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	Comentários sobre: Anticapitalismo. Anti o quê? 5. Tudo se esvai em fumo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/127901/#comment-477050</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Sep 2019 16:49:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Leo,
Quanto ao tempo, é mais prático eu remeter para o meu artigo &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Bernardo,%20Jo%C3%A3o/O%20Tempo%20-%20substancia%20do%20capitalismo.pdf&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;O Tempo — Substância do Capitalismo&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;.
Quanto ao mais, desde há décadas que se arrasta uma disputa entre, por um lado, os ideólogos de uma burguesia proprietária de volumosos pacotes de acções ou os seus representantes nos fundos accionistas e, por outro lado, os gestores que preferem estar independentes das pressões dos accionistas. Estes acusam os primeiros de se preocuparem só com o curto prazo, enquanto a acusação inversa é a de não se preocuparem com a rentabilidade da empresa. Em termos muito simplificados, é uma disputa entre o modelo norte-americano e o modelo alemão.
Usando aqui os meus conceitos, que você conhece, direi que as Condições Gerais de Produção devem necessariamente ser geridas a médio-longo ou longo prazos, enquanto as Unidades de Produção Particularizadas podem (embora não necessariamente devam) ser geridas a curto ou médio-curto prazos. Um dos vários motivos que levaram ao fracasso do sistema soviético foi ter pretendido gerir a longo prazo tanto as Condições Gerais de Produção como as Unidades de Produção Particularizadas. Pensou-se que a destruição criativa, para evocar a noção de Schumpeter, era uma anarquia prejudicial quando, na realidade, era uma condição da adaptabilidade do sistema. O regime chinês aprendeu com êxito as lições daquele fracasso do sistema soviético. Como escrevi num destes artigos, o tempo que alguma esquerda perdeu a celebrar o centenário da revolução russa poderia ser aproveitado com êxito a dissecar-lhe o cadáver.

G. Beraht,
Se eu usar aqui a noção de Althusser de corte epistemológico na obra de Marx, e recorrer também à cronologia que ele propôs, direi que à fase filosófica (se quiser colocar aspas, por favor, sinta-se à vontade) sucedeu a fase económica (idem). Aquilo que Marx tratou como alienação na fase filosófica tratou como mais-valia na fase económica. Ora, o conceito de mais-valia parece-me muito mais produtivo do que o conceito de alienação, porque é dinâmico. A mais-valia é um processo. E regressamos assim ao eixo central deste conjunto de artigos, porque a mais-valia diz respeito às relações sociais de produção entendidas como relações de trabalho, enquanto a alienação é frequentemente empregue para evitar a questão das relações de trabalho.
De resto, quanto à alienação e às formas de a entender, remeto para &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2019/09/127922/&quot;&gt;o último artigo desta série&lt;/a&gt;, entretanto já publicado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leo,<br />
Quanto ao tempo, é mais prático eu remeter para o meu artigo <em><a href="http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Bernardo,%20Jo%C3%A3o/O%20Tempo%20-%20substancia%20do%20capitalismo.pdf" rel="nofollow">O Tempo — Substância do Capitalismo</a></em>.<br />
Quanto ao mais, desde há décadas que se arrasta uma disputa entre, por um lado, os ideólogos de uma burguesia proprietária de volumosos pacotes de acções ou os seus representantes nos fundos accionistas e, por outro lado, os gestores que preferem estar independentes das pressões dos accionistas. Estes acusam os primeiros de se preocuparem só com o curto prazo, enquanto a acusação inversa é a de não se preocuparem com a rentabilidade da empresa. Em termos muito simplificados, é uma disputa entre o modelo norte-americano e o modelo alemão.<br />
Usando aqui os meus conceitos, que você conhece, direi que as Condições Gerais de Produção devem necessariamente ser geridas a médio-longo ou longo prazos, enquanto as Unidades de Produção Particularizadas podem (embora não necessariamente devam) ser geridas a curto ou médio-curto prazos. Um dos vários motivos que levaram ao fracasso do sistema soviético foi ter pretendido gerir a longo prazo tanto as Condições Gerais de Produção como as Unidades de Produção Particularizadas. Pensou-se que a destruição criativa, para evocar a noção de Schumpeter, era uma anarquia prejudicial quando, na realidade, era uma condição da adaptabilidade do sistema. O regime chinês aprendeu com êxito as lições daquele fracasso do sistema soviético. Como escrevi num destes artigos, o tempo que alguma esquerda perdeu a celebrar o centenário da revolução russa poderia ser aproveitado com êxito a dissecar-lhe o cadáver.</p>
<p>G. Beraht,<br />
Se eu usar aqui a noção de Althusser de corte epistemológico na obra de Marx, e recorrer também à cronologia que ele propôs, direi que à fase filosófica (se quiser colocar aspas, por favor, sinta-se à vontade) sucedeu a fase económica (idem). Aquilo que Marx tratou como alienação na fase filosófica tratou como mais-valia na fase económica. Ora, o conceito de mais-valia parece-me muito mais produtivo do que o conceito de alienação, porque é dinâmico. A mais-valia é um processo. E regressamos assim ao eixo central deste conjunto de artigos, porque a mais-valia diz respeito às relações sociais de produção entendidas como relações de trabalho, enquanto a alienação é frequentemente empregue para evitar a questão das relações de trabalho.<br />
De resto, quanto à alienação e às formas de a entender, remeto para <a href="https://passapalavra.info/2019/09/127922/">o último artigo desta série</a>, entretanto já publicado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: G.Beraht		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/127901/#comment-476129</link>

