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	Comentários sobre: São Marx, rogai por nós. 2) Os aceleracionistas	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132188/#comment-929676</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Mar 2024 20:07:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Rússia e China avaliam instalar usina nuclear na Lua, diz chefe de agência espacial
https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2024/03/russia-e-china-avaliam-instalar-usina-nuclear-na-lua-diz-chefe-de-agencia-espacial.shtml

Achei curioso como fatos são distintamente interpretados conforme a ideologia por detrás do rogai nosso: a notícia acima é tanto festejada como sinal de força e vitalidade do Capitalismo, em sua incessante quebra das barreiras naturais, quanto apontada como mais uma comprovação da crise estrutural, posto que o capital &quot;precisa&quot; buscar fora do planeta novas formas de valorização do valor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rússia e China avaliam instalar usina nuclear na Lua, diz chefe de agência espacial<br />
<a href="https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2024/03/russia-e-china-avaliam-instalar-usina-nuclear-na-lua-diz-chefe-de-agencia-espacial.shtml" rel="nofollow ugc">https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2024/03/russia-e-china-avaliam-instalar-usina-nuclear-na-lua-diz-chefe-de-agencia-espacial.shtml</a></p>
<p>Achei curioso como fatos são distintamente interpretados conforme a ideologia por detrás do rogai nosso: a notícia acima é tanto festejada como sinal de força e vitalidade do Capitalismo, em sua incessante quebra das barreiras naturais, quanto apontada como mais uma comprovação da crise estrutural, posto que o capital &#8220;precisa&#8221; buscar fora do planeta novas formas de valorização do valor.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Antonio de Odilon Brito		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132188/#comment-731227</link>

		<dc:creator><![CDATA[Antonio de Odilon Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Apr 2021 22:23:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caríssimos,

Esta semana recebi uma atualização no celular no aplicativo do Youtube do canal do The Economist que imediatamente me lembrou deste texto. Recomendo a todos que assistam o vídeo, que tem um título muito sugestivo e confirma uma das ideias centrais deste muito bom escrito do João Bernardo: &quot;A revolução do trabalho remoto: como acertar&quot;.

A quem interessar, segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=n2NTmmcPDHk&#038;t=1s

Um abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caríssimos,</p>
<p>Esta semana recebi uma atualização no celular no aplicativo do Youtube do canal do The Economist que imediatamente me lembrou deste texto. Recomendo a todos que assistam o vídeo, que tem um título muito sugestivo e confirma uma das ideias centrais deste muito bom escrito do João Bernardo: &#8220;A revolução do trabalho remoto: como acertar&#8221;.</p>
<p>A quem interessar, segue o link: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=n2NTmmcPDHk&#038;t=1s" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=n2NTmmcPDHk&#038;t=1s</a></p>
<p>Um abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ex devoto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132188/#comment-666922</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ex devoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2020 19:04:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João,

