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	Comentários sobre: Mais médicos, menos direitos: o capitalismo da Ilha	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123996/#comment-363786</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Dec 2018 10:01:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Toinho

ah sim, muito bom!
Vou dar uma lida me parece um conceito basante válido mesmo, assim como quando Marx define que à partir da manufatura surge um trabalhador coletivo que faz nascer uma força produtiva que é a força produtiva do capital e tal por suas condições de surgimento..
Só recentemente fui conhecer as obras do João Bernardo @_@]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toinho</p>
<p>ah sim, muito bom!<br />
Vou dar uma lida me parece um conceito basante válido mesmo, assim como quando Marx define que à partir da manufatura surge um trabalhador coletivo que faz nascer uma força produtiva que é a força produtiva do capital e tal por suas condições de surgimento..<br />
Só recentemente fui conhecer as obras do João Bernardo @_@</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Toinho		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123996/#comment-363493</link>

		<dc:creator><![CDATA[Toinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Dec 2018 21:59:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Gabriel,

&quot;(…) a completa integração da produção de força de trabalho no capital, os trabalhadores não oferecem no mercado a sua mercadoria, o valor de uso de sua força de trabalho, porque desde o início os capitalistas já a detêm. A condição de trabalhadores assumida a cada nova geração é fixada de antemão. Ela é uma condenação. O ato de assalariamento não assinala a inauguração da apropriação capitalista do uso da força de trabalho; pelo contrário, o assalariamento ocorre porque o conjunto dos capitalistas detinha já previamente o direito de usar o conjunto da força de trabalho, porque o processo de produção dessa força de trabalho fizerase como processo capitalista (…). O salário é a condição para a reprodução desse processo de apropriação, e não seu fundamento&quot;. (BERNARDO, João. Economia dos conflitos sociais. São Paulo: Cortez, 1991, p. 95).

Gabriel, na verdade este é um conceito proposto por João Bernardo e que se encontra presente também em outras obras, mas nã me lembro se está em Labirintos do Fascismo. Em todo o caso, capitalismo de mercado ou capitalismo de estado o conceito é totalmente válido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gabriel,</p>
<p>&#8220;(…) a completa integração da produção de força de trabalho no capital, os trabalhadores não oferecem no mercado a sua mercadoria, o valor de uso de sua força de trabalho, porque desde o início os capitalistas já a detêm. A condição de trabalhadores assumida a cada nova geração é fixada de antemão. Ela é uma condenação. O ato de assalariamento não assinala a inauguração da apropriação capitalista do uso da força de trabalho; pelo contrário, o assalariamento ocorre porque o conjunto dos capitalistas detinha já previamente o direito de usar o conjunto da força de trabalho, porque o processo de produção dessa força de trabalho fizerase como processo capitalista (…). O salário é a condição para a reprodução desse processo de apropriação, e não seu fundamento&#8221;. (BERNARDO, João. Economia dos conflitos sociais. São Paulo: Cortez, 1991, p. 95).</p>
<p>Gabriel, na verdade este é um conceito proposto por João Bernardo e que se encontra presente também em outras obras, mas nã me lembro se está em Labirintos do Fascismo. Em todo o caso, capitalismo de mercado ou capitalismo de estado o conceito é totalmente válido.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123996/#comment-363324</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Dec 2018 15:04:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Senhores, quanto a essa citação ``(e penso que mesmo em economias de livre mercado isto é mais uma pressuposição, conforme Marx já afirmava lá trás sobre a “liberdade” obrigatória de se vender a mão de obra – que, aliás, já pertence ao capitalista antes mesmo de seu assalariamento, conforme nos ensina João Bernardo…)`` , isso esta na primeira parte do livro Labirintos do Fascismo? Ou outra obra do João Bernardo?

Quanto aos comentários que surgiram, não sei se foi  intenção de Vitor foi a de ``justificar`` ou ``legitimar`` as acoes do governo cubano, embora tenha dado essa impressão, mas acho que, pelo menos, ficou claro que o ponto não é esse, como falou o Leo..

