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	Comentários sobre: Breve comentário sobre as frentes democráticas e antifascistas contra Bolsonaro	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/123955/#comment-380161</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jan 2019 23:22:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[gabriel,
queria ter podido responder antes à este debate, mas só agora pude sentar-me com tempo.
Com relação à tese estalinista, me fez lembrar um pouco o que li alguma vez sobre a linha &quot;classe contra classe&quot; do PCB nos anos 30. Opor pautas específicas à emancipação geral parece ser apenas mais um capítulo de argumentos líquidos usados para justificar a manutenção no poder de um certo setor, assim como a substituição de dirigentes intelectuais por quadros proletários pode também responder a esta lógica, por mais &quot;classista&quot; que isso soe.

Mas me chama atenção frases como &quot;dizem que não se deve organizar negros contra o racismo&quot;. Isso é uma referência aos estalinistas ou às críticas que o PassaPalavra vem propondo no site?
Não entendo se tuas referências são aos textos do site ou se são a atuações e práticas de grupos de militantes identificados com o site. Pois o que primeiro me vem à memória como esforço crítico do site, quanto à questão feminina e negra, são a crítica à prática do escracho e ao feminismo exclusivista e às organizações que se propõe atuar como polícia racial negra. No caso do movimento negro, isso me parece muito pouco relacionado com o &quot;identitarismo classista&quot; e não sei como se vincularia com o movimento sindical. Já no caso do feminismo, a crítica à prática do escracho é compartilhada por outros setores da extrema-esquerda, e ao MEU VER, muitos dos espaços exclusivistas também não passam muito perto de um &quot;identitarismo classista&quot;. As experiências mais ou menos próximas de que eu tenho conhecimento não deixam de repetir as denúncias e os escrachos, em espaços lésbicos, &quot;não-binários&quot;, etc. Não vejo nos textos que leio aqui no site o que você diz: 
--Dai que o conceito de “identitarismo” com essa acepção essencialista que usa o passa palavra costuma ser utilizado normalmente sobretudo contra os “identitários classistas” e não tanto contra o feminismo burguês, pós-modernos e pan-africanista--

A questão dos espaços exclusivistas, pelo que entendo a partir de minha experiência, não é &quot;organizar negros contra o racismo&quot;. Além do que, lembro que uma das primeiras traduções que o site publicou sobre a Rev. Russa foi uma sobre a organização das mulheres pos-17. Um grupo que se une por uma problemática em comum para tratá-la em âmbitos ampliados é muito diferente de um grupo identitário que se arroga o &quot;lugar de fala&quot; para impor a linha, as práticas e as correções políticas que um grupo maior de companheiros e companheiras deve seguir. Uma vez mais, não se trata em primeiro lugar desta ou daquela pauta, mas das formas e propostas organizativas.

Talvez você possa explicar um pouco mais como é que ocorre no movimento sindical essa forma de crítica às pautas feministas e negras, pois seria muito interessante debater abertamente sobre um tal exemplo. Pois existe esta particularidade, de que o sindicalismo não é um espaço específico para tratar estes temas mas é justamente um espaço muito interessante e potente para isso. Como são colocadas essas pautas de gênero e de raça pela base e como são resistidas pelas cúpulas? As demandas desagradáveis, negras e femininas, que obstáculos encontram na organização sindical para expressar-se como poder coletivo, como pressão frente às cúpulas? Passa pelo desinteresse dos e das companheiras de base? Passa pelo programa político das chapas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>gabriel,<br />
queria ter podido responder antes à este debate, mas só agora pude sentar-me com tempo.<br />
Com relação à tese estalinista, me fez lembrar um pouco o que li alguma vez sobre a linha &#8220;classe contra classe&#8221; do PCB nos anos 30. Opor pautas específicas à emancipação geral parece ser apenas mais um capítulo de argumentos líquidos usados para justificar a manutenção no poder de um certo setor, assim como a substituição de dirigentes intelectuais por quadros proletários pode também responder a esta lógica, por mais &#8220;classista&#8221; que isso soe.</p>
<p>Mas me chama atenção frases como &#8220;dizem que não se deve organizar negros contra o racismo&#8221;. Isso é uma referência aos estalinistas ou às críticas que o PassaPalavra vem propondo no site?<br />
Não entendo se tuas referências são aos textos do site ou se são a atuações e práticas de grupos de militantes identificados com o site. Pois o que primeiro me vem à memória como esforço crítico do site, quanto à questão feminina e negra, são a crítica à prática do escracho e ao feminismo exclusivista e às organizações que se propõe atuar como polícia racial negra. No caso do movimento negro, isso me parece muito pouco relacionado com o &#8220;identitarismo classista&#8221; e não sei como se vincularia com o movimento sindical. Já no caso do feminismo, a crítica à prática do escracho é compartilhada por outros setores da extrema-esquerda, e ao MEU VER, muitos dos espaços exclusivistas também não passam muito perto de um &#8220;identitarismo classista&#8221;. As experiências mais ou menos próximas de que eu tenho conhecimento não deixam de repetir as denúncias e os escrachos, em espaços lésbicos, &#8220;não-binários&#8221;, etc. Não vejo nos textos que leio aqui no site o que você diz:<br />
&#8211;Dai que o conceito de “identitarismo” com essa acepção essencialista que usa o passa palavra costuma ser utilizado normalmente sobretudo contra os “identitários classistas” e não tanto contra o feminismo burguês, pós-modernos e pan-africanista&#8211;</p>
<p>A questão dos espaços exclusivistas, pelo que entendo a partir de minha experiência, não é &#8220;organizar negros contra o racismo&#8221;. Além do que, lembro que uma das primeiras traduções que o site publicou sobre a Rev. Russa foi uma sobre a organização das mulheres pos-17. Um grupo que se une por uma problemática em comum para tratá-la em âmbitos ampliados é muito diferente de um grupo identitário que se arroga o &#8220;lugar de fala&#8221; para impor a linha, as práticas e as correções políticas que um grupo maior de companheiros e companheiras deve seguir. Uma vez mais, não se trata em primeiro lugar desta ou daquela pauta, mas das formas e propostas organizativas.</p>
<p>Talvez você possa explicar um pouco mais como é que ocorre no movimento sindical essa forma de crítica às pautas feministas e negras, pois seria muito interessante debater abertamente sobre um tal exemplo. Pois existe esta particularidade, de que o sindicalismo não é um espaço específico para tratar estes temas mas é justamente um espaço muito interessante e potente para isso. Como são colocadas essas pautas de gênero e de raça pela base e como são resistidas pelas cúpulas? As demandas desagradáveis, negras e femininas, que obstáculos encontram na organização sindical para expressar-se como poder coletivo, como pressão frente às cúpulas? Passa pelo desinteresse dos e das companheiras de base? Passa pelo programa político das chapas?</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/123955/#comment-373958</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Dec 2018 09:50:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gabriel

