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	Comentários sobre: Institucionalização e contestação: As organizações e as lutas do movimento negro no Brasil	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Nicolas Lorca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/07/127388/#comment-463050</link>

		<dc:creator><![CDATA[Nicolas Lorca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Aug 2019 19:04:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro, Gabriel!

Em primeiro lugar, não sei qual o problema que você tem com o Passa Palavra, afinal de contas eu não sou o PP e acredito que mesmo internamente exista debate e contradições, como qualquer outro movimento. Por causa disso, a sua tentativa de ridicularizar o texto não me parece eficaz. 

Em segundo lugar, você diz que “[...] a acusação de ser racista já não é mais sequer motivo de vergonha por aqui, e que o identitarismo da cruzada anti-identitária por aqui já perde a vergonha de mostrar sua face complemente delirante e ressentida – seja lá o motivo do autor querer atacar de forma tão contundente e pouco embasada o movimento negro em geral, vai saber foi chamado de racista na facul ficou muito triste e resolveu revidar”. Bom, acho belíssima a forma com que você observa que sou “branco” somente pela minha escrita. Ora bolas, como um negro deveria escrever? deveria concordar de todo com o movimento negro? Caso contrário, seria chamado de branco? De passa pano e etc? Não entendi, preciso de algum registo oficial? Onde devo anexar o meu comprovante de negro? O que me parece é a sua tentativa de denunciar o que entende por racismo, nada mais é do racismo.

Isso me fez lembrar de um artigo publicado por João do Campo no A voz da Raça, n. 17, 15/07/33 p. 4, intitulado “Falsos Negros”, em que diz:

“[...] Falsos Negros são aqueles que por nada saberem e nada compreenderem vivem fazendo mexericos contra a Frente Negra e contra a raça. Falsos Negros são aqueles que querem saber muito e nada sabem. Nós negros que já estamos identificados com a nossa causa não devemos tolerar com os Falsos Negros. Devemos dar-lhes o mais breve possível o golpe de misericórdia para que eles conheçam a pujança dos negros que só querem o progresso da raça.”

Posteriormente você utiliza esse paragrafo para por em xeque toda a discussão feita anteriormente, de modo a caracteriza-la como “forma tão mal feita a tese absurda de que o movimento negro seria nazifacista historicamente no Brasil”.

Bom, não sei se você leu o texto com atenção, mas me refiro a relação entre nazifascismo e movimento negro, no inicio do texto, quando discuto a FNB. Doravante, não menciono essa relação com outras organizações do MN. Pelo contrário, as organizações embora possuem algumas singularidades, não reproduzem o todo daquelas que a precederam.

Depois disso você acrescenta: “é conveniente que o autor não mencione a organização dos negros marginalizados, como as empregadas domésticas e os desempregados, que floresceu em suas primeiras luta, sindicatos e associações de forma muito importante dentro da frente negra – e não atoa não tinha espaço em outros campos da esquerda do período. Também é muito conveniente que o autor ao falar da postura discriminatória da frente negra aos imigrantes europeus não mencione que e entrada desses imigrantes no Brasil estava relacionada a teses eugenistas de importação de brancos para clareamento da nação, que a oferta de grande quantidade de vagas de trabalho estava vedada aos negros por essas mesmas teses racistas enquanto eram vagas exclusivas para imigrantes brancos e a própria postura de parcela significativa do movimento sindical desses trabalhadores brancos que se organizavam então também era fortemente marcada pelo racismo”. 

Em diversos momentos do texto refiro-me as clubes e a imprensa como organizações e meios extremamente importantes para a FNB. A tese da relação entre FNB e nazifascimo, surge justamente no seio do jornal A voz da Raça. O embrião da FNB, por sua vez, surge nos clubes da “gente negra”. Se conheces a história da FNB tão bem quanto imagino, perceberia que o projeto sindical da FNB surge em meados de 1933 e durante o curto período de existência da FNB, não alcançou expressividade. Para além disso, a proposta sindical, formulada por Arlindo Veiga, tem diversas semelhanças com o sindicalismo católico e a proposta sindical da AIB. Para além disso, os movimentos que pautam-se contra a imigração na Europa e nos Estados Unidos se baseiam justamente nesse argumento: de que os imigrantes retiram trabalho dos trabalhadores locais (coisa que já foi discutida em outro texto publicado no site) e que esses imigrantes trazem consigo culturas e perspectivas que são hostis. Me parece que são “roupas velhas e pele nova”. 

Na sequência você acrescenta que “Agora que se generalize como programa do movimento negro num texto que fala do movimento sem fazer uma única menção aos seus programas, pautas ou lutas concretas (se é que o autor as conhece) é inaceitável e desonesto”. Caro, recomendo que leia os comentários anteriores, onde explico que este texto faz parte de uma série de textos que buscam aprofundar no debate, nas lutas, as organizações e os programas do MN. 

Caro/Cara, Antenágoras!

