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	Comentários sobre: O &#8220;golpe&#8221; de 2016, Edward Luttwak e a teoria do golpe de Estado	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Zé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123826/#comment-380737</link>

		<dc:creator><![CDATA[Zé]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2019 19:57:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Depois que Manolo escreveu este artigo que não deixou pedra sobre pedra da ideologia do &quot;golpe parlamentar/judiciário/midiático&quot;, o nível da polêmica e dos questionamentos ao autor desceu abruptamente. O que antes era um esforço para legitimar que setores identificados como autonomistas/anarquistas/comunistas revolucionários continuassem sob a hegemonia da social-democracia petista - e abdicassem do hercúleo esforço de abrir um terceiro campo político no Brasil -, descambou para questões de pouca valia para as lutas do presente. Senti que as coisas iam dar nessa esterilidade absoluta quando, em um dos comentários, o ex-presidente Fernando Collor passou a ser um golpeado, segundo o novo enquadramento dado pelos ideólogos do tal &quot;golpe parlamentar/judiciário/midiático&quot;.
Tirado todo o entulho ideológico, sobrou apenas que o  termo Golpe de Estado apenas pode ser usado se incluir violência (prisões, assassinatos), ilegalidade (em relação ao ordenamento jurídico em vigor) e surpresa (antecipação e anulação de qualquer oposição/resistência).
Livres dessa armadilha gestorial, sigamos em frente que o caminho é longo e a caminhada é dura.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois que Manolo escreveu este artigo que não deixou pedra sobre pedra da ideologia do &#8220;golpe parlamentar/judiciário/midiático&#8221;, o nível da polêmica e dos questionamentos ao autor desceu abruptamente. O que antes era um esforço para legitimar que setores identificados como autonomistas/anarquistas/comunistas revolucionários continuassem sob a hegemonia da social-democracia petista &#8211; e abdicassem do hercúleo esforço de abrir um terceiro campo político no Brasil -, descambou para questões de pouca valia para as lutas do presente. Senti que as coisas iam dar nessa esterilidade absoluta quando, em um dos comentários, o ex-presidente Fernando Collor passou a ser um golpeado, segundo o novo enquadramento dado pelos ideólogos do tal &#8220;golpe parlamentar/judiciário/midiático&#8221;.<br />
Tirado todo o entulho ideológico, sobrou apenas que o  termo Golpe de Estado apenas pode ser usado se incluir violência (prisões, assassinatos), ilegalidade (em relação ao ordenamento jurídico em vigor) e surpresa (antecipação e anulação de qualquer oposição/resistência).<br />
Livres dessa armadilha gestorial, sigamos em frente que o caminho é longo e a caminhada é dura.</p>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123826/#comment-380460</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Jan 2019 16:14:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[SUGESTÃO DE LEITURA ou como aprender ERÍSTICA, com quem é do ramo:  
http://lelivros.love/book/download-38-estrategias-para-vencer-qualquer-debate-a-arte-de-ter-razao-arthur-schopenhauer-em-epub-mobi-e-pdf/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>SUGESTÃO DE LEITURA ou como aprender ERÍSTICA, com quem é do ramo:<br />
<a href="http://lelivros.love/book/download-38-estrategias-para-vencer-qualquer-debate-a-arte-de-ter-razao-arthur-schopenhauer-em-epub-mobi-e-pdf/" rel="nofollow ugc">http://lelivros.love/book/download-38-estrategias-para-vencer-qualquer-debate-a-arte-de-ter-razao-arthur-schopenhauer-em-epub-mobi-e-pdf/</a></p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123826/#comment-380454</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Jan 2019 14:39:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A ingenuidade agora é tão grande que não consegue perceber algo que vá além dos termos mais rasos e imediatos do debate.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ingenuidade agora é tão grande que não consegue perceber algo que vá além dos termos mais rasos e imediatos do debate.</p>
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		<title>
		Por: Julio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123826/#comment-380451</link>