Eu li o interessantíssimo capítulo sobre a estética do seu Labirintos do Fascismo,  e é por aí que devemos encarar o assunto sobre o fascismo hoje me parece muito comum na esquerda. De fato, só uma crença mítica, uma fé, que pode justificar os erros e as insistências nesses erros nos assuntos teóricos. Não é a burrice, não é o simples descuido de uma leitura equivocada, é o mito do catastrastrofismo, da decadência que justifica ideias que do ponto de vista lógico e racional são inconcebíveis. Um estilo de vida relápcio e com pouco envolvimento nos assuntos teóricos, típico dos dandys boêmios, envolto a um ambiente violento(do frenezi das rodas punks e seus clubes de luta com murros e botinadas, todos disciplinadamente fardados com os seus jeans e camisas pretas camuflando e conciliamdo as classes sociais?)( O que vc trata sobre a estética fascista me fez associar ao que se chama de cultura rock n roll. Se não me engano, já vi em algum lugar vc cometar algo sobre o irracionalismo nessa cena.)
Para alguns a crise econômica é encarada como uma representação, que só pode ser  uma encenação verborrágica, um ajuntamento delirante de analogias e preconceitos, é &#039;&#039;o predomínio atribuído a forma&#039;&#039; de um mundo vazio de conteúdo.O que você fala sobre a forma me chamou muita atenção, os apocalipticos gostam dessa palavra, é forma disso, é forma daquilo, tudo muito fora da realidade. A forma que caracteriza a estética fascista seria um essencialismo do aparente?  Tudo é muito essencial, a história é fatiada, adequada e distorcida, e tudo vira reles fatos, a moda interpretativa nietzscheana. Os doutrinários do fim dos tempos me lembra a ideia de ser-para-morte heideggeriano, a finitude temporal. A arte da vida dos fascistas tem uma pulsão de morte latente. E existem muitos outros pontos por vc abordado. João, gostei muito da indicação de leitura. Vou tentar me aprofundar mais a respeito.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,</p>
<p>Eu li o interessantíssimo capítulo sobre a estética do seu Labirintos do Fascismo,  e é por aí que devemos encarar o assunto sobre o fascismo hoje me parece muito comum na esquerda. De fato, só uma crença mítica, uma fé, que pode justificar os erros e as insistências nesses erros nos assuntos teóricos. Não é a burrice, não é o simples descuido de uma leitura equivocada, é o mito do catastrastrofismo, da decadência que justifica ideias que do ponto de vista lógico e racional são inconcebíveis. Um estilo de vida relápcio e com pouco envolvimento nos assuntos teóricos, típico dos dandys boêmios, envolto a um ambiente violento(do frenezi das rodas punks e seus clubes de luta com murros e botinadas, todos disciplinadamente fardados com os seus jeans e camisas pretas camuflando e conciliamdo as classes sociais?)( O que vc trata sobre a estética fascista me fez associar ao que se chama de cultura rock n roll. Se não me engano, já vi em algum lugar vc cometar algo sobre o irracionalismo nessa cena.)<br />
Para alguns a crise econômica é encarada como uma representação, que só pode ser  uma encenação verborrágica, um ajuntamento delirante de analogias e preconceitos, é &#8221;o predomínio atribuído a forma&#8221; de um mundo vazio de conteúdo.O que você fala sobre a forma me chamou muita atenção, os apocalipticos gostam dessa palavra, é forma disso, é forma daquilo, tudo muito fora da realidade. A forma que caracteriza a estética fascista seria um essencialismo do aparente?  Tudo é muito essencial, a história é fatiada, adequada e distorcida, e tudo vira reles fatos, a moda interpretativa nietzscheana. Os doutrinários do fim dos tempos me lembra a ideia de ser-para-morte heideggeriano, a finitude temporal. A arte da vida dos fascistas tem uma pulsão de morte latente. E existem muitos outros pontos por vc abordado. João, gostei muito da indicação de leitura. Vou tentar me aprofundar mais a respeito.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Geraldo Malaquias Jr.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132188/#comment-665417</link>

		<dc:creator><![CDATA[Geraldo Malaquias Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2020 16:18:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Parabenizo pela série e pela temática. Parabenizo igualmente pelos comentários de alto nível. Heidegger é carimbo inelutável no passaporte das ideologias nazifascistas para a contemporaneidade, vai muito fácil da esquerda à direita como Carl Schmitt. Me preocupa ver nos comentários misturarem-se &quot;aesthesis&quot; e &quot;eidos&quot;, é uma confusão perigosa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parabenizo pela série e pela temática. Parabenizo igualmente pelos comentários de alto nível. Heidegger é carimbo inelutável no passaporte das ideologias nazifascistas para a contemporaneidade, vai muito fácil da esquerda à direita como Carl Schmitt. Me preocupa ver nos comentários misturarem-se &#8220;aesthesis&#8221; e &#8220;eidos&#8221;, é uma confusão perigosa.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132188/#comment-664937</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2020 13:30:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Este é o nosso bom e velho Douglas: mais feliz do que pinto no lixo.
Saúde &#038; Alegria]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este é o nosso bom e velho Douglas: mais feliz do que pinto no lixo.<br />
Saúde &amp; Alegria</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Douglas Rodrigues Barros		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132188/#comment-664716</link>

