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	Comentários sobre: Bacurau, alegoria de um sonho que morreu	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128283/#comment-482081</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Oct 2019 16:37:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Interessante esta &quot;pesquisa informal&quot;, mas cabe observar: o posicionamento político deste &quot;público menos intelectualizado&quot; não se pode inferir &quot;a olho&quot;. Como não assisti o filme, e talvez termine não assistindo, não tenho como falar do conteúdo. Mas o tipo de paralelo proposto pelo &quot;pesquisador informal&quot; pode ser bastante frutífero.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interessante esta &#8220;pesquisa informal&#8221;, mas cabe observar: o posicionamento político deste &#8220;público menos intelectualizado&#8221; não se pode inferir &#8220;a olho&#8221;. Como não assisti o filme, e talvez termine não assistindo, não tenho como falar do conteúdo. Mas o tipo de paralelo proposto pelo &#8220;pesquisador informal&#8221; pode ser bastante frutífero.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128283/#comment-481182</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Oct 2019 13:36:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Uma resenha política bem interessante, casada com uma pesquisa informal com o público. Aliás, é a explicação política derradeira para a produção e propaganda da Globo:

&quot;“Bacurau” para não-cinéfilos
Um quadro não muito diferente do discurso martelado diariamente pela mídia corporativa: o povo deve se manter unido contra os políticos corruptos. Esse foi o mote das domingueiras de bolsomínios com camisetas da CBF pedindo punição aos corruptos e uma intervenção salvadora de não-políticos – os militares. 
Por isso, esse humilde blogueiro decidiu assistir ao filme Bacurau no CEU Butantã em São Paulo, dentro do circuito Spcine. Ao contrário das salas de cinema cults com cinéfilos sobrecodificando o filme, seria mais interessante ver a reação do público menos intelectualizado.
O resultado foi o que mais temia: involuntariamente Bacurau reforçou o niilismo anti-política da grande mídia. A sequência final do castigo imposto pelos moradores ao prefeito Tony Jr. (seminu, colocado amarrado num jegue, com uma máscara de lobisomem, condenado a vagar no deserto sob o sol a pino) foi catártica para a plateia.
Duas frases este editor do Cinegnose mais ouviu na saída da sala de projeção: “é isso que esses políticos merecem!”... e “o brasileiro tá precisando dessa droga pra ficar mais corajoso!”, numa alusão ao “psicotrópico forte”, como descreve a personagem Domingas.
Sem querer fazer teorias conspiratórias, talvez seja por isso que a Globo Filmes assinou a co-produção de Bacurau: no final, a narrativa do filme dá uma continuidade ao discurso diário dos telejornais da rede. &quot;

http://cinegnose.blogspot.com/2019/10/filme-bacurau-perde-no-cabo-de-guerra.html#more]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma resenha política bem interessante, casada com uma pesquisa informal com o público. Aliás, é a explicação política derradeira para a produção e propaganda da Globo:</p>
<p>&#8220;“Bacurau” para não-cinéfilos<br />
Um quadro não muito diferente do discurso martelado diariamente pela mídia corporativa: o povo deve se manter unido contra os políticos corruptos. Esse foi o mote das domingueiras de bolsomínios com camisetas da CBF pedindo punição aos corruptos e uma intervenção salvadora de não-políticos – os militares.<br />
Por isso, esse humilde blogueiro decidiu assistir ao filme Bacurau no CEU Butantã em São Paulo, dentro do circuito Spcine. Ao contrário das salas de cinema cults com cinéfilos sobrecodificando o filme, seria mais interessante ver a reação do público menos intelectualizado.<br />
O resultado foi o que mais temia: involuntariamente Bacurau reforçou o niilismo anti-política da grande mídia. A sequência final do castigo imposto pelos moradores ao prefeito Tony Jr. (seminu, colocado amarrado num jegue, com uma máscara de lobisomem, condenado a vagar no deserto sob o sol a pino) foi catártica para a plateia.<br />
Duas frases este editor do Cinegnose mais ouviu na saída da sala de projeção: “é isso que esses políticos merecem!”&#8230; e “o brasileiro tá precisando dessa droga pra ficar mais corajoso!”, numa alusão ao “psicotrópico forte”, como descreve a personagem Domingas.<br />
Sem querer fazer teorias conspiratórias, talvez seja por isso que a Globo Filmes assinou a co-produção de Bacurau: no final, a narrativa do filme dá uma continuidade ao discurso diário dos telejornais da rede. &#8221;</p>
<p><a href="http://cinegnose.blogspot.com/2019/10/filme-bacurau-perde-no-cabo-de-guerra.html#more" rel="nofollow ugc">http://cinegnose.blogspot.com/2019/10/filme-bacurau-perde-no-cabo-de-guerra.html#more</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: O Deuteragonista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128283/#comment-479258</link>

		<dc:creator><![CDATA[O Deuteragonista]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Oct 2019 14:56:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128283#comment-479258</guid>

					<description><![CDATA[João Paulo,

A velocidade com que estes comentários se sucedem faz com que seja difícil ter tempo de os acompanhar e responder a todos os interessantes pontos levantados que me suscitaram reflexão.

