<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Na senda de Orwell com a Catalunha em fundo	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2019/11/128883/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2019/11/128883/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Sat, 23 Nov 2019 15:29:40 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Miguel Serras Pereira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/128883/#comment-490726</link>

		<dc:creator><![CDATA[Miguel Serras Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Nov 2019 15:29:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128883#comment-490726</guid>

					<description><![CDATA[Espírita Comunista, deixando de parte outros aspectos deste seu comentário, gostaria de lhe recomendar, para o caso de ainda não a conhecer, a excelente biografia que Bernard Crick escreveu de Orwell: Bernard Crick, George Orweel: a Life (1980; edição revista e actualizada em 1992). Cito a edição inglesa, mas existem traduções noutras línguas — nomeadamente em espanhol e francês. Saudações cordiais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Espírita Comunista, deixando de parte outros aspectos deste seu comentário, gostaria de lhe recomendar, para o caso de ainda não a conhecer, a excelente biografia que Bernard Crick escreveu de Orwell: Bernard Crick, George Orweel: a Life (1980; edição revista e actualizada em 1992). Cito a edição inglesa, mas existem traduções noutras línguas — nomeadamente em espanhol e francês. Saudações cordiais.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Espírita comunista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/128883/#comment-490424</link>

		<dc:creator><![CDATA[Espírita comunista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Nov 2019 00:28:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128883#comment-490424</guid>

					<description><![CDATA[Eu aprendi que toda obra deve ser comparada com a biografia do autor. Sou muito fã do Orwell, considero ele um dos maiores, teve uma vida incrivel. Revolucionário de ação e também ótimo analista. 

Particularmente, fico sempre intrigado com pessoas que poderiam ter uma grande posição e optam pela luta social, ir contra o sistema. Mas também aprendi que sempre há alguma coisa pessoal profunda que afeta a alma dessas pessoas e as fazem desejar justiça social ao invés de ascensão pessoal. 

Fico pensando se ter crescido com um pai que vivia distante para trabalhar não foi no fundo o que deu a Orwell essa sensibilidade. 

Outra coisa que intriga nele: apesar de do ateísmo, optou por um funeral anglicano. E no seu túmulo deixou o nome de nascimento, ao invés de Orwell. 

Fiquei curioso. Quem sabe um dia eu conheça melhor a vida dele. 

Sobre os policiais, a maior parte deles passa o dia resolvendo briga de casal, de vizinhos, de escola, de bar, de transito e furtos e roubos de pobre contra pobre. O grosso das ocorrências é isso. E a verdade é que não sabemos como se comportarao num dia em que houver convulsão social de verdade. Em São Paulo você encontra muitíssimos mais casos de atrocidades cometidas por seguranças de mercado do que por policiais, embora exista sim uma minoria truculenta. Assim, não tem nada de mais que o revolucionário Orwell tenha sido da polícia. 


E tenha desejado um funeral religioso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu aprendi que toda obra deve ser comparada com a biografia do autor. Sou muito fã do Orwell, considero ele um dos maiores, teve uma vida incrivel. Revolucionário de ação e também ótimo analista. </p>
<p>Particularmente, fico sempre intrigado com pessoas que poderiam ter uma grande posição e optam pela luta social, ir contra o sistema. Mas também aprendi que sempre há alguma coisa pessoal profunda que afeta a alma dessas pessoas e as fazem desejar justiça social ao invés de ascensão pessoal. </p>
<p>Fico pensando se ter crescido com um pai que vivia distante para trabalhar não foi no fundo o que deu a Orwell essa sensibilidade. </p>
<p>Outra coisa que intriga nele: apesar de do ateísmo, optou por um funeral anglicano. E no seu túmulo deixou o nome de nascimento, ao invés de Orwell. </p>
<p>Fiquei curioso. Quem sabe um dia eu conheça melhor a vida dele. </p>
<p>Sobre os policiais, a maior parte deles passa o dia resolvendo briga de casal, de vizinhos, de escola, de bar, de transito e furtos e roubos de pobre contra pobre. O grosso das ocorrências é isso. E a verdade é que não sabemos como se comportarao num dia em que houver convulsão social de verdade. Em São Paulo você encontra muitíssimos mais casos de atrocidades cometidas por seguranças de mercado do que por policiais, embora exista sim uma minoria truculenta. Assim, não tem nada de mais que o revolucionário Orwell tenha sido da polícia. </p>
<p>E tenha desejado um funeral religioso.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Miguel Serras Pereira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/128883/#comment-490350</link>

