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	Comentários sobre: O sonho no meio do pesadelo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: j		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/129105/#comment-496404</link>

		<dc:creator><![CDATA[j]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Dec 2019 14:52:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Para quem estiver em SP, cine-debate sobre o documentário amanhã:

https://www.facebook.com/events/426765024658798/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para quem estiver em SP, cine-debate sobre o documentário amanhã:</p>
<p><a href="https://www.facebook.com/events/426765024658798/" rel="nofollow ugc">https://www.facebook.com/events/426765024658798/</a></p>
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		<item>
		<title>
		Por: Victor Hugo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/129105/#comment-495822</link>

		<dc:creator><![CDATA[Victor Hugo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2019 22:04:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aos dois que me antecedem,

O sonho é o controle do próprio tempo, a autonomia. Viver em função da necessidade da própria vida, sem precisar seguir ordens de ninguém. Só que ao se dar de forma atomizada e vinculada e metas de produtividade, se torna o próprio alimento do pesadelo. As jornadas exaustivas de trabalho são naturalizadas, as demissões são vistas como oportunidade de buscar outros caminhos (ao menos para os mais habilidosos e carismáticos, como o protagonista do filme). A rebeldia se torna fundamento e motor da ordem em seu próprio impulso. Compartilho das questões de LL. São as perguntas que devemos fazer. Outra: porque eles não parecem se preocupar com isso? Porque não há nenhuma conversa sobre o que fundamenta o poder de barganha deles? Porque aceitam as metas de produtividade colocadas como lei natural, como a chuva ou a mão de deus? Eu acho que a resposta se encontra no que de positivo consegue fantasiar, realizar e esperar nesse processo de trabalho. Não é pelo medo, pela coerção, mas pelo engajamento e pela individualização do processo de trabalho. Quis explorar como esse impulso que tem aparência positiva, emancipadora, acaba por ser mais uma corrente e das mais poderosas.

O sonho a que aludo aí é o comunismo, relações sociais de trabalho em que os produtores sejam senhores do seu próprio tempo. O que eu tento falar na resenha é que esses trabalhadores conseguiram uma espécie de pré-figuração negativa, em  que a exploração aparece como liberdade. Por que? Provavelmente deve-se encontrar na história de lutas daquela região alguma resposta. Provavelmente - se posso arriscar - trata-se de um aumento do padrão de vida para a maioria diante dos padrões anteriores... especialmente aqueles do sonho idílico do diretor do filme, de quem quase ninguém parece ter saudade.

O que me parece central dessa discussão sobre a positividade ou não - o ponto de partido do &quot;sonho&quot; - é que bases ele coloca pra uma perspectiva de revolução social. Por um lado a fragmentação e o impulso rebelde dentro da ordem pode muito bem ser a base social de um fascismo vindouro. Se Toritama for o futuro do Brasil - e não vejo motivos pra afirmar que não é - talvez tenhamos que lidar com um fascismo ascendente por estar em consonância com a atual organização do trabalho. Pra quem propõe o comunismo, a ruptura do isolamento e o respeito ao desejo de autonomia e igualdade política/jurídica do trabalhador me parecem pontos de partida interessantes para tentar construir algo no futuro com condições de disputar essa base social. Caso contrário, no melhor dos casos teremos uma corrosão profunda do que resta de coletividade organizada no Brasil e a supressão total de nossos direitos - no pior, um fascismo com altíssimo nível de engajamento de trabalhadores empenhados em se explorarem e vigilantes com as faltas, diferenças e subversões dos outros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aos dois que me antecedem,</p>
<p>O sonho é o controle do próprio tempo, a autonomia. Viver em função da necessidade da própria vida, sem precisar seguir ordens de ninguém. Só que ao se dar de forma atomizada e vinculada e metas de produtividade, se torna o próprio alimento do pesadelo. As jornadas exaustivas de trabalho são naturalizadas, as demissões são vistas como oportunidade de buscar outros caminhos (ao menos para os mais habilidosos e carismáticos, como o protagonista do filme). A rebeldia se torna fundamento e motor da ordem em seu próprio impulso. Compartilho das questões de LL. São as perguntas que devemos fazer. Outra: porque eles não parecem se preocupar com isso? Porque não há nenhuma conversa sobre o que fundamenta o poder de barganha deles? Porque aceitam as metas de produtividade colocadas como lei natural, como a chuva ou a mão de deus? Eu acho que a resposta se encontra no que de positivo consegue fantasiar, realizar e esperar nesse processo de trabalho. Não é pelo medo, pela coerção, mas pelo engajamento e pela individualização do processo de trabalho. Quis explorar como esse impulso que tem aparência positiva, emancipadora, acaba por ser mais uma corrente e das mais poderosas.</p>
<p>O sonho a que aludo aí é o comunismo, relações sociais de trabalho em que os produtores sejam senhores do seu próprio tempo. O que eu tento falar na resenha é que esses trabalhadores conseguiram uma espécie de pré-figuração negativa, em  que a exploração aparece como liberdade. Por que? Provavelmente deve-se encontrar na história de lutas daquela região alguma resposta. Provavelmente &#8211; se posso arriscar &#8211; trata-se de um aumento do padrão de vida para a maioria diante dos padrões anteriores&#8230; especialmente aqueles do sonho idílico do diretor do filme, de quem quase ninguém parece ter saudade.</p>
<p>O que me parece central dessa discussão sobre a positividade ou não &#8211; o ponto de partido do &#8220;sonho&#8221; &#8211; é que bases ele coloca pra uma perspectiva de revolução social. Por um lado a fragmentação e o impulso rebelde dentro da ordem pode muito bem ser a base social de um fascismo vindouro. Se Toritama for o futuro do Brasil &#8211; e não vejo motivos pra afirmar que não é &#8211; talvez tenhamos que lidar com um fascismo ascendente por estar em consonância com a atual organização do trabalho. Pra quem propõe o comunismo, a ruptura do isolamento e o respeito ao desejo de autonomia e igualdade política/jurídica do trabalhador me parecem pontos de partida interessantes para tentar construir algo no futuro com condições de disputar essa base social. Caso contrário, no melhor dos casos teremos uma corrosão profunda do que resta de coletividade organizada no Brasil e a supressão total de nossos direitos &#8211; no pior, um fascismo com altíssimo nível de engajamento de trabalhadores empenhados em se explorarem e vigilantes com as faltas, diferenças e subversões dos outros.</p>
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		<title>
		Por: Antonio Canellas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/129105/#comment-495766</link>