Agora tentando entrar sobre as questões ao final, tenho pensado que a estrutura do capitalismo global atual de certa forma tem apontado algumas tendencias... a tecnologia de automação, algoritmos, a ``industria 4.0`` e etc (que provavelmente (??) se dará mais nas economias centrais), a já costumeira pejotização no mercado de trabalho, a forte concentração que temos visto de forma constante; em certo grau, a própria incapacidade do capital de se restruturar financeiramente   de renda e o discurso hegemônico do ``individuo empreendedor individual`` etc. Enfim, estou falando de forma muito vaga e sem estruturação mas me parece que o capitalismo vem tendendo pra novas formas de exploração e como dito no texto, o próprio medico é tratado como ativo pelos governos.. parece que nos países ``subdesenvolvidos`` vamos ser ainda um exercito de mão de obra para as áreas que quiserem atrasar suas automações, mas com um menor grau de bem estar social estatal, desigualdade social e miséria, enquanto nos ``desenvolvidos`` vai haver uma maior necessidade de qualificação desse tipo ``micro, extremamente especificas``, digamos, que hoje muitas vezes geram salários exorbitantes, o que por um tempo poderia acentuar a desigualdade dentro dos trabalhadores e no longo prazo evidentemente tende também a redução desses salários; sem falar que me parece que haverá maior necessidade de atuar no ramo do ``entretenimento``, vendendo literalmente a si mesmo e qualquer tipo de coisa que se possa fazer para entreter a grande massa através da internet e se sustentar com isso.
Enfim são só algumas piras que tive uns tempos atrás e achei que cabia compartilhar aqui.
Depois posso estruturar melhor mas em geral o que penso é que a economia global não tem, em certos aspectos, se recuperado pós 2008 como os capitalistas gostariam, e isso vai gerar novas formas de exploração (uberização/individualização total da responsabilidade do trabalho sobre o trabalhador) que, pra mim, passam essencialmente pela captura da subjetividade das massas, isto que seria um melhoramento do toyotismo por assim dizer, pois a ideologia faz com que, alem das condições materiais, o individuo se sinta verdadeiramente como parte pertencente a um todo e isso o da sentimento de proposito (alem da responsabilizacao), e faz com que o próprio trabalhador contribua ainda mais na sua própria exploração, excluindo cada vez mais os limites entre o ``ambiente`` do trabalho e o pessoal, já que mesmo atividades não pertencentes a profissão viram fonte de exploração, expandindo em muito a mais valia absoluta extraída; e pela substituição cada vez maior do governo pelas ``organizações da sociedade civil`` e etc, que estão também sob o controle do capital]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Senhores, quanto a essa citação &#8220;(e penso que mesmo em economias de livre mercado isto é mais uma pressuposição, conforme Marx já afirmava lá trás sobre a “liberdade” obrigatória de se vender a mão de obra – que, aliás, já pertence ao capitalista antes mesmo de seu assalariamento, conforme nos ensina João Bernardo…)&#8220; , isso esta na primeira parte do livro Labirintos do Fascismo? Ou outra obra do João Bernardo?</p>
<p>Quanto aos comentários que surgiram, não sei se foi  intenção de Vitor foi a de &#8220;justificar&#8220; ou &#8220;legitimar&#8220; as acoes do governo cubano, embora tenha dado essa impressão, mas acho que, pelo menos, ficou claro que o ponto não é esse, como falou o Leo..</p>