		<dc:creator><![CDATA[Miguel Serras Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2019 21:30:33 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128883#comment-490350</guid>

					<description><![CDATA[João, assino por baixo. Sim, o que Orwell compreendeu foi que é à partir da experiência e das &quot;razões&quot; das pessoas comuns, ainda que reflectidas e elaboradas, &quot;trabalhadas&quot; e reformuladas por elas, que podemos e devemos procurar alternativas à dominação de classe. À alternativa que vislumbrava, ele chamou &quot;socialismo democrático&quot;; tu tens-lhe chamado &quot;democracia revolucionária&quot;; eu, &quot;autonomia democrática&quot; enquanto &quot;cidadania governante&quot;, etc., etc.  Estas e outras posições têm em comum uma posição distintiva fundamental: qualquer anticapitalismo não-democráticao — ou, por maioria de razão, antidemocrático — tenderá a reciclar ou reforçar o poder hierárquco do capital e do Estado (a distinção estrutural e permanente entre governantes e governados que é o traço fundamental da dominação de classe), ao mesmo tempo que mostram a inconsequência ou mistificação dos que se reivindicam da democracia sem recusar a divisão (política) do trabalho capitalista e/ou a divisão ( classista) do trabalho político própria do capitalismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João, assino por baixo. Sim, o que Orwell compreendeu foi que é à partir da experiência e das &#8220;razões&#8221; das pessoas comuns, ainda que reflectidas e elaboradas, &#8220;trabalhadas&#8221; e reformuladas por elas, que podemos e devemos procurar alternativas à dominação de classe. À alternativa que vislumbrava, ele chamou &#8220;socialismo democrático&#8221;; tu tens-lhe chamado &#8220;democracia revolucionária&#8221;; eu, &#8220;autonomia democrática&#8221; enquanto &#8220;cidadania governante&#8221;, etc., etc.  Estas e outras posições têm em comum uma posição distintiva fundamental: qualquer anticapitalismo não-democráticao — ou, por maioria de razão, antidemocrático — tenderá a reciclar ou reforçar o poder hierárquco do capital e do Estado (a distinção estrutural e permanente entre governantes e governados que é o traço fundamental da dominação de classe), ao mesmo tempo que mostram a inconsequência ou mistificação dos que se reivindicam da democracia sem recusar a divisão (política) do trabalho capitalista e/ou a divisão ( classista) do trabalho político própria do capitalismo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/128883/#comment-490255</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2019 18:02:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128883#comment-490255</guid>

					<description><![CDATA[Miguel,

Além da honestidade intelectual e da ausência de hipocrisia ideológica, outra das qualidades que aprecio em Orwell, e igualmente rara numa certa esquerda, é a sua especial preocupação com as pessoas comuns. É mais uma história de anónimos do que de celebridades que ele nos apresenta. Apesar de &lt;em&gt;1984&lt;/em&gt; se contar entre os seus livros mais lidos, nem sempre se presta atenção a um aspecto fundamental. O totalitarismo que ele descreve reina apenas, ou sobretudo, na elite dominante. Lá fora, do outro lado da fronteira social, apercebemo-nos de personagens que conseguem manter um grau de liberdade, porque se alhearam da política — daquela política — e se concentraram na vida privada. Quando Hitler considerava que «para dirigir as massas tenho de arrancá-las à apatia. As massas só se deixam conduzir quando estão fanatizadas. Apáticas e amorfas, as massas representam o maior dos perigos para qualquer comunidade política. A apatia constitui uma das formas de defesa das massas. É um refúgio provisório, um entorpecimento de forças que de súbito explodirão em acções e reacções inesperadas», e quando outro demagogo fascista, Juan Perón, dizia que «a massa mais perigosa é a massa inorgânica. A experiência moderna demonstra que as massas operárias melhor organizadas são, sem dúvida, as que podem ser dirigidas e melhor conduzidas em todos os domínios» — eles estavam a mostrar que Orwell compreendera a forma mais profunda de resistência ao fascismo, a do anonimato das pessoas comuns. Seria bom que a esquerda, aquilo que hoje resta da esquerda, o compreendesse também. Mas é pedir demais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Miguel,</p>
<p>Além da honestidade intelectual e da ausência de hipocrisia ideológica, outra das qualidades que aprecio em Orwell, e igualmente rara numa certa esquerda, é a sua especial preocupação com as pessoas comuns. É mais uma história de anónimos do que de celebridades que ele nos apresenta. Apesar de <em>1984</em> se contar entre os seus livros mais lidos, nem sempre se presta atenção a um aspecto fundamental. O totalitarismo que ele descreve reina apenas, ou sobretudo, na elite dominante. Lá fora, do outro lado da fronteira social, apercebemo-nos de personagens que conseguem manter um grau de liberdade, porque se alhearam da política — daquela política — e se concentraram na vida privada. Quando Hitler considerava que «para dirigir as massas tenho de arrancá-las à apatia. As massas só se deixam conduzir quando estão fanatizadas. Apáticas e amorfas, as massas representam o maior dos perigos para qualquer comunidade política. A apatia constitui uma das formas de defesa das massas. É um refúgio provisório, um entorpecimento de forças que de súbito explodirão em acções e reacções inesperadas», e quando outro demagogo fascista, Juan Perón, dizia que «a massa mais perigosa é a massa inorgânica. A experiência moderna demonstra que as massas operárias melhor organizadas são, sem dúvida, as que podem ser dirigidas e melhor conduzidas em todos os domínios» — eles estavam a mostrar que Orwell compreendera a forma mais profunda de resistência ao fascismo, a do anonimato das pessoas comuns. Seria bom que a esquerda, aquilo que hoje resta da esquerda, o compreendesse também. Mas é pedir demais.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Miguel Serras Pereira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/128883/#comment-490170</link>

