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	Comentários sobre: Entre ires e devires do capital pandêmico: a necessidade de um mundo sem exploração	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Maiara de Proença		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/04/131093/#comment-583779</link>

		<dc:creator><![CDATA[Maiara de Proença]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2020 20:32:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Ora, a legalização dela busca evitar o pior, que vem com a invisibilidade e menor proteção na ilegalidade. E isso vale para outras profissões também.&quot; Evitar o pior em que sentido? Sendo que os lucros dos programas vão direto para o bolso dos patrões e mulheres como a do texto continuam passando fome? Para quem vale a legalização? É para evitar o pior para quem? Não vejo outro grupo a não ser os empresários industria sexual, da pornografia, do tráfico de mulheres e crianças que terão mais liberdades para tal exploração.

&quot;Quando não de afirmações baseadas no nada, como esta&quot; Não há informações baseadas no nada, e podem ser observados para isso dados da ONU e outras instituições que elaboram diferentes dados. Talvez você seja o bot entre os comentários.

E sim, o uso das mulheres para serem empregadas domésticas é um resquício da nossa sociedade escravocrata, assim como a venda e comercialização de corpos de mulheres e crianças são resquícios, dessa sociedade e da sociedade patriarcal (ambas funcionam em conjunto) originárias da propriedade privada. &quot;A esquerda e as lutas sociais consequentes levam à ampliação de direitos das empregadas domésticas, como se deu anos atrás com a PEC das domésticas.&quot; Minha mãe é empregada doméstica, quando essa lei saiu ela perdeu o emprego pois a patroa dela não quis pagar os direitos previstos em CLT, como é o caso de muitas mães de famílias brasileiras dentre elas vizinhas e amigas da família. Hoje ela está desempregada há mais de 5 anos, recebemos auxílio da Assistência Social da cidade, pois agora com a pandemia, especialmente para as mulheres, não há trabalho. Das empresas que trabalhou, todas foram terceirizadas e não ficavam com ela por muito tempo, além de terem aplicado diferentes golpes contra a CLT para não pagarem direitos, a última empresa da qual ela fez parte foi a Ômega, na qual ela ainda espera a liberação dos direitos pela justiça. Hoje segue desempregada, até antes da pandemia fazia uma faxina de lá, outra de cá, ganhando entre 50,70 reais e vivendo com o que dá. Então, não sei até que ponto essa ampliação de direitos se mostrou real, ou se foi apenas na aparência para pessoas como o comentador acima acreditarem e darem como fato.

&quot;E vou dizer por que você nunca verá as pessoas que levantam a bandeira...&quot; Nunca diga nunca, a sociedade se transforma à todo momento, e existem sim movimentos pró-abolição dos sistemas de entrega e por melhores condições de trabalho dessas populações, muitos deles constituídos pelos próprios entregadores no último caso e outros por políticos. 

&quot;O grande problema com a prostituição para os e as abolicionistas é que se trata de SEXO&quot; Não citei em nenhum momento que o problema se trata de SEXO, e sim que a realidade material nos mostra grandes contradições quando o assunto é prostituição de mulheres. No próprio exemplo do texto, com a Jane, não se está tentando dizer que o problema é sexo, e sim dizer que essas mulheres ainda vivem em situações muito precárias, o que poderíamos considerar sub-humanas visto que passam fome mesmo que residam nos bordeis e exerçam o dito &quot;trabalho mais antigo do mundo&quot;. O que se coloca não é um problema moral, em privar o uso da sexualidade, mas sim a realidade material da nossa sociedade que é capitalista, onde o corpo e a sexualidade dessas mulheres servem para uma lógica de funcionamento do capital, no caso a industria sexual e suas ramificações.

&quot;Pelo jeito para essas feministas a essência da mulher é o sexo, e por isso deve ser mantido intocado...&quot; Isso se trata de uma má interpretação da sua parte, pois em nenhum momento foi dito que o problema é sexo, e sim a realidade material, que é perversa, e se coloca sobre essas mulheres exploradas diariamente em nosso sistema ainda patriarcal e escravista.