<p>Agora tentando entrar sobre as questões ao final, tenho pensado que a estrutura do capitalismo global atual de certa forma tem apontado algumas tendencias&#8230; a tecnologia de automação, algoritmos, a &#8220;industria 4.0&#8220; e etc (que provavelmente (??) se dará mais nas economias centrais), a já costumeira pejotização no mercado de trabalho, a forte concentração que temos visto de forma constante; em certo grau, a própria incapacidade do capital de se restruturar financeiramente   de renda e o discurso hegemônico do &#8220;individuo empreendedor individual&#8220; etc. Enfim, estou falando de forma muito vaga e sem estruturação mas me parece que o capitalismo vem tendendo pra novas formas de exploração e como dito no texto, o próprio medico é tratado como ativo pelos governos.. parece que nos países &#8220;subdesenvolvidos&#8220; vamos ser ainda um exercito de mão de obra para as áreas que quiserem atrasar suas automações, mas com um menor grau de bem estar social estatal, desigualdade social e miséria, enquanto nos &#8220;desenvolvidos&#8220; vai haver uma maior necessidade de qualificação desse tipo &#8220;micro, extremamente especificas&#8220;, digamos, que hoje muitas vezes geram salários exorbitantes, o que por um tempo poderia acentuar a desigualdade dentro dos trabalhadores e no longo prazo evidentemente tende também a redução desses salários; sem falar que me parece que haverá maior necessidade de atuar no ramo do &#8220;entretenimento&#8220;, vendendo literalmente a si mesmo e qualquer tipo de coisa que se possa fazer para entreter a grande massa através da internet e se sustentar com isso.<br />
Enfim são só algumas piras que tive uns tempos atrás e achei que cabia compartilhar aqui.<br />
Depois posso estruturar melhor mas em geral o que penso é que a economia global não tem, em certos aspectos, se recuperado pós 2008 como os capitalistas gostariam, e isso vai gerar novas formas de exploração (uberização/individualização total da responsabilidade do trabalho sobre o trabalhador) que, pra mim, passam essencialmente pela captura da subjetividade das massas, isto que seria um melhoramento do toyotismo por assim dizer, pois a ideologia faz com que, alem das condições materiais, o individuo se sinta verdadeiramente como parte pertencente a um todo e isso o da sentimento de proposito (alem da responsabilizacao), e faz com que o próprio trabalhador contribua ainda mais na sua própria exploração, excluindo cada vez mais os limites entre o &#8220;ambiente&#8220; do trabalho e o pessoal, já que mesmo atividades não pertencentes a profissão viram fonte de exploração, expandindo em muito a mais valia absoluta extraída; e pela substituição cada vez maior do governo pelas &#8220;organizações da sociedade civil&#8220; e etc, que estão também sob o controle do capital</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Leo Texto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123996/#comment-362781</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Texto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Dec 2018 15:57:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Toinhot, essa questão só poderá ser respondida se descobrirmos quais são as restrições aos médicos cubanos quando eles estão no próprio país. Se for permitida a migração da ocupação -- deixando de ser médico para exercer qualquer outro trabalho -- então a restrição à mobilidade é temporária e a analogia apresentada no artigo tem força, por mais que o mercado de trabalho cubano continue a existir com uma variedade mínima de empregadores. Mas se você estiver certo, se de fato os médicos cubanos estiverem completamente submetidos ao monopsônio, tanto fora quando dentro de Cuba, então a situação é bem mais grave e o artigo pegou leve com o capitalismo da Ilha.

