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	Comentários sobre: Casa Verde e Amarela, securitização e saídas da crise: no milagre da multiplicação, o direito ao endividamento	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Isadora Guerreiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/08/134088/#comment-862694</link>

		<dc:creator><![CDATA[Isadora Guerreiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Sep 2022 18:05:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Leo,

De fato, quando esse texto foi escrito a Selic estava em 2%. Atualmente, com as taxas de juros do Casa Verde e Amarela (4,25% e 4,5%) abaixo da Selic (14%), o programa voltou ter subsídio cruzado, em valor ainda maior do que no PMCMV. Mas isso é apenas para quem consegue acessar o financiamento, que envolve uma entrada e parcelas durante 35 anos. Ou seja, é um estímulo ao mercado de classe média e classe média baixa, entre 3 e 6 salários mínimos. Neste aspecto a diferença dos dois programas é muito pequena: é de quantidade de juros, não de qualidade do programa. Só um detalhe: com a crise, nem estas faixas de renda estão conseguindo pagar as parcelas, e o governo está propondo o comprometimento do FGTS futuro dos compradores para abater a quantidade de anos no financiamento. Se perderem seus empregos, mesmo assim arcam com essas parcelas maiores mensais. Um absurdo. 

Respondendo mais diretamente a sua pergunta: a principal diferença entre um programa e outro está no atendimento à faixa de renda de até 2 salários mínimos. No PMCMV, elas eram atendidas através das filas das prefeituras, pagando 5% da renda familiar mensal por 10 anos, sem entrada (valor mínimo da parcela de R$25). Ou seja, um subsídio direto de até 96% da unidade habitacional. Essa modalidade deixou de existir no Casa Verde e Amarela, e esta faixa de renda passou a contar apenas com parcos recursos para regularização fundiária (um processo cartorário, que não envolve necessariamente urbanização). Elas não são proibidas de acessar o financiamento das faixas superiores, mas simplesmente não conseguem acessar, principalmente por conta da entrada. O governo inclusive fez algumas tentativas de facilitar este acesso, fazendo parcerias com os estados, que entrariam com terra ou subsídios para diminuir a entrada. Mas ainda não temos dados para ver se isso está dando certo ou não. O Estado de São Paulo, onde há a maior fatia do déficit habitacional do país, não entrou nesta parceria, para você ter uma ideia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leo,</p>
<p>De fato, quando esse texto foi escrito a Selic estava em 2%. Atualmente, com as taxas de juros do Casa Verde e Amarela (4,25% e 4,5%) abaixo da Selic (14%), o programa voltou ter subsídio cruzado, em valor ainda maior do que no PMCMV. Mas isso é apenas para quem consegue acessar o financiamento, que envolve uma entrada e parcelas durante 35 anos. Ou seja, é um estímulo ao mercado de classe média e classe média baixa, entre 3 e 6 salários mínimos. Neste aspecto a diferença dos dois programas é muito pequena: é de quantidade de juros, não de qualidade do programa. Só um detalhe: com a crise, nem estas faixas de renda estão conseguindo pagar as parcelas, e o governo está propondo o comprometimento do FGTS futuro dos compradores para abater a quantidade de anos no financiamento. Se perderem seus empregos, mesmo assim arcam com essas parcelas maiores mensais. Um absurdo. </p>
<p>Respondendo mais diretamente a sua pergunta: a principal diferença entre um programa e outro está no atendimento à faixa de renda de até 2 salários mínimos. No PMCMV, elas eram atendidas através das filas das prefeituras, pagando 5% da renda familiar mensal por 10 anos, sem entrada (valor mínimo da parcela de R$25). Ou seja, um subsídio direto de até 96% da unidade habitacional. Essa modalidade deixou de existir no Casa Verde e Amarela, e esta faixa de renda passou a contar apenas com parcos recursos para regularização fundiária (um processo cartorário, que não envolve necessariamente urbanização). Elas não são proibidas de acessar o financiamento das faixas superiores, mas simplesmente não conseguem acessar, principalmente por conta da entrada. O governo inclusive fez algumas tentativas de facilitar este acesso, fazendo parcerias com os estados, que entrariam com terra ou subsídios para diminuir a entrada. Mas ainda não temos dados para ver se isso está dando certo ou não. O Estado de São Paulo, onde há a maior fatia do déficit habitacional do país, não entrou nesta parceria, para você ter uma ideia.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/08/134088/#comment-862676</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Sep 2022 15:06:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Estava aqui buscando um financiamento pelo Casa Verde e Amarela pra financiar um apartamento e sair do aluguel claro (rs) e notei que, com o aumento da SELIC, as taxas de juros do credito imobiliario voltaram a ser inferiores a SELIC.Acho que quando esse texto foi escrito a taxa básica de juros era de 4%, algo assim; hoje está em quase 14%.