No mais, não irei mais responder, pois demanda o uso de tempo e tenho outras demandas para cumprir. O debate é interessante. Abraços.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Ora, a legalização dela busca evitar o pior, que vem com a invisibilidade e menor proteção na ilegalidade. E isso vale para outras profissões também.&#8221; Evitar o pior em que sentido? Sendo que os lucros dos programas vão direto para o bolso dos patrões e mulheres como a do texto continuam passando fome? Para quem vale a legalização? É para evitar o pior para quem? Não vejo outro grupo a não ser os empresários industria sexual, da pornografia, do tráfico de mulheres e crianças que terão mais liberdades para tal exploração.</p>
<p>&#8220;Quando não de afirmações baseadas no nada, como esta&#8221; Não há informações baseadas no nada, e podem ser observados para isso dados da ONU e outras instituições que elaboram diferentes dados. Talvez você seja o bot entre os comentários.</p>
<p>E sim, o uso das mulheres para serem empregadas domésticas é um resquício da nossa sociedade escravocrata, assim como a venda e comercialização de corpos de mulheres e crianças são resquícios, dessa sociedade e da sociedade patriarcal (ambas funcionam em conjunto) originárias da propriedade privada. &#8220;A esquerda e as lutas sociais consequentes levam à ampliação de direitos das empregadas domésticas, como se deu anos atrás com a PEC das domésticas.&#8221; Minha mãe é empregada doméstica, quando essa lei saiu ela perdeu o emprego pois a patroa dela não quis pagar os direitos previstos em CLT, como é o caso de muitas mães de famílias brasileiras dentre elas vizinhas e amigas da família. Hoje ela está desempregada há mais de 5 anos, recebemos auxílio da Assistência Social da cidade, pois agora com a pandemia, especialmente para as mulheres, não há trabalho. Das empresas que trabalhou, todas foram terceirizadas e não ficavam com ela por muito tempo, além de terem aplicado diferentes golpes contra a CLT para não pagarem direitos, a última empresa da qual ela fez parte foi a Ômega, na qual ela ainda espera a liberação dos direitos pela justiça. Hoje segue desempregada, até antes da pandemia fazia uma faxina de lá, outra de cá, ganhando entre 50,70 reais e vivendo com o que dá. Então, não sei até que ponto essa ampliação de direitos se mostrou real, ou se foi apenas na aparência para pessoas como o comentador acima acreditarem e darem como fato.</p>
<p>&#8220;E vou dizer por que você nunca verá as pessoas que levantam a bandeira&#8230;&#8221; Nunca diga nunca, a sociedade se transforma à todo momento, e existem sim movimentos pró-abolição dos sistemas de entrega e por melhores condições de trabalho dessas populações, muitos deles constituídos pelos próprios entregadores no último caso e outros por políticos. </p>
<p>&#8220;O grande problema com a prostituição para os e as abolicionistas é que se trata de SEXO&#8221; Não citei em nenhum momento que o problema se trata de SEXO, e sim que a realidade material nos mostra grandes contradições quando o assunto é prostituição de mulheres. No próprio exemplo do texto, com a Jane, não se está tentando dizer que o problema é sexo, e sim dizer que essas mulheres ainda vivem em situações muito precárias, o que poderíamos considerar sub-humanas visto que passam fome mesmo que residam nos bordeis e exerçam o dito &#8220;trabalho mais antigo do mundo&#8221;. O que se coloca não é um problema moral, em privar o uso da sexualidade, mas sim a realidade material da nossa sociedade que é capitalista, onde o corpo e a sexualidade dessas mulheres servem para uma lógica de funcionamento do capital, no caso a industria sexual e suas ramificações.</p>
<p>&#8220;Pelo jeito para essas feministas a essência da mulher é o sexo, e por isso deve ser mantido intocado&#8230;&#8221; Isso se trata de uma má interpretação da sua parte, pois em nenhum momento foi dito que o problema é sexo, e sim a realidade material, que é perversa, e se coloca sobre essas mulheres exploradas diariamente em nosso sistema ainda patriarcal e escravista.</p>
<p>No mais, não irei mais responder, pois demanda o uso de tempo e tenho outras demandas para cumprir. O debate é interessante. Abraços.</p>
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		Por: Uto da Vida		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/04/131093/#comment-583662</link>

		<dc:creator><![CDATA[Uto da Vida]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2020 17:33:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O comentário acima da autora não sei ao certo com quem dialoga, quando fala sobre marxismo, trabalho produtivo e a prostituição ser profissão antiga. Afinal, no meu comentário não argumentei nada sobre isso  ou com base nisso.