Ao falar com a propriedade que fala sobre os movimentos, imagino que deva conhecê-los. Quais são esses movimentos &#039;&#039;identitários classistas&#039;&#039;, que não se enquadram na vertente pós moderna? Que não constroem ambientes exclusivos..? Onde estão e quais suas estratégias discursivas e de atuação, bem como suas reivindicações?
Pergunto honestamente. 
Acredito que você capture bem a questão ao falar que o problema está quando os movimentos se colocam fora (ou sobre) o ideal de classe e que, principalmente, dentro dos próprios movimentos do mundo do trabalho, acontecem essas contradições importantes quanto a sua organização e forma de atuar. Por mais que tenha críticas ao identitarismos,precisamos de um debate mais próximo para articular essas questões já que o capital sempre se apropria da parte majoritária dos movimentos e de suas lutas. Enquanto a &#039;&#039;esquerda&#039;&#039; mais radical critica as outras esquerdas e se dá esse debate, o capital continua se globalizando. Me parece que o ponto mais importante é atuar para desenvolver uma consciência de classe dentro dos integrantes de todos os movimentos. Ainda que seja um sindicado burocratizado e um movimento identitário, e tenham limitações óbvias quanto ao alcance de suas conquistas mais imediatas, se houver consciência e classe pode ser possível manter uma coesão de longo prazo e um fortalecimento dos grupos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gabriel</p>
<p>Ao falar com a propriedade que fala sobre os movimentos, imagino que deva conhecê-los. Quais são esses movimentos &#8221;identitários classistas&#8221;, que não se enquadram na vertente pós moderna? Que não constroem ambientes exclusivos..? Onde estão e quais suas estratégias discursivas e de atuação, bem como suas reivindicações?<br />
Pergunto honestamente.<br />
Acredito que você capture bem a questão ao falar que o problema está quando os movimentos se colocam fora (ou sobre) o ideal de classe e que, principalmente, dentro dos próprios movimentos do mundo do trabalho, acontecem essas contradições importantes quanto a sua organização e forma de atuar. Por mais que tenha críticas ao identitarismos,precisamos de um debate mais próximo para articular essas questões já que o capital sempre se apropria da parte majoritária dos movimentos e de suas lutas. Enquanto a &#8221;esquerda&#8221; mais radical critica as outras esquerdas e se dá esse debate, o capital continua se globalizando. Me parece que o ponto mais importante é atuar para desenvolver uma consciência de classe dentro dos integrantes de todos os movimentos. Ainda que seja um sindicado burocratizado e um movimento identitário, e tenham limitações óbvias quanto ao alcance de suas conquistas mais imediatas, se houver consciência e classe pode ser possível manter uma coesão de longo prazo e um fortalecimento dos grupos&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silveira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/123955/#comment-373477</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Dec 2018 13:37:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Enquanto classe na história, o proletariado é a destruição de todas as identidades.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto classe na história, o proletariado é a destruição de todas as identidades.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/123955/#comment-373042</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Dec 2018 15:39:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=123955#comment-373042</guid>

					<description><![CDATA[Lucas, 
infelizmente as estratégias de frentes territórias que descrevo são dadas antes da eleição, se colocaram em 2016 e com o novo governo se revitalizam e devem ter vida longa - mesmo que apenas como linhas das organizações que as puxam e sentem desde o impechment essa abertura popular, nesse sentido uma sub-vida mesmo. Eu sou um tanto amargurado com essas frentes pois vejo elas como sintoma do nosso fracasso como campo combativo para além do lulo-petismo, mas na merda que estamos é o que há. No meu comentário com &quot;nós&quot; eu me refiro a um grupo ativista na sul, que fez um debate e divulgou esse cartaz a que me refiro nas eleições e depois reviveu um comitê do Grajaú: https://www.facebook.com/LutaZonaShow/photos/a.275979812749063/757527831260923/?type=3&#038;theater

Sobre o identitarismo, lucas e gabriel:

O ponto é justamente que normalmente esse conceito faz uma análise não classista, revivendo a tese stalinista do PCB (não que essa fosse a unica tese bolche, é interessante ver posição de lenin sobre esse assunto: https://www.marxists.org/portugues/cannon/1959/05/08.htm) de que a pauta feminina ou de raça em si mesma, por sua essência, provocaria uma divisão nociva para as lutas no seio da classe trabalhadora - tese que normalmente é um passo pano muitíssimo conveniente em ser defendida invariavelmente por cúpulas brancas e masculinas contra demandas desagradáveis de uma base negra e feminina. 