Quando iniciei os estudos sobre o movimento negro brasileiro – coisa de dois/três anos atrás – fiquei bastante interessado em Solano Trindade. Na ocasião não podia limitar-me a ele, pois era um trabalho acadêmico voltado para as lutas do movimento pós redemocratização. Procurei algumas coisas de forma independente e acho que a proposta de Trindade é muito importante: 

A principio, recomendo a dissertação de mestrado da Maria do Carmo Gregório, que busca observa o debate entre raça e classe promovido por Trindade e a sua relação com o Teatro Popular Brasileiro - http://objdig.ufrj.br/34/teses/MariaDoCarmoGregorio.pdf

Mas você pode ler, caso queira, o livro Tem Gente com Fome.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro, Gabriel!</p>
<p>Em primeiro lugar, não sei qual o problema que você tem com o Passa Palavra, afinal de contas eu não sou o PP e acredito que mesmo internamente exista debate e contradições, como qualquer outro movimento. Por causa disso, a sua tentativa de ridicularizar o texto não me parece eficaz. </p>
<p>Em segundo lugar, você diz que “[&#8230;] a acusação de ser racista já não é mais sequer motivo de vergonha por aqui, e que o identitarismo da cruzada anti-identitária por aqui já perde a vergonha de mostrar sua face complemente delirante e ressentida – seja lá o motivo do autor querer atacar de forma tão contundente e pouco embasada o movimento negro em geral, vai saber foi chamado de racista na facul ficou muito triste e resolveu revidar”. Bom, acho belíssima a forma com que você observa que sou “branco” somente pela minha escrita. Ora bolas, como um negro deveria escrever? deveria concordar de todo com o movimento negro? Caso contrário, seria chamado de branco? De passa pano e etc? Não entendi, preciso de algum registo oficial? Onde devo anexar o meu comprovante de negro? O que me parece é a sua tentativa de denunciar o que entende por racismo, nada mais é do racismo.</p>
<p>Isso me fez lembrar de um artigo publicado por João do Campo no A voz da Raça, n. 17, 15/07/33 p. 4, intitulado “Falsos Negros”, em que diz:</p>
<p>“[&#8230;] Falsos Negros são aqueles que por nada saberem e nada compreenderem vivem fazendo mexericos contra a Frente Negra e contra a raça. Falsos Negros são aqueles que querem saber muito e nada sabem. Nós negros que já estamos identificados com a nossa causa não devemos tolerar com os Falsos Negros. Devemos dar-lhes o mais breve possível o golpe de misericórdia para que eles conheçam a pujança dos negros que só querem o progresso da raça.”</p>
<p>Posteriormente você utiliza esse paragrafo para por em xeque toda a discussão feita anteriormente, de modo a caracteriza-la como “forma tão mal feita a tese absurda de que o movimento negro seria nazifacista historicamente no Brasil”.</p>
<p>Bom, não sei se você leu o texto com atenção, mas me refiro a relação entre nazifascismo e movimento negro, no inicio do texto, quando discuto a FNB. Doravante, não menciono essa relação com outras organizações do MN. Pelo contrário, as organizações embora possuem algumas singularidades, não reproduzem o todo daquelas que a precederam.</p>
<p>Depois disso você acrescenta: “é conveniente que o autor não mencione a organização dos negros marginalizados, como as empregadas domésticas e os desempregados, que floresceu em suas primeiras luta, sindicatos e associações de forma muito importante dentro da frente negra – e não atoa não tinha espaço em outros campos da esquerda do período. Também é muito conveniente que o autor ao falar da postura discriminatória da frente negra aos imigrantes europeus não mencione que e entrada desses imigrantes no Brasil estava relacionada a teses eugenistas de importação de brancos para clareamento da nação, que a oferta de grande quantidade de vagas de trabalho estava vedada aos negros por essas mesmas teses racistas enquanto eram vagas exclusivas para imigrantes brancos e a própria postura de parcela significativa do movimento sindical desses trabalhadores brancos que se organizavam então também era fortemente marcada pelo racismo”. </p>
<p>Em diversos momentos do texto refiro-me as clubes e a imprensa como organizações e meios extremamente importantes para a FNB. A tese da relação entre FNB e nazifascimo, surge justamente no seio do jornal A voz da Raça. O embrião da FNB, por sua vez, surge nos clubes da “gente negra”. Se conheces a história da FNB tão bem quanto imagino, perceberia que o projeto sindical da FNB surge em meados de 1933 e durante o curto período de existência da FNB, não alcançou expressividade. Para além disso, a proposta sindical, formulada por Arlindo Veiga, tem diversas semelhanças com o sindicalismo católico e a proposta sindical da AIB. Para além disso, os movimentos que pautam-se contra a imigração na Europa e nos Estados Unidos se baseiam justamente nesse argumento: de que os imigrantes retiram trabalho dos trabalhadores locais (coisa que já foi discutida em outro texto publicado no site) e que esses imigrantes trazem consigo culturas e perspectivas que são hostis. Me parece que são “roupas velhas e pele nova”. </p>
<p>Na sequência você acrescenta que “Agora que se generalize como programa do movimento negro num texto que fala do movimento sem fazer uma única menção aos seus programas, pautas ou lutas concretas (se é que o autor as conhece) é inaceitável e desonesto”. Caro, recomendo que leia os comentários anteriores, onde explico que este texto faz parte de uma série de textos que buscam aprofundar no debate, nas lutas, as organizações e os programas do MN. </p>
<p>Caro/Cara, Antenágoras!</p>
<p>Quando iniciei os estudos sobre o movimento negro brasileiro – coisa de dois/três anos atrás – fiquei bastante interessado em Solano Trindade. Na ocasião não podia limitar-me a ele, pois era um trabalho acadêmico voltado para as lutas do movimento pós redemocratização. Procurei algumas coisas de forma independente e acho que a proposta de Trindade é muito importante: </p>
<p>A principio, recomendo a dissertação de mestrado da Maria do Carmo Gregório, que busca observa o debate entre raça e classe promovido por Trindade e a sua relação com o Teatro Popular Brasileiro &#8211; <a href="http://objdig.ufrj.br/34/teses/MariaDoCarmoGregorio.pdf" rel="nofollow ugc">http://objdig.ufrj.br/34/teses/MariaDoCarmoGregorio.pdf</a></p>
<p>Mas você pode ler, caso queira, o livro Tem Gente com Fome.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Antenágoras		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/07/127388/#comment-462860</link>