&quot;A legalização da prostituição se provou falha em vários países, o que não cabe a mim lista-los (pelo menos não nesse momento).&quot; Falha para que? Ora, a legalização dela busca evitar o pior, que vem com a invisibilidade e menor proteção na ilegalidade. E isso vale para  outras profissões também.

O número de falácias lógicas  no comentário é muito grande para eu me estender aqui. Quando não de afirmações baseadas no nada, como esta: &quot;é sabido que entre a população explorada sexualmente estão em sua grande maioria mulheres negras e crianças&quot;.

Aqui, a autora discute com um espantalho (falácia do espantalho): &quot;Sempre irão tentar dizer que as esquerdas radicais que defendem a abolição da exploração dessas mulheres é moralista, justificando de que é uma profissão das mais antigas ou que há suposta liberdade sexual e dos corpos. &quot;
Eu, por exemplo, não baseei meus argumentos em prostituição ser profissão antiga e muito menos em liberdade sexual da mulher. Mas parece que quem me respondeu foi um bot.

Empregadas domésticas são o resquício de sociedades escravocratas. Uma profissão com menores de idade trabalhando, com relações de trabalho precárias em geral, e para cuja atividade existem rede de tráfico de pessoas. Mas você, leitor, pode esperar sentado um discurso abolicionista dessa profissão. E ainda bem, porque é algo que não faz sentido, na medida é meio de vida de inúmeras proletárias em codições ainda consideradas aceitáveis pros nossos valores e patamares atuais. A esquerda e as lutas sociais consequentes levam à ampliação de direitos das empregadas domésticas, como se deu anos atrás com a PEC das domésticas.

E vou dizer por que você nunca verá as pessoas que levantam a bandeira da abolição do trabalho sexual levantarem da mesma forma a bandeira da abolição do trabalho doméstico ou do trabalho de entrega: porque obviamente as condições de trabalho e a precariedade da prostituição é só uma racionalização, como constatamos por comparação. O grande problema com a prostituição para os e as abolicionistas é que se trata de SEXO. Isso é que em essência diferencia esse trabalho e faz historicamente, mesmo na esquerda, o discurso abolicionista ser alimentado.

