220;polarização&#8221; tem sido usada por pessoas que vieram da esquerda, ou que se colocam na esquerda, como via de mão dupla, como tática PSDB-PT. Por isso no seu primeiro comentário daria entender que o Bolsonaro que se beneficiaria da polarização criada pelo PSDB e pelo PT.</p>
<p>Fora isso, ora, pautar a crítica dos movimentos autônomos de esquerda me parece o óbvio a fazer da minha posição. Ficar criticando o PT é cômodo, fácil, e uma maneira de expiar as responsabilidades, que são de toda a esquerda, da mesma forma que petistas expiam as suas ao jogaram para o tal &#8216;junho de 2013&#8217; ou coisa que o valha o que ocorre hoje ou o fator primeiro do golpe.</p>
<p>Assim, ficar jogando pro colo do outro não leva a lugar nenhum. Ora, a posição intelectual que não é cômoda é olhar pra si próprio. Vou criticar o que estou próximo, no que eu participei. Isso é autocrítica. Autocrítica se faz, não se manda os outros fazerem. Isso não é ressentimento, é ter saúde. Ressentimento é ficar jogando pros outros, não para si próprio, uma vez que que me coloco no campo ao qual dirijo essas reflexões ou autocrítica.</p>
<p>Ainda sobre o golpe. A grande imprensa via Globo, talvez o principal articulador do golpe, já começou a lançar a ideia de não haver eleições esse ano. Afinal, eles não tem candidato pra ganhar as eleições, e Bolsonaro não é um nome que os agrada propriamente. O dono da bola diz se tem jogo ou não. Pode ser que haja eleições, pode ser que não. Quem vai decidir é o dono da bola. Claro que eles não conseguem tudo que querem. mas se podem se dar ao luxo de pautarem não haver eleições, como se isso fosse parte da normalidade, estamos num novo normal. Mesmo que haja eleições, já deveria ser suficiente pra cair a ficha&#8230; já teve golpe. Vai precisar não haver eleições de fato?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jair Bolsonaro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/03/119022/#comment-330856</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Apr 2018 03:45:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Leo Vinicius, meu caro:

Você pergunta em seu comentário acima: &quot;Qual &quot;polarização&quot;?&quot;. E segue destilando seus arrepios...

Em resposta, deixo um comentário para, quem sabe, uma importante reflexão de sua parte - e de quem mais eventualmente nos ler por aqui: 

Desde a, bem entendida, intensificação da escalada fascista no Brasil, sobretudo a partir da ressaca de junho e na esteira do golpe, você passou a tecer um sem número de análises ressentidas e arrepiadas sobre a conjuntura do país. Via de regra, a todo momento atribuindo a maior parte das responsabilidades sobre o cenário atual à atuação de certos movimentos autônomos (a seu ver, essa &quot;parte da esquerda que enterra a cabeça na areia e não vê a história passando na frente do nariz&quot;). Entre outros pontos, para você, sublinhar o erro estratégico de junho e a posterior narrativa lulopetista do golpe passou a ser quase um imperativo categórico ou uma condição obrigatória para qualquer possibilidade de debate contigo. Quem discorde desta leitura histórica específica (que tem, querendo você ou não, a ótica lulopetista), para você é, no mínimo, cego, quando não cúmplice ou até responsável – pela recente ascensão da extrema-direita.

Nessa linha, dia desses você pinçou outra citação interessante do João Bernardo, transportando-a para o seu balanço específico sobre Junho de 2013: &quot;Aqueles meses, em que os trabalhadores ultrapassaram a direcção do PSI e dos sindicatos, sem conseguirem, por outro lado, organizar de maneira estável a sua iniciativa própria, serviram afinal para reforçar a penetração social do fascismo e o seu radicalismo de actuação. Foi este o terreno da vitória de Mussolini. (João Bernardo – Labirintos do Fascismo)&quot;. Seguindo este seu raciocínio, Leo, me corrija se eu estiver errado: o fato dos movimentos autônomos envolvidos em Junho não terem conseguido &quot;organizar de maneira estável sua iniciativa própria&quot; os colocaram a serviço da &quot;penetração social do fascismo e o seu radicalismo de actuação&quot;, podendo agora vir a pavimentar uma vitória de Alckmin, Bolsonaro ou afim. Correto? 