Quanto aos comentários que aqui criaram a teoria esdrúxula de repartição da mais-valia extraída de uns e repassadas aos demais trabalhadores do mesmo país -- uma exploração sem exploradores! --, os seus responsáveis deveriam estar mais preocupados em responder às perguntas levantadas no final do artigo, fazendo um esforço de compreensão das novas formas de exploração do trabalho e tentando responder também de que forma Cuba participa ou não delas. Não se trata de cair na cilada do &quot;quem é mais justo, Brasil ou Cuba?&quot;, mas de assumir, honestamente, as contradições e limites daquilo que cada um de nós defende.

Ou podemos implementar algo próximo no Brasil, quem sabe? Escolhemos uns 20 milhões de trabalhadores que serão superexplorados, sem direito à organização sindical e demais direitos trabalhistas, para proverem o restante da população de serviços públicos. Tipo o que Aldous Huxley vislumbrou em Admirável Mundo Novo, a criação de uma espécie de trabalhador à parte dos demais. Não seria uma forma de &quot;mais-valia estatal&quot; repartida entre todas da sociedade? Assim, a esquerda e o nazismo se unem no sonho comum do bem-estar geral a partir da negação da humanidade de uns poucos. Ou podemos chamar isso também de aprofundamento dos mecanismos da mais-valia absoluta, o que dá no mesmo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toinhot, essa questão só poderá ser respondida se descobrirmos quais são as restrições aos médicos cubanos quando eles estão no próprio país. Se for permitida a migração da ocupação &#8212; deixando de ser médico para exercer qualquer outro trabalho &#8212; então a restrição à mobilidade é temporária e a analogia apresentada no artigo tem força, por mais que o mercado de trabalho cubano continue a existir com uma variedade mínima de empregadores. Mas se você estiver certo, se de fato os médicos cubanos estiverem completamente submetidos ao monopsônio, tanto fora quando dentro de Cuba, então a situação é bem mais grave e o artigo pegou leve com o capitalismo da Ilha.</p>
<p>Quanto aos comentários que aqui criaram a teoria esdrúxula de repartição da mais-valia extraída de uns e repassadas aos demais trabalhadores do mesmo país &#8212; uma exploração sem exploradores! &#8211;, os seus responsáveis deveriam estar mais preocupados em responder às perguntas levantadas no final do artigo, fazendo um esforço de compreensão das novas formas de exploração do trabalho e tentando responder também de que forma Cuba participa ou não delas. Não se trata de cair na cilada do &#8220;quem é mais justo, Brasil ou Cuba?&#8221;, mas de assumir, honestamente, as contradições e limites daquilo que cada um de nós defende.</p>
<p>Ou podemos implementar algo próximo no Brasil, quem sabe? Escolhemos uns 20 milhões de trabalhadores que serão superexplorados, sem direito à organização sindical e demais direitos trabalhistas, para proverem o restante da população de serviços públicos. Tipo o que Aldous Huxley vislumbrou em Admirável Mundo Novo, a criação de uma espécie de trabalhador à parte dos demais. Não seria uma forma de &#8220;mais-valia estatal&#8221; repartida entre todas da sociedade? Assim, a esquerda e o nazismo se unem no sonho comum do bem-estar geral a partir da negação da humanidade de uns poucos. Ou podemos chamar isso também de aprofundamento dos mecanismos da mais-valia absoluta, o que dá no mesmo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123996/#comment-362162</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Dec 2018 23:38:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vemos nos comentários um belo exemplo de como a própria esquerda faz questão de associar &quot;socialismo&quot; à &quot;exploração&quot;. Não é a toa que a maior parte dos e das trabalhadoras ao redor do globo relaciona socialismo a Estados autoritários que vivem às custas dos e das trabalhadoras. Primeiro porque isto foi a realidade nas principais experiências duradouras dos tais &quot;Estados socialistas&quot;, segundo porque parte da esquerda continua reivindicando uma forma de exploração do homem pelo homem (e da mulher pela mulher).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vemos nos comentários um belo exemplo de como a própria esquerda faz questão de associar &#8220;socialismo&#8221; à &#8220;exploração&#8221;. Não é a toa que a maior parte dos e das trabalhadoras ao redor do globo relaciona socialismo a Estados autoritários que vivem às custas dos e das trabalhadoras. Primeiro porque isto foi a realidade nas principais experiências duradouras dos tais &#8220;Estados socialistas&#8221;, segundo porque parte da esquerda continua reivindicando uma forma de exploração do homem pelo homem (e da mulher pela mulher).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Toinhot		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123996/#comment-362017</link>

		<dc:creator><![CDATA[Toinhot]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Dec 2018 16:02:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Passa Palavra,

