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	Comentários sobre: &#8220;Olha como a coisa virou&#8221;	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Luis		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/01/125118/#comment-421353</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Apr 2019 02:25:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Será impossível fazer sínteses, identificar sentidos e tendências, ao se fazer história? Ou, invertendo a pergunta, será que é possível abarcar a totalidade dos acontecimentos de um período ao se escrever história? Nem um nem outro, claro.

Para Adrian, o texto remontaria &quot;um percurso 2013-2018 completamente parcial, no qual entram apenas os fatos que servem à demonstração da hipótese central do texto&quot;. Os autores teriam, então, propositadamente ocultado uma série de fatos para sustentar sua tese. Mas será que tais fatos provam por si só que a tese está errada, ou será que é o Adrian que vê nesses fatos algo diferente do que veem os autores? Será que o percurso histórico traçado no texto é incompatível com tais fatos, ou será que a análise os contempla sem precisar enunciá-los um a um?

Vejamos alguns dos exemplos dados pelo Adrian:

1. &quot;Manifestações multitudinárias contra o impeachment&quot;, &quot;grandes manifestações por “Fora Temer” em 2016&quot;. Ora, não são esses, afinal, os melhores exemplos de mobilizações da esquerda em defesa da ordem, que o texto tanto critica? Qual foi o grande mote da luta contra o golpe e contra o governo golpista de Temer senão a &quot;defesa da democracia&quot;?

2. Greves:
a) &quot;A (sic) primeira greve geral da história do Brasil: a de 28 de abril de 2017, que incluiu, na paralisação, setores que jamais tinham parado nem feito uma assembleia&quot;. De fato, o texto está correto em não atribuir a &quot;primeira greve geral da história do Brasil&quot; a 2017 pois a primeira greve geral aconteceu 100 anos antes, em 1917. Em 2017 vivemos, é verdade, um dia nacional de paralisação em que muitas categorias, que sem dúvidas se insere &quot;no aumento vertiginoso do índice de greves desde 2011&quot; sobre o qual fala o texto. Porém, qualquer análise do que aconteceu nesse dia irá constatar que ocorreram, simultaneamente, tanto situações de trabalhadores que se organizaram e paralisaram à revelia de seus sindicatos (o que reforça a tendência da revolta e da ruptura da ordem) quanto situações em que centrais e sindicatos (como gestores da força de trabalho, órgãos de governo, &quot;forças produtivas&quot;) pararam sua base artificialmente ou fizeram movimentos de fachada. O que nos diz o fato do movimento não ter continuado nos dias seguintes, tendo ficado sufocado pelo calendário imposto pelos sindicatos?
b) &quot;A greve dos petroleiros de maio de 2018 (sim a dos caminhoneiros nos mesmos dias)&quot; não parece antagônica ao resto do movimento. Mas, sem dúvidas, houve nela uma diferença fundamental em relação aos caminhoneiros: quando confrontada por uma ameaça de multa contra os sindicatos, viu-se muito mais amarrada à ordem.
c) &quot;As lutas dos municipais de São Paulo que barraram na rua a primeira tentativa de Doria de confisco salarial&quot; se encaixam ainda nessa onda grevista mais geral.
Olhando pelo outro lado: o que representam ataques como a destruição dos sistemas de previdência social, a destruição da CLT e dos sindicatos, o fim da justiça do trabalho, senão a tal &quot;onda destrutiva&quot; da qual fala o texto?

3. O assassinato de Marielle Franco, &quot;centenas de milhares nas ruas contra seu assassinato&quot;, as milícias e &quot;os assassinatos de lideranças no campo e nas aldeias indígenas&quot;. Ora, o que indicam esses acontecimentos senão a &quot;escalada repressiva&quot; pós-2013 sobre a qual fala o texto? Por outro lado, podemos pensar, o que explica a perseguição ao MST num momento em que o movimento já parecia plenamente integrado como um produtor de orgânicos e gestor de populações e políticas públicas? Parece reforçar a tendência de &quot;destruição de forças produtivas&quot; da qual tratam os autores.