		<dc:creator><![CDATA[Antenágoras]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Aug 2019 00:51:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fiquei interessado na figura deste Solano Trindade; se a academia pouco fala dele, imagine o resto do povo. Que recomendação se faria para um curioso que precisa mais do que a Wikipedia?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>fiquei interessado na figura deste Solano Trindade; se a academia pouco fala dele, imagine o resto do povo. Que recomendação se faria para um curioso que precisa mais do que a Wikipedia?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/07/127388/#comment-462792</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2019 17:12:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=127388#comment-462792</guid>

					<description><![CDATA[Não deixa de ser um mérito interessante ver um texto neste passa palavra, assinado, que defenda de forma tão aberta e de forma tão mal feita a tese absurda de que o movimento negro seria nazifacista historicamente no Brasil.

Mostra que a acusação de ser racista já não é mais sequer motivo de vergonha por aqui, e que o identitarismo da cruzada anti-identitária por aqui já  perde a vergonha de mostrar sua face complemente delirante e ressentida - seja lá o motivo do autor querer atacar de forma tão contundente e pouco embasada o movimento negro em geral, vai saber foi chamado de racista na facul ficou muito triste e resolveu revidar.
 
Neste sentido, destaco o seguinte parágrafo:

&quot; Dessa forma, as lutas do movimento negro se reduzem apenas a mera luta por “emancipação política”, aquela que serve apenas para emergir ao status de uma nova elite, reproduzindo, assim, as condições de opressão do capitalismo. Nota-se ainda uma íntima relação entre o fascismo e o movimento negro brasileiro. Em diversos momentos, observa-se um apoio declarado ao nazifacismo ou, ainda, diversas práticas e perspectivas fascistas no interior desse movimento. &quot;

O flerte do movimento negro com o fascismo no Brasil se resume a frente negra e ao Garveysmo, ambos movimento cheios de contradições de classe, por exemplo, é conveniente que o autor não mencione a organização dos negros marginalizados,  como as empregadas domésticas e os desempregados, que floresceu em suas primeiras luta, sindicatos e associações de forma muito importante dentro da frente negra - e não atoa não tinha espaço em outros campos da esquerda do período. Também é muito conveniente que o autor ao falar da postura discriminatória da frente negra aos imigrantes europeus não mencione que e entrada desses imigrantes no Brasil estava relacionada a teses eugenistas de importação de brancos para clareamento da nação, que a oferta de grande quantidade de vagas de trabalho estava vedada aos negros por essas mesmas teses racistas enquanto eram vagas exclusivas para imigrantes brancos e a própria postura de parcela significativa do movimento sindical desses trabalhadores brancos que se organizavam então também era fortemente marcada pelo racismo.
 
Generalizar esse flerte com o nazifascismo é uma tese absurda, que não se sustenta em lugar nenhum da própria bibliografia supostamente mobilizada pelo autor. Consiste apenas em uma generalização tosca, do tipo esses preto são tudo igual, só faz merda, etc.

Mais grave é a acusação de que todo o movimento negro no Brasil se resumiu a uma perspectiva de emancipação politica e ascensão social de alguns indivíduos negros, que esse tenha sido o resultado final de parte da movimentação é uma triste verdade, que também se aplica ao movimento sindical e mesmo comunista em muitos contextos da nossa história. Agora que se generalize como programa do movimento negro num texto que fala do movimento sem fazer uma única menção aos seus programas, pautas ou lutas concretas (se é que o autor as conhece) é inaceitável e desonesto.
 
Por fim outro ponto convenientemente ignorado pelo autor mas que poderia ser uma pista para a questão que ele coloca no fim é a relação do movimento negro com a repressão, a forma como mesmo o movimento negro mais reacionário também foi tratado como caso de polícia, como a luta contra a repressão é absolutamente central em todos os momentos do movimento negro, de forma que mesmo quando este se afirma de forma estritamente identitária rapidamente esbarra ou enfrenta os limites claros da repressão do Estado.

