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	Comentários sobre: Outra face do racismo: 4) o mito do eurocentrismo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Pe Lanza		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pe Lanza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 17:25:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Cuidado! Vão xingar muito no Twitter.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cuidado! Vão xingar muito no Twitter.</p>
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		<title>
		Por: Gio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/09/133628/#comment-1083703</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 15:01:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Debate em alta essa semana nas bolhas academicas sobre as criticas decoloniais feitas por Saflate e texto publicado na Boitempo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Debate em alta essa semana nas bolhas academicas sobre as criticas decoloniais feitas por Saflate e texto publicado na Boitempo.</p>
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		<title>
		Por: irado		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2023 13:22:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Antonio de Odilon Brito, ótimos exemplos. Quanto à descrição que você destacou, deve-se prestar atenção a um termo chave: COSMOVISÃO. Esta noção é apresentada como um conceito antropológico ultrarrelativista que se contrapõe à &quot;racionalidade ocidental&quot;, à &quot;ciência eurocentrada&quot;, ao &quot;universalismo epistemicida&quot;, entre outras expressões do irracionalismo identitário com que a agenda dessa &quot;esquerda&quot; fascistizada se constituiu. Trata-se de uma noção de &quot;cultura&quot; no sentido spengleriano, mais do que étnico, com conotações raciais. Sinônimos de cosmovisão que têm sido utilizados nessa perspectiva são &quot;cosmologia&quot; e &quot;ontologia&quot;. Toda vez que estes setores sociais lançam mão destes termos, estamos diante do pensamento requentado dos &quot;revolucionários-conservadores&quot; do início do século XX, exatamente naqueles aspectos mais apropriados pelos nazistas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antonio de Odilon Brito, ótimos exemplos. Quanto à descrição que você destacou, deve-se prestar atenção a um termo chave: COSMOVISÃO. Esta noção é apresentada como um conceito antropológico ultrarrelativista que se contrapõe à &#8220;racionalidade ocidental&#8221;, à &#8220;ciência eurocentrada&#8221;, ao &#8220;universalismo epistemicida&#8221;, entre outras expressões do irracionalismo identitário com que a agenda dessa &#8220;esquerda&#8221; fascistizada se constituiu. Trata-se de uma noção de &#8220;cultura&#8221; no sentido spengleriano, mais do que étnico, com conotações raciais. Sinônimos de cosmovisão que têm sido utilizados nessa perspectiva são &#8220;cosmologia&#8221; e &#8220;ontologia&#8221;. Toda vez que estes setores sociais lançam mão destes termos, estamos diante do pensamento requentado dos &#8220;revolucionários-conservadores&#8221; do início do século XX, exatamente naqueles aspectos mais apropriados pelos nazistas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Antonio de Odilon Brito		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/09/133628/#comment-904457</link>

		<dc:creator><![CDATA[Antonio de Odilon Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2023 02:59:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Irado, na descrição do vídeo que você mandou lê-se: &quot;[Antônio Bispo dos Santos] destaca-se por sua atuação política e militância, que estão fortemente relacionadas à sua formação quilombola, evidenciada por uma cosmovisão a partir da qual os povos constroem, em defesa de seus territórios tradicionais, símbolos, significações e modos de vida.&quot;

Curioso que alguma esquerda se sinta à vontade para fazer aliança ou dar espaço para aqueles que defendem as &quot;tradições&quot; e os &quot;modos de vida&quot; dos povos! Sugiro mais alguns aliados a esta esquerda defensora das tradições, a saber:

Estes defensores das tradições e modo de vida italianos http://www.forzanuova.eu
Estes também, pois defendem uma certa tradição muçulmana: https://en.wikipedia.org/wiki/Taliban
E por que não estes aqui também, legítimos defensores das tradições alemãs: https://en.wikipedia.org/wiki/Alternative_for_Germany

