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	Comentários sobre: Roma, de Alfonso Cuarón, desvela o racismo mexicano?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: velando		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/05/126510/#comment-438203</link>

		<dc:creator><![CDATA[velando]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 May 2019 15:47:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Ora, o racismo mexicano — e também o brasileiro — não precisa ser desvelado. Quem não o viu até hoje não o verá nunca mais. &quot;

para além de qualquer crítica sobre o material audiovisual em questão, essa linha argumentativa me parece pobre e elitista. Não foi função primordial da arte moderna a desnaturalização da representação? Oras, esse expediente visava justamente romper com tudo aquilo que era absorvido como estrutura naturalmente dada do mundo para o campo das representações, fossem elas as cores, os contornos, mas também os temas, os ritmos, as formas. 
Existem milhões de lationamericanos que ainda tomam o racismo como um fato dado, uma estrutural social na que somos apenas passivamente encaixados, e essa aceitação é parte da reprodução das condutas, o famoso &quot;a culpa não é minha&quot;. Se o campo das artes não existe para desnaturalizar isso e transtornar visões de mundo, só pode servir para apaziguar. E então teremos arte apaziguadora para os que enxergam a realidade e a arte apaziguadora para os que não enxergam a realidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Ora, o racismo mexicano — e também o brasileiro — não precisa ser desvelado. Quem não o viu até hoje não o verá nunca mais. &#8221;</p>
<p>para além de qualquer crítica sobre o material audiovisual em questão, essa linha argumentativa me parece pobre e elitista. Não foi função primordial da arte moderna a desnaturalização da representação? Oras, esse expediente visava justamente romper com tudo aquilo que era absorvido como estrutura naturalmente dada do mundo para o campo das representações, fossem elas as cores, os contornos, mas também os temas, os ritmos, as formas.<br />
Existem milhões de lationamericanos que ainda tomam o racismo como um fato dado, uma estrutural social na que somos apenas passivamente encaixados, e essa aceitação é parte da reprodução das condutas, o famoso &#8220;a culpa não é minha&#8221;. Se o campo das artes não existe para desnaturalizar isso e transtornar visões de mundo, só pode servir para apaziguar. E então teremos arte apaziguadora para os que enxergam a realidade e a arte apaziguadora para os que não enxergam a realidade.</p>
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		<title>
		Por: É isso aí		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/05/126510/#comment-437989</link>

		<dc:creator><![CDATA[É isso aí]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 May 2019 03:23:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mesmo com os mil pés atrás que tenho pra falar sobre arte e cinema, por ser um assunto que tenho pouco contato, concordo com o Daniel no sentido de que a arte pode trazer uma mensagem política sem necessariamente se submeter à forma metodológica de agitação e propadanda que nós, da esquerda, realizamos em nossas lutas. Creio que o que o Daniel fala, das contradições dos (e entre os) personagens é um retrato da realidade cujo serviço é maior para manter nosso imaginário com o &quot;pé no chão&quot; do que esses filmes maniqueístas do Spike Lee, Panteras Negras, etc.

Acho que a analise critica deveria ter dado maior atenção às interpretações que intelectuais progressistas/esquerda estão fazendo de tal filme e (aí sim), analisar a resposta política que oferecem frente ao fenomeno que o filme se volta. Das almas caridosas, progressistas e preguiçosas está vindo essa culpa imediata que aponta ou para 2022 como redenção política ou pra aceitação imediata de qualquer tese vindo de alguém que reproduz uma ideia que a fundação ford adoraria patrocinar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo com os mil pés atrás que tenho pra falar sobre arte e cinema, por ser um assunto que tenho pouco contato, concordo com o Daniel no sentido de que a arte pode trazer uma mensagem política sem necessariamente se submeter à forma metodológica de agitação e propadanda que nós, da esquerda, realizamos em nossas lutas. Creio que o que o Daniel fala, das contradições dos (e entre os) personagens é um retrato da realidade cujo serviço é maior para manter nosso imaginário com o &#8220;pé no chão&#8221; do que esses filmes maniqueístas do Spike Lee, Panteras Negras, etc.</p>
<p>Acho que a analise critica deveria ter dado maior atenção às interpretações que intelectuais progressistas/esquerda estão fazendo de tal filme e (aí sim), analisar a resposta política que oferecem frente ao fenomeno que o filme se volta. Das almas caridosas, progressistas e preguiçosas está vindo essa culpa imediata que aponta ou para 2022 como redenção política ou pra aceitação imediata de qualquer tese vindo de alguém que reproduz uma ideia que a fundação ford adoraria patrocinar.</p>
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		<title>
		Por: Daniel Caribé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/05/126510/#comment-437274</link>

		<dc:creator><![CDATA[Daniel Caribé]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 May 2019 16:11:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O identitarismo fundiu a cabeça das pessoas. 

Mais ninguém consegue ver uma obra de arte sem procurar nela um manifesto ou alguém sendo culpabilizado por algo. Percebê-la enquanto uma boa síntese das contradições pra quê!? Uma expressão do que não se consegue ainda ser transformado em discurso direto, linear e objetivo?

O filme de Cuarón tem por objetivo sensibilizar a classe média alta branca brasileira? Não tem pé nem cabeça essa formulação... Pra produzir um filme como esse tem que fazer exatamente oposto: visitar o passado sem se sentir culpado, sem se preocupar em produzir um manifesto de autoimolação. Claro que as opressões de gênero e de raça, e a exploração de uma classe sobre a outra, estão por todo o filme, se entrelaçando de uma forma que jamais o identitarismo conseguirá fazer. Porque, afinal, a vida é assim. É a complexidade da vida que essas pessoas se recusam a aceitar, tirando dela apenas um elemento e escanteando todos os demais. 