		<dc:creator><![CDATA[Douglas Rodrigues Barros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2020 16:40:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nessa belezura de texto, não sei onde mais me esbaldo. Nós comentários ou no texto mesmo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nessa belezura de texto, não sei onde mais me esbaldo. Nós comentários ou no texto mesmo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ex devoto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132188/#comment-664502</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ex devoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2020 11:07:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João,

Além de São Marx que os seus devotos viraram-o de cabeça para baixo dentro de um copo d&#039;água e o colocaram em cima da geladeira para que suas prece sejam atendidas, pervertendo-o, temos também a Nova Esquerda pós-moderna a alimentar ambos os lados. O belga Robert Steuckers é um dos ideólogos mais influentes da Nova Direita europeia, diretor da organização Synergies Européennes, é um heideggeriano contemporâneo. Em publicação na Nouvelle École-(bem soreliano)(n.37,1993), sobre o título &quot;Heidegger e Seu Tempo&quot;, ele diz: &quot;Os filósofos franceses da pós-modernidade Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Michel Foucault, Michel Onfray e muitos outros são estudados e lidos na Alemanha, Inglaterra, Itália, América... e tornam possível o aparecimento de uma revolução conservadora muito sutil... Por isso acaba sendo surpreendente que a Nova Direita não tenha mobilizado esses pensadores, todos fortemente influenciados por Heidegger, para a luta contra as ideologias dominantes...&quot; e complementa em Hagal(n.4/99, p.7) &quot;A Nova Direita se limita a criticar o caráter antiestético do american way of life, mas não estuda sistematicamente a história e as estratégias contrárias&quot; (FARÍAS, Victor - Heidegger e sua herança: o neonazismo, o neofascismo e o fundamentalismo islâmico, 2017). 
No youtube, o roqueiro conservador, Lobão, que nas rodas olavistas é conhecido como Lobostão, disse que Roberto Alvim, o parafraseador de Gobbels, era um artista influenciado por Gilles Deleuze.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,</p>
<p>Além de São Marx que os seus devotos viraram-o de cabeça para baixo dentro de um copo d&#8217;água e o colocaram em cima da geladeira para que suas prece sejam atendidas, pervertendo-o, temos também a Nova Esquerda pós-moderna a alimentar ambos os lados. O belga Robert Steuckers é um dos ideólogos mais influentes da Nova Direita europeia, diretor da organização Synergies Européennes, é um heideggeriano contemporâneo. Em publicação na Nouvelle École-(bem soreliano)(n.37,1993), sobre o título &#8220;Heidegger e Seu Tempo&#8221;, ele diz: &#8220;Os filósofos franceses da pós-modernidade Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Michel Foucault, Michel Onfray e muitos outros são estudados e lidos na Alemanha, Inglaterra, Itália, América&#8230; e tornam possível o aparecimento de uma revolução conservadora muito sutil&#8230; Por isso acaba sendo surpreendente que a Nova Direita não tenha mobilizado esses pensadores, todos fortemente influenciados por Heidegger, para a luta contra as ideologias dominantes&#8230;&#8221; e complementa em Hagal(n.4/99, p.7) &#8220;A Nova Direita se limita a criticar o caráter antiestético do american way of life, mas não estuda sistematicamente a história e as estratégias contrárias&#8221; (FARÍAS, Victor &#8211; Heidegger e sua herança: o neonazismo, o neofascismo e o fundamentalismo islâmico, 2017).<br />
No youtube, o roqueiro conservador, Lobão, que nas rodas olavistas é conhecido como Lobostão, disse que Roberto Alvim, o parafraseador de Gobbels, era um artista influenciado por Gilles Deleuze.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132188/#comment-664448</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2020 07:44:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ex-devoto,