4. &quot;Existiram as ocupações de colégios em São Paulo em 2015, mas não existiram as de 2016 no Paraná nem qualquer outra das muitas ocupações de campi universitários e de órgãos públicos contra o governo Temer no mesmo ano&quot;. Por que será que Adrian exclui as lutas de 2016 da &quot;recusa coletiva dos secundaristas às medidas de austeridade&quot; sobre a qual falam os autores?

5. &quot;As diversas mobilizações de março deste ano&quot;... bom, estamos em abril já. O que aconteceu de tão relevante em março?

Essas respostas são repetições do que já está escrito: a síntese dos autores do texto sobre tais acontecimentos nós já conhecemos. Mas por que Adrian selecionou, dentre tantos acontecimentos, esses acima? Que outra história o companheiro depreende a partir de tais fatos?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Será impossível fazer sínteses, identificar sentidos e tendências, ao se fazer história? Ou, invertendo a pergunta, será que é possível abarcar a totalidade dos acontecimentos de um período ao se escrever história? Nem um nem outro, claro.</p>
<p>Para Adrian, o texto remontaria &#8220;um percurso 2013-2018 completamente parcial, no qual entram apenas os fatos que servem à demonstração da hipótese central do texto&#8221;. Os autores teriam, então, propositadamente ocultado uma série de fatos para sustentar sua tese. Mas será que tais fatos provam por si só que a tese está errada, ou será que é o Adrian que vê nesses fatos algo diferente do que veem os autores? Será que o percurso histórico traçado no texto é incompatível com tais fatos, ou será que a análise os contempla sem precisar enunciá-los um a um?</p>
<p>Vejamos alguns dos exemplos dados pelo Adrian:</p>
<p>1. &#8220;Manifestações multitudinárias contra o impeachment&#8221;, &#8220;grandes manifestações por “Fora Temer” em 2016&#8221;. Ora, não são esses, afinal, os melhores exemplos de mobilizações da esquerda em defesa da ordem, que o texto tanto critica? Qual foi o grande mote da luta contra o golpe e contra o governo golpista de Temer senão a &#8220;defesa da democracia&#8221;?</p>
<p>2. Greves:<br />
a) &#8220;A (sic) primeira greve geral da história do Brasil: a de 28 de abril de 2017, que incluiu, na paralisação, setores que jamais tinham parado nem feito uma assembleia&#8221;. De fato, o texto está correto em não atribuir a &#8220;primeira greve geral da história do Brasil&#8221; a 2017 pois a primeira greve geral aconteceu 100 anos antes, em 1917. Em 2017 vivemos, é verdade, um dia nacional de paralisação em que muitas categorias, que sem dúvidas se insere &#8220;no aumento vertiginoso do índice de greves desde 2011&#8221; sobre o qual fala o texto. Porém, qualquer análise do que aconteceu nesse dia irá constatar que ocorreram, simultaneamente, tanto situações de trabalhadores que se organizaram e paralisaram à revelia de seus sindicatos (o que reforça a tendência da revolta e da ruptura da ordem) quanto situações em que centrais e sindicatos (como gestores da força de trabalho, órgãos de governo, &#8220;forças produtivas&#8221;) pararam sua base artificialmente ou fizeram movimentos de fachada. O que nos diz o fato do movimento não ter continuado nos dias seguintes, tendo ficado sufocado pelo calendário imposto pelos sindicatos?<br />