		<dc:creator><![CDATA[Miguel Serras Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2019 11:47:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128883#comment-490170</guid>

					<description><![CDATA[João Bernardo. João, sim, é verdade que, em 1940 , e não só, há essa sombra do nacionalismo e da &quot;virilidade&quot; em Orwell. Mas nunca domina a ponto de o aproximar do fascismo, creio eu. Também no ensaio O Leão e o Unicórnio, por exemplo, Orwell tenta mostrar que a revolução na Grã-Bretanha deveria manter ou ter em conta, não talvez o &quot;espírito das leis&quot;, mas qualquer coisa que no espírito dos usos e costumes se ligava a um modo de vida, que, desligado da dominação de classe e da bota de ferro do capitalismo, teria o seu lugar no socialismo, ou, até mesmo, poderia abrir-lhe caminho. Enfim,as coisas são sempre bastante complexas, como tu próprio dizes no teu outro comentário. E Orwell, até mesmo em plena guerra, aderindo plenamente ao esforço de guerra britânico, etc., nunca deixa de sustentar posições anticoloniais, ou de defender a ideia de que, no fim da guerra, os trabalhadores deviam permanecer na posse das armas (&quot;guardá-las em casa&quot;) que lhes tinham sido postas nas mãos para efeitos de defesa nacional,  usando-as doravante contra o &quot;inimigo interno&quot; — ou de classe. 
Em suma, independentemente de uma ou outra divergência entre as nossas leituras deste ou daquele momento de Orwell, quero terminar esta resposta, citando e subscrevendo o que tu próprio escreveste, há já algum tempo, sobre ele: 
&quot;George Orwell tinha uma franqueza rara entre a esquerda militante. Dizia o que via, mesmo que isso pusesse em causa o que até então havia pensado, e enquanto outros procuraram disfarçar os seus ziguezagues políticos ao longo das décadas de 1930 e 1940, ele deixou sempre claras as suas mudanças de orientação. Caracterizava-o também um agudo poder de observação, que o elevou ao nível de alguns grandes sociólogos para quem os fundamentos do rigor científico residiam no olhar próprio, e não em inquéritos inspirados pela prospecção de mercado. A clivagem entre republicanos e fascistas era evidente. Muitíssimo menos evidente era a clivagem interna no campo republicano, opondo de um lado numerosos trabalhadores, que pretendiam converter a guerra civil numa revolução social, e do outro lado o Partido Comunista e a burocracia dos sindicatos anarquistas, para quem se tratava em primeiro lugar de impedir que a guerra civil comprometesse as instituições políticas e económicas do Estado capitalista. Conseguindo ter desde cedo uma noção clara deste dilema, Orwell pôde analisar lucidamente as peripécias da guerra civil&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo. João, sim, é verdade que, em 1940 , e não só, há essa sombra do nacionalismo e da &#8220;virilidade&#8221; em Orwell. Mas nunca domina a ponto de o aproximar do fascismo, creio eu. Também no ensaio O Leão e o Unicórnio, por exemplo, Orwell tenta mostrar que a revolução na Grã-Bretanha deveria manter ou ter em conta, não talvez o &#8220;espírito das leis&#8221;, mas qualquer coisa que no espírito dos usos e costumes se ligava a um modo de vida, que, desligado da dominação de classe e da bota de ferro do capitalismo, teria o seu lugar no socialismo, ou, até mesmo, poderia abrir-lhe caminho. Enfim,as coisas são sempre bastante complexas, como tu próprio dizes no teu outro comentário. E Orwell, até mesmo em plena guerra, aderindo plenamente ao esforço de guerra britânico, etc., nunca deixa de sustentar posições anticoloniais, ou de defender a ideia de que, no fim da guerra, os trabalhadores deviam permanecer na posse das armas (&#8220;guardá-las em casa&#8221;) que lhes tinham sido postas nas mãos para efeitos de defesa nacional,  usando-as doravante contra o &#8220;inimigo interno&#8221; — ou de classe.<br />
Em suma, independentemente de uma ou outra divergência entre as nossas leituras deste ou daquele momento de Orwell, quero terminar esta resposta, citando e subscrevendo o que tu próprio escreveste, há já algum tempo, sobre ele:<br />
&#8220;George Orwell tinha uma franqueza rara entre a esquerda militante. Dizia o que via, mesmo que isso pusesse em causa o que até então havia pensado, e enquanto outros procuraram disfarçar os seus ziguezagues políticos ao longo das décadas de 1930 e 1940, ele deixou sempre claras as suas mudanças de orientação. Caracterizava-o também um agudo poder de observação, que o elevou ao nível de alguns grandes sociólogos para quem os fundamentos do rigor científico residiam no olhar próprio, e não em inquéritos inspirados pela prospecção de mercado. A clivagem entre republicanos e fascistas era evidente. Muitíssimo menos evidente era a clivagem interna no campo republicano, opondo de um lado numerosos trabalhadores, que pretendiam converter a guerra civil numa revolução social, e do outro lado o Partido Comunista e a burocracia dos sindicatos anarquistas, para quem se tratava em primeiro lugar de impedir que a guerra civil comprometesse as instituições políticas e económicas do Estado capitalista. Conseguindo ter desde cedo uma noção clara deste dilema, Orwell pôde analisar lucidamente as peripécias da guerra civil&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/128883/#comment-490141</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2019 10:27:44 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128883#comment-490141</guid>

