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	Comentários sobre: Adeus Sr. Jorge Soares, artista	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Irado		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Aug 2023 01:58:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Enquanto no interior da Revolução Russa ocorria uma revolução estética e artística que seguia seu franco desenvolvimento, mesmo quando política e economicamente a revolução já resolvia negativamente suas ambiguidades em favor da burocratização e do capitalismo de Estado, levado a cabo pelo bolchevismo, Perry Anderson insistiu na tese de que os tempos dourados do marxismo revolucionário encerravam-se com o leninismo. O chamado &quot;marxismo ocidental&quot; seria então essa versão desconectada do movimento contraditório do real e da luta de classes, voltado agora a temas politicamente secundários, ou mesmo estéreis, como a arte, a filosofia e a epistemologia. A tese de Anderson, desprovida de validade empírica, politicista em sua forma porque desconsidera o impacto dos processos revolucionários em todas as esferas da vida, bem como a recíproca inversa, para além do objetivo jacobino da &quot;tomada de poder&quot;, segue ecoando por aquilo que ainda resta de uma esquerda que se reivindica marxista (para não falar dos anarquistas, onde a relação com a arte sempre foi pior). A arte segue teoricamente ignorada, enquanto na prática o capital, em todas as suas expressões sociais, democráticas ou fascistas, segue mobilizando-a em favor de sua reprodução. Até então eu não conhecia o trabalho do Sr. Soares. Infelizmente, nem eu, nem tantas outras pessoas virão a conhecer...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto no interior da Revolução Russa ocorria uma revolução estética e artística que seguia seu franco desenvolvimento, mesmo quando política e economicamente a revolução já resolvia negativamente suas ambiguidades em favor da burocratização e do capitalismo de Estado, levado a cabo pelo bolchevismo, Perry Anderson insistiu na tese de que os tempos dourados do marxismo revolucionário encerravam-se com o leninismo. O chamado &#8220;marxismo ocidental&#8221; seria então essa versão desconectada do movimento contraditório do real e da luta de classes, voltado agora a temas politicamente secundários, ou mesmo estéreis, como a arte, a filosofia e a epistemologia. A tese de Anderson, desprovida de validade empírica, politicista em sua forma porque desconsidera o impacto dos processos revolucionários em todas as esferas da vida, bem como a recíproca inversa, para além do objetivo jacobino da &#8220;tomada de poder&#8221;, segue ecoando por aquilo que ainda resta de uma esquerda que se reivindica marxista (para não falar dos anarquistas, onde a relação com a arte sempre foi pior). A arte segue teoricamente ignorada, enquanto na prática o capital, em todas as suas expressões sociais, democráticas ou fascistas, segue mobilizando-a em favor de sua reprodução. Até então eu não conhecia o trabalho do Sr. Soares. Infelizmente, nem eu, nem tantas outras pessoas virão a conhecer&#8230;</p>
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		<title>
		Por: Fernando Paz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/08/127586/#comment-899748</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernando Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Aug 2023 15:27:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Deve ter sido por medo de olhar para aquele grande espelho, ou por só ter o vazio para colocar diante do espelho é que o novo proprietário preferiu partir tudo, reconstruir o local e pintá-lo de branco, desancando a possibilidade de inaugurar ali a Casa Jorge Soares enquanto um espaço dedicado à arte e à reflexão coletiva. Por onde quer que andemos, e até onde a vista alcança, derrotas e mais derrotas se acumulam.