		<dc:creator><![CDATA[G.Beraht]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Sep 2019 19:08:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

E quanto à utilidade do conceito de fetichismo para as análises práticas (a exemplo do seu livro Economia dos Conflitos Sociais)?

Grato,

G.Beraht]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>E quanto à utilidade do conceito de fetichismo para as análises práticas (a exemplo do seu livro Economia dos Conflitos Sociais)?</p>
<p>Grato,</p>
<p>G.Beraht</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/127901/#comment-475961</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Sep 2019 13:35:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Bernardo,

O Marcio Pochmann, nesta entrevista , relacionou a experiência vivida de cada classe (como grupo de renda) com o tempo: “O miserável planeja o dia, não sabe se vai ver o amanhã. O trabalhador é aquele que vive o mês. A classe média é a que planeja o ano. E o rico planeja décadas”. De fato. E o cientista político francês, Zaki Laïdi, discorrendo sobre o presenteísmo do nosso tempo expôs que a pobreza medida como existência de futuro se “democratizou”:
&quot;A clivagem entre o presente e o futuro expressa também um aumento do número daqueles que já não tem recursos materiais ou simbólicos para se projetarem no futuro. A “falta de futuro”, que estava reservada até agora aos danados da terra, torna-se uma experiência cada vez mais frequente&quot; (LAÏDI, Zaki. A Chegada do Homem-Presente. Lisboa: Instituto Piaget, 2001, p.122).

Embora seja mais interessante alguma argumentação com base mais empírica, digo que o  proprietário, supondo que tenha filhos como na maioria dos casos, tende a pensar a perenidade da empresa para além de sua própria vida. E os gestores? E quais tipos de gestores? Pois há desde engenheiros na produção, aqueles que estão na função de executivos de CEO de uma empresa e tem aqueles que estão na direção de Bancos Centrais, FMI e em outras posições que os retiram dos sapatos de um capitalista individual. Esses últimos podem ter uma visão de médio e longo prazo. Mas a realidade dos CEO de empresas de capital aberto é muito mais a dos índices imediatos, que visam alcançar para manter seu posto e sua reputação no mercado de CEO.

Esse curto-prazismo atende aos índices trimestrais, semestrais, anuais. E isso se vê nas empresas e locais de trabalho. Isso tem sido relacionado com frequência à expansão e dominância do tal “capital financeiro”, ou do capital bursátil. 

