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	Comentários sobre: A fonte da disciplina	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Primo Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/132119/#comment-623648</link>

		<dc:creator><![CDATA[Primo Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2020 19:17:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Primo, note que não falei em &quot;companheirismo&quot; e, talvez por isso, seu parêntesis terminou desviando o fio da meada. Mas a fórmula do seu primeiro parágrafo tampouco me parece de todo má, nomeando como &quot;companheirismo&quot; esse vínculo que se cria em torno dos processos de luta. Todavia ressalto o que creio ser o elemento central no enunciado: a luta, o conflito de classe. Deixado de lado, pode soar que o comunismo surge de uma roda de mate entre amigos que se querem bem (o que não é, no fim das contas, muito diferente da perspectiva daquela esquerda festiva que menciona no artigo: a revolução como uma mudança de comportamento, mais do que a luta social). No mais, pessoalmente, prefiro convidar meus amigos para uma cerveja gelada do que para um mate. Sob o risco de voltar ao graveto do &quot;substrato das culturas nacionais&quot;, a preferência talvez ajude a entender os manifestantes que corriam das bombas no centro de São Paulo e encontravam abrigo em bares que abaixavam suas portas na passagem da polícia. Entre telefonemas e SMSs para saber se todos os conhecidos estavam bem, não faltava alguém para propor um brinde entre os companheiros que ali se encontravam e que, tantas vezes, sequer se conheciam. Sem bairrismo: se um dia te visitar em Buenos Aires, de cierto que me gustaría muchíssimo compartir un mate con vos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primo, note que não falei em &#8220;companheirismo&#8221; e, talvez por isso, seu parêntesis terminou desviando o fio da meada. Mas a fórmula do seu primeiro parágrafo tampouco me parece de todo má, nomeando como &#8220;companheirismo&#8221; esse vínculo que se cria em torno dos processos de luta. Todavia ressalto o que creio ser o elemento central no enunciado: a luta, o conflito de classe. Deixado de lado, pode soar que o comunismo surge de uma roda de mate entre amigos que se querem bem (o que não é, no fim das contas, muito diferente da perspectiva daquela esquerda festiva que menciona no artigo: a revolução como uma mudança de comportamento, mais do que a luta social). No mais, pessoalmente, prefiro convidar meus amigos para uma cerveja gelada do que para um mate. Sob o risco de voltar ao graveto do &#8220;substrato das culturas nacionais&#8221;, a preferência talvez ajude a entender os manifestantes que corriam das bombas no centro de São Paulo e encontravam abrigo em bares que abaixavam suas portas na passagem da polícia. Entre telefonemas e SMSs para saber se todos os conhecidos estavam bem, não faltava alguém para propor um brinde entre os companheiros que ali se encontravam e que, tantas vezes, sequer se conheciam. Sem bairrismo: se um dia te visitar em Buenos Aires, de cierto que me gustaría muchíssimo compartir un mate con vos.</p>
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		<title>
		Por: Primo Jonas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/132119/#comment-623243</link>

		<dc:creator><![CDATA[Primo Jonas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2020 02:29:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caio,
a fórmula não me parece má. Mas acho que existe todo um mundo que está entre parêntesis nela. Afinal, como é exatamente que as situações de luta e de conflito com o capital produzem igualitarismos? Pois na minha experiência, nos processos mais combativos o que vejo é a criação de grupos com fortes vínculos de companherismo. Saber que tuas costas estão cuidadas é o que te permite avançar sem olhar tanto para trás. O igualitarismo anônimo do capital produz mercadorias força de trabalho, todas substituíveis, números de série, etc. Já o igualitarismo dos e das companheiras cria assembleias onde todos e todas tem voz e voto, onde existe a vontade de escutar o outro e encontrar o que unifica ao invés de separar-se por pequenas divergências. O capitalismo também cria alienação e individualismo. Não creio que seja o caso de transformar nossos obstáculos em virtudes.

