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	Comentários sobre: Racismo negro antinegro na África	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128220/#comment-913029</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Nov 2023 11:54:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Na África do Sul cresce a &quot;operação dudula&quot;, basicamente uma milícia anti-migração, liderada por uma mulher negra, que ataca diretamente imigrantes visando expulsá-los do país.
https://www.youtube.com/watch?v=yfTo-PF51Xg]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na África do Sul cresce a &#8220;operação dudula&#8221;, basicamente uma milícia anti-migração, liderada por uma mulher negra, que ataca diretamente imigrantes visando expulsá-los do país.<br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=yfTo-PF51Xg" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=yfTo-PF51Xg</a></p>
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		<title>
		Por: Fernando Paz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128220/#comment-903107</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernando Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Sep 2023 19:28:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu vivo na França e trabalho em duas empresas, na construção civil e fazendo faxina ou limpando vidros. Ao todo trabalho com 30 colegas da África, sendo 26 do Mali, um do Senegal, dois da Mauritânia e uma de Cabo-Verde. Exceto a caboverdiana e um que é da etnia Bambara, todos os outros são Soninkés. Tem cerca de oito meses que trabalhamos juntos e até hoje, das poucas vezes em que presenciei alguma conversa sobre política, alguns poucos, bem poucos mesmo, estavam a falar da situação no Níger ou das aproximações recentes da Rússia com a África. E foi só.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu vivo na França e trabalho em duas empresas, na construção civil e fazendo faxina ou limpando vidros. Ao todo trabalho com 30 colegas da África, sendo 26 do Mali, um do Senegal, dois da Mauritânia e uma de Cabo-Verde. Exceto a caboverdiana e um que é da etnia Bambara, todos os outros são Soninkés. Tem cerca de oito meses que trabalhamos juntos e até hoje, das poucas vezes em que presenciei alguma conversa sobre política, alguns poucos, bem poucos mesmo, estavam a falar da situação no Níger ou das aproximações recentes da Rússia com a África. E foi só.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128220/#comment-903100</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Sep 2023 18:41:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O que me chama a atenção sobre a atual situaçção na África é que até alguns anos atrás recebia além dessas informações discriminações e barbaridades, uma série de pequenos relatos de lutas e mobilizações. 
Em meio aos racismos de vários tipos, aos ataques aos LGBTs, ao crescimento do fundamentalismo, ao financiamento russo de golpes de Estado, como andam as lutas por lá? O que me parece provável é que ainda existam,  mas como acessá-las, como construir laços e solidariedades?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que me chama a atenção sobre a atual situaçção na África é que até alguns anos atrás recebia além dessas informações discriminações e barbaridades, uma série de pequenos relatos de lutas e mobilizações.<br />
Em meio aos racismos de vários tipos, aos ataques aos LGBTs, ao crescimento do fundamentalismo, ao financiamento russo de golpes de Estado, como andam as lutas por lá? O que me parece provável é que ainda existam,  mas como acessá-las, como construir laços e solidariedades?</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128220/#comment-902965</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Aug 2023 21:19:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Na madrugada de hoje ocorreu no centro de Johannesburg um incêndio num prédio de cinco pisos, de que resultaram pelo menos 74 mortos, entre eles 12 crianças e 24 mulheres, e mais de 50 feridos. Calcula-se, no entanto, que o número de vítimas seja superior. O jornal &lt;em&gt;El País&lt;/em&gt; informa que «a maioria dos inquilinos do edifício eram imigrantes em situação irregular» e &lt;em&gt;The Economist&lt;/em&gt; confirma que «muitos dos habitantes eram imigrantes sem documentos, provenientes de países vizinhos». Ora, esta tragédia, resultante da segregação e da incúria, só pode ser entendida no contexto das manifestações populares de racismo negro anti-negro, analisadas neste artigo.

