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	Comentários sobre: Comentários sobre o fascismo no Brasil	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Francisco Gonzaga		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/10/123326/#comment-1007589</link>

		<dc:creator><![CDATA[Francisco Gonzaga]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Mar 2025 21:58:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Apraz-me saber que minha consideração não foi de todo destituída de pertinência. No entanto, como se insinuou certa dose de irrelevância, senti-me instado a elucidar aquilo que, a meu ver, já se encontrava suficientemente manifesto.

João Bernardo encerrou seu artigo asseverando: &quot;(...) mais urgente é conhecer a actuação do presidente Duterte nas Filipinas, porque ele é uma versão aumentada de Bolsonaro — aumentada em truculência e em desmandos verbais. Serve de lupa. Se quiserem prever o que poderá ser uma presidência de Bolsonaro, olhem para o que é a presidência de Duterte.&quot;

Fagner Enrique, LL e Manolo igualmente teceram aqui observações acerca da figura de Duterte.

Para aqueles que quiserem saber da relevância global de sua prisão, confiram:

https://www.dw.com/en/duterte-on-flight-to-the-hague-after-arrest-on-icc-warrant/a-71883571

https://www.economist.com/asia/2025/03/11/the-global-importance-of-rodrigo-dutertes-arrest

O fato de Duterte ter sido cotejado com Bolsonaro — a meu ver, de maneira acurada — e, agora, ter sido encarcerado, deveria conduzir os leitores a uma inferência lógica, sobretudo quando se consideram os desdobramentos que têm envolvido a trajetória política do ex-presidente brasileiro. Sobre isso, vejam:

https://www.estadao.com.br/amp/politica/exercito-ja-discute-onde-bolsonaro-ficara-preso-se-for-condenado-e-se-preve-manifestantes-na-porta/

https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/politica/2025/03/se-condenado-bolsonaro-pode-perder-patente-diz-presidente-do-stm.amp.html

Outrossim, caso esse critério fosse aplicado com rigor, e não arbitrariamente, as intervenções de ulisses jamais encontrariam aqui espaço de publicação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apraz-me saber que minha consideração não foi de todo destituída de pertinência. No entanto, como se insinuou certa dose de irrelevância, senti-me instado a elucidar aquilo que, a meu ver, já se encontrava suficientemente manifesto.</p>
<p>João Bernardo encerrou seu artigo asseverando: &#8220;(&#8230;) mais urgente é conhecer a actuação do presidente Duterte nas Filipinas, porque ele é uma versão aumentada de Bolsonaro — aumentada em truculência e em desmandos verbais. Serve de lupa. Se quiserem prever o que poderá ser uma presidência de Bolsonaro, olhem para o que é a presidência de Duterte.&#8221;</p>
<p>Fagner Enrique, LL e Manolo igualmente teceram aqui observações acerca da figura de Duterte.</p>
<p>Para aqueles que quiserem saber da relevância global de sua prisão, confiram:</p>
<p><a href="https://www.dw.com/en/duterte-on-flight-to-the-hague-after-arrest-on-icc-warrant/a-71883571" rel="nofollow ugc">https://www.dw.com/en/duterte-on-flight-to-the-hague-after-arrest-on-icc-warrant/a-71883571</a></p>
<p><a href="https://www.economist.com/asia/2025/03/11/the-global-importance-of-rodrigo-dutertes-arrest" rel="nofollow ugc">https://www.economist.com/asia/2025/03/11/the-global-importance-of-rodrigo-dutertes-arrest</a></p>
<p>O fato de Duterte ter sido cotejado com Bolsonaro — a meu ver, de maneira acurada — e, agora, ter sido encarcerado, deveria conduzir os leitores a uma inferência lógica, sobretudo quando se consideram os desdobramentos que têm envolvido a trajetória política do ex-presidente brasileiro. Sobre isso, vejam:</p>
<p><a href="https://www.estadao.com.br/amp/politica/exercito-ja-discute-onde-bolsonaro-ficara-preso-se-for-condenado-e-se-preve-manifestantes-na-porta/" rel="nofollow ugc">https://www.estadao.com.br/amp/politica/exercito-ja-discute-onde-bolsonaro-ficara-preso-se-for-condenado-e-se-preve-manifestantes-na-porta/</a></p>
<p><a href="https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/politica/2025/03/se-condenado-bolsonaro-pode-perder-patente-diz-presidente-do-stm.amp.html" rel="nofollow ugc">https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/politica/2025/03/se-condenado-bolsonaro-pode-perder-patente-diz-presidente-do-stm.amp.html</a></p>
<p>Outrossim, caso esse critério fosse aplicado com rigor, e não arbitrariamente, as intervenções de ulisses jamais encontrariam aqui espaço de publicação.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Passa Palavra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/10/123326/#comment-1007203</link>

