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	Comentários sobre: Bolsonaro: o início da revolta a favor da ordem	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Vinícius de Rezende		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/08/122012/#comment-339466</link>

		<dc:creator><![CDATA[Vinícius de Rezende]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Oct 2018 01:56:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Saudações Marcelo!
Instigante sua colocação a respeito da necessidade de superarmos 1979.
Ao que tudo indica, essa eleição deverá ter um papel crucial para tal superação, apesar de o PT tentar sobreviver reafirmando seu projeto já esgotado.

O estrago, inegavelmente é imenso. A truculência dos bolsonaristas exaltados cresce exponencialmente e parte da esquerda pensa em debandar quando a resistência nem bem começou a se articular.
Em outro artigo, o João Bernardo comentou que estamos numa conjuntura de fragmentação extrema da classe trabalhadora frente aos capitalistas num alto grau de organização.
O que fazer?
Tenho me perguntado diariamente.
Os petistas já conseguiram o que queriam: mobilizar as esquerdas em defesa da democracia. Nas redes, Haddad já é vendido por alguns como a salvação da democracia e não como o candidato do PT.
Amigos anarquistas já relataram que nunca tinham visto tantos camaradas tirando a poeira de seus títulos de eleitores. Eu mesmo não estou disposto a apostar no quanto pior melhor.
Se tal mobilização conseguirá virar as eleições é difícil saber, mas certamente mesmo que consiga o bolsonismo não irá adormecer em silêncio.
Se falhar, não me parece catastrofismo imaginar o pior. O primeiro assassinato já ocorreu em Salvador.

É desalentador acompanhar certas discussões entre pessoas que deveriam ter clareza sobre a tormenta que se forma no horizonte.
Porém, a extrema direita pode estar negligenciando o potencial explosivo das periferias. É inegável que as igrejas evangélicas conseguiram uma penetração há décadas nessas áreas e têm tido papel determinante na difusão da ideologia fascista, como você destacou.
Porém há um enorme potencial de explosão entre setores da juventude. Mais cedo ou mais tarde isso poderá estourar.

PS: sobre o Thompson, há uma coletânea &quot;Exterminismo e Guerra Fria&quot;. Eu uso em aulas um artigo dele, principalmente como um documento de época.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Saudações Marcelo!<br />
Instigante sua colocação a respeito da necessidade de superarmos 1979.<br />
Ao que tudo indica, essa eleição deverá ter um papel crucial para tal superação, apesar de o PT tentar sobreviver reafirmando seu projeto já esgotado.</p>
<p>O estrago, inegavelmente é imenso. A truculência dos bolsonaristas exaltados cresce exponencialmente e parte da esquerda pensa em debandar quando a resistência nem bem começou a se articular.<br />
Em outro artigo, o João Bernardo comentou que estamos numa conjuntura de fragmentação extrema da classe trabalhadora frente aos capitalistas num alto grau de organização.<br />
O que fazer?<br />
Tenho me perguntado diariamente.<br />
Os petistas já conseguiram o que queriam: mobilizar as esquerdas em defesa da democracia. Nas redes, Haddad já é vendido por alguns como a salvação da democracia e não como o candidato do PT.<br />
Amigos anarquistas já relataram que nunca tinham visto tantos camaradas tirando a poeira de seus títulos de eleitores. Eu mesmo não estou disposto a apostar no quanto pior melhor.<br />
Se tal mobilização conseguirá virar as eleições é difícil saber, mas certamente mesmo que consiga o bolsonismo não irá adormecer em silêncio.<br />
Se falhar, não me parece catastrofismo imaginar o pior. O primeiro assassinato já ocorreu em Salvador.</p>
<p>É desalentador acompanhar certas discussões entre pessoas que deveriam ter clareza sobre a tormenta que se forma no horizonte.<br />
Porém, a extrema direita pode estar negligenciando o potencial explosivo das periferias. É inegável que as igrejas evangélicas conseguiram uma penetração há décadas nessas áreas e têm tido papel determinante na difusão da ideologia fascista, como você destacou.<br />
Porém há um enorme potencial de explosão entre setores da juventude. Mais cedo ou mais tarde isso poderá estourar.</p>
<p>PS: sobre o Thompson, há uma coletânea &#8220;Exterminismo e Guerra Fria&#8221;. Eu uso em aulas um artigo dele, principalmente como um documento de época.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo de Marchi Mazzoni		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/08/122012/#comment-339133</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo de Marchi Mazzoni]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Oct 2018 01:58:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Saudações Rezende,

Sinto muito por ter voltado a ter acesso a internet, meus pêsames. Quanto ao Brasil, meu caro amigo, eu não quero provocar, nem atiçar suas saudades, mas acontece que não posso me furtar de lhe contar as novidades.Aqui na terra o Bolsonismo já ganhou, mas os petistas ainda não sacaram.

Rezende, aproveito esse dia em que muitos estão muito tristes para aumentar a depressão. As forças progressivas brasileiras padecem pelo seguinte: os mortos devoram os vivos. O que se aplica as sedimentações de classes arcaicas, passa a valer no cenário político progressista, também. Precisamos por fim a greve de 1979, para começar um novo ciclo de mobilização operária. Concomitante a isso, o identitarismo, já largamente debatido aqui nesse jornal, aparece como a influência direta do imperialismo na ideologia dos grupos sociais subalternos, como pensamento desagregador e desmobilizador.
Fora isso, no campo externo, temos o misticismo religioso amalgamado com neoliberalismo, gerando uma ideologia fascista moderníssima, adaptada a situação da uberização da sociedade. Essa ideologia que coloca a si mesma como revoltosa, articulada através do que estou pensando em chamar de &quot;negacionismo de novo tipo&quot;, difundido, sobretudo, nos guias politicamente incorretos (cuja idéia central é que os brancos do atlântico norte nunca fizeram nenhuma atrocidade na história do brasil, nem do mundo. Pelo contrário, são os únicos sujeitos de progresso na história), como é proibido negar o holocausto, por exemplo, eles deram dois passos para trás e negam qualquer ação violenta do homem branco, este como o difusor da racionalidade.