O que me leva ao segundo ponto. O vínculo de companherismo é uma relação de reciprocidade. Eu confio em você e quero o teu bem porque sei que você também está disposto a me ajudar, a me defender. Todos os pequenos manuais de organização em lugar de trabalho falam sobre a construção da confiança entre companheiros e companheiras antes de começar uma luta aberta contra a gestão, pois se não há confiança o militante aventureiro é abandonado aos leões rapidamente. E tem todo sentido do mundo. Que tipo de pessoa estranha sai por aí fazendo lutas a esmo, sem conhecer bem as pessoas ao redor, sem esperar nada em troca? Eu acho que uma pessoa assim só pode estar realizando algum tipo de caridade, pois o que importa aí não são as pessoas, mas sim um Fim maior e transcedental, o qual as pessoas ajudadas em geral ignoram (ou pior, servem de meio). 

Enfim, não entendo a militância que menospreza o companherismo. Só posso pensar em maus exemplos, como nos aparelhos estalinistas que se consideravam agentes da história, e que por tanto cada indivíduo era facilmente substituído. Isso, claro, quando falamos dos grandes partidos históricos relevantes. Se tratando de pequenos grupúsculos contemporâneos, essa mentalidade ajuda a remover dissidentes e consolidar poderes personalistas, pois o cuidado e o respeito entre os supostamente iguais vai pra cucuia e o importante é impor a linha política correta, nem que para isso seja necessário atropelar discussões ou rebaixar o debate a um nível muito próximo das ofensas. Como poderia ser diferente?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caio,<br />
a fórmula não me parece má. Mas acho que existe todo um mundo que está entre parêntesis nela. Afinal, como é exatamente que as situações de luta e de conflito com o capital produzem igualitarismos? Pois na minha experiência, nos processos mais combativos o que vejo é a criação de grupos com fortes vínculos de companherismo. Saber que tuas costas estão cuidadas é o que te permite avançar sem olhar tanto para trás. O igualitarismo anônimo do capital produz mercadorias força de trabalho, todas substituíveis, números de série, etc. Já o igualitarismo dos e das companheiras cria assembleias onde todos e todas tem voz e voto, onde existe a vontade de escutar o outro e encontrar o que unifica ao invés de separar-se por pequenas divergências. O capitalismo também cria alienação e individualismo. Não creio que seja o caso de transformar nossos obstáculos em virtudes.</p>
<p>O que me leva ao segundo ponto. O vínculo de companherismo é uma relação de reciprocidade. Eu confio em você e quero o teu bem porque sei que você também está disposto a me ajudar, a me defender. Todos os pequenos manuais de organização em lugar de trabalho falam sobre a construção da confiança entre companheiros e companheiras antes de começar uma luta aberta contra a gestão, pois se não há confiança o militante aventureiro é abandonado aos leões rapidamente. E tem todo sentido do mundo. Que tipo de pessoa estranha sai por aí fazendo lutas a esmo, sem conhecer bem as pessoas ao redor, sem esperar nada em troca? Eu acho que uma pessoa assim só pode estar realizando algum tipo de caridade, pois o que importa aí não são as pessoas, mas sim um Fim maior e transcedental, o qual as pessoas ajudadas em geral ignoram (ou pior, servem de meio). </p>
<p>Enfim, não entendo a militância que menospreza o companherismo. Só posso pensar em maus exemplos, como nos aparelhos estalinistas que se consideravam agentes da história, e que por tanto cada indivíduo era facilmente substituído. Isso, claro, quando falamos dos grandes partidos históricos relevantes. Se tratando de pequenos grupúsculos contemporâneos, essa mentalidade ajuda a remover dissidentes e consolidar poderes personalistas, pois o cuidado e o respeito entre os supostamente iguais vai pra cucuia e o importante é impor a linha política correta, nem que para isso seja necessário atropelar discussões ou rebaixar o debate a um nível muito próximo das ofensas. Como poderia ser diferente?</p>
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		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/132119/#comment-621957</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2020 21:35:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É natural que falemos em confusões nos comentários, pois o texto tem mesmo o tom de uma divagação entre um gole de mate e outro. É gostoso e interessante acompanhar as ligações que o autor vai traçando entre pensamentos e lembranças numa visita a amigos durante um dia frio da quarentena portenha. Normal que haja alguns &quot;saltos&quot; entre um assunto e outro, conexões ou paralelos que precisariam ser melhor trabalhados para não ficarem frágeis, mas entendo que, ao apresentar um texto com a forma de um fluxo de pensamento, o Jonas deixa claro que se trata de uma reflexão ainda sendo maturada, e é generoso o gesto de colocá-las ao debate. Mas talvez essas ideias em construção tenham se encontrado com um debate que já parece bem acirrado, um clima um pouco diferente do das rodas de mate.