Portando para a questão final do texto acredito que seria necessário fazer uma pesquisa que faça mais do que juntar argumentos com viés de confirmação das intenções &quot;anti-identitárias&quot; do autor, se quisermos responder &quot;se é possível construir um movimento negro anticapitalista nas atuais condições? &quot; mais razoável seria olhar para o que realmente tem sido feito historicamente nesse sentido com todos os limites, e não apenas juntar argumentos para uma resposta negativa. Uma pista para uma resposta mais interessante se apresenta talvez em sua forma mais clara justamente analisando as lutas contra a repressão do genocídio e do encarceramento em massa, lutas que carregam um longo legado das experiências organizativas históricas tratadas no texto apesar dele não as mencionar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não deixa de ser um mérito interessante ver um texto neste passa palavra, assinado, que defenda de forma tão aberta e de forma tão mal feita a tese absurda de que o movimento negro seria nazifacista historicamente no Brasil.</p>
<p>Mostra que a acusação de ser racista já não é mais sequer motivo de vergonha por aqui, e que o identitarismo da cruzada anti-identitária por aqui já  perde a vergonha de mostrar sua face complemente delirante e ressentida &#8211; seja lá o motivo do autor querer atacar de forma tão contundente e pouco embasada o movimento negro em geral, vai saber foi chamado de racista na facul ficou muito triste e resolveu revidar.</p>
<p>Neste sentido, destaco o seguinte parágrafo:</p>
<p>&#8221; Dessa forma, as lutas do movimento negro se reduzem apenas a mera luta por “emancipação política”, aquela que serve apenas para emergir ao status de uma nova elite, reproduzindo, assim, as condições de opressão do capitalismo. Nota-se ainda uma íntima relação entre o fascismo e o movimento negro brasileiro. Em diversos momentos, observa-se um apoio declarado ao nazifacismo ou, ainda, diversas práticas e perspectivas fascistas no interior desse movimento. &#8221;</p>
<p>O flerte do movimento negro com o fascismo no Brasil se resume a frente negra e ao Garveysmo, ambos movimento cheios de contradições de classe, por exemplo, é conveniente que o autor não mencione a organização dos negros marginalizados,  como as empregadas domésticas e os desempregados, que floresceu em suas primeiras luta, sindicatos e associações de forma muito importante dentro da frente negra &#8211; e não atoa não tinha espaço em outros campos da esquerda do período. Também é muito conveniente que o autor ao falar da postura discriminatória da frente negra aos imigrantes europeus não mencione que e entrada desses imigrantes no Brasil estava relacionada a teses eugenistas de importação de brancos para clareamento da nação, que a oferta de grande quantidade de vagas de trabalho estava vedada aos negros por essas mesmas teses racistas enquanto eram vagas exclusivas para imigrantes brancos e a própria postura de parcela significativa do movimento sindical desses trabalhadores brancos que se organizavam então também era fortemente marcada pelo racismo.</p>
<p>Generalizar esse flerte com o nazifascismo é uma tese absurda, que não se sustenta em lugar nenhum da própria bibliografia supostamente mobilizada pelo autor. Consiste apenas em uma generalização tosca, do tipo esses preto são tudo igual, só faz merda, etc.</p>
<p>Mais grave é a acusação de que todo o movimento negro no Brasil se resumiu a uma perspectiva de emancipação politica e ascensão social de alguns indivíduos negros, que esse tenha sido o resultado final de parte da movimentação é uma triste verdade, que também se aplica ao movimento sindical e mesmo comunista em muitos contextos da nossa história. Agora que se generalize como programa do movimento negro num texto que fala do movimento sem fazer uma única menção aos seus programas, pautas ou lutas concretas (se é que o autor as conhece) é inaceitável e desonesto.</p>
<p>Por fim outro ponto convenientemente ignorado pelo autor mas que poderia ser uma pista para a questão que ele coloca no fim é a relação do movimento negro com a repressão, a forma como mesmo o movimento negro mais reacionário também foi tratado como caso de polícia, como a luta contra a repressão é absolutamente central em todos os momentos do movimento negro, de forma que mesmo quando este se afirma de forma estritamente identitária rapidamente esbarra ou enfrenta os limites claros da repressão do Estado.</p>
<p>Portando para a questão final do texto acredito que seria necessário fazer uma pesquisa que faça mais do que juntar argumentos com viés de confirmação das intenções &#8220;anti-identitárias&#8221; do autor, se quisermos responder &#8220;se é possível construir um movimento negro anticapitalista nas atuais condições? &#8221; mais razoável seria olhar para o que realmente tem sido feito historicamente nesse sentido com todos os limites, e não apenas juntar argumentos para uma resposta negativa. Uma pista para uma resposta mais interessante se apresenta talvez em sua forma mais clara justamente analisando as lutas contra a repressão do genocídio e do encarceramento em massa, lutas que carregam um longo legado das experiências organizativas históricas tratadas no texto apesar dele não as mencionar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Nicolas Lorca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/07/127388/#comment-462698</link>

		<dc:creator><![CDATA[Nicolas Lorca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2019 00:28:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro, João!