O fato é que o regime de urgência na economia, do curto-prazo, já vem levantando o alerta dos gestores que eventualmente podem pensar para além do capitalista individual.

Painel do Financial Times com líderes empresariais. Diretora do Santander e ex ministra  disse que as promessas do capitalismo ocidental foram quebradas. Gestores dizem que o capitalismo perdeu o rumo com o curto-prazismo. Um deles fala que estamos na &#039;era da ansiedade&#039;.

http://www.independent.co.uk/news/business/news/capitalism-broken-top-business-leaders-shriti-vadera-financial-times-robert-swannell-carolyn-a8014616.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo,</p>
<p>O Marcio Pochmann, nesta entrevista , relacionou a experiência vivida de cada classe (como grupo de renda) com o tempo: “O miserável planeja o dia, não sabe se vai ver o amanhã. O trabalhador é aquele que vive o mês. A classe média é a que planeja o ano. E o rico planeja décadas”. De fato. E o cientista político francês, Zaki Laïdi, discorrendo sobre o presenteísmo do nosso tempo expôs que a pobreza medida como existência de futuro se “democratizou”:<br />
&#8220;A clivagem entre o presente e o futuro expressa também um aumento do número daqueles que já não tem recursos materiais ou simbólicos para se projetarem no futuro. A “falta de futuro”, que estava reservada até agora aos danados da terra, torna-se uma experiência cada vez mais frequente&#8221; (LAÏDI, Zaki. A Chegada do Homem-Presente. Lisboa: Instituto Piaget, 2001, p.122).</p>
<p>Embora seja mais interessante alguma argumentação com base mais empírica, digo que o  proprietário, supondo que tenha filhos como na maioria dos casos, tende a pensar a perenidade da empresa para além de sua própria vida. E os gestores? E quais tipos de gestores? Pois há desde engenheiros na produção, aqueles que estão na função de executivos de CEO de uma empresa e tem aqueles que estão na direção de Bancos Centrais, FMI e em outras posições que os retiram dos sapatos de um capitalista individual. Esses últimos podem ter uma visão de médio e longo prazo. Mas a realidade dos CEO de empresas de capital aberto é muito mais a dos índices imediatos, que visam alcançar para manter seu posto e sua reputação no mercado de CEO.</p>
<p>Esse curto-prazismo atende aos índices trimestrais, semestrais, anuais. E isso se vê nas empresas e locais de trabalho. Isso tem sido relacionado com frequência à expansão e dominância do tal “capital financeiro”, ou do capital bursátil. </p>
<p>O fato é que o regime de urgência na economia, do curto-prazo, já vem levantando o alerta dos gestores que eventualmente podem pensar para além do capitalista individual.</p>
<p>Painel do Financial Times com líderes empresariais. Diretora do Santander e ex ministra  disse que as promessas do capitalismo ocidental foram quebradas. Gestores dizem que o capitalismo perdeu o rumo com o curto-prazismo. Um deles fala que estamos na &#8216;era da ansiedade&#8217;.</p>
<p><a href="http://www.independent.co.uk/news/business/news/capitalism-broken-top-business-leaders-shriti-vadera-financial-times-robert-swannell-carolyn-a8014616.html" rel="nofollow ugc">http://www.independent.co.uk/news/business/news/capitalism-broken-top-business-leaders-shriti-vadera-financial-times-robert-swannell-carolyn-a8014616.html</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/127901/#comment-475234</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Sep 2019 14:07:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[JB Crítico de JB