Renan teve uma audiência colossal naquela época, como Bergson teria na geração seguinte e Sartre quando eu era jovem. Figuras que foram incontornáveis e depois ficaram praticamente esquecidas. Mas o caso de Renan é especialmente interessante porque os proto-fascistas e os fascistas o tomaram como mestre, e os anarquistas também, devido à perspectiva crítica que empregou na história das religiões. O fascismo resultou sempre de ecos da extrema-esquerda a fazerem-se ouvir na extrema-direita nacionalista, e inversamente. Ora, um dos indícios reveladores são os interesses e as leituras comuns. Mencionei o caso de Renan, cuja obra foi apreciada por fascistas e anarquistas, e de imediato me ocorre o paralelo de Haeckel, mas os exemplos não faltam. E que autores poderíamos citar, que cumpram hoje a função de acelerar a circulação ideológica entre certa extrema-direita e alguma extrema-esquerda, alimentando o fascismo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ex-devoto,</p>
<p>Renan teve uma audiência colossal naquela época, como Bergson teria na geração seguinte e Sartre quando eu era jovem. Figuras que foram incontornáveis e depois ficaram praticamente esquecidas. Mas o caso de Renan é especialmente interessante porque os proto-fascistas e os fascistas o tomaram como mestre, e os anarquistas também, devido à perspectiva crítica que empregou na história das religiões. O fascismo resultou sempre de ecos da extrema-esquerda a fazerem-se ouvir na extrema-direita nacionalista, e inversamente. Ora, um dos indícios reveladores são os interesses e as leituras comuns. Mencionei o caso de Renan, cuja obra foi apreciada por fascistas e anarquistas, e de imediato me ocorre o paralelo de Haeckel, mas os exemplos não faltam. E que autores poderíamos citar, que cumpram hoje a função de acelerar a circulação ideológica entre certa extrema-direita e alguma extrema-esquerda, alimentando o fascismo?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ex devoto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132188/#comment-664380</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ex devoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2020 21:30:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oi João,

Me interesso sim! Pelo o que entendi das suas palavras a estética  não é um bicho de sete cabeças, é a arte de se viver a vida, de contemplá-la e de transformar, é uma arte. Está nas ruas em que caminhamos, nos espaços, nas músicas que escutamos e nos ambientes em que desfrutamos e podemos ser engolidos, nas nossas escolhas, nas conduções, nos modos de... consciente, crítico e ativo ou inconscientemente passivo, estático e reacionário. Nos seus textos deverei encontrar inúmeras referências. Sorel fala muito em Renan, era uma referência para ele, uma católico conservador. Vc o conhece?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi João,</p>
<p>Me interesso sim! Pelo o que entendi das suas palavras a estética  não é um bicho de sete cabeças, é a arte de se viver a vida, de contemplá-la e de transformar, é uma arte. Está nas ruas em que caminhamos, nos espaços, nas músicas que escutamos e nos ambientes em que desfrutamos e podemos ser engolidos, nas nossas escolhas, nas conduções, nos modos de&#8230; consciente, crítico e ativo ou inconscientemente passivo, estático e reacionário. Nos seus textos deverei encontrar inúmeras referências. Sorel fala muito em Renan, era uma referência para ele, uma católico conservador. Vc o conhece?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132188/#comment-664158</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Aug 2020 16:45:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=132188#comment-664158</guid>

					<description><![CDATA[Ex-devoto,

Você está mesmo interessado na questão da estética? A estética, ao contrário do que essa gente pensa, não é algo que se possa pôr e tirar. A estética é inelutável. Repare que as sociedades humanas mais arcaicas de que encontrámos vestígios deixaram traços estéticos. Viviam no limite da sobrevivência, rodeadas por uma natureza hostil, que mal conseguiam dominar tecnicamente, no limite da fome, nas condições mais precárias, mas apesar disso encontraram tempo e forças para deixar em grutas e pedras obras artísticas.