Concordo que existe essa perspectiva, mas quando mencionei o fascismo eu me referi - talvez com um recorte maior, pois abarca outros aspectos - aos anos de 1920, 30 e 40. Compreendo que em certa medida a participação do MN nos movimentos fascistas e as suas práticas fascistas foram e são minimizadas nos anos de 1920, mas se observarmos, principalmente, em 1929 parte massiva dos integrantes do movimento patrianovista ajudaram a fundar a FNB. Depois disso, observar-se a relação da FNB com o movimento integralista. Este fato pode ser facilmente constatado nas publicações do A voz da Raça. Para além desse momento, não me referi ao movimento negro como fascista. Atentei para explicar as particularidades dessas três organizações, como me propus. 

Sobre a TEN e o MNU, surge em contextos distintos, com dinâmicas distintas... Concordo que não aprofundei como gostaria na questão da relação entre os partidos políticos e o MNU, mas pretendo corrigir este erro posteriormente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro, João!</p>
<p>Concordo que existe essa perspectiva, mas quando mencionei o fascismo eu me referi &#8211; talvez com um recorte maior, pois abarca outros aspectos &#8211; aos anos de 1920, 30 e 40. Compreendo que em certa medida a participação do MN nos movimentos fascistas e as suas práticas fascistas foram e são minimizadas nos anos de 1920, mas se observarmos, principalmente, em 1929 parte massiva dos integrantes do movimento patrianovista ajudaram a fundar a FNB. Depois disso, observar-se a relação da FNB com o movimento integralista. Este fato pode ser facilmente constatado nas publicações do A voz da Raça. Para além desse momento, não me referi ao movimento negro como fascista. Atentei para explicar as particularidades dessas três organizações, como me propus. </p>
<p>Sobre a TEN e o MNU, surge em contextos distintos, com dinâmicas distintas&#8230; Concordo que não aprofundei como gostaria na questão da relação entre os partidos políticos e o MNU, mas pretendo corrigir este erro posteriormente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Marques		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/07/127388/#comment-462612</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Marques]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jul 2019 11:34:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=127388#comment-462612</guid>

					<description><![CDATA[Caro Nicolas, mesmo em textos introdutórios, devemos ter cuidado com afirmativas generalizantes. Isso não desconstitui o seu texto que, como te disse, vale mais pelas ótimas provocações - esse é o seu mérito -. 
O MNU como uma &quot;CUT do movimento negro&quot; não consta do seu texto, é verdade, contudo ainda é uma impressão corrente em parte da esquerda. No que se refere à relação do MN com o fascismo, não há dúvidas de que ela existiu, contudo o que eu discordo é de que seja um recorte histórico para além dos anos 1930-1940.
Por fim, a relação do MNU com o PT é mais ampla, verdade. Por outro lado, o PDT foi nos anos 1980 mais aberto ao movimento negro do que o PT em termos de cargos políticos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Nicolas, mesmo em textos introdutórios, devemos ter cuidado com afirmativas generalizantes. Isso não desconstitui o seu texto que, como te disse, vale mais pelas ótimas provocações &#8211; esse é o seu mérito -.<br />
O MNU como uma &#8220;CUT do movimento negro&#8221; não consta do seu texto, é verdade, contudo ainda é uma impressão corrente em parte da esquerda. No que se refere à relação do MN com o fascismo, não há dúvidas de que ela existiu, contudo o que eu discordo é de que seja um recorte histórico para além dos anos 1930-1940.<br />
Por fim, a relação do MNU com o PT é mais ampla, verdade. Por outro lado, o PDT foi nos anos 1980 mais aberto ao movimento negro do que o PT em termos de cargos políticos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Nicolas Lorca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/07/127388/#comment-462497</link>

		<dc:creator><![CDATA[Nicolas Lorca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jul 2019 13:16:41 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=127388#comment-462497</guid>

					<description><![CDATA[Caro, Marcelo!

A proposta do texto era justamente discutir o contexto, as políticas, as perspectivas e os fins dessas três organizações, que são fundamentais para compreender o movimento negro brasileiro e sua luta. Claro, sei que existiram e existem outras organizações que foram fundamentais (Clube dos Homens de Cor, Frente Negra Socialista, Jornal Quilombo, Clarim D&#039;Alvorada, Teatro Popular Brasileira e etc). Mantive o foco nessas três organizações, pois é necessário um debate introdutório: Saber quem são, onde se localizam, o que pensam e como se relacionam com o contexto político. Quando me refiro a determinada organização e sua relação como o &quot;negro&quot; e os outros movimentos, não busco excluir outras organizações, mas focar justamente nessa relação. RELEMBRANDO: o texto traz apenas uma discussão introdutória, que posteriormente vai ser desenvolvida. A respeito do MNU e a sua pouca inserção, deve-se ao fato que, primeiro, ela não abarca quantitativamente o &quot;negro&quot; e nem tem poder para abarcar a longo prazo. em segundo, o MNU distanciou-se de sua base e tornou-se apenas um fantasma do passado, mesmo que embora ainda exista.