O seu último comentário foi esclarecedor, mas avançou bastante mais rápido do que eu havia proposto. Vou tentar resumir para que me confirme se entendi corretamente, ou me corrija:
- Está muito claro que um filme pode ser muito bom mesmo sendo propagandístico e panfletário, mesmo propagando ideologias ou pontos de vistas de que não gostamos. O &quot;Triunfo da Vontade&quot; é uma obra-prima.
- Por omissão, e pelo que já havia sido dito no texto principal, deduzo que também não há nenhum problema com as opções estéticas/formais mais &quot;técnicas&quot; PER SE, os recursos cinematográficos empregues, as influências do cinema de &quot;gênero&quot;, etc. Muitos dos melhores filmes da história foram de &quot;gênero&quot;, provavelmente podemos concordar nisso também.
- As críticas concentra-se portanto nos seguintes aspectos:
1) A excessiva &quot;literalidade&quot; do filme, que teria como finalidade ou resultado uma colagem à conjuntura política atual. Daí a expressão &quot;alegoria anti-alegórica&quot;.
2) A &quot;funcionalidade da ironia e da paródia&quot;. A representação da &quot;comunidade&quot; de Bacurau seria, não apenas acrítica, mas inteiramente destituída de distanciamento, &quot;heroicizante&quot;, visando a total identificação emocional do público com essa comunidade e os seus habitantes. Por sua vez, essa comunidade seria uma representação, um &quot;microcosmos&quot; do Brasil, aparentemente segundo um dos diretores - mas acho que não segundo o Kleber Mendonça.

Sobre o ponto 1), em parte não concordo, mas em parte também não entendo porque seria um problema. A &quot;literalidade&quot; e o excesso de referências à conjuntura atual seria uma &quot;contradição formal&quot; com a &quot;estrutura alegórica&quot; do filme. Porquê? À partida não vejo contradição nenhuma.
Mas não concordo porque acho que as referências à conjuntura atual, sem dúvida presentes, como no exemplo que mencionei sobre o motoqueiro ser assessor do TRF-4, não me parecem centrais. São laterais e exteriores à dinâmica principal de &quot;resistência da aldeia aos gringos exterminadores&quot;.
O roteiro do filme foi escrito 10 anos atrás, em plena &quot;paz e harmonia&quot; dos governos PT pré-2013. Tudo o que está sendo interpretado como &quot;fascismo&quot; e característico apenas do atual governo já estava presente na sociedade brasileira anteriormente. E, embora tenha de facto havido uma escalada discursiva na direção do &quot;fascismo&quot;, a situação concreta (ainda) não mudou assim tanto como isso.
Por exemplo, a estratégia inicial de confronto do primeiro governo Sérgio Cabral, ainda antes das UPP&#039;s, foi provavelmente tão ou mais mortífera que a atual política de Witzel, apesar do discurso mais moderado; e o mesmo pode ser dito da intervenção federal do governo Dilma na Maré. A &quot;necropolítica&quot; - termo que não me agrada particularmente - não é nada de novo, é uma constante no Brasil.
De facto, no mundo real, os exterminadores de Bacurau são os exterminadores fardados nas favelas e periferias. Sendo estes muitas vezes também pobres e periféricos, um paradoxal abismo mental separa-os dos alvos da sua violência, sendo assim representados como &quot;estrangeiros&quot;, que só se comunicam com os &quot;nativos&quot; usando um tradutor automático - já agora, repararam que a &quot;siri&quot; ou &quot;senhora google&quot; da gringa ferida fala em português de Portugal? Nada disto é por acaso...

Sobre o ponto 2) há tanto, mas tanto, para dizer... poder-se-ia escrever um texto maior que o post inicial, mas não estou seguro de ter capacidade de o fazer - espero não ser acusado de &quot;falsa modéstia&quot;!
Acho que de tanto prestar atenção à reação do &quot;público de esquerda&quot; ao filme, você acabou vendo o mesmo filme que esse público, e eu vi um filme muito diferente.
É verdade que houve uma &quot;heroicização eufórica da comunidade de Bacurau&quot; por grande parte do &quot;público de esquerda&quot;, que viu no filme um hino a uma &quot;resistência&quot; sonhada e improvável. Mas isso diz-nos muito mais sobre o &quot;público de esquerda&quot; do que sobre o filme. É da natureza humana ver espelhos onde eles não existem e selecionar apenas aquilo que reforça as nossas crenças prévias, o famoso &quot;viés de confirmação&quot;.
E, convenhamos, nestes tempos estupidificantes de &quot;memes&quot; e redes sociais, qualquer porcaria serve para a &quot;esquerda&quot; (ou a &quot;direita&quot;) se identificar, até uma banalíssima propaganda do Banco do Brasil provoca reações apaixonadas.
Mas há inúmeros elementos críticos em Bacurau que passam muito longe dessa visão de uma comunidade idealizada e harmônica, e você certamente apercebeu-se deles, como se apercebeu de pelo menos algumas das críticas dirigidas claramente à &quot;esquerda&quot;. Mas, os primeiros considera-os &quot;detalhes&quot;, e as segundas pensou que eram todas acidentais ou involuntárias, uma &quot;esculhambação involuntária de si próprio&quot;. Ora a mim pareceu-me que era tudo deliberado, apesar de os diretores certamente conseguirem prever que não seria assim que o filme seria visto, pela maioria das pessoas e na conjuntura atual.