Mas a estética é mais profunda ainda do que as obras em que se objectiva. A obra de arte é só um detalhe menor da estética. Eu defino a estética como &lt;em&gt;a maneira de&lt;/em&gt;. Tudo o que nós fazemos, fazemo-lo de certa maneira, e essa maneira é a estética. A maneira como você anda é condicionada pela sua coluna vertebral e pelo formato dos seus pés. Se você tiver a coluna torta e os pés chatos, será que você andará de certa maneira? Não. Você não poderá andar de certas maneiras, mas você terá — como qualquer outra pessoa — um quadro ilimitado de maneiras de andar. O ritmo, as oscilações do corpo, tudo isso, que está ao seu dispor, é a estética.

Quem diz que não se interessa pela estética o que na verdade está a dizer é que não é consciente da sua própria estética. É este o cerne da questão. Ou somos conscientes &lt;em&gt;da maneira como&lt;/em&gt;, ou não somos conscientes. Se não formos, então estaremos a absorver aquela estética de que a indústria cultural de massas nos rodeia. Você está permanentemente a ouvir músicas que tudo e todos se encarregam de difundir, a ver vitrines, jornais, diagramações na internet, a configuração das ruas das cidades, as pessoas tal como se vestem e se penteiam ou se despenteiam. E ou você tem disso uma consciência crítica ou não tem. Em ambos os casos, trata-se de uma relação sua com uma estética. Mas, se tiver consciência crítica, você controla essa relação. Se não a tiver, você absorve-a inconscientemente e ela passa a dominá-lo. Nesse momento você diz que não se importa com a estética, mas é o contrário que sucede, é a estética do lugar-comum que passou a dominar você.

Quando eu iniciei a minha actividade política eram os partidos comunistas que hegemonizavam a esquerda, e para eles a questão estética era muito importante. No caso do Partido Comunista português, o secretário-geral, Álvaro Cunhal, que foi uma grande figura da cultura portuguesa, era muito interessado pelas questões estéticas. Escreveu sobre história da arte e crítica de arte e ele mesmo desenhava, com qualidade, um pouco à maneira da arte flamenga da Renascença. Os desenhos que fez na prisão foram editados em livro, encontram-se facilmente na internet. Para nós, no Partido Comunista, as discussões estéticas eram tão urgentes como as discussões políticas. Foram os maoístas após 1968 quem introduziu a funesta ideia de que a estética era dispensável. Que imbecis! Foram os primeiros responsáveis pelo facto de a extrema-esquerda ter absorvido acriticamente a indústria cultural de massas. Os maoístas ficaram condenados à irrelevância, mas as piores coisas deles passaram para a geração seguinte, aquela que hoje prevalece. E entre essas piores coisas — a ignorância de que a estética é inelutável e que, ou se entende criticamente ou se absorve passivamente.

Aqueles esquerdistas que julgam desprezar a estética comportam-se como uma freira a quem você mostre uma fotografia pornográfica. Benze-se e olha para o lado. Mas a questão é que no lado para que ela olha existe estética também, tal como existe na maneira como ela olha, no gesto de cabeça, no ritmo do olhar. Não se foge da estética. A estética é a maneira como fazemos as coisas.

No final de 1965 e começo de 1966, tinha eu dezanove anos, escrevi na prisão um texto sobre pintura, que foi publicado pela primeira vez, muito tempo depois, no Passa Palavra, &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/10/115371/&quot; rel=&quot;noopener noreferrer&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;. No fundamental, esse texto marcou as minhas preocupações para o resto da vida, até hoje.