		<dc:creator><![CDATA[Julio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Jan 2019 13:49:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Agora você simplesmente mudou o foco do que estávamos debatendo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agora você simplesmente mudou o foco do que estávamos debatendo.</p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123826/#comment-380306</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jan 2019 17:56:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mais ingenuidade: não perceber como a palavra-de-ordem &quot;contra o golpe&quot; foi e tem sido usada entre a esquerda nos últimos 15 anos. Isto se evidencia quando, mais uma vez, não se percebe como são justamente a velocidade e a surpresa, combinados com a quebra da &quot;ordem política&quot; formal, o que define um golpe de Estado; do contrário, toda e qualquer política oposicionista em busca da tomada do poder deveria ser considerada golpista. Mas enfim, cada qual que fique com &quot;sua&quot; verdade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais ingenuidade: não perceber como a palavra-de-ordem &#8220;contra o golpe&#8221; foi e tem sido usada entre a esquerda nos últimos 15 anos. Isto se evidencia quando, mais uma vez, não se percebe como são justamente a velocidade e a surpresa, combinados com a quebra da &#8220;ordem política&#8221; formal, o que define um golpe de Estado; do contrário, toda e qualquer política oposicionista em busca da tomada do poder deveria ser considerada golpista. Mas enfim, cada qual que fique com &#8220;sua&#8221; verdade.</p>
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		<title>
		Por: Julio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123826/#comment-380288</link>

		<dc:creator><![CDATA[Julio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jan 2019 15:39:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Agora estamos mais acordados: justamente porque acho inútil a discussão da legitimidade do governo, acho inútil discutir se houve um golpe ou não, em termos conceituais. De forma alguma essa análise me parece produtiva de forma a nos tornar capazes de evitar um próximo evento parecido.
Quanto à Política ser conflito de interesses, estamos de acordo, e quanto ao direito ser somente forma, também; contudo, para analisar qualquer evento político, especialmente o impeachment, não basta afirmar isso se quisermos entender o que ocorreu: é uma afirmação correta, porém demasiado vaga.
E negar o &quot;ao longo de 2 anos&quot; por serem &quot;disputas normais&quot; não faz sentido: justamente essas disputas normais, que o PT perdeu, são o que compõem o processo chamado de Golpe (e de impeachment). Se é normal ou não, é irrelevante: é o que se deu e é a concatenação de atos que conduziram o processo - este que é político e se dá também juridicamente (tão óbvio que não cabe discutir).
As categorias que coloquei para análise, ao meu ver, não são refutadas pelas suas razões que constatam falácias, mas claramente não as &quot;desmascaram&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agora estamos mais acordados: justamente porque acho inútil a discussão da legitimidade do governo, acho inútil discutir se houve um golpe ou não, em termos conceituais. De forma alguma essa análise me parece produtiva de forma a nos tornar capazes de evitar um próximo evento parecido.<br />
Quanto à Política ser conflito de interesses, estamos de acordo, e quanto ao direito ser somente forma, também; contudo, para analisar qualquer evento político, especialmente o impeachment, não basta afirmar isso se quisermos entender o que ocorreu: é uma afirmação correta, porém demasiado vaga.<br />
E negar o &#8220;ao longo de 2 anos&#8221; por serem &#8220;disputas normais&#8221; não faz sentido: justamente essas disputas normais, que o PT perdeu, são o que compõem o processo chamado de Golpe (e de impeachment). Se é normal ou não, é irrelevante: é o que se deu e é a concatenação de atos que conduziram o processo &#8211; este que é político e se dá também juridicamente (tão óbvio que não cabe discutir).<br />
As categorias que coloquei para análise, ao meu ver, não são refutadas pelas suas razões que constatam falácias, mas claramente não as &#8220;desmascaram&#8221;.</p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123826/#comment-379911</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Jan 2019 21:04:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Agora, a falácia das falsas contradições. O que digo desde sempre é: política é questão de correlação de forças. Só isso. As formas jurídicas, os ritos processuais, obedecem à correlação das forças políticas em conflito. É ingênuo, insisto, considerar que o PMDB inteiro fechava com o programa da chapa encabeçada por Dilma/Temer, assim como é ingênuo achar que o voto é unipessoal, não na chapa. No que diz respeito a um &quot;golpe desmilitarizado que se deu ao longo de 2 anos&quot;, ainda mais ingenuidade: o que se dá &quot;ao longo de 2 anos&quot; são as disputas normais da política, usando-se de todos os meios necessários; ganha, pleonasticamente, quem vencer, não quem respeitar as regras. 

