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	Comentários sobre: Meninas Malvadas	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/03/125598/#comment-427594</link>

		<dc:creator><![CDATA[Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Apr 2019 20:08:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Concordo com os comentários do Gabriel Silva. E tem mais: reparem em como isso aqui virou um espaço seguro pra homens conversarem sobre feminismo. Protagonismo in loco! 

E outra coisa: quanta picuinha heterossexual naquela escola, eu hein! 
Beijos a todos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo com os comentários do Gabriel Silva. E tem mais: reparem em como isso aqui virou um espaço seguro pra homens conversarem sobre feminismo. Protagonismo in loco! </p>
<p>E outra coisa: quanta picuinha heterossexual naquela escola, eu hein!<br />
Beijos a todos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/03/125598/#comment-414525</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2019 11:05:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acredito que P_DaVid_A tocou num ponto crucial da questão.
Assim como João S.
Parece que falamos de coisas que estão de certa forma indefinidas enquanto conceitos. Além disso, parece ser fundamental o seguinte: primeiro, não podemos agir como se estivéssemos descolados da realidade material. Acho que isso tem a ver com o que alguns colegas falam aqui sobre não &#039;&#039;deslegitimar&#039;&#039; lutas como um todo, e que às vezes a crítica a um feminismo passa à todo o movimento e etc. O que quero dizer com isso é que, se nós que somos tão preocupados com a coletividade não temos a sensibilidade ou a &#039;&#039;paciência&#039;&#039; de nos aproximarmos e cuidar com o trato aos temas, podemos estar simplesmente agindo como policiais de coisas que não concordamos.
Segundo, como David comentou, parece que criticamos os movimentos identitários por não terem sentido de totalidade mas o mesmo se da com a classe trabalhadora e o &#039;&#039;movimento classista&#039;&#039; e etc. Fiz algumas reflexões que foram publicadas aqui no Passa Palavra aqui https://passapalavra.info/2019/03/125416/
Enfim, o &#039;&#039;identitarismo&#039;&#039; está dado, é uma realidade muito forte, o capital tem amplo interesse em se apropriar dela, como já tem feito, assim como é extremamente apelativa para as massas em geral, e ainda mais entre a &#039;&#039;esquerda&#039;&#039;.
Ora, qual a função da &#039;&#039;vanguarda&#039;&#039; marxista? Apontar as criticas e contradições do capital? Claro. Mas e o que mais? Se não conseguimos dialogar com as massas em geral, como poderemos caminhar para a criação de consciência de classe nelas? Os agentes do capital propagam suas ideologias em larga escala e se não conseguirmos nos aproximar daqueles que teriam potencial para a causa da igualdade parece que estamos fadados a desaparecer com o tempo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que P_DaVid_A tocou num ponto crucial da questão.<br />
Assim como João S.<br />
Parece que falamos de coisas que estão de certa forma indefinidas enquanto conceitos. Além disso, parece ser fundamental o seguinte: primeiro, não podemos agir como se estivéssemos descolados da realidade material. Acho que isso tem a ver com o que alguns colegas falam aqui sobre não &#8221;deslegitimar&#8221; lutas como um todo, e que às vezes a crítica a um feminismo passa à todo o movimento e etc. O que quero dizer com isso é que, se nós que somos tão preocupados com a coletividade não temos a sensibilidade ou a &#8221;paciência&#8221; de nos aproximarmos e cuidar com o trato aos temas, podemos estar simplesmente agindo como policiais de coisas que não concordamos.<br />
Segundo, como David comentou, parece que criticamos os movimentos identitários por não terem sentido de totalidade mas o mesmo se da com a classe trabalhadora e o &#8221;movimento classista&#8221; e etc. Fiz algumas reflexões que foram publicadas aqui no Passa Palavra aqui <a href="https://passapalavra.info/2019/03/125416/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2019/03/125416/</a><br />
Enfim, o &#8221;identitarismo&#8221; está dado, é uma realidade muito forte, o capital tem amplo interesse em se apropriar dela, como já tem feito, assim como é extremamente apelativa para as massas em geral, e ainda mais entre a &#8221;esquerda&#8221;.<br />
