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	Comentários sobre: Racismo: uma problemática, vários (des)entendimentos	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/07/133033/#comment-643488</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2020 15:20:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Já que foi mencionado acima o sistema de cotas e seu caráter capitalista liberal, convém conferir o pensamento de um dos principais órgãos do capitalismo liberal sobre o assunto. No artigo “The social experiment” (The Economist, 9-15 de maio de 2020, p. 20), The Economist argumenta que, para muitas pessoas nos Estados Unidos, a solução para alcançar uma maior equidade no ensino superior reduz-se às políticas de ações afirmativas, mas há alternativas menos controversas e funcionais, como o programa ASAP (Accelerated Study in Associated Programmes), que ajuda jovens de famílias pobres de Nova Iorque a obterem diplomas universitários. Segundo The Economist, um jovem pobre que termina apenas o ensino médio tem 50% de chances de continuar na pobreza na vida adulta, contra 17% entre aqueles que obtêm um diploma universitário. Os participantes do ASAP recebem um auxílio financeiro, incluindo dinheiro para livros e uma espécie de cartão de vale-transporte, e precisam reunir-se várias vezes ao mês com tutores acadêmicos e profissionais. E são monitorados para que uma eventual precarização em sua situação social seja identificada antes da evasão. O resultado tem sido uma taxa de conclusão de curso de 53%, quase o triplo da média nacional. Além disso, The Economist acrescenta que a ajuda financeira aos estudantes beneficia as universidades, aumentando sua receita. Outros programas semelhantes vêm sendo testados em Ohio e Chicago.

Por outro lado, no artigo “Slow progress” (The Economist, 6-12 de junho de 2020, p. 32), abordando a questão da violência policial contra negros, The Economist afirma que episódios recentes, geradores de grande comoção social, ocorreram em locais com um forte histórico de segregação. Com a migração em massa de negros no início do século XX, do sul rural para o norte urbano, os brancos reagiram impondo bairros segregados, impedindo uma dispersão equitativa dos negros pelas cidades. Em 1973, o índice de segregação era de 93%, caindo muito pouco em 2010, para 70%. Apesar de a segregação ter sido abolida nas instituições de ensino, foi mantida a segregação no quesito habitação; e as disparidades entre brancos e negros, de qualquer modo, tanto no quesito educação quanto no quesito habitação, persistiram. Além do mais, a desigualdade social aumentou. A taxa de pobreza entre os negros caiu de 47% para 27% entre 1970 e 2014, mas a quantidade de americanos pobres morando em áreas de pobreza concentrada, lugares onde mais de 1/5 dos moradores estão abaixo da linha da pobreza, aumentou 57%, e as crianças negras têm 7 vezes mais chances de experimentar uma situação de pobreza extrema. Assim, os negros continuam tendo piores resultados em educação, saúde e correm maior risco de encarceramento. E o número de homens negros empregados, com idade acima de 20 anos, caiu de 80%, em 1972, para 67% antes da covid-19 e 63% depois. Soma-se a isso a instabilidade dos arranjos familiares: os nascimentos fora do casamento subiram de 40% para 70% entre os negros, e 70% dos relacionamentos terminam 5 anos depois de a criança nascer. Ou seja, a segregação, a concentração espacial da pobreza, o desemprego e a instabilidade dos arranjos familiares criam, todos esses fatores juntos, sérios problemas, que repercutem no encarceramento e na violência policial.

Por fim, no artigo “The new ideology of race” (The Economist, 11-17 de junho de 2020, p. 7-8), são sugeridas políticas de enfrentamento ao racismo alternativas ao identitarismo, de um ponto de vista capitalista liberal: investir em políticas sociais baseadas na pobreza, não na cor de pele, como o programa ASAP, mencionado acima; combater a segregação nas cidades, alterando leis de zoneamento e concedendo vouchers para subsidiar aluguéis, na medida em que bairros racialmente integrados teriam escolas também integradas, resultando em mais dinheiro investido na educação de crianças negras e numa melhoria dos serviços públicos, além de uma redução da violência; bolsas de estudo e programas de aconselhamento; um benefício por filho para famílias pobres; e a ampliação do programa Earned Income Tax Credit.