Se eu não tiver feito uma leitura equivocada, penso que há uma certa contradição no texto.  Se em um parágrafo se afirma que &quot;Os trabalhadores cubanos e das empresas de tecnologias e consultorias, por mais que sofram restrições, mesmo à mobilidade, ela é temporária e, após o término do contrato, eles estão livres para negociarem a própria força de trabalho com outras empresas&quot;,  em um outro, anterior a este, está posto que &quot;Nesse último caso  (médicos cubanos contratados indiretamente pelo governo brasileiro) os trabalhadores são em si os ativos, junto com o serviço prestado, daí as empresas imporem medidas protetivas para garantirem a recuperação dos ativos ao final do contrato e exigirem que a propriedade intelectual, ou algo equivalente, sobre o serviço prestado seja respeitada&quot;. Salvo engano, a maioria dos trabalhadores cubanos, médicos ou não, não tem o direito nem de dispor livremente sua força de trabalho dentro ou fora de Cuba, assim como não tem o direito sequer de se locomover de forma plenamente livre, diversamente do que se pressupõe (e penso que mesmo em economias de livre mercado isto é mais uma pressuposição, conforme Marx já afirmava lá trás sobre a &quot;liberdade&quot; obrigatória de se vender a mão de obra - que, aliás, já pertence ao capitalista antes mesmo de seu assalariamento, conforme nos ensina João Bernardo...) em relação aos trabalhadores de empresas de tecnologias e consultorias. Enfim, se eu não estiver enganado, mesmo após o fim do contrato com o governo brasileiro, os trabalhadores médicos cubanos não estarão livres para negociarem sua própria força de trabalho, posto que, eles mesmos e os serviços que prestam pertecem ao governo cubano.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Passa Palavra,</p>
<p>Se eu não tiver feito uma leitura equivocada, penso que há uma certa contradição no texto.  Se em um parágrafo se afirma que &#8220;Os trabalhadores cubanos e das empresas de tecnologias e consultorias, por mais que sofram restrições, mesmo à mobilidade, ela é temporária e, após o término do contrato, eles estão livres para negociarem a própria força de trabalho com outras empresas&#8221;,  em um outro, anterior a este, está posto que &#8220;Nesse último caso  (médicos cubanos contratados indiretamente pelo governo brasileiro) os trabalhadores são em si os ativos, junto com o serviço prestado, daí as empresas imporem medidas protetivas para garantirem a recuperação dos ativos ao final do contrato e exigirem que a propriedade intelectual, ou algo equivalente, sobre o serviço prestado seja respeitada&#8221;. Salvo engano, a maioria dos trabalhadores cubanos, médicos ou não, não tem o direito nem de dispor livremente sua força de trabalho dentro ou fora de Cuba, assim como não tem o direito sequer de se locomover de forma plenamente livre, diversamente do que se pressupõe (e penso que mesmo em economias de livre mercado isto é mais uma pressuposição, conforme Marx já afirmava lá trás sobre a &#8220;liberdade&#8221; obrigatória de se vender a mão de obra &#8211; que, aliás, já pertence ao capitalista antes mesmo de seu assalariamento, conforme nos ensina João Bernardo&#8230;) em relação aos trabalhadores de empresas de tecnologias e consultorias. Enfim, se eu não estiver enganado, mesmo após o fim do contrato com o governo brasileiro, os trabalhadores médicos cubanos não estarão livres para negociarem sua própria força de trabalho, posto que, eles mesmos e os serviços que prestam pertecem ao governo cubano.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: José Santana		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123996/#comment-362015</link>

