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	Comentários sobre: Ninguém solta a mão de ninguém, pra não largar o osso (1)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: RICARDO RONALDO PINTO		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/06/127083/#comment-459567</link>

		<dc:creator><![CDATA[RICARDO RONALDO PINTO]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jul 2019 23:11:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esta farta documentação apresentada por Fagner Henrique não explica nada, não serve de indício para nada, pois o que foi específico em 2013 foi uma revolta de massas que sequer sabiam em sua imensa maioria da existencia destes documentos. Isto me faz lembrar os historiadores marxistas-lenisistas da revolução russa com suas diretrizes bolcheviques  e a sobrevaloração dos complôs da cúpula &quot;centralista democrática&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta farta documentação apresentada por Fagner Henrique não explica nada, não serve de indício para nada, pois o que foi específico em 2013 foi uma revolta de massas que sequer sabiam em sua imensa maioria da existencia destes documentos. Isto me faz lembrar os historiadores marxistas-lenisistas da revolução russa com suas diretrizes bolcheviques  e a sobrevaloração dos complôs da cúpula &#8220;centralista democrática&#8221;.</p>
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		<title>
		Por: Gabriel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/06/127083/#comment-459357</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jul 2019 03:01:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desculpa interromper o ponto do debate, mas Não acho que o sindicato possa seguir uma direção emancipatória, pois a &quot;forma sindical&quot; segue necessariamente essa lógica coletiva-passiva como foi apontada pelo autor, porque fraciona a classe trabalhadores em corporações, fragmentadas segundo a ótica da divisão do trabalho, o que inviabiliza a luta coletiva nos locais de trabalho, pois se limita a vender a força de trabalho em melhores condições, e neste sentido reproduz a classe trabalhadora como classe trabalhadora, inserindo-se nos ciclos da mais-valia, porque é uma instituição onde se processa prática comum entre trabalhadores e gestores, o que se expressa numa integração subordinada de uma classe em relação a outra. (*o fim do imposto sindical apenas acelera o desenvolvimento do capitalismo sindical no Brasil já que força os sindicatos a investir em fundos para obter rendimentos). Assim, formalmente e funcionalmente os sindicatos fazem parte da lógica capitalista sendo incapaz de superá-lo. Uma organização emancipatória leva uma luta coletiva e ativa, eu acrescentaria horizontal e autogerida, portanto autônoma, que não divide a classe em frações e que não se insere na legalidade burguesa/gestora. Esse tipo de organização chamo de conselho operário, chamá-los de sindicatos se respeitada as premissas anteriores, não é a questão, mas é fundamental entender que pela forma e função são outra coisa e que os sindicatos não podem transitar para forma conselho, estes devem se constituir paralelamente e contra os sindicatos atuais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desculpa interromper o ponto do debate, mas Não acho que o sindicato possa seguir uma direção emancipatória, pois a &#8220;forma sindical&#8221; segue necessariamente essa lógica coletiva-passiva como foi apontada pelo autor, porque fraciona a classe trabalhadores em corporações, fragmentadas segundo a ótica da divisão do trabalho, o que inviabiliza a luta coletiva nos locais de trabalho, pois se limita a vender a força de trabalho em melhores condições, e neste sentido reproduz a classe trabalhadora como classe trabalhadora, inserindo-se nos ciclos da mais-valia, porque é uma instituição onde se processa prática comum entre trabalhadores e gestores, o que se expressa numa integração subordinada de uma classe em relação a outra. (*o fim do imposto sindical apenas acelera o desenvolvimento do capitalismo sindical no Brasil já que força os sindicatos a investir em fundos para obter rendimentos). Assim, formalmente e funcionalmente os sindicatos fazem parte da lógica capitalista sendo incapaz de superá-lo. Uma organização emancipatória leva uma luta coletiva e ativa, eu acrescentaria horizontal e autogerida, portanto autônoma, que não divide a classe em frações e que não se insere na legalidade burguesa/gestora. Esse tipo de organização chamo de conselho operário, chamá-los de sindicatos se respeitada as premissas anteriores, não é a questão, mas é fundamental entender que pela forma e função são outra coisa e que os sindicatos não podem transitar para forma conselho, estes devem se constituir paralelamente e contra os sindicatos atuais.</p>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/06/127083/#comment-457688</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jul 2019 16:08:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Voltando à questão da revolta contra o PT, acabamos de ver algo semelhante na Grécia. Será interessante conferir os seguintes trechos de um editorial publicado hoje no Público (https://www.publico.pt/2019/07/08/opiniao/editorial/segunda-morte-syriza-1879087):

&quot;[...] A derrota do Syriza já não é a derrota do movimento de esquerda que levou Tsipras ao poder: essa morreu no referendo de 2015, quando o partido convocou um referendo para ganhar apoio popular contra um programa de austeridade e acabou a negar os resultados e a aceitar um programa muito pior. Foi aí que o Syriza, que chegou ao poder com um programa de recusa da austeridade, foi extinto. [...] O partido do Alexis não cumpriu o programa com que foi eleito, deixa a Grécia com uma taxa de desemprego de 18,1% (40% entre os jovens) e um em cada três gregos em risco de pobreza. Infelizmente, não há como não concordar com Yanis Varoufakis quando diz, na entrevista que este domingo deu ao El Mundo, que Tsipras &#039;é um mentiroso&#039;. [...]&quot;