Mas estou a escrever este comentário para quê? A esquerda desvia pudicamente o olhar destas questões, assim como o desvia quando se trata das violações em massa perpetradas por uns e outros lados nas guerras civis que cada vez mais devastam o continente africano, e também se esforça por ignorar as leis que punem a homossexualidade num número crescente de países da África. Esta miopia é a armadilha dos nacionalismos e dos identitarismos — e a esquerda hoje é nacionalista e identitária.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na madrugada de hoje ocorreu no centro de Johannesburg um incêndio num prédio de cinco pisos, de que resultaram pelo menos 74 mortos, entre eles 12 crianças e 24 mulheres, e mais de 50 feridos. Calcula-se, no entanto, que o número de vítimas seja superior. O jornal <em>El País</em> informa que «a maioria dos inquilinos do edifício eram imigrantes em situação irregular» e <em>The Economist</em> confirma que «muitos dos habitantes eram imigrantes sem documentos, provenientes de países vizinhos». Ora, esta tragédia, resultante da segregação e da incúria, só pode ser entendida no contexto das manifestações populares de racismo negro anti-negro, analisadas neste artigo.</p>
<p>Mas estou a escrever este comentário para quê? A esquerda desvia pudicamente o olhar destas questões, assim como o desvia quando se trata das violações em massa perpetradas por uns e outros lados nas guerras civis que cada vez mais devastam o continente africano, e também se esforça por ignorar as leis que punem a homossexualidade num número crescente de países da África. Esta miopia é a armadilha dos nacionalismos e dos identitarismos — e a esquerda hoje é nacionalista e identitária.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128220/#comment-764730</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jul 2021 16:45:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[esta notícia chama a atenção para o racismo indiano antinegro em uma cidade da África do Sul. Existe um vídeo na internet onde Zizek fala de uma das formas mais sutis e bem vistas de racismo nos círculos progressistas brancos. Se trata de negar às demais &quot;raças&quot; a possibilidade de agirem de forma detestável. Não, sempre se trataria de uma herança do colonialismo europeu, toda a crueldade de negros, indianos, etc, seria apenas o reflexo da agência dos homens brancos. 

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2021/07/22/violencia-na-africa-do-sul-alimenta-velhos-ressentimentos.htm]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>esta notícia chama a atenção para o racismo indiano antinegro em uma cidade da África do Sul. Existe um vídeo na internet onde Zizek fala de uma das formas mais sutis e bem vistas de racismo nos círculos progressistas brancos. Se trata de negar às demais &#8220;raças&#8221; a possibilidade de agirem de forma detestável. Não, sempre se trataria de uma herança do colonialismo europeu, toda a crueldade de negros, indianos, etc, seria apenas o reflexo da agência dos homens brancos. </p>
<p><a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2021/07/22/violencia-na-africa-do-sul-alimenta-velhos-ressentimentos.htm" rel="nofollow ugc">https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2021/07/22/violencia-na-africa-do-sul-alimenta-velhos-ressentimentos.htm</a></p>
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		<title>
		Por: Francisco		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128220/#comment-657240</link>

		<dc:creator><![CDATA[Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2020 13:37:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vejam esse trecho interessante que achei no livro &quot;O Cortiço&quot;, ele nos dá uma boa ilustração do problema do nacionalismo/identitarismo como instrumento dos proprietários:

&quot;Agora, na mesma rua, germinava outro cortiço ali perto, o “Cabeça-de-Gato”. Figurava como seu dono um português que também tinha venda, mas o legitimo proprietário era um abastado conselheiro, homem de gravata lavada, a quem não convinha, por decoro social, aparecer em semelhante gênero de especulações. E João Romão, estalando de raiva, viu que aquela nova república da miséria prometia ir adiante e ameaçava fazer-lhe à sua, perigosa concorrência. Pôs-se logo em campo, disposto à luta, e começou a perseguir o rival por todos os modos, peitando fiscais e guardas municipais, para que o não deixassem respirar um instante com multas e exigências vexatórias; enquanto pela sorrelfa plantava no espírito dos seus inquilinos um verdadeiro ódio de partido, que os incompatibilizava com a gente do “Cabeça-de-Gato”. Aquele que não estivesse disposto a isso ia direitinho para a rua, “que ali se não admitiam meias medidas a tal respeito! Ali: ou bem peixe ou bem carne! Nada de embrulho!” É inútil dizer que a parte contrária lançou mão igualmente de todos os meios para guerrear o inimigo, não tardando que entre os moradores da duas estalagens rebentasse uma tremenda rivalidade, dia a dia agravada por pequenas brigas e rezingas, em que as lavadeiras se destacavam sempre com questões de freguesia de roupa. No fim de pouco tempo os dois partidos estavam já perfeitamente determinados; os habitantes do “Cabeça-de-Gato” tomaram por alcunha o titulo do seu cortiço, e os de “São Romão”, tirando o nome do peixe que a Bertoleza mais vendia à porta da taverna, foram batizados por “Carapicus”. Quem se desse com um carapicu não podia entreter a mais ligeira amizade com um cabeça-de-gato; mudar-se alguém de uma estalagem para outra era renegar idéias e princípios e ficava apontado a dedo; denunciar a um contrário o que se passava, fosse o que fosse, dentro do circulo oposto, era cometer traição tamanha, que os companheiros a puniam a pau. Um vendedor de peixe, que caiu na asneira de falar a um cabeça-de-gato a respeito de uma briga entre a Machona e sua filha, a das Dores, foi encontrado quase morto perto do cemitério de São João Batista. Alexandre, esse então não cochilava com os adversários: nas suas partes policiais figurava sempre o nome de um deles pelo menos, mas entre os próprios polícias havia adeptos de um e de outro partido; o urbano que entrava na venda do João Romão tinha escrúpulo de tomar qualquer coisa ao balcão da outra venda. Em meio do pátio do “Cabeça-de-Gato” arvorara-se uma bandeira amarela; os carapicus responderam logo levantando um pavilhão vermelho. E as duas cores olhavam-se no ar como um desafio de guerra.

A batalha era inevitável. Questão de tempo.&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vejam esse trecho interessante que achei no livro &#8220;O Cortiço&#8221;, ele nos dá uma boa ilustração do problema do nacionalismo/identitarismo como instrumento dos proprietários:</p>
<p>&#8220;Agora, na mesma rua, germinava outro cortiço ali perto, o “Cabeça-de-Gato”. Figurava como seu dono um português que também tinha venda, mas o legitimo proprietário era um abastado conselheiro, homem de gravata lavada, a quem não convinha, por decoro social, aparecer em semelhante gênero de especulações. E João Romão, estalando de raiva, viu que aquela nova república da miséria prometia ir adiante e ameaçava fazer-lhe à sua, perigosa concorrência. Pôs-se logo em campo, disposto à luta, e começou a perseguir o rival por todos os modos, peitando fiscais e guardas municipais, para que o não deixassem respirar um instante com multas e exigências vexatórias; enquanto pela sorrelfa plantava no espírito dos seus inquilinos um verdadeiro ódio de partido, que os incompatibilizava com a gente do “Cabeça-de-Gato”. Aquele que não estivesse disposto a isso ia direitinho para a rua, “que ali se não admitiam meias medidas a tal respeito! Ali: ou bem peixe ou bem carne! Nada de embrulho!” É inútil dizer que a parte contrária lançou mão igualmente de todos os meios para guerrear o inimigo, não tardando que entre os moradores da duas estalagens rebentasse uma tremenda rivalidade, dia a dia agravada por pequenas brigas e rezingas, em que as lavadeiras se destacavam sempre com questões de freguesia de roupa. No fim de pouco tempo os dois partidos estavam já perfeitamente determinados; os habitantes do “Cabeça-de-Gato” tomaram por alcunha o titulo do seu cortiço, e os de “São Romão”, tirando o nome do peixe que a Bertoleza mais vendia à porta da taverna, foram batizados por “Carapicus”. Quem se desse com um carapicu não podia entreter a mais ligeira amizade com um cabeça-de-gato; mudar-se alguém de uma estalagem para outra era renegar idéias e princípios e ficava apontado a dedo; denunciar a um contrário o que se passava, fosse o que fosse, dentro do circulo oposto, era cometer traição tamanha, que os companheiros a puniam a pau. Um vendedor de peixe, que caiu na asneira de falar a um cabeça-de-gato a respeito de uma briga entre a Machona e sua filha, a das Dores, foi encontrado quase morto perto do cemitério de São João Batista. Alexandre, esse então não cochilava com os adversários: nas suas partes policiais figurava sempre o nome de um deles pelo menos, mas entre os próprios polícias havia adeptos de um e de outro partido; o urbano que entrava na venda do João Romão tinha escrúpulo de tomar qualquer coisa ao balcão da outra venda. Em meio do pátio do “Cabeça-de-Gato” arvorara-se uma bandeira amarela; os carapicus responderam logo levantando um pavilhão vermelho. E as duas cores olhavam-se no ar como um desafio de guerra.</p>
<p>A batalha era inevitável. Questão de tempo.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128220/#comment-472822</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Sep 2019 14:10:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Marques,