		<dc:creator><![CDATA[José Santana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Dec 2018 15:38:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acho que Vítor levantou questões importantes, e seu comentário, ao invés de ser debatido, foi tratado com ironia. Ele colocou claramente que a &quot;mais valia&quot; extraída dos médicos pelo estado cubano serve para que Cuba consiga garantir aos seus cidadãos direitos fundamentais, que são negados à grande maioria da população da grande maioria dos países capitalistas, principalmente, mas não somente, os periféricos. O conceito clássico de mais valia trata esta como elemento central do capitalismo, responsável por promover lucro para o capitalista e acumulação do capital. A &quot;mais valia&quot; estatal não funciona exatamente desta forma, o lucro para o capitalista vai depender das políticas fomentadas pelo estado serem mais ou menos pró-capital (infelizmente, as políticas estatais têm sido cada vez mais pró-capital). Por isso, acho que não ajuda na análise tratar as duas coisas como o mesmo. Tanto que as questões que Vítor levantou ficaram no ar... Enfim, não sou autor nem estudioso de filosofia ou ciências sociais, só tentando contribuir pro debate.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que Vítor levantou questões importantes, e seu comentário, ao invés de ser debatido, foi tratado com ironia. Ele colocou claramente que a &#8220;mais valia&#8221; extraída dos médicos pelo estado cubano serve para que Cuba consiga garantir aos seus cidadãos direitos fundamentais, que são negados à grande maioria da população da grande maioria dos países capitalistas, principalmente, mas não somente, os periféricos. O conceito clássico de mais valia trata esta como elemento central do capitalismo, responsável por promover lucro para o capitalista e acumulação do capital. A &#8220;mais valia&#8221; estatal não funciona exatamente desta forma, o lucro para o capitalista vai depender das políticas fomentadas pelo estado serem mais ou menos pró-capital (infelizmente, as políticas estatais têm sido cada vez mais pró-capital). Por isso, acho que não ajuda na análise tratar as duas coisas como o mesmo. Tanto que as questões que Vítor levantou ficaram no ar&#8230; Enfim, não sou autor nem estudioso de filosofia ou ciências sociais, só tentando contribuir pro debate.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123996/#comment-361951</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Dec 2018 10:13:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ursalina,

Você pergunta: «um Estado socialista consegue se manter sem extrair mais-valia de seus trabalhadores nas condições concretas do aqui e agora?» E eu pergunto: será socialista um Estado que, nas condições concretas do aqui e agora, não consegue se manter sem extrair mais-valia de seus trabalhadores?

A análise económica é impiedosa. E a análise das relações sociais de produção é a mais impiedosa da economia, não se satisfaz com programas nem intenções nem discursos, chama às coisas pelos seus nomes. Passados pelo crivo dessa análise, os proclamados socialismos revelam-se como capitalismos de Estado. Quanto às dores no coração — e olhe que não estou a fazer ironia — prefiro ser lúcido do que enganar-me a mim próprio e, o que é pior, correr o risco de enganar os outros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ursalina,</p>
<p>Você pergunta: «um Estado socialista consegue se manter sem extrair mais-valia de seus trabalhadores nas condições concretas do aqui e agora?» E eu pergunto: será socialista um Estado que, nas condições concretas do aqui e agora, não consegue se manter sem extrair mais-valia de seus trabalhadores?</p>
<p>A análise económica é impiedosa. E a análise das relações sociais de produção é a mais impiedosa da economia, não se satisfaz com programas nem intenções nem discursos, chama às coisas pelos seus nomes. Passados pelo crivo dessa análise, os proclamados socialismos revelam-se como capitalismos de Estado. Quanto às dores no coração — e olhe que não estou a fazer ironia — prefiro ser lúcido do que enganar-me a mim próprio e, o que é pior, correr o risco de enganar os outros.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ursalina		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123996/#comment-361819</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ursalina]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Dec 2018 01:44:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=123996#comment-361819</guid>