		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Mar 2025 17:27:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O Passa Palavra recorda aos leitores que uma das condições para a aceitação de comentários é que «não sejam completamente irrelevantes».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Passa Palavra recorda aos leitores que uma das condições para a aceitação de comentários é que «não sejam completamente irrelevantes».</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Francisco Gonzaga		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/10/123326/#comment-1006994</link>

		<dc:creator><![CDATA[Francisco Gonzaga]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Mar 2025 21:54:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Hoje, foi preso Rodrigo Duterte.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr52z21q64mo.amp]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, foi preso Rodrigo Duterte.</p>
<p><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr52z21q64mo.amp" rel="nofollow ugc">https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr52z21q64mo.amp</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/10/123326/#comment-379359</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2019 16:12:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E se a &quot;esquerda&quot; tivesse simplesmente perdido a famosa &quot;batalha das ideias&quot;?
haveria muitas razões para isso ...
Talvez seja por isso que ela não pode fazer nada neste terreno.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E se a &#8220;esquerda&#8221; tivesse simplesmente perdido a famosa &#8220;batalha das ideias&#8221;?<br />
haveria muitas razões para isso &#8230;<br />
Talvez seja por isso que ela não pode fazer nada neste terreno.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/10/123326/#comment-379294</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2019 10:22:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Houve uma época em que a esquerda se orgulhava de desprezar os compromissos e os consensos e dava a primazia às questões ideológicas, sacrificando-lhes os interesses económicos imediatos. Orgulhava-se sobretudo de defender ideologias contrárias aos lugares-comuns aceites como verdades. Em suma, a esquerda orgulhava-se de falar claramente e de remar contra a maré. Hoje, porém, é um novo tipo de regimes políticos, que juntam a extrema-direita radical com o fascismo ou o neofascismo, quem coloca a ideologia em primeiro lugar, muitas vezes em detrimento do pragmatismo económico, e rejeita os consensos, alterando as regras do jogo institucional. Pronunciando-se abertamente, quando não provocatoriamente, contra o politicamente correcto, este novo tipo de regimes passou a ocupar, em detrimento da esquerda, o primeiro plano no confronto ideológico. É o que sucede nos Estados Unidos, no Brasil e em Itália com governos — note-se bem — resultantes do voto popular. Os políticos deste novo tipo de regimes fazem declarações públicas sem metáforas nem receios, enquanto a esquerda se desespera por eles não aplicarem o pragmatismo nem se dedicarem ao compromisso. Esta esquerda ou invoca agora mitos moralistas e supra-classistas, quer os da cidadania quer os das identidades, ou mostra-se receosa de se afirmar ideologicamente e até mesmo se pretende desideologizada. É urgente iniciar uma época em que de novo seja a esquerda, e não a direita nem os fascistas, a incomodar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Houve uma época em que a esquerda se orgulhava de desprezar os compromissos e os consensos e dava a primazia às questões ideológicas, sacrificando-lhes os interesses económicos imediatos. Orgulhava-se sobretudo de defender ideologias contrárias aos lugares-comuns aceites como verdades. Em suma, a esquerda orgulhava-se de falar claramente e de remar contra a maré. Hoje, porém, é um novo tipo de regimes políticos, que juntam a extrema-direita radical com o fascismo ou o neofascismo, quem coloca a ideologia em primeiro lugar, muitas vezes em detrimento do pragmatismo económico, e rejeita os consensos, alterando as regras do jogo institucional. Pronunciando-se abertamente, quando não provocatoriamente, contra o politicamente correcto, este novo tipo de regimes passou a ocupar, em detrimento da esquerda, o primeiro plano no confronto ideológico. É o que sucede nos Estados Unidos, no Brasil e em Itália com governos — note-se bem — resultantes do voto popular. Os políticos deste novo tipo de regimes fazem declarações públicas sem metáforas nem receios, enquanto a esquerda se desespera por eles não aplicarem o pragmatismo nem se dedicarem ao compromisso. Esta esquerda ou invoca agora mitos moralistas e supra-classistas, quer os da cidadania quer os das identidades, ou mostra-se receosa de se afirmar ideologicamente e até mesmo se pretende desideologizada. É urgente iniciar uma época em que de novo seja a esquerda, e não a direita nem os fascistas, a incomodar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/10/123326/#comment-370429</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Dec 2018 12:16:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Querido João