1) O colonialismo britânico e o francês estimularam nas suas colónias africanas a formação de elites nativas modernas. Em Paris, o movimento &lt;em&gt;Négritude&lt;/em&gt; e a revista &lt;em&gt;Présence Africaine&lt;/em&gt;, reunidos em torno de figuras como Léopold Sédar Senghor, Aimé Césaire e outros, são representativos desse processo. Nestes casos a transição para a independência pôde ocorrer mais ou menos pacificamente e os trabalhadores negros passaram a estar submetidos exclusivamente às elites capitalistas negras. Nas colónias portuguesas e menos ainda no Congo Belga os colonizadores não se preocuparam em estimular a formação de elites nativas modernas ou colocaram mesmo obstáculos à sua formação, por isso as independências resultaram de processos violentos, e as novas elites políticas e económicas nativas tiveram origem nas hierarquias militares geradas nas guerrilhas. Estudar os processos de independência africanos é passar para além do mito da raça ou da cor da pele e deparar com a realidade da reorganização interna das classes capitalistas. Nesta mesma perspectiva é fascinante o estudo das transformações operadas na África do Sul após o fim do &lt;em&gt;apartheid&lt;/em&gt;.
Por isso eu escrevi, &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2014/05/93828/&quot;&gt;no § 8 do manifesto Sobre a esquerda e as esquerdas&lt;/a&gt;: «No dia em que surja um movimento negro que critique a formação de elites negras e as relações de desigualdade e exploração entre negros com a mesma veemência com que critica o racismo antinegro, então esse movimento passará a fazer parte constitutiva do processo geral de renovação da classe trabalhadora».

2) O racismo negro antinegro, relatado e analisado neste artigo do Passa Palavra, mostra que é ilusório mencionar negros em bloco, como se constituíssem uma entidade única. Quando os negros racistas sul-africanos perseguem, espancam e matam negros moçambicanos ou nigerianos ou de qualquer outro país africano, estão a mostrar na prática que os conceitos raciais não servem para analisar a realidade.