Caro, João!

Como pode ser observado no meu comentário anterior, esse texto é apenas introdutório. Posteriormente, pretendo promover uma análise mais geral de cada uma das organizações citadas e suas relações com outras organizações do movimento negro brasileiro. Em primeiro lugar, não me recordo de associar o MNU como sendo uma &quot;CUT do movimento negro&quot;, pelo contrário, o processo de construção do MNU é bem mais amplo que isso e mesmo que não tenha aprofundado nessa questão, o texto traz essa perspectiva. 

Gostaria que explicasse novamente essa parte: &quot;O pior é afirmar que “Em diversos momentos, observa-se um apoio declarado ao nazifacismo ou, ainda, diversas práticas e perspectivas fascistas no interior desse movimento”. No próprio texto, o autor circunscreve ao período dos anos 1930-40, razão pela qual tal afirmativa é contrária à sua própria argumentação&quot;, pois não entendo que contradição ela expressa no texto. Pelo contrário, ela coloca de forma clara as relações que a FNB mantinha. Recomendo a leitura da dissertação de André Cortez (2006) que traz de forma profunda essa análise que é demasiadamente ignorada e causa certa ignominia no movimento negro contemporâneo. Para além disso, os textos de Arlindo Veiga dos Santos e de Pedro Barbosa no jornal &quot;A voz da raça&quot; deixam essa questão ainda mais clara, do ponto de vista da própria direção da FNB. 

A respeito disso: &quot;Veja que o movimento negro se aproxima, historicamente, mais do PDT do que do PT, em termos de cargos, invertendo-se isso em meados dos anos 1990.
Por outro lado, o autor sequer faz uma crítica da relação entre partidos de esquerda e movimento negro, o que permitiria aprofundar e compreender os motivos pelos quais há um tensão permanente que trava, de ambos os lados, um debate concreto e honesto sobre raça e classe&quot;. Concordo que não há menção a isso no texto e de fato houve um erro da minha parte, mas esquecer e ignorar são duas coisas diferentes. No tange a problemática, acho que a relação do MNU com o PT é demasiadamente mais ampla que a relação com o PDT. Exemplo disso é que essa relação dura até hoje e deu outro rumo para o MNU.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro, Marcelo!</p>
<p>A proposta do texto era justamente discutir o contexto, as políticas, as perspectivas e os fins dessas três organizações, que são fundamentais para compreender o movimento negro brasileiro e sua luta. Claro, sei que existiram e existem outras organizações que foram fundamentais (Clube dos Homens de Cor, Frente Negra Socialista, Jornal Quilombo, Clarim D&#8217;Alvorada, Teatro Popular Brasileira e etc). Mantive o foco nessas três organizações, pois é necessário um debate introdutório: Saber quem são, onde se localizam, o que pensam e como se relacionam com o contexto político. Quando me refiro a determinada organização e sua relação como o &#8220;negro&#8221; e os outros movimentos, não busco excluir outras organizações, mas focar justamente nessa relação. RELEMBRANDO: o texto traz apenas uma discussão introdutória, que posteriormente vai ser desenvolvida. A respeito do MNU e a sua pouca inserção, deve-se ao fato que, primeiro, ela não abarca quantitativamente o &#8220;negro&#8221; e nem tem poder para abarcar a longo prazo. em segundo, o MNU distanciou-se de sua base e tornou-se apenas um fantasma do passado, mesmo que embora ainda exista.</p>
<p>Caro, João!</p>
<p>Como pode ser observado no meu comentário anterior, esse texto é apenas introdutório. Posteriormente, pretendo promover uma análise mais geral de cada uma das organizações citadas e suas relações com outras organizações do movimento negro brasileiro. Em primeiro lugar, não me recordo de associar o MNU como sendo uma &#8220;CUT do movimento negro&#8221;, pelo contrário, o processo de construção do MNU é bem mais amplo que isso e mesmo que não tenha aprofundado nessa questão, o texto traz essa perspectiva. </p>
<p>Gostaria que explicasse novamente essa parte: &#8220;O pior é afirmar que “Em diversos momentos, observa-se um apoio declarado ao nazifacismo ou, ainda, diversas práticas e perspectivas fascistas no interior desse movimento”. No próprio texto, o autor circunscreve ao período dos anos 1930-40, razão pela qual tal afirmativa é contrária à sua própria argumentação&#8221;, pois não entendo que contradição ela expressa no texto. Pelo contrário, ela coloca de forma clara as relações que a FNB mantinha. Recomendo a leitura da dissertação de André Cortez (2006) que traz de forma profunda essa análise que é demasiadamente ignorada e causa certa ignominia no movimento negro contemporâneo. Para além disso, os textos de Arlindo Veiga dos Santos e de Pedro Barbosa no jornal &#8220;A voz da raça&#8221; deixam essa questão ainda mais clara, do ponto de vista da própria direção da FNB. </p>
<p>A respeito disso: &#8220;Veja que o movimento negro se aproxima, historicamente, mais do PDT do que do PT, em termos de cargos, invertendo-se isso em meados dos anos 1990.<br />
Por outro lado, o autor sequer faz uma crítica da relação entre partidos de esquerda e movimento negro, o que permitiria aprofundar e compreender os motivos pelos quais há um tensão permanente que trava, de ambos os lados, um debate concreto e honesto sobre raça e classe&#8221;. Concordo que não há menção a isso no texto e de fato houve um erro da minha parte, mas esquecer e ignorar são duas coisas diferentes. No tange a problemática, acho que a relação do MNU com o PT é demasiadamente mais ampla que a relação com o PDT. Exemplo disso é que essa relação dura até hoje e deu outro rumo para o MNU.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Marques		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/07/127388/#comment-462363</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Marques]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jul 2019 17:29:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=127388#comment-462363</guid>