Vejo aqui respostas até para coisas que comentei agora mesmo em outro artigo seu. (!)

Acredito que a reconstrução da esquerda anticapitalista tenha que combater essas ideias amplamente disseminadas quanto a sobreposição de uma raça contra outra, etnia contra outra. Analisando as coisas globalmente, os movimentos identitários favorecem as condições de desenvolvimento do capitalismo e aproximam oprimidos das ideologias vinculadas à sua lógica. 
Talvez o maior problema da &#039;&#039;esquerda&#039;&#039; seja sua capacidade de se fragmentar internamente, quando cada ala defende sua posição em detrimento de outras possíveis, e o capital continua se globalizando e ampliando suas esferas de poder e captura. Mas essa crítica de certa forma pode isolar, também, a esquerda anticapitalista. O que talvez seja natural.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido João</p>
<p>Vejo aqui respostas até para coisas que comentei agora mesmo em outro artigo seu. (!)</p>
<p>Acredito que a reconstrução da esquerda anticapitalista tenha que combater essas ideias amplamente disseminadas quanto a sobreposição de uma raça contra outra, etnia contra outra. Analisando as coisas globalmente, os movimentos identitários favorecem as condições de desenvolvimento do capitalismo e aproximam oprimidos das ideologias vinculadas à sua lógica.<br />
Talvez o maior problema da &#8221;esquerda&#8221; seja sua capacidade de se fragmentar internamente, quando cada ala defende sua posição em detrimento de outras possíveis, e o capital continua se globalizando e ampliando suas esferas de poder e captura. Mas essa crítica de certa forma pode isolar, também, a esquerda anticapitalista. O que talvez seja natural.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/10/123326/#comment-369614</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Dec 2018 22:24:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Gabriel,

A nossa conversa está a andar em círculo. Eu não pretendo convencer, nem a si nem a ninguém. Pretendo apenas exprimir-me claramente e ser entendido. De resto, cada um faça o que quiser com as ideias que defendo.

1) Qualquer análise histórica séria mostra que as desigualdades de cor da pele, de sexo, ou de preferências sexuais não são inerentes ao capitalismo nem são uma condição estrutural do capitalismo. Pelo contrário, o capitalismo arremeteu desde início contra essas desigualdades e só se desenvolve eliminando essas desigualdades. Dois autores alemães afirmaram isto mesmo num pequeno Manifesto que publicaram nos meados do século XIX. Discordo de algumas teses desses autores, mas concordo inteiramente com aquela visão da dinâmica do capitalismo.

2) As clivagens de carácter nacional ou sexual ou de cor da pele têm-se agravado quando o capitalismo não consegue desenvolver-se, não quando ele se desenvolve. Dito de outra forma, o fascismo nunca criou raízes nos países e nas épocas em que os ciclos de mais-valia relativa se reproduziam e ampliavam.

3) Desde o final da segunda guerra mundial que nas economias desenvolvidas o capitalismo tem minado os fundamentos do velho nacionalismo. Aquilo que hoje se apresenta como nacionalismo na União Europeia e nos Estados Unidos é já outra coisa, é simplesmente uma atitude anti-imigrante. Ou seja, é uma luta das camadas da classe trabalhadora que estão numa situação mais precária contra aqueles imigrantes que lhes podem fazer concorrência no mercado de trabalho. E se alguns sectores do capitalismo — representados, por exemplo, por Trump nos Estados Unidos ou por Salvini na Itália ou por Theresa May no Reino Unido — encabeçam a reacção contra os imigrantes, isto revela o declínio dessas economias e as dificuldades que enfrentam. Os políticos que representam um capitalismo em desenvolvimento — e a chanceler Merkel é o melhor exemplo — posicionam-se activamente em defesa da imigração.

