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	Comentários sobre: Apontamentos sobre a legalização do aborto em Portugal	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Ana Marques		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/09/134119/#comment-664773</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ana Marques]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2020 22:58:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá, Lucas.  

Agradeço o comentário, que permite esclarecer e sublinhar dois aspectos.

O discurso não foi vitimizador, desde logo porque não foi homogéneo. Apenas as abordagens mais radicalizadas privilegiaram o argumento da escolha, mais produtivo a longo prazo e menos produtivo a curto prazo. Sendo o objectivo imediato alterar a lei, as campanhas privilegiaram o argumento da justiça, mais produtivo a curto prazo e menos produtivo a longo prazo. E o objectivo foi conseguido. Isso é referido no antepunúltimo parágrafo. 

A percepção social da mulher como vítima também não é vitimização. É antes um resultado directo de uma cultura que vitimiza, de facto, as mulheres, no sentido em que as diminui em todas as esferas da vida social e pessoal. Muitas vezes (incluindo casos de natureza semelhante ao que está agora a receber atenção dos media no Brasil), a mulher é de facto uma vítima - e se interrompe a sua gravidez fá-lo na qualidade de vítima de uma cultura que banaliza o abuso e a violência.

Não sei se em Portugal há setores religiosos mais permeáveis ao debate sobre os direitos reprodutivos. Haverá vozes dissonantes das hierarquias da Igreja Católica, mas talvez não sejam muito significativas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, Lucas.  </p>
<p>Agradeço o comentário, que permite esclarecer e sublinhar dois aspectos.</p>
<p>O discurso não foi vitimizador, desde logo porque não foi homogéneo. Apenas as abordagens mais radicalizadas privilegiaram o argumento da escolha, mais produtivo a longo prazo e menos produtivo a curto prazo. Sendo o objectivo imediato alterar a lei, as campanhas privilegiaram o argumento da justiça, mais produtivo a curto prazo e menos produtivo a longo prazo. E o objectivo foi conseguido. Isso é referido no antepunúltimo parágrafo. </p>
<p>A percepção social da mulher como vítima também não é vitimização. É antes um resultado directo de uma cultura que vitimiza, de facto, as mulheres, no sentido em que as diminui em todas as esferas da vida social e pessoal. Muitas vezes (incluindo casos de natureza semelhante ao que está agora a receber atenção dos media no Brasil), a mulher é de facto uma vítima &#8211; e se interrompe a sua gravidez fá-lo na qualidade de vítima de uma cultura que banaliza o abuso e a violência.</p>
<p>Não sei se em Portugal há setores religiosos mais permeáveis ao debate sobre os direitos reprodutivos. Haverá vozes dissonantes das hierarquias da Igreja Católica, mas talvez não sejam muito significativas.</p>
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		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/09/134119/#comment-664713</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2020 15:28:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[olá Ana, é muito interessante ver como se organizam os discursos pro e anti-escolha; essa leitura de um discurso vitimizador vindo da própria campanha pro-escolha é mesmo terrível.
Me chamou muito a atenção que em um país tão católico como a Polônia tenha surgido a iniciativa da greve de mulheres em 2016, contra a lei que passaria a banir completamente o aborto. Existe em Portugal uma polarização rígida entre religiosos e religiosas contra o movimento de mulheres, ou existem setores religiosos mais permeáveis ao debate sobre os direitos reprodutivos?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>olá Ana, é muito interessante ver como se organizam os discursos pro e anti-escolha; essa leitura de um discurso vitimizador vindo da própria campanha pro-escolha é mesmo terrível.<br />
Me chamou muito a atenção que em um país tão católico como a Polônia tenha surgido a iniciativa da greve de mulheres em 2016, contra a lei que passaria a banir completamente o aborto. Existe em Portugal uma polarização rígida entre religiosos e religiosas contra o movimento de mulheres, ou existem setores religiosos mais permeáveis ao debate sobre os direitos reprodutivos?</p>
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