Há tempos, percebi que divergir do JB é, no mínimo, intelectualmente gratificante: se temos razão, ele encaixa o golpe (não se dá por achado, nem se considera ofendido); se não a temos, aprendemos algo relevante com a experiência (o que não é desprezível, em tempos de &#039;pós-verdade&#039;).  
JB dixit: &quot;O conceito de «financeirização do capital» não tem para mim nenhuma utilidade nas análises práticas. E, com a minha propensão instrumentalista, um conceito que não me é útil não me interessa.&quot; Quanto a mim, posto que desprovido de propensão instrumentalista e quejandos pragmáticos, devo admitir que o conceito(?) de fascismo pós-fascista não me é útil...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>JB Crítico de JB<br />
Há tempos, percebi que divergir do JB é, no mínimo, intelectualmente gratificante: se temos razão, ele encaixa o golpe (não se dá por achado, nem se considera ofendido); se não a temos, aprendemos algo relevante com a experiência (o que não é desprezível, em tempos de &#8216;pós-verdade&#8217;).<br />
JB dixit: &#8220;O conceito de «financeirização do capital» não tem para mim nenhuma utilidade nas análises práticas. E, com a minha propensão instrumentalista, um conceito que não me é útil não me interessa.&#8221; Quanto a mim, posto que desprovido de propensão instrumentalista e quejandos pragmáticos, devo admitir que o conceito(?) de fascismo pós-fascista não me é útil&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/127901/#comment-474919</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Sep 2019 16:41:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Élie,
Para os leitores que não saibam francês, Élie perguntou-me quais eram, além de &lt;em&gt;Langages totalitaires&lt;/em&gt;, de Jean Pierre Faye, os outros livros que eu incluía entre as quatro obras-primas da historiografia. Um é de Marc Bloch — comment le saviez-vous, par déduction? — &lt;em&gt;Les Caractères originaux de l’histoire rurale française&lt;/em&gt; (de préférence dans la deuxième édition, mise à jour par Robert Dauvergne). Podia ser &lt;em&gt;Les Rois thaumaturges&lt;/em&gt;, em que Marc Bloch, na sequência de Frazer e Mauss, teve a coragem de fundir história e antropologia, mas apesar disso prefiro os &lt;em&gt;Caractères originaux...&lt;/em&gt; O terceiro é de Carlyle, &lt;em&gt;History of the French Revolution&lt;/em&gt;, de preferência lido em inglês, porque o estilo do autor é intraduzível. Finalmente, mas à cabeça da lista, &lt;em&gt;A História da Guerra do Peloponeso&lt;/em&gt;, de Tucídides.
Quanto ao que você observa acerca dos anarco-ecologistas e do «combate à finança» pela extrema-esquerda parlamentar, li há poucos dias um texto de Rivarol, em que ele defendia que um governo deve proteger os súbditos «na razão inversa da mobilidade da sua riqueza», atribuindo o primeiro lugar ao lavrador, «verdadeiro filho da terra, cuja riqueza é tão imóvel como ela o é». Em segundo lugar vinha o mercador, que, apesar de se mover, tem de respeitar a imobilidade dos caminhos, dos rios e dos mares. Relegado para o fim da escala estava o financeiro, que «tal como um mágico, pode com um traço de pluma transportar a fortuna para o fim do mundo e, nunca acumulando nada senão símbolos, evade tanto a natureza como a sociedade». Vou savez certainement qui était-ce Rivarol. Os leitores que não saibam quem foi Rivarol encontrarão a resposta com facilidade. Não são os profetas que escolhem os discípulos, mas os discípulos escolhem sempre os profetas, e o facto de a chamada extrema-esquerda defender hoje o que Rivarol defendeu há mais de dois séculos diz muito sobre essa extrema-esquerda e sobre aquilo que eu classifico como fascismo pós-fascista.