Pelo jeito para essas feministas a essência da mulher é o sexo, e por isso deve ser mantido intocado, protegido das relações mercantis ou capitalistas.. mantido na sua pureza. Amém.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O comentário acima da autora não sei ao certo com quem dialoga, quando fala sobre marxismo, trabalho produtivo e a prostituição ser profissão antiga. Afinal, no meu comentário não argumentei nada sobre isso  ou com base nisso.</p>
<p>&#8220;A legalização da prostituição se provou falha em vários países, o que não cabe a mim lista-los (pelo menos não nesse momento).&#8221; Falha para que? Ora, a legalização dela busca evitar o pior, que vem com a invisibilidade e menor proteção na ilegalidade. E isso vale para  outras profissões também.</p>
<p>O número de falácias lógicas  no comentário é muito grande para eu me estender aqui. Quando não de afirmações baseadas no nada, como esta: &#8220;é sabido que entre a população explorada sexualmente estão em sua grande maioria mulheres negras e crianças&#8221;.</p>
<p>Aqui, a autora discute com um espantalho (falácia do espantalho): &#8220;Sempre irão tentar dizer que as esquerdas radicais que defendem a abolição da exploração dessas mulheres é moralista, justificando de que é uma profissão das mais antigas ou que há suposta liberdade sexual e dos corpos. &#8221;<br />
Eu, por exemplo, não baseei meus argumentos em prostituição ser profissão antiga e muito menos em liberdade sexual da mulher. Mas parece que quem me respondeu foi um bot.</p>
<p>Empregadas domésticas são o resquício de sociedades escravocratas. Uma profissão com menores de idade trabalhando, com relações de trabalho precárias em geral, e para cuja atividade existem rede de tráfico de pessoas. Mas você, leitor, pode esperar sentado um discurso abolicionista dessa profissão. E ainda bem, porque é algo que não faz sentido, na medida é meio de vida de inúmeras proletárias em codições ainda consideradas aceitáveis pros nossos valores e patamares atuais. A esquerda e as lutas sociais consequentes levam à ampliação de direitos das empregadas domésticas, como se deu anos atrás com a PEC das domésticas.</p>
<p>E vou dizer por que você nunca verá as pessoas que levantam a bandeira da abolição do trabalho sexual levantarem da mesma forma a bandeira da abolição do trabalho doméstico ou do trabalho de entrega: porque obviamente as condições de trabalho e a precariedade da prostituição é só uma racionalização, como constatamos por comparação. O grande problema com a prostituição para os e as abolicionistas é que se trata de SEXO. Isso é que em essência diferencia esse trabalho e faz historicamente, mesmo na esquerda, o discurso abolicionista ser alimentado.</p>
<p>Pelo jeito para essas feministas a essência da mulher é o sexo, e por isso deve ser mantido intocado, protegido das relações mercantis ou capitalistas.. mantido na sua pureza. Amém.</p>
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		<title>
		Por: Maiara de Proença		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/04/131093/#comment-582936</link>

		<dc:creator><![CDATA[Maiara de Proença]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Apr 2020 15:23:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A legalização da prostituição se provou falha em vários países, o que não cabe a mim lista-los (pelo menos não nesse momento). O discurso de que a prostituição é uma forma de trabalho antiga é em si antimarxista. Se desejamos o fim das opressões e explorações de todas as classes, temos que olhar para elas, é sabido que entre a população explorada sexualmente estão em sua grande maioria mulheres negras e crianças. O discurso de que a exploração das mulheres pela prostituição é o &quot;trabalho&quot; mais antigo, e de q a defesa de sua legalização irá fazer com que essas mulheres se tornem as donas dos meios de produção ou lhes darão melhores condições de vida, é em si falho e redutor da realidade, pois uma vez imersa na vida da prostituição essas mulheres não conseguem sair dela muito fácil, vide a Jane. Friedrich Engels já comprovou muito bem a origem da propriedade privada na sociedade capitalista e suas relações intrínsecas com o consumo, venda e corpos das mulheres nesse sistema posterior a sistemas matriarcais. E para além de Engels, qualquer leitura de Marx comprova que a exploração dessas mulheres não pode ser considerada trabalho produtivo, assim como muitos conservadores de esquerda desejam apagar tais explorações dando novos nomes como &quot;trabalho sexual&quot;.

Sempre irão tentar dizer que as esquerdas radicais que defendem a abolição da exploração dessas mulheres é moralista, justificando de que é uma profissão das mais antigas ou que há suposta liberdade sexual e dos corpos. O que não passa de um conservadorismo e moralismo, uma cega visão da realidade concebida dentro de algum gabinete. Onde pretende conservar essas estratégias de dominação das classes consideradas subalternas, justificando ser uma profissão antiga e de que as esquerdas radicais estão agindo como pastores ao tentar imaginar um mundo onde não haja a exploração dos corpos dessas mulheres (ou de outros corpos) como forma da existência das mesmas.

O que estou cobrando no texto, é o uso da nossa imaginação (hoje bem condicionada) para tentar projetar um mundo sem qualquer tipo de exploração. Se isso é ser moralista e conservadora, poderia dizer o que não é? Não ser conservadora seria continuar a repetir que muitos são explorados sem ter a vontade de mudar a situação? Não ser conservadora é acreditar que pq mulheres se prostituíam elas devem dar continuidade à essa exploração por sempre ter sido assim? Não ser conservadora é não se questionar por que essa condição se coloca mais fortemente entre as mulheres, cuja 70% delas estão na linha na pobreza? Não ser conservadora é aceitar essa realidade?