b) &#8220;A greve dos petroleiros de maio de 2018 (sim a dos caminhoneiros nos mesmos dias)&#8221; não parece antagônica ao resto do movimento. Mas, sem dúvidas, houve nela uma diferença fundamental em relação aos caminhoneiros: quando confrontada por uma ameaça de multa contra os sindicatos, viu-se muito mais amarrada à ordem.<br />
c) &#8220;As lutas dos municipais de São Paulo que barraram na rua a primeira tentativa de Doria de confisco salarial&#8221; se encaixam ainda nessa onda grevista mais geral.<br />
Olhando pelo outro lado: o que representam ataques como a destruição dos sistemas de previdência social, a destruição da CLT e dos sindicatos, o fim da justiça do trabalho, senão a tal &#8220;onda destrutiva&#8221; da qual fala o texto?</p>
<p>3. O assassinato de Marielle Franco, &#8220;centenas de milhares nas ruas contra seu assassinato&#8221;, as milícias e &#8220;os assassinatos de lideranças no campo e nas aldeias indígenas&#8221;. Ora, o que indicam esses acontecimentos senão a &#8220;escalada repressiva&#8221; pós-2013 sobre a qual fala o texto? Por outro lado, podemos pensar, o que explica a perseguição ao MST num momento em que o movimento já parecia plenamente integrado como um produtor de orgânicos e gestor de populações e políticas públicas? Parece reforçar a tendência de &#8220;destruição de forças produtivas&#8221; da qual tratam os autores.</p>
<p>4. &#8220;Existiram as ocupações de colégios em São Paulo em 2015, mas não existiram as de 2016 no Paraná nem qualquer outra das muitas ocupações de campi universitários e de órgãos públicos contra o governo Temer no mesmo ano&#8221;. Por que será que Adrian exclui as lutas de 2016 da &#8220;recusa coletiva dos secundaristas às medidas de austeridade&#8221; sobre a qual falam os autores?</p>
<p>5. &#8220;As diversas mobilizações de março deste ano&#8221;&#8230; bom, estamos em abril já. O que aconteceu de tão relevante em março?</p>
<p>Essas respostas são repetições do que já está escrito: a síntese dos autores do texto sobre tais acontecimentos nós já conhecemos. Mas por que Adrian selecionou, dentre tantos acontecimentos, esses acima? Que outra história o companheiro depreende a partir de tais fatos?</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/01/125118/#comment-421258</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Apr 2019 22:06:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ou seja, que o mais significativo seja o anonimato da autoria, e que Adrian considere a paralização geral de 2017 como &quot;a primeira greve geral da história do Brasil&quot; mostram a falta de qualquer base para uma crítica. Olha aqui, Adrian, você pode aprender um pouco da Midia Golpista: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/04/1879448-relembre-10-grandes-greves-que-marcaram-o-brasil-desde-1917.shtml