Leo Vinícius,
O conceito de «financeirização do capital» não tem para mim nenhuma utilidade nas análises práticas. E, com a minha propensão instrumentalista, um conceito que não me é útil não me interessa. Quanto à pretensa rentabilidade a curto prazo, voltarei ao assunto adiante, nesta série de respostas.

OS,
Durante a revolução portuguesa, de 1974 a 1976, além de fazer muitas outras coisas, reli e trabalhei &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt;, e escrevi os três volumes de &lt;em&gt;Marx Crítico de Marx&lt;/em&gt;, publicados em 1977. As teses de Marx acerca do dinheiro incomodaram-me profundamente, como indico &lt;a href=&quot;https://archive.org/details/jb-mcm-l01v02/page/n179&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;nas págs. 189-196 do segundo volume&lt;/a&gt;. Essa discordância foi tal que dediquei vinte e quatro anos da minha vida a esclarecer a questão, pesquisando e escrevendo &lt;em&gt;Poder e Dinheiro&lt;/em&gt;, cujo primeiro volume algumas pessoas corajosas scanearam e colocaram na internet, &lt;a href=&quot;https://archive.org/details/poder-e-dinheiro-vol-1&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.
Muito sumariamente, um grande número de marxistas hoje segue &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt; apenas na questão do dinheiro, enquanto eu discordo totalmente de &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt; na questão do dinheiro. Isto esclarece qual é a minha relação com o &lt;em&gt;mainstream&lt;/em&gt; marxista actual.

Lucas e Leo Vinícius,
A diferença que estabeleço entre as duas classes capitalistas, a dos burgueses e a dos gestores, não diz respeito às pessoas, mas ao quadro em que a empresa é colocada e ao horizonte temporal em que ela é dirigida. Muito sumariamente, o burguês, proprietário privado do capital de uma empresa, gere-a de maneira particularizada e com critérios de rentabilidade a curto prazo. Pode dizer-se que um proprietário privado projecta a vida de uma empresa à escala da sua própria vida. Pelo contrário, os gestores, proprietários colectivos do capital de uma empresa, gerem-na preferencialmente em função da relação com as condições gerais de produção e com critérios de rentabilidade a médio e longo prazo. Dito de outro modo, e de forma muito simplista, é a diferença entre a acção individual e a actuação burocrática. A rotatividade dos gestores nos postos de direcção é grande, eles transitam de umas empresas para outras, por isso nenhum gestor pode projectar a vida de uma empresa à escala da sua própria vida.