Este comentário já está longuíssimo, talvez ainda tente voltar aqui para explicar melhor este ponto 2), explicar porque eu acho que o filme NÃO &quot;idealiza&quot; a comunidade de Bacurau, não a retrata como &quot;feliz&quot; nem &quot;harmônica&quot; nem em &quot;paz&quot;; porque acho que a crítica, a auto-ironia e o humor são constantes; e porque NÃO me &quot;identifiquei emocionalmente&quot; com a &quot;comunidade&quot; de Bacurau. Que continua sendo um filme excelente!
Se alguma identificação houve, foi apenas com Pacote e Lunga, e já agora com o alemão que é aprisionado no fim, que, como alguns outros gringos, não achei nada que fosse &quot;destituído de profundidade&quot; e &quot;reduzido à imagem do Mal&quot;.
Aliás, é-me muito mais fácil em geral a identificação com os &quot;bandidos&quot; e os &quot;malvados&quot; do que com as pessoas do &quot;bem&quot;.

Mas, só para falar de um segundo aspecto óbvio (já falei da &quot;caçamba&quot; de livros acima):
Quem consegue suportar ou sequer levar a sério o nauseante discurso do Professor no velório do início do filme? Quando ele menciona, com tanto orgulho, os familiares e amigos pós-graduados que, obviamente, fugiram da parvónia e pasmaceira de Bacurau assim que puderam, e que eventualmente enviam umas &quot;ajudas&quot; muito esporádicas e simbólicas, o que devemos concluir? Que a &quot;educação&quot; vai resolver os problemas do Brasil? Que devemos &quot;levar um livro&quot; na hora de votar? Ou que há ali uma pesada crítica ao insuportável bacharelismo de grande parte da &quot;esquerda&quot;, que foi tão ineficaz e penoso de observar na candidatura Haddad? Ninguém é mais inútil e inoperante perante a ameaça dos matadores que o professor e a médica, que nunca atuam como as lideranças que poderiam ser. Neste ponto, a esquerda-universitária-classe-média-espectadora já não se identifica nem se reconhece... O espelho é muito seletivo.