O que fazer? A revolução não é para depois de amanhã, precisamos traçar uma política séria de disputa, entendendo quais são nossos inimigos.

abraços

ps: não conheço a tese de Thompson sobre o extermismo, onde ele debate isso?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Saudações Rezende,</p>
<p>Sinto muito por ter voltado a ter acesso a internet, meus pêsames. Quanto ao Brasil, meu caro amigo, eu não quero provocar, nem atiçar suas saudades, mas acontece que não posso me furtar de lhe contar as novidades.Aqui na terra o Bolsonismo já ganhou, mas os petistas ainda não sacaram.</p>
<p>Rezende, aproveito esse dia em que muitos estão muito tristes para aumentar a depressão. As forças progressivas brasileiras padecem pelo seguinte: os mortos devoram os vivos. O que se aplica as sedimentações de classes arcaicas, passa a valer no cenário político progressista, também. Precisamos por fim a greve de 1979, para começar um novo ciclo de mobilização operária. Concomitante a isso, o identitarismo, já largamente debatido aqui nesse jornal, aparece como a influência direta do imperialismo na ideologia dos grupos sociais subalternos, como pensamento desagregador e desmobilizador.<br />
Fora isso, no campo externo, temos o misticismo religioso amalgamado com neoliberalismo, gerando uma ideologia fascista moderníssima, adaptada a situação da uberização da sociedade. Essa ideologia que coloca a si mesma como revoltosa, articulada através do que estou pensando em chamar de &#8220;negacionismo de novo tipo&#8221;, difundido, sobretudo, nos guias politicamente incorretos (cuja idéia central é que os brancos do atlântico norte nunca fizeram nenhuma atrocidade na história do brasil, nem do mundo. Pelo contrário, são os únicos sujeitos de progresso na história), como é proibido negar o holocausto, por exemplo, eles deram dois passos para trás e negam qualquer ação violenta do homem branco, este como o difusor da racionalidade.</p>
<p>O que fazer? A revolução não é para depois de amanhã, precisamos traçar uma política séria de disputa, entendendo quais são nossos inimigos.</p>
<p>abraços</p>
<p>ps: não conheço a tese de Thompson sobre o extermismo, onde ele debate isso?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Vinícius de Rezende		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/08/122012/#comment-338969</link>

		<dc:creator><![CDATA[Vinícius de Rezende]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Oct 2018 11:39:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Marcelo Mazzoni,

inicio me desculpando pela enorme demora em retomar nosso diálogo. Eu estava fora do país realizando pesquisa e voltei essa semana. Então, passei os últimos dias com acesso muito precário à internet.
Por falar em retorno ao Brasil, que situação é essa? Estava acompanhando as notícias pela internet e sempre em diálogo com amigos, porém o que tenho visto nas ruas é ainda mais desesperador do que eu imaginava. A ameaça fascista parece já ter ultrapassado a própria capacidade de controle por parte do Boçal.

A respeito da minha colocação final no comentário, meu principal objetivo foi destacar que eu acredito ser mais factível uma nova aliança entre o PT e parte dos capitalistas do que mais quatro anos de instabilidade e crise econômica agravadas pelo boicote deliberado a um possível governo Haddad. Foi nesse sentido que escrevi considerar improvável um Golpe Militar nos moldes daqueles dos anos 1960 e 1970 na América Latina.
Essa continua a ser minha hipótese: acredito que seja mais provável um novo pacto do PT com a FIESP, por exemplo, do que o Villas Bôas comandando as tropas para derrubarem o governo, fechar o congresso ou coisas do tipo.
Para tanto, talvez baste que o PT não mexa no que o governo Temer fez a respeito da legislação trabalhista. Se fizer mais reformas, como a da previdência, melhor ainda. E não tenho dúvidas de que o PT está disposto a fazer o que for necessário para voltar ao poder e nele se manter.
Nova Constituição? Reforma política? Reforma tributária...? Não vejo o PT efetivando nada disso, mas vislumbro facilmente uma nova versão da “Carta ao povo brasileiro”. Funcionaria?

O tal “exército” dos seguidores do Bolsonaro certamente não aceitaria a derrota e tem dado demonstrações cada vez mais explícitas das ações diretas de vazão ao seu ódio (atirar pedra em homossexual, agredir mulheres que lideraram os protestos #elenão, denunciar/demitir professores e professoras que se posicionam contra o Bolsonaro, ameaçar demitir funcionários etc.). Até onde esses seguidores mais exaltados estariam dispostos a ir eu não tenho certeza, mas certamente não estão propensos a engolir o ódio. Teriam eles força suficiente para derrubar um governo Haddad? Com quem contariam? Como a bancada da “bala, boi e bíblia” atuaria num governo Haddad?...
Veja, são tantas incertezas e questionamentos frente a essa onda fascista em que vivemos, não é mesmo?

Minhas ponderações parecem não necessariamente se chocar com suas colocações a respeito das guerras na contemporaneidade. Reafirmo minha hipótese: se a eleição não for decidida amanhã (graças ao “efeito manada” que está ocorrendo) e se tivermos um segundo turno entre o Boçal e o Haddad, o PT terá sua única chance de voltar ao poder. E isso poderá levar a um novo pacto com as elites. Não duvido, mas custo a crer que a FIESP e as organizações Globo encampariam uma nova ação coordenada de desestabilização do governo. Mas confesso que não estou nem um pouco seguro sobre isso.

Sobre a possível vitória do Boçal, sem dúvidas a indústria bélica se beneficiará. Bastou sua consolidação em primeiro lugar nas pesquisas para as ações da Taurus dispararem, por exemplo.
América Latina como o próximo cemitério da indústria da morte? Não sei, mas Trump acabou de reafirmar a ameaça de intervenção militar na Venezuela. Ter um cachorrinho de estimação como o Boçal no governo da maior economia latino americana não seria má idéia, não é mesmo?
Você citou importantes autores. Me fez lembrar da tese de Thompson  sobre o exterminismo.