4) Nas últimas décadas a transnacionalização da economia, com a globalização do mercado de trabalho e a tendência à homogeneização cultural, minou os fundamentos do velho nacionalismo e foi neste contexto que surgiram os identitarismos.

5) É falso o que você escreve, que «há muitos movimentos [identitários] que têm, pelo menos enquanto base, uma ideologia de ”igualdade” e dos conceitos mais essenciais quanto ao fim da opressão». Pelo contrário, a base de todos os movimentos identitários é uma ideologia de desigualdade. Cada movimento identitário pretende afirmar a sua superioridade não só sobre as pessoas comuns mas igualmente sobre os restantes movimentos identitários. São movimentos exclusivistas e fragmentadores. Estes dois aspectos, que eram os mais nocivos do velho nacionalismo, caracterizam agora todos os movimentos identitários.

6) O facto de os movimentos identitários serem exclusivistas e fragmentadores e pretenderem afirmar a sua superioridade sobre todas as outras pessoas faz com que desde início surjam como novas hierarquias. Os identitarismos constituem movimentos de promoção de novas elites.

7) O facto de os movimentos identitários serem exclusivistas e fragmentadores faz com que, em vez de contribuírem para eliminar ou sequer para atenuar o racismo e os preconceitos sexuais, pelo contrário, acentuem as diferenças e as clivagens. Os identitarismos não pretendem eliminar as divisões. Pretendem apenas inverter a hierarquia dessas divisões.

8) A eliminação do racismo e dos preconceitos sexuais só se obterá quando as cores da pele ou as divisões de sexo ou as preferências sexuais deixarem de servir de critério para definição de identidades e, pelo contrário, perderem a pertinência. Aquilo que os identitarismos tomam como base deixará de ser considerado relevante.

9) Mas esta transformação é tanto mais difícil quanto os movimentos identitários tomaram o lugar antes ocupado pela esquerda. Por isso a reconstrução de uma esquerda anticapitalista exige o combate ao identitarismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gabriel,</p>
<p>A nossa conversa está a andar em círculo. Eu não pretendo convencer, nem a si nem a ninguém. Pretendo apenas exprimir-me claramente e ser entendido. De resto, cada um faça o que quiser com as ideias que defendo.</p>
<p>1) Qualquer análise histórica séria mostra que as desigualdades de cor da pele, de sexo, ou de preferências sexuais não são inerentes ao capitalismo nem são uma condição estrutural do capitalismo. Pelo contrário, o capitalismo arremeteu desde início contra essas desigualdades e só se desenvolve eliminando essas desigualdades. Dois autores alemães afirmaram isto mesmo num pequeno Manifesto que publicaram nos meados do século XIX. Discordo de algumas teses desses autores, mas concordo inteiramente com aquela visão da dinâmica do capitalismo.</p>
<p>2) As clivagens de carácter nacional ou sexual ou de cor da pele têm-se agravado quando o capitalismo não consegue desenvolver-se, não quando ele se desenvolve. Dito de outra forma, o fascismo nunca criou raízes nos países e nas épocas em que os ciclos de mais-valia relativa se reproduziam e ampliavam.</p>
<p>3) Desde o final da segunda guerra mundial que nas economias desenvolvidas o capitalismo tem minado os fundamentos do velho nacionalismo. Aquilo que hoje se apresenta como nacionalismo na União Europeia e nos Estados Unidos é já outra coisa, é simplesmente uma atitude anti-imigrante. Ou seja, é uma luta das camadas da classe trabalhadora que estão numa situação mais precária contra aqueles imigrantes que lhes podem fazer concorrência no mercado de trabalho. E se alguns sectores do capitalismo — representados, por exemplo, por Trump nos Estados Unidos ou por Salvini na Itália ou por Theresa May no Reino Unido — encabeçam a reacção contra os imigrantes, isto revela o declínio dessas economias e as dificuldades que enfrentam. Os políticos que representam um capitalismo em desenvolvimento — e a chanceler Merkel é o melhor exemplo — posicionam-se activamente em defesa da imigração.</p>
<p>4) Nas últimas décadas a transnacionalização da economia, com a globalização do mercado de trabalho e a tendência à homogeneização cultural, minou os fundamentos do velho nacionalismo e foi neste contexto que surgiram os identitarismos.</p>
<p>5) É falso o que você escreve, que «há muitos movimentos [identitários] que têm, pelo menos enquanto base, uma ideologia de ”igualdade” e dos conceitos mais essenciais quanto ao fim da opressão». Pelo contrário, a base de todos os movimentos identitários é uma ideologia de desigualdade. Cada movimento identitário pretende afirmar a sua superioridade não só sobre as pessoas comuns mas igualmente sobre os restantes movimentos identitários. São movimentos exclusivistas e fragmentadores. Estes dois aspectos, que eram os mais nocivos do velho nacionalismo, caracterizam agora todos os movimentos identitários.</p>
<p>6) O facto de os movimentos identitários serem exclusivistas e fragmentadores e pretenderem afirmar a sua superioridade sobre todas as outras pessoas faz com que desde início surjam como novas hierarquias. Os identitarismos constituem movimentos de promoção de novas elites.</p>
<p>7) O facto de os movimentos identitários serem exclusivistas e fragmentadores faz com que, em vez de contribuírem para eliminar ou sequer para atenuar o racismo e os preconceitos sexuais, pelo contrário, acentuem as diferenças e as clivagens. Os identitarismos não pretendem eliminar as divisões. Pretendem apenas inverter a hierarquia dessas divisões.</p>
<p>8) A eliminação do racismo e dos preconceitos sexuais só se obterá quando as cores da pele ou as divisões de sexo ou as preferências sexuais deixarem de servir de critério para definição de identidades e, pelo contrário, perderem a pertinência. Aquilo que os identitarismos tomam como base deixará de ser considerado relevante.</p>
<p>9) Mas esta transformação é tanto mais difícil quanto os movimentos identitários tomaram o lugar antes ocupado pela esquerda. Por isso a reconstrução de uma esquerda anticapitalista exige o combate ao identitarismo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/10/123326/#comment-368370</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Dec 2018 15:53:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Querido João, peço desculpas pelo aluguel que faço do seu tempo nessa troca de comentários!