Enquanto a revolução política não se conjugar com a revolução artística, estaremos condenados à banalidade. «A banalidade é a contra-revolução», definiu Isaac Babel na juventude da Rússia soviética.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ex-devoto,</p>
<p>Você está mesmo interessado na questão da estética? A estética, ao contrário do que essa gente pensa, não é algo que se possa pôr e tirar. A estética é inelutável. Repare que as sociedades humanas mais arcaicas de que encontrámos vestígios deixaram traços estéticos. Viviam no limite da sobrevivência, rodeadas por uma natureza hostil, que mal conseguiam dominar tecnicamente, no limite da fome, nas condições mais precárias, mas apesar disso encontraram tempo e forças para deixar em grutas e pedras obras artísticas.</p>
<p>Mas a estética é mais profunda ainda do que as obras em que se objectiva. A obra de arte é só um detalhe menor da estética. Eu defino a estética como <em>a maneira de</em>. Tudo o que nós fazemos, fazemo-lo de certa maneira, e essa maneira é a estética. A maneira como você anda é condicionada pela sua coluna vertebral e pelo formato dos seus pés. Se você tiver a coluna torta e os pés chatos, será que você andará de certa maneira? Não. Você não poderá andar de certas maneiras, mas você terá — como qualquer outra pessoa — um quadro ilimitado de maneiras de andar. O ritmo, as oscilações do corpo, tudo isso, que está ao seu dispor, é a estética.</p>
<p>Quem diz que não se interessa pela estética o que na verdade está a dizer é que não é consciente da sua própria estética. É este o cerne da questão. Ou somos conscientes <em>da maneira como</em>, ou não somos conscientes. Se não formos, então estaremos a absorver aquela estética de que a indústria cultural de massas nos rodeia. Você está permanentemente a ouvir músicas que tudo e todos se encarregam de difundir, a ver vitrines, jornais, diagramações na internet, a configuração das ruas das cidades, as pessoas tal como se vestem e se penteiam ou se despenteiam. E ou você tem disso uma consciência crítica ou não tem. Em ambos os casos, trata-se de uma relação sua com uma estética. Mas, se tiver consciência crítica, você controla essa relação. Se não a tiver, você absorve-a inconscientemente e ela passa a dominá-lo. Nesse momento você diz que não se importa com a estética, mas é o contrário que sucede, é a estética do lugar-comum que passou a dominar você.</p>
<p>Quando eu iniciei a minha actividade política eram os partidos comunistas que hegemonizavam a esquerda, e para eles a questão estética era muito importante. No caso do Partido Comunista português, o secretário-geral, Álvaro Cunhal, que foi uma grande figura da cultura portuguesa, era muito interessado pelas questões estéticas. Escreveu sobre história da arte e crítica de arte e ele mesmo desenhava, com qualidade, um pouco à maneira da arte flamenga da Renascença. Os desenhos que fez na prisão foram editados em livro, encontram-se facilmente na internet. Para nós, no Partido Comunista, as discussões estéticas eram tão urgentes como as discussões políticas. Foram os maoístas após 1968 quem introduziu a funesta ideia de que a estética era dispensável. Que imbecis! Foram os primeiros responsáveis pelo facto de a extrema-esquerda ter absorvido acriticamente a indústria cultural de massas. Os maoístas ficaram condenados à irrelevância, mas as piores coisas deles passaram para a geração seguinte, aquela que hoje prevalece. E entre essas piores coisas — a ignorância de que a estética é inelutável e que, ou se entende criticamente ou se absorve passivamente.</p>
<p>Aqueles esquerdistas que julgam desprezar a estética comportam-se como uma freira a quem você mostre uma fotografia pornográfica. Benze-se e olha para o lado. Mas a questão é que no lado para que ela olha existe estética também, tal como existe na maneira como ela olha, no gesto de cabeça, no ritmo do olhar. Não se foge da estética. A estética é a maneira como fazemos as coisas.</p>
<p>No final de 1965 e começo de 1966, tinha eu dezanove anos, escrevi na prisão um texto sobre pintura, que foi publicado pela primeira vez, muito tempo depois, no Passa Palavra, <a href="https://passapalavra.info/2017/10/115371/" rel="noopener noreferrer" target="_blank">aqui</a>. No fundamental, esse texto marcou as minhas preocupações para o resto da vida, até hoje.</p>
<p>Enquanto a revolução política não se conjugar com a revolução artística, estaremos condenados à banalidade. «A banalidade é a contra-revolução», definiu Isaac Babel na juventude da Rússia soviética.</p>
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