Ou seja, sinteticamente, The Economist defende o combate à segregação geográfica, ao lado de políticas de combate à pobreza (desde programas de auxílio financeiro para famílias pobres até programas de inserção de jovens pobres nas universidades, que vão além do mero sistema de cotas), como as verdadeiras soluções para a diminuição da violência contra negros e para o combate ao racismo e ao encarceramento. Entretanto, por outro lado, me parece que as pessoas têm um interesse muito grande em promover o sistema de cotas como a única solução possível nos marcos de uma política capitalista liberal, quando, na verdade, existem soluções tão ou mais efetivas, que, como afirma The Economist, ficam “fora do radar”. Isso porque, creio eu, o sistema de cotas é muito mais facilmente instrumentalizado pelos identitários na perseguição do seu projeto político de renovação das elites no capitalismo. É claro que as soluções propostas por The Economist partem de uma análise circunscrita aos Estados Unidos, mas os artigos mencionados acima ajudam a refletir sobre as possibilidades de combate ao racismo nos marcos do capitalismo liberal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já que foi mencionado acima o sistema de cotas e seu caráter capitalista liberal, convém conferir o pensamento de um dos principais órgãos do capitalismo liberal sobre o assunto. No artigo “The social experiment” (The Economist, 9-15 de maio de 2020, p. 20), The Economist argumenta que, para muitas pessoas nos Estados Unidos, a solução para alcançar uma maior equidade no ensino superior reduz-se às políticas de ações afirmativas, mas há alternativas menos controversas e funcionais, como o programa ASAP (Accelerated Study in Associated Programmes), que ajuda jovens de famílias pobres de Nova Iorque a obterem diplomas universitários. Segundo The Economist, um jovem pobre que termina apenas o ensino médio tem 50% de chances de continuar na pobreza na vida adulta, contra 17% entre aqueles que obtêm um diploma universitário. Os participantes do ASAP recebem um auxílio financeiro, incluindo dinheiro para livros e uma espécie de cartão de vale-transporte, e precisam reunir-se várias vezes ao mês com tutores acadêmicos e profissionais. E são monitorados para que uma eventual precarização em sua situação social seja identificada antes da evasão. O resultado tem sido uma taxa de conclusão de curso de 53%, quase o triplo da média nacional. Além disso, The Economist acrescenta que a ajuda financeira aos estudantes beneficia as universidades, aumentando sua receita. Outros programas semelhantes vêm sendo testados em Ohio e Chicago.</p>
<p>Por outro lado, no artigo “Slow progress” (The Economist, 6-12 de junho de 2020, p. 32), abordando a questão da violência policial contra negros, The Economist afirma que episódios recentes, geradores de grande comoção social, ocorreram em locais com um forte histórico de segregação. Com a migração em massa de negros no início do século XX, do sul rural para o norte urbano, os brancos reagiram impondo bairros segregados, impedindo uma dispersão equitativa dos negros pelas cidades. Em 1973, o índice de segregação era de 93%, caindo muito pouco em 2010, para 70%. Apesar de a segregação ter sido abolida nas instituições de ensino, foi mantida a segregação no quesito habitação; e as disparidades entre brancos e negros, de qualquer modo, tanto no quesito educação quanto no quesito habitação, persistiram. Além do mais, a desigualdade social aumentou. A taxa de pobreza entre os negros caiu de 47% para 27% entre 1970 e 2014, mas a quantidade de americanos pobres morando em áreas de pobreza concentrada, lugares onde mais de 1/5 dos moradores estão abaixo da linha da pobreza, aumentou 57%, e as crianças negras têm 7 vezes mais chances de experimentar uma situação de pobreza extrema. Assim, os negros continuam tendo piores resultados em educação, saúde e correm maior risco de encarceramento. E o número de homens negros empregados, com idade acima de 20 anos, caiu de 80%, em 1972, para 67% antes da covid-19 e 63% depois. Soma-se a isso a instabilidade dos arranjos familiares: os nascimentos fora do casamento subiram de 40% para 70% entre os negros, e 70% dos relacionamentos terminam 5 anos depois de a criança nascer. Ou seja, a segregação, a concentração espacial da pobreza, o desemprego e a instabilidade dos arranjos familiares criam, todos esses fatores juntos, sérios problemas, que repercutem no encarceramento e na violência policial.</p>
<p>Por fim, no artigo “The new ideology of race” (The Economist, 11-17 de junho de 2020, p. 7-8), são sugeridas políticas de enfrentamento ao racismo alternativas ao identitarismo, de um ponto de vista capitalista liberal: investir em políticas sociais baseadas na pobreza, não na cor de pele, como o programa ASAP, mencionado acima; combater a segregação nas cidades, alterando leis de zoneamento e concedendo vouchers para subsidiar aluguéis, na medida em que bairros racialmente integrados teriam escolas também integradas, resultando em mais dinheiro investido na educação de crianças negras e numa melhoria dos serviços públicos, além de uma redução da violência; bolsas de estudo e programas de aconselhamento; um benefício por filho para famílias pobres; e a ampliação do programa Earned Income Tax Credit.</p>
<p>Ou seja, sinteticamente, The Economist defende o combate à segregação geográfica, ao lado de políticas de combate à pobreza (desde programas de auxílio financeiro para famílias pobres até programas de inserção de jovens pobres nas universidades, que vão além do mero sistema de cotas), como as verdadeiras soluções para a diminuição da violência contra negros e para o combate ao racismo e ao encarceramento. Entretanto, por outro lado, me parece que as pessoas têm um interesse muito grande em promover o sistema de cotas como a única solução possível nos marcos de uma política capitalista liberal, quando, na verdade, existem soluções tão ou mais efetivas, que, como afirma The Economist, ficam “fora do radar”. Isso porque, creio eu, o sistema de cotas é muito mais facilmente instrumentalizado pelos identitários na perseguição do seu projeto político de renovação das elites no capitalismo. É claro que as soluções propostas por The Economist partem de uma análise circunscrita aos Estados Unidos, mas os artigos mencionados acima ajudam a refletir sobre as possibilidades de combate ao racismo nos marcos do capitalismo liberal.</p>
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		<title>
		Por: João Marques		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/07/133033/#comment-642518</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Marques]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jul 2020 18:11:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Nicolas Lorca,