Abraço.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Marcelo Mazzoni,</p>
<p>inicio me desculpando pela enorme demora em retomar nosso diálogo. Eu estava fora do país realizando pesquisa e voltei essa semana. Então, passei os últimos dias com acesso muito precário à internet.<br />
Por falar em retorno ao Brasil, que situação é essa? Estava acompanhando as notícias pela internet e sempre em diálogo com amigos, porém o que tenho visto nas ruas é ainda mais desesperador do que eu imaginava. A ameaça fascista parece já ter ultrapassado a própria capacidade de controle por parte do Boçal.</p>
<p>A respeito da minha colocação final no comentário, meu principal objetivo foi destacar que eu acredito ser mais factível uma nova aliança entre o PT e parte dos capitalistas do que mais quatro anos de instabilidade e crise econômica agravadas pelo boicote deliberado a um possível governo Haddad. Foi nesse sentido que escrevi considerar improvável um Golpe Militar nos moldes daqueles dos anos 1960 e 1970 na América Latina.<br />
Essa continua a ser minha hipótese: acredito que seja mais provável um novo pacto do PT com a FIESP, por exemplo, do que o Villas Bôas comandando as tropas para derrubarem o governo, fechar o congresso ou coisas do tipo.<br />
Para tanto, talvez baste que o PT não mexa no que o governo Temer fez a respeito da legislação trabalhista. Se fizer mais reformas, como a da previdência, melhor ainda. E não tenho dúvidas de que o PT está disposto a fazer o que for necessário para voltar ao poder e nele se manter.<br />
Nova Constituição? Reforma política? Reforma tributária&#8230;? Não vejo o PT efetivando nada disso, mas vislumbro facilmente uma nova versão da “Carta ao povo brasileiro”. Funcionaria?</p>
<p>O tal “exército” dos seguidores do Bolsonaro certamente não aceitaria a derrota e tem dado demonstrações cada vez mais explícitas das ações diretas de vazão ao seu ódio (atirar pedra em homossexual, agredir mulheres que lideraram os protestos #elenão, denunciar/demitir professores e professoras que se posicionam contra o Bolsonaro, ameaçar demitir funcionários etc.). Até onde esses seguidores mais exaltados estariam dispostos a ir eu não tenho certeza, mas certamente não estão propensos a engolir o ódio. Teriam eles força suficiente para derrubar um governo Haddad? Com quem contariam? Como a bancada da “bala, boi e bíblia” atuaria num governo Haddad?&#8230;<br />
Veja, são tantas incertezas e questionamentos frente a essa onda fascista em que vivemos, não é mesmo?</p>
<p>Minhas ponderações parecem não necessariamente se chocar com suas colocações a respeito das guerras na contemporaneidade. Reafirmo minha hipótese: se a eleição não for decidida amanhã (graças ao “efeito manada” que está ocorrendo) e se tivermos um segundo turno entre o Boçal e o Haddad, o PT terá sua única chance de voltar ao poder. E isso poderá levar a um novo pacto com as elites. Não duvido, mas custo a crer que a FIESP e as organizações Globo encampariam uma nova ação coordenada de desestabilização do governo. Mas confesso que não estou nem um pouco seguro sobre isso.</p>
<p>Sobre a possível vitória do Boçal, sem dúvidas a indústria bélica se beneficiará. Bastou sua consolidação em primeiro lugar nas pesquisas para as ações da Taurus dispararem, por exemplo.<br />
América Latina como o próximo cemitério da indústria da morte? Não sei, mas Trump acabou de reafirmar a ameaça de intervenção militar na Venezuela. Ter um cachorrinho de estimação como o Boçal no governo da maior economia latino americana não seria má idéia, não é mesmo?<br />
Você citou importantes autores. Me fez lembrar da tese de Thompson  sobre o exterminismo.</p>
<p>Abraço.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/08/122012/#comment-338870</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Oct 2018 00:12:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O grupo Iniciativa Revolução Universal publicou uma análise bastante detalhada do bolsonarismo que pode contribuir a esse debate:
Motivos pelos quais o sistema precisa de Bolsonaro https://libcom.org/news/motivos-pelos-quais-o-sistema-precisa-de-bolsonaro-iniciativa-revolu-o-universal-03102018]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O grupo Iniciativa Revolução Universal publicou uma análise bastante detalhada do bolsonarismo que pode contribuir a esse debate:<br />
Motivos pelos quais o sistema precisa de Bolsonaro <a href="https://libcom.org/news/motivos-pelos-quais-o-sistema-precisa-de-bolsonaro-iniciativa-revolu-o-universal-03102018" rel="nofollow ugc">https://libcom.org/news/motivos-pelos-quais-o-sistema-precisa-de-bolsonaro-iniciativa-revolu-o-universal-03102018</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo de Marchi Mazzoni		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/08/122012/#comment-338482</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo de Marchi Mazzoni]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Sep 2018 16:03:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas, mais um motivo para ficar de olhos abertos:
http://clubemilitar.com.br/para-um-brasil-melhor/