A mensagem que você reitera: quem não enxerga isso seria cego. Porém, ironicamente, isso tem impedido você de enxergar, ouvir e muito menos dialogar com outras perspectivas que, talvez, valessem o esforço. Outras leituras históricas. Incluindo pessoas e posicionamentos relativamente convergentes contigo. O seu comentário acima é um exemplo claro disso. Você rebate com o fígado um comentário anterior relativamente convergente ao seu. Se não, vejamos:

Quando Jair Bolsonaro e seus apoiadores convocaram mais um ato provocativo a poucos metros da caravana de Lula em Curitiba (após um grave atentado a bala ainda inexplicado, num dia que a caravana contava com a presença de Guilherme Boulos, Manuela Dávila, frentes brasil popular e povo sem medo etc etc numa “unidade anti-fascista”), a meu ver parece óbvio que ele segue buscando jogar querosene nessa polarização forjada contra as esquerdas em geral, encarnando-as principalmente no espantalho PT-Lula, justamente para que a &quot;extrema-direita siga ganhando terreno, derrubando presidentes, incentivando a formação e ações de milícias armadas&quot;, isso tudo que nos arrepia. 
	
Este o caráter objetivamente nocivo desta polarização, forjada e explorada à exaustão pela extrema-direita nos termos dela, concretamente fortalecendo-a mais do que nenhuma outra força nos últimos tempos (da social-democracia mais rala encarnada no lulopetismo à extrema-esquerda, todos em descenso). Foi a polarização forjada contra o PT, Lula e Dilma – na esteira da Lava-Jato - que possibilitaram o golpe jurídico-parlamentar de Michel Temer. Continua sendo a polarização forjada contra o lulopetismo a favorecer a penetração de outras expressões fascistas, como Bolsonaro e seu projeto de poder. Respondendo a sua pergunta inicial: esta a polarização, com ou sem aspas, a qual me referia no comentário anterior.

Me parece que o artigo aqui, porém, procurou jogar luzes menos ressentidas e mais sóbrias sobre as raízes históricas de maior-duração desta escalada fascista - para que não sigamos reproduzindo uma leitura de fôlego curto, com a cabeça enterrada na areia da histeria atual. Ao contrário, o texto tenta descortinar os seus mecanismos mais profundos (incluindo essas polarizações forjadas), a formação das lógicas e dos terrenos propícios à penetração social do fascismo e seus radicalismos de atuação, os quais como diz o texto &quot;afinal, não são de hoje (pós-execução da Marielle), de ontem (pós-“golpe”), nem de anteontem (pós-Junho de 2013)&quot;. Ainda segundo o artigo, a escalada é decorrência de uma &quot;longa-desarticulação, fragmentação, derrota e desmonte&quot; das organizações dos trabalhadores e das movimentações anticapitalistas, processo histórico que nos arrastou para os perigosos moinhos e redemoinhos atuais. 

Porém, ao ficar repisando a todo momento, de forma ressentida e arrepiada, as teclas exclusivas do golpe e do erro-de-junho (focando suas críticas em certos movimentos autônomos), você Léo corre o risco de ficar olhando apenas para o próprio nariz, enterrando uma longa história (que precisa ser bem melhor analisada e compreendida) na areia da maré dos últimos breves 5 anos. Isso favorece a quem?

Indo além: ao focar suas críticas ressentidas nos movimentos autônomos que, inclusive, em grande medida já saíram de cena, suas posições involuntariamente jogam areia no terreno privilegiado onde operam as polarizações forjadas e exploradas pela extrema-direita, ajudando a pavimentar sua ascensão. Michel Temer não polarizou com Junho de 2013 para ascender, apenas usou o pós-Junho – a mobilização à lava-jato dos coxinhas verde-amarelo - como trampolim para romper com o lulopetismo com uma agenda econômica sob encomenda. Tampouco Bolsonaro, MBL e outras más companhia atuais, até onde eu sei, não tem buscado polarizar contra atos do MPL ou de qualquer movimentação autônoma, mas desde sempre polarizam também com o chamado campo democrático-popular sob sua velha ou nova roupagem: a lulopetista, que precisa demonizar Junho e se apegar na narrativa do golpe por uma questão de sobrevivência política; e a incipiente psolboulista que também já optou por surfar nessa polarização com os Bolsonaros da vida, pois ela é útil para um resultado eleitoral mais expressivo já este ano. Ao reproduzirem esta lógica imediatista, porém, além de não se avançar na compreensão de como esta ascensão fascista foi gestada silenciosamente durante todo o período lulista, dada a fragilidade real das organizações dos trabalhadores, todas concorrem para o fortalecimento objetivo da extrema-direita em ascensão no país.