E consequentemente não abordei a abolição dos sistemas de entregas, pois meu texto tomou outros rumos, mas, com certeza sou a favor da abolição dessa exploração o que deveria ter podido ser concluído sem ser necessário explanar para os quatro cantos. Tais reflexões não se encerram em um texto, elas tem sua continuidade fora dele.

Me desculpe, mas moralista e conservador é a pessoa que comentou acima, tentando transpassar uma falsa liberdade sexual e escondendo o objetivo do texto que é explanar o conservadorismo dos comentários como esse e propor uma necessidade em pensar a transformação da sociedade. Onde se esquecem as condições em que vivem essas mulheres, muitas delas já no fim da vida como a Jane e que ainda continuam em situações precárias, mesmo que esses pensamentos conservadores queiram transpassar que a vida dessas mulheres é repleta de liberdades. O que nos mostra uma confusão, pois, esses pensamentos moralistas e conservadores, mascarados críticos dos que eles consideram moralistas, tentem engaiolar a reflexão alheia pela falsa concepção de liberdade, indicando que qualquer pessoa que queira refletir sobre a transformação da sociedade por abolição de sistemas escravistas e patriarcais sejam conservadores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A legalização da prostituição se provou falha em vários países, o que não cabe a mim lista-los (pelo menos não nesse momento). O discurso de que a prostituição é uma forma de trabalho antiga é em si antimarxista. Se desejamos o fim das opressões e explorações de todas as classes, temos que olhar para elas, é sabido que entre a população explorada sexualmente estão em sua grande maioria mulheres negras e crianças. O discurso de que a exploração das mulheres pela prostituição é o &#8220;trabalho&#8221; mais antigo, e de q a defesa de sua legalização irá fazer com que essas mulheres se tornem as donas dos meios de produção ou lhes darão melhores condições de vida, é em si falho e redutor da realidade, pois uma vez imersa na vida da prostituição essas mulheres não conseguem sair dela muito fácil, vide a Jane. Friedrich Engels já comprovou muito bem a origem da propriedade privada na sociedade capitalista e suas relações intrínsecas com o consumo, venda e corpos das mulheres nesse sistema posterior a sistemas matriarcais. E para além de Engels, qualquer leitura de Marx comprova que a exploração dessas mulheres não pode ser considerada trabalho produtivo, assim como muitos conservadores de esquerda desejam apagar tais explorações dando novos nomes como &#8220;trabalho sexual&#8221;.</p>
<p>Sempre irão tentar dizer que as esquerdas radicais que defendem a abolição da exploração dessas mulheres é moralista, justificando de que é uma profissão das mais antigas ou que há suposta liberdade sexual e dos corpos. O que não passa de um conservadorismo e moralismo, uma cega visão da realidade concebida dentro de algum gabinete. Onde pretende conservar essas estratégias de dominação das classes consideradas subalternas, justificando ser uma profissão antiga e de que as esquerdas radicais estão agindo como pastores ao tentar imaginar um mundo onde não haja a exploração dos corpos dessas mulheres (ou de outros corpos) como forma da existência das mesmas.</p>
<p>O que estou cobrando no texto, é o uso da nossa imaginação (hoje bem condicionada) para tentar projetar um mundo sem qualquer tipo de exploração. Se isso é ser moralista e conservadora, poderia dizer o que não é? Não ser conservadora seria continuar a repetir que muitos são explorados sem ter a vontade de mudar a situação? Não ser conservadora é acreditar que pq mulheres se prostituíam elas devem dar continuidade à essa exploração por sempre ter sido assim? Não ser conservadora é não se questionar por que essa condição se coloca mais fortemente entre as mulheres, cuja 70% delas estão na linha na pobreza? Não ser conservadora é aceitar essa realidade?</p>
<p>E consequentemente não abordei a abolição dos sistemas de entregas, pois meu texto tomou outros rumos, mas, com certeza sou a favor da abolição dessa exploração o que deveria ter podido ser concluído sem ser necessário explanar para os quatro cantos. Tais reflexões não se encerram em um texto, elas tem sua continuidade fora dele.</p>
<p>Me desculpe, mas moralista e conservador é a pessoa que comentou acima, tentando transpassar uma falsa liberdade sexual e escondendo o objetivo do texto que é explanar o conservadorismo dos comentários como esse e propor uma necessidade em pensar a transformação da sociedade. Onde se esquecem as condições em que vivem essas mulheres, muitas delas já no fim da vida como a Jane e que ainda continuam em situações precárias, mesmo que esses pensamentos conservadores queiram transpassar que a vida dessas mulheres é repleta de liberdades. O que nos mostra uma confusão, pois, esses pensamentos moralistas e conservadores, mascarados críticos dos que eles consideram moralistas, tentem engaiolar a reflexão alheia pela falsa concepção de liberdade, indicando que qualquer pessoa que queira refletir sobre a transformação da sociedade por abolição de sistemas escravistas e patriarcais sejam conservadores.</p>
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		<title>
		Por: Uto da Vida		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/04/131093/#comment-582924</link>

