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	Comentários sobre: Escrito em 5 de julho de 2013: relembrando junho	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: Historiador do Futuro		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Historiador do Futuro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 May 2018 16:36:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Creio que este texto é do acervo que os historiadores do futuro consultarão para entender esta data, cujo trabalho historiográfico será medir em que medida o calor dos eventos afeta a própria análise. Bem, serei eu um historiador do futuro, embora sem diploma e sem tanto futuro.

O texto é de uma data extremamente próximo aos acontecimentos e mostra alguns sinais da época, que se potenciam com a proximidade do autor com a organização: super-estimação do MPL, caracterização do movimento como &quot;anticapitalista&quot;, super-estimação da direita e uma estranha surpresa com o poder dos meios de comunicação burgueses (&quot;No dia 20 de junho ficou muito claro o poder que os grandes meios de comunicação possuem.&quot;)

A natureza &quot;anticapitalista&quot; do MPL, para começo de história, já é uma premissa estranha. Se bem existem sementes em vários rincões da terra, talvez esta super-estimação seja justamente um dos grandes erros da análise final: as mobilizações não eram &quot;de esquerda&quot; e passaram a ser &quot;de direita&quot;. A composição das manifestações do MPL, ao menos em São Paulo, nunca teve uma coesão ideológica e em termos sociais sempre expressaram uma minoria da classe trabalhadora especializada em formação, com pouca ou quase nenhuma inserção nos processos produtivos. A pauta em si mesma sim expressava um interesse de classe, e isso foi o combustível para a radicalidade e para a legitimidade social dos protestos. Se por um lado esta composição frágil facilitava o ambiente de &quot;revolta popular&quot; e o &quot;transbordamento&quot; da frágil direção, era também o que permitia que qualquer &quot;golpe&quot; ou assalto à direção fosse efetuado sem grandes dificuldades. Sim, o país ficou conhecendo a sigla &quot;MPL&quot;, mas a sua força social era verdadeiramente insignificante frente a qualquer investida política de &quot;grandes atores&quot;.