não receba as linhas do meu texto como certa alfinetada, seja em que sentido for. Particularmente, os seus textos, embora discorde de certos aspectos, apresenta questões relevantes, razão pela qual serviram também como fundamento para a escrita do meu presente texto. Como você se debruçou mais detidamente sobre a temática, acabou que o meu texto é, também, uma diálogo com os seus. Veja que isso é verdadeiro, pois as suas observações aqui me colocam numa certa encruzilhada, o que, de certa forma, é o que pretendi com o que escrevi.

Note que a sua primeira pergunta é exatamente o que devemos responder coletivamente, numa perspectiva anticapitalista. Todas as nossas ações perante o conflito capital - trabalho são confrontos exatamente anticapitalistas, ou existe uma certa margem na qual ganhos materiais à classe trabalhadora são necessários durante este enfrentamento? Em razão disso, sem uma resposta direta à sua pergunta, acredito sim que o enfrentamento das desigualdades materiais provocadas pelo racismo devem ser objeto da luta anticapitalista, nos limites de nossas possibilidades. E isso se articula com a sua segunda indagação.

A caça aos falsos cotistas, que é uma aberração - no modo feito atualmente, que coloca a autodeclaração do IBGE em confronto com a heteroidentificação dos comitês raciais -, justifica desconstituir o sistema de cotas, por exemplo, ainda que saibamos que essa política é liberal? Como então enfrentar a disparidade de acesso ao ensino superior entre brancos e negros, que possui reflexos na renda e melhoria das condições de vida, como apontam todos os indicadores sociais? De outro modo, por que apoiamos a luta dos trabalhadores por melhorias salariais e por condições ambientais adequadas para o exercício de suas atividades, e as divulgamos então?

Por fim, talvez pensar a identidade como algo interior às determinações materiais da vida social seja o fundamento para destituí-la como base para as políticas identitárias, fugindo das fantasmagorias das identidades fragmentadas. Em suma, o que queria apontar também é que o que transforma sujeitos em &quot;negros&quot; e &quot;brancos&quot; é uma estrutura político-econômica subjacente ao racismo e, sem enfrentá-las, a luta anticapitalista, numa sociedade como a brasileira, perde muito de suas possibilidades transformadoras.