Se o PT não conseguiu manter a correlação de forças a seu favor, paciência, isto é comum na política; se a correlação de forças nos espaços institucionais virou-se ainda mais drasticamente contra os trabalhadores (dizer que Levy e Barbosa não faziam política econômica de austeridade é outra ingenuidade), tanto pior para nós, que não conseguimos estabelecer um contraponto eficaz. É quanto a isto que me preocupo, é disto que quero tirar lições. Não me importa nem um pouco saber se o governo Temer era ou não legítimo (discussão a meu ver inútil).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agora, a falácia das falsas contradições. O que digo desde sempre é: política é questão de correlação de forças. Só isso. As formas jurídicas, os ritos processuais, obedecem à correlação das forças políticas em conflito. É ingênuo, insisto, considerar que o PMDB inteiro fechava com o programa da chapa encabeçada por Dilma/Temer, assim como é ingênuo achar que o voto é unipessoal, não na chapa. No que diz respeito a um &#8220;golpe desmilitarizado que se deu ao longo de 2 anos&#8221;, ainda mais ingenuidade: o que se dá &#8220;ao longo de 2 anos&#8221; são as disputas normais da política, usando-se de todos os meios necessários; ganha, pleonasticamente, quem vencer, não quem respeitar as regras. </p>
<p>Se o PT não conseguiu manter a correlação de forças a seu favor, paciência, isto é comum na política; se a correlação de forças nos espaços institucionais virou-se ainda mais drasticamente contra os trabalhadores (dizer que Levy e Barbosa não faziam política econômica de austeridade é outra ingenuidade), tanto pior para nós, que não conseguimos estabelecer um contraponto eficaz. É quanto a isto que me preocupo, é disto que quero tirar lições. Não me importa nem um pouco saber se o governo Temer era ou não legítimo (discussão a meu ver inútil).</p>
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		<title>
		Por: Julio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123826/#comment-379628</link>

		<dc:creator><![CDATA[Julio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Jan 2019 15:40:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Me divirto com sua explicação de que o erro meu acerca do programa de campanha e programa de governo é uma questão puramente política, sem relação com o direito positivo, e no seguinte dizer que errei pois quanto ao sistema eleitora, o que importa é o direito positivo e desenho eleitoral, e não o efeito político deste.

Mas acho que você não entendeu meu ponto: se é para discutirmos o golpe de 2016, o elemento não é a surpresa e alta velocidade. Em primeiro lugar, foi um golpe desmilitarizado que se deu ao longo de 2 anos, começando com o Aécio questionando a institucionalidade do resultado.
O que proponho, e que acho mais razoável para explicar o evento, é que em termos puramente jurídicos, não há conclusão, nem tão pouco utilidade em se discutir se foi um golpe ou não; logo, caberia somente constatar que &quot;golpe não é só ilegalidade&quot;, e que portanto a correlação de forças nos permite analisar mais a fundo e distinguir (i) o processo político de impeachment, que basicamente foi conduzido pela própria inabilidade da Dilma e do PT; (ii) o caráter ilegítimo do governo Temer.

