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	Comentários sobre: Com os Gilets Jaunes: contra a representação, pela democracia	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Ricardo Ronaldo Pinto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/124182/#comment-371861</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Ronaldo Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Dec 2018 11:39:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Uso os mesmo argumentos de combate ao &quot;argumento preguiçoso&quot; para votar e me opor a campanha do &quot;voto nulo&quot;. Sabendo que o voto em candidatos nas eleições representativas do Estado capitalista é de certa forma &quot;quase&quot; nulo, eu acabo por considerar que há um saldo positivo e negativo sempre. Aprofundando, não me sirvo do argumento da chamada &quot;democracia direta&quot;, pois esta acaba em nos tornar representativos de nós mesmo, assim como a autogestão sob o capital acaba por ser um auto-exploração, numa sobreposição da forma mercadoria ao conteúdo classista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uso os mesmo argumentos de combate ao &#8220;argumento preguiçoso&#8221; para votar e me opor a campanha do &#8220;voto nulo&#8221;. Sabendo que o voto em candidatos nas eleições representativas do Estado capitalista é de certa forma &#8220;quase&#8221; nulo, eu acabo por considerar que há um saldo positivo e negativo sempre. Aprofundando, não me sirvo do argumento da chamada &#8220;democracia direta&#8221;, pois esta acaba em nos tornar representativos de nós mesmo, assim como a autogestão sob o capital acaba por ser um auto-exploração, numa sobreposição da forma mercadoria ao conteúdo classista.</p>
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		<title>
		Por: Julio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/124182/#comment-369950</link>

		<dc:creator><![CDATA[Julio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Dec 2018 13:29:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dois problemas: que o movimento possa ser cooptado pela esquerda, não significa que ele queira/poderá ser. Na verdade, muito mais provável é que ele seja cooptado pela direita, uma vez que o discurso ecológico, identitário, etc, se tornou incorporado pelo neoliberalismo e, principalmente o ecológico, nada mais faz que encarecer os produtos consumidos pela população e aumentar impostos em geral, algo que o próprio governo Macron e o de seus antecessores, não deveria fazer com uma França que vê sua desigualdade crescer (https://publications.banque-france.fr/en/evolution-wealth-inequality-france-1800-2014).

Quando ao fato do movimento não ter porta-voz, é realmente problemático. Em primeiro lugar, se Macron fosse minimamente habilidoso, já teria se disposto a conversar com o porta-voz do movimento e este diria que não há um, então ele poderia ter escolhido um porta-voz para dialogar, e deixado o resto do movimento falar contra este porta-voz. Essa sequência teria sido um belo começo para deslegitimar o movimento e um motivo para Macron dizer que é um movimento que se recusa a conversar; justificaria a polícia, pelo menos.
Macron, contudo, é um tecnocrata, e como todo, não consegue pensar em nada disso, nem perceber a importância de um bom assessor político que não seja um tecnocrata.
Acho difícil que o movimento consiga consolidar as concessões que Macron fez e fará; assim como demonstra uma fraqueza discursiva em não ter porta-voz, porque a falta de um discurso coeso limita o movimento à sua &quot;potência&quot; política, e não o permite se transformar em ator político (com identidade definida). Essa difusão pode ter suas vantagens, mas claramente faz do movimento algo temporário e muito cooptável pelos outros atores políticos.