As narrativas, aparentemente opostas e polarizadas, baseadas em reducionismos patentes, favorecem quem está objetivamente mais forte social, econômica, cultural, simbólica, política, jurídica e militarmente. A direita. E isso não vem de Junho de 2013, nem se resolverá na base dos gritos arrepiados “foi golpe!”, “foi execução!”, “é a extrema-direita!”, “é fascismo!” etc etc.

A resposta impávida a essas exclamações tem sido, via de regra: “Sim, é mais ou menos tudo isso mesmo... Por que não? Toquem o serviço”. Soma e segue a marcha.

Um abraço para você, companheiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leo Vinicius, meu caro:</p>
<p>Você pergunta em seu comentário acima: &#8220;Qual &#8220;polarização&#8221;?&#8221;. E segue destilando seus arrepios&#8230;</p>
<p>Em resposta, deixo um comentário para, quem sabe, uma importante reflexão de sua parte &#8211; e de quem mais eventualmente nos ler por aqui: </p>
<p>Desde a, bem entendida, intensificação da escalada fascista no Brasil, sobretudo a partir da ressaca de junho e na esteira do golpe, você passou a tecer um sem número de análises ressentidas e arrepiadas sobre a conjuntura do país. Via de regra, a todo momento atribuindo a maior parte das responsabilidades sobre o cenário atual à atuação de certos movimentos autônomos (a seu ver, essa &#8220;parte da esquerda que enterra a cabeça na areia e não vê a história passando na frente do nariz&#8221;). Entre outros pontos, para você, sublinhar o erro estratégico de junho e a posterior narrativa lulopetista do golpe passou a ser quase um imperativo categórico ou uma condição obrigatória para qualquer possibilidade de debate contigo. Quem discorde desta leitura histórica específica (que tem, querendo você ou não, a ótica lulopetista), para você é, no mínimo, cego, quando não cúmplice ou até responsável – pela recente ascensão da extrema-direita.</p>
<p>Nessa linha, dia desses você pinçou outra citação interessante do João Bernardo, transportando-a para o seu balanço específico sobre Junho de 2013: &#8220;Aqueles meses, em que os trabalhadores ultrapassaram a direcção do PSI e dos sindicatos, sem conseguirem, por outro lado, organizar de maneira estável a sua iniciativa própria, serviram afinal para reforçar a penetração social do fascismo e o seu radicalismo de actuação. Foi este o terreno da vitória de Mussolini. (João Bernardo – Labirintos do Fascismo)&#8221;. Seguindo este seu raciocínio, Leo, me corrija se eu estiver errado: o fato dos movimentos autônomos envolvidos em Junho não terem conseguido &#8220;organizar de maneira estável sua iniciativa própria&#8221; os colocaram a serviço da &#8220;penetração social do fascismo e o seu radicalismo de actuação&#8221;, podendo agora vir a pavimentar uma vitória de Alckmin, Bolsonaro ou afim. Correto? </p>
<p>A mensagem que você reitera: quem não enxerga isso seria cego. Porém, ironicamente, isso tem impedido você de enxergar, ouvir e muito menos dialogar com outras perspectivas que, talvez, valessem o esforço. Outras leituras históricas. Incluindo pessoas e posicionamentos relativamente convergentes contigo. O seu comentário acima é um exemplo claro disso. Você rebate com o fígado um comentário anterior relativamente convergente ao seu. Se não, vejamos:</p>
<p>Quando Jair Bolsonaro e seus apoiadores convocaram mais um ato provocativo a poucos metros da caravana de Lula em Curitiba (após um grave atentado a bala ainda inexplicado, num dia que a caravana contava com a presença de Guilherme Boulos, Manuela Dávila, frentes brasil popular e povo sem medo etc etc numa “unidade anti-fascista”), a meu ver parece óbvio que ele segue buscando jogar querosene nessa polarização forjada contra as esquerdas em geral, encarnando-as principalmente no espantalho PT-Lula, justamente para que a &#8220;extrema-direita siga ganhando terreno, derrubando presidentes, incentivando a formação e ações de milícias armadas&#8221;, isso tudo que nos arrepia. </p>