*** *** ***

Caio,
&quot;Esse cara&quot; é Vercingétorix, a estátua é bastante conhecida. Não penso que se diga que é o &quot;primeiro gaulês&quot;, mas algumas fontes, incluindo César e Plutarco, atribuem-lhe a iniciativa de ter formado e liderado uma grande aliança de tribos &quot;gaulesas&quot; (celtas da Gália) anteriormente dispersas e constituído um exército que combateu os romanos em duas grandes batalhas: Gergóvia, onde teria vencido César, e Alésia, onde foi decisivamente derrotado, capturado e levado prisioneiro para Roma para ser exibido no desfile das tropas vitoriosas.
Tal como muitos outros países fizeram na mesma altura com outras figuras, a &quot;invenção&quot; de Vercingétorix como herói nacional e fundador da pátria deu-se na segunda metade do século XIX, especialmente na sequência da derrota na guerra Franco-Prussiana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Paulo,</p>
<p>A velocidade com que estes comentários se sucedem faz com que seja difícil ter tempo de os acompanhar e responder a todos os interessantes pontos levantados que me suscitaram reflexão.</p>
<p>O seu último comentário foi esclarecedor, mas avançou bastante mais rápido do que eu havia proposto. Vou tentar resumir para que me confirme se entendi corretamente, ou me corrija:<br />
&#8211; Está muito claro que um filme pode ser muito bom mesmo sendo propagandístico e panfletário, mesmo propagando ideologias ou pontos de vistas de que não gostamos. O &#8220;Triunfo da Vontade&#8221; é uma obra-prima.<br />
&#8211; Por omissão, e pelo que já havia sido dito no texto principal, deduzo que também não há nenhum problema com as opções estéticas/formais mais &#8220;técnicas&#8221; PER SE, os recursos cinematográficos empregues, as influências do cinema de &#8220;gênero&#8221;, etc. Muitos dos melhores filmes da história foram de &#8220;gênero&#8221;, provavelmente podemos concordar nisso também.<br />
&#8211; As críticas concentra-se portanto nos seguintes aspectos:<br />
1) A excessiva &#8220;literalidade&#8221; do filme, que teria como finalidade ou resultado uma colagem à conjuntura política atual. Daí a expressão &#8220;alegoria anti-alegórica&#8221;.<br />
2) A &#8220;funcionalidade da ironia e da paródia&#8221;. A representação da &#8220;comunidade&#8221; de Bacurau seria, não apenas acrítica, mas inteiramente destituída de distanciamento, &#8220;heroicizante&#8221;, visando a total identificação emocional do público com essa comunidade e os seus habitantes. Por sua vez, essa comunidade seria uma representação, um &#8220;microcosmos&#8221; do Brasil, aparentemente segundo um dos diretores &#8211; mas acho que não segundo o Kleber Mendonça.</p>
<p>Sobre o ponto 1), em parte não concordo, mas em parte também não entendo porque seria um problema. A &#8220;literalidade&#8221; e o excesso de referências à conjuntura atual seria uma &#8220;contradição formal&#8221; com a &#8220;estrutura alegórica&#8221; do filme. Porquê? À partida não vejo contradição nenhuma.<br />
Mas não concordo porque acho que as referências à conjuntura atual, sem dúvida presentes, como no exemplo que mencionei sobre o motoqueiro ser assessor do TRF-4, não me parecem centrais. São laterais e exteriores à dinâmica principal de &#8220;resistência da aldeia aos gringos exterminadores&#8221;.<br />
O roteiro do filme foi escrito 10 anos atrás, em plena &#8220;paz e harmonia&#8221; dos governos PT pré-2013. Tudo o que está sendo interpretado como &#8220;fascismo&#8221; e característico apenas do atual governo já estava presente na sociedade brasileira anteriormente. E, embora tenha de facto havido uma escalada discursiva na direção do &#8220;fascismo&#8221;, a situação concreta (ainda) não mudou assim tanto como isso.<br />
Por exemplo, a estratégia inicial de confronto do primeiro governo Sérgio Cabral, ainda antes das UPP&#8217;s, foi provavelmente tão ou mais mortífera que a atual política de Witzel, apesar do discurso mais moderado; e o mesmo pode ser dito da intervenção federal do governo Dilma na Maré. A &#8220;necropolítica&#8221; &#8211; termo que não me agrada particularmente &#8211; não é nada de novo, é uma constante no Brasil.<br />
De facto, no mundo real, os exterminadores de Bacurau são os exterminadores fardados nas favelas e periferias. Sendo estes muitas vezes também pobres e periféricos, um paradoxal abismo mental separa-os dos alvos da sua violência, sendo assim representados como &#8220;estrangeiros&#8221;, que só se comunicam com os &#8220;nativos&#8221; usando um tradutor automático &#8211; já agora, repararam que a &#8220;siri&#8221; ou &#8220;senhora google&#8221; da gringa ferida fala em português de Portugal? Nada disto é por acaso&#8230;</p>
<p>Sobre o ponto 2) há tanto, mas tanto, para dizer&#8230; poder-se-ia escrever um texto maior que o post inicial, mas não estou seguro de ter capacidade de o fazer &#8211; espero não ser acusado de &#8220;falsa modéstia&#8221;!<br />
Acho que de tanto prestar atenção à reação do &#8220;público de esquerda&#8221; ao filme, você acabou vendo o mesmo filme que esse público, e eu vi um filme muito diferente.<br />
É verdade que houve uma &#8220;heroicização eufórica da comunidade de Bacurau&#8221; por grande parte do &#8220;público de esquerda&#8221;, que viu no filme um hino a uma &#8220;resistência&#8221; sonhada e improvável. Mas isso diz-nos muito mais sobre o &#8220;público de esquerda&#8221; do que sobre o filme. É da natureza humana ver espelhos onde eles não existem e selecionar apenas aquilo que reforça as nossas crenças prévias, o famoso &#8220;viés de confirmação&#8221;.<br />
E, convenhamos, nestes tempos estupidificantes de &#8220;memes&#8221; e redes sociais, qualquer porcaria serve para a &#8220;esquerda&#8221; (ou a &#8220;direita&#8221;) se identificar, até uma banalíssima propaganda do Banco do Brasil provoca reações apaixonadas.<br />
Mas há inúmeros elementos críticos em Bacurau que passam muito longe dessa visão de uma comunidade idealizada e harmônica, e você certamente apercebeu-se deles, como se apercebeu de pelo menos algumas das críticas dirigidas claramente à &#8220;esquerda&#8221;. Mas, os primeiros considera-os &#8220;detalhes&#8221;, e as segundas pensou que eram todas acidentais ou involuntárias, uma &#8220;esculhambação involuntária de si próprio&#8221;. Ora a mim pareceu-me que era tudo deliberado, apesar de os diretores certamente conseguirem prever que não seria assim que o filme seria visto, pela maioria das pessoas e na conjuntura atual.</p>
<p>Este comentário já está longuíssimo, talvez ainda tente voltar aqui para explicar melhor este ponto 2), explicar porque eu acho que o filme NÃO &#8220;idealiza&#8221; a comunidade de Bacurau, não a retrata como &#8220;feliz&#8221; nem &#8220;harmônica&#8221; nem em &#8220;paz&#8221;; porque acho que a crítica, a auto-ironia e o humor são constantes; e porque NÃO me &#8220;identifiquei emocionalmente&#8221; com a &#8220;comunidade&#8221; de Bacurau. Que continua sendo um filme excelente!<br />
Se alguma identificação houve, foi apenas com Pacote e Lunga, e já agora com o alemão que é aprisionado no fim, que, como alguns outros gringos, não achei nada que fosse &#8220;destituído de profundidade&#8221; e &#8220;reduzido à imagem do Mal&#8221;.<br />
Aliás, é-me muito mais fácil em geral a identificação com os &#8220;bandidos&#8221; e os &#8220;malvados&#8221; do que com as pessoas do &#8220;bem&#8221;.</p>
<p>Mas, só para falar de um segundo aspecto óbvio (já falei da &#8220;caçamba&#8221; de livros acima):<br />
Quem consegue suportar ou sequer levar a sério o nauseante discurso do Professor no velório do início do filme? Quando ele menciona, com tanto orgulho, os familiares e amigos pós-graduados que, obviamente, fugiram da parvónia e pasmaceira de Bacurau assim que puderam, e que eventualmente enviam umas &#8220;ajudas&#8221; muito esporádicas e simbólicas, o que devemos concluir? Que a &#8220;educação&#8221; vai resolver os problemas do Brasil? Que devemos &#8220;levar um livro&#8221; na hora de votar? Ou que há ali uma pesada crítica ao insuportável bacharelismo de grande parte da &#8220;esquerda&#8221;, que foi tão ineficaz e penoso de observar na candidatura Haddad? Ninguém é mais inútil e inoperante perante a ameaça dos matadores que o professor e a médica, que nunca atuam como as lideranças que poderiam ser. Neste ponto, a esquerda-universitária-classe-média-espectadora já não se identifica nem se reconhece&#8230; O espelho é muito seletivo.</p>
<p>*** *** ***</p>
<p>Caio,<br />
&#8220;Esse cara&#8221; é Vercingétorix, a estátua é bastante conhecida. Não penso que se diga que é o &#8220;primeiro gaulês&#8221;, mas algumas fontes, incluindo César e Plutarco, atribuem-lhe a iniciativa de ter formado e liderado uma grande aliança de tribos &#8220;gaulesas&#8221; (celtas da Gália) anteriormente dispersas e constituído um exército que combateu os romanos em duas grandes batalhas: Gergóvia, onde teria vencido César, e Alésia, onde foi decisivamente derrotado, capturado e levado prisioneiro para Roma para ser exibido no desfile das tropas vitoriosas.<br />
Tal como muitos outros países fizeram na mesma altura com outras figuras, a &#8220;invenção&#8221; de Vercingétorix como herói nacional e fundador da pátria deu-se na segunda metade do século XIX, especialmente na sequência da derrota na guerra Franco-Prussiana.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128283/#comment-478522</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Oct 2019 18:26:30 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128283#comment-478522</guid>