Ora, qual a função da &#8221;vanguarda&#8221; marxista? Apontar as criticas e contradições do capital? Claro. Mas e o que mais? Se não conseguimos dialogar com as massas em geral, como poderemos caminhar para a criação de consciência de classe nelas? Os agentes do capital propagam suas ideologias em larga escala e se não conseguirmos nos aproximar daqueles que teriam potencial para a causa da igualdade parece que estamos fadados a desaparecer com o tempo</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/03/125598/#comment-412954</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Mar 2019 14:58:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[vai ter gente que vai chiar, 
mas vou dizer que acho que o feminismo as vezes tem mais a ver com o fato de que somos principalmente homens trocando aqui comentários. Isto é, na luta pelo transporte na zona Sul citada num comentario acima, de fato nao é uma luta feminista. Pois a luta feminista nao se resume apenas aos ganhos economicistas de igualdade, ainda que estes sejam importantes. O protagonismo da luta feminista muitas vezes ocorre na solidao de um nucleo familiar, em um ambiente que nao é coletivo mas sim proletario. Ganha um salto qualitativo quando é coletivo, por exemplo, quando há uma organizacao de mulheres em um bairro ou ocupacao para debater e coibir as agressoes físicas e morais de maridos, companheiros, parentes, etc (mas principalmente maridos). Dentro de nossos círculos militantes, a luta feminista também ocorre quando nós companheiros de maneira muito naturalizada interrompemos a fala de uma companheira, quando nós companheiros fazemos intervencoes longas, cheias de explicacoes, enquanto as companheiras ficam caladas e nao ousam intervir na reuniao, geralmente tomam o papel de secretarias escrevendo a ata ou quando muito moderando.
Nao estar atentos a esse tipo de coisa é uma falta grave em nossos espacos de organizaco e apenas reforca a existencia de feminismos que dao outro tipo de resposta ao problema. Estou de acordo com os comentarios acima, e em linha direta com a ideia do Joao Bernardo a respeito do &quot;marxismo esponja&quot;, de que somar adjetivos ao feminismo pode facilitar mas é polemico. A questao é que se nos espacos organizativos que se propoe realizar luta de classe as mulheres encontram obstáculos para a participacao plena, ainda que informais (e talvez principalmente informais), elas ou abandonarao a luta, ou passarao a denunciar estes obstáculos e a hipocrisia daqueles que lutam por um ideal universalista no discurso. Este segundo ponto é o que mais nos dói pois invariavelmente fala de nossos defeitos, de nossos erros e de nossas intimidades.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>vai ter gente que vai chiar,<br />
mas vou dizer que acho que o feminismo as vezes tem mais a ver com o fato de que somos principalmente homens trocando aqui comentários. Isto é, na luta pelo transporte na zona Sul citada num comentario acima, de fato nao é uma luta feminista. Pois a luta feminista nao se resume apenas aos ganhos economicistas de igualdade, ainda que estes sejam importantes. O protagonismo da luta feminista muitas vezes ocorre na solidao de um nucleo familiar, em um ambiente que nao é coletivo mas sim proletario. Ganha um salto qualitativo quando é coletivo, por exemplo, quando há uma organizacao de mulheres em um bairro ou ocupacao para debater e coibir as agressoes físicas e morais de maridos, companheiros, parentes, etc (mas principalmente maridos). Dentro de nossos círculos militantes, a luta feminista também ocorre quando nós companheiros de maneira muito naturalizada interrompemos a fala de uma companheira, quando nós companheiros fazemos intervencoes longas, cheias de explicacoes, enquanto as companheiras ficam caladas e nao ousam intervir na reuniao, geralmente tomam o papel de secretarias escrevendo a ata ou quando muito moderando.<br />
Nao estar atentos a esse tipo de coisa é uma falta grave em nossos espacos de organizaco e apenas reforca a existencia de feminismos que dao outro tipo de resposta ao problema. Estou de acordo com os comentarios acima, e em linha direta com a ideia do Joao Bernardo a respeito do &#8220;marxismo esponja&#8221;, de que somar adjetivos ao feminismo pode facilitar mas é polemico. A questao é que se nos espacos organizativos que se propoe realizar luta de classe as mulheres encontram obstáculos para a participacao plena, ainda que informais (e talvez principalmente informais), elas ou abandonarao a luta, ou passarao a denunciar estes obstáculos e a hipocrisia daqueles que lutam por um ideal universalista no discurso. Este segundo ponto é o que mais nos dói pois invariavelmente fala de nossos defeitos, de nossos erros e de nossas intimidades.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: P_DaVid_A		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/03/125598/#comment-412681</link>