De resto, não se entende para onde aponta a tua crítica. É para dizer que ainda existia uma parte da esquerda viva? Acho que o texto aceita isso, entendendo que isso que sobrou da esquerda é um cadáver ainda em decomposição, esperando o momento de se recompor: o PT conseguirá voltar a ser o que foi, o melhor gestor do capital desde 1988? Ou será que a centro-esquerda do PDT e do PSB tomarão o seu lugar de esquerda responsável?
De todas formas, as &quot;multitudinárias&quot; marchas contra o impeachment e contra Temer não tiveram lá muitos resultados, e foram essencialmente manifestações de eleitores, dado que não tinham como paralisar o processo produtivo ou sequer de ameaçá-lo como forma de pressão. E estes mesmos eleitores &quot;multitudinários&quot; perderam as eleições em 2018, o que apenas confirma sua pouca relevância no cenário atual. As &quot;ações organizadas da classe&quot; hoje em dia servem ou para sustentar/ressucitar o acordo das classes dominantes pós-1988 ou para realizar mercados de produtos agro-ecológicos. Por isso para uma análise de luta de classes, estas &quot;ações organizadas da classe&quot; devem ser entendidas com esta clareza.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ou seja, que o mais significativo seja o anonimato da autoria, e que Adrian considere a paralização geral de 2017 como &#8220;a primeira greve geral da história do Brasil&#8221; mostram a falta de qualquer base para uma crítica. Olha aqui, Adrian, você pode aprender um pouco da Midia Golpista: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/04/1879448-relembre-10-grandes-greves-que-marcaram-o-brasil-desde-1917.shtml" rel="nofollow ugc">https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/04/1879448-relembre-10-grandes-greves-que-marcaram-o-brasil-desde-1917.shtml</a></p>
<p>De resto, não se entende para onde aponta a tua crítica. É para dizer que ainda existia uma parte da esquerda viva? Acho que o texto aceita isso, entendendo que isso que sobrou da esquerda é um cadáver ainda em decomposição, esperando o momento de se recompor: o PT conseguirá voltar a ser o que foi, o melhor gestor do capital desde 1988? Ou será que a centro-esquerda do PDT e do PSB tomarão o seu lugar de esquerda responsável?<br />
De todas formas, as &#8220;multitudinárias&#8221; marchas contra o impeachment e contra Temer não tiveram lá muitos resultados, e foram essencialmente manifestações de eleitores, dado que não tinham como paralisar o processo produtivo ou sequer de ameaçá-lo como forma de pressão. E estes mesmos eleitores &#8220;multitudinários&#8221; perderam as eleições em 2018, o que apenas confirma sua pouca relevância no cenário atual. As &#8220;ações organizadas da classe&#8221; hoje em dia servem ou para sustentar/ressucitar o acordo das classes dominantes pós-1988 ou para realizar mercados de produtos agro-ecológicos. Por isso para uma análise de luta de classes, estas &#8220;ações organizadas da classe&#8221; devem ser entendidas com esta clareza.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/01/125118/#comment-420766</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Apr 2019 20:22:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ANONIMATO ENTRE NÓS. &#039;NÓS&#039; QUEM, CARA PÁLIDA?!
&quot;Quando o machado entrou na floresta, as árvores disseram: o cabo é dos nossos.&quot; Provérbio turco]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ANONIMATO ENTRE NÓS. &#8216;NÓS&#8217; QUEM, CARA PÁLIDA?!<br />
&#8220;Quando o machado entrou na floresta, as árvores disseram: o cabo é dos nossos.&#8221; Provérbio turco</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ADRIAN PABLO FANJUL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/01/125118/#comment-420679</link>