A desilusão dos trabalhadores com o Syriza na Grécia e com o PT no Brasil, desilusão com partidos eleitos prometendo mudanças mas que acabaram governando administrando os &quot;interesses do conjunto do capital&quot;, como colocado por Granamir, primeiro se manifestou no Brasil em grandes manifestações nas ruas e depois nas urnas. Imagino que com o Syriza tenha sido semelhante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Voltando à questão da revolta contra o PT, acabamos de ver algo semelhante na Grécia. Será interessante conferir os seguintes trechos de um editorial publicado hoje no Público (<a href="https://www.publico.pt/2019/07/08/opiniao/editorial/segunda-morte-syriza-1879087" rel="nofollow ugc">https://www.publico.pt/2019/07/08/opiniao/editorial/segunda-morte-syriza-1879087</a>):</p>
<p>&#8220;[&#8230;] A derrota do Syriza já não é a derrota do movimento de esquerda que levou Tsipras ao poder: essa morreu no referendo de 2015, quando o partido convocou um referendo para ganhar apoio popular contra um programa de austeridade e acabou a negar os resultados e a aceitar um programa muito pior. Foi aí que o Syriza, que chegou ao poder com um programa de recusa da austeridade, foi extinto. [&#8230;] O partido do Alexis não cumpriu o programa com que foi eleito, deixa a Grécia com uma taxa de desemprego de 18,1% (40% entre os jovens) e um em cada três gregos em risco de pobreza. Infelizmente, não há como não concordar com Yanis Varoufakis quando diz, na entrevista que este domingo deu ao El Mundo, que Tsipras &#8216;é um mentiroso&#8217;. [&#8230;]&#8221;</p>
<p>A desilusão dos trabalhadores com o Syriza na Grécia e com o PT no Brasil, desilusão com partidos eleitos prometendo mudanças mas que acabaram governando administrando os &#8220;interesses do conjunto do capital&#8221;, como colocado por Granamir, primeiro se manifestou no Brasil em grandes manifestações nas ruas e depois nas urnas. Imagino que com o Syriza tenha sido semelhante.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/06/127083/#comment-456103</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2019 14:24:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O que você não está querendo ver, Leo, é que a revolta contra o aumento das tarifas EM 2013 não teve apenas um conteúdo &quot;economicista&quot; tradicional. O verdadeiro &quot;acontecimento&quot; desta revolta foi ela ter negado completamente as mediações sociais que eram tão somente A BASE do consenso criado pelo PT. Você está tentando igualar todos os partidos como se fossem entidades abstratas, simples &quot;gestores de plantão&quot;, quando se trata justamente de identificar a especificidade da gestão petista e os seus significados, assim como o significado de seu fim. Um segmento da classe trabalhadora, nestas jornadas de 2013, fez uma crítica prática contra a governabilidade petista, e é nesse sentido que houve uma revolta contra o PT. É bastante óbvio que não se trata aqui dos prédios, das cadeiras, das camisetas do partido, mas sim da ordem instituída por este, dado que isso é o que há de mais essencial em um partido político. Não por outro motivo os &quot;autonomistas&quot; italianos criticavam tanto o PCI. Afinal, como não criticar aqueles que te sentam a borracha?
Agora me passe o controle que quero mudar de canal. Tenho vontade de assistir algum programa didático da tevê pública.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que você não está querendo ver, Leo, é que a revolta contra o aumento das tarifas EM 2013 não teve apenas um conteúdo &#8220;economicista&#8221; tradicional. O verdadeiro &#8220;acontecimento&#8221; desta revolta foi ela ter negado completamente as mediações sociais que eram tão somente A BASE do consenso criado pelo PT. Você está tentando igualar todos os partidos como se fossem entidades abstratas, simples &#8220;gestores de plantão&#8221;, quando se trata justamente de identificar a especificidade da gestão petista e os seus significados, assim como o significado de seu fim. Um segmento da classe trabalhadora, nestas jornadas de 2013, fez uma crítica prática contra a governabilidade petista, e é nesse sentido que houve uma revolta contra o PT. É bastante óbvio que não se trata aqui dos prédios, das cadeiras, das camisetas do partido, mas sim da ordem instituída por este, dado que isso é o que há de mais essencial em um partido político. Não por outro motivo os &#8220;autonomistas&#8221; italianos criticavam tanto o PCI. Afinal, como não criticar aqueles que te sentam a borracha?<br />
Agora me passe o controle que quero mudar de canal. Tenho vontade de assistir algum programa didático da tevê pública.</p>
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		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/06/127083/#comment-455931</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jul 2019 23:23:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Então comecem a definir &quot;revolta contra o PT&quot;.

Sem essa definição clara o artigo fica sem sentido.

Agora, definir como &quot;revolta contra o PT&quot; uma revolta contra aumento de tarifa porque o Haddad era prefeito é exatamente o mesmo que os piores petistas fazem, confundindo autonomia e independência das lutas aos partidos e governos a ataques direcionados a partidos X ou Y.

Se a revolta contra aumento de tarifas era &quot;revolta contra o PT&quot;, o que é essa revolta da nova direita antipetista?

A revolta era contra a forma como era gerido o transporte público, visando lucro e ferrando os trabalhadores, não importa qual partido. Ou não era? Ou os piores petistas estão certos de que o MPL era antipetista? Valha-me!

Lucas,

Sinceramente, essa análise é de quem está sentado no sofá fazendo análise anos depois de algo que se deu nas ruas e nas escolas.

Assim como a revolta de 2013 em São Paulo não eram contra o PSDB e o PT mas contra o aumento das tarifas (assim como não foi contra o DEM em 2011 as manifestações). Oram, se dirigiam aos administradores públicos de plantão. É nesse sentido que não faz nem sentido dizer que eram contra o governo federal, pois ele não administra as tarifas do transporte público.

Sinceramente, às vezes entro aqui no Passa Palavra e me surpreendo como a extrema-esquerda vive no mundo da lua, inventando suas teorias sem lastro e nexo com a realidade.

Regra para análise, eu diria até para fazer ciência.

Não se confunde luta reivindicativa que se dirige ao gestor de plantão com luta contra esse gestor específico. Na língua português quando se usa a expressão “revolta contra o PT”, o que se quer dizer é isso ultimo, que era uma luta contra o PT, e não uma luta reivindicativa que se dirigia ao gestor de plantão (que poderia ser o PT ou outro).

Sendo assim, misturas as manifestações puxadas pelo MPL como “revolta contra o PT” serve aos antipetistas e aos piores petistas. Esperem os piores petistas acharem este artigo, para corroborar o que eles sempre diziam, vindo agora dos próprios “autonomistas”.

