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	Comentários sobre: Um governo contra o governo? (2) Um movimento que “existe e não existe ao mesmo tempo”	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Hamlet tardio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/131992/#comment-615678</link>

		<dc:creator><![CDATA[Hamlet tardio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2020 02:51:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[esse &quot;ser e não ser&quot; não teria uma amplitude ainda maior que junho de 2013 e movimentos/capturas subsequentes? não se encontra sobretudo na vida cotidiana das grandes metrópoles e seus indivíduos que &quot;existem e não existem&quot; (daí também o vazio da busca do sujeito da revolução perdido...)? nesses termos, penso que &quot;a questão&quot;, junto com a necessária análise do fenômeno &quot;superestrutural&quot; instalado em brasília, poderia ser dialetizada com o debate proposto em texto recente do agamben:

&quot;Toda a subjectivação é hoje uma dessubjectivação. [...] a metrópole pode ser vista como um imenso lugar onde um grande processo de criação de subjectividade está em marcha, do qual creio que não sabemos o bastante. [...importaria identificar] o que nos processos em que o sujeito se liga a uma identidade subjectiva leva a uma modificação, a um aumento ou a uma diminuição da sua capacidade de agir. Parece-me que essa consciência está hoje muito carente e que talvez seja isso que torne os conflitos metropolitanos aos quais assistimos hoje tão opacos.&quot; [íntegra do artigo: https://www.revistapunkto.com/2017/12/metropolis-giorgio-agamben.html]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>esse &#8220;ser e não ser&#8221; não teria uma amplitude ainda maior que junho de 2013 e movimentos/capturas subsequentes? não se encontra sobretudo na vida cotidiana das grandes metrópoles e seus indivíduos que &#8220;existem e não existem&#8221; (daí também o vazio da busca do sujeito da revolução perdido&#8230;)? nesses termos, penso que &#8220;a questão&#8221;, junto com a necessária análise do fenômeno &#8220;superestrutural&#8221; instalado em brasília, poderia ser dialetizada com o debate proposto em texto recente do agamben:</p>
<p>&#8220;Toda a subjectivação é hoje uma dessubjectivação. [&#8230;] a metrópole pode ser vista como um imenso lugar onde um grande processo de criação de subjectividade está em marcha, do qual creio que não sabemos o bastante. [&#8230;importaria identificar] o que nos processos em que o sujeito se liga a uma identidade subjectiva leva a uma modificação, a um aumento ou a uma diminuição da sua capacidade de agir. Parece-me que essa consciência está hoje muito carente e que talvez seja isso que torne os conflitos metropolitanos aos quais assistimos hoje tão opacos.&#8221; [íntegra do artigo: <a href="https://www.revistapunkto.com/2017/12/metropolis-giorgio-agamben.html%5D" rel="nofollow ugc">https://www.revistapunkto.com/2017/12/metropolis-giorgio-agamben.html%5D</a></p>
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		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/131992/#comment-615403</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2020 19:23:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[LL,
É tão evidente que existem diferenças fulcrais entre o movimento bolsonarista e o Movimento Passe Livre -- a começar pelo caráter de classe -- que entendi ser desnecessário fazer tal ressalva antes de avançar para uma comparação, ainda mais num espaço tão familiarizado com o MPL como é o Passa Palavra. Entendo que a possibilidade de reconhecer paralelos possa ser perturbadora, mas repeli-los não parece o melhor caminho para uma análise crítica, nem do que foram os eventos de 2013 nem do que é essa nova direita que enfrentamos hoje.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>LL,<br />
É tão evidente que existem diferenças fulcrais entre o movimento bolsonarista e o Movimento Passe Livre &#8212; a começar pelo caráter de classe &#8212; que entendi ser desnecessário fazer tal ressalva antes de avançar para uma comparação, ainda mais num espaço tão familiarizado com o MPL como é o Passa Palavra. Entendo que a possibilidade de reconhecer paralelos possa ser perturbadora, mas repeli-los não parece o melhor caminho para uma análise crítica, nem do que foram os eventos de 2013 nem do que é essa nova direita que enfrentamos hoje.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/131992/#comment-615323</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2020 17:33:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caio,
Me parece que existe uma diferença fulcral nos debates. Quando eu falava em &quot;movimento social de espectro amplo&quot; pensava em uma ausência de base definida, mas também em um movimento que era transversal aos diferentes estratos da classe trabalhadora. Ao se retirar de cena esse elemento central, inverte-se o que pretendíamos fazer e abre-se espaço para que isso se torne uma nação em cólera.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caio,<br />
Me parece que existe uma diferença fulcral nos debates. Quando eu falava em &#8220;movimento social de espectro amplo&#8221; pensava em uma ausência de base definida, mas também em um movimento que era transversal aos diferentes estratos da classe trabalhadora. Ao se retirar de cena esse elemento central, inverte-se o que pretendíamos fazer e abre-se espaço para que isso se torne uma nação em cólera.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/131992/#comment-615284</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2020 16:27:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[«(...) o “movimento” bolsonarista, além do “núcleo duro”, existe e não existe simultaneamente, vive em estado de “superposição quântica”, e só mostrará a que veio quando agitado.»