Abraços]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas, mais um motivo para ficar de olhos abertos:<br />
<a href="http://clubemilitar.com.br/para-um-brasil-melhor/" rel="nofollow ugc">http://clubemilitar.com.br/para-um-brasil-melhor/</a></p>
<p>Abraços</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/08/122012/#comment-338361</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Sep 2018 15:45:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O comentário de Marcelo me parece importante.
Primeiro, a &quot;queda dos investimentos&quot; não foi um problema para destroçar a Síria. Também não o foi há 50 anos atrás para instaurar regimes militares sangrentos, alguns mais nacionalistas que outros, na América Latina inteira.
Não sei se alcançaremos com o tempo, mas não é má ideia reservar um tiquinho de nossas reflexões para um cenário de conflito armado interno no Brasil que ultrapasse o controle territorial dos presídios e a circulação das drogas ilícitas - coisa que já vem ocorrendo sempre a conta-gotas, na destruição de templos religiosos afro-brasileiros, no assassinato de ativistas e lideranças políticas, etc. A diferença seria, ao meu ver, uma questão de escala: passar de pequenas micro-milícias para corpos militares mais abrangentes e conectados no território brasileiro.
Inventar estas tropas do nada custa muito caro para qualquer investidor estrangeiro - os verdadeiros financistas de qualquer guerra - mas encontrar um terreno já fértil e cheio de predisposição faz com que os conflitos armados sejam mais baratos (comparemos, por exemplo, o recrutamento feito pelo ISIS e aquele feito pelos fascistas ucranianos). Faltaria analisar quais jogadores no tabuleiro mundial estariam interessados em financiar um tal conflito no Brasil. 
Acho que o papel que as forças armadas têm em Cuba e na Venezuela vão num sentido muito parecido com alguns dos elementos do Bolsonarismo. Não seria bom ignorar este fenômeno.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O comentário de Marcelo me parece importante.<br />
Primeiro, a &#8220;queda dos investimentos&#8221; não foi um problema para destroçar a Síria. Também não o foi há 50 anos atrás para instaurar regimes militares sangrentos, alguns mais nacionalistas que outros, na América Latina inteira.<br />
Não sei se alcançaremos com o tempo, mas não é má ideia reservar um tiquinho de nossas reflexões para um cenário de conflito armado interno no Brasil que ultrapasse o controle territorial dos presídios e a circulação das drogas ilícitas &#8211; coisa que já vem ocorrendo sempre a conta-gotas, na destruição de templos religiosos afro-brasileiros, no assassinato de ativistas e lideranças políticas, etc. A diferença seria, ao meu ver, uma questão de escala: passar de pequenas micro-milícias para corpos militares mais abrangentes e conectados no território brasileiro.<br />
Inventar estas tropas do nada custa muito caro para qualquer investidor estrangeiro &#8211; os verdadeiros financistas de qualquer guerra &#8211; mas encontrar um terreno já fértil e cheio de predisposição faz com que os conflitos armados sejam mais baratos (comparemos, por exemplo, o recrutamento feito pelo ISIS e aquele feito pelos fascistas ucranianos). Faltaria analisar quais jogadores no tabuleiro mundial estariam interessados em financiar um tal conflito no Brasil.<br />
Acho que o papel que as forças armadas têm em Cuba e na Venezuela vão num sentido muito parecido com alguns dos elementos do Bolsonarismo. Não seria bom ignorar este fenômeno.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo de Marchi Mazzoni		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/08/122012/#comment-338304</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo de Marchi Mazzoni]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Sep 2018 13:46:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=122012#comment-338304</guid>

					<description><![CDATA[Bom dia caros Rezende e Caribé,

Caribé, chega até ser um pouco embaraçoso, pois concordo com tudo que você colocou. Só pontuaria que, se não ficou claro, eu havia entendido o que coloca no primeiro parágrafo, mas foi bom você reafirmar. Sobre o último parágrafo, vale ressaltar duas coisas: 1º o brilhantismo da atual direita que se coloca a si mesmo como representante da contestação da ordem, 2º como diria Walter Benjamin: o fascismo nasce de uma revolução morta. Isto é, que havia ali um potencial revolucionário que não foi levado a cabo, essa pulsão retornando com sua face mais obscena.


Rezende, fiquei pensando em sua frase de encerramento, sobre a qual tenho algumas reflexões que gostaria de compartilhar.

&quot;E golpes nos antigos moldes tiram grau de investimento.&quot;

Não sou versado em economia, vou entrar numa seara que não domino, mas conheço um pouquinho de história e sei que a defesa de Kautsky era que o desenvolvimento do capitalismo tornaria as guerras algo anacrônico, sei que não é isso que os camaradas defendem, mas vou tentar usar esse exemplo como ponto de apoio. Kautsky defende que o desenvolvimento econômico levaria a algo como um &quot;ultra-imperialismo&quot;, que, nas palavras dele: 

&quot;Como a concorrência desenfreada de empresas gigantes, os grandes bancos e multimilionários, abrigando os grandes grupos financeiros que foram absorvendo os pequenos, é necessário para pensar a noção do cartel. Da mesma forma, o resultado da Primeira Guerra Mundial entre as grandes potências imperialistas pode ser a formação de uma federação forte que renunciem a sua corrida armamentista. https://www.marxists.org/portugues/kautsky/1914/09/11-1.htm &quot;

O século vinte deu grandes provas de que Kautsky estava errado. Rosa Luxemburgo, por sua vez, tenta articular uma análise do sistema capitalista na qual a acumulação primitiva não é somente uma fase anterior ao capitalismo contemporâneo, mas parte substancial do modo de produção. Naomi Klein, em seu livro Doutrina de Choque, parece defender algo muito similar, com um jargão menos marxista, pois Doutrina de choque é uma filosofia que sustenta que a melhor maneira, a melhor oportunidade para impor as idéias radicais do livre-mercado é no período subseqüente ao de um grande choque. Esse choque poder ser uma catástrofe econômica. Pode ser um desastre natural. Pode ser um ataque terrorista. Pode ser uma guerra. Mas, a idéia é que essas crises, esses desastres, esses choques abrandam a sociedades inteiras. Deslocam-nas. Desorientam as pessoas. E abre-se uma ‘janela’ e a partir dessa janela se pode introduzir o que os economistas chamam de ‘terapia do choque econômico’.

Existem, grosso modo, duas tradições aqui, uma mais próxima kautsky e outra próxima a Rosa. Lembrando que não quero taxar ninguém de katskyquista, só estou utilizando-lo como ponto de apoio reflexivo. Se Rosa e Klein estiverem corretas, o ultra-imperialismo não é o fim das guerras mas o estabelecimento de um &quot;choque perpétuo&quot;, percebendo que a poeira começa a baixar no Oriente Médio e que as coisas se acalmaram na península coreana, será que não deveríamos nos perguntar: &quot;Qual será o próximo alvo da américa?&quot; (https://www.youtube.com/watch?v=mJSKkttt3kQ). Digo a América pois sua indústria bélica, me parece, exige um contingente de cadáveres todos os anos, entendendo que não é só de USA que se faz uma devastação. Assim eu devolvo com uma pergunta, será que transformar a américa latina num cemitério não faria aumentar o comércio de caixões? Pois a Venezuela já é um dos alvos visados, a iminência de um conflito ali bate às portas. Mas e o Brasil? Um governo Bolsonaro, com sua já enunciada idéia de auto-golpe, não seria o prelúdio disso? A derruba de um governo Haddad e as ondas mais ou menos fratricidas que podem se seguir, também não o seriam?