As revoltas de 2004 e 2005 em Florianópolis nunca foram contra o PP nem o PSDB (que administravam a cidade nesses anos), nem contra PMDB, governo do estado e nem contra o PT, governo federal. Essa independência e autonomia de classe em relação a partidos é o que se perdeu hoje.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então comecem a definir &#8220;revolta contra o PT&#8221;.</p>
<p>Sem essa definição clara o artigo fica sem sentido.</p>
<p>Agora, definir como &#8220;revolta contra o PT&#8221; uma revolta contra aumento de tarifa porque o Haddad era prefeito é exatamente o mesmo que os piores petistas fazem, confundindo autonomia e independência das lutas aos partidos e governos a ataques direcionados a partidos X ou Y.</p>
<p>Se a revolta contra aumento de tarifas era &#8220;revolta contra o PT&#8221;, o que é essa revolta da nova direita antipetista?</p>
<p>A revolta era contra a forma como era gerido o transporte público, visando lucro e ferrando os trabalhadores, não importa qual partido. Ou não era? Ou os piores petistas estão certos de que o MPL era antipetista? Valha-me!</p>
<p>Lucas,</p>
<p>Sinceramente, essa análise é de quem está sentado no sofá fazendo análise anos depois de algo que se deu nas ruas e nas escolas.</p>
<p>Assim como a revolta de 2013 em São Paulo não eram contra o PSDB e o PT mas contra o aumento das tarifas (assim como não foi contra o DEM em 2011 as manifestações). Oram, se dirigiam aos administradores públicos de plantão. É nesse sentido que não faz nem sentido dizer que eram contra o governo federal, pois ele não administra as tarifas do transporte público.</p>
<p>Sinceramente, às vezes entro aqui no Passa Palavra e me surpreendo como a extrema-esquerda vive no mundo da lua, inventando suas teorias sem lastro e nexo com a realidade.</p>
<p>Regra para análise, eu diria até para fazer ciência.</p>
<p>Não se confunde luta reivindicativa que se dirige ao gestor de plantão com luta contra esse gestor específico. Na língua português quando se usa a expressão “revolta contra o PT”, o que se quer dizer é isso ultimo, que era uma luta contra o PT, e não uma luta reivindicativa que se dirigia ao gestor de plantão (que poderia ser o PT ou outro).</p>
<p>Sendo assim, misturas as manifestações puxadas pelo MPL como “revolta contra o PT” serve aos antipetistas e aos piores petistas. Esperem os piores petistas acharem este artigo, para corroborar o que eles sempre diziam, vindo agora dos próprios “autonomistas”.</p>
<p>As revoltas de 2004 e 2005 em Florianópolis nunca foram contra o PP nem o PSDB (que administravam a cidade nesses anos), nem contra PMDB, governo do estado e nem contra o PT, governo federal. Essa independência e autonomia de classe em relação a partidos é o que se perdeu hoje.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/06/127083/#comment-455876</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jul 2019 19:43:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Leo Vinicius afirma acima que:

1) “Nunca teve revolta nessa fase contra sequer o governo federal (e aí é preciso distinguir o governo do partido que governa)”.

2) “As tarifas eram questões municipais/estaduais. Sendo assim, o pressuposto do artigo, de que havia uma revolta contra o PT perde base”.

Concluindo, por fim, que:

3) “Aquela composição de classe demonstrou independência em relação ao PT, não revolta contra o PT. Estavam lutando por seus interesses, não importa o governo (municipal, estadual) que fosse”.

Ora, tudo isso é muito interessante, porque em 19 de junho de 2013 o MPL-SP divulgou uma nota (aqui: https://saopaulo.mpl.org.br/2013/06/19/nota-publica-sobre-as-declaracoes-do-prefeito/) que dizia que:

“A reivindicao é clara: revogacao imediata do aumento da tarifa! Enquanto isso, o prefeito Haddad e o governador Alckmin se mantêm intransigentes, e tomam a atitude irresponsável de não atender aos clamores populares. Essa é a causa da revolta popular que vemos se espalhar pela cidade. [...] O governo do Estado se cala e desaparece do debate público, se negando dialogar e criando uma ideia que essa é uma questão única de segurança pública, colocando sempre o comando da PM à frente de todas as situações. [...] Já a Prefeitura tenta de toda forma iludir o povo nas ruas, criando a falsa ideia de que, para revogar o aumento, a prefeitura terá que retirar dinheiro da educação, saúde e outras áreas sociais. Isso não é verdade, até porque as verbas para setores como educação e saúde estão vinculadas e não podem ser transferidas”.

Bem, parece que o MPL-SP entendia a jornada de lutas nacionais de que participava como uma verdadeira revolta, dirigida simultaneamente contra o governo petista de Haddad e contra o governo tucano de Alckmin. Mas vamos analisar mais alguns documentos, antes de tirar conclusões talvez precipitadas.

Numa carta aberta do MPL-SP à presidente Dilma, datada de 24 de junho de 2013, podemos apreciar esta carinhosa mensagem (aqui: https://saopaulo.mpl.org.br/2013/06/24/carta-aberta-do-mpl-sp-a-presidenta/):