A ilegitimidade de Temer não está ligada à um procedimento de impeachment possivelmente fraudulento, mas sim ao fato de que ele desrespeita o resultado eleitoral, pois como eu mesmo disse, há margem para programa de governo e programa de campanha, mas é evidente que Temer não estava nesta margem: é isto que explica sua desaprovação recorde e, o fato de que não havia força política popular para tirá-lo, e uma elite a sustentá-lo, permanecemos nesta situação de um governo ilegítimo que não TOMOU o poder, mais do que o outro JOGOU O PODER NO LIXO.

Portanto, o que estou dizendo, para além dos pontos que concordamos sem que você tenha percebido, é que no Direito não há resposta se foi golpe, e na ciência política a idéia de golpe fica mais plausível, mas o que realmente define os processos políticos dessa época, e que evidenciam o caráter golpista do processo todo, é a construção da ilegitimidade por um governo que foi eleito.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me divirto com sua explicação de que o erro meu acerca do programa de campanha e programa de governo é uma questão puramente política, sem relação com o direito positivo, e no seguinte dizer que errei pois quanto ao sistema eleitora, o que importa é o direito positivo e desenho eleitoral, e não o efeito político deste.</p>
<p>Mas acho que você não entendeu meu ponto: se é para discutirmos o golpe de 2016, o elemento não é a surpresa e alta velocidade. Em primeiro lugar, foi um golpe desmilitarizado que se deu ao longo de 2 anos, começando com o Aécio questionando a institucionalidade do resultado.<br />
O que proponho, e que acho mais razoável para explicar o evento, é que em termos puramente jurídicos, não há conclusão, nem tão pouco utilidade em se discutir se foi um golpe ou não; logo, caberia somente constatar que &#8220;golpe não é só ilegalidade&#8221;, e que portanto a correlação de forças nos permite analisar mais a fundo e distinguir (i) o processo político de impeachment, que basicamente foi conduzido pela própria inabilidade da Dilma e do PT; (ii) o caráter ilegítimo do governo Temer.</p>
<p>A ilegitimidade de Temer não está ligada à um procedimento de impeachment possivelmente fraudulento, mas sim ao fato de que ele desrespeita o resultado eleitoral, pois como eu mesmo disse, há margem para programa de governo e programa de campanha, mas é evidente que Temer não estava nesta margem: é isto que explica sua desaprovação recorde e, o fato de que não havia força política popular para tirá-lo, e uma elite a sustentá-lo, permanecemos nesta situação de um governo ilegítimo que não TOMOU o poder, mais do que o outro JOGOU O PODER NO LIXO.</p>
<p>Portanto, o que estou dizendo, para além dos pontos que concordamos sem que você tenha percebido, é que no Direito não há resposta se foi golpe, e na ciência política a idéia de golpe fica mais plausível, mas o que realmente define os processos políticos dessa época, e que evidenciam o caráter golpista do processo todo, é a construção da ilegitimidade por um governo que foi eleito.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123826/#comment-378727</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Jan 2019 01:04:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Agora a falácia do alinhamento programático entre cabeça de chapa e vice. Sim, no TSE o programa é o mesmo, mas dizer que o PMDB inteiro fechava integralmente com aquele programa, convenhamos, é falso. Tanto assim que, vistas as coisas no longo prazo, o PMDB começou a relação com os governos do PT numa oposição tímida, com setores querendo manter o vínculo com o PSDB e outros querendo vincular-se ao governo então recém eleito (2002). O PMDB entrou de mala e cuia no bloco hegemonizado pelo PT quase em seguida ao ápice da crise política de 2005 (o &quot;mensalão&quot;), quase como que convidado pelo próprio PT quando aquela técnica de garantia da maioria parlamentar foi destruída. Aliança de ocasião dá nisso.

Outra falácia: a vinculação entre programa de campanha e programa de governo. Sim, o programa registrado no TSE pode dizer uma coisa e depois outra completamente diferente terminar sendo executada. Ê simples questão de correlação de forças, nada mais.