					<description><![CDATA[Ô, João, acho que não dá para desqualificar os pontos que o Vítor traz assim tão rápido. A leitura do texto me obrigou a refletir exatamente sobre as mesmas questões. É evidente que a experiência cubana está repleta de contradições. As mudanças relativas às &quot;missões internacionalistas&quot; não deixam de ser uma delas. Cuba sempre colaborou (e continua colaborando) gratuitamente no âmbito da saúde. Mas, em um país bloqueado, com uma economia capenga e em um cenário de avanço feroz da direita por todos lados e, consequentemente, perda de potenciais aliados, a saúde como setor produtivo têm sido responsável por uma parcela cada maior dos ingressos. Isto é bem claro se falamos de medicamentos, imunobiológicos e afins, mas fica nebuloso quando se trata de &quot;serviços médicos&quot;. As cooperações pagas são uma forma importante de renda tanto para o país como para os cooperantes, que têm o acesso a uma remuneração infinitamente maior que aquela que teriam pelo mesmo trabalho em solo cubano. Salários assim só seriam possíveis se emigrassem definitivamente ou trabalhassem com turismo. Então eu me pergunto: como manter a economia cubana, as conquistas em termos de saúde, educação, cultura, etc, e retardar uma paulatina estratificação social sem passar por acordos como o que foi feito no Brasil? E mais: um Estado socialista consegue se manter sem extrair mais-valia de seus trabalhadores nas condições concretas do aqui e agora? E olha, estou perguntando isso com dor no coração ao pensar se seria o médico cubano, os &quot;serviços médicos&quot; ou a própria saúde o que se convertiria em mercadoria nesta transação. Abraços]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ô, João, acho que não dá para desqualificar os pontos que o Vítor traz assim tão rápido. A leitura do texto me obrigou a refletir exatamente sobre as mesmas questões. É evidente que a experiência cubana está repleta de contradições. As mudanças relativas às &#8220;missões internacionalistas&#8221; não deixam de ser uma delas. Cuba sempre colaborou (e continua colaborando) gratuitamente no âmbito da saúde. Mas, em um país bloqueado, com uma economia capenga e em um cenário de avanço feroz da direita por todos lados e, consequentemente, perda de potenciais aliados, a saúde como setor produtivo têm sido responsável por uma parcela cada maior dos ingressos. Isto é bem claro se falamos de medicamentos, imunobiológicos e afins, mas fica nebuloso quando se trata de &#8220;serviços médicos&#8221;. As cooperações pagas são uma forma importante de renda tanto para o país como para os cooperantes, que têm o acesso a uma remuneração infinitamente maior que aquela que teriam pelo mesmo trabalho em solo cubano. Salários assim só seriam possíveis se emigrassem definitivamente ou trabalhassem com turismo. Então eu me pergunto: como manter a economia cubana, as conquistas em termos de saúde, educação, cultura, etc, e retardar uma paulatina estratificação social sem passar por acordos como o que foi feito no Brasil? E mais: um Estado socialista consegue se manter sem extrair mais-valia de seus trabalhadores nas condições concretas do aqui e agora? E olha, estou perguntando isso com dor no coração ao pensar se seria o médico cubano, os &#8220;serviços médicos&#8221; ou a própria saúde o que se convertiria em mercadoria nesta transação. Abraços</p>
]]></content:encoded>
		
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		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/11/123996/#comment-361532</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Nov 2018 12:09:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Depois de ler o comentário assinado por Vítor Joanni abanei a cabeça e pensei: não, não pode ser isto que ele escreve. Voltei a ler, três vezes, de cada uma mais estupefacto do que da anterior. Concluo então que quanto maior é a porção de mais-valia produzida por  um trabalhador emigrado de que um Estado se apropria, mais socialista esse Estado é. Evidentemente, o Vietnam e a China fazem o mesmo relativamente aos trabalhadores que enviam para outros países.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de ler o comentário assinado por Vítor Joanni abanei a cabeça e pensei: não, não pode ser isto que ele escreve. Voltei a ler, três vezes, de cada uma mais estupefacto do que da anterior. Concluo então que quanto maior é a porção de mais-valia produzida por  um trabalhador emigrado de que um Estado se apropria, mais socialista esse Estado é. Evidentemente, o Vietnam e a China fazem o mesmo relativamente aos trabalhadores que enviam para outros países.</p>
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