“Ficamos surpresos com o convite para esta reunião. Imaginamos que também esteja surpresa com o que vem acontecendo no país nas últimas semanas. Esse gesto de diálogo que parte do governo federal destoa do tratamento aos movimentos sociais que tem marcado a política desta gestão. Parece que as revoltas que se espalham pelas cidades do Brasil desde o dia seis de junho tem quebrado velhas catracas e aberto novos caminhos. [...] Essa reunião com a presidenta foi arrancada pela força das ruas, que avançou sobre bombas, balas e prisões. Os movimentos sociais no Brasil sempre sofreram com a repressão e a criminalização. Até agora, 2013 não foi diferente: no Mato Grosso do Sul, vem ocorrendo um massacre de indígenas e a Força Nacional assassinou, no mês passado, uma liderança Terena durante uma reintegração de posse; no Distrito Federal, cinco militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) foram presos há poucas semanas em meio às mobilizações contra os impactos da Copa do Mundo da FIFA. A resposta da polícia aos protestos iniciados em junho não destoa do conjunto: bombas de gás foram jogadas dentro de hospitais e faculdades; manifestantes foram perseguidos e espancados pela Polícia Militar; outros foram baleados; centenas de pessoas foram presas arbitrariamente; algumas estão sendo acusadas de formação de quadrilha e incitação ao crime; um homem perdeu a visão; uma garota foi violentada sexualmente por policiais; uma mulher morreu asfixiada pelo gás lacrimogêneo. A verdadeira violência que assistimos neste junho veio do Estado – em todas as suas esferas. A desmilitarização da polícia, defendida até pela ONU, e uma política nacional de regulamentação do armamento menos letal, proibido em diversos países e condenado por organismos internacionais, são urgentes. Ao oferecer a Força Nacional de Segurança para conter as manifestações, o Ministro da Justiça mostrou que o governo federal insiste em tratar os movimentos sociais como assunto de polícia. As notícias sobre o monitoramento de militantes feito pela Polícia Federal e pela ABIN vão na mesma direção: criminalização da luta popular. Esperamos que essa reunião marque uma mudança de postura do governo federal que se estenda às outras lutas sociais: aos povos indígenas, que, a exemplo dos Kaiowá-Guarani e dos Munduruku, tem sofrido diversos ataques por parte de latifundiários e do poder público; às comunidades atingidas por remoções; aos sem-teto; aos sem-terra e às mães que tiveram os filhos assassinados pela polícia nas periferias. Que a mesma postura se estenda também a todas as cidades que lutam contra o aumento de tarifas e por outro modelo de transporte: São José dos Campos, Florianópolis, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Goiânia, entre muitas outras. Mais do que sentar à mesa e conversar, o que importa é atender às demandas claras que já estão colocadas pelos movimentos sociais de todo o país”.

Mesmo assim, Leo Vinicius quer nos fazer crer que não havia revolta contra o PT. E, no entanto, porções muito consideráveis da esquerda e da classe trabalhadora vinham se insurgindo contra os governos petistas há muito tempo, por motivos diversos. Vejamos mais alguns exemplos.

Em abril de 2008 foi convocado um Dia Nacional de Luta contra as Mentiras do Governo Lula, não apenas contra a transposição do rio São Francisco, aparentemente sua principal bandeira, mas também por diversas outras razões. Vejamos as reivindicações e os argumentos expressos em um documento da época (reproduzido aqui: http://www.sindppd-rs.org.br/1o-de-abril-contra-as-mentiras-do-governo-lula/). Aqui vão alguns trechos:

1) “O Projeto de transposição do São Francisco não ‘vai acabar com a sede dos nordestinos’. O projeto é para satisfazer as grandes empreiteiras, que vão ganhar milhões de reais. Esse dinheiro seria melhor investido em obras menores e mais eficientes, que respeitam o meio ambiente. A transposição do rio vai beneficiar os latifundiários e grandes produtores rurais do Nordeste, que vão receber 95% da água desviada do curso do rio”.

2) “A crise econômica dos Estados Unidos já começa a repercutir em nosso país e os empresários, com o apoio do governo, querem repassar a conta para os trabalhadores. Na General Motors – GM, de São José dos Campos, os patrões querem reduzir direitos trabalhistas e implantar o banco de horas para contratar novos empregados. A flexibilização dos direitos não garante mais empregos. Isso já foi provado para os metalúrgicos do ABC paulista, que perderam milhares de vagas de trabalho quando o seu Sindicato, filiado à CUT, aceitou a flexibilização”.

3) “Ao funcionalismo público está sendo imposto um ataque violento aos salários, às condições de trabalho e à aposentadoria. O governo está privatizando os serviços através das fundações estatais e das parcerias público-privadas, nas áreas de saúde, educação, ciência e tecnologia, transporte e outras. Quem depende dos serviços públicos é a população pobre. Por isso precisamos barrar os ataques aos direitos dos servidores e a privatização dos serviços”.

4) “A reforma universitária não está criando condições para a ampliação do acesso e permanência na universidade pública. Quem está ganhando dinheiro são os empresários do ensino superior, com a transferência de vagas para escolas de qualidade duvidosa e o pagamento das bolsas pelo governo. O REUNI privatiza o ensino público superior e, mesmo abrindo novas vagas, ataca a qualidade do ensino, com salas superlotadas, cortes orçamentários e desvios das verbas das escolas públicas. Todas essas mentiras do governo são as diversas faces de uma única política: atacar os direitos trabalhistas, previdenciários e o serviço público, aplicando as reformas que beneficiam os banqueiros, grandes empresários brasileiros e as multinacionais”.

Mas o que terá feito o governo Lula diante de um dia nacional de lutas para desmascarar suas mentiras? Respondendo à pergunta, ele recorreu à justiça com um pedido de interdito proibitório, para inviabilizar uma manifestação que ocorreria num trecho da BR-101, entre os estados de Alagoas e Sergipe, quem sabe um foco mais radical de mobilização. Obviamente que, já que se tratava de um ato de insubordinação contra o governo federal, a decisão judicial não foi respeitada, do que resultou uma segunda decisão, condenando os grupos que organizaram a manifestação a pagarem uma multa de 10 mil reais (esta notícia é esclarecedora: https://www.jota.info/justica/ong-pede-flexibilizacao-de-aviso-previo-em-manifestacoes-18102017).

Esse movimento repercutiu no meio universitário, e temos mais um documento da mesma época, demonstrando o que pensavam determinados grupos de trabalhadores sobre o governo Lula (aqui: http://200.223.129.167/fserver/:imagensAlbanet:PDFsSessao:splena%200104086%C2%AAextra1.pdf):