Viva o multiculturalismo!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Irado, na descrição do vídeo que você mandou lê-se: &#8220;[Antônio Bispo dos Santos] destaca-se por sua atuação política e militância, que estão fortemente relacionadas à sua formação quilombola, evidenciada por uma cosmovisão a partir da qual os povos constroem, em defesa de seus territórios tradicionais, símbolos, significações e modos de vida.&#8221;</p>
<p>Curioso que alguma esquerda se sinta à vontade para fazer aliança ou dar espaço para aqueles que defendem as &#8220;tradições&#8221; e os &#8220;modos de vida&#8221; dos povos! Sugiro mais alguns aliados a esta esquerda defensora das tradições, a saber:</p>
<p>Estes defensores das tradições e modo de vida italianos <a href="http://www.forzanuova.eu" rel="nofollow ugc">http://www.forzanuova.eu</a><br />
Estes também, pois defendem uma certa tradição muçulmana: <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Taliban" rel="nofollow ugc">https://en.wikipedia.org/wiki/Taliban</a><br />
E por que não estes aqui também, legítimos defensores das tradições alemãs: <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Alternative_for_Germany" rel="nofollow ugc">https://en.wikipedia.org/wiki/Alternative_for_Germany</a></p>
<p>Viva o multiculturalismo!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/09/133628/#comment-904253</link>

		<dc:creator><![CDATA[Irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Sep 2023 13:42:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mais um discurso de Antônio Bispo dos Santos, agora direto da USP, o &quot;ninho do colonialismo&quot;, a convite da própria &quot;esquerda&quot; uspiana...

https://www.instagram.com/reel/Cw7zU11uqPv/?igshid=YTUzYTFiZDMwYg==]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um discurso de Antônio Bispo dos Santos, agora direto da USP, o &#8220;ninho do colonialismo&#8221;, a convite da própria &#8220;esquerda&#8221; uspiana&#8230;</p>
<p><a href="https://www.instagram.com/reel/Cw7zU11uqPv/?igshid=YTUzYTFiZDMwYg==" rel="nofollow ugc">https://www.instagram.com/reel/Cw7zU11uqPv/?igshid=YTUzYTFiZDMwYg==</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/09/133628/#comment-895240</link>

		<dc:creator><![CDATA[Irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jun 2023 12:17:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[https://www.instagram.com/reel/Ct5B_umL7xA/?igshid=MjAxZDBhZDhlNA==

Imperdível...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.instagram.com/reel/Ct5B_umL7xA/?igshid=MjAxZDBhZDhlNA==" rel="nofollow ugc">https://www.instagram.com/reel/Ct5B_umL7xA/?igshid=MjAxZDBhZDhlNA==</a></p>
<p>Imperdível&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/09/133628/#comment-894699</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jun 2023 14:57:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dante e Aníbal,

Se é certo que toda a estética tem uma versão &lt;em&gt;kitsch&lt;/em&gt;, agora na estética — ou inestética — do discurso universitário o &lt;em&gt;kitsch&lt;/em&gt; prolifera. O conceito de &lt;em&gt;epistemicídio&lt;/em&gt; merece figurar na frente da galeria. Que palavra!

As questões que me colocaram são certamente retóricas, porque a minha opinião já está claramente expressa no texto. Sublinho agora duas coisas.

Antes de mais, eu sou um historiador pedestre, que constrói os alicerces sobre o empírico. Começo por estabelecer factos e ponho-os a par de outros factos, numa teia de comparações. Em seguida, procuro agrupar esses factos em variantes. Só depois de conceber as variantes é que, mediante o estudo comparativo, tento definir um modelo e leis gerais. Em sentido oposto, a coorte de autores que vocês evocam parte de um conceito, retirado da gaveta do politicamente correcto, e depois polvilha esse conceito com referências a alguns factos, bem ou mal delimitados. Essa gente não parte dos factos para estabelecer modelos gerais, mas parte da invenção de conceitos para deduzir factos. Inevitavelmente, fazer história por dedução dá maus resultados.