3) Para culminar estes horrores, li há pouco &lt;a href=&quot;https://news.yahoo.com/south-african-leader-drops-un-090548092.html&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;neste despacho da Associated Press&lt;/a&gt; que várias centenas de feministas sul-africanas se reuniram hoje em Johannesburg para protestar contra os assassinatos de mulheres por homens. Algumas exigem mesmo que a pena de morte, abolida em 1995, seja reintroduzida para os casos de violação.
No começo dos anos oitenta, quando os islamistas tomaram conta da revolução iraniana e Khomeini começou a ordenar o enforcamento de uma grande quantidade de pessoas, recordo-me de ver perto da Sorbonne, em Paris, onde eu morava, cartazes dizendo: «Não ao enforcamento de mulheres no Irão». Os cartazes eram assinados por um grupo feminista e nessa época eu considerei uma estranha perversão ideológica reclamar contra o enforcamento de mulheres e não de homens também. Entretanto, aquilo que me deixara perplexo tornou-se a regra comum. Os protestos feministas que hoje se fizeram ouvir em Johannesburg não são contra o racismo negro antinegro em geral, são contra o racismo negro antimulheresnegras. E quando se trata de racismo mulheresnegras antimulheresnegras? Deixa-se isso para as irmãs resolverem? Tão baixo chegámos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Marques,</p>
<p>1) O colonialismo britânico e o francês estimularam nas suas colónias africanas a formação de elites nativas modernas. Em Paris, o movimento <em>Négritude</em> e a revista <em>Présence Africaine</em>, reunidos em torno de figuras como Léopold Sédar Senghor, Aimé Césaire e outros, são representativos desse processo. Nestes casos a transição para a independência pôde ocorrer mais ou menos pacificamente e os trabalhadores negros passaram a estar submetidos exclusivamente às elites capitalistas negras. Nas colónias portuguesas e menos ainda no Congo Belga os colonizadores não se preocuparam em estimular a formação de elites nativas modernas ou colocaram mesmo obstáculos à sua formação, por isso as independências resultaram de processos violentos, e as novas elites políticas e económicas nativas tiveram origem nas hierarquias militares geradas nas guerrilhas. Estudar os processos de independência africanos é passar para além do mito da raça ou da cor da pele e deparar com a realidade da reorganização interna das classes capitalistas. Nesta mesma perspectiva é fascinante o estudo das transformações operadas na África do Sul após o fim do <em>apartheid</em>.<br />
Por isso eu escrevi, <a href="https://passapalavra.info/2014/05/93828/">no § 8 do manifesto Sobre a esquerda e as esquerdas</a>: «No dia em que surja um movimento negro que critique a formação de elites negras e as relações de desigualdade e exploração entre negros com a mesma veemência com que critica o racismo antinegro, então esse movimento passará a fazer parte constitutiva do processo geral de renovação da classe trabalhadora».</p>
<p>2) O racismo negro antinegro, relatado e analisado neste artigo do Passa Palavra, mostra que é ilusório mencionar negros em bloco, como se constituíssem uma entidade única. Quando os negros racistas sul-africanos perseguem, espancam e matam negros moçambicanos ou nigerianos ou de qualquer outro país africano, estão a mostrar na prática que os conceitos raciais não servem para analisar a realidade.</p>
<p>3) Para culminar estes horrores, li há pouco <a href="https://news.yahoo.com/south-african-leader-drops-un-090548092.html" rel="nofollow">neste despacho da Associated Press</a> que várias centenas de feministas sul-africanas se reuniram hoje em Johannesburg para protestar contra os assassinatos de mulheres por homens. Algumas exigem mesmo que a pena de morte, abolida em 1995, seja reintroduzida para os casos de violação.<br />
No começo dos anos oitenta, quando os islamistas tomaram conta da revolução iraniana e Khomeini começou a ordenar o enforcamento de uma grande quantidade de pessoas, recordo-me de ver perto da Sorbonne, em Paris, onde eu morava, cartazes dizendo: «Não ao enforcamento de mulheres no Irão». Os cartazes eram assinados por um grupo feminista e nessa época eu considerei uma estranha perversão ideológica reclamar contra o enforcamento de mulheres e não de homens também. Entretanto, aquilo que me deixara perplexo tornou-se a regra comum. Os protestos feministas que hoje se fizeram ouvir em Johannesburg não são contra o racismo negro antinegro em geral, são contra o racismo negro antimulheresnegras. E quando se trata de racismo mulheresnegras antimulheresnegras? Deixa-se isso para as irmãs resolverem? Tão baixo chegámos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Marques		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128220/#comment-472786</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Marques]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Sep 2019 11:46:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128220#comment-472786</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo, 
é uma dúvida ou questionamento que me tenho feito há um bom tempo. Como articular concretamente raça e classe, para sair de uma abstrata classe trabalhadora, tendo em vista que os &quot;marcadores raciais&quot; surgem sob e retroalimentam a exploração capitalista?
No meu entender, nos países submetidos ao regime colonial, não estaria, a princípio, a classe trabalhadora demarcada pela raça? Falo isso preocupado como a seguinte questão: abandonar a racialização, sem construir uma identidade da classe trabalhadora, seria suficiente para uma luta anticapitalista?
São questões amplas e que me causam desconforto, para uma perspectiva emancipatória...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,<br />
é uma dúvida ou questionamento que me tenho feito há um bom tempo. Como articular concretamente raça e classe, para sair de uma abstrata classe trabalhadora, tendo em vista que os &#8220;marcadores raciais&#8221; surgem sob e retroalimentam a exploração capitalista?<br />
No meu entender, nos países submetidos ao regime colonial, não estaria, a princípio, a classe trabalhadora demarcada pela raça? Falo isso preocupado como a seguinte questão: abandonar a racialização, sem construir uma identidade da classe trabalhadora, seria suficiente para uma luta anticapitalista?<br />
São questões amplas e que me causam desconforto, para uma perspectiva emancipatória&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Zoião		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128220/#comment-472582</link>