Franz Heinrich,
É exactamente isso que você observou. Eu estou nos antípodas daquelas pessoas e revistas que você referiu.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Élie,<br />
Para os leitores que não saibam francês, Élie perguntou-me quais eram, além de <em>Langages totalitaires</em>, de Jean Pierre Faye, os outros livros que eu incluía entre as quatro obras-primas da historiografia. Um é de Marc Bloch — comment le saviez-vous, par déduction? — <em>Les Caractères originaux de l’histoire rurale française</em> (de préférence dans la deuxième édition, mise à jour par Robert Dauvergne). Podia ser <em>Les Rois thaumaturges</em>, em que Marc Bloch, na sequência de Frazer e Mauss, teve a coragem de fundir história e antropologia, mas apesar disso prefiro os <em>Caractères originaux&#8230;</em> O terceiro é de Carlyle, <em>History of the French Revolution</em>, de preferência lido em inglês, porque o estilo do autor é intraduzível. Finalmente, mas à cabeça da lista, <em>A História da Guerra do Peloponeso</em>, de Tucídides.<br />
Quanto ao que você observa acerca dos anarco-ecologistas e do «combate à finança» pela extrema-esquerda parlamentar, li há poucos dias um texto de Rivarol, em que ele defendia que um governo deve proteger os súbditos «na razão inversa da mobilidade da sua riqueza», atribuindo o primeiro lugar ao lavrador, «verdadeiro filho da terra, cuja riqueza é tão imóvel como ela o é». Em segundo lugar vinha o mercador, que, apesar de se mover, tem de respeitar a imobilidade dos caminhos, dos rios e dos mares. Relegado para o fim da escala estava o financeiro, que «tal como um mágico, pode com um traço de pluma transportar a fortuna para o fim do mundo e, nunca acumulando nada senão símbolos, evade tanto a natureza como a sociedade». Vou savez certainement qui était-ce Rivarol. Os leitores que não saibam quem foi Rivarol encontrarão a resposta com facilidade. Não são os profetas que escolhem os discípulos, mas os discípulos escolhem sempre os profetas, e o facto de a chamada extrema-esquerda defender hoje o que Rivarol defendeu há mais de dois séculos diz muito sobre essa extrema-esquerda e sobre aquilo que eu classifico como fascismo pós-fascista.</p>
<p>Leo Vinícius,<br />
O conceito de «financeirização do capital» não tem para mim nenhuma utilidade nas análises práticas. E, com a minha propensão instrumentalista, um conceito que não me é útil não me interessa. Quanto à pretensa rentabilidade a curto prazo, voltarei ao assunto adiante, nesta série de respostas.</p>
<p>OS,<br />
Durante a revolução portuguesa, de 1974 a 1976, além de fazer muitas outras coisas, reli e trabalhei <em>O Capital</em>, e escrevi os três volumes de <em>Marx Crítico de Marx</em>, publicados em 1977. As teses de Marx acerca do dinheiro incomodaram-me profundamente, como indico <a href="https://archive.org/details/jb-mcm-l01v02/page/n179" rel="nofollow">nas págs. 189-196 do segundo volume</a>. Essa discordância foi tal que dediquei vinte e quatro anos da minha vida a esclarecer a questão, pesquisando e escrevendo <em>Poder e Dinheiro</em>, cujo primeiro volume algumas pessoas corajosas scanearam e colocaram na internet, <a href="https://archive.org/details/poder-e-dinheiro-vol-1" rel="nofollow">aqui</a>.<br />
Muito sumariamente, um grande número de marxistas hoje segue <em>O Capital</em> apenas na questão do dinheiro, enquanto eu discordo totalmente de <em>O Capital</em> na questão do dinheiro. Isto esclarece qual é a minha relação com o <em>mainstream</em> marxista actual.</p>
<p>Lucas e Leo Vinícius,<br />
A diferença que estabeleço entre as duas classes capitalistas, a dos burgueses e a dos gestores, não diz respeito às pessoas, mas ao quadro em que a empresa é colocada e ao horizonte temporal em que ela é dirigida. Muito sumariamente, o burguês, proprietário privado do capital de uma empresa, gere-a de maneira particularizada e com critérios de rentabilidade a curto prazo. Pode dizer-se que um proprietário privado projecta a vida de uma empresa à escala da sua própria vida. Pelo contrário, os gestores, proprietários colectivos do capital de uma empresa, gerem-na preferencialmente em função da relação com as condições gerais de produção e com critérios de rentabilidade a médio e longo prazo. Dito de outro modo, e de forma muito simplista, é a diferença entre a acção individual e a actuação burocrática. A rotatividade dos gestores nos postos de direcção é grande, eles transitam de umas empresas para outras, por isso nenhum gestor pode projectar a vida de uma empresa à escala da sua própria vida.</p>
<p>Franz Heinrich,<br />
É exactamente isso que você observou. Eu estou nos antípodas daquelas pessoas e revistas que você referiu.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/127901/#comment-474653</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Sep 2019 17:48:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=127901#comment-474653</guid>

					<description><![CDATA[Então Lucas,

Sim, claro, a empresa capitalista sempre visa maximização dos lucros (empresaa estatais até podem levar em conta em alguma medida alguma outra lógica subsidiária). E pela maximização dos lucros ela organiza o trabalho.

A questão que se coloca numa literatura que fala em dominância da valorização acionária ou do capital financeiro, e seus impactos na organização do trabalho é que agora o futuro da empresa desaparece do horizonte, e as decisões são tomadas com vistas ao curto-prazo.