					<description><![CDATA[No meu comentário pretendi chamar a atenção para o perigo resultante da convergência, ou do cruzamento, das lutas sociais com os conflitos nacionais, para o risco de pensar as classes no quadro da nação. Foi por isso que evoquei aquela passagem de Orwell

Mas Orwell não foi um policial — ou polícia, como se diz em Portugal — no sentido comum do termo. Foi um funcionário da administração colonial britânica na Birmânia com funções de oficial na polícia. Mais interessante, na perspectiva que me interessou aqui considerar, é a posição adoptada por ele durante a segunda guerra mundial, sumariamente indicada na citação a que procedi. E, já agora, mais interessante ainda é o facto de filósofos, juristas e historiadores da Escola de Frankfurt, exilados nos Estados Unidos, terem colaborado durante a guerra nos serviços de análise e avaliação das informações do Office of Strategic Services, os serviços secretos dos Estados Unidos, precursor da CIA. Os relatórios que eles elaboraram encontram-se reunidos em Raffaele Laudani (org.) &lt;em&gt;Secret Reports on Nazi Germany. The Frankfurt School Contribution to the War Effort&lt;/em&gt;, Princeton, Nova Jersey e Oxford: Princeton University Press, 2013. &lt;a href=&quot;https://www.scribd.com/book/236682056/Secret-Reports-on-Nazi-Germany-The-Frankfurt-School-Contribution-to-the-War-Effort&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;O livro está disponível no Scrbd&lt;/a&gt;. Aliás, Herbert Marcuse continuou esta colaboração depois da derrota do Terceiro Reich, durante a Guerra Fria, já não no quadro da luta contra o nazismo, mas da luta contra o stalinismo.