Abraços e obrigado pela conversa muito instigante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bom dia caros Rezende e Caribé,</p>
<p>Caribé, chega até ser um pouco embaraçoso, pois concordo com tudo que você colocou. Só pontuaria que, se não ficou claro, eu havia entendido o que coloca no primeiro parágrafo, mas foi bom você reafirmar. Sobre o último parágrafo, vale ressaltar duas coisas: 1º o brilhantismo da atual direita que se coloca a si mesmo como representante da contestação da ordem, 2º como diria Walter Benjamin: o fascismo nasce de uma revolução morta. Isto é, que havia ali um potencial revolucionário que não foi levado a cabo, essa pulsão retornando com sua face mais obscena.</p>
<p>Rezende, fiquei pensando em sua frase de encerramento, sobre a qual tenho algumas reflexões que gostaria de compartilhar.</p>
<p>&#8220;E golpes nos antigos moldes tiram grau de investimento.&#8221;</p>
<p>Não sou versado em economia, vou entrar numa seara que não domino, mas conheço um pouquinho de história e sei que a defesa de Kautsky era que o desenvolvimento do capitalismo tornaria as guerras algo anacrônico, sei que não é isso que os camaradas defendem, mas vou tentar usar esse exemplo como ponto de apoio. Kautsky defende que o desenvolvimento econômico levaria a algo como um &#8220;ultra-imperialismo&#8221;, que, nas palavras dele: </p>
<p>&#8220;Como a concorrência desenfreada de empresas gigantes, os grandes bancos e multimilionários, abrigando os grandes grupos financeiros que foram absorvendo os pequenos, é necessário para pensar a noção do cartel. Da mesma forma, o resultado da Primeira Guerra Mundial entre as grandes potências imperialistas pode ser a formação de uma federação forte que renunciem a sua corrida armamentista. <a href="https://www.marxists.org/portugues/kautsky/1914/09/11-1.htm" rel="nofollow ugc">https://www.marxists.org/portugues/kautsky/1914/09/11-1.htm</a> &#8221;</p>
<p>O século vinte deu grandes provas de que Kautsky estava errado. Rosa Luxemburgo, por sua vez, tenta articular uma análise do sistema capitalista na qual a acumulação primitiva não é somente uma fase anterior ao capitalismo contemporâneo, mas parte substancial do modo de produção. Naomi Klein, em seu livro Doutrina de Choque, parece defender algo muito similar, com um jargão menos marxista, pois Doutrina de choque é uma filosofia que sustenta que a melhor maneira, a melhor oportunidade para impor as idéias radicais do livre-mercado é no período subseqüente ao de um grande choque. Esse choque poder ser uma catástrofe econômica. Pode ser um desastre natural. Pode ser um ataque terrorista. Pode ser uma guerra. Mas, a idéia é que essas crises, esses desastres, esses choques abrandam a sociedades inteiras. Deslocam-nas. Desorientam as pessoas. E abre-se uma ‘janela’ e a partir dessa janela se pode introduzir o que os economistas chamam de ‘terapia do choque econômico’.</p>
<p>Existem, grosso modo, duas tradições aqui, uma mais próxima kautsky e outra próxima a Rosa. Lembrando que não quero taxar ninguém de katskyquista, só estou utilizando-lo como ponto de apoio reflexivo. Se Rosa e Klein estiverem corretas, o ultra-imperialismo não é o fim das guerras mas o estabelecimento de um &#8220;choque perpétuo&#8221;, percebendo que a poeira começa a baixar no Oriente Médio e que as coisas se acalmaram na península coreana, será que não deveríamos nos perguntar: &#8220;Qual será o próximo alvo da américa?&#8221; (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=mJSKkttt3kQ" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=mJSKkttt3kQ</a>). Digo a América pois sua indústria bélica, me parece, exige um contingente de cadáveres todos os anos, entendendo que não é só de USA que se faz uma devastação. Assim eu devolvo com uma pergunta, será que transformar a américa latina num cemitério não faria aumentar o comércio de caixões? Pois a Venezuela já é um dos alvos visados, a iminência de um conflito ali bate às portas. Mas e o Brasil? Um governo Bolsonaro, com sua já enunciada idéia de auto-golpe, não seria o prelúdio disso? A derruba de um governo Haddad e as ondas mais ou menos fratricidas que podem se seguir, também não o seriam?</p>
<p>Abraços e obrigado pela conversa muito instigante.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Vinícius de Rezende		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/08/122012/#comment-338186</link>

		<dc:creator><![CDATA[Vinícius de Rezende]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Sep 2018 16:11:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=122012#comment-338186</guid>

					<description><![CDATA[Meus caros Marcelo Mazzoni e Daniel Caribé,

diversas questões têm me tirado o sono há algum tempo, entre elas o crescimento do fascismo na nossa geração.
E é justamente isso que considero mais relevante destacar em nosso debate: concordamos que a luta antifascista não se reduz a essa disputa eleitoral de 2018 e tampouco se esgotará com uma possível vitória de uma candidatura autodenominada progressista.
Nisso, estou inteiramente de acordo com as afirmações do Daniel. Essa militância fascista vem sendo gestada há algum tempo e continuará a crescer independentemente do resultado dessas eleições: com a vitória do coiso ou com a derrota do mesmo, eles darão continuidade à caça aos tais &quot;comunistas bolivarianos&quot; que enxergam em qualquer pessoa de esquerda e às minorias &quot;empoderadas&quot;.
Eis aí nosso desafio: como combatê-los?
Para muitos progressistas, a disputa parece se dar de quatro em quatro anos. Ao menos foi assim nos últimos anos: elegeram governos petistas e dormiram tranquilamente. O resultado se vê nas ruas e nas redes sociais, por meio do ódio.