Se a forma que assumiu o desenvolvimento capitalista envolvem a opressão de diferentes trabalhadores entre si (mulher, negro, gay, etc), e isso determina todo um modo de relações sociais.. por que não poderíamos pensar que a superação dessas formas de opressão e desigualdade através da ação desses oprimidos levaria a mudanças estruturais no sistema? Se o capitalismo foi criado incluindo essas formas de opressão nas suas bases, rompê-as poderia significar romper o próprio capitalismo (tomando emprestado aqui argumentos que aprendi com pessoas dos movimentos identitários). Não acho que implicaria no fim do sistema, pois teria de ser necessário um movimento de classe conjunto com o identitário e isso nem sempre ocorre mas, ainda assim, por que não pensar que isso poderia ser uma mudança estrutural? Quando se fala mesmo nas ações de mulheres ou negros, por exemplo, que reproduzem as mesmas atitudes de opressão, ou as inversas à forma hegemônica, ainda assim estamos falando da reprodução de conceitos dominantes, não se trata de uma mulher ou negro, dentro de um órgão de poder, mas de uma pessoa assim e que seja ao mesmo tempo defensor(a) das ideologias contra-hegemônicas. Pouco importa que um operário se torne presidente se está atuando numa estrutura dominante e sob a noção dominante, mas não quer dizer que isso, ainda assim, não possa elevar a condição de vida geral dos operários por conta do viés que alguém assim, dentro de órgãos diretivos, pode empregar. Sinto como se houvesse um certo problema ao personificar as atitudes que ocorrem em maior ou menor grau como se fossem elas o ideal dos movimentos. Mas ao mesmo tempo a luta, na prática, que é feita no dia dia, é feita por pessoas, e visam resultados. Já que a construção de um espaço social que seja hegemonicamente contra as opressões depende de um processo contínuo, longo, incerto, acabam se voltando muitas vezes para resultados mais &#039;&#039;práticos&#039;&#039; como acesso, etc; como fazer a crítica a esse movimento sem parecer meramente uma desqualificação da causa?
Assim como pensar que os operários, ao romperem sua relação de dominação, poderiam acabar com o sistema. Há uma relação de opressão clara e há o interesse em rompê-la mas, ainda assim, o proletariado pode, e o faz sempre, travar lutas contra essa dominação que não necessariamente rompem o sistema, enfim, como falamos, esses movimentos contra as opressões são sutis e vão e vem num movimento contínuo, o que estou tentando é um esforço pra entender a real diferença entre o &#039;&#039;movimento operário&#039;&#039; e os identitarismos. Mesmo porque a luta operária também se corrói, se dilui, é cooptada, etc.
Se os movimentos identitários apresentam formas de agir que bebem da fonte do fascismo, essas formas devem ser combatidas mas há muitos movimentos que tem, pelo menos enquanto base, uma ideologia de &#039;&#039;igualdade&#039;&#039; e dos conceitos mais essenciais quanto ao fim da opressão. Apesar da essência, esses conceitos podem ser nocivos mesmo ao capital e por isso, talvez, a forma que aparece mais, a forma de difusão de massa dessas ideologias acaba ficando apenas no campo da representação ou do reforço à diferença, e não a difusão dos ideais de igualdade. 
Mesmo nas questões de representatividade, ainda que dentro da ordem, há ganhos positivos. O próprio movimento operário no seu começo lutava pelo sufrágio para toda a população (masculina), participação nas campos de decisão dos governos e etc, o que seria isso, se não representatividade?
O que é a ação da parte do proletário que &#039;&#039;reprime&#039;&#039; o &#039;&#039;playboy&#039;&#039;, não da validade para o que fala por ser &#039;&#039;patrão&#039;&#039; ou por ser &#039;&#039;rico&#039;&#039; etc, se não é um movimento semelhante ao discriminatório promovido por parte dos identitarismos? A sensação de injustiça que leva à vontade de punição, as reivindicações por melhores condições e salários que pode aparecer, no geral, apenas como &#039;&#039;busca por privilégios&#039;&#039; dentro de cada categoria de trabalhador... Isso me faz lembrar, apesar de ter consciência de que escrevi de forma confusa, de quando você fala sobre a forma como o fascismo ganha força justamente da desagregação da classe trabalhadora.