Sugiro-vos uma experiência. Apliquem o conceito de epistemicídio ao interior do paraíso do Sul Global. O que foram e como se fizeram ali as grandes civilizações? Pensem nos mongóis por exemplo, na colossal área civilizacional que aquela cavalaria nómada fundou, abram qualquer atlas histórico e vejam. Mais modestamente, na África pré-colonial, como se implantavam e expandiam as áreas de poder, com as novas civilizações que promoviam, cada uma com a sua própria abordagem da realidade, a sua mitologia, a sua língua, incluindo os critérios lógicos que a estruturavam — quantas outras mitologias e línguas elas arrasaram? Que epistemicídios! E não fiquemos por aqui, passemos à América pré-colombiana e à formação das grandes áreas civilizacionais. Os Aztecas, esses então, fizeram um epistemicídio pela raiz.

Epistemicídio e fundação de novas civilizações são sinónimos. Mas os departamentos de estudos sociais infantilizaram-se definitivamente, as suas produções teóricas estão ao nível das histórias de embalar crianças, os Bons e os Maus, o papão e os fantasmas, e a capuchinho vermelho que por um triz se livrou de ser epistemicidada.

Irado,

É lamentável que essa esquerda identitária não leia os fascistas, porque pouparia trabalho, veria aquilo que é. Um operário fascista diria o mesmo que essa pessoa que você cita. Partindo do conceito de &lt;em&gt;nação proletária&lt;/em&gt;, que foi o conceito gerador de todo o fascismo, o operário mussoliniano dizia que não era operário, mas italiano; o salazarista, que não era operário, mas português; o hitleriano que não era operário, mas membro da raça ariana ou nórdica, e o mesmo para todos eles. Esses movimentos identitários são o fascismo surgido agora de novo no campo da esquerda.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dante e Aníbal,</p>
<p>Se é certo que toda a estética tem uma versão <em>kitsch</em>, agora na estética — ou inestética — do discurso universitário o <em>kitsch</em> prolifera. O conceito de <em>epistemicídio</em> merece figurar na frente da galeria. Que palavra!</p>
<p>As questões que me colocaram são certamente retóricas, porque a minha opinião já está claramente expressa no texto. Sublinho agora duas coisas.</p>
<p>Antes de mais, eu sou um historiador pedestre, que constrói os alicerces sobre o empírico. Começo por estabelecer factos e ponho-os a par de outros factos, numa teia de comparações. Em seguida, procuro agrupar esses factos em variantes. Só depois de conceber as variantes é que, mediante o estudo comparativo, tento definir um modelo e leis gerais. Em sentido oposto, a coorte de autores que vocês evocam parte de um conceito, retirado da gaveta do politicamente correcto, e depois polvilha esse conceito com referências a alguns factos, bem ou mal delimitados. Essa gente não parte dos factos para estabelecer modelos gerais, mas parte da invenção de conceitos para deduzir factos. Inevitavelmente, fazer história por dedução dá maus resultados.</p>
<p>Sugiro-vos uma experiência. Apliquem o conceito de epistemicídio ao interior do paraíso do Sul Global. O que foram e como se fizeram ali as grandes civilizações? Pensem nos mongóis por exemplo, na colossal área civilizacional que aquela cavalaria nómada fundou, abram qualquer atlas histórico e vejam. Mais modestamente, na África pré-colonial, como se implantavam e expandiam as áreas de poder, com as novas civilizações que promoviam, cada uma com a sua própria abordagem da realidade, a sua mitologia, a sua língua, incluindo os critérios lógicos que a estruturavam — quantas outras mitologias e línguas elas arrasaram? Que epistemicídios! E não fiquemos por aqui, passemos à América pré-colombiana e à formação das grandes áreas civilizacionais. Os Aztecas, esses então, fizeram um epistemicídio pela raiz.</p>
<p>Epistemicídio e fundação de novas civilizações são sinónimos. Mas os departamentos de estudos sociais infantilizaram-se definitivamente, as suas produções teóricas estão ao nível das histórias de embalar crianças, os Bons e os Maus, o papão e os fantasmas, e a capuchinho vermelho que por um triz se livrou de ser epistemicidada.</p>
<p>Irado,</p>
<p>É lamentável que essa esquerda identitária não leia os fascistas, porque pouparia trabalho, veria aquilo que é. Um operário fascista diria o mesmo que essa pessoa que você cita. Partindo do conceito de <em>nação proletária</em>, que foi o conceito gerador de todo o fascismo, o operário mussoliniano dizia que não era operário, mas italiano; o salazarista, que não era operário, mas português; o hitleriano que não era operário, mas membro da raça ariana ou nórdica, e o mesmo para todos eles. Esses movimentos identitários são o fascismo surgido agora de novo no campo da esquerda.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Aníbal Quiéisso		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/09/133628/#comment-894560</link>