Ainda outro erro: a falta de votos no vice. Ora, no sistema eleitoral brasileiro o voto é dado a uma chapa pluripartidária encabeçada por uma pessoa, isso é beabá. Não é voto pessoal e intransferível. Quem vota na pessoa que aparece na tela vota na pessoa indicada pela chapa para concorrer àquele cargo, e também na pessoa que a substituirá em eventualidades.

Mas os erros e falácias acima não tocam no problema. Golpe não é só a ilegalidade, segundo o material de ciência política tratado acima, não é só a força, não é só a participação de gente &quot;de dentro&quot; junto com gente &quot;de fora&quot;; é tudo isso &lt;em&gt;em alta velocidade, de surpresa&lt;/em&gt;. O resto é retórica de quem perdeu na correlação de forças.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agora a falácia do alinhamento programático entre cabeça de chapa e vice. Sim, no TSE o programa é o mesmo, mas dizer que o PMDB inteiro fechava integralmente com aquele programa, convenhamos, é falso. Tanto assim que, vistas as coisas no longo prazo, o PMDB começou a relação com os governos do PT numa oposição tímida, com setores querendo manter o vínculo com o PSDB e outros querendo vincular-se ao governo então recém eleito (2002). O PMDB entrou de mala e cuia no bloco hegemonizado pelo PT quase em seguida ao ápice da crise política de 2005 (o &#8220;mensalão&#8221;), quase como que convidado pelo próprio PT quando aquela técnica de garantia da maioria parlamentar foi destruída. Aliança de ocasião dá nisso.</p>
<p>Outra falácia: a vinculação entre programa de campanha e programa de governo. Sim, o programa registrado no TSE pode dizer uma coisa e depois outra completamente diferente terminar sendo executada. Ê simples questão de correlação de forças, nada mais.</p>
<p>Ainda outro erro: a falta de votos no vice. Ora, no sistema eleitoral brasileiro o voto é dado a uma chapa pluripartidária encabeçada por uma pessoa, isso é beabá. Não é voto pessoal e intransferível. Quem vota na pessoa que aparece na tela vota na pessoa indicada pela chapa para concorrer àquele cargo, e também na pessoa que a substituirá em eventualidades.</p>
<p>Mas os erros e falácias acima não tocam no problema. Golpe não é só a ilegalidade, segundo o material de ciência política tratado acima, não é só a força, não é só a participação de gente &#8220;de dentro&#8221; junto com gente &#8220;de fora&#8221;; é tudo isso <em>em alta velocidade, de surpresa</em>. O resto é retórica de quem perdeu na correlação de forças.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Julio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123826/#comment-377353</link>

		<dc:creator><![CDATA[Julio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jan 2019 18:49:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acerca da conjuntura:
A definição pode ser usada coerentemente para dizer que foi golpe. A questão, contudo, não é essa, pois golpe, dentro do constitucionalismo, seria qualquer subversão da constituição para destituir o governo. Logo, a discórdia acerca do rótulo do golpe seria essencialmente jurídica, porque independentemente de ter havido um &quot;processo constitucionalmente previsto&quot;, o teor do processo é suficientemente vago para defender que ela cometeu ou não crime;

Por que um processo com teor vago foi sólido o bastante para derrubá-la?

Dilma &quot;CAIU&quot;, como dizem, e não foi retirada à força, porque a própria esquerda entende, ou deveria, que sua INABILIDADE política, mesmo com todas as bases que o PT construiu nos mandatos, resultou em seu golpe. É evidente que caiu com a sistemática ajuda da direita - esta, por sua vez, irritada por não se sentir mais representada pelo &quot;consenso de classes&quot; do PT, e pela incapacidade eleitoral do PSDB em derrotá-lo, viu uma janela aberta e trabalhou para explorá-la, mas quem realmente chutou o pau da própria barraca foi a Dilma.