Justamente, se formos olhar para o movimento real hoje ou na história veremos que existe sim um movimento negro e feminista intimamente ligada aos movimentos classistas com horizonte de ruptura com o capital. Ainda assim da para dizer que a maioria dos movimentos negros ou femininos hoje são pós-modernos ou pan-africanistas, e portanto, dirigidos de uma forma ou de outra pelas classes dominantes. Acontece que isso também é válido para o mundo do trabalho ou para os movimentos sociais, a maioria dos sindicatos são patronais assim como a maioria dos movimentos sociais também não são dirigidos com independência de classe - e ainda assim ninguém seria louco de dizer por isso que não se deve organizar trabalhadores por locais de trabalho por melhores condições por isso ser anti-revolucionário como dizem que não se deve organizar negros contra o racismo.  O espaço exclusivo é, em alguns momentos, uma demanda real necessária para a ação e resistência desses movimentos e não é isso que distingue a perspectiva classista ou não desses movimentos, o que distinguiria é o seu horizonte concreto de luta e suas práticas. Inclusive a maioria dos espaços desses movimentos são abertos e muito raramente comparece alguém que não é diretamente afetada pela pauta (ou seja, negros, mulheres ou lgbts) o que diz muito sobre a critica ao &quot;exclusivismo&quot; como mero pretexto para uma desclassificação formal e o real desinteresse/desprezo que a maioria sente por esses movimentos por motivos bem menos nobres - afinal é muito mais fácil desclassifica-los do que realmente conseguir formular conjuntamente e avançar nessas pautas o que seria invariavelmente custoso quando a questão real é, por exemplo, defender que não é um problema ser machista e ser revolucionário, e se teoriza politica longamente sobre problemas que na realidade são de base muito intima, pessoal e etc sem se dizer uma única palavra mesmo que abstrata sobre tais questões das relações pessoais ou seja sem se avançar uma linha em lidar com a causa real do problema.

Dai que o conceito de &quot;identitarismo&quot; com essa acepção essencialista que usa o passa palavra costuma ser utilizado normalmente sobretudo contra os &quot;identitários classistas&quot; e não tanto contra o feminismo burguês, pós-modernos e pan-africanista, que merecem de fato uma crítica mais pesada mas que seria melhor realizada por quem se preocupa em entender suas pautas. Essa utilização do conceito de &quot;identitarismo&quot; como uma condenação sumária das pautas da identidade, é usada para desclassificar um setor do movimento social combativo, é usada para conter militantes sindicais que pautam a questão negra ou feminista no meio sindical, é usado quase sempre em disputas de direção de movimentos classistas contra que seja tratada a questão de gênero ou de raça trazidas pela base. O entrincheiramento entre as diferentes posições que pouco dialogam de fato entre si agrava a baixíssima qualidade que vem tido esse debate por aqui. Ainda assim a nova força desses movimentos torna provável que o debate melhore com o tempo, que se passe a dialogar com a tradição revolucionário que já existe entorno desses temas (o que pouco se faz hoje), se envolvendo cada vez mais inevitavelmente nas lutas reais entorno desses temas e etc.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,<br />
infelizmente as estratégias de frentes territórias que descrevo são dadas antes da eleição, se colocaram em 2016 e com o novo governo se revitalizam e devem ter vida longa &#8211; mesmo que apenas como linhas das organizações que as puxam e sentem desde o impechment essa abertura popular, nesse sentido uma sub-vida mesmo. Eu sou um tanto amargurado com essas frentes pois vejo elas como sintoma do nosso fracasso como campo combativo para além do lulo-petismo, mas na merda que estamos é o que há. No meu comentário com &#8220;nós&#8221; eu me refiro a um grupo ativista na sul, que fez um debate e divulgou esse cartaz a que me refiro nas eleições e depois reviveu um comitê do Grajaú: <a href="https://www.facebook.com/LutaZonaShow/photos/a.275979812749063/757527831260923/?type=3&#038;theater" rel="nofollow ugc">https://www.facebook.com/LutaZonaShow/photos/a.275979812749063/757527831260923/?type=3&#038;theater</a></p>
<p>Sobre o identitarismo, lucas e gabriel:</p>
<p>O ponto é justamente que normalmente esse conceito faz uma análise não classista, revivendo a tese stalinista do PCB (não que essa fosse a unica tese bolche, é interessante ver posição de lenin sobre esse assunto: <a href="https://www.marxists.org/portugues/cannon/1959/05/08.htm" rel="nofollow ugc">https://www.marxists.org/portugues/cannon/1959/05/08.htm</a>) de que a pauta feminina ou de raça em si mesma, por sua essência, provocaria uma divisão nociva para as lutas no seio da classe trabalhadora &#8211; tese que normalmente é um passo pano muitíssimo conveniente em ser defendida invariavelmente por cúpulas brancas e masculinas contra demandas desagradáveis de uma base negra e feminina. </p>
<p>Justamente, se formos olhar para o movimento real hoje ou na história veremos que existe sim um movimento negro e feminista intimamente ligada aos movimentos classistas com horizonte de ruptura com o capital. Ainda assim da para dizer que a maioria dos movimentos negros ou femininos hoje são pós-modernos ou pan-africanistas, e portanto, dirigidos de uma forma ou de outra pelas classes dominantes. Acontece que isso também é válido para o mundo do trabalho ou para os movimentos sociais, a maioria dos sindicatos são patronais assim como a maioria dos movimentos sociais também não são dirigidos com independência de classe &#8211; e ainda assim ninguém seria louco de dizer por isso que não se deve organizar trabalhadores por locais de trabalho por melhores condições por isso ser anti-revolucionário como dizem que não se deve organizar negros contra o racismo.  O espaço exclusivo é, em alguns momentos, uma demanda real necessária para a ação e resistência desses movimentos e não é isso que distingue a perspectiva classista ou não desses movimentos, o que distinguiria é o seu horizonte concreto de luta e suas práticas. Inclusive a maioria dos espaços desses movimentos são abertos e muito raramente comparece alguém que não é diretamente afetada pela pauta (ou seja, negros, mulheres ou lgbts) o que diz muito sobre a critica ao &#8220;exclusivismo&#8221; como mero pretexto para uma desclassificação formal e o real desinteresse/desprezo que a maioria sente por esses movimentos por motivos bem menos nobres &#8211; afinal é muito mais fácil desclassifica-los do que realmente conseguir formular conjuntamente e avançar nessas pautas o que seria invariavelmente custoso quando a questão real é, por exemplo, defender que não é um problema ser machista e ser revolucionário, e se teoriza politica longamente sobre problemas que na realidade são de base muito intima, pessoal e etc sem se dizer uma única palavra mesmo que abstrata sobre tais questões das relações pessoais ou seja sem se avançar uma linha em lidar com a causa real do problema.</p>
<p>Dai que o conceito de &#8220;identitarismo&#8221; com essa acepção essencialista que usa o passa palavra costuma ser utilizado normalmente sobretudo contra os &#8220;identitários classistas&#8221; e não tanto contra o feminismo burguês, pós-modernos e pan-africanista, que merecem de fato uma crítica mais pesada mas que seria melhor realizada por quem se preocupa em entender suas pautas. Essa utilização do conceito de &#8220;identitarismo&#8221; como uma condenação sumária das pautas da identidade, é usada para desclassificar um setor do movimento social combativo, é usada para conter militantes sindicais que pautam a questão negra ou feminista no meio sindical, é usado quase sempre em disputas de direção de movimentos classistas contra que seja tratada a questão de gênero ou de raça trazidas pela base. O entrincheiramento entre as diferentes posições que pouco dialogam de fato entre si agrava a baixíssima qualidade que vem tido esse debate por aqui. Ainda assim a nova força desses movimentos torna provável que o debate melhore com o tempo, que se passe a dialogar com a tradição revolucionário que já existe entorno desses temas (o que pouco se faz hoje), se envolvendo cada vez mais inevitavelmente nas lutas reais entorno desses temas e etc.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Seixas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/123955/#comment-371660</link>