<p>Este o caráter objetivamente nocivo desta polarização, forjada e explorada à exaustão pela extrema-direita nos termos dela, concretamente fortalecendo-a mais do que nenhuma outra força nos últimos tempos (da social-democracia mais rala encarnada no lulopetismo à extrema-esquerda, todos em descenso). Foi a polarização forjada contra o PT, Lula e Dilma – na esteira da Lava-Jato &#8211; que possibilitaram o golpe jurídico-parlamentar de Michel Temer. Continua sendo a polarização forjada contra o lulopetismo a favorecer a penetração de outras expressões fascistas, como Bolsonaro e seu projeto de poder. Respondendo a sua pergunta inicial: esta a polarização, com ou sem aspas, a qual me referia no comentário anterior.</p>
<p>Me parece que o artigo aqui, porém, procurou jogar luzes menos ressentidas e mais sóbrias sobre as raízes históricas de maior-duração desta escalada fascista &#8211; para que não sigamos reproduzindo uma leitura de fôlego curto, com a cabeça enterrada na areia da histeria atual. Ao contrário, o texto tenta descortinar os seus mecanismos mais profundos (incluindo essas polarizações forjadas), a formação das lógicas e dos terrenos propícios à penetração social do fascismo e seus radicalismos de atuação, os quais como diz o texto &#8220;afinal, não são de hoje (pós-execução da Marielle), de ontem (pós-“golpe”), nem de anteontem (pós-Junho de 2013)&#8221;. Ainda segundo o artigo, a escalada é decorrência de uma &#8220;longa-desarticulação, fragmentação, derrota e desmonte&#8221; das organizações dos trabalhadores e das movimentações anticapitalistas, processo histórico que nos arrastou para os perigosos moinhos e redemoinhos atuais. </p>
<p>Porém, ao ficar repisando a todo momento, de forma ressentida e arrepiada, as teclas exclusivas do golpe e do erro-de-junho (focando suas críticas em certos movimentos autônomos), você Léo corre o risco de ficar olhando apenas para o próprio nariz, enterrando uma longa história (que precisa ser bem melhor analisada e compreendida) na areia da maré dos últimos breves 5 anos. Isso favorece a quem?</p>
<p>Indo além: ao focar suas críticas ressentidas nos movimentos autônomos que, inclusive, em grande medida já saíram de cena, suas posições involuntariamente jogam areia no terreno privilegiado onde operam as polarizações forjadas e exploradas pela extrema-direita, ajudando a pavimentar sua ascensão. Michel Temer não polarizou com Junho de 2013 para ascender, apenas usou o pós-Junho – a mobilização à lava-jato dos coxinhas verde-amarelo &#8211; como trampolim para romper com o lulopetismo com uma agenda econômica sob encomenda. Tampouco Bolsonaro, MBL e outras más companhia atuais, até onde eu sei, não tem buscado polarizar contra atos do MPL ou de qualquer movimentação autônoma, mas desde sempre polarizam também com o chamado campo democrático-popular sob sua velha ou nova roupagem: a lulopetista, que precisa demonizar Junho e se apegar na narrativa do golpe por uma questão de sobrevivência política; e a incipiente psolboulista que também já optou por surfar nessa polarização com os Bolsonaros da vida, pois ela é útil para um resultado eleitoral mais expressivo já este ano. Ao reproduzirem esta lógica imediatista, porém, além de não se avançar na compreensão de como esta ascensão fascista foi gestada silenciosamente durante todo o período lulista, dada a fragilidade real das organizações dos trabalhadores, todas concorrem para o fortalecimento objetivo da extrema-direita em ascensão no país.</p>
<p>As narrativas, aparentemente opostas e polarizadas, baseadas em reducionismos patentes, favorecem quem está objetivamente mais forte social, econômica, cultural, simbólica, política, jurídica e militarmente. A direita. E isso não vem de Junho de 2013, nem se resolverá na base dos gritos arrepiados “foi golpe!”, “foi execução!”, “é a extrema-direita!”, “é fascismo!” etc etc.</p>
<p>A resposta impávida a essas exclamações tem sido, via de regra: “Sim, é mais ou menos tudo isso mesmo&#8230; Por que não? Toquem o serviço”. Soma e segue a marcha.</p>
<p>Um abraço para você, companheiro.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/03/119022/#comment-330778</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Mar 2018 14:03:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Jais Bolsonaro:

Qual &quot;polarização&quot;?