		<dc:creator><![CDATA[P_DaVid_A]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Mar 2019 02:04:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Interessante debate, que me fez ocorrer a seguinte questão. A mesma problematização que João S.  faz acerca do que entendemos ou não por &#039;feminismo&#039; pode e deve ser feita ao universo dos conflitos aborais, onde inquestionavelmente encontraríamos a luta assim chamada classista. Perguntemos: Há hoje de fato um movimento consistente e volumoso de contestação do capital por parte dos trabalhadores? Quando essas lutas eclodem, não são elas na maior parte dos casos circunscritas a interesses corporativos, para não dizer, no limite, motivadas por interesses econômicos pontuais imediatos? Também aí não vem predominando a fácil assimilação aí invés da construção de um caminho próprio de superação? Não seria plausível, portanto, assumir que, no universo atual dos conflitos laborais, se verifica igualmente um evidente predomínio das tendências particularistas sobre as generalizantes? 
Pois então!
Estarei de acordo com o questionamento suscitado pelo comentário acima, desde que ele seja aplicado também ao que chamamos sem muito rigor de luta de classes! 

Se a resposta para a perguntas anteriores for positiva, somos obrigados a concluir que a luta de classes também é só mais uma ideologia - isto é, um postulado historicamente, e cada vez mais, rarefeito. E nem por isso dizemos que a luta de classes acabou. Ou dizemos?  Ou seja, atribui-se um critério para analisar um dado fenômeno  mas não se atribui o mesmo critério para analisar o outro. Em um caso, enfatiza-se as práticas concretamente existentes e, em outro, as que gostaríamos que existissem. Para que a conversa se torne possível é preciso definir: do que estamos falando? Que critérios usamos para verificar a realidade?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interessante debate, que me fez ocorrer a seguinte questão. A mesma problematização que João S.  faz acerca do que entendemos ou não por &#8216;feminismo&#8217; pode e deve ser feita ao universo dos conflitos aborais, onde inquestionavelmente encontraríamos a luta assim chamada classista. Perguntemos: Há hoje de fato um movimento consistente e volumoso de contestação do capital por parte dos trabalhadores? Quando essas lutas eclodem, não são elas na maior parte dos casos circunscritas a interesses corporativos, para não dizer, no limite, motivadas por interesses econômicos pontuais imediatos? Também aí não vem predominando a fácil assimilação aí invés da construção de um caminho próprio de superação? Não seria plausível, portanto, assumir que, no universo atual dos conflitos laborais, se verifica igualmente um evidente predomínio das tendências particularistas sobre as generalizantes?<br />
Pois então!<br />
Estarei de acordo com o questionamento suscitado pelo comentário acima, desde que ele seja aplicado também ao que chamamos sem muito rigor de luta de classes! </p>
<p>Se a resposta para a perguntas anteriores for positiva, somos obrigados a concluir que a luta de classes também é só mais uma ideologia &#8211; isto é, um postulado historicamente, e cada vez mais, rarefeito. E nem por isso dizemos que a luta de classes acabou. Ou dizemos?  Ou seja, atribui-se um critério para analisar um dado fenômeno  mas não se atribui o mesmo critério para analisar o outro. Em um caso, enfatiza-se as práticas concretamente existentes e, em outro, as que gostaríamos que existissem. Para que a conversa se torne possível é preciso definir: do que estamos falando? Que critérios usamos para verificar a realidade?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João S.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/03/125598/#comment-412556</link>

		<dc:creator><![CDATA[João S.]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2019 21:48:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caros Emerson e Gabriel,

Apesar da corretude da resposta do Emerson tendo em vista o contexto em que esse debate se insere, acho que o Gabriel de fato está farejando, pela negativa, uma boa crítica, mais profunda ou radical, do identitarismo. &quot;Se há um feminismo e um movimento negro anticapitalistas é somente na medida em que eles não são identitários&quot; me parece ser ponto pacífico. Vale a conversa, no entanto? Ou seja, é possível um movimento negro e um movimento feminista que não sejam identitários? 

Como é frequente em farejos de círitca de ideologia, o vocabulário é um fundo falso. O que são o movimento feminista e o movimento negro? É claro que se definirmos o feminismo como &quot;as lutas por igualdade entre homens e mulheres&quot;, como faz Fagner acima, o enfoque passa da caracterização dele para onde encontrá-lo (e particularmente onde não encontrá-lo),  e o problema é o mesmo. Se por outro lado considerarmos feminismo tudo aquilo que se diz feminismo, ou que se tem como feminismo no senso comum, o enfoque se inverte, e não chegamos a lugar algum. Equivalentemente para negros e brancos.