					<description><![CDATA[O texto do autor vale mais pela provocação do que pela argumentação que, inclusive, tem certos afirmações genéricas que pouco contribuem para a devida compreensão do tema. Em que pese ser parcialmente verdadeira a assertiva de que &quot;as lutas do movimento negro se reduzem apenas a mera luta por &#039;emancipação política&#039;&quot;, deixa de considerar uma diversidade de discursos e práticas políticas presentes no movimento negro. Tais não se resumem, desde a década de 1970, apenas ao MNU. Acreditar ou sugerir que o MNU seja uma &quot;CUT do movimento negro&quot; é generalizar uma visão de senso comum ainda presente em certas análises açodadas de parte da esquerda. Poderia o texto avançar significativamente se afirmasse, por exemplo, que o MNU é, essencialmente, um movimento urbano e limitado a poucas capitais, com capilaridade reduzida no país, o que reflete na capacidade de atuação concreta e efetiva para parcela relevante da população negra. 
O pior é afirmar que &quot;Em diversos momentos, observa-se um apoio declarado ao nazifacismo ou, ainda, diversas práticas e perspectivas fascistas no interior desse movimento&quot;. No próprio texto, o autor circunscreve ao período dos anos 1930-40, razão pela qual tal afirmativa é contrária à sua própria argumentação. 
Veja que o movimento negro se aproxima, historicamente, mais do PDT do que do PT, em termos de cargos, invertendo-se isso em meados dos anos 1990. 
Por outro lado, o autor sequer faz uma crítica da relação entre partidos de esquerda e movimento negro, o que permitiria aprofundar e compreender os motivos pelos quais há um tensão permanente que trava, de ambos os lados, um debate concreto e honesto sobre raça e classe. 
Por fim, o &quot;identitarismo&quot; é uma tônica de grande parte do movimento negro, contudo não é única perspectiva. E parece que, de acordo com o que texto sugere, não há nada de novo desde o surgimento do MNU...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto do autor vale mais pela provocação do que pela argumentação que, inclusive, tem certos afirmações genéricas que pouco contribuem para a devida compreensão do tema. Em que pese ser parcialmente verdadeira a assertiva de que &#8220;as lutas do movimento negro se reduzem apenas a mera luta por &#8216;emancipação política'&#8221;, deixa de considerar uma diversidade de discursos e práticas políticas presentes no movimento negro. Tais não se resumem, desde a década de 1970, apenas ao MNU. Acreditar ou sugerir que o MNU seja uma &#8220;CUT do movimento negro&#8221; é generalizar uma visão de senso comum ainda presente em certas análises açodadas de parte da esquerda. Poderia o texto avançar significativamente se afirmasse, por exemplo, que o MNU é, essencialmente, um movimento urbano e limitado a poucas capitais, com capilaridade reduzida no país, o que reflete na capacidade de atuação concreta e efetiva para parcela relevante da população negra.<br />
O pior é afirmar que &#8220;Em diversos momentos, observa-se um apoio declarado ao nazifacismo ou, ainda, diversas práticas e perspectivas fascistas no interior desse movimento&#8221;. No próprio texto, o autor circunscreve ao período dos anos 1930-40, razão pela qual tal afirmativa é contrária à sua própria argumentação.<br />
Veja que o movimento negro se aproxima, historicamente, mais do PDT do que do PT, em termos de cargos, invertendo-se isso em meados dos anos 1990.<br />
Por outro lado, o autor sequer faz uma crítica da relação entre partidos de esquerda e movimento negro, o que permitiria aprofundar e compreender os motivos pelos quais há um tensão permanente que trava, de ambos os lados, um debate concreto e honesto sobre raça e classe.<br />
Por fim, o &#8220;identitarismo&#8221; é uma tônica de grande parte do movimento negro, contudo não é única perspectiva. E parece que, de acordo com o que texto sugere, não há nada de novo desde o surgimento do MNU&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo Lopes de Souza		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/07/127388/#comment-461705</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Lopes de Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jul 2019 17:34:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=127388#comment-461705</guid>