Acho que dentro dos conceitos e modelo do João Bernardo essa mudança real e sentida no dia a dia das empresas seria explicada pela hegemonia da classe dos gestores, numa situação de aumento da dispersão da propriedade (sociedades por ações). Já não é um proprietário que consegue projetar seu futuro junto com o da sua empresa, mas um gestor que visa responder ao interesse imediato de acionistas e por tabela ou seu interesse imediato de fazer bons números, sem se importar se esses números do presente signifiquem problemas futuros para a empresa, já que no futuro ele já não estará por ali provavelmente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então Lucas,</p>
<p>Sim, claro, a empresa capitalista sempre visa maximização dos lucros (empresaa estatais até podem levar em conta em alguma medida alguma outra lógica subsidiária). E pela maximização dos lucros ela organiza o trabalho.</p>
<p>A questão que se coloca numa literatura que fala em dominância da valorização acionária ou do capital financeiro, e seus impactos na organização do trabalho é que agora o futuro da empresa desaparece do horizonte, e as decisões são tomadas com vistas ao curto-prazo.</p>
<p>Acho que dentro dos conceitos e modelo do João Bernardo essa mudança real e sentida no dia a dia das empresas seria explicada pela hegemonia da classe dos gestores, numa situação de aumento da dispersão da propriedade (sociedades por ações). Já não é um proprietário que consegue projetar seu futuro junto com o da sua empresa, mas um gestor que visa responder ao interesse imediato de acionistas e por tabela ou seu interesse imediato de fazer bons números, sem se importar se esses números do presente signifiquem problemas futuros para a empresa, já que no futuro ele já não estará por ali provavelmente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Franz Heinrich		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/127901/#comment-474398</link>

		<dc:creator><![CDATA[Franz Heinrich]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2019 13:53:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=127901#comment-474398</guid>

					<description><![CDATA[João Bernardo,

Muito instigante a serie de artigos. Qual sua opinião sobre a corrente denominada crítica do valor/ crítica da dissociação do valor das Revistas Exit! e Krisis (Robert Kurz, Roswitha Scholz, Claus Peter Ortlieb, Anselm Jappe, Norbert Trenkle, Ernst Lohoff…. ) ? Parece-me que sua tese do dinheiro e capital financeiro vai contra todas as principais elaborações da crítica do valor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo,</p>
<p>Muito instigante a serie de artigos. Qual sua opinião sobre a corrente denominada crítica do valor/ crítica da dissociação do valor das Revistas Exit! e Krisis (Robert Kurz, Roswitha Scholz, Claus Peter Ortlieb, Anselm Jappe, Norbert Trenkle, Ernst Lohoff…. ) ? Parece-me que sua tese do dinheiro e capital financeiro vai contra todas as principais elaborações da crítica do valor.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/127901/#comment-474281</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Sep 2019 23:53:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sobre a questão do funcionamento das corporações segundo o interesse curto-prazista dos acionistas, duas referências:
a primeira é o recente comunicado da Business Roundtable, que reúne quase 200 dos CEOs mais importantes dos EUA. Ele versa sobre a responsabilidade empresarial para além dos acionistas, alterando o espírito corporativo que prevalecia até então no entendimento de que &quot;o que é bom para o acionista é bom para a sociedade&quot; (https://www.businessroundtable.org/business-roundtable-redefines-the-purpose-of-a-corporation-to-promote-an-economy-that-serves-all-americans)
a segunda infelizmente não pude encontrar, mas se tratava de um texto que justamente criticava a empresa Boing pela queda na qualidade de seus aviões -resultando nos recentes acidentes mortais do modelo 737 MAX-, responsabilizando uma orientação pró-acionistas. Isto é, que seu CEO seja um &quot;player&quot; do mundo dos negócios, em lugar do bom e velho engenheiro.
Me parece que nesse sentido, a classe capitalista é capaz de saldar seus problemas com uma oscilação entre ambas lógicas gestoriais a partir de seus pequenos erros de navegação. Só não entendo em que sentido isso seria uma mudança. Afinal, houve momento em que no capitalismo não era o lucro a determinar tanto as formas de trabalho como as de desocupação dos proletários?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>sobre a questão do funcionamento das corporações segundo o interesse curto-prazista dos acionistas, duas referências:<br />
a primeira é o recente comunicado da Business Roundtable, que reúne quase 200 dos CEOs mais importantes dos EUA. Ele versa sobre a responsabilidade empresarial para além dos acionistas, alterando o espírito corporativo que prevalecia até então no entendimento de que &#8220;o que é bom para o acionista é bom para a sociedade&#8221; (<a href="https://www.businessroundtable.org/business-roundtable-redefines-the-purpose-of-a-corporation-to-promote-an-economy-that-serves-all-americans" rel="nofollow ugc">https://www.businessroundtable.org/business-roundtable-redefines-the-purpose-of-a-corporation-to-promote-an-economy-that-serves-all-americans</a>)<br />
a segunda infelizmente não pude encontrar, mas se tratava de um texto que justamente criticava a empresa Boing pela queda na qualidade de seus aviões -resultando nos recentes acidentes mortais do modelo 737 MAX-, responsabilizando uma orientação pró-acionistas. Isto é, que seu CEO seja um &#8220;player&#8221; do mundo dos negócios, em lugar do bom e velho engenheiro.<br />
Me parece que nesse sentido, a classe capitalista é capaz de saldar seus problemas com uma oscilação entre ambas lógicas gestoriais a partir de seus pequenos erros de navegação. Só não entendo em que sentido isso seria uma mudança. Afinal, houve momento em que no capitalismo não era o lucro a determinar tanto as formas de trabalho como as de desocupação dos proletários?</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: OS		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/127901/#comment-474188</link>