					<description><![CDATA[realista,

Se o zapatismo é defensista eu quero jogar sempre na retranca!

TOMAR OS MEIOS DE PRODUÇÃO é defesa?

Instituir poderes autônomos, com rodízio entre todos nos papéis nesses organismo de gestão política e social é defensivo? Expandir essas conquistas para outras localidade é defensivo?

Então não sei o que é uma revolução.

Os zapatistas (os atuais), como o nome já diz, bebem de uma tradição, por assim dizer, de revolução e movimento anterior, e também bebem da cultura indígena e de, portanto, pelo menos de algumas de suas tradições. A palavra tradição pode não ser apropriada, mas não somos tabula rasa, herdamos algo que carregaremos com a gente mesmo na hora da revolução. Algo do velho sempre está em nós e para o bem ou para o mal algo do velho estará ainda na sociedade que virá.
O problema é quando a tradição se torna o centro da política, sua manutenção um fim, assim como o problema é quando a política gira em torno e para uma identidade, como o fim em si.
Tradição de luta, memória de luta... isso são instrumentos que não devemos perder. São meios. Nos servem de ferramentas para agirmos no presente, situando-as nas circunstâncias novas que aparecem.

A questão é que os zapatistas são, por assim dizer, anti-identitários (talvez o melhor livro para entender isso seja o Mudar o Mundo sem Tomar o Poder do John Holloway. Eles partem do ponto em que estão e do que são mas apontam para um universal, não se fecham nas suas identidades indígenas.. e isso é muito claro nos discursos zapatistas desde o levante de 1994.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>realista,</p>
<p>Se o zapatismo é defensista eu quero jogar sempre na retranca!</p>
<p>TOMAR OS MEIOS DE PRODUÇÃO é defesa?</p>
<p>Instituir poderes autônomos, com rodízio entre todos nos papéis nesses organismo de gestão política e social é defensivo? Expandir essas conquistas para outras localidade é defensivo?</p>
<p>Então não sei o que é uma revolução.</p>
<p>Os zapatistas (os atuais), como o nome já diz, bebem de uma tradição, por assim dizer, de revolução e movimento anterior, e também bebem da cultura indígena e de, portanto, pelo menos de algumas de suas tradições. A palavra tradição pode não ser apropriada, mas não somos tabula rasa, herdamos algo que carregaremos com a gente mesmo na hora da revolução. Algo do velho sempre está em nós e para o bem ou para o mal algo do velho estará ainda na sociedade que virá.<br />
O problema é quando a tradição se torna o centro da política, sua manutenção um fim, assim como o problema é quando a política gira em torno e para uma identidade, como o fim em si.<br />
Tradição de luta, memória de luta&#8230; isso são instrumentos que não devemos perder. São meios. Nos servem de ferramentas para agirmos no presente, situando-as nas circunstâncias novas que aparecem.</p>
<p>A questão é que os zapatistas são, por assim dizer, anti-identitários (talvez o melhor livro para entender isso seja o Mudar o Mundo sem Tomar o Poder do John Holloway. Eles partem do ponto em que estão e do que são mas apontam para um universal, não se fecham nas suas identidades indígenas.. e isso é muito claro nos discursos zapatistas desde o levante de 1994.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: realista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128283/#comment-478502</link>

		<dc:creator><![CDATA[realista]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Oct 2019 16:42:39 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128283#comment-478502</guid>

					<description><![CDATA[&quot;Sejamos realistas, tentemos o impossível&quot;,
&quot;Tomar o céu de assalto&quot;,
a tal luta final...