Talvez ajude pensar da seguinte maneira: se houvesse uma luta que apontasse claramente para a superação da desigualdade entre homens e mulheres (e portanto anticapitalista), chamaríamos ela de feminista? Me parece que hoje a resposta é invariavelmente não. Sempre me lembro do relato (me corrijam se for o caso) de uma luta por linhas de ônibus num bairro do extremo sul de São Paulo que não era alcançado pelo sistema de transporte público. Além disso, era uma região violenta -- os moradores tinha medo de assalto e estupro. Como resultado, os homens em geral se deslocavam de moto ou carro e as mulheres ficavam presas em casa. Essa luta por linhas de ônibus era uma luta contra a desigualdade, que se expressou no fato de que foi uma maioria de mulheres que participou dela. Alguém chamaria isso de uma luta feminista?

Na verdade, chame do que quiser o que quiser, não importa. Só queria chamar a atenção que sempre falamos do &quot;movimento feminista classista&quot;, do &quot;movimento negro classista&quot; e das &quot;verdadeiras feministas&quot;, mas não sabemos na verdade do que estamos falando. A não ser que se considere, é claro, o movimento de mulheres do MST como luta da classe trabalhadora, por exemplo, como faz Leo V. aqui em cima. Talvez seja sinal de que a crítica deva ir um pouco além. Interessa entender o identitarismo como ideologia, que atravessa de uma forma ou outra toda a sociedade capitalista (nas palavras de um camarada, como era o nacionalismo há um tempo atrás). Entender, daí, como nós mesmos tomamos parte nessa ideologia, por exemplo, quando usamos &quot;classismo&quot; como mais um entre o feminismo, movimento negro, etc.