E se a ousadia do MPL e dos manifestantes em realizar atos de rua que inevitavelmente terminavam em confronto com a polícia era admirável, quando o jogo &quot;virou&quot; e as ruas se encheram de caras-pintas-CBF, isso não ocorreu por &quot;uma jogada de mestres dos meios de comunicação&quot;. Essa visão tende a estabelecer uma comparação entre o MPL como mobilizador &quot;da classe trabalhadora&quot; e a midia como mobilizadora dos &quot;coxinhas&quot;. Se sabemos que o MPL essencialmente tinha a iniciativa de mobilizar contra uma realidade vivenciada (o sofrimento e a carestia do e no transporte público), também a midia mobilizou afetos já presentes na sociedade, não os tirou da cartola: o ambiente de reviravolta social descontrolado está bem expressado no vertiginoso aumento de greves no biênio 2011-2012 -- mas que força social &quot;de esquerda&quot; liderava esse processo, se o lulopetismo estava mais preocupado em abafar as greves que em liderá-las? (se não me engano, até hoje o DIEESE, petista, se recusa a divulgar os dados sobre greves em 2013). A falta de saídas confiáveis e concretas por esquerda dos impasses sociais do período deram margem para que irrompessem politicamente para qualquer lado, e com especial charme por direita, dado que esta era vista como uma verdadeira oposição ao governo. A midia canalizou uma massa que já estava agitada. Ela não &quot;transformou uma mobilização de esquerda em uma de direita&quot;. Primeiro porque as mobilizações do MPL, em sua forma de &quot;revolta popular&quot;, não eram capazes de aglutinar forças de esquerda a nivel social -- o grosso das organizações populares, de esquerda, e mesmo a base social, em geral ficavam à margem, olhando com certa desconfiança por mais que apoiassem a pauta. Em segundo lugar, a invasão da direita também é super-estimada pelos militantes de esquerda por um motivo óbvio: os elementos fascistas iam às ruas para confrontar fisicamente com a esquerda, situação sim completamente inédita nas últimas décadas no país. Mas a massa de pessoas carregando bandeiras nacionais não é em si mesmo uma expressão da direita. Embora eu não negue o caráter reacionário do nacionalismo, podemos pegar fotos das mobilizações dos Cordões Industriais chilenos em 1973, aqueles mesmos que pressionaram Allende por armas para derrotar a burguesia, e nestas fotos não faltarão bandeiras nacionais. As pautas da direita foram oferecidas e apoiadas por pessoas ávidas de uma causa para estar nas ruas. Mas elas estavam nas ruas contra os impostos e a favor dos serviços públicos. Se o MPL não era uma força política capaz de organizar um discurso e uma direção, também a midia era incapaz da fazê-lo da forma tão coerente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Creio que este texto é do acervo que os historiadores do futuro consultarão para entender esta data, cujo trabalho historiográfico será medir em que medida o calor dos eventos afeta a própria análise. Bem, serei eu um historiador do futuro, embora sem diploma e sem tanto futuro.</p>
<p>O texto é de uma data extremamente próximo aos acontecimentos e mostra alguns sinais da época, que se potenciam com a proximidade do autor com a organização: super-estimação do MPL, caracterização do movimento como &#8220;anticapitalista&#8221;, super-estimação da direita e uma estranha surpresa com o poder dos meios de comunicação burgueses (&#8220;No dia 20 de junho ficou muito claro o poder que os grandes meios de comunicação possuem.&#8221;)</p>
<p>A natureza &#8220;anticapitalista&#8221; do MPL, para começo de história, já é uma premissa estranha. Se bem existem sementes em vários rincões da terra, talvez esta super-estimação seja justamente um dos grandes erros da análise final: as mobilizações não eram &#8220;de esquerda&#8221; e passaram a ser &#8220;de direita&#8221;. A composição das manifestações do MPL, ao menos em São Paulo, nunca teve uma coesão ideológica e em termos sociais sempre expressaram uma minoria da classe trabalhadora especializada em formação, com pouca ou quase nenhuma inserção nos processos produtivos. A pauta em si mesma sim expressava um interesse de classe, e isso foi o combustível para a radicalidade e para a legitimidade social dos protestos. Se por um lado esta composição frágil facilitava o ambiente de &#8220;revolta popular&#8221; e o &#8220;transbordamento&#8221; da frágil direção, era também o que permitia que qualquer &#8220;golpe&#8221; ou assalto à direção fosse efetuado sem grandes dificuldades. Sim, o país ficou conhecendo a sigla &#8220;MPL&#8221;, mas a sua força social era verdadeiramente insignificante frente a qualquer investida política de &#8220;grandes atores&#8221;.</p>
<p>E se a ousadia do MPL e dos manifestantes em realizar atos de rua que inevitavelmente terminavam em confronto com a polícia era admirável, quando o jogo &#8220;virou&#8221; e as ruas se encheram de caras-pintas-CBF, isso não ocorreu por &#8220;uma jogada de mestres dos meios de comunicação&#8221;. Essa visão tende a estabelecer uma comparação entre o MPL como mobilizador &#8220;da classe trabalhadora&#8221; e a midia como mobilizadora dos &#8220;coxinhas&#8221;. Se sabemos que o MPL essencialmente tinha a iniciativa de mobilizar contra uma realidade vivenciada (o sofrimento e a carestia do e no transporte público), também a midia mobilizou afetos já presentes na sociedade, não os tirou da cartola: o ambiente de reviravolta social descontrolado está bem expressado no vertiginoso aumento de greves no biênio 2011-2012 &#8212; mas que força social &#8220;de esquerda&#8221; liderava esse processo, se o lulopetismo estava mais preocupado em abafar as greves que em liderá-las? (se não me engano, até hoje o DIEESE, petista, se recusa a divulgar os dados sobre greves em 2013). A falta de saídas confiáveis e concretas por esquerda dos impasses sociais do período deram margem para que irrompessem politicamente para qualquer lado, e com especial charme por direita, dado que esta era vista como uma verdadeira oposição ao governo. A midia canalizou uma massa que já estava agitada. Ela não &#8220;transformou uma mobilização de esquerda em uma de direita&#8221;. Primeiro porque as mobilizações do MPL, em sua forma de &#8220;revolta popular&#8221;, não eram capazes de aglutinar forças de esquerda a nivel social &#8212; o grosso das organizações populares, de esquerda, e mesmo a base social, em geral ficavam à margem, olhando com certa desconfiança por mais que apoiassem a pauta. Em segundo lugar, a invasão da direita também é super-estimada pelos militantes de esquerda por um motivo óbvio: os elementos fascistas iam às ruas para confrontar fisicamente com a esquerda, situação sim completamente inédita nas últimas décadas no país. Mas a massa de pessoas carregando bandeiras nacionais não é em si mesmo uma expressão da direita. Embora eu não negue o caráter reacionário do nacionalismo, podemos pegar fotos das mobilizações dos Cordões Industriais chilenos em 1973, aqueles mesmos que pressionaram Allende por armas para derrotar a burguesia, e nestas fotos não faltarão bandeiras nacionais. As pautas da direita foram oferecidas e apoiadas por pessoas ávidas de uma causa para estar nas ruas. Mas elas estavam nas ruas contra os impostos e a favor dos serviços públicos. Se o MPL não era uma força política capaz de organizar um discurso e uma direção, também a midia era incapaz da fazê-lo da forma tão coerente.</p>
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