					<description><![CDATA[Caro Nicolas, seu artigo traz interessantes provocações, que em parte retomam (até explicitamente) intervenções feitas anteriormente no Passa Palavra, por diversos autores. Vejo, porém, uma tensão interna em seu texto: você oscila entre ver/discutir/problematizar UM movimento negro, no singular, e ver/discutir/problematizar VÁRIOS movimentos negros, no plural. Me parece que você incorre, aqui, em uma confusão bastante comum: a de, tomando os nomes de determinas organizações pelo seu valor de face, entender cada uma delas como um &quot;movimento&quot; em si. Ao mesmo tempo, contudo, você se refere, diversas vezes, &quot;ao&quot; movimento negro, de maneira generalizante. Ora, uma coisa é um movimento social enquanto realidade sociopolítica complexa, sendo que, em geral, um movimento social, nesse sentido, abriga e é animado, ao longo dos anos ou das décadas, por várias (ou até mesmo muitas) organizações ou entidades específicas. Essa não é uma questão conceitual de natureza meramente acadêmica, pois as implicações políticas são evidentes. Você está problematizando algumas organizações ou tendências, reconhecendo que nem tudo se resume a elas, ou pretende, de fato, afirmar que o conjunto ou a totalidade do movimento em questão, por heterogêneo que seja, merece as ressalvas e críticas levantadas por você? Se não se trata do conjunto ou da totalidade do movimento, mas sim de apenas uns tantos &quot;movimentos&quot; específicos (= organizações específicas e suas tendências), você estaria a sugerir, então, que, mesmo sendo apenas a parte e não o todo, seria essa parte aquela que teria dado e continuaria dando o tom político-ideológico? Se tampouco você tiver condições de confirmar taxativamente uma tal hegemonia, por que, então, dar a entender justamente isso? A particular visibilidade (conjuntural) de certas organizações nos autoriza a exagerar o alcance de sua mensagem e de sua influência? (No caso do MNU, aliás, você mesmo se refere à sua &quot;pouca  --  ou quase nenhuma  --  inserção&quot; no movimento propriamente dito.) Essas e outras questões nos remetem a um problema que é, simultaneamente, de rigor (com as informações de que dispomos, o que é que realmente se pode afirmar a respeito da frequência ou predominância de determinadas posições?) e de comunicação e debate político (se generalizarmos de forma abusiva, mesmo não sendo a nossa intenção, isso colabora para construir um diálogo, se é que de fato almejamos isso?). Para além de quaisquer discordâncias específicas, penso que esse problema pode contribuir para, infelizmente (e com certeza não intencionalmente), se gerar mais calor que luz (o que tem sido típico desse tipo de discussão).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Nicolas, seu artigo traz interessantes provocações, que em parte retomam (até explicitamente) intervenções feitas anteriormente no Passa Palavra, por diversos autores. Vejo, porém, uma tensão interna em seu texto: você oscila entre ver/discutir/problematizar UM movimento negro, no singular, e ver/discutir/problematizar VÁRIOS movimentos negros, no plural. Me parece que você incorre, aqui, em uma confusão bastante comum: a de, tomando os nomes de determinas organizações pelo seu valor de face, entender cada uma delas como um &#8220;movimento&#8221; em si. Ao mesmo tempo, contudo, você se refere, diversas vezes, &#8220;ao&#8221; movimento negro, de maneira generalizante. Ora, uma coisa é um movimento social enquanto realidade sociopolítica complexa, sendo que, em geral, um movimento social, nesse sentido, abriga e é animado, ao longo dos anos ou das décadas, por várias (ou até mesmo muitas) organizações ou entidades específicas. Essa não é uma questão conceitual de natureza meramente acadêmica, pois as implicações políticas são evidentes. Você está problematizando algumas organizações ou tendências, reconhecendo que nem tudo se resume a elas, ou pretende, de fato, afirmar que o conjunto ou a totalidade do movimento em questão, por heterogêneo que seja, merece as ressalvas e críticas levantadas por você? Se não se trata do conjunto ou da totalidade do movimento, mas sim de apenas uns tantos &#8220;movimentos&#8221; específicos (= organizações específicas e suas tendências), você estaria a sugerir, então, que, mesmo sendo apenas a parte e não o todo, seria essa parte aquela que teria dado e continuaria dando o tom político-ideológico? Se tampouco você tiver condições de confirmar taxativamente uma tal hegemonia, por que, então, dar a entender justamente isso? A particular visibilidade (conjuntural) de certas organizações nos autoriza a exagerar o alcance de sua mensagem e de sua influência? (No caso do MNU, aliás, você mesmo se refere à sua &#8220;pouca  &#8212;  ou quase nenhuma  &#8212;  inserção&#8221; no movimento propriamente dito.) Essas e outras questões nos remetem a um problema que é, simultaneamente, de rigor (com as informações de que dispomos, o que é que realmente se pode afirmar a respeito da frequência ou predominância de determinadas posições?) e de comunicação e debate político (se generalizarmos de forma abusiva, mesmo não sendo a nossa intenção, isso colabora para construir um diálogo, se é que de fato almejamos isso?). Para além de quaisquer discordâncias específicas, penso que esse problema pode contribuir para, infelizmente (e com certeza não intencionalmente), se gerar mais calor que luz (o que tem sido típico desse tipo de discussão).</p>
]]></content:encoded>
		
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