“1º DE ABRIL: DIA DA MENTIRA DO GOVERNO E DA VERDADE DO POVO! Esta é a palavra de ordem para este Dia Nacional de Lutas. Os docentes das Universidades Estaduais da Bahia convocam a população para participar da mobilização contra a transposição do Rio São Francisco e contra as mentiras do Governo Lula. Na Bahia também somos vítimas de muitas mentiras. O Governo diz que a Educação é prioridade e que quer um diálogo com o funcionalismo. Entretanto, mantém a política de sucateamento das Universidades Estaduais e desrespeita a negociação ocorrida na tão propagandeada Mesa Setorial. Atropela as negociações na mesa central e impõe o reajuste linear de apenas 4,46% para todos os servidores, a despeito de parte significativa das entidades que os representam não ter assinado nenhum acordo. Os docentes, que já experimentaram o descaso, a incompetência, a má-fé e o autoritarismo deste governo durante a greve de 2007, denunciam: É mentira que o reajuste de 4,46% &#039;recupera os salários&#039;! É mentira que a &#039;mesa de negociação permanente representa um grande avanço&#039;! Em seu segundo ano, o governo mantém o arrocho salarial sobre os servidores e faz apenas mudanças cosméticas na política para a Educação praticada pelos governos anteriores. Agora confisca salários: na Mensagem do governo a incorporação em março é de 7,2% dos 27,2% da Gratificação de Estímulo à Atividade Acadêmica (GEAA) e por que o restante foi definido em 18,66%? Este golpe do governo contra os docentes mostra porque o acusamos de tentar nos ludibriar. Em situação semelhante estão outras categorias de servidores: o governo anuncia a incorporação de gratificações, mas omite que depois ela é parcialmente confiscada. Ao povo baiano também denunciamos que até o momento NENHUMA das promessas feitas pelo Governo, antes, durante e depois da greve dos docentes que durou 70 dias (maio a julho/07) foi cumprida. Lei  7176/97 NÃO foi revogada; o orçamento para 2008 das Universidades NÃO foi incrementado em 0,33%; os concursos para docentes e técnicos NÃO foram convocados; a GEAA de 27,2% NÃO foi incorporada; o reajuste de 4,46% NÃO aponta para uma política de recomposição dos salários; o relatório do GT do Governo sobre a situação administrativo-financeira das UEBA NÃO foi divulgado; o Grupo de Trabalho para reestruturar a carreira proposto pelo próprio governo NÃO funciona. Assim, estamos neste 1º de abril, resgatando a verdade que o governo quer esconder. Diante de tantas mentiras, as associações dos Docentes (seções Sindicais do ANDES-Sindicato Nacional) não podem se omitir. Continuaremos na luta em defesa de mais verbas, melhores salários e melhores condições de trabalho, condições necessárias para garantir a autonomia e a democratização das Universidades Estaduais, construindo sua competência para que atendam às necessidades de um desenvolvimento econômico, social e cultural que alcance e que transforme a vida de todos e todas nesta Bahia, que está muito longe de ser de ‘todos nós’”.

Outros dias de luta “contra as mentiras do governo Lula” podem ser conferidos aqui: http://www.sindsprevrj.org.br/jornal/secao.asp?area=15&#038;entrada=4142 e aqui: https://assincrasp.wordpress.com/2010/04/04/dia-da-mentira-no-incra-de-santarem/. Certamente existem muitos outros documentos, mas vamos ficar por aqui.

Enfim, me parece que o Junho de 2013 deve ser inserido num quadro mais amplo, de mobilizações de trabalhadores contra um conjunto de gestores do qual faziam parte os governantes petistas, ao lado, é claro, de outros políticos e dirigentes de empresas, das mais variadas colorações políticas, para não mencionar os dirigentes de sindicatos e movimentos sociais que apoiavam os governos petistas e certamente se opunham àquelas mobilizações.