Compartilhando o mate, ou passando a palavra, comento alguns pontos do texto:

- Nem o papel do MPL em 2013 no Brasil se compara ao da CONAIE no Equador em 2019 (se fosse pra fazer um paralelo nas bandas de cá, eu veria na CONAIE um MST ainda radicalizado), nem o movimento de junho de 2013 foi tão diferente assim do Chile ou da França. Os coletes amarelos também tiveram na taxa ecológica sobre o preço da gasolina seus 20 centavos, e aliás o preço da gasolina foi justamente o estopim do levante de outubro no Equador. No Chile, 30 pesos eram exatamente 20 centavos. A continuidade dos protestos de gente com coletes amarelos na França ao longo de 2020, descritas por um camarada de lá como &quot;uma versão zumbi do movimento&quot;, tampouco é estranha à experiência brasileira no ano 2013-14 que antecedeu à Copa do Mundo. O que parece estar no centro da questão, em todos esses casos, é o problema da reivindicação concreta, que serve simultaneamente de fator de expansão e limitação do movimento. Para o MPL, era preciso agarrar-se aos 20 centavos; para os camaradas do jornal Jaune, era preciso não estabelecer nenhum 20 centavos. Por lados diferentes, as duas respostas estão presas ao mesmo problema, e acredito que é por aí que precisamos analisar.

- Solidariedade ou comunidade? Numa edição especial da revista Nueva Sociedad, de 2014, li um balanço do Occupy nos EUA em que o autor criticava a política pré-figurativa do movimento e suas assembleias como uma obsessão por criar &quot;comunidades&quot;. Esse cara, Samuel Farber, opunha comunidade e solidariedade, distinguindo nessas palavras sentidos que que aparecem misturados na reflexão do Jonas. O Farber opõe inclusive o comunitarismo ao socialismo. O crescimento das grandes cidades tende a dissolver as comunidades (como as comunidades rurais indígenas que dão base à CONAIE, por exemplo), mas a resposta dos revolucionários não deve ser de buscar resgatar esses laços corroídos pela metrópole (com grau de artificialidade, como se vê na política pré-figurativa dos Occupys por exemplo). Tem algo de utópico e regressivo, no sentido de idealizar um passado perdido, que me soa vão e perigoso, nisso aí. Indo um pouco além do texto do Farber (que na real nem achei tão bom), diria que o comunismo só pode ser uma perspectiva materialista hoje se aceitarmos a possibilidade de criar um movimento igualitarizante e socializante a partir as condições do anonimato da metrópole e da internet, num cenário de atomização dos trabalhadores pela dispersão da produção pós-fordista.