Marcelo, a respeito das suas colocações: concordo que é extremamente ingênuo imaginar que se derrubará facilmente um governo do coiso. Há pessoas que possuem um otimismo infundado. Começaram achando que era só uma piada, depois disseram que era só fingir que não existia, agora acham que é só derrotá-lo nas urnas e que se isso falhar que será fácil derrubá-lo. Ingenuidade.
Há alguns meses, em conversa com amigos, e antes mesmo do coiso se lançar candidato, eu apontei que ele representaria uma séria ameaça. Meus interlocutores riram e mesclaram espanto com incredulidade. Provavelmente, acharam que eu havia bebido muito vinho e estava exagerando. Porém, eu venho há tempos estudando o fascismo dos anos 1920-30 e identificava na sociedade brasileira as condições para o crescimento dessa ameaça.
Se ele é ou não a liderança qualificada? Concordo que é um sujeito de inteligência extremamente limitada, sem capacidade de debater, facilmente colocado em situações constrangedoras diante de questões técnicas e objetivas. Mas será isso uma característica necessária para cativar aqueles que clamam pela &quot;revolta dentro da ordem&quot;?
Militantes petistas afirmam que o PT foi a esquerda viável que o Brasil foi capaz de formar. Não vou entrar nos méritos dessa afirmação que visa justificar a política conciliatória do PT, mas tomo a colocação para indagar: será que a figura patética do coiso representaria aquilo que o protofascismo em terras brasileiras foi capaz de forjar?
Seus seguidores não se incomodam com sua incapacidade técnica e com a ausência de um projeto coerente. O que lhes interessa é que ele representa a revolta para restabelecer a ordem, acreditando que varrerá do poder as velhas elites corruptas e metralhando os petralhas e as minorias. Claro, se ele fosse um pouquinho menos destituído de inteligência, seria ainda pior. Não precisaria ter fugido dos debates, por exemplo, já que conseguiria somar 2 + 2 em público sem precisar de cola na mão.