tenho a impressão de que todos os movimentos revolucionários modernos estavam cagando e andando para as tradições, queriam mesmo era fazer algo completamente novo, passando necessariamente pela criação de novos sujeitos, como por exemplo a destruição da classe trabalhadora, enquanto que a força de conservação identitária e tradicionalista operava absolutamente contra as tendências mais radicais, papel que coube aos nacionalismos e sindicalismos tão arraigados na esquerda. Interessante como a referência a Asterix e ao zapatismo resgata o lado mais defensista da esquerda. Se isso não é nostalgia, não sei o que é. No filme Aquarius também não vemos nenhuma referência direta à Dilma e ao lulismo. No entanto a abertura do filme é com fotos antigas e as primeiras cenas são situadas no passado do tempo narrativo principal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Sejamos realistas, tentemos o impossível&#8221;,<br />
&#8220;Tomar o céu de assalto&#8221;,<br />
a tal luta final&#8230;</p>
<p>tenho a impressão de que todos os movimentos revolucionários modernos estavam cagando e andando para as tradições, queriam mesmo era fazer algo completamente novo, passando necessariamente pela criação de novos sujeitos, como por exemplo a destruição da classe trabalhadora, enquanto que a força de conservação identitária e tradicionalista operava absolutamente contra as tendências mais radicais, papel que coube aos nacionalismos e sindicalismos tão arraigados na esquerda. Interessante como a referência a Asterix e ao zapatismo resgata o lado mais defensista da esquerda. Se isso não é nostalgia, não sei o que é. No filme Aquarius também não vemos nenhuma referência direta à Dilma e ao lulismo. No entanto a abertura do filme é com fotos antigas e as primeiras cenas são situadas no passado do tempo narrativo principal.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128283/#comment-478371</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Sep 2019 23:51:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128283#comment-478371</guid>

					<description><![CDATA[Caio,

essa resistência das comunidades, tradições e ancestralidades podem dar nessa extrema-direita.

Por outro lado não existe futuro sem memória (e memória é diferente dessa pirações míticas, pra deixar claro). Os zapatistas já destacaram bastante o papel da memória. Acho que os zapatistas são a resistência mais notável em décadas que é ao mesmo tempo de esquerda, de comunidade (e sempre mais-além), que carrega tradições enquanto autocontesta e modifica outras e atira contra o capitalismo transnacionalizado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caio,</p>
<p>essa resistência das comunidades, tradições e ancestralidades podem dar nessa extrema-direita.</p>
<p>Por outro lado não existe futuro sem memória (e memória é diferente dessa pirações míticas, pra deixar claro). Os zapatistas já destacaram bastante o papel da memória. Acho que os zapatistas são a resistência mais notável em décadas que é ao mesmo tempo de esquerda, de comunidade (e sempre mais-além), que carrega tradições enquanto autocontesta e modifica outras e atira contra o capitalismo transnacionalizado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128283/#comment-478351</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Sep 2019 20:04:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128283#comment-478351</guid>

					<description><![CDATA[A referência ao Asterix foi a primeira que me saltou à mente quando vi o filme. Mas longe de me entusiasmar, preocupou. Há poucos meses estive numa região da França onde acontecia um encontro dos Identitaires, nome sugestivo adotado por uma juventude de extrema-direita. A cidade estava coberta de adesivos celebrando &quot;o primeiro francês&quot;, a raiz nacional do povo que resistiu ao imperialismo romano (nas pirações míticas deles, seria esse cara: https://archive.4plebs.org/pol/thread/120952664/ - soa familiar?). Me deixou pensando muito: o que significa reivindicar a resistência das comunidades, tradições e anscestralidade pela esquerda num capitalismo transnacionalizado?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A referência ao Asterix foi a primeira que me saltou à mente quando vi o filme. Mas longe de me entusiasmar, preocupou. Há poucos meses estive numa região da França onde acontecia um encontro dos Identitaires, nome sugestivo adotado por uma juventude de extrema-direita. A cidade estava coberta de adesivos celebrando &#8220;o primeiro francês&#8221;, a raiz nacional do povo que resistiu ao imperialismo romano (nas pirações míticas deles, seria esse cara: <a href="https://archive.4plebs.org/pol/thread/120952664/" rel="nofollow ugc">https://archive.4plebs.org/pol/thread/120952664/</a> &#8211; soa familiar?). Me deixou pensando muito: o que significa reivindicar a resistência das comunidades, tradições e anscestralidade pela esquerda num capitalismo transnacionalizado?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128283/#comment-478345</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Sep 2019 19:06:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128283#comment-478345</guid>

					<description><![CDATA[-&#062; P.S. do Leo: vejam como uma interpretação política extremamente fiel ao filme mas totalmente fora da ideia de luta antimperialista e saudosismo lulopetista. Pelo contrário, não tem salvador da pátria.

veja como são as coisas, meu caro. o &quot;Pequeno Manual de Vôo do Bacurau&quot; foi também inspirado em seus comentários aqui.

agradeço as referências. não por alguma vaidade, mas por contribuir para circular outras possibilidades de abordagens do filme.

uma das linhas de análise sobre &quot;Bacurau&quot; argumenta que se &quot;gentileza gera gentileza&quot;, &quot;violência gera violência&quot;. em sua autodefesa a caça acabaria se equiparando aos caçadores. numa vitória às avessas destes, em consequência da inversão de papéis sob um mesmo script.

para outros, o filme é uma evocação nostálgica dos tempos dourados do Lulismo. o sonho impossível de retorno ao paraíso perdido da conciliação de classes. o vôo dos Bacuraus seria prenhe de anti-imperialismo, mas abortivo da luta de classes.