Não fosse assim, o governo Lula não teria sido obrigado a cogitar a proibição de greves em “setores essenciais”, no afã de conter as paralisações do funcionalismo público. A afirmação foi feita no início de março de 2007, pelo então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Nessa época o governo temia que as paralisações prejudicassem o recém-lançado PAC, Programa de Aceleração do Crescimento (aqui: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0303200702.htm). O absurdo foi tanto que a própria CUT protestou (aqui: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0303200703.htm).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leo Vinicius afirma acima que:</p>
<p>1) “Nunca teve revolta nessa fase contra sequer o governo federal (e aí é preciso distinguir o governo do partido que governa)”.</p>
<p>2) “As tarifas eram questões municipais/estaduais. Sendo assim, o pressuposto do artigo, de que havia uma revolta contra o PT perde base”.</p>
<p>Concluindo, por fim, que:</p>
<p>3) “Aquela composição de classe demonstrou independência em relação ao PT, não revolta contra o PT. Estavam lutando por seus interesses, não importa o governo (municipal, estadual) que fosse”.</p>
<p>Ora, tudo isso é muito interessante, porque em 19 de junho de 2013 o MPL-SP divulgou uma nota (aqui: <a href="https://saopaulo.mpl.org.br/2013/06/19/nota-publica-sobre-as-declaracoes-do-prefeito/" rel="nofollow ugc">https://saopaulo.mpl.org.br/2013/06/19/nota-publica-sobre-as-declaracoes-do-prefeito/</a>) que dizia que:</p>
<p>“A reivindicao é clara: revogacao imediata do aumento da tarifa! Enquanto isso, o prefeito Haddad e o governador Alckmin se mantêm intransigentes, e tomam a atitude irresponsável de não atender aos clamores populares. Essa é a causa da revolta popular que vemos se espalhar pela cidade. [&#8230;] O governo do Estado se cala e desaparece do debate público, se negando dialogar e criando uma ideia que essa é uma questão única de segurança pública, colocando sempre o comando da PM à frente de todas as situações. [&#8230;] Já a Prefeitura tenta de toda forma iludir o povo nas ruas, criando a falsa ideia de que, para revogar o aumento, a prefeitura terá que retirar dinheiro da educação, saúde e outras áreas sociais. Isso não é verdade, até porque as verbas para setores como educação e saúde estão vinculadas e não podem ser transferidas”.</p>
<p>Bem, parece que o MPL-SP entendia a jornada de lutas nacionais de que participava como uma verdadeira revolta, dirigida simultaneamente contra o governo petista de Haddad e contra o governo tucano de Alckmin. Mas vamos analisar mais alguns documentos, antes de tirar conclusões talvez precipitadas.</p>
<p>Numa carta aberta do MPL-SP à presidente Dilma, datada de 24 de junho de 2013, podemos apreciar esta carinhosa mensagem (aqui: <a href="https://saopaulo.mpl.org.br/2013/06/24/carta-aberta-do-mpl-sp-a-presidenta/" rel="nofollow ugc">https://saopaulo.mpl.org.br/2013/06/24/carta-aberta-do-mpl-sp-a-presidenta/</a>):</p>
<p>“Ficamos surpresos com o convite para esta reunião. Imaginamos que também esteja surpresa com o que vem acontecendo no país nas últimas semanas. Esse gesto de diálogo que parte do governo federal destoa do tratamento aos movimentos sociais que tem marcado a política desta gestão. Parece que as revoltas que se espalham pelas cidades do Brasil desde o dia seis de junho tem quebrado velhas catracas e aberto novos caminhos. [&#8230;] Essa reunião com a presidenta foi arrancada pela força das ruas, que avançou sobre bombas, balas e prisões. Os movimentos sociais no Brasil sempre sofreram com a repressão e a criminalização. Até agora, 2013 não foi diferente: no Mato Grosso do Sul, vem ocorrendo um massacre de indígenas e a Força Nacional assassinou, no mês passado, uma liderança Terena durante uma reintegração de posse; no Distrito Federal, cinco militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) foram presos há poucas semanas em meio às mobilizações contra os impactos da Copa do Mundo da FIFA. A resposta da polícia aos protestos iniciados em junho não destoa do conjunto: bombas de gás foram jogadas dentro de hospitais e faculdades; manifestantes foram perseguidos e espancados pela Polícia Militar; outros foram baleados; centenas de pessoas foram presas arbitrariamente; algumas estão sendo acusadas de formação de quadrilha e incitação ao crime; um homem perdeu a visão; uma garota foi violentada sexualmente por policiais; uma mulher morreu asfixiada pelo gás lacrimogêneo. A verdadeira violência que assistimos neste junho veio do Estado – em todas as suas esferas. A desmilitarização da polícia, defendida até pela ONU, e uma política nacional de regulamentação do armamento menos letal, proibido em diversos países e condenado por organismos internacionais, são urgentes. Ao oferecer a Força Nacional de Segurança para conter as manifestações, o Ministro da Justiça mostrou que o governo federal insiste em tratar os movimentos sociais como assunto de polícia. As notícias sobre o monitoramento de militantes feito pela Polícia Federal e pela ABIN vão na mesma direção: criminalização da luta popular. Esperamos que essa reunião marque uma mudança de postura do governo federal que se estenda às outras lutas sociais: aos povos indígenas, que, a exemplo dos Kaiowá-Guarani e dos Munduruku, tem sofrido diversos ataques por parte de latifundiários e do poder público; às comunidades atingidas por remoções; aos sem-teto; aos sem-terra e às mães que tiveram os filhos assassinados pela polícia nas periferias. Que a mesma postura se estenda também a todas as cidades que lutam contra o aumento de tarifas e por outro modelo de transporte: São José dos Campos, Florianópolis, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Goiânia, entre muitas outras. Mais do que sentar à mesa e conversar, o que importa é atender às demandas claras que já estão colocadas pelos movimentos sociais de todo o país”.</p>
<p>Mesmo assim, Leo Vinicius quer nos fazer crer que não havia revolta contra o PT. E, no entanto, porções muito consideráveis da esquerda e da classe trabalhadora vinham se insurgindo contra os governos petistas há muito tempo, por motivos diversos. Vejamos mais alguns exemplos.</p>
<p>Em abril de 2008 foi convocado um Dia Nacional de Luta contra as Mentiras do Governo Lula, não apenas contra a transposição do rio São Francisco, aparentemente sua principal bandeira, mas também por diversas outras razões. Vejamos as reivindicações e os argumentos expressos em um documento da época (reproduzido aqui: <a href="http://www.sindppd-rs.org.br/1o-de-abril-contra-as-mentiras-do-governo-lula/" rel="nofollow ugc">http://www.sindppd-rs.org.br/1o-de-abril-contra-as-mentiras-do-governo-lula/</a>). Aqui vão alguns trechos:</p>
<p>1) “O Projeto de transposição do São Francisco não ‘vai acabar com a sede dos nordestinos’. O projeto é para satisfazer as grandes empreiteiras, que vão ganhar milhões de reais. Esse dinheiro seria melhor investido em obras menores e mais eficientes, que respeitam o meio ambiente. A transposição do rio vai beneficiar os latifundiários e grandes produtores rurais do Nordeste, que vão receber 95% da água desviada do curso do rio”.</p>
<p>2) “A crise econômica dos Estados Unidos já começa a repercutir em nosso país e os empresários, com o apoio do governo, querem repassar a conta para os trabalhadores. Na General Motors – GM, de São José dos Campos, os patrões querem reduzir direitos trabalhistas e implantar o banco de horas para contratar novos empregados. A flexibilização dos direitos não garante mais empregos. Isso já foi provado para os metalúrgicos do ABC paulista, que perderam milhares de vagas de trabalho quando o seu Sindicato, filiado à CUT, aceitou a flexibilização”.</p>
<p>3) “Ao funcionalismo público está sendo imposto um ataque violento aos salários, às condições de trabalho e à aposentadoria. O governo está privatizando os serviços através das fundações estatais e das parcerias público-privadas, nas áreas de saúde, educação, ciência e tecnologia, transporte e outras. Quem depende dos serviços públicos é a população pobre. Por isso precisamos barrar os ataques aos direitos dos servidores e a privatização dos serviços”.</p>
<p>4) “A reforma universitária não está criando condições para a ampliação do acesso e permanência na universidade pública. Quem está ganhando dinheiro são os empresários do ensino superior, com a transferência de vagas para escolas de qualidade duvidosa e o pagamento das bolsas pelo governo. O REUNI privatiza o ensino público superior e, mesmo abrindo novas vagas, ataca a qualidade do ensino, com salas superlotadas, cortes orçamentários e desvios das verbas das escolas públicas. Todas essas mentiras do governo são as diversas faces de uma única política: atacar os direitos trabalhistas, previdenciários e o serviço público, aplicando as reformas que beneficiam os banqueiros, grandes empresários brasileiros e as multinacionais”.</p>
<p>Mas o que terá feito o governo Lula diante de um dia nacional de lutas para desmascarar suas mentiras? Respondendo à pergunta, ele recorreu à justiça com um pedido de interdito proibitório, para inviabilizar uma manifestação que ocorreria num trecho da BR-101, entre os estados de Alagoas e Sergipe, quem sabe um foco mais radical de mobilização. Obviamente que, já que se tratava de um ato de insubordinação contra o governo federal, a decisão judicial não foi respeitada, do que resultou uma segunda decisão, condenando os grupos que organizaram a manifestação a pagarem uma multa de 10 mil reais (esta notícia é esclarecedora: <a href="https://www.jota.info/justica/ong-pede-flexibilizacao-de-aviso-previo-em-manifestacoes-18102017" rel="nofollow ugc">https://www.jota.info/justica/ong-pede-flexibilizacao-de-aviso-previo-em-manifestacoes-18102017</a>).</p>
<p>Esse movimento repercutiu no meio universitário, e temos mais um documento da mesma época, demonstrando o que pensavam determinados grupos de trabalhadores sobre o governo Lula (aqui: <a href="http://200.223.129.167/fserver/:imagensAlbanet:PDFsSessao:splena%200104086%C2%AAextra1.pdf" rel="nofollow ugc">http://200.223.129.167/fserver/:imagensAlbanet:PDFsSessao:splena%200104086%C2%AAextra1.pdf</a>):</p>
<p>“1º DE ABRIL: DIA DA MENTIRA DO GOVERNO E DA VERDADE DO POVO! Esta é a palavra de ordem para este Dia Nacional de Lutas. Os docentes das Universidades Estaduais da Bahia convocam a população para participar da mobilização contra a transposição do Rio São Francisco e contra as mentiras do Governo Lula. Na Bahia também somos vítimas de muitas mentiras. O Governo diz que a Educação é prioridade e que quer um diálogo com o funcionalismo. Entretanto, mantém a política de sucateamento das Universidades Estaduais e desrespeita a negociação ocorrida na tão propagandeada Mesa Setorial. Atropela as negociações na mesa central e impõe o reajuste linear de apenas 4,46% para todos os servidores, a despeito de parte significativa das entidades que os representam não ter assinado nenhum acordo. Os docentes, que já experimentaram o descaso, a incompetência, a má-fé e o autoritarismo deste governo durante a greve de 2007, denunciam: É mentira que o reajuste de 4,46% &#8216;recupera os salários&#8217;! É mentira que a &#8216;mesa de negociação permanente representa um grande avanço&#8217;! Em seu segundo ano, o governo mantém o arrocho salarial sobre os servidores e faz apenas mudanças cosméticas na política para a Educação praticada pelos governos anteriores. Agora confisca salários: na Mensagem do governo a incorporação em março é de 7,2% dos 27,2% da Gratificação de Estímulo à Atividade Acadêmica (GEAA) e por que o restante foi definido em 18,66%? Este golpe do governo contra os docentes mostra porque o acusamos de tentar nos ludibriar. Em situação semelhante estão outras categorias de servidores: o governo anuncia a incorporação de gratificações, mas omite que depois ela é parcialmente confiscada. Ao povo baiano também denunciamos que até o momento NENHUMA das promessas feitas pelo Governo, antes, durante e depois da greve dos docentes que durou 70 dias (maio a julho/07) foi cumprida. Lei  7176/97 NÃO foi revogada; o orçamento para 2008 das Universidades NÃO foi incrementado em 0,33%; os concursos para docentes e técnicos NÃO foram convocados; a GEAA de 27,2% NÃO foi incorporada; o reajuste de 4,46% NÃO aponta para uma política de recomposição dos salários; o relatório do GT do Governo sobre a situação administrativo-financeira das UEBA NÃO foi divulgado; o Grupo de Trabalho para reestruturar a carreira proposto pelo próprio governo NÃO funciona. Assim, estamos neste 1º de abril, resgatando a verdade que o governo quer esconder. Diante de tantas mentiras, as associações dos Docentes (seções Sindicais do ANDES-Sindicato Nacional) não podem se omitir. Continuaremos na luta em defesa de mais verbas, melhores salários e melhores condições de trabalho, condições necessárias para garantir a autonomia e a democratização das Universidades Estaduais, construindo sua competência para que atendam às necessidades de um desenvolvimento econômico, social e cultural que alcance e que transforme a vida de todos e todas nesta Bahia, que está muito longe de ser de ‘todos nós’”.</p>
<p>Outros dias de luta “contra as mentiras do governo Lula” podem ser conferidos aqui: <a href="http://www.sindsprevrj.org.br/jornal/secao.asp?area=15&#038;entrada=4142" rel="nofollow ugc">http://www.sindsprevrj.org.br/jornal/secao.asp?area=15&#038;entrada=4142</a> e aqui: <a href="https://assincrasp.wordpress.com/2010/04/04/dia-da-mentira-no-incra-de-santarem/" rel="nofollow ugc">https://assincrasp.wordpress.com/2010/04/04/dia-da-mentira-no-incra-de-santarem/</a>. Certamente existem muitos outros documentos, mas vamos ficar por aqui.</p>
<p>Enfim, me parece que o Junho de 2013 deve ser inserido num quadro mais amplo, de mobilizações de trabalhadores contra um conjunto de gestores do qual faziam parte os governantes petistas, ao lado, é claro, de outros políticos e dirigentes de empresas, das mais variadas colorações políticas, para não mencionar os dirigentes de sindicatos e movimentos sociais que apoiavam os governos petistas e certamente se opunham àquelas mobilizações.</p>
<p>Não fosse assim, o governo Lula não teria sido obrigado a cogitar a proibição de greves em “setores essenciais”, no afã de conter as paralisações do funcionalismo público. A afirmação foi feita no início de março de 2007, pelo então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Nessa época o governo temia que as paralisações prejudicassem o recém-lançado PAC, Programa de Aceleração do Crescimento (aqui: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0303200702.htm" rel="nofollow ugc">https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0303200702.htm</a>). O absurdo foi tanto que a própria CUT protestou (aqui: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0303200703.htm" rel="nofollow ugc">https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0303200703.htm</a>).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/06/127083/#comment-455829</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jul 2019 17:23:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acho que fica claro que uma coisa é o anti-petismo que está mobilizando o fascismo, outra coisa era a revolta contra as condições de vida em um país governado havia 10 anos pelo mesmo partido. A primeira revolta não é contra o PT de verdade, é a figura &quot;esquerdista&quot; montada para impor a pauta da direita; a segunda tampouco é uma revolta contra o PT, e sim contra a ordem que o PT criou para governar o país - este é, no meu entendimento, o pressuposto do artigo (do contrário, bastaria formar um governo sem o PT que mantivesse a ordem anterior funcionando).
Em ambos casos, existem condições materiais e concretas que estimularam estas reações, e para ambos casos o PT tem muita responsabilidade nisso, seja por alimentar o conservadorismo com sua política de governabilidade, seja por aprofundar as relações capitalistas em diversos tecidos sociais do país.