		<dc:creator><![CDATA[Seixas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Dec 2018 23:14:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pra mim o &quot;identitarismo&quot; que tendo a chamar de pós modernismo, é um problema tao grande assim porque os &quot;comunistas&quot; não elaboram sobre a questao racial ou de gênero, e indígena, aí vaco nao existe na política né, quem ocupa esse espaço é o capital com o fortalecimento da divão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pra mim o &#8220;identitarismo&#8221; que tendo a chamar de pós modernismo, é um problema tao grande assim porque os &#8220;comunistas&#8221; não elaboram sobre a questao racial ou de gênero, e indígena, aí vaco nao existe na política né, quem ocupa esse espaço é o capital com o fortalecimento da divão.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/123955/#comment-371567</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Dec 2018 17:05:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Seixas, justamente, como você diz, importante trazer esses conflitos de identidade para dentro da luta de classes, pois mesmo dentro da &#039;&#039;esquerda&#039;&#039; essas relações de opressão ocorrem e devem ser escancaradas pra que se possa realmente criar um ambiente coletivo. É fácil ser anticapitalista, branco, com emprego bom, tendo feito faculdade boa.. Mas é inegável que os identitarismos também contribuem pra diluir a classe trabalhadora quando assumem o formato exclusivista, especificista, onde o &#039;&#039;seu lugar&#039;&#039; é um grupo cada vez mais estrito; ou mesmo quando assume a forma radical que exclui e determina subjetivamente quem é ou não é, quem merece ou não merece falar, etc. Eu acho que a &#039;&#039;esquerda&#039;&#039; hoje precisa recobrar a união.. o sentimento de coletivo, a capacidade de cooperação. É difícil criticar os identitarismos no sentido de que, se esse tipo de movimento tem conquistado visibilidade que leva mais acesso aos negros e às mulheres, uma tendência à melhorias nos salários. O problema é que se isso é feito através de medidas que reforçam o caráter de diferença, que resultados trará? Se você melhora a condição de vida através do reforço a diferença como esperar que se crie uma &#039;&#039;consciência emancipatória&#039;&#039; dentro dos movimentos identitários..
Enfim
É uma análise que ainda me divide muito. Manter a centralidade do trabalho e a consciência de classe ao mesmo tempo que se inclui as lutas contra o machismo, racismo e etc é o objetivo que parece estarmos ficando longe de deixar claro como pauta dentro da generalidade do que se considera &#039;&#039;esquerda&#039;&#039;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seixas, justamente, como você diz, importante trazer esses conflitos de identidade para dentro da luta de classes, pois mesmo dentro da &#8221;esquerda&#8221; essas relações de opressão ocorrem e devem ser escancaradas pra que se possa realmente criar um ambiente coletivo. É fácil ser anticapitalista, branco, com emprego bom, tendo feito faculdade boa.. Mas é inegável que os identitarismos também contribuem pra diluir a classe trabalhadora quando assumem o formato exclusivista, especificista, onde o &#8221;seu lugar&#8221; é um grupo cada vez mais estrito; ou mesmo quando assume a forma radical que exclui e determina subjetivamente quem é ou não é, quem merece ou não merece falar, etc. Eu acho que a &#8221;esquerda&#8221; hoje precisa recobrar a união.. o sentimento de coletivo, a capacidade de cooperação. É difícil criticar os identitarismos no sentido de que, se esse tipo de movimento tem conquistado visibilidade que leva mais acesso aos negros e às mulheres, uma tendência à melhorias nos salários. O problema é que se isso é feito através de medidas que reforçam o caráter de diferença, que resultados trará? Se você melhora a condição de vida através do reforço a diferença como esperar que se crie uma &#8221;consciência emancipatória&#8221; dentro dos movimentos identitários..<br />
Enfim<br />
É uma análise que ainda me divide muito. Manter a centralidade do trabalho e a consciência de classe ao mesmo tempo que se inclui as lutas contra o machismo, racismo e etc é o objetivo que parece estarmos ficando longe de deixar claro como pauta dentro da generalidade do que se considera &#8221;esquerda&#8221;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Seixas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/123955/#comment-371527</link>