A respeito do Haddad, se eleito, não assumir; se assumir não governar e ser derrubado. Disseram exatamente o mesmo sobre a Dilma e ela acabou derrubada. Passaríamos pelo mesmo novamente?
Tenho dúvidas. Vivemos sob uma economia globalizada e cada vez mais baseada na exploração da força de trabalho por meio de uma complexa combinação da extração da mais-valia relativa (uso intensivo da tecnologia) com a extração da mais-valia absoluta (precarização das condições de trabalho, supressão de direitos trabalhistas e sociais etc.). Alguns autores falam em precariado, outros combinam esse conceito com a idéia de contrarevolução do capital em escala global.
O lulismo representou a tentativa, relativamente bem sucedida durante algum tempo, de promover uma conciliação de classes por meio do ganha-ganha. Mas me parece essencialmente anacrônico frente ao atual ciclo de extração da mais-valia. Baseia-se em preceitos fordistas. Fez uma reforma da previdência tímida e, por conta de suas bases, não teve coragem de fazer a reforma trabalhista que se demanda nessa conjuntura de precarização do trabalho. Temer apontou a “pinguela para o futuro” como alternativa e colheu o poder.
Pois bem, minha dúvida em relação à derrubada de um possível governo Haddad se baseia no seguinte: os capitalistas estariam dispostos a sabotar novamente o governo? Óbvio, que as maiores vítimas são os trabalhadores, que os especuladores continuam lucrando etc., mas lockout, “terrorismo discursivo”, aprofundamento da recessão etc. não me parece o melhor dos mundos para o conjunto dos capitalistas. Posso estar totalmente equivocado.
Mas se eu não estiver totalmente equivocado, creio que o Haddad teria alguma chance de se manter no poder. Ele não foi assertivo a respeito de reverter a reforma trabalhista, flerta com economistas neoliberais, fala em “Brasil feliz de novo”. Taxar lucros e dividendos? Alguém acredita nisso?
Então, mesmo que o lulismo seja anacrônico e tenha se esgotado, será que os capitalistas não estariam dispostos a agüentar mais quatro anos de um remendo de lulismo já que Alckmin (o plano A) falhou? Se o Haddad não mexer na terceirização e na reforma trabalhista, o que duvido que esteja realmente disposto a fazer, talvez a FIESP e a grande mpidia o aceitem. Não sei.
Sem dúvidas, os bolsominions fariam de tudo para derrubá-lo, mas se a FIESP e a grande mídia não embarcarem em nova onda desestabilizadora, terão as cadelas no cio força para derrubar um governo sem o Exército assumir o protagonismo? E golpes nos antigos moldes tiram grau de investimento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meus caros Marcelo Mazzoni e Daniel Caribé,</p>
<p>diversas questões têm me tirado o sono há algum tempo, entre elas o crescimento do fascismo na nossa geração.<br />
E é justamente isso que considero mais relevante destacar em nosso debate: concordamos que a luta antifascista não se reduz a essa disputa eleitoral de 2018 e tampouco se esgotará com uma possível vitória de uma candidatura autodenominada progressista.<br />
Nisso, estou inteiramente de acordo com as afirmações do Daniel. Essa militância fascista vem sendo gestada há algum tempo e continuará a crescer independentemente do resultado dessas eleições: com a vitória do coiso ou com a derrota do mesmo, eles darão continuidade à caça aos tais &#8220;comunistas bolivarianos&#8221; que enxergam em qualquer pessoa de esquerda e às minorias &#8220;empoderadas&#8221;.<br />
Eis aí nosso desafio: como combatê-los?<br />
Para muitos progressistas, a disputa parece se dar de quatro em quatro anos. Ao menos foi assim nos últimos anos: elegeram governos petistas e dormiram tranquilamente. O resultado se vê nas ruas e nas redes sociais, por meio do ódio.</p>
<p>Marcelo, a respeito das suas colocações: concordo que é extremamente ingênuo imaginar que se derrubará facilmente um governo do coiso. Há pessoas que possuem um otimismo infundado. Começaram achando que era só uma piada, depois disseram que era só fingir que não existia, agora acham que é só derrotá-lo nas urnas e que se isso falhar que será fácil derrubá-lo. Ingenuidade.<br />
Há alguns meses, em conversa com amigos, e antes mesmo do coiso se lançar candidato, eu apontei que ele representaria uma séria ameaça. Meus interlocutores riram e mesclaram espanto com incredulidade. Provavelmente, acharam que eu havia bebido muito vinho e estava exagerando. Porém, eu venho há tempos estudando o fascismo dos anos 1920-30 e identificava na sociedade brasileira as condições para o crescimento dessa ameaça.<br />
Se ele é ou não a liderança qualificada? Concordo que é um sujeito de inteligência extremamente limitada, sem capacidade de debater, facilmente colocado em situações constrangedoras diante de questões técnicas e objetivas. Mas será isso uma característica necessária para cativar aqueles que clamam pela &#8220;revolta dentro da ordem&#8221;?<br />
Militantes petistas afirmam que o PT foi a esquerda viável que o Brasil foi capaz de formar. Não vou entrar nos méritos dessa afirmação que visa justificar a política conciliatória do PT, mas tomo a colocação para indagar: será que a figura patética do coiso representaria aquilo que o protofascismo em terras brasileiras foi capaz de forjar?<br />
Seus seguidores não se incomodam com sua incapacidade técnica e com a ausência de um projeto coerente. O que lhes interessa é que ele representa a revolta para restabelecer a ordem, acreditando que varrerá do poder as velhas elites corruptas e metralhando os petralhas e as minorias. Claro, se ele fosse um pouquinho menos destituído de inteligência, seria ainda pior. Não precisaria ter fugido dos debates, por exemplo, já que conseguiria somar 2 + 2 em público sem precisar de cola na mão.</p>
<p>A respeito do Haddad, se eleito, não assumir; se assumir não governar e ser derrubado. Disseram exatamente o mesmo sobre a Dilma e ela acabou derrubada. Passaríamos pelo mesmo novamente?<br />
Tenho dúvidas. Vivemos sob uma economia globalizada e cada vez mais baseada na exploração da força de trabalho por meio de uma complexa combinação da extração da mais-valia relativa (uso intensivo da tecnologia) com a extração da mais-valia absoluta (precarização das condições de trabalho, supressão de direitos trabalhistas e sociais etc.). Alguns autores falam em precariado, outros combinam esse conceito com a idéia de contrarevolução do capital em escala global.<br />
O lulismo representou a tentativa, relativamente bem sucedida durante algum tempo, de promover uma conciliação de classes por meio do ganha-ganha. Mas me parece essencialmente anacrônico frente ao atual ciclo de extração da mais-valia. Baseia-se em preceitos fordistas. Fez uma reforma da previdência tímida e, por conta de suas bases, não teve coragem de fazer a reforma trabalhista que se demanda nessa conjuntura de precarização do trabalho. Temer apontou a “pinguela para o futuro” como alternativa e colheu o poder.<br />
Pois bem, minha dúvida em relação à derrubada de um possível governo Haddad se baseia no seguinte: os capitalistas estariam dispostos a sabotar novamente o governo? Óbvio, que as maiores vítimas são os trabalhadores, que os especuladores continuam lucrando etc., mas lockout, “terrorismo discursivo”, aprofundamento da recessão etc. não me parece o melhor dos mundos para o conjunto dos capitalistas. Posso estar totalmente equivocado.<br />
Mas se eu não estiver totalmente equivocado, creio que o Haddad teria alguma chance de se manter no poder. Ele não foi assertivo a respeito de reverter a reforma trabalhista, flerta com economistas neoliberais, fala em “Brasil feliz de novo”. Taxar lucros e dividendos? Alguém acredita nisso?<br />
Então, mesmo que o lulismo seja anacrônico e tenha se esgotado, será que os capitalistas não estariam dispostos a agüentar mais quatro anos de um remendo de lulismo já que Alckmin (o plano A) falhou? Se o Haddad não mexer na terceirização e na reforma trabalhista, o que duvido que esteja realmente disposto a fazer, talvez a FIESP e a grande mpidia o aceitem. Não sei.<br />
Sem dúvidas, os bolsominions fariam de tudo para derrubá-lo, mas se a FIESP e a grande mídia não embarcarem em nova onda desestabilizadora, terão as cadelas no cio força para derrubar um governo sem o Exército assumir o protagonismo? E golpes nos antigos moldes tiram grau de investimento.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Daniel Caribé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/08/122012/#comment-338128</link>

		<dc:creator><![CDATA[Daniel Caribé]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Sep 2018 13:47:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=122012#comment-338128</guid>

					<description><![CDATA[Na verdade, se esperava que fossem as candidaturas de Alckmin e de Amoedo que desidratariam a de Bolsonaro. Apenas uma parcela pequena da esquerda levantou a possibilidade de Ciro ser o responsável pela eliminação de Bolsonaro do pleito. Citei essa possibilidade pois aqui é um site da esquerda, né? Queria mesmo chamar a atenção para o absurdo que seria esse cenário: o de um candidato de parcela da esquerda recebendo votos que antes eram de um protofascista. 

Esse cenário acaba de se tornar ainda mais curioso, pois Ciro acabou desidratando outra candidatura, a de PSOL. Migaram para Ciro os votos da esquerda ao PT que antes escolhia o PSOL, projetando para o partido a menor votação da sua recente história. É verdade, Ciro apontou para a esquerda para muito além do que eu esperava, mesmo com a ruralista Kátia Abreu de vice, mas daí terem abandonado por completo o PSOL... Essa foi, para mim, até agora, a grande surpresa dessas eleições.

