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	Comentários sobre: &#8220;De pé, ó mortos!&#8221;: a radicalização da luta dos imigrantes na França	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: João Bernardo		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jul 2019 17:34:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Todas as histórias são mais antigas do que a data do começo, e esta dos Gilets Noirs, os Coletes Negros, não é excepção. Quando, há várias décadas, começaram a multiplicar-se os centros de acolhimento a imigrantes nas prefeituras proletárias da periferia de Paris, que nessa época eram todas governadas por prefeitos comunistas, estes prefeitos argumentavam que os centros de acolhimento deviam ser transferidos para as prefeituras habitadas predominantemente pela elite, para que fossem elas a pagar os encargos. Como não custa entender que nem as prefeituras da elite queriam acolher os imigrantes nem estes queriam lá residir, porque ficariam distantes das oportunidades de trabalho, aqueles argumentos eram apenas uma forma hipócrita de os dirigentes do Partido Comunista Francês mostrarem que queriam ver os imigrantes pelas costas. Com efeito, foi em 24 de Dezembro de 1980, véspera de Natal, que pela primeira vez em França um centro de acolhimento de imigrantes foi arrasado por bulldozers, por ordem do prefeito comunista de Vitry-sur-Seine. Lembro-me de que foram poucos os militantes que saíram do Partido Comunista por terem protestado contra este acontecimento, e entre eles figurava um único nome conhecido, se não me engano Étienne Balibar. Pouco depois, foi sob a presidência de François Mitterrand que pela primeira vez os imigrantes sem documentos foram metidos em aviões, agrilhoados pelos tornozelos. Recordo aos leitores que Mitterrand presidiu em 1981-1984 a um governo do Partido Socialista com a participação de ministros do Partido Comunista.

Quando se sabe isto, quando se levanta a ponta do véu e descobrimos um mundo diferente, quando se puxa um fio e vêem muitos outros atrás, começamos a entender que uma parte considerável daquela base operária francesa, que antes votava nos candidatos do Partido Comunista, vote hoje na organização de Marine Le Pen. Anti-imigrantes quando eram comunistas, continuam hoje a ser anti-imigrantes. É este o eixo de continuidade de uma política que, sem isso, pareceria confusa.

Estará o Brasil imune aos efeitos nefastos deste nacionalismo? Não creio, porque no Brasil nacionalismo e comunismo nasceram do mesmo ovo, o ovo do tenentismo. Ah! exclamam os leitores, mas no Brasil é diferente, porque nós os brasileiros, os bonzinhos do Sul, somos nacionalistas contra os imperialistas, os malvados do Norte. Mas, pergunto eu, quando, sob os governos do PT, as empresas brasileiras se expandiram e implantaram em África, essa teia económica não se chama imperialismo? Não, não se chama, dizem as luminárias do movimento negro, pretendendo que a expansão económica brasileira em África significa que o Brasil retomou as suas raízes africanas. Que bonito! Há lirismos para todas as hipocrisias.

E em São Paulo, que cor hão-de ter os Coletes dos imigrantes bolivianos? E de que cor serão os Coletes dos imigrantes venezuelanos em Roraima?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todas as histórias são mais antigas do que a data do começo, e esta dos Gilets Noirs, os Coletes Negros, não é excepção. Quando, há várias décadas, começaram a multiplicar-se os centros de acolhimento a imigrantes nas prefeituras proletárias da periferia de Paris, que nessa época eram todas governadas por prefeitos comunistas, estes prefeitos argumentavam que os centros de acolhimento deviam ser transferidos para as prefeituras habitadas predominantemente pela elite, para que fossem elas a pagar os encargos. Como não custa entender que nem as prefeituras da elite queriam acolher os imigrantes nem estes queriam lá residir, porque ficariam distantes das oportunidades de trabalho, aqueles argumentos eram apenas uma forma hipócrita de os dirigentes do Partido Comunista Francês mostrarem que queriam ver os imigrantes pelas costas. Com efeito, foi em 24 de Dezembro de 1980, véspera de Natal, que pela primeira vez em França um centro de acolhimento de imigrantes foi arrasado por bulldozers, por ordem do prefeito comunista de Vitry-sur-Seine. Lembro-me de que foram poucos os militantes que saíram do Partido Comunista por terem protestado contra este acontecimento, e entre eles figurava um único nome conhecido, se não me engano Étienne Balibar. Pouco depois, foi sob a presidência de François Mitterrand que pela primeira vez os imigrantes sem documentos foram metidos em aviões, agrilhoados pelos tornozelos. Recordo aos leitores que Mitterrand presidiu em 1981-1984 a um governo do Partido Socialista com a participação de ministros do Partido Comunista.</p>
<p>Quando se sabe isto, quando se levanta a ponta do véu e descobrimos um mundo diferente, quando se puxa um fio e vêem muitos outros atrás, começamos a entender que uma parte considerável daquela base operária francesa, que antes votava nos candidatos do Partido Comunista, vote hoje na organização de Marine Le Pen. Anti-imigrantes quando eram comunistas, continuam hoje a ser anti-imigrantes. É este o eixo de continuidade de uma política que, sem isso, pareceria confusa.</p>
<p>Estará o Brasil imune aos efeitos nefastos deste nacionalismo? Não creio, porque no Brasil nacionalismo e comunismo nasceram do mesmo ovo, o ovo do tenentismo. Ah! exclamam os leitores, mas no Brasil é diferente, porque nós os brasileiros, os bonzinhos do Sul, somos nacionalistas contra os imperialistas, os malvados do Norte. Mas, pergunto eu, quando, sob os governos do PT, as empresas brasileiras se expandiram e implantaram em África, essa teia económica não se chama imperialismo? Não, não se chama, dizem as luminárias do movimento negro, pretendendo que a expansão económica brasileira em África significa que o Brasil retomou as suas raízes africanas. Que bonito! Há lirismos para todas as hipocrisias.</p>
<p>E em São Paulo, que cor hão-de ter os Coletes dos imigrantes bolivianos? E de que cor serão os Coletes dos imigrantes venezuelanos em Roraima?</p>
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