ao se analisar um filme (ou um texto, ou um fato, ou o que quer que seja) é preciso primeiro fechar o foco. ser &quot;extremamente fiel&quot; ao que se analisa, sem inserir à fórceps qualquer elemento alheio à linguagem ou narrativa. 

exemplo: em qual momento de &quot;Bacurau&quot; há qualquer referência, mesmo indireta ou implícita, ao Lulismo?

em seguida, o plano deve se abrir. numa grande panorâmica voltada para as possibilidades vistas a partir do filme.

neste sentido, é muito interessante a aproximação feita aqui nesta área de comentários de &quot;Bacurau&quot; com Asterix.

grande abraço
.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>-&gt; P.S. do Leo: vejam como uma interpretação política extremamente fiel ao filme mas totalmente fora da ideia de luta antimperialista e saudosismo lulopetista. Pelo contrário, não tem salvador da pátria.</p>
<p>veja como são as coisas, meu caro. o &#8220;Pequeno Manual de Vôo do Bacurau&#8221; foi também inspirado em seus comentários aqui.</p>
<p>agradeço as referências. não por alguma vaidade, mas por contribuir para circular outras possibilidades de abordagens do filme.</p>
<p>uma das linhas de análise sobre &#8220;Bacurau&#8221; argumenta que se &#8220;gentileza gera gentileza&#8221;, &#8220;violência gera violência&#8221;. em sua autodefesa a caça acabaria se equiparando aos caçadores. numa vitória às avessas destes, em consequência da inversão de papéis sob um mesmo script.</p>
<p>para outros, o filme é uma evocação nostálgica dos tempos dourados do Lulismo. o sonho impossível de retorno ao paraíso perdido da conciliação de classes. o vôo dos Bacuraus seria prenhe de anti-imperialismo, mas abortivo da luta de classes.</p>
<p>ao se analisar um filme (ou um texto, ou um fato, ou o que quer que seja) é preciso primeiro fechar o foco. ser &#8220;extremamente fiel&#8221; ao que se analisa, sem inserir à fórceps qualquer elemento alheio à linguagem ou narrativa. </p>
<p>exemplo: em qual momento de &#8220;Bacurau&#8221; há qualquer referência, mesmo indireta ou implícita, ao Lulismo?</p>
<p>em seguida, o plano deve se abrir. numa grande panorâmica voltada para as possibilidades vistas a partir do filme.</p>
<p>neste sentido, é muito interessante a aproximação feita aqui nesta área de comentários de &#8220;Bacurau&#8221; com Asterix.</p>
<p>grande abraço<br />
.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128283/#comment-478314</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Sep 2019 13:34:39 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128283#comment-478314</guid>

					<description><![CDATA[Bacurau: pequeno manual de voo, por Arkx

para os que não suportam se resignarem grudados ao chão, em face do vôo dos Bacuraus.

não recomendado aos que padecem de reações alérgicas frente ao mais poderoso dos psicotrópicos: a análise crítica.

– apesar das oscilações de linguagem e narrativa, o filme “Bacurau” enfoca um claro ponto central: acabou o amor, isto aqui virou um inferno;

– a lumpenburguesia brasileira, sócia minoritária dos mega interesses globais, declarou aberta a temporada de caça;

– nós somos a caça. e a temporada só encerra quando estivermos todos mortos;

– neste game viciado não tempos opção, a não ser lutar por nossas vidas. numa guerra de extermínio, ou lutamos ou não sobreviveremos;

– não será nenhum messiânico Salvador da Pátria quem nos guiará através do vale das sombras da morte, tampouco faremos esta travessia movidos pela paz e o amor;

– nenhuma pax nos salvará. o inimigo não admite qualquer possibilidade de conciliação. o fascismo precisa ser decapitado e suas lideranças devem ser enterradas… vivas;

– a autodefesa da comunidade e do território no qual vive (ZAD – Zona A Defender) é tarefa de seus próprios integrantes;

– déjà-vu: tudo isto já aconteceu antes. no chão deve ser novamente cavado um buraco, num ponto exato conforme indicações exatas: há um mapa do caminho;

– um museu não é o depósito de uma História fossilizada, e sim onde com orgulho estão prontas as armas para a luta;

– sem resgatar a própria memória e conquistar autonomia sobre sua própria História é impossível no presente o vôo dos Bacuraus;

– a comunidade é uma Zona Autônoma Temporária (TAZ), sua perenidade é o tempo da luta por sua permanência. nada está dado, tudo precisa ser continuamente conquistado: somos todos quilombolas;

– isto sempre acontece: os caçadores acabam se caçando entre si. a guerra de classe é também uma guerra entre frações de classe: Guerra de Famiglias;

– o joguinho tem um nome: Daesh;

– um hardware da morte processando a necropolítica do Capitalismo contemporâneo: o lucro pelo lucro, a acumulação pela acumulação, o terror pelo terror, a destruição pela destruição, a morte pela morte;

– trata-se da guerra de um mundo contra todos os demais e contra si mesmo, conforme sintetizado em seu lema macabro: “Viva la Muerte!”;

– a assim denominada “civilização” nada mais é do que esta barbárie instalada: o Capitalismo como a máquina da pulsão de morte;

– contra a extinção em curso, há um Povo: os Seres da Terra;

– para alçar vôo com os Bacuraus, é preciso estar enraizado no centro da Terra. e isto só se concretiza em comunidade, através daquele território no qual vivemos e criamos laços: com o meio ambiente e uns com os outros;

– por que lutamos? lutamos porque só assim nosotros pode estar vivo: “Muera la Muerte! Gracias a la Vida!”.