Um forte abraço,
João Marques]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Nicolas Lorca,</p>
<p>não receba as linhas do meu texto como certa alfinetada, seja em que sentido for. Particularmente, os seus textos, embora discorde de certos aspectos, apresenta questões relevantes, razão pela qual serviram também como fundamento para a escrita do meu presente texto. Como você se debruçou mais detidamente sobre a temática, acabou que o meu texto é, também, uma diálogo com os seus. Veja que isso é verdadeiro, pois as suas observações aqui me colocam numa certa encruzilhada, o que, de certa forma, é o que pretendi com o que escrevi.</p>
<p>Note que a sua primeira pergunta é exatamente o que devemos responder coletivamente, numa perspectiva anticapitalista. Todas as nossas ações perante o conflito capital &#8211; trabalho são confrontos exatamente anticapitalistas, ou existe uma certa margem na qual ganhos materiais à classe trabalhadora são necessários durante este enfrentamento? Em razão disso, sem uma resposta direta à sua pergunta, acredito sim que o enfrentamento das desigualdades materiais provocadas pelo racismo devem ser objeto da luta anticapitalista, nos limites de nossas possibilidades. E isso se articula com a sua segunda indagação.</p>
<p>A caça aos falsos cotistas, que é uma aberração &#8211; no modo feito atualmente, que coloca a autodeclaração do IBGE em confronto com a heteroidentificação dos comitês raciais -, justifica desconstituir o sistema de cotas, por exemplo, ainda que saibamos que essa política é liberal? Como então enfrentar a disparidade de acesso ao ensino superior entre brancos e negros, que possui reflexos na renda e melhoria das condições de vida, como apontam todos os indicadores sociais? De outro modo, por que apoiamos a luta dos trabalhadores por melhorias salariais e por condições ambientais adequadas para o exercício de suas atividades, e as divulgamos então?</p>
<p>Por fim, talvez pensar a identidade como algo interior às determinações materiais da vida social seja o fundamento para destituí-la como base para as políticas identitárias, fugindo das fantasmagorias das identidades fragmentadas. Em suma, o que queria apontar também é que o que transforma sujeitos em &#8220;negros&#8221; e &#8220;brancos&#8221; é uma estrutura político-econômica subjacente ao racismo e, sem enfrentá-las, a luta anticapitalista, numa sociedade como a brasileira, perde muito de suas possibilidades transformadoras.</p>
<p>Um forte abraço,<br />
João Marques</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Nicolas Lorca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/07/133033/#comment-642134</link>

		<dc:creator><![CDATA[Nicolas Lorca]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jul 2020 23:18:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=133033#comment-642134</guid>

					<description><![CDATA[Caro, excelente texto! Embora tenha percebido uma certa alfinetada em alguns momentos, acho que suas palavras colocam pontos bastante interessantes e que poderei me aprofundar. 

No entanto, você escreve uma coisa que me deixou em dúvida. Em certa altura você pontua que &quot;Veja que o racismo, numa sociedade de base escravocrata e de capitalismo dependente, é uma manifestação concreta e medidas de enfrentamento devem ser adotadas, para mitigar os seus efeitos. Assim, enquanto a raça for um marcador relevante na sociedade brasileira, não pode ser desconsiderada tão somente pensando-se nos perigos da racialização ou de um colorismo abstrato — que existem — e, muito menos, de uma igualdade universal também abstrata. Tal preocupação não impede, paralelamente, de afastarmos os identitarismos que reforçam perspectivas coloristas e racialistas&quot;. A minha dúvida é: de que modo podemos, enquanto anticapitalistas, defender essas medidas de enfrentamento sem cair na &quot;picaretagem identitária&quot;? Para além disso, se cotas raciais podem ser consideradas como maneiras de &quot;mitigar os efeitos do racismo&quot; e que existe um discurso identitário que entrelaça esse processo, como podemos entender a caça aos falsos cotistas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro, excelente texto! Embora tenha percebido uma certa alfinetada em alguns momentos, acho que suas palavras colocam pontos bastante interessantes e que poderei me aprofundar. </p>
<p>No entanto, você escreve uma coisa que me deixou em dúvida. Em certa altura você pontua que &#8220;Veja que o racismo, numa sociedade de base escravocrata e de capitalismo dependente, é uma manifestação concreta e medidas de enfrentamento devem ser adotadas, para mitigar os seus efeitos. Assim, enquanto a raça for um marcador relevante na sociedade brasileira, não pode ser desconsiderada tão somente pensando-se nos perigos da racialização ou de um colorismo abstrato — que existem — e, muito menos, de uma igualdade universal também abstrata. Tal preocupação não impede, paralelamente, de afastarmos os identitarismos que reforçam perspectivas coloristas e racialistas&#8221;. A minha dúvida é: de que modo podemos, enquanto anticapitalistas, defender essas medidas de enfrentamento sem cair na &#8220;picaretagem identitária&#8221;? Para além disso, se cotas raciais podem ser consideradas como maneiras de &#8220;mitigar os efeitos do racismo&#8221; e que existe um discurso identitário que entrelaça esse processo, como podemos entender a caça aos falsos cotistas?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jackson		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/07/133033/#comment-642005</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jackson]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jul 2020 18:53:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=133033#comment-642005</guid>

					<description><![CDATA[poderiam escrever sobre a obra de João Marques. 
obrigado pela atenção]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>poderiam escrever sobre a obra de João Marques.<br />
obrigado pela atenção</p>
]]></content:encoded>
		
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