As pessoas precisam lembrar que não é o Estado que fará (e nem deve) o esforço para &quot;compreender&quot; o movimento, suas pautas e dinâmicas. O Estado não fará nada mais do que deve fazer; tentar restaurar a ordem social com o mínimo de concessões possíveis. E o que é um movimento num país de bem-estar social europeu de primeiro mundo frente ao Estado? A parte fraca.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dois problemas: que o movimento possa ser cooptado pela esquerda, não significa que ele queira/poderá ser. Na verdade, muito mais provável é que ele seja cooptado pela direita, uma vez que o discurso ecológico, identitário, etc, se tornou incorporado pelo neoliberalismo e, principalmente o ecológico, nada mais faz que encarecer os produtos consumidos pela população e aumentar impostos em geral, algo que o próprio governo Macron e o de seus antecessores, não deveria fazer com uma França que vê sua desigualdade crescer (<a href="https://publications.banque-france.fr/en/evolution-wealth-inequality-france-1800-2014" rel="nofollow ugc">https://publications.banque-france.fr/en/evolution-wealth-inequality-france-1800-2014</a>).</p>
<p>Quando ao fato do movimento não ter porta-voz, é realmente problemático. Em primeiro lugar, se Macron fosse minimamente habilidoso, já teria se disposto a conversar com o porta-voz do movimento e este diria que não há um, então ele poderia ter escolhido um porta-voz para dialogar, e deixado o resto do movimento falar contra este porta-voz. Essa sequência teria sido um belo começo para deslegitimar o movimento e um motivo para Macron dizer que é um movimento que se recusa a conversar; justificaria a polícia, pelo menos.<br />
Macron, contudo, é um tecnocrata, e como todo, não consegue pensar em nada disso, nem perceber a importância de um bom assessor político que não seja um tecnocrata.<br />
Acho difícil que o movimento consiga consolidar as concessões que Macron fez e fará; assim como demonstra uma fraqueza discursiva em não ter porta-voz, porque a falta de um discurso coeso limita o movimento à sua &#8220;potência&#8221; política, e não o permite se transformar em ator político (com identidade definida). Essa difusão pode ter suas vantagens, mas claramente faz do movimento algo temporário e muito cooptável pelos outros atores políticos.</p>
<p>As pessoas precisam lembrar que não é o Estado que fará (e nem deve) o esforço para &#8220;compreender&#8221; o movimento, suas pautas e dinâmicas. O Estado não fará nada mais do que deve fazer; tentar restaurar a ordem social com o mínimo de concessões possíveis. E o que é um movimento num país de bem-estar social europeu de primeiro mundo frente ao Estado? A parte fraca.</p>
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		<title>
		Por: Pra que usar a roda se eu posso inventá-la do zero?		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/124182/#comment-368588</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pra que usar a roda se eu posso inventá-la do zero?]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Dec 2018 00:35:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pegando esse trecho do Gilets Jaunes da Commercy 

&quot;Se nomearmos “representantes” e “porta-vozes” isso acabará por nos deixar passivos. Pior: vamos reproduzir rapidamente o sistema e funcionar de cima para baixo assim como os crápulas que nos dirigem. Estes autoproclamados “representantes do povo”, que estão enchendo seus bolsos, que fazem leis que apodrecem a vida e que servem aos interesses dos ultra-ricos! Não coloque o dedo na engrenagem de representação e da assimilação. Este não é o momento de confiar nossa palavra a um pequeno punhado, mesmo que eles pareçam honestos. Que eles nos escutem a todos ou que não escutem a ninguém!&quot;

Esse hábito de não eleger democraticamente algum porta-voz do movimento sempre resultará na construção de um representante escolhido ao gosto das mídias e das classes dominantes... Como diabos um porta voz escolhido pelas assembléias locais viraria da noite pro dia uma engrenagem da democracia representativa? Parece que o trauma do burocratismo gerou um irmão gêmeo igualmente problemático: a total falta de compreensão de que 1) lideranças não necessáriamente são figuras centralizadoras; elas muitas vezes cumprem papel de mobilizar organizar e repassar importantes acúmulos para os que estão começando do zero; 2) se o movimento não escolhe um representante, a classe dominante vai escolher um abobado aleatório pra vomitar asneira reacionária.