A realidade é muito complicada, e coisas que &lt;em&gt;a posteriori&lt;/em&gt; parecem claras não o eram &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;. Como será que amanhã se verá o hoje?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No meu comentário pretendi chamar a atenção para o perigo resultante da convergência, ou do cruzamento, das lutas sociais com os conflitos nacionais, para o risco de pensar as classes no quadro da nação. Foi por isso que evoquei aquela passagem de Orwell</p>
<p>Mas Orwell não foi um policial — ou polícia, como se diz em Portugal — no sentido comum do termo. Foi um funcionário da administração colonial britânica na Birmânia com funções de oficial na polícia. Mais interessante, na perspectiva que me interessou aqui considerar, é a posição adoptada por ele durante a segunda guerra mundial, sumariamente indicada na citação a que procedi. E, já agora, mais interessante ainda é o facto de filósofos, juristas e historiadores da Escola de Frankfurt, exilados nos Estados Unidos, terem colaborado durante a guerra nos serviços de análise e avaliação das informações do Office of Strategic Services, os serviços secretos dos Estados Unidos, precursor da CIA. Os relatórios que eles elaboraram encontram-se reunidos em Raffaele Laudani (org.) <em>Secret Reports on Nazi Germany. The Frankfurt School Contribution to the War Effort</em>, Princeton, Nova Jersey e Oxford: Princeton University Press, 2013. <a href="https://www.scribd.com/book/236682056/Secret-Reports-on-Nazi-Germany-The-Frankfurt-School-Contribution-to-the-War-Effort" rel="nofollow">O livro está disponível no Scrbd</a>. Aliás, Herbert Marcuse continuou esta colaboração depois da derrota do Terceiro Reich, durante a Guerra Fria, já não no quadro da luta contra o nazismo, mas da luta contra o stalinismo.</p>
<p>A realidade é muito complicada, e coisas que <em>a posteriori</em> parecem claras não o eram <em>a priori</em>. Como será que amanhã se verá o hoje?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Espírita comunista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/128883/#comment-489873</link>

		<dc:creator><![CDATA[Espírita comunista]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Nov 2019 23:23:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128883#comment-489873</guid>

					<description><![CDATA[Um fato notável na história de Orwell é que inicialmente ele foi policial. Depois fez uma história como revolucionário.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um fato notável na história de Orwell é que inicialmente ele foi policial. Depois fez uma história como revolucionário.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/128883/#comment-489838</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Nov 2019 22:23:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=128883#comment-489838</guid>

					<description><![CDATA[Miguel,

Tinha a intenção de escrever um comentário crítico ao teu artigo, acabei por não o fazer. Mas agora, que estou mergulhado na revisão de um livro meu, deparo com uma nota de rodapé que diz o que eu desejava ter dito:

A tese que confundia a coragem política com o mito da virilidade foi persistente na esquerda, e no Outono de 1940 escreveu George Orwell em «My Country Right or Left», a propósito da atitude a tomar na guerra mundial: «São exactamente aquelas pessoas cujos corações nunca pulsaram de entusiasmo à vista de uma bandeira nacional que recuarão perante a revolução quando o momento chegar». Aliás, todo o artigo constitui uma apologia do nacionalismo enquanto mito mobilizador, num verdadeiro sentido soreliano. Este artigo vem reproduzido em George Orwell, &lt;em&gt;My Country Right or Left, and other Selected Essays and Journalism&lt;/em&gt;, Londres: The Folio Society, 1998, págs. 197-202, e a passagem citada encontra-se na pág. 202 (sub. orig.).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Miguel,</p>
<p>Tinha a intenção de escrever um comentário crítico ao teu artigo, acabei por não o fazer. Mas agora, que estou mergulhado na revisão de um livro meu, deparo com uma nota de rodapé que diz o que eu desejava ter dito:</p>
<p>A tese que confundia a coragem política com o mito da virilidade foi persistente na esquerda, e no Outono de 1940 escreveu George Orwell em «My Country Right or Left», a propósito da atitude a tomar na guerra mundial: «São exactamente aquelas pessoas cujos corações nunca pulsaram de entusiasmo à vista de uma bandeira nacional que recuarão perante a revolução quando o momento chegar». Aliás, todo o artigo constitui uma apologia do nacionalismo enquanto mito mobilizador, num verdadeiro sentido soreliano. Este artigo vem reproduzido em George Orwell, <em>My Country Right or Left, and other Selected Essays and Journalism</em>, Londres: The Folio Society, 1998, págs. 197-202, e a passagem citada encontra-se na pág. 202 (sub. orig.).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