Antes do sucesso das manifestações de 2013, o MPL era com frequência tratado com desdém por boa parte dos grupos da esquerda organizada. Não é de se espantar: apesar do M no começo de sua sigla, o MPL nunca teve a estatura dos outros &quot;Movimentos&quot; sociais. MST, MAB, MTST, MTL, etc: esses movimentos tinham bases organizadas, eles &quot;existiam&quot;. Se estivessem numa reunião e dissessem que o movimento iria compor um ato, já se poderia esperar mais do que umas bandeiras, afinal &quot;eles vão levar a base&quot;. Já o MPL podia no máximo ajudar a divulgar o ato e assim, quem sabe, atrair pessoas que talvez se interessassem pela causa a partir da sua rede de comunicação (em geral virtual, redes sociais ou, antes, o CMI). Se comparado aos outros movimentos, o MPL &quot;não existia&quot;. E, de fato, ao longo do ano, o que existia era a &quot;galera da reunião&quot;: um núcleo duro pouco regular de meia dúzia de moleques em cada cidade, fazendo atividades de agitação em terminais e formação em escolas. Quando a tarifa aumentava, o MPL (devidamente agitado) passava a existir. Para muitos militantes da política mais tradicional, esse processo era meio incompreensível, e é desse aparente mistério que se originam boa parte das mistificações sobre junho de 2013 (ao menos em São Paulo, onde o MPL cumpriu um papel preponderante). Muito se discutiu sobre o MPL ser um movimento social &quot;sem base&quot; -- ou, talvez seria mais preciso dizer: sem base organizada. Houve quem defendesse, em mais de um momento da história do movimento, que seria preciso construir uma base para o MPL, mirando de certa forma se tornar um &quot;movimento que existisse&quot; tal qual o MST. Por outro lado, estava ali também a intuição de que o movimento talvez fosse aquilo mesmo (um &quot;movimento social de espectro amplo&quot;, tentava definir um militante). Talvez essa discussão tenha sido pouco registrada justamente porque não se chegava a uma definição. Como o transporte coletivo que está sempre em fluxo, a forma organizativa realmente existente do MPL parecia meio incapturável. Numa discussão quântica sobre um outro movimento, em muito oposto àquele, talvez Manolo tenha conseguido sintetizar esse velho debate inconcluído.

E, se o espelho funcionar nas duas direções, talvez tenhamos um parâmetro para medir a ameaça real de um bolsonarismo que existe e não existe.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«(&#8230;) o “movimento” bolsonarista, além do “núcleo duro”, existe e não existe simultaneamente, vive em estado de “superposição quântica”, e só mostrará a que veio quando agitado.»</p>
<p>Antes do sucesso das manifestações de 2013, o MPL era com frequência tratado com desdém por boa parte dos grupos da esquerda organizada. Não é de se espantar: apesar do M no começo de sua sigla, o MPL nunca teve a estatura dos outros &#8220;Movimentos&#8221; sociais. MST, MAB, MTST, MTL, etc: esses movimentos tinham bases organizadas, eles &#8220;existiam&#8221;. Se estivessem numa reunião e dissessem que o movimento iria compor um ato, já se poderia esperar mais do que umas bandeiras, afinal &#8220;eles vão levar a base&#8221;. Já o MPL podia no máximo ajudar a divulgar o ato e assim, quem sabe, atrair pessoas que talvez se interessassem pela causa a partir da sua rede de comunicação (em geral virtual, redes sociais ou, antes, o CMI). Se comparado aos outros movimentos, o MPL &#8220;não existia&#8221;. E, de fato, ao longo do ano, o que existia era a &#8220;galera da reunião&#8221;: um núcleo duro pouco regular de meia dúzia de moleques em cada cidade, fazendo atividades de agitação em terminais e formação em escolas. Quando a tarifa aumentava, o MPL (devidamente agitado) passava a existir. Para muitos militantes da política mais tradicional, esse processo era meio incompreensível, e é desse aparente mistério que se originam boa parte das mistificações sobre junho de 2013 (ao menos em São Paulo, onde o MPL cumpriu um papel preponderante). Muito se discutiu sobre o MPL ser um movimento social &#8220;sem base&#8221; &#8212; ou, talvez seria mais preciso dizer: sem base organizada. Houve quem defendesse, em mais de um momento da história do movimento, que seria preciso construir uma base para o MPL, mirando de certa forma se tornar um &#8220;movimento que existisse&#8221; tal qual o MST. Por outro lado, estava ali também a intuição de que o movimento talvez fosse aquilo mesmo (um &#8220;movimento social de espectro amplo&#8221;, tentava definir um militante). Talvez essa discussão tenha sido pouco registrada justamente porque não se chegava a uma definição. Como o transporte coletivo que está sempre em fluxo, a forma organizativa realmente existente do MPL parecia meio incapturável. Numa discussão quântica sobre um outro movimento, em muito oposto àquele, talvez Manolo tenha conseguido sintetizar esse velho debate inconcluído.</p>
<p>E, se o espelho funcionar nas duas direções, talvez tenhamos um parâmetro para medir a ameaça real de um bolsonarismo que existe e não existe.</p>
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