		<dc:creator><![CDATA[OS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Sep 2019 15:26:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Na afirmação &quot;O dinheiro pode ter um valor intrínseco...&quot; há uma contradição real com a teoria do valor de Marx? 
Qual o valor intrínseco de 1 kg de ouro, abstraindo-se seu valor de uso?
Tendo a concordar com as conclusões gerais do texto, e também nas importantes diferenças entre circulação e produção, mas não penso que as premissas dos primeiros parágrafos levem necessariamente a essas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na afirmação &#8220;O dinheiro pode ter um valor intrínseco&#8230;&#8221; há uma contradição real com a teoria do valor de Marx?<br />
Qual o valor intrínseco de 1 kg de ouro, abstraindo-se seu valor de uso?<br />
Tendo a concordar com as conclusões gerais do texto, e também nas importantes diferenças entre circulação e produção, mas não penso que as premissas dos primeiros parágrafos levem necessariamente a essas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/127901/#comment-474026</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Sep 2019 20:11:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sobre a &quot;financeirização do capital&quot;.

Há diversas teses em circulação. As que falam de capital fictício, mas as que falam também da mudança na gestão das empresas e da produção em função da ampliação do controle dos fundos de investimento e de pensão, da facilidade e aumento do fluxo de capital (e as que falam das duas coisas). A valorização acionária de curto-prazo comandaria a produção como não ocorreria em décadas atrás. E isso se sente nas empresas, quando não é da instalação produtiva que se calcula o lucro esperado, mas de um benchmarking financeiro que se determina quanto deve ser gerado de lucro numa empresa. Ou como diria um professor e engenheiro de produção de Belo Horizonte: &quot;a produtividade que segue a lucratividade hoje em dia com a dominância do capital financeiro&quot;.

Dominãncia do capital financeiro, financeirização do capital, afinal como chamar essa mudança que se observa e se vive nas próprias linhas de produção?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre a &#8220;financeirização do capital&#8221;.</p>
<p>Há diversas teses em circulação. As que falam de capital fictício, mas as que falam também da mudança na gestão das empresas e da produção em função da ampliação do controle dos fundos de investimento e de pensão, da facilidade e aumento do fluxo de capital (e as que falam das duas coisas). A valorização acionária de curto-prazo comandaria a produção como não ocorreria em décadas atrás. E isso se sente nas empresas, quando não é da instalação produtiva que se calcula o lucro esperado, mas de um benchmarking financeiro que se determina quanto deve ser gerado de lucro numa empresa. Ou como diria um professor e engenheiro de produção de Belo Horizonte: &#8220;a produtividade que segue a lucratividade hoje em dia com a dominância do capital financeiro&#8221;.</p>
<p>Dominãncia do capital financeiro, financeirização do capital, afinal como chamar essa mudança que se observa e se vive nas próprias linhas de produção?</p>
]]></content:encoded>
		
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