		<dc:creator><![CDATA[Seixas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Dec 2018 13:46:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=123955#comment-371527</guid>

					<description><![CDATA[A sua fala já traz uma formulação que no fim tenta ser sútil ao definir que a crítica ao identitarismo é uma forma de combater um problema político que rompe a relação &quot;coletiva&quot; da classe. Mas na realidade essa coletividade não existe, ela se forja na luta, e se partirmos de que todos são iguais porque são classe vamos apenas reforçar isso. Organizar a classe partindo também da organização contra suas opressões é um duro golpe ao capital, porque quando organizamos os trabalhadores negros a elaborar políticas contra a opressão, podemos fazer que o conjunto dos trabalhadores se politizem em relação ao racismo. Isso falo em uma categoria onde há presença negra, mas em muitas ela é pequena, não digo que não há negros, mas a maioria ocupam empregos menos qualificados ou formas de subemprego, ou são terceirizados em setores de limpeza e serviço (setores que o sindicalismo não faz absolutamente nada). Então, tendo a olhar do lugar onde os militantes estão falando também, pra agrupamentos de funcionários públicos e setores da classe média é muito mais fácil ter uma crítica sútil do tipo (temos a crítica, mas não a resposta), porque na realidade a crítica já traz uma resposta, vamos criticar, essa é a elaboração, não é como se ela ainda vai ser feita, na verdade ela não será feita porque a política é não ter política. Eu acho super importante organizar sindicatos, inclusive o Sintrajud e alguns camaradas da ConLutas tem sido um apoio importante para fazer algumas coisas no território, mover essas máquinas para fortalecer os territórios onde nossa classe reproduz sua vida é parte do combate contra essa divisão de &quot;organizar o espaço de trabalho ou o movimento popular?&quot;, pra alguns a resposta é foda-se o sindicato vamos fazer luta popular, pra outros é foda-se a luta popular vamos pra fábrica (isso considerando que sempre vejo no funcionalismo público mais que na fábrica esses camaradas). Pra mim organizar a classe é organizar todas as esferas da sua vida produção, reprodução (que também interfere na produção de valor), e contra as opressões que esse povo sofre, todos são territórios. 
Gostaria de que esses camaradas fossem mais sinceros ao falar sobre isso, até porque sei que estão do meu lado do jogo, já da pequena burguesia não espero muito, faz sentido pra eles usar o &quot;identitarismo&quot; como escudo pra não abalar suas reproduções de direção e controle da luta da nossa classe.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A sua fala já traz uma formulação que no fim tenta ser sútil ao definir que a crítica ao identitarismo é uma forma de combater um problema político que rompe a relação &#8220;coletiva&#8221; da classe. Mas na realidade essa coletividade não existe, ela se forja na luta, e se partirmos de que todos são iguais porque são classe vamos apenas reforçar isso. Organizar a classe partindo também da organização contra suas opressões é um duro golpe ao capital, porque quando organizamos os trabalhadores negros a elaborar políticas contra a opressão, podemos fazer que o conjunto dos trabalhadores se politizem em relação ao racismo. Isso falo em uma categoria onde há presença negra, mas em muitas ela é pequena, não digo que não há negros, mas a maioria ocupam empregos menos qualificados ou formas de subemprego, ou são terceirizados em setores de limpeza e serviço (setores que o sindicalismo não faz absolutamente nada). Então, tendo a olhar do lugar onde os militantes estão falando também, pra agrupamentos de funcionários públicos e setores da classe média é muito mais fácil ter uma crítica sútil do tipo (temos a crítica, mas não a resposta), porque na realidade a crítica já traz uma resposta, vamos criticar, essa é a elaboração, não é como se ela ainda vai ser feita, na verdade ela não será feita porque a política é não ter política. Eu acho super importante organizar sindicatos, inclusive o Sintrajud e alguns camaradas da ConLutas tem sido um apoio importante para fazer algumas coisas no território, mover essas máquinas para fortalecer os territórios onde nossa classe reproduz sua vida é parte do combate contra essa divisão de &#8220;organizar o espaço de trabalho ou o movimento popular?&#8221;, pra alguns a resposta é foda-se o sindicato vamos fazer luta popular, pra outros é foda-se a luta popular vamos pra fábrica (isso considerando que sempre vejo no funcionalismo público mais que na fábrica esses camaradas). Pra mim organizar a classe é organizar todas as esferas da sua vida produção, reprodução (que também interfere na produção de valor), e contra as opressões que esse povo sofre, todos são territórios.<br />
Gostaria de que esses camaradas fossem mais sinceros ao falar sobre isso, até porque sei que estão do meu lado do jogo, já da pequena burguesia não espero muito, faz sentido pra eles usar o &#8220;identitarismo&#8221; como escudo pra não abalar suas reproduções de direção e controle da luta da nossa classe.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/123955/#comment-371513</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Dec 2018 12:24:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=123955#comment-371513</guid>