		<dc:creator><![CDATA[Aníbal Quiéisso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jun 2023 13:53:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dante, o problema parece ser que o epistemicidio se aplica a contextos não morticídas para os acadêmicos de plantão. Me chama atenção que nenhum deles lembra do caso do chá de Madagascar que era uma alternativa cultural às vacinas contra a covid-19. Afinal, como pode o universalismo ditar pautas comuns que dizem respeito à sobrevivência de uma humanidade inteira? 

Não entendo o que diz Sueli sobre &quot;cotas epistêmicas&quot;, mas me parece algo similar ao &quot;lugar de fala&quot; de Djamila Ribeiro. Aliás, esta última se baseou na tese do epistemicidio para colocar sua teoria de lugar de fala. Uma aposta que eu faço, enquanto trabalhador de uma escola de elite, é que a perspectiva ideológica da Djamila é muito mais confortável no currículo escolar porque aplica a lógica da ideologia no interior das empresas capitalistas e não ameaça a existência das elites, só funciona a partir de uma remodelação das mesmas. A premissa do epistemicidio em Djamila e Boaventura remetem ao decolonialismo, a ideia de que tudo que vem da Europa e do norte global é ruim, mesmo se for o caso de teorias anticapitalistas nos moldes modernos (anarquismo e marxismo). O que essa ideia de &quot;povos tradicionais&quot; remete é ao seu oposto, representado pelo colonialismo que seriam os &quot;povos não-tradicionais&quot;, isto é, que constituem sua cultura historicamente. Quando a globalidade dos povos subalternos propõem um novo modo de vida isso isso leva à obscolência de formações sociais antigas. Mas os decoloniais parecem mais inspirados em conservar estas formações anteriores. Pouco importa que os subalternos pautem-se por questões humanitárias, que não dizem respeito à sua tradição, mas à sua existência no mundo globalizado. O problema é que tais pautas põem em cheque os departamentos de pesquisa decoloniais, pois seu objeto de pesquisa vê-se como agente de mudança, e não estrutura passiva de pensamento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dante, o problema parece ser que o epistemicidio se aplica a contextos não morticídas para os acadêmicos de plantão. Me chama atenção que nenhum deles lembra do caso do chá de Madagascar que era uma alternativa cultural às vacinas contra a covid-19. Afinal, como pode o universalismo ditar pautas comuns que dizem respeito à sobrevivência de uma humanidade inteira? </p>
<p>Não entendo o que diz Sueli sobre &#8220;cotas epistêmicas&#8221;, mas me parece algo similar ao &#8220;lugar de fala&#8221; de Djamila Ribeiro. Aliás, esta última se baseou na tese do epistemicidio para colocar sua teoria de lugar de fala. Uma aposta que eu faço, enquanto trabalhador de uma escola de elite, é que a perspectiva ideológica da Djamila é muito mais confortável no currículo escolar porque aplica a lógica da ideologia no interior das empresas capitalistas e não ameaça a existência das elites, só funciona a partir de uma remodelação das mesmas. A premissa do epistemicidio em Djamila e Boaventura remetem ao decolonialismo, a ideia de que tudo que vem da Europa e do norte global é ruim, mesmo se for o caso de teorias anticapitalistas nos moldes modernos (anarquismo e marxismo). O que essa ideia de &#8220;povos tradicionais&#8221; remete é ao seu oposto, representado pelo colonialismo que seriam os &#8220;povos não-tradicionais&#8221;, isto é, que constituem sua cultura historicamente. Quando a globalidade dos povos subalternos propõem um novo modo de vida isso isso leva à obscolência de formações sociais antigas. Mas os decoloniais parecem mais inspirados em conservar estas formações anteriores. Pouco importa que os subalternos pautem-se por questões humanitárias, que não dizem respeito à sua tradição, mas à sua existência no mundo globalizado. O problema é que tais pautas põem em cheque os departamentos de pesquisa decoloniais, pois seu objeto de pesquisa vê-se como agente de mudança, e não estrutura passiva de pensamento.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/09/133628/#comment-894542</link>