P.S. do Leo: vejam como uma interpretação política extremamente fiel ao filme mas totalmente fora da ideia de luta antimperialista e saudosismo lulopetista. Pelo contrário, não tem salvador da pátria.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bacurau: pequeno manual de voo, por Arkx</p>
<p>para os que não suportam se resignarem grudados ao chão, em face do vôo dos Bacuraus.</p>
<p>não recomendado aos que padecem de reações alérgicas frente ao mais poderoso dos psicotrópicos: a análise crítica.</p>
<p>– apesar das oscilações de linguagem e narrativa, o filme “Bacurau” enfoca um claro ponto central: acabou o amor, isto aqui virou um inferno;</p>
<p>– a lumpenburguesia brasileira, sócia minoritária dos mega interesses globais, declarou aberta a temporada de caça;</p>
<p>– nós somos a caça. e a temporada só encerra quando estivermos todos mortos;</p>
<p>– neste game viciado não tempos opção, a não ser lutar por nossas vidas. numa guerra de extermínio, ou lutamos ou não sobreviveremos;</p>
<p>– não será nenhum messiânico Salvador da Pátria quem nos guiará através do vale das sombras da morte, tampouco faremos esta travessia movidos pela paz e o amor;</p>
<p>– nenhuma pax nos salvará. o inimigo não admite qualquer possibilidade de conciliação. o fascismo precisa ser decapitado e suas lideranças devem ser enterradas… vivas;</p>
<p>– a autodefesa da comunidade e do território no qual vive (ZAD – Zona A Defender) é tarefa de seus próprios integrantes;</p>
<p>– déjà-vu: tudo isto já aconteceu antes. no chão deve ser novamente cavado um buraco, num ponto exato conforme indicações exatas: há um mapa do caminho;</p>
<p>– um museu não é o depósito de uma História fossilizada, e sim onde com orgulho estão prontas as armas para a luta;</p>
<p>– sem resgatar a própria memória e conquistar autonomia sobre sua própria História é impossível no presente o vôo dos Bacuraus;</p>
<p>– a comunidade é uma Zona Autônoma Temporária (TAZ), sua perenidade é o tempo da luta por sua permanência. nada está dado, tudo precisa ser continuamente conquistado: somos todos quilombolas;</p>
<p>– isto sempre acontece: os caçadores acabam se caçando entre si. a guerra de classe é também uma guerra entre frações de classe: Guerra de Famiglias;</p>
<p>– o joguinho tem um nome: Daesh;</p>
<p>– um hardware da morte processando a necropolítica do Capitalismo contemporâneo: o lucro pelo lucro, a acumulação pela acumulação, o terror pelo terror, a destruição pela destruição, a morte pela morte;</p>
<p>– trata-se da guerra de um mundo contra todos os demais e contra si mesmo, conforme sintetizado em seu lema macabro: “Viva la Muerte!”;</p>
<p>– a assim denominada “civilização” nada mais é do que esta barbárie instalada: o Capitalismo como a máquina da pulsão de morte;</p>
<p>– contra a extinção em curso, há um Povo: os Seres da Terra;</p>
<p>– para alçar vôo com os Bacuraus, é preciso estar enraizado no centro da Terra. e isto só se concretiza em comunidade, através daquele território no qual vivemos e criamos laços: com o meio ambiente e uns com os outros;</p>
<p>– por que lutamos? lutamos porque só assim nosotros pode estar vivo: “Muera la Muerte! Gracias a la Vida!”.</p>
<p>P.S. do Leo: vejam como uma interpretação política extremamente fiel ao filme mas totalmente fora da ideia de luta antimperialista e saudosismo lulopetista. Pelo contrário, não tem salvador da pátria.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/09/128283/#comment-478207</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Sep 2019 01:15:30 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128283#comment-478207</guid>

					<description><![CDATA[João Paulo,

Sim, uma coisa é Asterix outra coisa é Bacurau pois os contextos são diferentes. Mas há várias associações possíveis no filme com a atualidade brasileira. Algumas eu apontei em comentários anteriores. Pra pegar um exemplo que citei de filme, Mãe... Não veria muito sentido numa resenha que focasse numa crítica política ao filme pela espécie de visão de ecologia profunda contida nele. O filme é bem mais do que a visão ecológica nele (tem a crítica ao cristianismo, à perspectiva que ele apresenta de Deus, o ser egocêntrico, e muito mais). É uma obra que faz pensar, nos coloca com olhar diferente diante de velhos objetos. Bacurau em menor medida também desperta isso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Paulo,</p>
<p>Sim, uma coisa é Asterix outra coisa é Bacurau pois os contextos são diferentes. Mas há várias associações possíveis no filme com a atualidade brasileira. Algumas eu apontei em comentários anteriores. Pra pegar um exemplo que citei de filme, Mãe&#8230; Não veria muito sentido numa resenha que focasse numa crítica política ao filme pela espécie de visão de ecologia profunda contida nele. O filme é bem mais do que a visão ecológica nele (tem a crítica ao cristianismo, à perspectiva que ele apresenta de Deus, o ser egocêntrico, e muito mais). É uma obra que faz pensar, nos coloca com olhar diferente diante de velhos objetos. Bacurau em menor medida também desperta isso.</p>
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