					<description><![CDATA[Me parece que o debate sobre os identitarismos cresce da mesma forma que cresce a repercussão dos grupos e movimentos identitários na mídia e, claro, de suas articulações e movimentos reais.
Eu compartilho dessa crítica. Mas também sou um desses que tento fazer uma &#039;&#039;defesa bem intencionada&#039;&#039; quanto aos identitarismos. Me parece que o problema consiste, muitas vezes, em fazer uma crítica de forma que pareça invalidar a causa defendida. Quando não é bem esse o caso, também parece que o debate gira em torno da centralidade. A verdade é que nem todos pensam na centralidade do trabalho e das relações materiais de produção como tal, transferindo o eixo central para as relações culturais ou mesmo colocando ambas em igualdade, e aí talvez se torne uma briga teórica de egos, visão de mundo..enfim.. essas situações parecem afastar e fragmentar ainda mais a esquerda...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me parece que o debate sobre os identitarismos cresce da mesma forma que cresce a repercussão dos grupos e movimentos identitários na mídia e, claro, de suas articulações e movimentos reais.<br />
Eu compartilho dessa crítica. Mas também sou um desses que tento fazer uma &#8221;defesa bem intencionada&#8221; quanto aos identitarismos. Me parece que o problema consiste, muitas vezes, em fazer uma crítica de forma que pareça invalidar a causa defendida. Quando não é bem esse o caso, também parece que o debate gira em torno da centralidade. A verdade é que nem todos pensam na centralidade do trabalho e das relações materiais de produção como tal, transferindo o eixo central para as relações culturais ou mesmo colocando ambas em igualdade, e aí talvez se torne uma briga teórica de egos, visão de mundo..enfim.. essas situações parecem afastar e fragmentar ainda mais a esquerda&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/123955/#comment-371197</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Dec 2018 17:31:33 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=123955#comment-371197</guid>

					<description><![CDATA[me faz pensar. Vivemos uma época de muita &quot;correção política&quot; à esquerda, e o último que a crítica ao identitarismo deveria tornar-se é uma forma desta, que é uma das principais armas das políticas identitárias.
Em alguns comentários neste site, já faz algum tempo, vejo um tipo de comentário defensivo quando o tema é a crítica ao identitarismo, um tipo de defensiva &quot;bem intencionada&quot; que também vejo (e já experimentei) em muitos companheiros homens quando se está falando sobre patriarcado e práticas machistas. 
Criticar o identitarismo é necessário, sem que com isso seja necessário negar a importância e as ferramentas desenvolvidas pela classe para promover a organização em setores específicos. Também é necessário criticar o corporativismo próprio da estrutura sindical contemporânea, mas isso quer dizer abandonar este terreno de luta e de disputa? Não. 
Oras, se entendemos que a luta contra a burocratização é cotidiana, e muitas vezes é uma luta interna em nossas próprias organizações, o identitarismo também pode ser entendido assim. Essa luta não serve como &quot;correção política&quot;, só pode servir como uma forma de análise (e auto-análise) das práticas, que nos sirva para verificar se nos aproximamos dos nossos ideias coletivistas ou se nos distanciamos dele.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>me faz pensar. Vivemos uma época de muita &#8220;correção política&#8221; à esquerda, e o último que a crítica ao identitarismo deveria tornar-se é uma forma desta, que é uma das principais armas das políticas identitárias.<br />
Em alguns comentários neste site, já faz algum tempo, vejo um tipo de comentário defensivo quando o tema é a crítica ao identitarismo, um tipo de defensiva &#8220;bem intencionada&#8221; que também vejo (e já experimentei) em muitos companheiros homens quando se está falando sobre patriarcado e práticas machistas.<br />
Criticar o identitarismo é necessário, sem que com isso seja necessário negar a importância e as ferramentas desenvolvidas pela classe para promover a organização em setores específicos. Também é necessário criticar o corporativismo próprio da estrutura sindical contemporânea, mas isso quer dizer abandonar este terreno de luta e de disputa? Não.<br />
Oras, se entendemos que a luta contra a burocratização é cotidiana, e muitas vezes é uma luta interna em nossas próprias organizações, o identitarismo também pode ser entendido assim. Essa luta não serve como &#8220;correção política&#8221;, só pode servir como uma forma de análise (e auto-análise) das práticas, que nos sirva para verificar se nos aproximamos dos nossos ideias coletivistas ou se nos distanciamos dele.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Seixas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/123955/#comment-370243</link>

		<dc:creator><![CDATA[Seixas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Dec 2018 02:27:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=123955#comment-370243</guid>

					<description><![CDATA[Concordando com o Gabriel, acredito que o texto carrega em si uma perspectiva de &quot;vamos recomeçar de novo&quot;, e isso o leva a não observar processos de  construção que vieram do subterrâneo, construindo verdadeiras alternativas de luta em diversos campos em que nossa classe combate. Um exemplo disso é o da luta indígena, que vem de um histórico de enfrentamentos com o capital e o Estado desde a Ditadura, momento esse da histórica em que o Guaranis conseguiram diversas demarcações de terra, e foi no governo FHC e não nos governos petistas, em que a luta dos nossos camaradas indígenas conquistou mais demarcações, que a custo do sangue de muitos, tem se preservado com embates armados que se escancararam nos últimos anos do governo Dilma. 