		<dc:creator><![CDATA[Antonio Canellas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2019 18:30:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não seria idealismo demais ressaltar o &quot;sonho&quot; (assim abstrato) da classe trabalhadora como o elemento mais interessante desse filme?

Creio tratar-se de um filme belo por emocionar ao mesmo tempo em que revela relações cruas. Tais relações que poderíamos discutir até a exaustão. É uma obra e arte esplendorosa que dá muito pano pra manga. 

Mas do que trata o &quot;sonho&quot;? Desejo de viver o carnaval todo mês? Trata-se da busca pelo paraíso? Ora, o sonho também pode ser aprisionador, uma vez que não liberta realmente o trabalhador da escravidão assalariada que o arrasta ao longo do ano até o suspiro desesperado em fevereiro. O sonho do carnaval ajuda a suportar a miséria da existência cotidiana. Evidentemente, todos precisam aproveitar a vida apesar do sofrimento, mas o “sonho” pouco pode contribuir para a emancipação da humanidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não seria idealismo demais ressaltar o &#8220;sonho&#8221; (assim abstrato) da classe trabalhadora como o elemento mais interessante desse filme?</p>
<p>Creio tratar-se de um filme belo por emocionar ao mesmo tempo em que revela relações cruas. Tais relações que poderíamos discutir até a exaustão. É uma obra e arte esplendorosa que dá muito pano pra manga. </p>
<p>Mas do que trata o &#8220;sonho&#8221;? Desejo de viver o carnaval todo mês? Trata-se da busca pelo paraíso? Ora, o sonho também pode ser aprisionador, uma vez que não liberta realmente o trabalhador da escravidão assalariada que o arrasta ao longo do ano até o suspiro desesperado em fevereiro. O sonho do carnaval ajuda a suportar a miséria da existência cotidiana. Evidentemente, todos precisam aproveitar a vida apesar do sofrimento, mas o “sonho” pouco pode contribuir para a emancipação da humanidade.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/11/129105/#comment-493847</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2019 19:40:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ao assistir esse filme fiquei pensando em muitas coisas. O diretor consegue transmitir na composição audiovisual angustia que ele viveu ao visitar Toritama, porém enquanto a angustia dele esta relacionada com a perda do sua memória idílica de infância, as minhas são outras. 
O pesadelo que eu assisto parece ser meu, do espectador que está atônito com a rotina de trabalho, com a reorganização da cidade, já os entrevistados relatam o pesadelo como sonho. Afirmam que possuem independência no trabalho, que trabalham o quanto quiserem, apenas ocorre de quererem trabalhar 13 horas por dia, de 6 a 7 dias por semana. 
Como se organizam esses trabalhadores? Qual espaço de mobilização existem,  a quem uma greve deles afetaria?  Não transparece no filme que se percebam como trabalhadores, mesmo em estatísticas devem estar divididos entre informais e “empreendedores”, mas de fato estão inseridos como trabalhadores em uma das mais antigas indústrias.
O filme faz bem em nos colocar perguntas, precisamos com urgência continuar formulando-as]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao assistir esse filme fiquei pensando em muitas coisas. O diretor consegue transmitir na composição audiovisual angustia que ele viveu ao visitar Toritama, porém enquanto a angustia dele esta relacionada com a perda do sua memória idílica de infância, as minhas são outras.<br />
O pesadelo que eu assisto parece ser meu, do espectador que está atônito com a rotina de trabalho, com a reorganização da cidade, já os entrevistados relatam o pesadelo como sonho. Afirmam que possuem independência no trabalho, que trabalham o quanto quiserem, apenas ocorre de quererem trabalhar 13 horas por dia, de 6 a 7 dias por semana.<br />
Como se organizam esses trabalhadores? Qual espaço de mobilização existem,  a quem uma greve deles afetaria?  Não transparece no filme que se percebam como trabalhadores, mesmo em estatísticas devem estar divididos entre informais e “empreendedores”, mas de fato estão inseridos como trabalhadores em uma das mais antigas indústrias.<br />
O filme faz bem em nos colocar perguntas, precisamos com urgência continuar formulando-as</p>
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