Sub Comandante Marcos nessas horas seria um centralizador pra essa lógica ensimesmada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pegando esse trecho do Gilets Jaunes da Commercy </p>
<p>&#8220;Se nomearmos “representantes” e “porta-vozes” isso acabará por nos deixar passivos. Pior: vamos reproduzir rapidamente o sistema e funcionar de cima para baixo assim como os crápulas que nos dirigem. Estes autoproclamados “representantes do povo”, que estão enchendo seus bolsos, que fazem leis que apodrecem a vida e que servem aos interesses dos ultra-ricos! Não coloque o dedo na engrenagem de representação e da assimilação. Este não é o momento de confiar nossa palavra a um pequeno punhado, mesmo que eles pareçam honestos. Que eles nos escutem a todos ou que não escutem a ninguém!&#8221;</p>
<p>Esse hábito de não eleger democraticamente algum porta-voz do movimento sempre resultará na construção de um representante escolhido ao gosto das mídias e das classes dominantes&#8230; Como diabos um porta voz escolhido pelas assembléias locais viraria da noite pro dia uma engrenagem da democracia representativa? Parece que o trauma do burocratismo gerou um irmão gêmeo igualmente problemático: a total falta de compreensão de que 1) lideranças não necessáriamente são figuras centralizadoras; elas muitas vezes cumprem papel de mobilizar organizar e repassar importantes acúmulos para os que estão começando do zero; 2) se o movimento não escolhe um representante, a classe dominante vai escolher um abobado aleatório pra vomitar asneira reacionária.</p>
<p>Sub Comandante Marcos nessas horas seria um centralizador pra essa lógica ensimesmada.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/12/124182/#comment-368523</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Dec 2018 22:37:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Daquilo que é possível entender pelas informações que conseguimos acessar sobre os coletes amarelos daqui do Brasil, esse com certeza parece um movimento muito importante. E complexo, ambíguo, simultaneamente potente e perigoso, talvez como foi a paralisação dos caminhoneiros. Simpatizo com os autores desse texto quando fazem um certo apelo à militância para que se envolva no movimento. Parece o correto a se fazer mesmo. Por outro lado, começo a ficar desconfiado quando vejo se proliferarem textos que, como este, apresentam uma visão muito otimista e positiva do processo. Não seria isso um sintoma de uma domesticação da luta em curso? Será que os coletes não estão correndo o risco de perder alguma dimensão subversiva que traziam e que incomodava inclusive a esquerda aspirante a gestora? - e que, nesse sentido, o envolvimento dessa militância de esquerda para &quot;disputar&quot; represente, na prática, uma proposta de cooptação &quot;por dentro&quot;? Por exemplo: soa estranho os autores falarem de fortalecer uma linha &quot;ecológica&quot; entre os coletes amarelos quando a reivindicação inicial era justamente contra a taxa ambiental no combustível. Não havia algo importante nisso que agora está sendo abandonado, recusado?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Daquilo que é possível entender pelas informações que conseguimos acessar sobre os coletes amarelos daqui do Brasil, esse com certeza parece um movimento muito importante. E complexo, ambíguo, simultaneamente potente e perigoso, talvez como foi a paralisação dos caminhoneiros. Simpatizo com os autores desse texto quando fazem um certo apelo à militância para que se envolva no movimento. Parece o correto a se fazer mesmo. Por outro lado, começo a ficar desconfiado quando vejo se proliferarem textos que, como este, apresentam uma visão muito otimista e positiva do processo. Não seria isso um sintoma de uma domesticação da luta em curso? Será que os coletes não estão correndo o risco de perder alguma dimensão subversiva que traziam e que incomodava inclusive a esquerda aspirante a gestora? &#8211; e que, nesse sentido, o envolvimento dessa militância de esquerda para &#8220;disputar&#8221; represente, na prática, uma proposta de cooptação &#8220;por dentro&#8221;? Por exemplo: soa estranho os autores falarem de fortalecer uma linha &#8220;ecológica&#8221; entre os coletes amarelos quando a reivindicação inicial era justamente contra a taxa ambiental no combustível. Não havia algo importante nisso que agora está sendo abandonado, recusado?</p>
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