Enfim, tento aqui ir mais a fundo e perceber com clareza a diferença nessas concepções e se há crítica aos identitarismos (e há), como direcioná-la de forma mais precisa. Mais uma vez, desculpas por alugar o seu tempo e não pagar por isso!!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido João, peço desculpas pelo aluguel que faço do seu tempo nessa troca de comentários!</p>
<p>Se a forma que assumiu o desenvolvimento capitalista envolvem a opressão de diferentes trabalhadores entre si (mulher, negro, gay, etc), e isso determina todo um modo de relações sociais.. por que não poderíamos pensar que a superação dessas formas de opressão e desigualdade através da ação desses oprimidos levaria a mudanças estruturais no sistema? Se o capitalismo foi criado incluindo essas formas de opressão nas suas bases, rompê-as poderia significar romper o próprio capitalismo (tomando emprestado aqui argumentos que aprendi com pessoas dos movimentos identitários). Não acho que implicaria no fim do sistema, pois teria de ser necessário um movimento de classe conjunto com o identitário e isso nem sempre ocorre mas, ainda assim, por que não pensar que isso poderia ser uma mudança estrutural? Quando se fala mesmo nas ações de mulheres ou negros, por exemplo, que reproduzem as mesmas atitudes de opressão, ou as inversas à forma hegemônica, ainda assim estamos falando da reprodução de conceitos dominantes, não se trata de uma mulher ou negro, dentro de um órgão de poder, mas de uma pessoa assim e que seja ao mesmo tempo defensor(a) das ideologias contra-hegemônicas. Pouco importa que um operário se torne presidente se está atuando numa estrutura dominante e sob a noção dominante, mas não quer dizer que isso, ainda assim, não possa elevar a condição de vida geral dos operários por conta do viés que alguém assim, dentro de órgãos diretivos, pode empregar. Sinto como se houvesse um certo problema ao personificar as atitudes que ocorrem em maior ou menor grau como se fossem elas o ideal dos movimentos. Mas ao mesmo tempo a luta, na prática, que é feita no dia dia, é feita por pessoas, e visam resultados. Já que a construção de um espaço social que seja hegemonicamente contra as opressões depende de um processo contínuo, longo, incerto, acabam se voltando muitas vezes para resultados mais &#8221;práticos&#8221; como acesso, etc; como fazer a crítica a esse movimento sem parecer meramente uma desqualificação da causa?<br />
Assim como pensar que os operários, ao romperem sua relação de dominação, poderiam acabar com o sistema. Há uma relação de opressão clara e há o interesse em rompê-la mas, ainda assim, o proletariado pode, e o faz sempre, travar lutas contra essa dominação que não necessariamente rompem o sistema, enfim, como falamos, esses movimentos contra as opressões são sutis e vão e vem num movimento contínuo, o que estou tentando é um esforço pra entender a real diferença entre o &#8221;movimento operário&#8221; e os identitarismos. Mesmo porque a luta operária também se corrói, se dilui, é cooptada, etc.<br />
Se os movimentos identitários apresentam formas de agir que bebem da fonte do fascismo, essas formas devem ser combatidas mas há muitos movimentos que tem, pelo menos enquanto base, uma ideologia de &#8221;igualdade&#8221; e dos conceitos mais essenciais quanto ao fim da opressão. Apesar da essência, esses conceitos podem ser nocivos mesmo ao capital e por isso, talvez, a forma que aparece mais, a forma de difusão de massa dessas ideologias acaba ficando apenas no campo da representação ou do reforço à diferença, e não a difusão dos ideais de igualdade.<br />
Mesmo nas questões de representatividade, ainda que dentro da ordem, há ganhos positivos. O próprio movimento operário no seu começo lutava pelo sufrágio para toda a população (masculina), participação nas campos de decisão dos governos e etc, o que seria isso, se não representatividade?<br />
O que é a ação da parte do proletário que &#8221;reprime&#8221; o &#8221;playboy&#8221;, não da validade para o que fala por ser &#8221;patrão&#8221; ou por ser &#8221;rico&#8221; etc, se não é um movimento semelhante ao discriminatório promovido por parte dos identitarismos? A sensação de injustiça que leva à vontade de punição, as reivindicações por melhores condições e salários que pode aparecer, no geral, apenas como &#8221;busca por privilégios&#8221; dentro de cada categoria de trabalhador&#8230; Isso me faz lembrar, apesar de ter consciência de que escrevi de forma confusa, de quando você fala sobre a forma como o fascismo ganha força justamente da desagregação da classe trabalhadora.</p>
<p>Enfim, tento aqui ir mais a fundo e perceber com clareza a diferença nessas concepções e se há crítica aos identitarismos (e há), como direcioná-la de forma mais precisa. Mais uma vez, desculpas por alugar o seu tempo e não pagar por isso!!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/10/123326/#comment-366262</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Dec 2018 22:26:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=123326#comment-366262</guid>