Chamo a atenção para uma passagem legal desse texto do João Bernardo que o &quot;Programa Maior&quot; citou (http://passapalavra.info/2019/03/125676/). Lá ele fala do marxismo esponja, que faria uma operação vocabular &quot;colando-se o adjectivo «marxista» a qualquer tipo de identitarismo&quot;. É isso que me vem à cabeça quando penso em movimento feminista anticapitalista (substitua marxismo por anticapitalismo).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros Emerson e Gabriel,</p>
<p>Apesar da corretude da resposta do Emerson tendo em vista o contexto em que esse debate se insere, acho que o Gabriel de fato está farejando, pela negativa, uma boa crítica, mais profunda ou radical, do identitarismo. &#8220;Se há um feminismo e um movimento negro anticapitalistas é somente na medida em que eles não são identitários&#8221; me parece ser ponto pacífico. Vale a conversa, no entanto? Ou seja, é possível um movimento negro e um movimento feminista que não sejam identitários? </p>
<p>Como é frequente em farejos de círitca de ideologia, o vocabulário é um fundo falso. O que são o movimento feminista e o movimento negro? É claro que se definirmos o feminismo como &#8220;as lutas por igualdade entre homens e mulheres&#8221;, como faz Fagner acima, o enfoque passa da caracterização dele para onde encontrá-lo (e particularmente onde não encontrá-lo),  e o problema é o mesmo. Se por outro lado considerarmos feminismo tudo aquilo que se diz feminismo, ou que se tem como feminismo no senso comum, o enfoque se inverte, e não chegamos a lugar algum. Equivalentemente para negros e brancos.</p>
<p>Talvez ajude pensar da seguinte maneira: se houvesse uma luta que apontasse claramente para a superação da desigualdade entre homens e mulheres (e portanto anticapitalista), chamaríamos ela de feminista? Me parece que hoje a resposta é invariavelmente não. Sempre me lembro do relato (me corrijam se for o caso) de uma luta por linhas de ônibus num bairro do extremo sul de São Paulo que não era alcançado pelo sistema de transporte público. Além disso, era uma região violenta &#8212; os moradores tinha medo de assalto e estupro. Como resultado, os homens em geral se deslocavam de moto ou carro e as mulheres ficavam presas em casa. Essa luta por linhas de ônibus era uma luta contra a desigualdade, que se expressou no fato de que foi uma maioria de mulheres que participou dela. Alguém chamaria isso de uma luta feminista?</p>
<p>Na verdade, chame do que quiser o que quiser, não importa. Só queria chamar a atenção que sempre falamos do &#8220;movimento feminista classista&#8221;, do &#8220;movimento negro classista&#8221; e das &#8220;verdadeiras feministas&#8221;, mas não sabemos na verdade do que estamos falando. A não ser que se considere, é claro, o movimento de mulheres do MST como luta da classe trabalhadora, por exemplo, como faz Leo V. aqui em cima. Talvez seja sinal de que a crítica deva ir um pouco além. Interessa entender o identitarismo como ideologia, que atravessa de uma forma ou outra toda a sociedade capitalista (nas palavras de um camarada, como era o nacionalismo há um tempo atrás). Entender, daí, como nós mesmos tomamos parte nessa ideologia, por exemplo, quando usamos &#8220;classismo&#8221; como mais um entre o feminismo, movimento negro, etc.</p>
<p>Chamo a atenção para uma passagem legal desse texto do João Bernardo que o &#8220;Programa Maior&#8221; citou (<a href="http://passapalavra.info/2019/03/125676/" rel="ugc">http://passapalavra.info/2019/03/125676/</a>). Lá ele fala do marxismo esponja, que faria uma operação vocabular &#8220;colando-se o adjectivo «marxista» a qualquer tipo de identitarismo&#8221;. É isso que me vem à cabeça quando penso em movimento feminista anticapitalista (substitua marxismo por anticapitalismo).</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/03/125598/#comment-412550</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2019 21:27:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O maior problema da tendência punitivista denunciada no texto, que diga-se de passagem não tem sido exclusiva do feminismo, é que ela é absolutamente ineficaz para impedir a reprodução de comportamentos violentos e abusivos contra mulheres — comportamentos estes que não são exclusivamente masculinos, o que é mais do que óbvio, bastando ler o noticiário policial para ter algum contato com a realidade, embora os coletivos e as personalidades mais evidentes do feminismo identitário silenciem completamente sobre isso. Da mesma forma que o