		<dc:creator><![CDATA[ADRIAN PABLO FANJUL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Apr 2019 15:34:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[HISTÓRIA CORTADA SOB MEDIDA 
O artigo tem vários acertos e está muito bem escrito, mas me parece uma expressão representativa de uma visão que, infelizmente, tem certa difusão entre setores que se reconhecem como antissistema ou anticapitalistas. 
O texto parte de uma base muito convincente: desde 2013, boa parte da esquerda se encontrou, de diferentes maneiras, identificando-se com a ordem, quer por estar no governo, quer pelo modo como se posicionou diante dos questionamentos. Porém, daí descamba para um percurso 2013-2018 completamente parcial, no qual entram apenas os fatos que servem à demonstração da hipótese central do texto:que Bolsonaro encarna a revolta social e simultaneamente sua repressão que dá lugar à volta da ordem. O que não serve a isso simplesmente não existiu: não importa seu tamanho, é excluído com um cuidado milimétrico.
Não existem as manifestações multitudinárias contra o impeachment, somente as manifestações favoráveis. Não existiram as grandes manifestações por &quot;Fora Témer&quot; em 2016. Não existiu (pasmem, logo num texto que termina se perguntando &quot;por onde caminha a luta de classe?&quot;) a primeira greve geral da história do Brasil: a de 28 de abril de 2017, que incluiu, na paralisação, setores que jamais tinham parado nem feito uma assembleia. Não existiu a greve dos petroleiros de maio de 2018 (sim a dos caminhoneiros nos mesmos dias). Não existiram as lutas dos municipais de São Paulo que barraram na rua a primeira tentativa de Doria de confisco salarial. Marielle Franco não foi assassinada, nem houve centenas de milhares nas ruas contra seu assassinato. Isso não é casual, afinal o texto ironiza a possibilidade de a esquerda se organizar &quot;nas quebradas&quot;, e para os autores também não existem as milícias nem os assassinatos de lideranças no campo e nas aldeias indígenas. Existiram as ocupações de colégios em São Paulo em 2015, mas não existiram as de 2016 no Paraná nem qualquer outra das muitas ocupações de campi universitários e de órgãos públicos contra o governo Temer no mesmo ano. O texto é de janeiro de 2019, então não se pode pedir que considere as diversas mobilizações de março deste ano, mas tudo indica que a visão que o texto  dispara, na sua seletividade, não estaria preparada para vê-las. 
Os autores conseguem a proeza de romantizar Bolsonaro, algo que hoje nem os bolsonaristas já ensaiam sem passar vergonha, veja-se este trecho: &quot;Para os defensores do arranjo atacado por Bolsonaro, pode ser reconfortante crer que o novo presidente tenha sido eleito à base de mentiras (manipulando os usuários do WhatsApp com uma indústria de fake news); todavia, parece mais correto considerar o contrário: foi sobretudo por assumir abertamente verdades até então dissimuladas que o capitão angariou tamanho respaldo popular.&quot; Curioso que uma análise que dá tanta importância a como o &quot;novo proletariado&quot; é &quot;conectado às tecnologias da informação&quot; não dê qualquer relevância a um espalhamento de fake news cujos efeitos sobre as previsões eleitorais puderam ser acompanhados dia a dia. É caro que as fake news não explicam o resultado por si, mas desconhecer o efeito de algo que custou, ao que parece, dezenas de milhões de reais a alguns empresários é bem unilateral. 
Há mais lugares do texto onde se evidencia essa visão que evita cuidadosamente tudo que possa especificar a generalidade da &quot;revolta&quot; em termos de classe e, sobretudo, de  de ações organizadas de classe. Também outros onde o afã de romantizar reproduz como &quot;voz popular&quot; o que poderia ser um dos comentários negacionistas que pipocaram no último 31 de março (&quot;14 milhões de desempregados, isso que é tortura!&quot;) e que também foram contestados nas ruas. Porém, o mais significativo é o fato de os autores não assinarem com o próprio nome, mas como &quot;um grupo de militantes&quot;. Dado que o texto não inclui nada que pudesse dar lugar a perseguição judicial, e que simultaneamente circulam convocatórias a manifestações e textos de igual ou maior rebeldia, fica a pergunta pela atitude em relação ao &quot;lado de cá&quot; em que os autores fazem questão  de se enunciar. Precisamos do anonimato entre nós?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>HISTÓRIA CORTADA SOB MEDIDA<br />