- Nisso chego ao debate do último parágrafo, que sintetiza um tipo de conclusão. A condição de &quot;indivíduos descoordenados e indiferentes aos demais&quot; é justamente aquela na qual os trabalhadores se encontram quando não se constituem enquanto classe -- que, no sentido político, só existe efetivamente quando está em movimento. Como constituir a classe, então? O último parágrafo aponta como resposta o &quot;cuidado que temos entre nós, companheiros e companheiras, porque nos queremos bem, nos queremos fortes para todas as nossas lutas&quot;, e vejo aí um eco daquele comunitarismo -- que, num tempo de dissolução das comunidades, dependeria então de uma bondade e vontade de cuidar do próximo. Mas num mundo da competição extrema, que tipo de &quot;iluminação&quot; além da palavra de Jesus Cristo produziria fileiras de bondosos? O que me parece mais possível é apostar que uma tendência igualitarista surja de situações em que os trabalhadores, via de regra em competição e desigualdade no mercado de trabalho, em pé de igualdade. Tais situações só podem ser situações de luta, de conflito com o capital. Quando o Jonas critica a visão da classe trabalhadora como &quot;uma abstração que só ganha uma disforme e esquálida existência quando há violência (justa) nas ruas&quot;, dou-lhe razão, mas há algum vestígio de uma verdade no fundo dessa visão: a classe trabalhadora como uma abstração que só ganha existência quando há conflito (mas não necessariamente violento, nem necessariamente nas ruas).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É natural que falemos em confusões nos comentários, pois o texto tem mesmo o tom de uma divagação entre um gole de mate e outro. É gostoso e interessante acompanhar as ligações que o autor vai traçando entre pensamentos e lembranças numa visita a amigos durante um dia frio da quarentena portenha. Normal que haja alguns &#8220;saltos&#8221; entre um assunto e outro, conexões ou paralelos que precisariam ser melhor trabalhados para não ficarem frágeis, mas entendo que, ao apresentar um texto com a forma de um fluxo de pensamento, o Jonas deixa claro que se trata de uma reflexão ainda sendo maturada, e é generoso o gesto de colocá-las ao debate. Mas talvez essas ideias em construção tenham se encontrado com um debate que já parece bem acirrado, um clima um pouco diferente do das rodas de mate.</p>
<p>Compartilhando o mate, ou passando a palavra, comento alguns pontos do texto:</p>
<p>&#8211; Nem o papel do MPL em 2013 no Brasil se compara ao da CONAIE no Equador em 2019 (se fosse pra fazer um paralelo nas bandas de cá, eu veria na CONAIE um MST ainda radicalizado), nem o movimento de junho de 2013 foi tão diferente assim do Chile ou da França. Os coletes amarelos também tiveram na taxa ecológica sobre o preço da gasolina seus 20 centavos, e aliás o preço da gasolina foi justamente o estopim do levante de outubro no Equador. No Chile, 30 pesos eram exatamente 20 centavos. A continuidade dos protestos de gente com coletes amarelos na França ao longo de 2020, descritas por um camarada de lá como &#8220;uma versão zumbi do movimento&#8221;, tampouco é estranha à experiência brasileira no ano 2013-14 que antecedeu à Copa do Mundo. O que parece estar no centro da questão, em todos esses casos, é o problema da reivindicação concreta, que serve simultaneamente de fator de expansão e limitação do movimento. Para o MPL, era preciso agarrar-se aos 20 centavos; para os camaradas do jornal Jaune, era preciso não estabelecer nenhum 20 centavos. Por lados diferentes, as duas respostas estão presas ao mesmo problema, e acredito que é por aí que precisamos analisar.</p>
<p>&#8211; Solidariedade ou comunidade? Numa edição especial da revista Nueva Sociedad, de 2014, li um balanço do Occupy nos EUA em que o autor criticava a política pré-figurativa do movimento e suas assembleias como uma obsessão por criar &#8220;comunidades&#8221;. Esse cara, Samuel Farber, opunha comunidade e solidariedade, distinguindo nessas palavras sentidos que que aparecem misturados na reflexão do Jonas. O Farber opõe inclusive o comunitarismo ao socialismo. O crescimento das grandes cidades tende a dissolver as comunidades (como as comunidades rurais indígenas que dão base à CONAIE, por exemplo), mas a resposta dos revolucionários não deve ser de buscar resgatar esses laços corroídos pela metrópole (com grau de artificialidade, como se vê na política pré-figurativa dos Occupys por exemplo). Tem algo de utópico e regressivo, no sentido de idealizar um passado perdido, que me soa vão e perigoso, nisso aí. Indo um pouco além do texto do Farber (que na real nem achei tão bom), diria que o comunismo só pode ser uma perspectiva materialista hoje se aceitarmos a possibilidade de criar um movimento igualitarizante e socializante a partir as condições do anonimato da metrópole e da internet, num cenário de atomização dos trabalhadores pela dispersão da produção pós-fordista.</p>
<p>&#8211; Nisso chego ao debate do último parágrafo, que sintetiza um tipo de conclusão. A condição de &#8220;indivíduos descoordenados e indiferentes aos demais&#8221; é justamente aquela na qual os trabalhadores se encontram quando não se constituem enquanto classe &#8212; que, no sentido político, só existe efetivamente quando está em movimento. Como constituir a classe, então? O último parágrafo aponta como resposta o &#8220;cuidado que temos entre nós, companheiros e companheiras, porque nos queremos bem, nos queremos fortes para todas as nossas lutas&#8221;, e vejo aí um eco daquele comunitarismo &#8212; que, num tempo de dissolução das comunidades, dependeria então de uma bondade e vontade de cuidar do próximo. Mas num mundo da competição extrema, que tipo de &#8220;iluminação&#8221; além da palavra de Jesus Cristo produziria fileiras de bondosos? O que me parece mais possível é apostar que uma tendência igualitarista surja de situações em que os trabalhadores, via de regra em competição e desigualdade no mercado de trabalho, em pé de igualdade. Tais situações só podem ser situações de luta, de conflito com o capital. Quando o Jonas critica a visão da classe trabalhadora como &#8220;uma abstração que só ganha uma disforme e esquálida existência quando há violência (justa) nas ruas&#8221;, dou-lhe razão, mas há algum vestígio de uma verdade no fundo dessa visão: a classe trabalhadora como uma abstração que só ganha existência quando há conflito (mas não necessariamente violento, nem necessariamente nas ruas).</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Primo Jonas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/132119/#comment-621769</link>