		<dc:creator><![CDATA[Zoião]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2019 19:38:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Racismo negro antinegro na África? Só lá? Mas e aqui no Brasil e alhures, ontem e hoje? Neste sentido, a reflexão de Alfredo Wagner através do debate crítico que ele trava sobre os quilombos e as novas etnias possa fazer um link com o presente artigo:

(…) Isto vai influenciar toda uma toda uma vertente empirista de interpretação com grandes pretensões sociológicas que conferiu ênfase aos “isolados negros rurais” - marcando profundamente as representações do senso comum, que tratam os quilombos fora do mundo da produção e do trabalho, fora do mercado” 

	O autor justifica sua posição nos seguintes termos:

“ (…) o pilão traduz a esfera de consumo e contribui para explicar tanto as relações do grupo com os comerciantes que atuam nos mercados rurais, quanto sua contradição com a grande plantação monocultora. Aliás, ao contrário do que imaginaram os defensores do “isolamento” como fator de garantia do território, foram estas transações comerciais da produção agrícola e extrativa dos quilombos que ajudaram a consolidar suas fronteiras físicas, tornando-as mais viáveis porquanto acatadas pelos segmentos sociais com que passavam a interagir.

(…) Mais que possíveis laços “tribais” tem-se nos quilombos instâncias de articulação entre estas unidades de trabalho familiar que configuravam uma divisão do trabalho própria. Do meu ponto de vista, a questão do “quilombo hoje” passa também pelo entendimento do sistema econômico intrínseco a estas unidades familiares que produziam concomitantemente para o seu próprio consumo e para o mercado.
Considerando que tanto escravos, quanto quilombolas exerciam atividades agrícolas de autoconsumo, pode-se repensar o argumento dos historiadores econômicos de que nos momentos de grande elevação do preço do algodão ou da cana-de-açúcar, para o senhor compensava assegurar a alimentação do escravo por vias externas, isto é, comprando a produção alimentar do campesinato periférico à grande plantação e dos comerciantes que transacionavam inclusive com os quilombolas&quot; (ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno de. “Os quilombos e as novas etnias: é necessário que nos libertemos da definição arqueológica”. In: LEITÃO, Sérgio (org). Documento do ISA n.5: Direitos territoriais das comunidades negras rurais,  1999, p. 12. Disponível em: https://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/publicacoes/doc-isa-05-direitos-territoriais-das-comunidades-negras-rurais)

Por outro lado..:

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado, no Brasil, em 20 de novembro. (...) A ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.[3] A data foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista. O Dia da Consciência Negra é considerado importante no reconhecimento dos descendentes africanos e da construção da sociedade brasileira. (...) (disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_da_Consci%C3%AAncia_Negra) 

Rei Zumbi de Palmares... A &quot;construção da sociedade brasileira&quot;... é obra de &quot;tod(x)s&quot;... quem tem olhos de ver, que veja...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Racismo negro antinegro na África? Só lá? Mas e aqui no Brasil e alhures, ontem e hoje? Neste sentido, a reflexão de Alfredo Wagner através do debate crítico que ele trava sobre os quilombos e as novas etnias possa fazer um link com o presente artigo:</p>
<p>(…) Isto vai influenciar toda uma toda uma vertente empirista de interpretação com grandes pretensões sociológicas que conferiu ênfase aos “isolados negros rurais” &#8211; marcando profundamente as representações do senso comum, que tratam os quilombos fora do mundo da produção e do trabalho, fora do mercado” </p>
<p>	O autor justifica sua posição nos seguintes termos:</p>
<p>“ (…) o pilão traduz a esfera de consumo e contribui para explicar tanto as relações do grupo com os comerciantes que atuam nos mercados rurais, quanto sua contradição com a grande plantação monocultora. Aliás, ao contrário do que imaginaram os defensores do “isolamento” como fator de garantia do território, foram estas transações comerciais da produção agrícola e extrativa dos quilombos que ajudaram a consolidar suas fronteiras físicas, tornando-as mais viáveis porquanto acatadas pelos segmentos sociais com que passavam a interagir.</p>
<p>(…) Mais que possíveis laços “tribais” tem-se nos quilombos instâncias de articulação entre estas unidades de trabalho familiar que configuravam uma divisão do trabalho própria. Do meu ponto de vista, a questão do “quilombo hoje” passa também pelo entendimento do sistema econômico intrínseco a estas unidades familiares que produziam concomitantemente para o seu próprio consumo e para o mercado.<br />
Considerando que tanto escravos, quanto quilombolas exerciam atividades agrícolas de autoconsumo, pode-se repensar o argumento dos historiadores econômicos de que nos momentos de grande elevação do preço do algodão ou da cana-de-açúcar, para o senhor compensava assegurar a alimentação do escravo por vias externas, isto é, comprando a produção alimentar do campesinato periférico à grande plantação e dos comerciantes que transacionavam inclusive com os quilombolas&#8221; (ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno de. “Os quilombos e as novas etnias: é necessário que nos libertemos da definição arqueológica”. In: LEITÃO, Sérgio (org). Documento do ISA n.5: Direitos territoriais das comunidades negras rurais,  1999, p. 12. Disponível em: <a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/publicacoes/doc-isa-05-direitos-territoriais-das-comunidades-negras-rurais" rel="nofollow ugc">https://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/publicacoes/doc-isa-05-direitos-territoriais-das-comunidades-negras-rurais</a>)</p>
<p>Por outro lado..:</p>
<p>O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado, no Brasil, em 20 de novembro. (&#8230;) A ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.[3] A data foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista. O Dia da Consciência Negra é considerado importante no reconhecimento dos descendentes africanos e da construção da sociedade brasileira. (&#8230;) (disponível em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_da_Consci%C3%AAncia_Negra" rel="nofollow ugc">https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_da_Consci%C3%AAncia_Negra</a>) </p>
<p>Rei Zumbi de Palmares&#8230; A &#8220;construção da sociedade brasileira&#8221;&#8230; é obra de &#8220;tod(x)s&#8221;&#8230; quem tem olhos de ver, que veja&#8230;</p>
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		<title>
		Por: Incômodo Classista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128220/#comment-472557</link>

		<dc:creator><![CDATA[Incômodo Classista]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2019 17:57:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando se esquece as classes em favor das raças, formas fascistas de organização emergem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se esquece as classes em favor das raças, formas fascistas de organização emergem.</p>
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