Todos estes conteúdos aqui me levam a pensar, mais uma vez, em como a situação dos espaços de reflexão coletiva como os dos museus está caótica e lamentável. Por um lado temos as tais exposições imersivas, que para mim são feitas justamente para pessoas vazias, tanto para as que não tem capacidade de imaginar quanto para as que perderam esta capacidade. Talvez em breve os museus mesmo venderão bilhetes de entrada que darão direito a uma dose de uma droga qualquer que provocará alteração na consciência dos visitantes mais vazios das exposições imersivas. Por outro lado, me parece que já passou da hora dos museus reservarem pelo menos um dia da semana à entrada de pessoas que realmente visitam os museus para ver as obras de arte. Pois está praticamente impossível disputar espaço com toda essa gente que anda preenchendo o vazio com o narcisismo, a selfie e os vídeos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deve ter sido por medo de olhar para aquele grande espelho, ou por só ter o vazio para colocar diante do espelho é que o novo proprietário preferiu partir tudo, reconstruir o local e pintá-lo de branco, desancando a possibilidade de inaugurar ali a Casa Jorge Soares enquanto um espaço dedicado à arte e à reflexão coletiva. Por onde quer que andemos, e até onde a vista alcança, derrotas e mais derrotas se acumulam.</p>
<p>Todos estes conteúdos aqui me levam a pensar, mais uma vez, em como a situação dos espaços de reflexão coletiva como os dos museus está caótica e lamentável. Por um lado temos as tais exposições imersivas, que para mim são feitas justamente para pessoas vazias, tanto para as que não tem capacidade de imaginar quanto para as que perderam esta capacidade. Talvez em breve os museus mesmo venderão bilhetes de entrada que darão direito a uma dose de uma droga qualquer que provocará alteração na consciência dos visitantes mais vazios das exposições imersivas. Por outro lado, me parece que já passou da hora dos museus reservarem pelo menos um dia da semana à entrada de pessoas que realmente visitam os museus para ver as obras de arte. Pois está praticamente impossível disputar espaço com toda essa gente que anda preenchendo o vazio com o narcisismo, a selfie e os vídeos.</p>
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		<title>
		Por: Psi		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/08/127586/#comment-899745</link>

		<dc:creator><![CDATA[Psi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Aug 2023 14:50:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um psicólogo qualquer, se consultasse o sr. Soares, lhe colocaria na testa a pecha de Transtorno de Acumulador e lhe receitaria uma dose de clonazepam antes de dormir.

Quem sabe assim não se mata a arte.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um psicólogo qualquer, se consultasse o sr. Soares, lhe colocaria na testa a pecha de Transtorno de Acumulador e lhe receitaria uma dose de clonazepam antes de dormir.</p>
<p>Quem sabe assim não se mata a arte.</p>
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		<title>
		Por: Rita Delgado &#38; João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/08/127586/#comment-899710</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rita Delgado &#38; João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Aug 2023 08:12:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quatro anos depois, regressámos à Praia Azul. Da casa que foi a vida do Sr. Jorge Soares restam o muro do jardim e duas paredes exteriores. O jardim foi completamente arrasado e empilham-se agora materiais de construção. A casa foi reconstruída, pintada de branco como uma casa banal. Os bárbaros moram lá dentro, tranquilizados pela destruição da arte.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quatro anos depois, regressámos à Praia Azul. Da casa que foi a vida do Sr. Jorge Soares restam o muro do jardim e duas paredes exteriores. O jardim foi completamente arrasado e empilham-se agora materiais de construção. A casa foi reconstruída, pintada de branco como uma casa banal. Os bárbaros moram lá dentro, tranquilizados pela destruição da arte.</p>
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		<title>
		Por: Emerson		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/08/127586/#comment-653826</link>

		<dc:creator><![CDATA[Emerson]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2020 21:13:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há no Rio de Janeiro uma casa assim também, felizmente preservada. Chama-se &quot;Casa da Flôr&quot;. Foi construída por Gabriel Joaquim dos Santos, trabalhador das salinas que, nas horas de descanso, fazia-se arquiteto recolhendo cacos de cerâmica, louça, etc., para embelezar a construção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há no Rio de Janeiro uma casa assim também, felizmente preservada. Chama-se &#8220;Casa da Flôr&#8221;. Foi construída por Gabriel Joaquim dos Santos, trabalhador das salinas que, nas horas de descanso, fazia-se arquiteto recolhendo cacos de cerâmica, louça, etc., para embelezar a construção.</p>
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		<title>
		Por: Nicolas Lorca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/08/127586/#comment-464844</link>

		<dc:creator><![CDATA[Nicolas Lorca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Aug 2019 13:04:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em tempos de just-in-time, tudo tem seu tempo definido. O inicio e o cabo são duas faces da mesma moeda. Lamentável destruírem algo tão belo, tão vivo, tão cheio de história - não aquela que a gente lê nos livros ou nos artigos acadêmicos, mas aquela que representa o todo e, ao mesmo tempo, as particularidades.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em tempos de just-in-time, tudo tem seu tempo definido. O inicio e o cabo são duas faces da mesma moeda. Lamentável destruírem algo tão belo, tão vivo, tão cheio de história &#8211; não aquela que a gente lê nos livros ou nos artigos acadêmicos, mas aquela que representa o todo e, ao mesmo tempo, as particularidades.</p>
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