O que realmente define o caráter golpista do impeachment não está no processo legal, nem na luta da Direita para se livrar do PT.

Está no fato de que Michel Temer, eleito dentro da mesma chapa de Dilma, deveria governar alinhado aos interesses ideológicos desta, e no entanto, já anunciava, antes mesmo de oficialmente selar o processo de impeachment, diretrizes totalmente opostas ao governo do qual fazia parte e era peça-chave (vice-decorativo foi motivo de chacota da esquerda e direita). Ou seja, há prova de legalidade do processo de impeachment, contudo, o golpe se deu com o Vice emplacar uma agenda contrária à eleita nas urnas de 2014.
Daí a ilegitimidade do governo de Temer! Esta é diferença, na minha visão, marcante quanto ao processo do Collor.

Pode-se argumentar que a Dilma também contrariou suas propostas de 2014, claro, mas é evidente que existe uma margem de atuação, na medida em que ela ainda era uma presidenta eleita, e portanto, há mecanismos institucionais de corrigir seu rumo e lhe fazer frente (como o próprio Cunha usou, ainda que de forma pervertida); o impeachment é sempre uma última escolha, pois o Vice, ainda que eleito, nunca o é diretamente, e nenhum impeachment é mero processo legal, via de regra, é sempre crise política também.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acerca da conjuntura:<br />
A definição pode ser usada coerentemente para dizer que foi golpe. A questão, contudo, não é essa, pois golpe, dentro do constitucionalismo, seria qualquer subversão da constituição para destituir o governo. Logo, a discórdia acerca do rótulo do golpe seria essencialmente jurídica, porque independentemente de ter havido um &#8220;processo constitucionalmente previsto&#8221;, o teor do processo é suficientemente vago para defender que ela cometeu ou não crime;</p>
<p>Por que um processo com teor vago foi sólido o bastante para derrubá-la?</p>
<p>Dilma &#8220;CAIU&#8221;, como dizem, e não foi retirada à força, porque a própria esquerda entende, ou deveria, que sua INABILIDADE política, mesmo com todas as bases que o PT construiu nos mandatos, resultou em seu golpe. É evidente que caiu com a sistemática ajuda da direita &#8211; esta, por sua vez, irritada por não se sentir mais representada pelo &#8220;consenso de classes&#8221; do PT, e pela incapacidade eleitoral do PSDB em derrotá-lo, viu uma janela aberta e trabalhou para explorá-la, mas quem realmente chutou o pau da própria barraca foi a Dilma.</p>
<p>O que realmente define o caráter golpista do impeachment não está no processo legal, nem na luta da Direita para se livrar do PT.</p>
<p>Está no fato de que Michel Temer, eleito dentro da mesma chapa de Dilma, deveria governar alinhado aos interesses ideológicos desta, e no entanto, já anunciava, antes mesmo de oficialmente selar o processo de impeachment, diretrizes totalmente opostas ao governo do qual fazia parte e era peça-chave (vice-decorativo foi motivo de chacota da esquerda e direita). Ou seja, há prova de legalidade do processo de impeachment, contudo, o golpe se deu com o Vice emplacar uma agenda contrária à eleita nas urnas de 2014.<br />
Daí a ilegitimidade do governo de Temer! Esta é diferença, na minha visão, marcante quanto ao processo do Collor.</p>
<p>Pode-se argumentar que a Dilma também contrariou suas propostas de 2014, claro, mas é evidente que existe uma margem de atuação, na medida em que ela ainda era uma presidenta eleita, e portanto, há mecanismos institucionais de corrigir seu rumo e lhe fazer frente (como o próprio Cunha usou, ainda que de forma pervertida); o impeachment é sempre uma última escolha, pois o Vice, ainda que eleito, nunca o é diretamente, e nenhum impeachment é mero processo legal, via de regra, é sempre crise política também.</p>
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