		<dc:creator><![CDATA[Irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jun 2023 09:20:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“Eu não sou humano, sou quilombola”.  “A luta de classes é a luta do trabalhador contra o patrão. O quilombola e o indígena não são uma coisa nem outra, ficamos de fora. Essa é uma luta cristã. Tanto Jesus quanto Karl Marx concordam que o trabalho é a base de tudo”. Antônio Bispo  dos Santos.

Atualizando o debate, eis a resposta ao Universalismo que vem sendo festejada pela &quot;esquerda&quot;...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Eu não sou humano, sou quilombola”.  “A luta de classes é a luta do trabalhador contra o patrão. O quilombola e o indígena não são uma coisa nem outra, ficamos de fora. Essa é uma luta cristã. Tanto Jesus quanto Karl Marx concordam que o trabalho é a base de tudo”. Antônio Bispo  dos Santos.</p>
<p>Atualizando o debate, eis a resposta ao Universalismo que vem sendo festejada pela &#8220;esquerda&#8221;&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dante		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/09/133628/#comment-894526</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dante]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jun 2023 04:08:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,
Recentemente, uma professora doutora em História Cultural disse as seguintes palavras:
«[...] entende-se por cotas epistémicas acções de equidade a fim de promover a valorização e a legitimação de diferentes e variadas formas de saber, conhecer, entender e explicar o mundo. Então, tanto o conceito de eurocentrismo quanto de racismo epistémico, são reconhecidos e estão presentes institucionalmente nas políticas da [universidade]». Ela proferiu essas palavras com o intuito de refutar um sujeito que questionou o conceito de eurocentrismo.
É curioso pensar que, em seu argumento, a doutora utiliza-se do facto dum conceito ser reconhecido e institucionalizado para validá-lo e considerá-lo adequado historicamente. E, ainda, para embasar seu argumento, utilizou-se da tese de Aparecida Sueli Carneiro chamada «A construção do outro como não-ser como fundamento do ser». Que disponibilizo aqui: https://negrasoulblog.files.wordpress.com/2016/04/a-construc3a7c3a3o-do-outro-como-nc3a3o-ser-como-fundamento-do-ser-sueli-carneiro-tese1.pdf
Ela citou mais especificamente o capítulo 3, intitulado «Do epistemicídio». Neste capítulo, Carneiro afirma: «É importante lembrar que o conceito de epistemicídio, utilizado aqui, não é por nós extraído do aparato teórico de Michel Foucault. Fomos buscá-lo no pensamento de Boaventura Sousa Santos». Sim, o mesmo Boaventura que recentemente foi afastado dos cargos institucionais da universidade de Coimbra devido às denúncias de assédio. Curioso como os identitários e pós-modernos têm reagido em relação ao caso. E continua ela: «É o conceito de epistemicídio que decorre, na abordagem deste autor sobre o modus operandi do empreendimento colonial, da visão civilizatória que o informou, e que alcançará a sua formulação plena no racialismo do século XIX».
«Como já referido brevemente ao descrever a violência inerente ao processo colonial, Sousa Santos desvenda dois de seus elementos fundamentais: o genocídio e o epistemicídio. Para Sousa Santos, “o genocídio que pontuou tantas vezes a expansão européia foi também um epistemicídio: eliminaram-se povos estranhos porque tinham formas de conhecimento estranho”». Depois, ela vai buscar sustentar a tese de que tanto Kant como Hegel eram racistas e epistemicidas.