					<description><![CDATA[Caro Gabriel,

A realidade é abundante em linhas ténues, em nuances. Por isso é necessária a ciência e, na luta política, a discussão teórica, para descobrirmos as rupturas sob as continuidades.

Você afirma também: «me parece que a coisa fica meio vaga com isso de os trabalhadores “se organizarem por si mesmos” e etc. e tal». Ora, eu pude participar num processo revolucionário que durou um ano e meio, ou mais ainda em algumas das suas consequências e ramificações, e a organização dos trabalhadores por si mesmos não era nada vaga, era um facto concreto. Foi um facto concreto também noutros lugares e noutras épocas. Tal como é um facto concreto hoje, no dia a dia, em pequenos âmbitos, de maneira discreta, tão discreta que os poderosos nem dão por ela. As palavras são sons e letras, não podem ser outra coisa, é o destino delas. Mas evocam realidades. E se, na esmagadora maioria, a história é escrita pelos vencedores, isto não significa que os vencidos não existam e não deixem traços. Cabe procurá-los.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gabriel,</p>
<p>A realidade é abundante em linhas ténues, em nuances. Por isso é necessária a ciência e, na luta política, a discussão teórica, para descobrirmos as rupturas sob as continuidades.</p>
<p>Você afirma também: «me parece que a coisa fica meio vaga com isso de os trabalhadores “se organizarem por si mesmos” e etc. e tal». Ora, eu pude participar num processo revolucionário que durou um ano e meio, ou mais ainda em algumas das suas consequências e ramificações, e a organização dos trabalhadores por si mesmos não era nada vaga, era um facto concreto. Foi um facto concreto também noutros lugares e noutras épocas. Tal como é um facto concreto hoje, no dia a dia, em pequenos âmbitos, de maneira discreta, tão discreta que os poderosos nem dão por ela. As palavras são sons e letras, não podem ser outra coisa, é o destino delas. Mas evocam realidades. E se, na esmagadora maioria, a história é escrita pelos vencedores, isto não significa que os vencidos não existam e não deixem traços. Cabe procurá-los.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/10/123326/#comment-366138</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Dec 2018 16:30:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=123326#comment-366138</guid>