Me arrepia ver que gente dentro da esquerda fala em uma suposta nociva &quot;polarização&quot; quando a extrema-direita ganha terreno, derrubam presidente, formam milícias armadas para atacar até a social-democracia mais rala... PT polariza com quem? O partido social-democrata light de conciliação de classes?

A história passando na frente do nariz, desde pelo o golpe e uma parte da esquerda enterra a cabeça na areia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jais Bolsonaro:</p>
<p>Qual &#8220;polarização&#8221;?</p>
<p>Me arrepia ver que gente dentro da esquerda fala em uma suposta nociva &#8220;polarização&#8221; quando a extrema-direita ganha terreno, derrubam presidente, formam milícias armadas para atacar até a social-democracia mais rala&#8230; PT polariza com quem? O partido social-democrata light de conciliação de classes?</p>
<p>A história passando na frente do nariz, desde pelo o golpe e uma parte da esquerda enterra a cabeça na areia.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jair Bolsonaro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/03/119022/#comment-330748</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Mar 2018 21:40:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Declarações de hoje do Jair Bolsonaro, direto de Curitiba (em ato de seus apoiadores a poucos metros da caravana do Lula), explorando politicamente os últimos graves acontecimentos por lá e essa polarização que segue tão útil para seu projeto de poder:  &quot;Esse Brasil é nosso. Nós de direita somos a maioria. Vamos fazer valer a nossa força. A força da família. A força da nossa Polícia Militar e do povo. Se pensam que vai ser um baile daqui para frente, não vai ser. Se pensam que vou desistir do meu sonho e do meu compromisso de servir à Pátria, estão enganados. O Brasil está precisando de alguém que tenha Deus no coração e que seja um patriota&quot;, disse o parlamentar.

Bolsonaro também exaltou as forças policiais e sugeriu que, caso seja eleito, incentivará os agentes de segurança a atirarem &quot;para matar&quot;. &quot;Nossos policiais serão condecorados e não mais processados. Eu quero uma polícia Civil e Militar que defenda o povo e atire para matar! Queremos também o direito à legítima defesa, sem essa de desarmar vocês e deixar vagabundos soltos e muito bem armados por aí&quot;, afirmou Jair Bolsonaro.

Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-03-28/bolsonaro-lula-onibus.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Declarações de hoje do Jair Bolsonaro, direto de Curitiba (em ato de seus apoiadores a poucos metros da caravana do Lula), explorando politicamente os últimos graves acontecimentos por lá e essa polarização que segue tão útil para seu projeto de poder:  &#8220;Esse Brasil é nosso. Nós de direita somos a maioria. Vamos fazer valer a nossa força. A força da família. A força da nossa Polícia Militar e do povo. Se pensam que vai ser um baile daqui para frente, não vai ser. Se pensam que vou desistir do meu sonho e do meu compromisso de servir à Pátria, estão enganados. O Brasil está precisando de alguém que tenha Deus no coração e que seja um patriota&#8221;, disse o parlamentar.</p>
<p>Bolsonaro também exaltou as forças policiais e sugeriu que, caso seja eleito, incentivará os agentes de segurança a atirarem &#8220;para matar&#8221;. &#8220;Nossos policiais serão condecorados e não mais processados. Eu quero uma polícia Civil e Militar que defenda o povo e atire para matar! Queremos também o direito à legítima defesa, sem essa de desarmar vocês e deixar vagabundos soltos e muito bem armados por aí&#8221;, afirmou Jair Bolsonaro.</p>
<p>Fonte: Último Segundo &#8211; iG @ <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-03-28/bolsonaro-lula-onibus.html" rel="nofollow ugc">http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-03-28/bolsonaro-lula-onibus.html</a></p>
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