Agora, me parece uma coisa meio de movimento estudantil, isso de dizer que a revolta contra o aumento da tarifa é uma luta &quot;municipal&quot; ou &quot;estadual&quot;. Você realmente acha que a população vê as coisas desta forma? Me faz lembrar a triste tática de &quot;lutar&quot; contra Joaquim Levy, e assim compartimentar a luta segundo a estruturação Estatal que a sociedade de classes nos propõe para poupar os &quot;aliados táticos&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que fica claro que uma coisa é o anti-petismo que está mobilizando o fascismo, outra coisa era a revolta contra as condições de vida em um país governado havia 10 anos pelo mesmo partido. A primeira revolta não é contra o PT de verdade, é a figura &#8220;esquerdista&#8221; montada para impor a pauta da direita; a segunda tampouco é uma revolta contra o PT, e sim contra a ordem que o PT criou para governar o país &#8211; este é, no meu entendimento, o pressuposto do artigo (do contrário, bastaria formar um governo sem o PT que mantivesse a ordem anterior funcionando).<br />
Em ambos casos, existem condições materiais e concretas que estimularam estas reações, e para ambos casos o PT tem muita responsabilidade nisso, seja por alimentar o conservadorismo com sua política de governabilidade, seja por aprofundar as relações capitalistas em diversos tecidos sociais do país.</p>
<p>Agora, me parece uma coisa meio de movimento estudantil, isso de dizer que a revolta contra o aumento da tarifa é uma luta &#8220;municipal&#8221; ou &#8220;estadual&#8221;. Você realmente acha que a população vê as coisas desta forma? Me faz lembrar a triste tática de &#8220;lutar&#8221; contra Joaquim Levy, e assim compartimentar a luta segundo a estruturação Estatal que a sociedade de classes nos propõe para poupar os &#8220;aliados táticos&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/06/127083/#comment-455805</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jul 2019 13:57:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=127083#comment-455805</guid>