punitivismo estatal é absolutamente incapaz de conter a criminalidade, o punitivismo feminista identitário é absolutamente incapaz — até mais do que o estatal — de impedir o que ele supostamente se propõe a impedir: o fim dos abusos e da violência contra a mulher. Então a coisa é muito simples: se está sendo ineficaz, por que não empreender um esforço para pensar em — e atuar a partir de — alternativas? Essa é uma pergunta para as feministas de verdade, porque das identitárias não podemos esperar alternativas. Ao mesmo tempo, já passou da hora de essas feministas de verdade — as que somam forças à luta de classes e reforçam seu caráter libertário — começarem a comprar essa briga e a denunciar abertamente uma realidade de clareza cristalina: a de que, apesar de sua ineficácia absoluta para conter os abusos e a violência contra a mulher, esse tipo de prática é absolutamente eficaz para afirmar novas elites, para permitir que algumas pessoas, supostamente em nome da totalidade das mulheres, mas sempre agindo covardemente em benefício próprio, ocupem espaços de poder já existentes ou criem outros mais. As feministas de verdade precisam entrar no ringue, sem medo de serem acusadas de não se solidarizarem com mulheres que como elas são também oprimidas, sem medo de serem acusadas de não estarem apoiando mulheres que lutam por seus direitos mesmo que de forma equivocada, sem nutrir a ilusão de que é possível combinar esse tipo de barbárie e de regressão histórica com a luta de classes e pela emancipação feminina. Não pode haver condescendência com comportamentos antiproletários, antissociais e antifeministas como aqueles narrados no texto. Se isso não for feito, muito em breve o feminismo será confundido, por muitos companheiros que estão dispostos a travar essa luta ao lado das mulheres, com nada mais que coletivos de meninas malvadas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O maior problema da tendência punitivista denunciada no texto, que diga-se de passagem não tem sido exclusiva do feminismo, é que ela é absolutamente ineficaz para impedir a reprodução de comportamentos violentos e abusivos contra mulheres — comportamentos estes que não são exclusivamente masculinos, o que é mais do que óbvio, bastando ler o noticiário policial para ter algum contato com a realidade, embora os coletivos e as personalidades mais evidentes do feminismo identitário silenciem completamente sobre isso. Da mesma forma que o punitivismo estatal é absolutamente incapaz de conter a criminalidade, o punitivismo feminista identitário é absolutamente incapaz — até mais do que o estatal — de impedir o que ele supostamente se propõe a impedir: o fim dos abusos e da violência contra a mulher. Então a coisa é muito simples: se está sendo ineficaz, por que não empreender um esforço para pensar em — e atuar a partir de — alternativas? Essa é uma pergunta para as feministas de verdade, porque das identitárias não podemos esperar alternativas. Ao mesmo tempo, já passou da hora de essas feministas de verdade — as que somam forças à luta de classes e reforçam seu caráter libertário — começarem a comprar essa briga e a denunciar abertamente uma realidade de clareza cristalina: a de que, apesar de sua ineficácia absoluta para conter os abusos e a violência contra a mulher, esse tipo de prática é absolutamente eficaz para afirmar novas elites, para permitir que algumas pessoas, supostamente em nome da totalidade das mulheres, mas sempre agindo covardemente em benefício próprio, ocupem espaços de poder já existentes ou criem outros mais. As feministas de verdade precisam entrar no ringue, sem medo de serem acusadas de não se solidarizarem com mulheres que como elas são também oprimidas, sem medo de serem acusadas de não estarem apoiando mulheres que lutam por seus direitos mesmo que de forma equivocada, sem nutrir a ilusão de que é possível combinar esse tipo de barbárie e de regressão histórica com a luta de classes e pela emancipação feminina. Não pode haver condescendência com comportamentos antiproletários, antissociais e antifeministas como aqueles narrados no texto. Se isso não for feito, muito em breve o feminismo será confundido, por muitos companheiros que estão dispostos a travar essa luta ao lado das mulheres, com nada mais que coletivos de meninas malvadas&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/03/125598/#comment-412514</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2019 20:35:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=125598#comment-412514</guid>