Mas Ciro não desidratou a candidatura de Bolsonaro, pior: é o próprio Bolsonaro que desidrata a candidatura de Ciro. Os votos de Ciro não migrarão para Bolsonaro, isso é óbvio, mas graças ao crescimento do candidato protofascista, o medo de sua vitória levará muitos que antes votariam em Ciro a votarem no candidato petista. E assim, nesse roteiro surreal que é a escolha do futuro presidente, teremos um segundo turno com dois zumbis inviáveis: um quase-morto por uma facada e o segundo doando o seu espírito para um terceiro, que anda pelo país até imitando a voz do obsessor.

Quanto a Bolsonaro: quanto mais o vejo, mais ignorante ele me parece. Ele é realmente uma toupeira, uma anta, um jumento. A dúvida com que fico é: se fosse um candidato mais preparado, estaríamos definitivamente lascados e, portanto, temos que agradecer aos céus por ter nos enviado esse coiso? Ou somente esse coiso se conectaria à onda conservadora e ressentida que tomou parte do país, sendo Bolsonaro momentaneamente o seu melhor espelho? 

Ora, nenhuma das duas alternativas nos aliviaria, porque nem essa onda hidrófoba, nem um fascismo mais sofisticado seria um cenário “menos pior”. Qual dos dois lados nos será apresentado pós-eleições? Provavelmente uma articulação dos dois eixos, porque é da articulação de eixos que se forma um fascismo.

Por último, há algo que está sendo pouco comentado. Provavelmente desde a campanha do PT de 1989 que não se via no país uma militância tão aguerrida, cúmplice e apaixonada quanto a de Bolsonaro em 2018. Eles estão fazendo a campanha praticamente de forma artesanal e têm uma coesão assustadora. Hoje são inábeis, ignorantes, limitados, toscos, etc. Mas quem de nós não era quando começou a militar? Pois, esses garotos de masculinidade afetada crescerão, os trabalhadores que apoiam Bolsonaro também amadurecerão, muitos entre eles irão sofisticar os seus argumentos para além das fakes news e aprenderão a se organizar para além das redes sociais. Quem pensa que o embate findará com as eleições ou perpassará somente os próximos quatro anos é de um otimismo comovente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na verdade, se esperava que fossem as candidaturas de Alckmin e de Amoedo que desidratariam a de Bolsonaro. Apenas uma parcela pequena da esquerda levantou a possibilidade de Ciro ser o responsável pela eliminação de Bolsonaro do pleito. Citei essa possibilidade pois aqui é um site da esquerda, né? Queria mesmo chamar a atenção para o absurdo que seria esse cenário: o de um candidato de parcela da esquerda recebendo votos que antes eram de um protofascista. </p>
<p>Esse cenário acaba de se tornar ainda mais curioso, pois Ciro acabou desidratando outra candidatura, a de PSOL. Migaram para Ciro os votos da esquerda ao PT que antes escolhia o PSOL, projetando para o partido a menor votação da sua recente história. É verdade, Ciro apontou para a esquerda para muito além do que eu esperava, mesmo com a ruralista Kátia Abreu de vice, mas daí terem abandonado por completo o PSOL&#8230; Essa foi, para mim, até agora, a grande surpresa dessas eleições.</p>
<p>Mas Ciro não desidratou a candidatura de Bolsonaro, pior: é o próprio Bolsonaro que desidrata a candidatura de Ciro. Os votos de Ciro não migrarão para Bolsonaro, isso é óbvio, mas graças ao crescimento do candidato protofascista, o medo de sua vitória levará muitos que antes votariam em Ciro a votarem no candidato petista. E assim, nesse roteiro surreal que é a escolha do futuro presidente, teremos um segundo turno com dois zumbis inviáveis: um quase-morto por uma facada e o segundo doando o seu espírito para um terceiro, que anda pelo país até imitando a voz do obsessor.</p>
<p>Quanto a Bolsonaro: quanto mais o vejo, mais ignorante ele me parece. Ele é realmente uma toupeira, uma anta, um jumento. A dúvida com que fico é: se fosse um candidato mais preparado, estaríamos definitivamente lascados e, portanto, temos que agradecer aos céus por ter nos enviado esse coiso? Ou somente esse coiso se conectaria à onda conservadora e ressentida que tomou parte do país, sendo Bolsonaro momentaneamente o seu melhor espelho? </p>
<p>Ora, nenhuma das duas alternativas nos aliviaria, porque nem essa onda hidrófoba, nem um fascismo mais sofisticado seria um cenário “menos pior”. Qual dos dois lados nos será apresentado pós-eleições? Provavelmente uma articulação dos dois eixos, porque é da articulação de eixos que se forma um fascismo.</p>
<p>Por último, há algo que está sendo pouco comentado. Provavelmente desde a campanha do PT de 1989 que não se via no país uma militância tão aguerrida, cúmplice e apaixonada quanto a de Bolsonaro em 2018. Eles estão fazendo a campanha praticamente de forma artesanal e têm uma coesão assustadora. Hoje são inábeis, ignorantes, limitados, toscos, etc. Mas quem de nós não era quando começou a militar? Pois, esses garotos de masculinidade afetada crescerão, os trabalhadores que apoiam Bolsonaro também amadurecerão, muitos entre eles irão sofisticar os seus argumentos para além das fakes news e aprenderão a se organizar para além das redes sociais. Quem pensa que o embate findará com as eleições ou perpassará somente os próximos quatro anos é de um otimismo comovente.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Marcelo de Marchi Mazzoni		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/08/122012/#comment-338098</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo de Marchi Mazzoni]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Sep 2018 04:56:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=122012#comment-338098</guid>

					<description><![CDATA[Errata:
onde se lê
 Esta reflexão, com que chamo Rezende e Caribé para conversar, é de um elitismo...

leia-se:
Esta estratégia, chamo os amigos Rezende e Caribé para conversar sobre, é de um elitismo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Errata:<br />
onde se lê<br />
 Esta reflexão, com que chamo Rezende e Caribé para conversar, é de um elitismo&#8230;</p>
<p>leia-se:<br />
Esta estratégia, chamo os amigos Rezende e Caribé para conversar sobre, é de um elitismo&#8230;</p>
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