					<description><![CDATA[Querido João

Fácil por parte desses profetas anunciar sempre o fim definitivo do capitalismo, né

Eu sou crítico aos identitarismos quando assumem a forma autoritária que você bem descreve, e também quando não assumem o conflito de classes conjuntamente as suas lutas pelo fim de diferentes formas de opressão. Mas ao mesmo tempo é uma linha tênue pois, como apontar a crítica sem parecer criticar todo o movimento? Os marxistas são ótimos fazendo críticas e essas podem ser apropriadas pelos reacionários de sempre para deslegitimar as lutas.. e isso trazido para o campo prático também é danoso, principalmente se considerarmos que há pessoas nos N movimentos que de fato não querem o fim do capitalismo, mas sua luta, ainda que dentro da ordem, pode ser que ajude a levar acesso a (renda, escolaridade, etc) uma condição de vida melhor e seria arrogância demais criticar esse tipo de ascensão, talvez.
Concordo que as diferenciações fragmentam a classe. Enquanto o capital cada vez mais se torna global, as lutas cada vez mais se tornam micro-focadas e ultra relativizadas, essa realmente deve ser a maior crítica que temos.

Quanto às formas de luta e organização, esse tema me é bastante complexo visto que qualquer movimento estaria de certa forma inserido no capital (meios de comunicação para de se organizar? locomoção? subsistência??), e me parece que a coisa fica meio vaga com isso de os trabalhadores &#039;&#039;se organizarem por si mesmos&#039;&#039; e etc e tal...mesmo porque sem um sentido forte de classe provavelmente vão ser cooptados para dentro da ordem mais hora menos hora. Enfim, parece que às vezes somos tão críticos que basicamente não há o que se fazer, e tudo que está sendo feito está errado, e devemos esperar que os trabalhadores resolvam buscar &#039;&#039;formas alternativas&#039;&#039; de se organizar..]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido João</p>
<p>Fácil por parte desses profetas anunciar sempre o fim definitivo do capitalismo, né</p>
<p>Eu sou crítico aos identitarismos quando assumem a forma autoritária que você bem descreve, e também quando não assumem o conflito de classes conjuntamente as suas lutas pelo fim de diferentes formas de opressão. Mas ao mesmo tempo é uma linha tênue pois, como apontar a crítica sem parecer criticar todo o movimento? Os marxistas são ótimos fazendo críticas e essas podem ser apropriadas pelos reacionários de sempre para deslegitimar as lutas.. e isso trazido para o campo prático também é danoso, principalmente se considerarmos que há pessoas nos N movimentos que de fato não querem o fim do capitalismo, mas sua luta, ainda que dentro da ordem, pode ser que ajude a levar acesso a (renda, escolaridade, etc) uma condição de vida melhor e seria arrogância demais criticar esse tipo de ascensão, talvez.<br />
Concordo que as diferenciações fragmentam a classe. Enquanto o capital cada vez mais se torna global, as lutas cada vez mais se tornam micro-focadas e ultra relativizadas, essa realmente deve ser a maior crítica que temos.</p>
<p>Quanto às formas de luta e organização, esse tema me é bastante complexo visto que qualquer movimento estaria de certa forma inserido no capital (meios de comunicação para de se organizar? locomoção? subsistência??), e me parece que a coisa fica meio vaga com isso de os trabalhadores &#8221;se organizarem por si mesmos&#8221; e etc e tal&#8230;mesmo porque sem um sentido forte de classe provavelmente vão ser cooptados para dentro da ordem mais hora menos hora. Enfim, parece que às vezes somos tão críticos que basicamente não há o que se fazer, e tudo que está sendo feito está errado, e devemos esperar que os trabalhadores resolvam buscar &#8221;formas alternativas&#8221; de se organizar..</p>
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