A minha dúvida é: qual a principal diferença entre o PMCMV e o PCVA?
Seria somente esse maiir controle da Caixa que ocorria no primeiro?

Obrigado!

Suas analises são excelentes. Leio sempre]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava aqui buscando um financiamento pelo Casa Verde e Amarela pra financiar um apartamento e sair do aluguel claro (rs) e notei que, com o aumento da SELIC, as taxas de juros do credito imobiliario voltaram a ser inferiores a SELIC.Acho que quando esse texto foi escrito a taxa básica de juros era de 4%, algo assim; hoje está em quase 14%.</p>
<p>A minha dúvida é: qual a principal diferença entre o PMCMV e o PCVA?<br />
Seria somente esse maiir controle da Caixa que ocorria no primeiro?</p>
<p>Obrigado!</p>
<p>Suas analises são excelentes. Leio sempre</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/08/134088/#comment-664712</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2020 15:09:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[olá Isadora, muito bom o texto! As siglas das entidades de financiamento são realmente um labirinto, deus me livre.
O seu comentário sobre a mais-valia absoluta no âmbito da construção civil me fez lembrar de um livro que eu gostei muito, escrito e desenhado por um companheiro estadunidense quando trabalhou neste setor. Está traduzido ao espanhol também, se interessar. Recomendo muito! Abraços!
https://libcom.org/files/the-housing-monster.pdf
https://www.mediafire.com/file/k4dqb2dx1aetj7t/Elmonstruodelavivienda-lazoediciones.pdf/file]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>olá Isadora, muito bom o texto! As siglas das entidades de financiamento são realmente um labirinto, deus me livre.<br />
O seu comentário sobre a mais-valia absoluta no âmbito da construção civil me fez lembrar de um livro que eu gostei muito, escrito e desenhado por um companheiro estadunidense quando trabalhou neste setor. Está traduzido ao espanhol também, se interessar. Recomendo muito! Abraços!<br />
<a href="https://libcom.org/files/the-housing-monster.pdf" rel="nofollow ugc">https://libcom.org/files/the-housing-monster.pdf</a><br />
<a href="https://www.mediafire.com/file/k4dqb2dx1aetj7t/Elmonstruodelavivienda-lazoediciones.pdf/file" rel="nofollow ugc">https://www.mediafire.com/file/k4dqb2dx1aetj7t/Elmonstruodelavivienda-lazoediciones.pdf/file</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Isadora Guerreiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/08/134088/#comment-664345</link>

		<dc:creator><![CDATA[Isadora Guerreiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2020 18:55:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=134088#comment-664345</guid>

					<description><![CDATA[Alan,
Acredito que o vale-tudo urbanístico estaria existindo independente destes eventos. Eles sempre acontecem, e o imobiliário é recorrentemente usado como máquina de geração &quot;mágica&quot; de valor - visão que obscurece o fato de que a construção civil é um dos setores que mais emprega no país, de maneira bastante precarizada. Os canteiros de obra são ainda o lugar daquela produção mais baseada em mais-valia absoluta, que só alterou seus processos produtivos quando, depois da abertura de capital das empresas do mercado imobiliário, precisaram implantar formas de controle do trabalho mais efetivas. A implantação de tecnologia alterou muito mais o controle do trabalho do que o primitivismo do processo produtivo. Algo muito parecido com os aplicativos de entrega, cuja tecnologia mais altera o controle do trabalho do que a forma de produção, que recai à barbaridade de quilômetros rodados em bicicleta em extensão da jornada de trabalho. A produção da cidade é um grande fator contra-restante da lei tendencial da queda de lucro...

Assim, quanto mais espaço para explorar esta mão de obra, melhor - pois ela é infinita no nosso país. A regulação urbanística é o momento em que as disputas desse setor são ferozes, pois existem muitos interesses em jogo. Não é à toa que usam um momento de urgência econômica e social para &quot;passar a boiada&quot;. Isso é de praxe. O importante, neste momento específico que vivemos, é entender as particularidades dessa boiada. No RJ, claramente isso tem a ver com os negócios da milícia, altamente inseridos na produção imobiliária. Se a milícia &quot;é o Estado&quot;, como diz o José Cláudio Alves, me parece que nessas aprovações extemporâneas têm muitas mãos dela. 