Então não somente os trabalhadores da cidade saíram as ruas para enfrentar o Estado, e derrubar o já podre projeto de conciliação da burocracia petista, mas  a parte da nossa classe esquecida pela esquerda também fez os mesmo, os indígenas e quilombolas.  Nas ocupações também há grandes oposições ao esquema empresarial do MTST e do MST com os projetos de financiamento do governo federal. O Luta Popular e o MRP (setor do MTST de Brasília que durante as manifestações da copa rachou com o MTST, que foi comprado para ficar em silêncio durante os jogos) são hoje importantes movimentos de combate a questão da reforma urbana, que se organização nacionalmente construindo com o povo outra forma de entender o problema da habitação e do direito a cidade. São desses movimentos, de coletivos de cultura (com forte engajamento do hip-hop e do rap), de campos da esquerda como independentes, coletivos antifascistas (skinhead, punks e agrupamentos anarquistas), autônomos e trotskystas, que estão surgindo verdadeiras frentes que não estão esperando &quot;o governo começar&quot; pra levantar a bandeira de oposição lá nas alturas da superestrutura, é no dia a dia que tenho visto esses camaradas. Inclusive fizemos boas panfletagens nos bairros contra os cortes de linha, vimos de fato trabalhadores que tem boas perspectivas com o governo Bolsonaro, mas desconhecem os projetos políticos dele, inclusive um rodoviário não acreditou em mim quando falei qual era proposta de reforma da previdência dele.

Há 5 anos o combate da nossa classe se intensificou, e quem mais soube canalizar isso pra sua construção foi a direita, na verdade a extrema-direita. Mas é do aprofundamento da precarização da vida dos trabalhadores, que a dialética dessa vida os levará a combater o próprio governo que elegeram com &quot;confiança&quot;, assim como fizeram com o PT.

 Que os camaradas sinceros que estão no enfrentamento do dia a dia, aprendam cada vez mais sobre desgaste do corporativismo das organizações sindicais e movimentos sociais. O povo já está saturado de aparelhos que entravam sua possibilidade de lutar, por isso devemos aprender com Junho de 2013, o recente levante do Haiti, Costa Rica, Nicarágua, os Coletes Amarelos da França que já se internacionalizaram pela Europa. Todos esses movimentos com direções descentralizadas, isso porque foi a única forma de escaparem da podridão do corporativismo que dirige suas categorias, os trabalhadores respondem com desindicalização em massa e revolta popular. Responder organizativamente a esses movimentos é fundamental, isso claramente se faz com enraizamento cotidiano, antes, depois e durante os processos, o que por exemplo na Luta das Escolas de 2015-2016 o Mal Educado não alcançou.