O artigo tem vários acertos e está muito bem escrito, mas me parece uma expressão representativa de uma visão que, infelizmente, tem certa difusão entre setores que se reconhecem como antissistema ou anticapitalistas.<br />
O texto parte de uma base muito convincente: desde 2013, boa parte da esquerda se encontrou, de diferentes maneiras, identificando-se com a ordem, quer por estar no governo, quer pelo modo como se posicionou diante dos questionamentos. Porém, daí descamba para um percurso 2013-2018 completamente parcial, no qual entram apenas os fatos que servem à demonstração da hipótese central do texto:que Bolsonaro encarna a revolta social e simultaneamente sua repressão que dá lugar à volta da ordem. O que não serve a isso simplesmente não existiu: não importa seu tamanho, é excluído com um cuidado milimétrico.<br />
Não existem as manifestações multitudinárias contra o impeachment, somente as manifestações favoráveis. Não existiram as grandes manifestações por &#8220;Fora Témer&#8221; em 2016. Não existiu (pasmem, logo num texto que termina se perguntando &#8220;por onde caminha a luta de classe?&#8221;) a primeira greve geral da história do Brasil: a de 28 de abril de 2017, que incluiu, na paralisação, setores que jamais tinham parado nem feito uma assembleia. Não existiu a greve dos petroleiros de maio de 2018 (sim a dos caminhoneiros nos mesmos dias). Não existiram as lutas dos municipais de São Paulo que barraram na rua a primeira tentativa de Doria de confisco salarial. Marielle Franco não foi assassinada, nem houve centenas de milhares nas ruas contra seu assassinato. Isso não é casual, afinal o texto ironiza a possibilidade de a esquerda se organizar &#8220;nas quebradas&#8221;, e para os autores também não existem as milícias nem os assassinatos de lideranças no campo e nas aldeias indígenas. Existiram as ocupações de colégios em São Paulo em 2015, mas não existiram as de 2016 no Paraná nem qualquer outra das muitas ocupações de campi universitários e de órgãos públicos contra o governo Temer no mesmo ano. O texto é de janeiro de 2019, então não se pode pedir que considere as diversas mobilizações de março deste ano, mas tudo indica que a visão que o texto  dispara, na sua seletividade, não estaria preparada para vê-las.<br />
Os autores conseguem a proeza de romantizar Bolsonaro, algo que hoje nem os bolsonaristas já ensaiam sem passar vergonha, veja-se este trecho: &#8220;Para os defensores do arranjo atacado por Bolsonaro, pode ser reconfortante crer que o novo presidente tenha sido eleito à base de mentiras (manipulando os usuários do WhatsApp com uma indústria de fake news); todavia, parece mais correto considerar o contrário: foi sobretudo por assumir abertamente verdades até então dissimuladas que o capitão angariou tamanho respaldo popular.&#8221; Curioso que uma análise que dá tanta importância a como o &#8220;novo proletariado&#8221; é &#8220;conectado às tecnologias da informação&#8221; não dê qualquer relevância a um espalhamento de fake news cujos efeitos sobre as previsões eleitorais puderam ser acompanhados dia a dia. É caro que as fake news não explicam o resultado por si, mas desconhecer o efeito de algo que custou, ao que parece, dezenas de milhões de reais a alguns empresários é bem unilateral.<br />
Há mais lugares do texto onde se evidencia essa visão que evita cuidadosamente tudo que possa especificar a generalidade da &#8220;revolta&#8221; em termos de classe e, sobretudo, de  de ações organizadas de classe. Também outros onde o afã de romantizar reproduz como &#8220;voz popular&#8221; o que poderia ser um dos comentários negacionistas que pipocaram no último 31 de março (&#8220;14 milhões de desempregados, isso que é tortura!&#8221;) e que também foram contestados nas ruas. Porém, o mais significativo é o fato de os autores não assinarem com o próprio nome, mas como &#8220;um grupo de militantes&#8221;. Dado que o texto não inclui nada que pudesse dar lugar a perseguição judicial, e que simultaneamente circulam convocatórias a manifestações e textos de igual ou maior rebeldia, fica a pergunta pela atitude em relação ao &#8220;lado de cá&#8221; em que os autores fazem questão  de se enunciar. Precisamos do anonimato entre nós?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Desconstrução de forças produtivas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/01/125118/#comment-410649</link>