		<dc:creator><![CDATA[Primo Jonas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2020 15:36:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ing talvez se esqueça que no capitalismo luta também é algo capitalizável e rentável. Da venda de apetrechos para o conflito contra a polícia, da mobilização sindical para melhorar acordos entre patrões e Estado, para acabar com o racismo nos supermercados, para alçar uma classe gestora ao poder, e uma enorme lista de etcéteras.

Do exército, ao care, passando pela luta. Está tudo manchado de capitalismo. Quem serão os puros a reivindicar seus métodos como únicos?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ing talvez se esqueça que no capitalismo luta também é algo capitalizável e rentável. Da venda de apetrechos para o conflito contra a polícia, da mobilização sindical para melhorar acordos entre patrões e Estado, para acabar com o racismo nos supermercados, para alçar uma classe gestora ao poder, e uma enorme lista de etcéteras.</p>
<p>Do exército, ao care, passando pela luta. Está tudo manchado de capitalismo. Quem serão os puros a reivindicar seus métodos como únicos?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/132119/#comment-620513</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2020 14:14:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O texto trás para o concreto a reflexão sobre os trabalhadores e a disciplina que constroem entre si. Não se trata de uma filigrama de discutir o termo, ou de pensar que todos os aspectos da sociedade são pertencentes ao capitalismo,  e sim de construir relações sociais concretas entre nós.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto trás para o concreto a reflexão sobre os trabalhadores e a disciplina que constroem entre si. Não se trata de uma filigrama de discutir o termo, ou de pensar que todos os aspectos da sociedade são pertencentes ao capitalismo,  e sim de construir relações sociais concretas entre nós.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Victor Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/132119/#comment-620455</link>