		<dc:creator><![CDATA[Uto da Vida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Apr 2020 14:30:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=131093#comment-582924</guid>

					<description><![CDATA[A repetição do moralismo de cunho religioso sexual é uma constante na esquerda. Na revolução espanhola em 36, enquanto as Mujeres Libres militavam pela abolição da porostituição, as trabalhadoras sexuais tomavam e autogeriam os puteiros, se vendo como trabalhadoras.

No texto acima, não precisa nem argumentar muito. A autora expõe o seu &#039;dois pesos e duas medidas&#039;, e assim o seu moralismo sexual, ao escrever &quot;Para que mulheres como a Jane e o entregador de aplicativo...&quot;, sendo que, no entanto, apenas levanta a bandeira da abolição do trabalho sexual e não do trabalho de entregas. Por que será?

Outro lugar comum hoje em dia é afirmar que os que não são contra a abolição da prostituição defendem concepções liberais. Talvez até seja, mas quando se trata de conservadores ou reacionários com moralismo sexual racionalizado, o liberalismo é sem dúvida um avanço e um progresso. Entre o liberal e o conservador não é difícil para um progressista escolher o lado, se é essa a questão.

De todo modo, desse ponto de vista da autora, todo o movimento socialista histórico consequente foi e é liberal. Afinal, ele se baseia na luta do trabalhador, enquanto trabalhador, mesmo que tenha como horizonte a abolição do trabalho (do trabalho, não apenas da sua profissão).

Óbvio que as trabalhadoras e trabalhadores sexuais não tem escolha, não são livres. Mas assim são todos os proletários da Terra. Uns com mais liberdade de escolha do trabalho e de suas condições, outros menos. Mas todos sob o constrangimento de venderem sua força de trabalho para sobreviverem.

Me parece que quem contesta assim o que seria um liberalismo deveria ser radical. Radical significa ir à raiz da questão. E a raiz da questão é a condição social que obriga o ser humano a vender sua força de trabalho para sobreviver. Dessa necessidade ou obrigação é que na vida de cada um se apresentará as possibilidades, ou a falta delas, de escolha de venda da sua força de trabalho. O artigo em questão até aponta nesse sentido. O que o torna contraditório.

Em suma, não faz o menor sentido falar de abolição de uma profissão específica, mas sim da condição que obriga alguém a eventualmente exercer essa e qualquer outra profissão em que se esteja obrigado a vender a força de trabalho para sobreviver. E essa abolição da sua condição de proletário vai ser tarefa dos próprios trabalhadores. E dos próprios trabalhadores questionando a sua função e o objetivo da sua produção.

De pastores e pastoras o mundo já está cheio.