		<dc:creator><![CDATA[Desconstrução de forças produtivas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Mar 2019 14:29:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As tecnologias de mediação social desenvolvidas nos últimos anos soam obsoletas. Apesar de seus esforços para se mostrar à altura das imposições dos tempos de recessão, implementando medidas de austeridade, os gestores petistas terminaram por ser alvo do próprio movimento destrutivo da crise. A onda de destruição que se abateu não apenas sobre os principais operadores do arranjo político constituído desde a redemocratização e sobre sua máquina de governo, mas também sobre algumas das maiores empresas brasileiras, precisa ser compreendida nos marcos de uma “aniquilação forçada de toda uma massa de forças produtivas”, movimento típico das crises capitalistas, que sempre vem acompanhado de um aprofundamento da exploração. A destruição de forças produtivas, frequentemente por meio da guerra, sempre constituiu uma saída de emergência eficiente para o capital.

Com a palavra, o pós-moderno Jair Bolsonaro:

“O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão, já estou muito feliz”, afirmou.

https://mobile.valor.com.br/brasil/6165311/nos-temos-e-que-desconstruir-muita-coisa-diz-bolsonaro-durante-jantar]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As tecnologias de mediação social desenvolvidas nos últimos anos soam obsoletas. Apesar de seus esforços para se mostrar à altura das imposições dos tempos de recessão, implementando medidas de austeridade, os gestores petistas terminaram por ser alvo do próprio movimento destrutivo da crise. A onda de destruição que se abateu não apenas sobre os principais operadores do arranjo político constituído desde a redemocratização e sobre sua máquina de governo, mas também sobre algumas das maiores empresas brasileiras, precisa ser compreendida nos marcos de uma “aniquilação forçada de toda uma massa de forças produtivas”, movimento típico das crises capitalistas, que sempre vem acompanhado de um aprofundamento da exploração. A destruição de forças produtivas, frequentemente por meio da guerra, sempre constituiu uma saída de emergência eficiente para o capital.</p>
<p>Com a palavra, o pós-moderno Jair Bolsonaro:</p>
<p>“O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão, já estou muito feliz”, afirmou.</p>
<p><a href="https://mobile.valor.com.br/brasil/6165311/nos-temos-e-que-desconstruir-muita-coisa-diz-bolsonaro-durante-jantar" rel="nofollow ugc">https://mobile.valor.com.br/brasil/6165311/nos-temos-e-que-desconstruir-muita-coisa-diz-bolsonaro-durante-jantar</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alfredo Lima		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/01/125118/#comment-386854</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jan 2019 13:47:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=125118#comment-386854</guid>

					<description><![CDATA[Imprescindível a leitura para o momento. E o texto da uma bertura para pensar na construção das lutas sociais coerentes para com a classe que partilhamos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Imprescindível a leitura para o momento. E o texto da uma bertura para pensar na construção das lutas sociais coerentes para com a classe que partilhamos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/01/125118/#comment-385881</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Jan 2019 18:46:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito bom o texto. 

Nós publicamos anteriormente um texto (&quot;As condições de existência de Bolsonaro&quot; https://humanaesfera.blogspot.com/2019/01/as-condicoes-de-existencia-de-bolsonaro.html ) que trata os mesmos acontecimento tratados nesse texto mas não da perspectiva que se preocupa com a &quot;esquerda&quot; (por mais crítica que seja, consideramos a perspectiva &quot;esquerda X direita&quot; equivocada, porque são categorias da superestrutura política e feitas desde sempre para serem resolvidas nela, impedindo a até mera cogitação da perspectiva de revolução social a não ser de modo metafórico e alegórico), mas da luta de classes, a luta do proletariado contra o capital, analisando criticamente as lutas e derrotas do ponto de um vista materialista comunista não-metafórico. Talvez interesse a vocês.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom o texto. </p>
<p>Nós publicamos anteriormente um texto (&#8220;As condições de existência de Bolsonaro&#8221; <a href="https://humanaesfera.blogspot.com/2019/01/as-condicoes-de-existencia-de-bolsonaro.html" rel="nofollow ugc">https://humanaesfera.blogspot.com/2019/01/as-condicoes-de-existencia-de-bolsonaro.html</a> ) que trata os mesmos acontecimento tratados nesse texto mas não da perspectiva que se preocupa com a &#8220;esquerda&#8221; (por mais crítica que seja, consideramos a perspectiva &#8220;esquerda X direita&#8221; equivocada, porque são categorias da superestrutura política e feitas desde sempre para serem resolvidas nela, impedindo a até mera cogitação da perspectiva de revolução social a não ser de modo metafórico e alegórico), mas da luta de classes, a luta do proletariado contra o capital, analisando criticamente as lutas e derrotas do ponto de um vista materialista comunista não-metafórico. Talvez interesse a vocês.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bia		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/01/125118/#comment-385760</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Jan 2019 10:57:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Texto muito bem escrito, com linguagem direta. Seria bom ler mais coisas assim nesse espaço, sem o ranço do modelo acadêmico. Fora isso, concordo com o texto. Safatle fez uma fala muito nesse sentido em um vídeo que circulou bastante e espero que possamos sair desse estado de confusão mental em breve, para mais ações. Isso sem esquecer das várias que já estão em curso pelo pagamento de salários e demissões de professores, pela revogação do aumento da tarifa, etc.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto muito bem escrito, com linguagem direta. Seria bom ler mais coisas assim nesse espaço, sem o ranço do modelo acadêmico. Fora isso, concordo com o texto. Safatle fez uma fala muito nesse sentido em um vídeo que circulou bastante e espero que possamos sair desse estado de confusão mental em breve, para mais ações. Isso sem esquecer das várias que já estão em curso pelo pagamento de salários e demissões de professores, pela revogação do aumento da tarifa, etc.</p>
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