Bom, João, gostaria que tu comentasses a respeito dessas palavras expostas pela doutora em História Cultural e das escritas por Sueli Carneiro e Sousa Santos. Também gostaria que comentasses a respeito do conceito de «epistemicídio» e da lógica que normalmente é utilizada pelos académicos para tratar do assunto, que segue a seguinte direcção: eurocêntrico → epistemicida → racista → genocida.
Saudações!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,<br />
Recentemente, uma professora doutora em História Cultural disse as seguintes palavras:<br />
«[&#8230;] entende-se por cotas epistémicas acções de equidade a fim de promover a valorização e a legitimação de diferentes e variadas formas de saber, conhecer, entender e explicar o mundo. Então, tanto o conceito de eurocentrismo quanto de racismo epistémico, são reconhecidos e estão presentes institucionalmente nas políticas da [universidade]». Ela proferiu essas palavras com o intuito de refutar um sujeito que questionou o conceito de eurocentrismo.<br />
É curioso pensar que, em seu argumento, a doutora utiliza-se do facto dum conceito ser reconhecido e institucionalizado para validá-lo e considerá-lo adequado historicamente. E, ainda, para embasar seu argumento, utilizou-se da tese de Aparecida Sueli Carneiro chamada «A construção do outro como não-ser como fundamento do ser». Que disponibilizo aqui: <a href="https://negrasoulblog.files.wordpress.com/2016/04/a-construc3a7c3a3o-do-outro-como-nc3a3o-ser-como-fundamento-do-ser-sueli-carneiro-tese1.pdf" rel="nofollow ugc">https://negrasoulblog.files.wordpress.com/2016/04/a-construc3a7c3a3o-do-outro-como-nc3a3o-ser-como-fundamento-do-ser-sueli-carneiro-tese1.pdf</a><br />
Ela citou mais especificamente o capítulo 3, intitulado «Do epistemicídio». Neste capítulo, Carneiro afirma: «É importante lembrar que o conceito de epistemicídio, utilizado aqui, não é por nós extraído do aparato teórico de Michel Foucault. Fomos buscá-lo no pensamento de Boaventura Sousa Santos». Sim, o mesmo Boaventura que recentemente foi afastado dos cargos institucionais da universidade de Coimbra devido às denúncias de assédio. Curioso como os identitários e pós-modernos têm reagido em relação ao caso. E continua ela: «É o conceito de epistemicídio que decorre, na abordagem deste autor sobre o modus operandi do empreendimento colonial, da visão civilizatória que o informou, e que alcançará a sua formulação plena no racialismo do século XIX».<br />
«Como já referido brevemente ao descrever a violência inerente ao processo colonial, Sousa Santos desvenda dois de seus elementos fundamentais: o genocídio e o epistemicídio. Para Sousa Santos, “o genocídio que pontuou tantas vezes a expansão européia foi também um epistemicídio: eliminaram-se povos estranhos porque tinham formas de conhecimento estranho”». Depois, ela vai buscar sustentar a tese de que tanto Kant como Hegel eram racistas e epistemicidas.<br />
Bom, João, gostaria que tu comentasses a respeito dessas palavras expostas pela doutora em História Cultural e das escritas por Sueli Carneiro e Sousa Santos. Também gostaria que comentasses a respeito do conceito de «epistemicídio» e da lógica que normalmente é utilizada pelos académicos para tratar do assunto, que segue a seguinte direcção: eurocêntrico → epistemicida → racista → genocida.<br />
Saudações!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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