Isso para não tocar que quando se fala de abolição da prostituição, se está pedindo que isso se dê nas condições atuais. Trata-se de uma política com implicações práticas conhecidas. Na Suécia e em outros países da Europa, segundo a onda conservadora que atravessa também todo o espectro da esquerda, a prostituição vem sendo &quot;abolida&quot;, ou seja, ilegalizada. Ou seja, as que não tem escolha ficam mais vulneráveis e invisíveis. O discurso da abolição da prostituição tem suas consequências práticas sobre as trabalhadoras e trabalhadores sexuais: a de dificultar o trabalho e piorar as condições de trabalho. Serve apenas à consciência puritana da classe média que não precisa exercer a profissão. Que o puritanismo fique na frente do interesse concreto de uma categoria de trabalhadores, vemos a que ponto o conservadorismo de origem religiosa está presente na esquerda.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A repetição do moralismo de cunho religioso sexual é uma constante na esquerda. Na revolução espanhola em 36, enquanto as Mujeres Libres militavam pela abolição da porostituição, as trabalhadoras sexuais tomavam e autogeriam os puteiros, se vendo como trabalhadoras.</p>
<p>No texto acima, não precisa nem argumentar muito. A autora expõe o seu &#8216;dois pesos e duas medidas&#8217;, e assim o seu moralismo sexual, ao escrever &#8220;Para que mulheres como a Jane e o entregador de aplicativo&#8230;&#8221;, sendo que, no entanto, apenas levanta a bandeira da abolição do trabalho sexual e não do trabalho de entregas. Por que será?</p>
<p>Outro lugar comum hoje em dia é afirmar que os que não são contra a abolição da prostituição defendem concepções liberais. Talvez até seja, mas quando se trata de conservadores ou reacionários com moralismo sexual racionalizado, o liberalismo é sem dúvida um avanço e um progresso. Entre o liberal e o conservador não é difícil para um progressista escolher o lado, se é essa a questão.</p>
<p>De todo modo, desse ponto de vista da autora, todo o movimento socialista histórico consequente foi e é liberal. Afinal, ele se baseia na luta do trabalhador, enquanto trabalhador, mesmo que tenha como horizonte a abolição do trabalho (do trabalho, não apenas da sua profissão).</p>
<p>Óbvio que as trabalhadoras e trabalhadores sexuais não tem escolha, não são livres. Mas assim são todos os proletários da Terra. Uns com mais liberdade de escolha do trabalho e de suas condições, outros menos. Mas todos sob o constrangimento de venderem sua força de trabalho para sobreviverem.</p>
<p>Me parece que quem contesta assim o que seria um liberalismo deveria ser radical. Radical significa ir à raiz da questão. E a raiz da questão é a condição social que obriga o ser humano a vender sua força de trabalho para sobreviver. Dessa necessidade ou obrigação é que na vida de cada um se apresentará as possibilidades, ou a falta delas, de escolha de venda da sua força de trabalho. O artigo em questão até aponta nesse sentido. O que o torna contraditório.</p>
<p>Em suma, não faz o menor sentido falar de abolição de uma profissão específica, mas sim da condição que obriga alguém a eventualmente exercer essa e qualquer outra profissão em que se esteja obrigado a vender a força de trabalho para sobreviver. E essa abolição da sua condição de proletário vai ser tarefa dos próprios trabalhadores. E dos próprios trabalhadores questionando a sua função e o objetivo da sua produção.</p>
<p>De pastores e pastoras o mundo já está cheio.</p>
<p>Isso para não tocar que quando se fala de abolição da prostituição, se está pedindo que isso se dê nas condições atuais. Trata-se de uma política com implicações práticas conhecidas. Na Suécia e em outros países da Europa, segundo a onda conservadora que atravessa também todo o espectro da esquerda, a prostituição vem sendo &#8220;abolida&#8221;, ou seja, ilegalizada. Ou seja, as que não tem escolha ficam mais vulneráveis e invisíveis. O discurso da abolição da prostituição tem suas consequências práticas sobre as trabalhadoras e trabalhadores sexuais: a de dificultar o trabalho e piorar as condições de trabalho. Serve apenas à consciência puritana da classe média que não precisa exercer a profissão. Que o puritanismo fique na frente do interesse concreto de uma categoria de trabalhadores, vemos a que ponto o conservadorismo de origem religiosa está presente na esquerda.</p>
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