Penso em escrever um pouco sobre isso logo mais. Tem a ver com o final deste artigo: o lugar das ocupações de terra neste contexto. Acredito que a possibilidade de negócio com elas cresceu muito, por conta da Lei de REURB, que agora vai ser turbinada com o Casa Verde e Amarela. Aguarde cenas dos próximos capítulos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alan,<br />
Acredito que o vale-tudo urbanístico estaria existindo independente destes eventos. Eles sempre acontecem, e o imobiliário é recorrentemente usado como máquina de geração &#8220;mágica&#8221; de valor &#8211; visão que obscurece o fato de que a construção civil é um dos setores que mais emprega no país, de maneira bastante precarizada. Os canteiros de obra são ainda o lugar daquela produção mais baseada em mais-valia absoluta, que só alterou seus processos produtivos quando, depois da abertura de capital das empresas do mercado imobiliário, precisaram implantar formas de controle do trabalho mais efetivas. A implantação de tecnologia alterou muito mais o controle do trabalho do que o primitivismo do processo produtivo. Algo muito parecido com os aplicativos de entrega, cuja tecnologia mais altera o controle do trabalho do que a forma de produção, que recai à barbaridade de quilômetros rodados em bicicleta em extensão da jornada de trabalho. A produção da cidade é um grande fator contra-restante da lei tendencial da queda de lucro&#8230;</p>
<p>Assim, quanto mais espaço para explorar esta mão de obra, melhor &#8211; pois ela é infinita no nosso país. A regulação urbanística é o momento em que as disputas desse setor são ferozes, pois existem muitos interesses em jogo. Não é à toa que usam um momento de urgência econômica e social para &#8220;passar a boiada&#8221;. Isso é de praxe. O importante, neste momento específico que vivemos, é entender as particularidades dessa boiada. No RJ, claramente isso tem a ver com os negócios da milícia, altamente inseridos na produção imobiliária. Se a milícia &#8220;é o Estado&#8221;, como diz o José Cláudio Alves, me parece que nessas aprovações extemporâneas têm muitas mãos dela. </p>
<p>Penso em escrever um pouco sobre isso logo mais. Tem a ver com o final deste artigo: o lugar das ocupações de terra neste contexto. Acredito que a possibilidade de negócio com elas cresceu muito, por conta da Lei de REURB, que agora vai ser turbinada com o Casa Verde e Amarela. Aguarde cenas dos próximos capítulos&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alan Fernandes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/08/134088/#comment-664269</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alan Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2020 13:04:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=134088#comment-664269</guid>

					<description><![CDATA[Ótima coluna, como sempre! 

Deixe-me perguntar: há alguma correlação desses eventos com o interesse de municípios em aprovar leis de &quot;vale-tudo urbanístico&quot;? Eu só li sobre o caso do Rio, onde houve grande contestação por parte de autoridades do ramo e coletivos de esquerda à &lt;a href=&quot;https://oglobo.globo.com/rio/camara-do-rio-aprova-projeto-da-lei-do-puxadinho-24555954&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener noreferrer nofollow ugc&quot;&gt;lei do puxadinho&lt;/a&gt;. A resposta parece simples, que tomaram a medida pra gerar receita a curto-prazo, mas quais seriam os impactos na dinâmica da cidade? Como responderiam os movimentos de ocupação de moradia? Estou perguntando porque não entendo nada do assunto. 

Um abraço e boa semana!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ótima coluna, como sempre! </p>
<p>Deixe-me perguntar: há alguma correlação desses eventos com o interesse de municípios em aprovar leis de &#8220;vale-tudo urbanístico&#8221;? Eu só li sobre o caso do Rio, onde houve grande contestação por parte de autoridades do ramo e coletivos de esquerda à <a href="https://oglobo.globo.com/rio/camara-do-rio-aprova-projeto-da-lei-do-puxadinho-24555954" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc">lei do puxadinho</a>. A resposta parece simples, que tomaram a medida pra gerar receita a curto-prazo, mas quais seriam os impactos na dinâmica da cidade? Como responderiam os movimentos de ocupação de moradia? Estou perguntando porque não entendo nada do assunto. </p>
<p>Um abraço e boa semana!</p>
]]></content:encoded>
		
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