		<dc:creator><![CDATA[Victor Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2020 12:23:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Texto muito bonito e muito necessário. Quanto ao comentário de Ing: me parece que ela confunde a direção da CONAIE com os laços comunitários de base mencionados por Primo Jonas. Costume estranho, esse, de confundir laço de pelego com governo, confundir decisão de patrão com reação de empregado, confundir as classes em ressentimento e confusão.  Não dá em boa coisa isso não. E se as barricadas foram limpas é porque não eram necessárias naquele momento da luta, as pessoas não são automatos, poderiam até discordar da &quot;pelegagem&quot; da CONAIE mas a revolução não estava nem está no horizonte. Limpar a própria sujeira que se faz, ao invés de apenas deixar sobrecarga de trabalho para os companheiros garis e trabalhadores da limpeza urbana, não me parece uma traição tão grande assim do &quot;princípio revolucionária&quot;. Hoje, aliás, fizeram bem, pois esse lixo seria fonte de contaminação para a pandemia. Retrospectivamente foi uma boa decisão, apesar da estética literalmente &quot;conservadora&quot;.

De qualquer forma, a chave da disciplina como cuidado - e o cuidado faz com que se saía da chave do individualismo do #FiqueEmCasa para (se ficarmos em palavras de ordem): &quot;Eles combinaram de nos matar, a gente combinou de ficar vivo&quot;. Os vivos, juntos, contra os que querem nos matar. É uma boa saída para o desespero e o isolamento. Tamo junto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto muito bonito e muito necessário. Quanto ao comentário de Ing: me parece que ela confunde a direção da CONAIE com os laços comunitários de base mencionados por Primo Jonas. Costume estranho, esse, de confundir laço de pelego com governo, confundir decisão de patrão com reação de empregado, confundir as classes em ressentimento e confusão.  Não dá em boa coisa isso não. E se as barricadas foram limpas é porque não eram necessárias naquele momento da luta, as pessoas não são automatos, poderiam até discordar da &#8220;pelegagem&#8221; da CONAIE mas a revolução não estava nem está no horizonte. Limpar a própria sujeira que se faz, ao invés de apenas deixar sobrecarga de trabalho para os companheiros garis e trabalhadores da limpeza urbana, não me parece uma traição tão grande assim do &#8220;princípio revolucionária&#8221;. Hoje, aliás, fizeram bem, pois esse lixo seria fonte de contaminação para a pandemia. Retrospectivamente foi uma boa decisão, apesar da estética literalmente &#8220;conservadora&#8221;.</p>
<p>De qualquer forma, a chave da disciplina como cuidado &#8211; e o cuidado faz com que se saía da chave do individualismo do #FiqueEmCasa para (se ficarmos em palavras de ordem): &#8220;Eles combinaram de nos matar, a gente combinou de ficar vivo&#8221;. Os vivos, juntos, contra os que querem nos matar. É uma boa saída para o desespero e o isolamento. Tamo junto.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ing		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/05/132119/#comment-620223</link>

		<dc:creator><![CDATA[ing]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2020 05:27:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=132119#comment-620223</guid>

					<description><![CDATA[Do exército ao care: estranhos caminhos da disciplina (sempre coletiva, como o processo de trabalho) no longo século XX. Mais uma volta no parafuso da dominação capitalista nas fábricas, nas ruas, nos home-offices.

Só faltou falar que, no dia seguinte ao acordo televisionado com o governo, muito disciplinadamente, a CONAIE convocou um grande mutirão cidadão para varrer das ruas de Quito qualquer vestígio das barricadas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do exército ao care: estranhos caminhos da disciplina (sempre coletiva, como o processo de trabalho) no longo século XX. Mais uma volta no parafuso da dominação capitalista nas fábricas, nas ruas, nos home-offices.</p>
<p>Só faltou falar que, no dia seguinte ao acordo televisionado com o governo, muito disciplinadamente, a CONAIE convocou um grande mutirão cidadão para varrer das ruas de Quito qualquer vestígio das barricadas&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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