					<description><![CDATA[O ponto de partida da distinção de dois momentos no tal &#039;junho de 2013&#039; é correto (diria obviamente correto, apesar de tanto esforço que a grande mídia e ideólogos de vários cantos fazem para dar uma unidade àquilo). No entanto, as duas fases descritas abaixo parecem em contradição com o que o autor fala sobre revolta dirigida ao PT (em todas as fases):

&quot;uma primeira em que a juventude trabalhadora das grandes cidades se colocou em luta contra o aumento das passagens e arrastou consigo grandes segmentos da classe trabalhadora; e uma segunda em que setores das camadas médias da população começaram a ir às ruas com uma pauta difusa, que pouco depois foi instrumentalizada por setores da mídia como uma luta contra a “corrupção”, dirigida especificamente ao PT.&quot;

Como vemos, na primeira fase o próprio autor diz que se tratou de revolta contra o aumento das tarifas. Nunca teve revolta nessa fase contra sequer o governo federal (e aí é preciso distinguir o governo do partido que governa). As tarifas eram questões municipais/estaduais. Sendo assim, o pressuposto do artigo, de que havia uma revolta contra o PT perde base. Ora, aquela composição de classe demonstrou independência em relação ao PT, não revolta contra o PT. Estavam lutando por seus interesses, não importa o governo (municipal, estadual) que fosse. Ora, em 2004 e 2005 em Florianópolis o presidente era o Lula, houve revolta contra aumento de tarifas de ônibus nos mesmos moldes que houve em São Paulo em 2013, e igualmente não havia revolta alguma contra o PT no ar entre as pessoas que iam às ruas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ponto de partida da distinção de dois momentos no tal &#8216;junho de 2013&#8217; é correto (diria obviamente correto, apesar de tanto esforço que a grande mídia e ideólogos de vários cantos fazem para dar uma unidade àquilo). No entanto, as duas fases descritas abaixo parecem em contradição com o que o autor fala sobre revolta dirigida ao PT (em todas as fases):</p>
<p>&#8220;uma primeira em que a juventude trabalhadora das grandes cidades se colocou em luta contra o aumento das passagens e arrastou consigo grandes segmentos da classe trabalhadora; e uma segunda em que setores das camadas médias da população começaram a ir às ruas com uma pauta difusa, que pouco depois foi instrumentalizada por setores da mídia como uma luta contra a “corrupção”, dirigida especificamente ao PT.&#8221;</p>
<p>Como vemos, na primeira fase o próprio autor diz que se tratou de revolta contra o aumento das tarifas. Nunca teve revolta nessa fase contra sequer o governo federal (e aí é preciso distinguir o governo do partido que governa). As tarifas eram questões municipais/estaduais. Sendo assim, o pressuposto do artigo, de que havia uma revolta contra o PT perde base. Ora, aquela composição de classe demonstrou independência em relação ao PT, não revolta contra o PT. Estavam lutando por seus interesses, não importa o governo (municipal, estadual) que fosse. Ora, em 2004 e 2005 em Florianópolis o presidente era o Lula, houve revolta contra aumento de tarifas de ônibus nos mesmos moldes que houve em São Paulo em 2013, e igualmente não havia revolta alguma contra o PT no ar entre as pessoas que iam às ruas.</p>
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