Por que choca tanto uma empregada doméstica indígena, que é explorada, maltratada, mas ao mesmo tempo ama os seus minipatrões? Por que choca tanto a mulher branca, classe média, que oprime e ao mesmo tempo é oprimida? Que abandona e é abandonada? Que subjuga e tem afeição a sua empregada? Que sofre e ao mesmo tempo é indiferente ao sofrimento alheio? E o homem que é pobre, mas também um escroto, e que abandona a companheira grávida e se junta à milícia para defender uma ditadura? Qual é a exceção de todos esses personagens!?

Da crítica de Priscila Dorella destaco uma parte: &quot;o filme, dirigido pelo crítico diretor dedicado a desvelar parte do racismo mexicano, dá margem tanto para a indignação com relação às relações de servidão quanto para a compreensão de que isso fez e faz parte &#039;naturalmente&#039; da vida doméstica na América Latina&quot;. Ora, o racismo mexicano -- e também o brasileiro -- não precisa ser desvelado. Quem não o viu até hoje não o verá nunca mais. Não há nada mais escancarado do que o nosso racismo latinoamericano. Mas é essa interpretação ambígua -- o filme é uma justificativa da exploração ou um grito de revolta? -- que faz do filme merecer os elogios. Não que o filme seja isso, mas porque nos mostra que somos isso. 

Pois, no meio de tanta porcaria o filme de Cuarón é uma esperança. Me espanta muito que tenha conseguido alcançar um público tão grande nesse exato momento onde quase todas as salas de cinema estão ocupadas por super-heróis ou filmes panfletários (a exemplo do filme de Spike Lee, desculpa) que precisam falar o óbvio e de forma direta, de preferência nos fazendo rir para que não saiamos incomodados, não precisemos pensar (muito). É claro que o filme de Spike Lee tem suas sutilizas, afinal, é um filme de Spike Lee. Mas quem liga para elas quando podemos sair da sala de cinema tranquilos ao ver nazistas trogloditas sendo comediados por um herói negro, bonito e inteligente? 

Não há heróis no filme de Cuarón, pois não há heróis na vida real. Somos todos cretinos (e cretinas). E é desse material que a vida é feita.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O identitarismo fundiu a cabeça das pessoas. </p>
<p>Mais ninguém consegue ver uma obra de arte sem procurar nela um manifesto ou alguém sendo culpabilizado por algo. Percebê-la enquanto uma boa síntese das contradições pra quê!? Uma expressão do que não se consegue ainda ser transformado em discurso direto, linear e objetivo?</p>
<p>O filme de Cuarón tem por objetivo sensibilizar a classe média alta branca brasileira? Não tem pé nem cabeça essa formulação&#8230; Pra produzir um filme como esse tem que fazer exatamente oposto: visitar o passado sem se sentir culpado, sem se preocupar em produzir um manifesto de autoimolação. Claro que as opressões de gênero e de raça, e a exploração de uma classe sobre a outra, estão por todo o filme, se entrelaçando de uma forma que jamais o identitarismo conseguirá fazer. Porque, afinal, a vida é assim. É a complexidade da vida que essas pessoas se recusam a aceitar, tirando dela apenas um elemento e escanteando todos os demais. </p>
<p>Por que choca tanto uma empregada doméstica indígena, que é explorada, maltratada, mas ao mesmo tempo ama os seus minipatrões? Por que choca tanto a mulher branca, classe média, que oprime e ao mesmo tempo é oprimida? Que abandona e é abandonada? Que subjuga e tem afeição a sua empregada? Que sofre e ao mesmo tempo é indiferente ao sofrimento alheio? E o homem que é pobre, mas também um escroto, e que abandona a companheira grávida e se junta à milícia para defender uma ditadura? Qual é a exceção de todos esses personagens!?</p>
<p>Da crítica de Priscila Dorella destaco uma parte: &#8220;o filme, dirigido pelo crítico diretor dedicado a desvelar parte do racismo mexicano, dá margem tanto para a indignação com relação às relações de servidão quanto para a compreensão de que isso fez e faz parte &#8216;naturalmente&#8217; da vida doméstica na América Latina&#8221;. Ora, o racismo mexicano &#8212; e também o brasileiro &#8212; não precisa ser desvelado. Quem não o viu até hoje não o verá nunca mais. Não há nada mais escancarado do que o nosso racismo latinoamericano. Mas é essa interpretação ambígua &#8212; o filme é uma justificativa da exploração ou um grito de revolta? &#8212; que faz do filme merecer os elogios. Não que o filme seja isso, mas porque nos mostra que somos isso. </p>
<p>Pois, no meio de tanta porcaria o filme de Cuarón é uma esperança. Me espanta muito que tenha conseguido alcançar um público tão grande nesse exato momento onde quase todas as salas de cinema estão ocupadas por super-heróis ou filmes panfletários (a exemplo do filme de Spike Lee, desculpa) que precisam falar o óbvio e de forma direta, de preferência nos fazendo rir para que não saiamos incomodados, não precisemos pensar (muito). É claro que o filme de Spike Lee tem suas sutilizas, afinal, é um filme de Spike Lee. Mas quem liga para elas quando podemos sair da sala de cinema tranquilos ao ver nazistas trogloditas sendo comediados por um herói negro, bonito e inteligente? </p>
<p>Não há heróis no filme de Cuarón, pois não há heróis na vida real. Somos todos cretinos (e cretinas). E é desse material que a vida é feita.</p>
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