					<description><![CDATA[Programa Maior,

Você repetiu o &quot;mulheres camponesas&quot; e ainda pergunta onde está a classe? Não está sequer desenhado, está escrito mesmo.

O feminismo pode ser identitário ou não, assim como o movimento negro. Exemplos históricod nao faltam. Aliás, possivelmente foram os que prevaleceram na história.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Programa Maior,</p>
<p>Você repetiu o &#8220;mulheres camponesas&#8221; e ainda pergunta onde está a classe? Não está sequer desenhado, está escrito mesmo.</p>
<p>O feminismo pode ser identitário ou não, assim como o movimento negro. Exemplos históricod nao faltam. Aliás, possivelmente foram os que prevaleceram na história.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: "Um programa maior", mesmo...		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/03/125598/#comment-412503</link>

		<dc:creator><![CDATA["Um programa maior", mesmo...]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2019 20:10:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=125598#comment-412503</guid>

					<description><![CDATA[Caro Leo Vinicius, 

Em oportuníssimo e importante artigo de João Bernardo publicado ontem aqui no Passa Palavra, ele conclui que &quot;Hoje, quando se trata de começar, a partir do seu nível mais baixo, um novo ciclo de lutas, é indispensável distinguir a política de classe e a política de identidades, sem supor que uma possa aliar-se à outra&quot; (http://passapalavra.info/2019/03/125676/#comment-412420). Um feminismo, mesmo que não se considere &quot;antihomem&quot;,  não significa ser nem anticapitalista,  nem classista. A título de exemplo, o lema &quot;A Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas&quot;, revela que a luta é &quot;nacional&quot;, é das &quot;mulheres camponesas&quot;.  Onde está a classe e, por conseguinte, o que significa, para a classe, a nação? Ou mesmo, se há um &quot;feminismo de classe&quot;, onde estão as outras mulheres? Este é um exemplo que pode ser aplicado a tantas outras lutas desta ou daquela identidade ou gênero nas mais diversas organizações para revelar estas contradições. Por isso, &quot;o programa maior que o jornalista se refere&quot;  provavelmente NÃO foi uma expressão ruim DA jornalista (Lilian Milena), e sim, consciente ou inconsciente (duvido que em um jornal do &quot;know-how&quot; de um Luis Nassif tenha algo de &quot;inconsciente&quot;...), um processo de percolação que vai de encontro, e não ao encontro, da luta de classes, servindo apenas como combustível para um &quot;programa maior&quot;, à luta &quot;intraclasse&quot;, ou seja, à fragmentação da classe trabalhadora.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Leo Vinicius, </p>
<p>Em oportuníssimo e importante artigo de João Bernardo publicado ontem aqui no Passa Palavra, ele conclui que &#8220;Hoje, quando se trata de começar, a partir do seu nível mais baixo, um novo ciclo de lutas, é indispensável distinguir a política de classe e a política de identidades, sem supor que uma possa aliar-se à outra&#8221; (<a href="http://passapalavra.info/2019/03/125676/#comment-412420" rel="ugc">http://passapalavra.info/2019/03/125676/#comment-412420</a>). Um feminismo, mesmo que não se considere &#8220;antihomem&#8221;,  não significa ser nem anticapitalista,  nem classista. A título de exemplo, o lema &#8220;A Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas&#8221;, revela que a luta é &#8220;nacional&#8221;, é das &#8220;mulheres camponesas&#8221;.  Onde está a classe e, por conseguinte, o que significa, para a classe, a nação? Ou mesmo, se há um &#8220;feminismo de classe&#8221;, onde estão as outras mulheres? Este é um exemplo que pode ser aplicado a tantas outras lutas desta ou daquela identidade ou gênero nas mais diversas organizações para revelar estas contradições. Por isso, &#8220;o programa maior que o jornalista se refere&#8221;  provavelmente NÃO foi uma expressão ruim DA jornalista (Lilian Milena), e sim, consciente ou inconsciente (duvido que em um jornal do &#8220;know-how&#8221; de um Luis Nassif tenha algo de &#8220;inconsciente&#8221;&#8230;), um processo de percolação que vai de encontro, e não ao encontro, da luta de classes, servindo apenas como combustível para um &#8220;programa maior&#8221;, à luta &#8220;intraclasse&#8221;, ou seja, à fragmentação da classe trabalhadora.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/03/125598/#comment-411249</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 15:44:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[as formas de nomear as coisas muitas vezes é uma das grandes dificuldades para pensá-las.
Ninguém dizia &quot;identitarismo&quot; antes da última onda do feminismo e do movimento negro, há menos de 10 anos atrás. Essa nomenclatura está intimamente vinculada aos últimos acontecimentos no cenário político a nivel mundial. Identitarios de esquerda e de direita tem dispontado. E eles compartem, basicamente, uma leitura fragmentada e excludente de organizacao social. Seja pelo lado do Estado Étnico, seja pelo lado das políticas públicas e do empreendedorismo setorial. Ambas leituras nao sao &quot;ingenuas&quot; e &quot;um passo em direcao a luta de classes&quot;. O feminismo está aí a quase um século, e o que vemos hoje como a hegemonia feminista está longe de ser uma simples continuacao de sua história. O mesmo vale para o movimento negro. A ideia de que o &quot;identitarismo&quot; é sinonimo de pautas específicas é apenas uma armadilha para botar tudo no mesmo saco e defende-lo como se fosse uma coisa só.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>as formas de nomear as coisas muitas vezes é uma das grandes dificuldades para pensá-las.<br />
Ninguém dizia &#8220;identitarismo&#8221; antes da última onda do feminismo e do movimento negro, há menos de 10 anos atrás. Essa nomenclatura está intimamente vinculada aos últimos acontecimentos no cenário político a nivel mundial. Identitarios de esquerda e de direita tem dispontado. E eles compartem, basicamente, uma leitura fragmentada e excludente de organizacao social. Seja pelo lado do Estado Étnico, seja pelo lado das políticas públicas e do empreendedorismo setorial. Ambas leituras nao sao &#8220;ingenuas&#8221; e &#8220;um passo em direcao a luta de classes&#8221;. O feminismo está aí a quase um século, e o que vemos hoje como a hegemonia feminista está longe de ser uma simples continuacao de sua história. O mesmo vale para o movimento negro. A ideia de que o &#8220;identitarismo&#8221; é sinonimo de pautas específicas é apenas uma armadilha para botar tudo no mesmo saco e defende-lo como se fosse uma coisa só.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ex- economicista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/03/125598/#comment-411229</link>

		<dc:creator><![CDATA[ex- economicista]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 14:55:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=125598#comment-411229</guid>

					<description><![CDATA[&quot;Feminismo anti capitalista  &quot; basta adicionar um adjetivo ? Feminsimo , sindicalismo, talvez sejam  todos economicistas .devemos retomar a política comunista x a política economista!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Feminismo anti capitalista  &#8221; basta adicionar um adjetivo ? Feminsimo , sindicalismo, talvez sejam  todos economicistas .devemos retomar a política comunista x a política economista!</p>
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