Em relação ao &quot;identitarismo&quot;, fico me perguntando qual o sentido de usar essa palavra como vocês usam, pra mim se trata claramente de algo simples com um conteúdo que é outro, os trabalhadores são em si classe trabalhadora, mas não deixam de ter identidade, se tratam de mulheres, lgbts, negros e indígenas. Quando você fala que as mulheres devem ter solidariedade de classe é fato, até porque é assim que se supera sua condição de mulher no capitalismo, organizando sua classe pra superar essa barbárie que vivemos. Agora a solidariedade entre mulheres trabalhadoras é hierárquico? Essas solidariedade serve para conseguir falar em muitos casos, superar a condição que passa em casa, a necessidade material de abortar, coisas que nem passam por nossas cabeças, e a incorporação dessas pautas no cotidiano é outro elemento fundamental da luta de classes, auxílio creche, salários iguais, direito de usar a roupa que quiser no trabalho e por aí vai, que a solidariedade de classe se construa apoiando as mulheres nos seus enfrentamentos. Em relação a questão racial muito disso também se aplica, inclusive assim como o machismo o capitalista utiliza da desigualdade racial construindo uma divisão racial do trabalho, ou vai dizer que não tenho dados pra comprovar que faxineiro, gari, segurança e as categorias mais precárias são em maioria negra? Isso sem falar que o nosso grande exército de reserva sustentado pelo racismo é o que condiciona salários baixos no conjunto da classe, e formas das mais precárias de subemprego e degradação do povo preto. Isso é evidente até em casos de imigração, nunca vi Europeu vendendo coisa na rua, a não ser playboy hippie, agora africano e haitiano até fiz amizade com uns de tanto vê-los no meu dia a dia. Como diz um camarada, pra vocês o preto já tem que sair da favela com os fuzil tudo na mão se não é identitário, se dependesse dessa esquerda burocrática e de outras esquerdas aí que conheci na minha vida, gente da minha cor estaria condenada ao esquecimento, assim como a burguesia gosta, de apagar nossa história, matar, encarcerar e depois dizer que está tudo bem aqui existe &quot;democracia racial&quot;, e vocês apenas ajudam a construir esse mito da democracia racial negando com palavras bonitas a organização do povo preto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordando com o Gabriel, acredito que o texto carrega em si uma perspectiva de &#8220;vamos recomeçar de novo&#8221;, e isso o leva a não observar processos de  construção que vieram do subterrâneo, construindo verdadeiras alternativas de luta em diversos campos em que nossa classe combate. Um exemplo disso é o da luta indígena, que vem de um histórico de enfrentamentos com o capital e o Estado desde a Ditadura, momento esse da histórica em que o Guaranis conseguiram diversas demarcações de terra, e foi no governo FHC e não nos governos petistas, em que a luta dos nossos camaradas indígenas conquistou mais demarcações, que a custo do sangue de muitos, tem se preservado com embates armados que se escancararam nos últimos anos do governo Dilma. </p>
<p>Então não somente os trabalhadores da cidade saíram as ruas para enfrentar o Estado, e derrubar o já podre projeto de conciliação da burocracia petista, mas  a parte da nossa classe esquecida pela esquerda também fez os mesmo, os indígenas e quilombolas.  Nas ocupações também há grandes oposições ao esquema empresarial do MTST e do MST com os projetos de financiamento do governo federal. O Luta Popular e o MRP (setor do MTST de Brasília que durante as manifestações da copa rachou com o MTST, que foi comprado para ficar em silêncio durante os jogos) são hoje importantes movimentos de combate a questão da reforma urbana, que se organização nacionalmente construindo com o povo outra forma de entender o problema da habitação e do direito a cidade. São desses movimentos, de coletivos de cultura (com forte engajamento do hip-hop e do rap), de campos da esquerda como independentes, coletivos antifascistas (skinhead, punks e agrupamentos anarquistas), autônomos e trotskystas, que estão surgindo verdadeiras frentes que não estão esperando &#8220;o governo começar&#8221; pra levantar a bandeira de oposição lá nas alturas da superestrutura, é no dia a dia que tenho visto esses camaradas. Inclusive fizemos boas panfletagens nos bairros contra os cortes de linha, vimos de fato trabalhadores que tem boas perspectivas com o governo Bolsonaro, mas desconhecem os projetos políticos dele, inclusive um rodoviário não acreditou em mim quando falei qual era proposta de reforma da previdência dele.</p>
<p>Há 5 anos o combate da nossa classe se intensificou, e quem mais soube canalizar isso pra sua construção foi a direita, na verdade a extrema-direita. Mas é do aprofundamento da precarização da vida dos trabalhadores, que a dialética dessa vida os levará a combater o próprio governo que elegeram com &#8220;confiança&#8221;, assim como fizeram com o PT.</p>
<p> Que os camaradas sinceros que estão no enfrentamento do dia a dia, aprendam cada vez mais sobre desgaste do corporativismo das organizações sindicais e movimentos sociais. O povo já está saturado de aparelhos que entravam sua possibilidade de lutar, por isso devemos aprender com Junho de 2013, o recente levante do Haiti, Costa Rica, Nicarágua, os Coletes Amarelos da França que já se internacionalizaram pela Europa. Todos esses movimentos com direções descentralizadas, isso porque foi a única forma de escaparem da podridão do corporativismo que dirige suas categorias, os trabalhadores respondem com desindicalização em massa e revolta popular. Responder organizativamente a esses movimentos é fundamental, isso claramente se faz com enraizamento cotidiano, antes, depois e durante os processos, o que por exemplo na Luta das Escolas de 2015-2016 o Mal Educado não alcançou.</p>
<p>Em relação ao &#8220;identitarismo&#8221;, fico me perguntando qual o sentido de usar essa palavra como vocês usam, pra mim se trata claramente de algo simples com um conteúdo que é outro, os trabalhadores são em si classe trabalhadora, mas não deixam de ter identidade, se tratam de mulheres, lgbts, negros e indígenas. Quando você fala que as mulheres devem ter solidariedade de classe é fato, até porque é assim que se supera sua condição de mulher no capitalismo, organizando sua classe pra superar essa barbárie que vivemos. Agora a solidariedade entre mulheres trabalhadoras é hierárquico? Essas solidariedade serve para conseguir falar em muitos casos, superar a condição que passa em casa, a necessidade material de abortar, coisas que nem passam por nossas cabeças, e a incorporação dessas pautas no cotidiano é outro elemento fundamental da luta de classes, auxílio creche, salários iguais, direito de usar a roupa que quiser no trabalho e por aí vai, que a solidariedade de classe se construa apoiando as mulheres nos seus enfrentamentos. Em relação a questão racial muito disso também se aplica, inclusive assim como o machismo o capitalista utiliza da desigualdade racial construindo uma divisão racial do trabalho, ou vai dizer que não tenho dados pra comprovar que faxineiro, gari, segurança e as categorias mais precárias são em maioria negra? Isso sem falar que o nosso grande exército de reserva sustentado pelo racismo é o que condiciona salários baixos no conjunto da classe, e formas das mais precárias de subemprego e degradação do povo preto. Isso é evidente até em casos de imigração, nunca vi Europeu vendendo coisa na rua, a não ser playboy hippie, agora africano e haitiano até fiz amizade com uns de tanto vê-los no meu dia a dia. Como diz um camarada, pra vocês o preto já tem que sair da favela com os fuzil tudo na mão se não é identitário, se dependesse dessa esquerda burocrática e de outras esquerdas aí que conheci na minha vida, gente da minha cor estaria condenada ao esquecimento, assim como a burguesia gosta, de apagar nossa história, matar, encarcerar e depois dizer que está tudo bem aqui existe &#8220;democracia racial&#8221;, e vocês apenas ajudam a construir esse mito da democracia racial negando com palavras bonitas a organização do povo preto.</p>
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